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AULA EMERGENCIAS RESPIRATORIAS

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ
FACULDADE DE MEDICINA
ATENÇÃO À SAÚDE DO SISTEMA RESPIRATÓRIO
EMERGÊNCIAS 
RESPIRATÓRIAS 
PROFESSOR CARLOS AUGUSTO ABREU ALBERIO
INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA
GASOMETRIA ARTERIAL
VALORES NORMAIS DA GASOMETRIA ARTERIAL
(NO NÍVEL DO MAR E RESPIRANDO AR AMBIENTE)
PH 7,35 -7,45
PaO2 (mmHg) > 70 mmHg
Depende da idade: PaO2
esperada=96-(idade x 0,4)
PaCO2 (mmHg) 35-45 mmHg
P (A-a) O2 20 ANOS=6 -10 mmHg
70 ANOS=26-30 mmHg
(geralmente < 20 mmHg)
HCO3- (mEq/L) 22-26 mEq/L
BE (mEq/L) -2,0 +2,0
SaO2 (%) 92-98%
SOLICITADA QUANDO HÁ SUSPEITA DA ALTERAÇÕES NA VENTILAÇÃO ALVEOLAR,
OXIGENAÇÃO E NO EQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO.
CLASSIFICAÇÃO
INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA AGUDA
INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA CRÔNICA
INSTALAÇÃO EM HORAS A ALGUNS DIAS.
HIPOXEMIA.
GASOMETRIA COM ALCALOSE OU ACIDOSE.
NÃO HÁ MECANISMOS DE COMPENSAÇÃO.
INSTALAÇÃO EM MESES A ANOS.
HIPOXEMIA / HIPERCAPNIA.
GASOMETRIA COM PH NORMAL.
MECANISMOS DE COMPENSAÇÃO.
INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA 
AGUDA
CLASSIFICAÇÃO
INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA HIPOXÊMICA (TIPO I)
CARACTERIZADA PRIMARIAMENTE PELA REDUÇÃO DA OXIGENAÇÃO
(PaO2 < 60 mmHg COM PCO2 < 50 mmHg).
INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA HIPERCÁPNICA (TIPO II)
CARACTERIZADA PRIMARIAMENTE PELA REDUÇÃO DA VENTILAÇÃO ALVEOLAR
(PaCO2 > 50 mmHg COM PaO2 NORMAL OU REDUZIDA).
CAUSAS
1)Alterações no SNC: drogas, AVC, TCE, tumores. 
2)Alterações no SNP, placa neuromuscular ou musculatura respiratória: 
drogas, síndrome de Guillain-Barré, distrofias musculares. 
3)Alterações da caixa torácica: cifoescoliose grave, obesidade mórbida.
DIFERENÇAS ENTRE OS TIPOS DE INSUFICIÊNCIA 
RESPIRATÓRIA AGUDA
TIPO PaO2 PaCO2 MECANISMO
I
  ou normal
Déficit da 
oxigenação
II
 
Déficit da 
ventilação
INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA 
TIPO I OU HIPOXÊMICA
MECANISMOS DE HIPÓXIA
HIPOXÊMICA ANÊMICA
ESTAGNANTE LIBERAÇÃO O2 HISTOTÓXICA
MECANISMOS DE HIPOXEMIA
1)REDUÇÃO DA PRESSÃO ALVEOLAR DE OXIGÊNIO
(PaO2).
PaO2 AO NÍVEL DO MAR = 150 mmHg E NO MONTE EVEREST = 38 mmHg.
PaO2 EM 10.000 PÉS + CABINE PRESSURIZADA = 100 mmHg.
2)HIPOVENTILAÇÃO ALVEOLAR
INICIALMENTE AUMENTO DA PaCO2 SEGUIDO DA REDUÇÃO DA PaO2.
3)DESEQUILÍBRIO DA RELAÇÃO 
VENTILAÇÃO/PERFUSÃO (V/Q)
ALTA RELAÇÃO V/Q
(ESPAÇO MORTO)
BAIXA RELAÇÃO V/Q
(SHUNT)
PNEUMONIA GRAVE
DOENÇAS FIBROSANTES PULMONARES
DPOC
TROMBOEMBOLISMO PULMONAR
HIPERTENSÃO PULMONAR
HIPOVOLEMIA
4)SHUNT DIREITO-ESQUERDO 
PERFUSÃO DAS UNIDADES ALVEOLARES NÃO VENTILADAS.
EDEMA PULMONAR 
CARDIOGÊNICO
(INSUFICIÊNCIA CARDÍACA)
EDEMA PULMONAR
NÃO-CARDIOGÊNICO
(SDRA)
5) DISTÚRBIO DA DIFUSÃO
DISFUNÇÃO DA MEMBRANA ALVÉOLO-CAPILAR.
DOENÇA PULMONAR 
OBSTRUTIVA CRÔNICA
(DESTRUIÇÃO DE SEPTOS 
ALVEOLARES)
FIBROSE PULMONAR 
IDIOPÁTICA
(ESPESSAMENTO E 
DESTRUIÇÃO DA
MEMBRANA 
ALVÉOLO-CAPILAR)
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DA 
INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA AGUDA
HIPOXEMIA HIPERCAPNIA
DIAFORESE, CIANOSE,
ANSIEDADE, CONFUSÃO MENTAL, 
CONVULSÕES,
DISPNÉIA, TAQUIPNÉIA,
TAQUICARDIA, ARRITMIAS, 
HIPERTENSÃO,
ACIDOSE LÁTICA.
SONOLÊNCIA, LETARGIA, COMA,
TREMOR, FALA ARRASTADA,
CEFALÉIA, PAPILEDEMA.
EXAMES COMPLEMENTARES
BÁSICO
GASOMETRIA ARTERIAL RX DE TÓRAX ELETROCARDIOGRAMA
AVANÇADO
TC DE TÓRAX ECOCARDIOGRAMA
TRATAMENTO
SUPORTE E TRATAR CAUSA.
ASMA
DPOC
MEDICAMENTOS
SALBUTAMOL
FENOTEROL
IPRATRÓPIO
CORTICÓIDES
ANTIBIÓTICOS
PACIENTE AMBULATORIAL
SADIO SEM TERAPIA 
PRÉVIA.
MACROLÍDEOS:
AZITROMICINA 500MG VO 3 DIAS OU 500MG 
1º DIA E 250MG 4 DIAS, 
CLARITROMICINA 500MG VO 12/12H POR 7 
DIAS.
AMOXACILINA 500MG VO 8/8H 7 DIAS.
CEFUROXIMA 500 MG VO 12/12H 7 DIAS.
TERAPIA ANTIBIÓTICA 
RECENTE OU DOENÇAS 
ASSOCIADAS.
FLUOROQUINOLONAS:
LEVOFLOXACINO 500MG VO 7 DIAS.
MOXIFLOXACINO 400MG VO 5-7 DIAS.
GEMIFLOXACINO 320MG VO 5 DIAS.
PACIENTE INTERNADO EM ENFERMARIA
SEM TERAPIA PRÉVIA LEVOFLOXACINO 500 MG EV 7 DIAS.
MOXIFLOXACINO 400 MG EV 7 DIAS.
CEFTRIAXONA 1G EV 12/12H + 
CLARITROMICINA 500 MG EV/VO 
12/12H 7 DIAS.
CEFTRIAXONA 1G EV 12/12H + 
AZITROMICINA 500MG EV/VO 5 DIAS.
COM ANTIBIÓTICO RECENTE SEMELHANTE A ANTERIOR, A 
DEPENDER DA TERAPIA.
PACIENTE INTERNADO EM UTI
ESQUEMA ANTIMICROBIANO HABITUAL. 1)CEFTRIAXONA 1G EV 12/12H + CLARITROMICINA 
500MG EV 12/12H.
2)CEFTRIAXONA 1G EV 12/12H + AZITROMICINA 500 
MG EV/DIA.
3)CEFTRIAXONA 1G EV 12/12H + LEVOFLOXACINO 
750 MG EV/DIA 7-10 DIAS.
4)CEFTRIAXONA 1G EV 12/12H + MOXIFLOXACINO 
400 MG EV/DIA 7-10 DIAS.
CONSIDERAR COBERTURA PARA 
PSEUDOMONAS SPP. (pacientes com 
bronquiectasias, DPOC grave, uso crônico 
de corticóide).
CEFTAZIDIMA 2G EV 8/8H OU
CEFEPIMA 2G EV 8/8H OU 
PIPERACILINA/TAZOBACTAM 4,5G EV 6/6H OU 
IMIPENEM 500MG 6/6H OU 
MEROPENEM 1-2G 8/8H
+
CIPROFLOXACINO 400MG EV 8/8H OU 
AMICACINA 500MG 12/12H
+ 
FLUOROQUINOLONA OU 
MACROLÍDEO
CASOS CLÍNICOS
CASO CLÍNICO I
Paciente MRS, 18 anos, feminino, deu entrada no Pronto Socorro
Municipal com queixa de dispneia súbita, tosse, dor torácica tipo
constritiva e “chiadeira no peito”. Sua mãe informa que a mesma
é portadora de asma em tratamento irregular no hospital João de
Barros Barreto e que hoje pela manhã resolveu fazer faxina na casa
utilizando vários produtos de limpeza. Estava utilizando o Clenil
250 mcg 1 dose de 12 em 12 horas e o Aerolin 100 mcg spray SN,
mas interrompeu o tratamento há 1 mês. Nega comorbidades e uso
de outros medicamentos.
HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL
Geral = paciente consciente/orientada, corada, acianótica, anictérica,
hidratada, afebril.
AC = bcnf, rcr 2t, sem sopros, com taquicardia (fc: 120 bpm),
PA: 110x70 mmhg.
AP = mv reduzido difusamente com sibilos e roncos bilaterais, com
dispneia moderada (fr: 30 rpm) em uso de musculatura acessória.
Abdomên = flácido, indolor à palpação, sem massas ou
visceromegalias palpáveis, rha presentes.
Extremidades: sem edema, panturrilhas livres, perfusão capilar
periférica normal.
EXAME FÍSICO
Qual o diagnóstico ?
Qual a conduta ?
PICO DE FLUXO EXPIRATÓRIO = 40 %.
SaO2= 90 % (AR AMBIENTE).
SUPLEMENTAÇÃO DE OXIGÊNIO (CATETER NASAL):
FLUXO: 4 LITROS/MINUTO (2-4 LITROS/MINUTO). SaO2=96%.
ADMINISTRAÇÃO DE FENOTEROL 100 MCG SPRAY COM ESPAÇADOR: 
4 JATOS A CADA 20 MINUTOS (3 ADMINISTRAÇÕES). 
REAVALIAÇÃO EM 1 HORA.
SALA DE PACIENTES GRAVES
MONITORIZAÇÃO HEMODINÂMICA E RESPIRATÓRIA
(SaO2 e PICO DE FLUXO EXPIRATÓRIO).
ACESSO VENOSO PERIFÉRICO.
COLHER EXAMES LABORATORIAIS E FAZER RX DE TÓRAX.
EVOLUÇÃO
Paciente evolui com melhora clínica com redução da dispneia
(fr = 22 rpm), sem uso de musculatura acessória, SaO2: 98%, 
redução da taquicardia (fc= 100 bpm), PA: 110x70 mmHg, pico 
de fluxo expiratório: 50%.
CONCLUSÃO
Melhora parcial 
CONDUTA
Mantida em observação por 4 horas / Encaminhada para ala feminina.
Prescrição: Inalação com SF 3-5 ml + Fenoterol 10 gts + 
Ipratrópio 40 gts de 1 em 1 hora (pode ser até de 30/30 minutos). 
Prednisona 20 mg 3 comprimidos (0,5 a 1 mg/kg).
Avaliar necessidade de antibiótico.
RADIOGRAFIA DE TÓRAX
EXAMES LABORATORIAIS
HEMOGRAMA: hemoglobina= 13 mg/dl e hematócrito=40%
leucócitos=10.000 (65% segmentados, 25 linfócitos 
e 10% eosinófilos).
GLICEMIA: 90 mg/dl.
URÉIA: 40 mg/dl.
CREATININA: 0,8 mg/dl.
TGO (AST): 20 ui/l.
TGP (ALT): 30 ui/l.
SÓDIO: 140 meq/l.
POTÁSSIO: 3,8 meq/l.
GASOMETRIA ARTERIAL: Ph=7,46.
PO2=80 mmHg.
PCO2=32 mmHg.
HCO3= 22 meq/l.
BE= +1.
SaO2= 95%.
EVOLUÇÃO