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CADERNO - 3o - 2A UNIDADE - DIREITO E TECNOLOGIA

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CADERNO – FBDG - 3º semestre DIREITO E TECNOLOGIA – MARCUS SEIXAS
AULA 01 – OBSERVAÇÕES GERAIS E A TECNOLOGIA NO SÉCULO XXI 
OBSERVAÇÕES GERAIS DA DISCIPLINA:
· Disciplina que abre os horizontes e, cada vez mais, trata de uma questão contemplada pelos profissionais do Direito;
· Os principais aspectos das tecnologias utilizadas na vida em sociedade são de fundamental importância para que o profissional lide com uma grande quantidade de demandas; 
· Avaliações (25/03 e 27/05) serão individuais, compostas por três questões (geralmente duas teóricas e uma prática), com limites de linhas e realizadas em sala presencialmente. 
· A segunda avaliação será pautada na análise de um caso concreto (é necessário, portanto, estudar profundamente o caso para ter a capacidade de responder às perguntas); 
· Temas a serem discutidos: LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), a Lei do Marco Civil da Internet; a neutralidade dos serviços de internet; a Inteligência Artificial (IA) no nosso dia-dia; direito ao esquecimento e à internet; cookies, internet das coisas; governança algorítmica; DLT, Blockchain e as criptomoedas; o smartcontract; os direitos de autor e P2P; biotecnologia e biossegurança; VANS/drones; 
· A LGPD dialoga com os limites e possibilidades do uso de dados pessoais por terceiros.
· A Lei do Marco Civil da Internet regulamenta como deve funcionar a internet no Brasil, como o país pode regular essa matéria se a internet não é brasileira e quais são as fronteiras da intervenção brasileira em temas associados à internet. 
· A neutralidade dos serviços de internet pauta-se na proibição de haver discriminação com base nos sujeitos ou no objeto/conteúdo de uso da rede.
· Por exemplo, no que tange à atuação da Inteligência Artificial, pode-se citar a ocasião na qual há o bloqueio de transações de cartão de crédito, por exemplo, em compras realizadas no exterior (Estados Unidos, China...). Assim, contata-se o proprietário para verificar se, de fato, aquela transação é válida. Isso ocorre porque a empresa é detentora do histórico de compras dos indivíduos. Se, a título exemplificativo, há o molde do histórico de compras de Marcus (gasolina, mercado, americanas, amazona, magazine, restaurantes – gastos no Brasil), pode ocorrer o bloqueio da transação de um material de construção de R$ 30.000,00 que ele adquiriu no Vietnã. Daí a necessidade de Marcus confirmar a transação para a confirmação da compra. 
· A IA também se encontra presente em serviços de streaming (Netflix, Amazon Prime, Sportify), uma vez que é traçado o perfil do consumidor para indicar filmes/séries/músicas (sugestões: “como você gostou de X, talvez se interesse por Y”). Às vezes é comum termos essa sensação de “espionagem”, principalmente, quando recebemos em nosso e-mails ou navegadores anúncios de coisas que estávamos procurando ou conversando com alguém a respeito; 
· Outro exemplo, cada vez mais comum, consiste no sistema de câmeras de reconhecimento facial. No último carnaval realizado na Bahia, antes do período pandêmico, o governo anunciou o sistema de câmeras de reconhecimento facial para identificar criminosos (e alguns foragidos foram, de fato, capturados). Entretanto, essa tecnologia também teve uma má repercussão em virtude da grande quantidade de falsos positivos. Portanto, uma vez que se encontra projetada para reconhecer um grupo determinado de pessoas (e pautada em uma visão de um sistema branco), essa IA precisa ser treinada (deep learning) para não oferecer riscos à população. 
· Além dos desafios regulatórios, outro tema essencial vinculado à tecnologia trata-se da governança algorítmica – responsabilidade interna da empresa que esteja construindo algum tipo de tecnologia, ou seja, antes de lançar a tecnologia no mercado é necessário checar e rechecar aquela programação, realizando testes com o fito de evitar lançar no mercado um instrumento que ofereça riscos à população.
· Com o Blockchain, não há mais a dependência do armazenamento de informações pessoais de forma centralizada, uma vez que há a descentralização dos dados e constitui-se uma tecnologia extremamente segura e imune a fraudes (justamente em virtude da criação dessa “rede”). O Blockchain também se encontra vinculado às criptomoedas (como as bitcoins). 
· O smartcontract feito para facilitar e reforçar a negociação ou desempenho de um contrato, proporcionando confiabilidade em transações online. Esse smartcontract, para algumas pessoas, aproxima as profissões do advogado e do programador – trata-se de um contrato que não depende das partes para se concretizar, dando mais segurança jurídica. 
· No que diz respeito aos direitos de autor e P2P, a ascensão do Torrent, por exemplo, torna-se uma grande ameaça. 
· Os liames éticos envolvendo a biotecnologia e a biossegurança serão, também, contempladas no curso, discutindo-se questões como as células-tronco, transgenia, clonagem, etc.
· Os veículos aéreos não tripulados (VANS/drones) são, também, alvo da disciplina, uma vez que existem limites para o uso desses no Brasil. 
INTRODUÇÃO À LGPD:
1. O controle de dados na contemporaneidade:
O FaceApp – que se popularizou recentemente por permitir a projeção dos usuários no futuro (versão idosa) – possuía uma grande quantidade de informações contidas nos celulares desses usuários (como fotos, por exemplo). O PROCOM-SP tentou aplicar uma multa nessa empresa, entretanto, esta não detinha patrimônio/sede no Brasil, multando-se a Apple e o Google por permitirem a instalação de um aplicativo que colocava em risco a privacidade e a segurança dos usuários. 
 
Muita gente faz, hoje em dia, uso das assistentes virtuais (como Siri, por exemplo) – IA de reconhecimento de voz e fala -, entretanto, esses recursos fornecem riscos à privacidade dos usuários visto que funcionam como microfones instalados no ambiente. 
O Google fatura, principalmente, através de anúncios direcionados a depender do perfil dos usuários e pode armazenar informações como áudios dos usuários e monitorar os locais mais visitados por eles. O Google, portanto, é uma grande empresa de publicidade (fim), sendo a tecnologia (meio) crucial para esse processo de enriquecimento. 
Hoje, usamos bastante as ferramentas do Google como Gmail, Google Maps, Google Street View, Google Drive, Google Meet, Google Chrome, Google Agenda, Google Docs – e, por conseguinte, assumimos o papel de produto e não de consumidor. Os consumidores são os anunciantes. Por isso se diz que “os dados são o novo petróleo”, em virtude, justamente dessa economia de dados e da ascensão de empresas de BigDatas (Facebook, Google, Apple...) 
Cambridge Analytica (escândalo): Essa empresa foi capaz de traçar o alinhamento político dos cidadãos e dados foram sendo utilizados para conseguir votos (e, inclusive, converter votos) nas eleições presidenciais dos Estados Unidos (inclusive através de fake news) que elegeram Donald Trump. Essa polêmica é retratada no documentário da Netflix denominado “Privacidade Hackeada”. 
 
OBS: O Google teve que borrar as imagens das pessoas que apareciam nas fotos coletadas pelo Google Street View (mesmo sem querer o Google adquiria dados dos usuários, uma vez que o objetivo era somente fotografar as localizações geográficas). 
Durante o período pandêmico, muitos governos passaram a armazenar mais dados dos usuários e, inclusive, de forma arbitrária já que alguns países obrigaram a população a manter ativo um aplicativo que monitorava, entre outras coisas, o local em que essas pessoas transitavam. Destarte, se João, por exemplo, teve contato com Mário que testou positivo para a covid-19, o aplicativo informava esse fato e sugeria o cumprimento da quarentena por parte de João. 
Não é somente o setor privado que armazena nossos dados, mas o setor público detém e utiliza bastante os nossos dados. O governo chinês, a título exemplificativo, está fazendo um experimento social de rankeamento dos cidadãos (se frequenta ou falta o trabalho, se está vacinado e vacinou seus filhos, se paga tributos) de acordo com a