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Recursos no CPC - aspectos gerais

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1. DOUTRINA (RESUMO) 
1.1. DOS RECURSOS. DOS ASPECTOS GERAIS 
1.1.1. CONCEITO 
 
O recurso é uma espécie de meio de impugnação das decisões judiciais, proferidas em um mesmo processo, com a finalidade de obter-lhe a invalidação, a reforma, o esclarecimento ou a integração. O conceito de recurso deve ser construído partindo-se de cinco características essenciais: 
 
a) Voluntariedade. 
b) Previsão expressa em lei federal. 
c) Desenvolvimento no próprio processo no qual a decisão impugnada foi proferida. 
d) Manejável pelas partes, terceiros prejudicados e Ministério Público. 
e) Possui como objetivo reformar, anular, integrar ou esclarecer decisão judicial. 
 
	Portanto, o recurso é um meio de impugnação da decisão judicial, voluntário, que se desenvolve no próprio processo em que a decisão foi proferida, previsto como tal em lei federal, interposto pelas partes, terceiro prejudicado ou Ministério Público, com o objetivo de reformar, anular, esclarecer ou integrar uma decisão. 
	 
 
1.1.2. CLASSIFICAÇÃO 
A doutrina, tradicionalmente, adota quatro critérios de classificação dos 
recursos: 
 
1.1.2.1. Objeto Imediato Tutelado Pelo Recurso 
 
Ao adotarmos esse critério os recursos são divididos em duas espécies: 
 
a) Recursos ordinários: possui como objeto a tutela do interesse das partes. Quando o legislador cria um recurso ordinário, ele está pensando nas partes, em fornecer a estas um mecanismo de defender os seus próprios interesses. 
b) Recursos extraordinários: busca a preservação do direito, e não propriamente os interesses das partes. 
 
Contudo, é importante ressaltar que no nosso ordenamento jurídico não existe recurso subjetivo, ou seja, todos os nossos recursos são objetivos. Portanto, até nos recursos extraordinários teremos a tutela da parte, pois se a parte que recorreu extraordinariamente sagrar-se vencedora terá tutelado o seu interesse. 
Além disso, o cabimento de recurso extraordinário depende exaurimento dos 
recursos ordinários. 
 
1.1.2.2. Fundamentação Recursal (Causa De Pedir Recursal) 
 
Neste caso, temos o recurso de fundamentação livre e o recurso de 
fundamentação vinculado. 
 
a) Recurso de fundamentação livre: o recorrente pode alegar qualquer matéria. Lembrando que abstratamente o recorrente pode alegar qualquer matéria, mas, no caso concreto terá que restringir a impugnação ao objeto da demanda e respeitar as preclusões. 
b) Recurso de fundamentação vinculada: a parte só pode alegar 
	matéria expressamente prevista em lei. Exemplos: Recurso Extraordinário, Recurso Especial e os embargos de declaração. No recurso de fundamentação vinculada, qualquer causa de pedir que extrapole o rol legal gera a inadmissão do recurso. 
	 
 
1.1.2.3. Abrangência da matéria Impugnada 
 
a) Recurso total: é o recurso que traz a impugnação de toda parte da decisão que gerou sucumbência. Para o recurso ser total, não é necessária a impugnação da totalidade da decisão, mas da parte relacionada à sucumbência. 
b) Recurso parcial: é o recurso que traz a impugnação de parte da decisão que gerou sucumbência. 
 
Art. 1.002. A decisão pode ser impugnada no todo ou em parte. 
 
Quem escolhe se o recurso será total ou parcial é o recorrente. 
Sobre o tema, é importante ressaltar que o capítulo não impugnado fica acobertado pela preclusão. Assim, o tribunal, ao julgar o recurso parcial, não poderá adentrar o exame de qualquer aspecto relacionado ao capítulo não impugnado. 
O §1º do art. 1.013 do CPC, embora trate da apelação, é parâmetro interpretativo para os demais recursos: 
 
§ 1º Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que não tenham sido solucionadas, desde que relativas ao capítulo impugnado. 
 
No mesmo sentido, o parágrafo único do art. 1.034 que regula o efeito dos 
recursos extraordinários: 
 
Parágrafo único. Admitido o recurso extraordinário ou o recurso especial por um fundamento, devolve-se ao tribunal superior o conhecimento dos demais fundamentos para a solução do capítulo impugnado. 
 
1.1.2.4. Independência ou Subordinação do Recurso 
 
a) Recurso principal/independente: é o recurso interposto no prazo recursal e 
independe da postura da parte contrária diante da decisão. 
b) Recurso subordinado: é o recurso interposto no prazo das contrarrazões e 
depende da postura adotada pela parte contrária diante da decisão. Em outras palavras, só existe porque a parte contrária recorreu, pois, se a parte contrária não tivesse recorrido, a decisão teria transitado em julgado. A subordinação revela-se na circunstância de que o conhecimento desse recurso depende do conhecimento do recurso interposto pela outra parte. Há duas espécies de recurso subordinado previstas no CPC: o recurso adesivo (art. 997, §1º) e a apelação do vencedor contra decisão interlocutória (art. 1.009, §1º). 
Características do recurso adesivo, art. 997 do NCPC: 
 
Art. 997. Cada parte interporá o recurso independentemente, no prazo e com observância das exigências legais. 
§ 1º Sendo vencidos autor e réu, ao recurso interposto por qualquer deles poderá aderir o outro. 
§ 2º O recurso adesivo fica subordinado ao recurso independente, sendo-lhe aplicáveis as mesmas regras deste quanto aos requisitos de admissibilidade e julgamento no tribunal, salvo disposição legal diversa, observado, ainda, o seguinte: 
I - será dirigido ao órgão perante o qual o recurso independente fora interposto, no prazo de que a parte dispõe para responder; 
II - será admissível na apelação, no recurso extraordinário e no recurso especial; 
III - NÃO SERÁ CONHECIDO, se houver desistência do recurso principal ou se for ele considerado inadmissível. 
 
O Recurso adesivo é interposto no prazo das contrarrazões do recurso principal e não é qualquer recurso que possibilita a existência de um recurso adesivo, mas apenas o recurso de apelação, extraordinário e o especial. Ademais, cabe frisar que o recurso adesivo não é uma nova espécie recursal, mas forma diferenciada de interposição dos três recursos que o possibilitam. 
É importante ressaltar que só é possível a interposição de recurso adesivo no caso de sucumbência recíproca. Além disso, este só será julgado se o recurso principal for admitido, ou seja, só há uma chance de o tribunal julgar o recurso adesivo se o recurso principal for conhecido. 
 
1.1.3. PRINCÍPIOS RECURSAIS 
1.1.3.1. Duplo grau de jurisdição 
 
Refere-se à possibilidade de revisão da solução do processo, ou seja, a permissão para que a parte possa ter uma segunda opinião concernente à decisão da causa. 
	A doutrina majoritária entende que ao recurso extraordinário e especial não se aplica o princípio do duplo grau de jurisdição, tendo em vista que a devolução é limitada a apenas matéria de direito e são recursos de fundamentação vinculada, no qual o recorrente somente poderá alegar as matérias exaustivamente previstas em lei. 
	
A doutrina diverge com relação à necessidade de julgamento por órgão jurisdicional hierarquicamente superior ao órgão prolator da decisão para que seja considerado aplicado o duplo grau de jurisdição. Parte da doutrina entende que não há essa necessidade, pugnando pela existência do duplo grau de jurisdição em casos como o recurso inominado previsto na Lei 9.099/1995. Outra parcela da doutrina, entende ser imprescindível para a aplicação do referido princípio o julgamento do recurso por órgão jurisdicional hierarquicamente superior (NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de direito processual civil. 2018 e DIDIER Jr., Fredie; Leonardo Carneiro. Curso de Direito Processual Civil v.3 – 18. ed, 2021). 
 
1.1.3.2. Taxatividade 
 
Por este princípio, somente pode ser considerado recurso o instrumento de impugnação que estiver expressamente previsto em lei federal como tal. 
O princípio da taxatividade impede que as partes, ainda que de comum acordo, criem recursos não previstos pelo ordenamento jurídico processual. Mesmo com a permissão do acordo procedimental previsto no art. 190 do Novo CPC não é possível