Doenças Mieloproliferativas cronica e LMA
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Doenças Mieloproliferativas cronica e LMA


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1 JULIANE RANGEL- HEMATOLOGIA- Clínica Médica- Turma XXVI 
Doenças Mieloproliferativas 
1- Crônicas: 
a) Leucemia Mieloide Crônica (LMC) 
b) Policitemia Vera 
c) Trombocitopenia Essencial 
d) Mielofibrose Crônica Idiopática 
2-Aguda: 
a) Leucemia Mieloide Aguda (LMA) 
 
Mieloproliferativa= da linhagem mieloide (plaquetas, eosinófilo, hemácias, leucócitos, monócitos). 
Crônica= atinge células MADURAS. 
Aguda= atinge células IMATURAS, BLASTOS (células com nucléolos). 
 
Doenças Mieloproliferativas Crônicas 
É uma neoplasia hematológica maligna que se caracteriza pelo acúmulo de células maduras da linhagem mieloide no 
sangue periférico ou na MO. 
 
Policitemia vera, mielofibrose crônica idiopática, trombocitose essencial, LMC (geneticamente distinta \u2013 t(9,22) bcr-
abl); qualquer uma pode originar LMA; OMS incluiu ainda leucemia neutrofílica e eosinofílica crônica, s. 
hipereosinofílico, MDS/mieloproliferativa (inclui LMMC/juvenil e LMC atípica [não apresenta t(9,22)]). 
 
a) Leucemia Mieloide Crônica (LMC) 
 
Conceito: Acúmulo de células maduras da linhagem granulocítica (tanto no sg.periférico quanto na MO). Obs: 
lembrar que aqui não tem BLASTOS (células jovens presentes nas leucemias agudas), mas sim células MADURAS! 
(madura=crônica, imatura ou blastos= aguda). 
 
Epidemiologia: H > M ; \u2191 lentamente até ~45-50 anos e depois rapidamente. Representa até 20% das leucemias no 
adulto. 
 
Fisiopatologia: cromossomo Filadélfia \u2013 t(9:22) Bcr/Abl (p230 Bcr/Abl curso indolente) a fusão desse genes ativa 
uma quirosina quinase que promove uma desregulação na proliferação da linhagem mieloide, com predominância 
de leucócitos; progressão se houver nova t(9:22), trissomia 8 ou 17p\u2013 (perda p53). 
 
Clínica: Fadiga, cansaço, dor óssea, sintomas B (sudorese noturna, febre e emagrecimento), desconforto abdominal 
e saciedade precoce (devido esplenomegalia volumosa, o qual é característico das doenças mieloproliferativas). 
Pode também haver hepatomegalia. Por vezes infecções, trombose, hemorragia, manifestações de leucostase; obs: 
infecções sugerem fase acelerada ou blástica; <10-15% no diagnóstico). 
 
Laboratório: leucocitose com imaturidade das várias séries (promielócitos, metamielócitos...etc);com desvio 
escalonado a esquerda na maturação; anemia normocítica/crômica e \u2191 plaquetas comuns; \u2193 FA leucocitária e 
\u2191 VitB12; celularidade medular \u2191 (M>>E), com blastos medulares normais ou \u2191 rápido. 
TRIADE: Anemia (leve: normo-normo)- plaquetose- hiperleucocitose (com desvio escalonado à esquerda na escala de 
maturação). 
 
Fases: Correlacionam-se com a progressão da dça (número de blastos no sg. periférico). Obs: qualquer doença 
mieloproliferativa crônica é fator de risco para o desenvolvimento de uma leucemia aguda. 
 
 
2 JULIANE RANGEL- HEMATOLOGIA- Clínica Médica- Turma XXVI 
1) Crônica: < 5% de blastos no sg. periférico. 
2) Acelerada: (1) \u2191 anemia não explicada por hemorragia/QT; (2) evolução citogenética clonal; ou (3) 10-20% 
blastos sangue/medula, ou basófilos medula > ou = 20%, ou plaquetas <100.000. 
3) Blástica: leucemia aguda com > ou = 20% blastos sangue ou medula; ½ mieloide, ½ linfoide, 10% eritróide, 
resto indiferenciado. 
Diagnóstico: clínica + hemograma + cariótipo (pesquisa do gene Bcr/Abl, cromossomo Filadélfia) por aspirado da 
MO. Obs: a análise do sangue periférico é de grande valia para o diagnóstico. 
 
Prognóstico: sistema Hasford (melhor preditor sobrevida) e índice Sokal. 
Obs: Sistema Hasford: % blastos circulantes, tamanho baço, plaquetas, idade, % basófilos e eosinófilos. 
 Índice Sokal: % blastos circulantes, tamanho baço, plaquetas, idade, evolução citogenética clonal. 
 
Histórico do tratamento: 
Hidroxiureia (citoredutor): diminuía o número de leucócitos, no entanto não tratava a doença (\u201cera como secar 
gelo\u201d). Não se sabia a fisiopatologia da dç. 
Transplante halogênico de MO (final da década de 70): terapia curativa (até recentemente era a única forma de 
cura). 
IFN(final da década de 80) : efeitos 2ários agudos (tipo gripal; responde ao paracetamol) e crônicos (fadiga, 
depressão, \u2191 peso, mialgias e artralgias em ~½ e podem obrigar a \u2191 dose; 20% possui efeitos secundários 
neurológicos com diminuição acentuada da qualidade vida). Era usado Interferon + hidroxiureia. No entanto, foi 
constatado que a maioria dos pacientes morria se não fosse realizado o transplante, visto que a dç progredia para a 
crise blástica. 
 
Mesilato de imatinib (Início de 2000): medicamento revolucionário que praticamente erradicou a necessidade de 
transplante de MO como única forma de cura! Atualmente é usada como padrão no tratamento. Dose: 1 cp por dia. 
Não apenas desfaz a translocação do Bcr/Abl como a translocação dos cromossomos 9 e 22= CURA. Não forma mais 
clones defeituosos. Exemplo de terapia alvo (futuro da terapia oncológica). 
 
Outros inibidores \u201cpós-imatinib\u201d: São ainda mais potentes e eficazes. Ex: Esatinib... 
 
Conclusão> Tratamento padrão atual: Mesilato de imatinib. 
 
Transplante de MO: SOMENTE EM CRISE BLÁSTICA!!! 
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b)Policitemia Vera (Poliglobulia Verdadeira) 
 
Conceito: neoplasia hematológica maligna. Aumento das células eritrocitárias de 3 linhas fenotipicamente normais; 
qualquer idade. >Eritroblastos aumentados. Expansão clonal que não depende de EPO,ferritina, ferro...é uma 
proliferação autônoma. 
 
Policitemia: aumento e acúmulo da massa eritrocitária. 
Vera: = verdadeira. Visto que há situações de \u201cpolicitemia falsa\u201d (pacientes em condições de hipóxia crônica em que 
há poliglobulia secundária). Ex: pacientes cardiopatas, pneumopatias graves... 
 
Etiologia: desconhecida; anomalias citogenéticas inespecíficas; aumento celular por redução da morte celular, não 
por aumento produção. 
 
 
 
 
3 JULIANE RANGEL- HEMATOLOGIA- Clínica Médica- Turma XXVI 
Principais Complicações: 
1) Alto risco de trombose (arterial e venosa). 
2) Alto risco de desenvolvimento de leucemia aguda. 
 
Clínica: eritrocitose (prurido aquagênico é característico); esplenomegalia (pode ser massiva); hiperuricemia e gota 
secundária comuns. 
 
Diagnóstico: aumento da massa eritrocitária; SatO2 normal (com EPO reduzida, pode estar normal, mas se 
aumentada exclui diagnóstico); 
 
Poliglobulinemia: (pacientes sem DPOC, pneumonia, apneia do sono...etc!) 
Hb > 18,5 homem 
Hb > 16,5 mulher 
 
Presença do gene mutante JAK2v6.7F (95% dos casos) = levando a ativação da tirosinaquinase e consequente 
proliferação celular descontrolada. 
O gene JAK2 pode estar presente também na trombocitopenia e na mielofibrose. 
 
 
 
Classificação (segundo o risco trombótico): 
1- Alto risco: > 60 anos ou com histórico de trombose. 
2- Risco intermediário: DCV instalada ou com fatores de risco para o desenvolvimento. 
3- Baixo risco: < 60 anos + sem fatores de risco para DCV. 
 
Tratamento: 
1- AAS: para TODOS (independente do risco) 
2- Sangria terapêutica: para reduzir o valor do hematócrito (<45%). Pode ser opção para o pct de baixo risco, sem 
precisar receitar hidroxiureia. 
3- Hidroxiureia: para pacientes de alto risco (primeira e melhor opção de tratamento). 
Obs: Poliglobulias Secundárias (dependentes de eritropoietina) 
 
\uf0b7 Relacionadas à altitude (redução da concentração de oxigênio) 
\uf0b7 TU renal produtor de eritropoietina 
\uf0b7 DPOC, apneia do sono, hipóxia. 
 
 
c)TROMBOCITOPENIA ESSENCIAL 
Conceito: Doença mieloproliferativa neoplásica crônica que leva à expansão de um clone de megacariócitos 
(progenitor das plaquetas) na MO e consequente aumento de plaquetas no sg periférico.