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AULA 06 ROTA DE APRENDIZAGEM PRODUÇÃO DE RECURSOS DIDATICOS EM HISTORIA

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de apresentar uma justificativa mais 
detalhada para a resposta a uma questão – destacando uma página do livro da 
disciplina, por exemplo – responde a uma dupla necessidade. Inicialmente, a de 
auxiliar o aluno a compreender a origem daquela resposta. Mas, também, é 
importante para instrumentalizar os professores que serão responsáveis pelo 
auxílio aos alunos de EaD. É que, no cotidiano das instituições de ensino à 
distância, muitas vezes os professores que atendem aos alunos não foram os 
mesmos que elaboraram as questões; e, também algo bastante comum, ainda 
que conheçam o tema, podem não ser especialistas no assunto. Isso significa 
que, fornecendo uma base para a resposta, pode-se ter maior homogeneidade 
no atendimento ao aluno de EaD, diante da diversidade de professores. Algo 
ainda mais fundamental na correção de questões discursivas, em que tais 
justificativas devem ser ainda mais detalhadas. 
Em síntese: a forma como questões objetivas e discursivas deve ser 
produzida em muitos cursos de história EaD atende às características 
específicas desse modelo de ensino, e tais questões devem ser vistas não como 
meros “exercícios” (o que seria retornarmos aos abomináveis questionários de 
outros tempos), mas como momentos privilegiados de ensino. 
TEMA 5 – LIVROS DIDÁTICOS PARA O ENSINO SUPERIOR DE HISTÓRIA 
Usualmente, alunos de cursos presenciais de história, no Brasil, não 
dispõem de livros didáticos para as diversas disciplinas. Trata-se de materiais 
 
 
14 
que, embora comuns em outros países12, foram desconsiderados durante muitos 
anos para o ensino superior pelos mesmos preconceitos, já discutidos, da grande 
maioria dos cursos universitários em história em relação aos materiais didáticos 
em geral. 
Os livros didáticos surgiram nos cursos superiores de história pelo modelo 
EaD enquanto uma necessidade. A heterogeneidade dos estudantes e de suas 
condições de estudo – local, horários, acesso a bibliotecas etc. – impossibilita 
que o mesmo modelo de ensino adotado nos cursos presenciais, fundado na 
leitura de capítulos de livros diversos (muito comumente fotocopiados), fosse 
utilizado também nos cursos à distância. Diante da necessidade de um mesmo 
material que estivesse à disposição de todos os alunos, muitas instituições de 
ensino superior de história no modelo EaD passaram a oferecer a seus alunos 
livros didáticos associados às diversas disciplinas. 
Determinados elementos da produção de livros didáticos para cursos 
superiores em história são semelhantes àqueles já discutidos em relação à 
produção desses recursos didáticos para o Ensino Fundamental ou Médio: a 
apresentação didática de conceitos, eventos e processos; a construção gradual 
do conteúdo em direção a uma maior abstração; o estabelecimento de relações 
entre o estudo do passado e o presente. Há, porém, diferenças que se 
relacionam à profundidade do conteúdo, bem como à necessidade da 
apresentação de diferentes perspectivas. 
Afinal, trata-se de materiais que não apenas buscam ensinar história e 
seus conceitos, mas também formar historiadoras e historiadores. Nesse 
sentido, é fato que os livros devem apresentar conhecimentos sobre o passado, 
bem como o domínio de diversos conceitos importantes aos estudos históricos. 
No entanto, além disso, os livros devem deixar claro a leitores/alunos que não 
está sendo apresentada a verdade histórica, mas ideias que naquele momento 
são centrais ao mundo acadêmico. Ideias que podem ser confirmadas, 
ampliadas, ou mesmo contestadas. 
Produzir livros didáticos para o ensino superior tem também como objetivo 
a produção de um conjunto de ferramentas intelectuais para os alunos, 
instrumentalizando-os para a participação de discussões, qualificando-os para 
 
12 Algumas historiadoras e alguns historiadores que foram listados, em texto anterior, como 
autores de livros didáticos, produziram também livros didáticos para o ensino superior, como são 
os casos de Lynn Hunt ou Bonnie Smith, por exemplo. 
 
 
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que se aprofundem nas questões que mais lhes interessem e, mesmo, que 
possam questionar conhecimentos e teorias estabelecidos. Os livros didáticos 
para o ensino superior, assim, devem ser considerados portas de entrada ao 
conhecimento disponível dos estudos acadêmicos em história: devem incentivar 
novas leituras, a participação em debates, o confronto de ideias. 
Assim como ocorre com livros didáticos para os ensinos Fundamental e 
Médio, também a autora ou autor de materiais para o ensino superior não se 
deve furtar a ensinar. Isso significa que deve fazer escolhas de temas, de 
fundamentos teóricos, de abordagens, segundo determinados critérios que julgar 
adequados, e em consonância com os pressupostos do conhecimento histórico. 
Porém, e ao mesmo tempo, os livros devem apresentar a possibilidade das 
diferentes perspectivas, considerando a multiplicidade de linhas teóricas que são 
característica das Ciências Humanas em geral, e da história, particularmente. De 
uma maneira didática e, ainda assim, abrangente e profunda, os livros didáticos 
para o ensino superior de história não visam defender uma tese ou apresentar 
hipóteses, mas permitir que alunos compreendam a pluralidade de visões, 
interpretações e conhecimentos próprios aos estudos históricos. 
NA PRÁTICA 
Como já comentado outras vezes, esta aula é um recurso didático; 
especificamente, um material didático para o Ensino à Distância em um curso 
superior de história. Como tal, surgiu de um diálogo entre nossa experiência em 
relação à produção de materiais didáticos, por um lado, e as necessidades da 
instituição de ensino superior, por outro. A seguir, você encontra, precisamente, 
um dos primeiros e-mails enviados pela instituição enquanto eram discutidas as 
condições para a produção desse material. 
 
 
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Figura 5 – Convite para produção de recurso didático em história 
 
Fonte: O autor. 
Compreender as condições práticas de produção de recursos didáticos 
não é mera empiria. Tentar dissociar a forma do conteúdo é ignorar que 
características técnicas como tamanho e tipo de fontes, quantidade de páginas, 
extensão de materiais complementares, tipos de arquivos, influenciam 
diretamente o conteúdo e dele não podem ser separados. 
Se o processo de avaliação é fundamental na construção do 
conhecimento em EaD, colocamos esse mesmo material à disposição de sua 
avaliação. Analise o trecho da mensagem reproduzido anteriormente, atentando 
para os objetivos a serem atingidos, bem como as regras a serem respeitadas. 
Compare o que foi pedido com todo o material que foi colocado à sua disposição. 
Considerando o material em sua totalidade, você acredita que esse 
recurso didático atende aos objetivos pretendidos pela instituição? Está 
adequado à formação de historiadoras e historiadores? Ou, dizendo de outra 
forma: caso você fosse responsável pela produção do material “Recursos 
didáticos em história”, o que faria diferente? Comparando com o que foi 
disponibilizado a você, que tópicos manteria, modificaria ou incluiria em seu 
material? Que elementos que você acredita que, sendo indispensáveis, não 
foram trabalhados? Você trabalharia os conteúdos de forma diferente? 
FINALIZANDO 
Enquanto aluna ou aluno de um curso de história na modalidade EaD, 
temos uma vantagem importante: conhecer profundamente esse modelo de 
 
 
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ensino e, assim, tendo melhor capacitação para construir – e, talvez, aprimorar 
– a produção de recursos didáticos específicos ao EaD. Experiências passadas 
demonstraram que os melhores recursos didáticos são aqueles que se alinham 
à plataforma em que são produzidos e divulgados. Assim, tendo toda uma 
formação em EaD, é muito possível fazer parte de todo um processo de 
aprimoramento do ensino à distância de história. Nós, como historiadoras e 
historiadores, somente temos a
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