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36 - Manual de Restauracao de Pavimentos Asfalticos

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Manual de Restauração de Pavimentos Asfálticos 66 
MT/DNIT/DPP/IPR 
Figura 15 - Ilustração do escorregamento 
Deslocamento Vertical
A
A B
B
ACOSTAMENTO 
• Exsudação 
A exsudação é uma ocorrência ocasionada pela formação de uma película ou filme 
de material betuminoso na superfície do pavimento e se caracteriza por manchas 
de variadas dimensões. Estas manchas resultantes comprometem seriamente a 
aderência do revestimento aos pneumáticos, principalmente sob tempo chuvoso, 
caracterizando um sério problema funcional. 
A exsudação poderá ocorrer por duas razões: 
− dosagem inadequada da mistura asfáltica, acarretando teor excessivo de ligante 
e/ou índice de vazios muito baixo; 
− temperatura do ligante acima da especificada no momento da mistura, 
acarretando a dilatação do asfalto e ocupação irreversível dos vazios entre as 
partículas. 
Com a ação do tráfego e de altas temperaturas, o cimento asfáltico da mistura irá 
expandir preenchendo os vazios não preenchidos. Desta forma, ocorre a migração 
e concentração do ligante na superfície do revestimento. A passagem das cargas 
poderá causar um aumento da densificação da mistura nas trilhas de roda (redução 
do volume de vazios) e aumentar a exsudação. 
A exsudação poderá se manifestar em qualquer região da superfície do pavimento, 
sendo mais severa nas trilhas de roda. 
• Desgaste 
Desgaste é a perda de agregados e/ou argamassa fina do revestimento asfáltico. 
Caracteriza-se pela aspereza superficial anormal, com perda do envolvimento 
betuminoso e arrancamento progressivo dos agregados. 
O desgaste pode ser provocado pelos seguintes motivos: 
Manual de Restauração de Pavimentos Asfálticos 67 
MT/DNIT/DPP/IPR 
− redução da ligação existente entre o agregado e o ligante devido à oxidação do 
ligante e pela ação combinada do tráfego e dos agentes intempéricos; 
− perda de coesão entre agregado e ligante devido à presença de poeira ou 
sujeira no momento da construção; 
− execução da obra em condições meteorológicas desfavoráveis; 
− presença de água no interior do revestimento que originam sobrepressões 
hidrostáticas capazes de provocar o descolamento da película betuminosa; 
− deficiência localizada de ligante asfáltico nos serviços por penetração 
decorrente de entupimento dos bicos ou má regulagem da barra espargidora. 
Como resultado das causas prováveis acima enumeradas o ligante asfáltico fica 
impossibilitado de promover a retenção dos agregados que se soltam 
progressivamente sob a ação das cargas de tráfego. 
Pode ocorrer em toda a área da superfície do pavimento. 
• Panelas (buracos) 
As panelas são cavidades formadas inicialmente no revestimento do pavimento e 
que possuem dimensões e profundidades variadas. O defeito é muito grave pois 
afeta estruturalmente o pavimento, permitindo o acesso das águas superficiais ao 
interior da estrutura. Também é grave do ponto de vista funcional, já que afeta a 
irregularidade longitudinal e, como conseqüência, a segurança do tráfego, e o custo 
do transporte. 
As principais causas deste defeito podem estar relacionadas a: 
− trincamento por fadiga (estágio terminal); 
− desintegração localizada na superfície do pavimento (desgastes de severidade 
alta). 
Vale a pena lembrar que tanto o início desta falha quanto a sua evolução são 
aceleradas pela ação do tráfego e de fatores climáticos. 
As trincas de fadiga na medida que evoluem sofrem um processo de interligação, 
formando pequenas placas sem vínculo e com bordas erodidas. Com a passagem 
das cargas de tráfego estas placas vão sendo arrancadas, formando buracos no 
revestimento, os quais podem evoluir ao ponto de atingir a base do pavimento. A 
água superficial, que já possuía acesso até a base através das trincas, terá ainda 
maior facilidade de alcançar essa camada. A água sob pressão irá carrear o 
material mais fino da base e agravar o problema. No caso de desintegração, o 
processo é semelhante. 
Podem ocorrer em qualquer área do revestimento, principalmente nas trilhas de 
roda. 
A Figura 16 ilustra de maneira esquemática a ocorrência de panelas (buracos). 
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MT/DNIT/DPP/IPR 
Figura 16 - Ilustração de panelas. 
Tráfego
CL
10 cm
Profundidade Profundidade
ACOSTAMENTO 
 
• Remendos 
O remendo é uma porção do revestimento onde o material original foi removido e 
substituído por outro material (similar ou diferente). Remendos existentes são em 
geral consideradas falhas, já que refletem o mau comportamento da estrutura 
original, gerando normalmente incremento na irregularidade longitudinal. Deverá 
ser avaliada também a deterioração da área remendada (Figura 17). 
Os remendos são considerados defeitos quando provocam desconforto devido às 
seguintes causas: 
− solicitação intensa do tráfego; 
− emprego de material de má qualidade; 
− agressividade das condições ambientais; e 
− problemas construtivos. 
Os remendos, assim como os pavimentos, deterioram-se por diversos mecanismos, 
ou seja, a ação combinada do tráfego e das condições ambientais. 
A deterioração dos remendos ocorrem obviamente nas áreas remendadas, que se 
localizam em regiões isoladas do pavimento. 
Manual de Restauração de Pavimentos Asfálticos 69 
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Figura 17 - Ilustração de remendos. 
Tráfego
Remendo (nivelamento)
Remendo
CL
ACOSTAMENTO 
4.1.2 DNIT 006/2003–PRO - AVALIAÇÃO OBJETIVA DA SUPERFÍCIE DE PAVIMENTOS 
ASFÁLTICOS – PROCEDIMENTO 
O objetivo básico da Norma DNIT 006/2003-PRO é o de apresentar a sistemática de 
cálculo de um índice combinado de falhas, o Índice de Gravidade Global (IGG), derivado 
do "Severity Index" utilizado no Canadá pelo “Saskatchewan Department of Highways and 
Transportation”, e adaptado pelo Engenheiro Armando Martins Pereira, para as condições 
de pavimentos brasileiros. 
O cálculo do IGG inclui também a medida das profundidades dos afundamentos nas trilhas 
de roda, avaliadas a partir das medidas das flechas com treliça de base igual a 1,20 m. 
Além de todas as ocorrências constantes da Tabela 4 Codificação e Classificação dos 
defeitos. 
O efeito da irregularidade longitudinal, por sua vez, é avaliado de forma indireta pela 
dispersão das flechas medidas nas trilhas de roda, expressa através da variância 
determinada em uma análise estatística sobre os valores individuais obtidos em um 
determinado segmento. 
O IGG permite classificar o estado geral de um determinado trecho homogêneo de 
pavimento, em função da incidência de defeitos de superfície. Ele é um indicador das 
condições do pavimento, muito útil para a tomada de decisões quanto às intervenções de 
Restauração necessárias, atribuindo-lhe conceitos variáveis segundo a Tabela 5, a seguir 
apresentada: 
Tabela 5 - Condição do pavimento em função do IGG. 
CONCEITO LIMITES 
Ótimo 0 < IGG ≤ 20 
Bom 20 < IGG ≤ 40 
Regular 40 < IGG ≤ 80 
Ruim 80 < IGG ≤ 160 
Péssimo IGG > 160 
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A sistemática de cálculo do IGG é baseada na atribuição de pesos ou fatores de 
ponderação aplicáveis a cada evento mensurado (freqüência relativa de estações com 
ocorrência de cada tipo de defeito e parâmetros ligados à análise estatística das flechas 
nas trilhas de roda), pesos esses que buscam caracterizar sua influência sobre a serventia 
do pavimento. 
Nesse método, devem ser implantadas estações de ensaio afastadas de 20 m, alternando 
as faixas de tráfego direita e esquerda, para o caso de pista simples. Para o caso de pista 
dupla, as estações devem estar afastadas de 20 m, na mesma faixa de tráfego, que 
geralmente é a externa por ser a mais crítica. 
A superfície de avaliação será delimitada por uma seção transversal situada 3 m à ré da 
estação, por outra situada 3 m avante,
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