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Recursos em espécie no CPC - RESUMO COMPLETO

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1. DOUTRINA (RESUMO) 
1.1. DOS RECURSOS EM ESPÉCIE 
1.1.1. APELAÇÃO a) Cabimento 
 
Nos termos do caput do art. 1.009, pouco importa a espécie de procedimento ou processo, sendo certo que havendo uma sentença, seja terminativa ou de mérito, contra ela caberá apelação. 
 
Art. 1.009. Da sentença cabe apelação. 
 
Essa regra, contudo, possui 03 exceções, nas quais haverá sentenças, contra as 
quais não caberá apelação: 
 
a) Nos juizados especiais, há expressa previsão legal de cabimento de recurso inominado contra a sentença (Art. 41, da 
Lei 9.099/95); 
	b) Na Lei de Execuções Fiscais é previsto o cabimento de embargos infringentes contra as sentenças proferidas em execuções fiscais de valor igual ou inferior a 50 OTN (Art. 34 da Lei 6.830/80); 
	 
c) Por fim, o próprio CPC contém uma exceção à regra, indicando o cabimento de recurso ordinário constitucional contra sentença proferida em processo em que forem partes, de um lado, Estado estrangeiro ou organismo internacional e, de outro, Município ou pessoa residente ou domiciliada no Brasil (Art. 1.027, II, “b”, CPC). 
 
b) Objeto da impugnação 
 
Nos termos do §1º, as questões não resolvidas na fase de conhecimento não impugnáveis por agravo de instrumento, serão suscitadas em preliminar de apelação interposta contra sentença ou nas contrarrazões de tal recurso: 
 
§1º - As questões resolvidas na fase de conhecimento, se a decisão a seu respeito não comportar agravo de instrumento, não são cobertas pela preclusão e devem ser suscitadas em preliminar de apelação, eventualmente interposta contra a decisão final, ou nas contrarrazões. 
 
No caso de alegação em preliminar de apelação, o apelado já será intimado para contrarrazoar a impugnação da decisão interlocutória e da sentença. Já no caso de a alegação ocorrer em contrarrazões, o apelante deve ser intimado para responder no prazo de 15 dias. Haverá, nesse caso, a estranha situação das contrarrazões de contrarrazões: 
 
§2º - Se as questões referidas no §1º forem suscitadas em contrarrazões, o recorrente será intimado para, em 15 (quinze) dias, manifestar-se a respeito delas. 
 
Diante dessa situação, salvo as decisões interlocutórias impugnáveis por agravo de instrumento, a apelação passa a ser o recurso cabível das sentenças e das decisões interlocutórias proferidas durante o procedimento. 
Sobre o tema, é preciso, desde logo, fazer algumas observações. Essa sistemática restringe-se à fase de conhecimento, não se aplicando as fases de liquidação e de cumprimento de sentença, nem ao procedimento de execução de título executivo 
	extrajudicial e ao processo de inventário. Nesses casos, toda e qualquer decisão interlocutória é passível de agravo de instrumento, conforme disposto no parágrafo único do art. 1.015 do CPC. A própria jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça já se pronunciou sobre a questão, reafirmando o previsto no referido dispositivo legal (STJ. Corte Especial. REsp 1803925-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 01/08/2019 - Informativo 653). 
	
Além dessas hipóteses, também se inclui na mesma sistemática as decisões interlocutórias proferidas no processo de recuperação judicial e de falência, segundo entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso especial repetitivo: “cabe agravo de instrumento de todas as decisões interlocutórias proferidas no processo de recuperação judicial e no processo de falência, por força do art. 1.015, parágrafo único, do CPC/2015 (STJ. 2ª Seção. REsp 1717213-MT, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 03/12/2020 (Recurso Repetitivo – Tema 1022) - Informativo 684)”. Cabe ressaltar que a nº Lei 14.112/2020 alterou a Lei nº 11.101/2005 incluindo o § 1º ao art. 189 da Lei nº 11.101/2005 que dispõe que “as decisões proferidas nos processos a que se refere esta Lei serão passíveis de agravo de instrumento, exceto nas hipóteses em que esta Lei previr de forma diversa”. Desse modo, existe atualmente previsão expressa na Lei nº 11.101/2005 no sentido de que cabe agravo de instrumento contra as decisões proferidas na falência e recuperação judicial. 
Também será objeto do recurso de apelação as matérias agraváveis que 
tenham sido decididas na sentença, conforme previsto no §3º do art. 1009 do CPC: 
 
§3º - O disposto no caput deste artigo aplica-se mesmo quando as questões mencionadas no art. 1.015 integrarem capítulo da sentença. 
 
ATENÇÃO! O conhecimento a respeito do tema foi cobrado pela FCC NO CONCURSO DA 
MAGISTRATURA DO ESTADO DE SANTA CATARINA DO ANO DE 2017, tendo a banca examinadora considerado incorreta a seguinte afirmativa: “A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada; já o capítulo da sentença que confirma, concede ou revoga a tutela provisória não é impugnável na apelação, mas por meio de interposição de agravo autônomo”. 
 
c) Efeito suspensivo 
 
A regra disposta no art. 1.012 do CPC é que o recurso de apelação possui efeito suspensivo. Contudo, o próprio art. 1.012, em seu §1º, prevê exceções a esta regra, em que a apelação terá apenas efeito devolutivo. 
 
Art. 1.012. A apelação terá efeito suspensivo. 
§ 1º Além de outras hipóteses previstas em lei, começa a produzir efeitos imediatamente após a sua publicação a sentença que: 
I - homologa divisão ou demarcação de terras; 
II - condena a pagar alimentos; 
III - extingue sem resolução do mérito ou julga improcedentes os 
IV - julga procedente o pedido de instituição de arbitragem; 	7 embargos do executado; 
V - confirma, concede ou revoga tutela provisória; VI - decreta a interdição. 
 
É importante ressaltar que a lei de locações prevê em seu art. 58, inciso V, que 
os recursos interpostos contra as sentenças terão efeito somente devolutivo, tratando, de mais uma exceção a regra do efeito suspensivo do recurso de apelação. Sobre o tema, a jurisprudência do STJ entende que, mesmo que a ação de despejo seja cumulada com o pedido de cobrança dos aluguéis, o recurso de apelação será recebido apenas no efeito devolutivo. 
Além da hipótese elencada acima, segue alguns exemplos de apelação sem efeito suspensivo automático previstos na legislação extravagante: a) Lei da ação civil pública (art. 14 da Lei nº 7.347/85), b) sentença que concede o mandado de segurança (art. 14, §3º, da Lei nº 12.016/2009, c) sentença que conceder o habeas data (art. 15, paragrafo único, da Lei nº 9.507/97, d) sentença que deferir a adoção, salvo se se tratar de adoção internacional ou se houver perigo de dano irreparável ou de difícil reparação ao adotando (art. 199-A do ECA) e a sentença que destituir ambos ou qualquer dos genitores do poder familiar (art. 199-B do ECA). 
Mesmo nos casos em que a apelação não possuir efeitos suspensivo automático é possível o requerimento deste efeito, conforme disposto no §3º e 4º do art. 1012 CPC. 
 
§ 3º O pedido de concessão de efeito suspensivo nas hipóteses do § 1º poderá ser formulado por requerimento dirigido ao: 
I - tribunal, no período compreendido entre a interposição da apelação e sua distribuição, ficando o relator designado para seu exame prevento para julgá-la; 
II - relator, se já distribuída a apelação. 
§ 4º Nas hipóteses do § 1º, a eficácia da sentença poderá ser suspensa pelo relator se o apelante demonstrar a probabilidade de provimento do recurso OU se, sendo relevante a fundamentação, houver risco de dano grave ou de difícil reparação. 
 
	Sobre o tema, importante ressaltar a diferença entre a concessão do efeito suspensivo na apelação sem efeito suspensivo automático do deferimento do efeito suspensivo aos demais recursos pelo relator, previsto no parágrafo único do art. 995 do CPC. Isto porque no caso da apelação, o §4º do art. 1012 CPC prevê duas hipóteses em que se autoriza a concessão do efeito suspensivo:
 a) se houver probabilidade de provimento da apelação; b) se houver relevante fundamental e risco de dano grave ou de difícil reparação. A primeira hipótese é exemplo de tutela de evidência recursal e a segunda hipótese é o tradicional caso de tutela de urgência recursal. Já no caso do deferimento