A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
3 pág.
Imunologia a protozoários e helmintos

Pré-visualização | Página 1 de 2

Imunologia a protozoários e helmintos 1
Imunologia a protozoários e helmintos
Introdução
Inicialmente, há contato com o microrganismo, gerando infecção. Essa infecção pode ser eliminada (eliminação total 
espontânea do patógeno) ou gerar colonização (patógeno coloniza o tecido e se multiplica) e doença (quanto mais tempo 
com patógeno, maior o dano), que pode levar ao óbito ou cura com tratamento farmacológico e sistema imune ou 
persistência (doença crônica e latente). Além disso, algumas infecções podem se tornar comensais (por ex., microbiota) e 
ficar em equilíbrio com nosso organismo (patógeno não ataca tanto o organismo e vice-versa, pois há reconhecimento de 
benefícios da manutenção dessa relação). 
As células de defesa T CD4+ efetoras podem ser padrão Th1, Th2 e Th17.
Th1 → estimulada por IL-12 e IFN-gama, em resposta a microrganismos que ativam CD, macrófagos e células NK (bactérias 
intracelulares e vírus); secreta IFN-gama, que forma mais Th1 e inibe formação de Th2 e Th17; ativação de 
macrófagos
Th2 → estimulada por IL-4, IL-5 e IL-13, em resposta a helmintos e alérgenos; ativação de eosinófilos e produção de IgE
Th17 → estimulada por IL-17A, IL-17F e IL-22; bactérias extracelulares e fungos
Imunidade inata contra protozoários e helmintos (parasitas)
Os parasitas ativam inúmeras respostas da imunidade inata, tendo como principal resposta a fagocitose. Após ocorrer 
colonização do parasita dentro do tecido, é reconhecido por macrófago residente, que o fagocita e inicia a produção de 
interleucinas para atrair neutrófilos, eosinófilos, monócitos e aumentar a quantidade de células NK. Além disso, os 
fagócitos também podem secretar substâncias microbicidas para matar organismos grandes. 
Receptores de superfície de células de defesa (toll like - também em vacúolos; scavenger, N-formidil etc) ligam-se a 
PAMPs (receptores de superfície de parasitas, DNA não metilado e profilina - presente nos flagelos de protozoários, LPS, 
peptídeoglicanos, LAM etc). 
obs.: TLR2 = membrana plasmática, reconhece zimosan e ácido lipoteitoco; TLR4 = membrana plasmático; reconhece LPS 
bacteriano e proteínas de protozoários; TLR9 = vacúolos; reconhece DNA; TLR11 = reconhece profilina do T. gondii
A ativação de TLR ativa uma cascata de ativação de citocinas pró-inflamatórias (IL-12, TNF, IFN-gama etc), produção de 
NF-kB e de expressão de genes inflamatórios, o que gera inflamação aguda, ativação do padrão Th1 e estimulação do SI 
adaptativo. Também há ativação de expressão de genes e secreção de IFN-1 e do estado antiviral (para patógenos 
intracelulares). Todavia, os parasitas, geralmente, polarizam a resposta para padrão Th2, de modo que a infecção por 
intracelulares tende a ser crônica e mais difícil de ser resolucionada. 
Além disso, patógenos também são capazes de ativar IL-10 e TGF-beta, que são anti-inflamatórios (benéfico ao patógeno, 
mas também para evitar uma exacerbação inflamatória). 
obs.: apenas o TLR3 sinaliza pelo adaptador TRIF, ativando IRF3 e induzindo a produção de IFN-1. Os outros TLRs serão 
capazes de ativar o NF-κB e induzir uma resposta inflamatória. 
obs.: TLR4 ativa via adaptador MyD88 e MAPquinase, para produção de IL-12 e IFN-gama
Nesse contexto, há um equilíbrio de pró-inflamatórios e anti-inflamatórios, a fim de evitar lesão exacerbada ao tecido.
Parasitas que colonizam são fagocitados por macrófagos residentes (destruição por EROs no endossomo), que liberam IL-
1beta, TNF-alfa, IL-6, as quais promovem diapedese de células de defesa (neutrófilos, macrófagos e NK). 
Macrófagos realizam fagocitose e liberam EROS para eliminar patógenos. No entanto, alguns patógenos produzem arginase, 
que os permite sobreviver à fagocitose e se multiplicar intracelularmente no macrófago. 
Imunologia a protozoários e helmintos 2
O sistema complemento também atua na defesa contra parasitas. Inicialmente, atuam via das lectinas (reconhecimento de 
manose) → via alternativa → via clássica (Ig). 
Se a RI inata não for capaz de combatê-lo, há ativação da RI adquirida, que atua concomitantemente à inata (e a estimula).
A RI adaptativa é mediada por fagocitose, processamento e apresentação do antígeno pelas APCs aos linfócitos TCD4+, 
que produzem IL-2 para estimular a expansão clonal de células T específicas para o antígeno, essas que se tornam células 
efetoras, geralmente, com padrão TH2. 
Também ocorrerá formação de anticorpos por ativação das células B e apresentação de antígeno para as células TCD8, 
essas que serão responsáveis por lisar e destruir as células infectadas. 
RI adquirida contra parasitas 
Há ativação de T CD4+ e CD8+.
CD4+ → ativação de macrófagos e células B e liberação de citocinas pró-inflamatórias; formação de células de 
memória
CD8+ → eliminação das células-alvo infectadas, ativação de macrófagos; formação de células de memória
obs.: memória imunológica é variável de acordo com a patologia e pode ser influenciada por outros fatores, como vacinas
Com produção de CD4+, há um padrão de resposta. Se for um patógeno intracelular, Th1 (ativação de macrófago e produção 
de IgG; IFN-gama); se forem helmintos, Th2 (ativação de mastócitos e eosinófilos, produção de IgE, ativação de alternativa 
dos macrófagos; IL-4, IL-8 e IL-13); se forem bactérias extracelulares e fungos, Th17 (inflamação monocítica neutrofílica; 
IL-17A, IL-17F, IL22). 
obs.: dependendo do padrão de resposta ativado, pode haver recuperação ou disseminação da infecção (ex.: Leishmania major 
→ Th1 = eliminação de parasitas intracelulares e recuperação e Th2 = sobrevivência do protozoário e disseminação da 
infecção)
INFECÇÃO AGUDA → alta produção de TCD4+ e TCD8+ e IgM
INFECÇÃO CRÔNICA → IgG
REATIVAÇÃO → IgM e IgG
Protozoários 
CD apresenta antígenos à célula T naive, que é estimulada a expressão receptores específicos, via IL-12 e IFN-gama, e 
expressão do padrão Th1 (expressão de IFN-gama = ativação dos macrófagos, TCD8+ e NK e produção de alguns 
isotipos de Ig). Célula Th1 gera ativação clássica dos macrófagos (amplificação da morte de microrganismos) e ligação 
do complemento e opsonização de anticorpos IgG. 
Esses macrófagos terão capacidade fagocítica aumentada para retirar os patógenos da corrente sanguínea. Todavia, essa 
fagocitose pode ser um mecanismo de escape do parasito, já que ele pode se reproduzir e destruir o fagolisossomo, 
sendo liberados em maior número para manter a infecção.
Com ativação de células B, há expansão clonal e secreção de anticorpos, troca de isótipo, maturação da afinidade e 
formação de células B de memória. 
Além disso, CD8+/CTL promovem destruição de células infectadas, via degranulação de perforinas e granzimas (ativam 
caspases). 
Helmintos 
PADRÃO TH2 → IL-4, IL-8 e IL-13; ativação de mastócitos e eosinófilos, produção de IgE, ativação de alternativa de 
macrófagos. 
Proteínas dos helmintos são apresentadas por CD a células T CD4+, via IL-4, que ativa o padrão Th2 e secreção de IL-4, 
IL-5 e IL-13. Com isso, há degranulção dos mastócitos, ativação dos eosinófilos (IL-5), secreção de mediadores, produção 
de IgE, produção de muco, aumento dos peristaltismos e reparo tecidual.
obs.: IL-4 e IL-13 ativam a via alternativa de macrófagos M2 = reparo tecidual (geralmente, do intestino), aumento do muco 
intestinal e peristaltismo
obs.: destruição de helmintos via grânulos de eosinófilos = diarreia sanguinolenta e mucosa
Imunologia a protozoários e helmintos 3
Ovos de helmintos promovem a formação de granulomas, com acúmulo de macrófagos ao redor do ovo e fibroblastos e 
fibronogênio ao redor. Tal feito impede o ovo de sair, porém gera lesões e perda de função do tecido. 
obs.: monócitos realizam diapedese por padrão Th1
Após a defesa, há remodelamento do tecido por macrófagos M2.
obs.: alguns parasitas podem mimetizar processos alérgicos - hemograma com eosinofilia + sintomas
Plasmodium spp (malária) → Ig e células TCD8+
Leishmania donovani (leishmaniose) → células Th1 CD4+ ativam macrófagos para destruir parasitas fagocitados
Trypanossoma