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SEGUIMENTO FARMACOTERAPEUTICO

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ASSISTÊNCIA 
FARMACÊUTICA
Carolina Passarelli 
Gonçalves 
Seguimento 
farmacoterapêutico
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Compreender os processos utilizados nos seguimentos farmaco-
terapêuticos.
  Conhecer os principais consensos utilizados na atenção farmacêutica.
  Conhecer a documentação necessária para registro dos pacientes.
Introdução
A profissão farmacêutica, ao longo dos anos, vem sofrendo transformações 
relacionadas ao desenvolvimento acelerado da indústria farmacêutica, 
ao crescimento desenfreado de redes de drogarias e à pesquisa e ao 
desenvolvimento de novos fármacos cada vez mais inovadores, o que 
resultou no quase desaparecimento das farmácias magistrais, atividade 
exclusiva do farmacêutico. Por conta dessa transformação, o farmacêutico 
que atuava na drogaria passou a ser visto como um vendedor de medi-
camentos. A insatisfação provocada por essa condição foi a motivação 
para que, na década de 1960, estudantes e professores da Universidade 
de São Francisco, nos EUA, criassem uma nova modalidade para a pro-
fissão farmacêutica, denominada farmácia clínica. Essa nova atividade 
trata da aproximação do farmacêutico ao paciente e à equipe de saúde, 
desenvolvendo metodologias relacionadas à terapia medicamentosa. 
Após o movimento da farmácia clínica, em meados da década de 1970, 
visando ampliar a atuação do farmacêutico clínico, que antes se con-
centrava apenas no ambiente hospitalar, esse conceito foi atribuído ao 
profissional farmacêutico que também atuava nas farmácias comunitárias. 
O desenvolvimento do conceito atenção farmacêutica ocorreu a partir 
de então, mas só recebeu essa terminologia no final da década de 1980. 
Neste capítulo, você vai conhecer o seguimento farmacoterapêutico, 
que tem como objeto principal a garantia dos resultados desejados ao 
paciente com base na terapia medicamentosa. Além disso, também 
verá os consensos brasileiros sobre a atenção farmacêutica e a docu-
mentação necessária para registro de paciente e o acompanhamento 
da sua evolução.
Processos no seguimento farmacoterapêutico
O reconhecimento do seguimento farmacoterapêutico como prática profi s-
sional dos farmacêuticos clínicos está diretamente relacionado a um padrão 
de qualidade no registro dos dados do paciente. Para isso, é necessário que 
esse registro siga um padrão universal, que apresente defi nições claras dos 
problemas relacionados ao processo de atenção farmacêutica, que seja regis-
trado e aceito pelos outros profi ssionais da saúde, assim como pelas operadoras 
privadas e públicas que fi nanciam a assistência à saúde.
A seguir, você vai estudar os três processos farmacoterapêuticos ampla-
mente utilizados no mundo todo e que possibilitam a aplicação do seguimento 
farmacoterapêutico com qualidade, de maneira padronizada, e que permitem 
que, além de identificar o problema do paciente relacionado ao medicamento, 
o profissional consiga solucioná-lo de maneira satisfatória. 
S.O.A.P — Subjective, Objective, Attention, Plan
O método S.O.A.P. é amplamente utilizado por profi ssionais da saúde para re-
gistro da evolução dos problemas. Cada letra refere-se a um tipo de informação: 
  S (subjetivo): refere-se ao registro das informações com base na expe-
riência da pessoa que está sendo atendida. A abordagem deve sempre 
estar voltada para esclarecimentos sobre problemas relacionados a 
medicamentos. 
  O (objetivo): nesse tópico, é possível registrar dados da anamnese do 
paciente, assim como outros resultados de exames.
  A (avaliação): aqui, o farmacêutico deve registrar as suspeitas em relação 
a problemas que o paciente está tendo e que estão associados a terapias 
medicamentosas.
  P (plano): o farmacêutico deve apresentar propostas de intervenções 
e avaliar se é necessário entrar em contato com o prescritor. Nesse 
ponto, também, deve-se oferecer possibilidades para a continuidade 
do acompanhamento farmacêutico.
Seguimento farmacoterapêutico2
PW — Pharmacotherapy Workup
A sigla PW é utilizada desde 2004, em substituição à sigla PWDT (Pharmacist’s 
Workup of Drug Therapy), desenvolvida por Strand et al. (1988 apud CON-
SELHO..., 2016a), da Universidade de Minnesota nos EUA. Nesse modelo, 
a atenção deve concentrar-se nas questões da terapia medicamentosa, par-
ticularmente na presença de risco ou de problemas na terapia, tendo como 
foco principal a identifi cação e a gestão desses problemas. Um problema na 
terapia medicamentosa é defi nido como qualquer evento indesejável ou risco 
experimentado pelo paciente que envolva ou seja suspeito de envolver a terapia 
medicamentosa e que, de fato ou potencialmente, interfi ra no resultado dese-
jado ao paciente. A lista original de problemas com a terapia medicamentosa, 
publicada por Strand et al. em 1988 (apud CONSELHO..., 2016a), foi atualizada 
e, agora, conta com 14 categorias:
  correlação entre terapia medicamentosa e problemas médicos;
  necessidade de terapia medicamentosa adicional;
  terapia medicamentosa desnecessária;
  seleção inadequada de medicamentos;
  medicamento errado;
  associação de medicamentos;
  dose muito baixa;
  dose muito alta;
  duplicidade terapêutica;
  alergia a medicamentos/efeito adverso a medicamentos;
  interações;
  não receber terapia;
  impacto financeiro;
  falta de conhecimento do paciente sobre terapia medicamentosa.
Durante todo o processo, o farmacêutico sempre deve perguntar-se: o 
problema do paciente pode ser causado pela terapia medicamentosa? O pro-
blema do paciente pode ser resolvido por meio de uma mudança na terapia 
medicamentosa? 
A PW é composta por três etapas: 1) avaliação do paciente; 2) plano de assis-
tência farmacoterapêutica; 3) avaliação do impacto ou resultados dos cuidados. 
Na avaliação do paciente, deve-se reunir informações específicas do 
paciente e, em seguida, determinar se as necessidades relacionadas à terapia 
medicamentosa do paciente estão sendo atendidas. Para o melhor desenvol-
3Seguimento farmacoterapêutico
vimento possível do plano de farmacoterapia para o paciente, as informações 
reunidas devem ser precisas e completas — informações imprecisas ou in-
completas podem resultar em decisões terapêuticas errôneas.
O plano de assistência farmacoterapêutica é o plano de ação que deve 
ser desenvolvido com base nos componentes de avaliação coletados no 
primeiro item. O plano de cuidado têm sido um componente importante, 
também, no cuidado de enfermagem e de outros profissionais da saúde. 
No entanto, não existe um método padrão ou amplamente aceito de desen-
volvimento de plano de cuidados farmacoterapêuticos. Na avaliação do 
impacto ou resultados dos cuidados, o farmacêutico clínico deve registrar 
os resultados reais obtidos pelo paciente, avaliar a situação para o alcance 
das metas durante a terapia medicamentosa e, se necessário, reavaliar para 
novos problemas.
TOM — Therapeutic Outcomes Monitoring
O método TOM ou Monitorização de Resultados Terapêuticos foi criado por 
Charles Hepler (1997 apud CONSELHO..., 2016a), que se baseou no modelo 
PWDT, da Universidade da Florida, nos EUA, em cooperação com farma-
cêuticos praticantes, e teve como objetivo demonstrar o conceito de cuidados 
farmacêuticos no ambiente ambulatorial e na prática comunitária. A aplicação 
desse modelo é indicada para pacientes que apresentem a mesma enfermidade 
ou os mesmos transtornos, de modo que planos mais efi cazes possam ser 
elaborados, visando a melhoria na qualidade de vida dos pacientes. 
Para a aplicação do método TOM, deve-se seguir alguns passos: 
1. Coletar, interpretar e registrar todas as informações relevantes sobre o 
paciente, identificando os problemas farmacêuticos potenciais.
2. Identificar os objetivos para cada prescrição, com a intenção de avaliar 
a evolução do paciente frente à terapia medicamentosa, assim como 
orientar o paciente em relação a administração e interações.
3. Avaliar a coerência do plano terapêuticoem relação aos objetivos da 
terapia. Nesse aspecto, deve-se considerar as características pessoais 
do paciente, assim como seu poder aquisitivo.
4. Desenvolver o plano de monitoria para o usuário, considerando proto-
colos já padronizados para a doença específica.
5. Analisar a correta utilização dos medicamentos, assim como atentar 
para seu uso racional.
Seguimento farmacoterapêutico4
6. Manter a continuidade no plano de monitoramento e sempre deixar a 
próxima visita agendada.
7. Avaliar a evolução do paciente em relação à administração dos medi-
camentos, considerando a possibilidade de efeitos adversos e falha de 
tratamento.
8. Resolver os problemas identificados ou encaminhar para o prescritor.
9. Revisar e atualizar o plano sempre que necessário.
Método Dáder 
O método Dáder para acompanhamento de farmacoterapia foi criado em 1999 
e baseia-se no histórico do paciente, considerando todos os problemas de saúde 
e os medicamentos que ele utiliza, a fi m de resolver os possíveis problemas 
relacionados a esses medicamentos. O método Dáder é composto por sete 
etapas: 1) oferta do serviço; 2) primeira entrevista; 3) estado de situação; 4) 
fase de estudo; 5) fase de avaliação; 6) fase de intervenção; 7) entrevistas 
sucessivas (HERNÁNDEZ; CASTRO; DÁDER, 2010).
A oferta do serviço se inicia quando o paciente procura o farmacêutico para 
esclarecer questões sobre seu tratamento medicamentoso, para relatar algum 
problema de saúde ou para verificar algum parâmetro, como pressão arterial 
ou glicemia. Caso o profissional suspeite que os problemas do paciente possam 
estar relacionados aos medicamentos, o serviço de atenção farmacêutica pode 
ser oferecido. Assim que o paciente aceita o serviço, deve ser encaminhado 
para a primeira entrevista.
A primeira entrevista é estruturada em três fases: 
1. Fase de preocupações e problemas de saúde (em que o farmacêutico 
deve identificar os problemas de saúde que preocupam o paciente). Nessa 
fase, é importante que uma relação afetiva e de confiança seja estabelecida.
2. Medicamentos utilizados pelo paciente. Nessa etapa, é necessário 
que o farmacêutico identifique o conhecimento e a adesão do paciente 
em relação à terapia medicamentosa utilizada. 
3. Fase de revisão. Durante essa fase, é necessário que uma revisão mi-
nuciosa seja feita para comprovar se as informações registradas estão 
completas e corretas, para que os aspectos citados na primeira fase da 
entrevista sejam aprofundados e, se necessário, complementados. Durante 
a fase de revisão, é recomendado que se utilizem perguntas diretas, de 
forma que se avalie o paciente de modo profundo, desde a cabeça até 
os pés.
5Seguimento farmacoterapêutico
O estado de situação de um paciente é definido pelos seus problemas de 
saúde e pelos medicamentos utilizados. A estrutura geral para a definição do 
estado de situação do paciente é composta por quatro partes: 
1. Problemas de saúde (data que se iniciou, grau de controle, nível de 
preocupação do paciente para cada problema de saúde relatado); 
2. Medicamentos (data de início da utilização, relação dos medicamentos, 
posologia utilizada, grau de conhecimento e adesão do paciente em 
relação à terapia medicamentosa); 
3. Avaliação (deve incluir as suspeitas de problemas relacionados a 
medicamentos); 
4. Intervenção farmacêutica (deve apresentar as datas das intervenções 
segundo o plano de atuação previsto para o paciente).
A fase de estudo é utilizada para que o farmacêutico possa obter as infor-
mações necessárias relacionadas no estado de situação. 
O objetivo da fase de avaliação é relacionar as suspeitas de problemas 
relacionados a medicamentos que o paciente já possa ter vivenciado. Após 
ter uma visão geral desse aspecto, deve-se atentar a três pontos cruciais 
que determinam a efetividade da terapia medicamentosa: necessidade, 
efetividade e segurança. A necessidade está relacionada a uma prescrição 
consciente por parte de um profissional habilitado e que seja justificada 
por meio de um problema de saúde previamente detectado. A efetividade 
pode ser medida de acordo com a posologia, ou seja, quando a dose admi-
nistrada é maior do que a relatada na literatura. Porém, não é recomendado 
avaliar apenas esse parâmetro. Por isso, é importante coletar o máximo de 
dados possíveis, de modo a determinar se realmente é a quantidade ou a 
estratégia que está falhando. A segurança, por fim, é uma característica 
exclusiva de cada medicamento e paciente, visto que reações indesejáveis 
não dependem exclusivamente da dose administrada, mas também do seu 
mecanismo de ação.
Durante a fase de intervenção, um plano de atuação deve ser estabele-
cido, de modo que o paciente consiga executar as intervenções necessárias, 
considerando as características pessoais de cada paciente. O resultado da 
intervenção determina se a conduta farmacêutica foi, ou não, satisfatória. 
É importante ressaltar que o sucesso não é prioridade na primeira proposta 
Seguimento farmacoterapêutico6
estabelecida — o caminho é, e sempre será, o diálogo aberto com o paciente. 
Os resultados possíveis e aceitos são:
  Intervenção aceita, problema de saúde resolvido. 
  Intervenção aceita, problema de saúde não resolvido. 
  Intervenção não aceita, problema de saúde resolvido. 
  Intervenção não aceita, problema de saúde não resolvido.
Finalmente, todas as mudanças devem ser registradas como um novo estado 
de situação e garantir que o paciente continue aderido ao plano de intervenção 
por meio de entrevistas sucessivas.
Consensos utilizados na atenção farmacêutica
Muito se ouve falar, entre os estudantes de farmácia e os farmacêuticos, 
sobre a atenção farmacêutica, mas, muitas vezes, esse termo não é utilizado 
corretamente. É o que diz o relatório intitulado “Atenção Farmacêutica no 
Brasil: Trilhando Caminhos”, elaborado entre 2001 e 2002, e que apresenta 
estratégias para a utilização correta do termo e sua promoção no Brasil. O 
encontro que deu origem ao documento foi realizado pelas seguintes institui-
ções: Organização Panamericana de Saúde (OPAS/OMS), Conselho Federal 
de Farmácia (CFF), Ministério da Saúde, Agência Nacional de Vigilância 
Sanitária (Anvisa), Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar (Sbrafh), 
Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar), Rede Unida e Secretaria 
Estadual de Saúde do Ceará (SESA/CE).
A seguir, você vai conhecer os principais consensos da atenção farma-
cêutica, propostos coletivamente durante a I Oficina Nacional de Atenção 
Farmacêutica para a apresentação de experiências e reflexões sobre o tema, 
em 2001, na cidade de Fortaleza (CE), e por mais duas reuniões em Brasília. 
Conceito de atenção farmacêutica
O termo atenção farmacêutica foi defi nido ofi cialmente, no Brasil, em 2001 
e referendado pela Política Nacional de Assistência Farmacêutica (Resolução 
338/2004). A partir disso, defuniu-se atenção farmacêutica como: 
7Seguimento farmacoterapêutico
[...] um modelo de prática farmacêutica, desenvolvida no contexto da Assis-
tência Farmacêutica. Compreende atitudes, valores éticos, comportamentos, 
habilidades, compromissos e co-responsabilidades na prevenção de doenças, 
promoção e recuperação da saúde, de forma integrada à equipe de saúde. É a 
interação direta do farmacêutico com o usuário, visando uma farmacoterapia 
racional e a obtenção de resultados definidos e mensuráveis, voltados para 
a melhoria da qualidade de vida. Esta interação também deve envolver as 
concepções dos seus sujeitos, respeitadas as suas especificidades bio-psico-
-sociais, sob a ótica da integralidade das ações de saúde (BRASIL, 2004, 
documento on-line). 
Para que o exercício da atenção farmacêutica no Brasil seja possível, alguns 
macrocomponentes foram definidos:
  educação em saúde (incluindo promoção do uso racional de 
medicamentos);
  orientação farmacêutica;
  dispensação;
  atendimento farmacêutico;
  acompanhamento/seguimento farmacoterapêutico; 
  registro sistemático das atividades,mensuração e avaliação dos 
resultados.
No Brasil, os modelos que precederam o SUS contribuíram ainda mais para o afasta-
mento do profissional farmacêutico em relação aos pacientes, já que não era prevista 
a sua participação na equipe de saúde. A primeira vez em que a sociedade civil e o 
Estado se reuniram para discutir uma política para a assistência farmacêutica foi em 
1988, no Encontro Nacional de Assistência Farmacêutica e Política de Medicamentos, 
em Brasília. Nesse evento, definiram-se a assistência farmacêutica e a política de 
medicamentos como instrumentos estratégicos na formulação das políticas de saúde. 
Veja mais no link a seguir.
https://goo.gl/xHXUpN
Seguimento farmacoterapêutico8
Além disso, termos e conceitos relacionados à atenção farmacêutica, bem 
como esclarecimentos quanto ao seu entendimento e aplicação, foram definidos.
  Problema Relacionado com Medicamento (PRM): “É um problema de 
saúde, relacionado ou suspeito de estar relacionado à farmacoterapia, que 
interfere ou pode interferir nos resultados terapêuticos e na qualidade 
de vida do usuário” (IVAMA et al., 2002, p. 19).
  Acompanhamento/seguimento farmacoterapêutico: “[...] configura um 
processo no qual o farmacêutico se responsabiliza pelas necessidades do 
usuário relacionadas ao medicamento, por meio da detecção, prevenção 
e resolução de Problemas Relacionados aos Medicamentos (PRM), de 
forma sistemática, contínua e documentada, com o objetivo de alcançar 
resultados definidos, buscando a melhoria da qualidade de vida do 
usuário” (IVAMA et al., 2002, p. 19).
  Atendimento farmacêutico: “Ato em que o farmacêutico [...] interage 
e responde às demandas dos usuários do sistema de saúde, buscando a 
resolução de problemas de saúde que envolvam, ou não, o uso de medi-
camentos. [...] Pode compreender escuta ativa, identificação de necessi-
dades, análise da situação, tomada de decisões, definição de condutas, 
documentação e avaliação, entre outros” (IVAMA et al., 2002, p. 19).
  Intervenção farmacêutica: “É um ato planejado, documentado e reali-
zado junto ao usuário e profissionais de saúde, que visa resolver ou pre-
venir problemas que interferem ou podem interferir na farmacoterapia, 
sendo parte integrante do processo de acompanhamento/seguimento 
farmacoterapêutico” (IVAMA et al., 2002, p. 20).
A atenção farmacêutica deve sempre caminhar junto ao sistema de farma-
covigilância, trabalhando na identificação e no relato dos problemas e riscos 
relacionados às terapias medicamentosas, assim como buscando sua efetividade 
no tratamento e na qualidade do produto final. A identificação de problemas 
relacionados a medicamentos pode ser feita a partir do seguimento farma-
coterapêutico ou de outros componentes atribuídos à atenção farmacêutica. 
A documentação e a avaliação dos resultados obtidos pelos farmacêuticos 
geram informações importantes e novos dados para o sistema de farmacovigi-
lância. Dessa forma, é possível obter cada vez mais a melhoria da capacidade 
9Seguimento farmacoterapêutico
de avaliação da relação entre risco e benefício, otimizando os resultados da 
terapêutica e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e para a 
adequação das terapias medicamentosas.
Saiba mais sobre o Consenso para a Atenção Farmacêutica acessando, no link a seguir, 
a entrevista da farmacêutica Nelly Marin Jaramillo, Coordenadora da Área de Medica-
mentos e Tecnologias da OPAS.
https://goo.gl/n2s87z
Documentação para registro de pacientes
Considerando as Resoluções nº. 585 e 586/2013 do Conselho Federal de Far-
mácia (CFF), que abordam as atribuições clínicas do farmacêutico e a pres-
crição farmacêutica, assim como a atualização da Classifi cação Brasileira de 
Ocupações (CBO/2013), do Ministério do Trabalho e Emprego, e a sanção, 
em 2014, da Lei nº. 13.021, o CFF criou o Programa de Suporte ao Cuidado 
Farmacêutico na Atenção à Saúde (Profar). O Programa tem o objetivo de 
contribuir para a prestação de serviços farmacêuticos, como o acompanha-
mento farmacoterapêutico, a administração de medicamentos, a revisão da 
farmacoterapia, a educação em saúde, o rastreamento e o manejo de problemas 
de saúde individuais. Uma das primeiras ações do Profar foi disponibilizar 
modelos da documentação necessária ao processo de cuidado do paciente e ao 
acompanhamento da evolução terapêutica e dos resultados das intervenções 
propostas (CONSELHO..., 2016a).
A seguir, você vai conhecer os modelos de documentação necessários para 
o registro dos pacientes durante o acompanhamento da evolução terapêutica.
Prontuário
O prontuário do paciente documenta todo o processo de cuidado, registro de 
atendimento, história farmacoterapêutica e clínica do paciente de maneira 
organizada e clara (Figura 1). Uma das metodologias mais comuns para o 
registro, e utilizada por diferentes profi ssionais da saúde, é o modelo S.O.A.P. 
Seguimento farmacoterapêutico10
(subjective, objective, assessment, plan), que organiza as informações em dados 
subjetivos (S), objetivos (O), avaliação (A) e plano (P). O CFF apresenta um 
modelo que permite a organização das informações do paciente e o registro 
de sua evolução.
Figura 1. Modelo de prontuário de atendimento.
Fonte: Conselho Federal de Farmácia (2016b, p. 68).
Receita
Durante a prestação de serviços, o farmacêutico deve defi nir a melhor 
conduta, que deverá ser documentada por meio da receita (Figura 2) e 
entregue ao paciente. Essa receita deve ser redigida em português, por 
11Seguimento farmacoterapêutico
extenso, de modo legível, sendo observados a nomenclatura e o sistema 
de pesos e medidas ofi ciais, sem emendas ou rasuras, incluindo os com-
ponentes previstos no artigo 9º da Resolução/CFF nº. 586, de 29 de agosto 
de 2013 (CONSELHO..., 2013).
Figura 2. Modelo de receita.
Fonte: Conselho Federal de Farmácia (2016b, p. 72).
Documento de encaminhamento
Quando o farmacêutico decide encaminhar o paciente a outro profi ssional 
ou serviço de saúde como melhor conduta, ele precisa garantir que tanto o 
paciente quanto o profi ssional ou serviço de saúde compreendam o motivo 
Seguimento farmacoterapêutico12
do encaminhamento. O documento (Figura 3) serve para formalizar a co-
municação com outros profi ssionais.
Figura 3. Modelo de ficha de encaminhamento.
Fonte: Conselho Federal de Farmácia (2016b, p. 76).
As instruções para o preenchimento dos formulários está disponível no link a seguir, 
que contém o site do CFF.
https://goo.gl/yH3fX3
13Seguimento farmacoterapêutico
1. A proposta do seguimento farma-
coterapêutico é garantir ao paciente 
resultados concretos, que melhorem 
sua qualidade de vida, resolvendo os 
problemas relacionados a medica-
mentos com base em intervenções. 
Assinale a resposta correta sobre o 
seguimento farmacoterapêutico no 
Brasil.
a) O seguimento farmacotera-
pêutico foi criado na Espanha 
e disseminou-se por todo o 
mundo graças aos resultados 
positivos obtidos.
b) O seguimento farmacoterapêu-
tico foi trazido ao Brasil com a 
proposta de diminuir filas de 
espera nos hospitais públicos.
c) O seguimento farmacoterapêu-
tico foi criado nos EUA junto ao 
método Dáder, que é o mais 
utilizado no mundo.
d) O seguimento farmacoterapêu-
tico tem o mesmo objetivo da 
assistência farmacêutica, que é 
evitar os problemas relacionados 
a medicamentos.
e) Para que o seguimento farma-
coterapêutico seja eficiente, é 
necessário que siga padrões para 
registro.
2. Para a implantação do seguimento 
farmacoterapêutico, é necessária a 
aplicação de um método, o qual ga-
rante que as informações registradas 
apresentem um padrão e que sejam 
aceitas por todos os profissionais da 
saúde. Em relação ao método Dáder, 
é correto afirmar que:
a) a aplicação desse modelo é indi-
cada para pacientes que apre-
sentem a mesma enfermidade 
ou os mesmos transtornos.
b) considera todos os problemas de 
saúde e os medicamentos que o 
paciente utiliza a fim de resolver 
os possíveis problemas relacio-
nados aos medicamentos.
c)trata da terapia medicamentosa 
de acordo com o histórico fami-
liar do paciente e de sua terapia 
medicamentosa.
d) considera todos os problemas de 
saúde, a fim de resolvê-los por 
meio da prescrição farmacêutica.
e) diz que a atenção farmacotera-
pêutica deve concentrar-se nas 
questões da terapia medicamen-
tosa e no histórico familiar.
3. A atenção farmacêutica é um termo 
que ainda gera confusões entre pro-
fissionais farmacêuticos, já que, várias 
vezes, é confundido com o termo 
assistência farmacêutica. Em relação 
à atenção farmacêutica, é incorreto 
afirmar que:
a) é um modelo que abrange a 
consulta com o farmacêutico, 
a verificação do tratamento 
medicamentoso em uso e a 
Seguimento farmacoterapêutico14
checagem do problema para 
definição de intervenções a fim 
de solucioná-los.
b) engloba um conjunto de ações 
voltadas à promoção, proteção 
e recuperação da saúde, tanto 
individual quanto coletiva, tendo 
o medicamento como insumo 
essencial e visando o seu acesso 
e o seu uso racional.
c) é uma prática nova no Brasil e 
tem como objetivo viabilizar ao 
paciente a aquisição de medica-
mentos — e esse serviço só está 
disponível no SUS.
d) se refere exclusivamente à apli-
cação do método Dáder, 
para que se possa cumprir com 
qualidade e eficiência o segui-
mento farmacoterapeutico, 
melhorando a qualidade de vida 
do paciente.
e) garante ao farmacêutico sua atu-
ação como responsável técnico 
de unidades de dispensação 
de medicamentos, na vigilância 
sanitária e nos laboratórios de 
análises clínicas.
4. Considerando as atribuições do 
farmacêutico clínico e as Resoluções 
585 e 586, de 29 de agosto de 2013, é 
incorreto afirmar que se inclui:
a) desenvolver, em colaboração com 
os demais membros da equipe 
de saúde, ações para a promoção, 
proteção e recuperação da saúde 
e a prevenção de doenças e de 
outros problemas de saúde.
b) promover a consulta farmacêu-
tica em consultório farmacêutico 
ou em outro ambiente ade-
quado, que garanta a privacidade 
do atendimento.
c) elaborar uma lista atualizada e 
conciliada de medicamentos em 
uso pelo paciente durante os 
processos de admissão, transfe-
rência e alta entre os serviços e 
níveis de atenção à saúde.
d) solicitar exames bioquímicos ao 
paciente, para fins de prescrição 
medicamentosa, acompanha-
mento da farmacoterapia e 
rastreamento em saúde.
e) participar e promover discussões 
de casos clínicos de forma inte-
grada com os demais membros 
da equipe de saúde.
5. Em relação aos benefícios que a 
atenção farmacêutica pode propor-
cionar para a população em geral, é 
correto afirmar que:
a) é uma atividade que envolve 
o custeamento de terapias 
medicamentosas.
b) se destina a apoiar intervenções 
positivas nas comunidades.
c) está relacionada exclusivamente 
à atuação do farmacêutico.
d) torna a função do farmacêutico 
uma prática mais humanística 
e contextualizada.
e) o paciente não deve ter 
participação ativa, para que não 
ocorram imprevistos durante 
a intervenção farmacêutica.
15Seguimento farmacoterapêutico
BRASIL. Ministério da Saúde. Resolução nº. 338, de 06 de maio de 2004. Brasília, DF, 
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