Psicopatologia Forense - Resumo
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Psicopatologia Forense - Resumo


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Psicopatologia Forense 
 
Psicopatologia: demencia, psicoses, neuroses 
Farmaco-dependencias 
Conteudo: aspectos psicodinamicos da doença, transtornos mentais graves, abuso ou 
dependencia de substancias psicoativas, transtornos do humor e de ansiedade 
 
Doença Mental 
 
Etiologia (causa) 
 
Fase pré-científica: a origem eram os demonios, que entravam no corpo da pessoa. 
No século XIX, houve a fase das etiologias (Emil Kraepelin), percebendo-se uma 
correlação entre doença mental e algo que previamente modificava o individuo, como 
uma doença ou herança genética. Surge pela primeira vez a real etiologia das doenças 
mentais \u2013 algum fator que precedia a doença mental seria o causador desta, percebendo 
inclusive que uma mesma causa poderia ter vários quadros clinicos diferentes, bem 
como várias manifestações poderiam vir de apenas uma causa. 
No século XX, Freud assumiu as etiologias, mas acrescentou um importante aspecto, de 
que as manifestações patologicas mentais também estariam relacionadas a fatores 
ambientais \u2013 ex: interferencia da familia, sociedade . Dois grandes livros: Interpretação 
dos sonhos, e Psicopatologia da Vida Cotidiana. 
O século XXI afirma que as doenças mentais tem sim etiologia, causas, mas é 
inquestionável que varias doenças mentais (como depressão e esquizofrenia) tem 
relação com alterações bioquímicas \u2013 moléculas que funcionam mal, ou estão em menor 
ou maior quantidade no indivíduo. Há comprovação de que a genética influi na doença 
mental, esta pode ser transmitida. 
 
Kraepelin: tinha uma concepção da manifestação clinica das doenças mentais. Mostrava 
que havia interação entre déficits e alterações de processos mórbidos subjacentes 
(etiologia organica), bem como falava das pré-condições existentes no sujeito. 
Além de comprovar a correlação entre uma doença de base e a doença mental, ainda 
disse que existiam gradações. 
Aplicações 
 
No direito civil, há aplicação direta quanto à capacidade ou incapacidade de consentir, 
enquanto no direito penal, quanto à imputabilidade ou inimputabilidade. 
Ainda no direito penal, se fala do recolhimento em estabelecimento de custodia, ou 
hospital, ou da aplicação de medidas de segurança \u2013 internação em hospital ou 
tratamento ambulatorial. 
 
Existe uma discussão: internação x tratamento ambulatorial 
Para a internação, existem alguns fatores: risco à vida (risco de suicídio), indivíduos cuja 
ação pode levar a risco alguem da sociedade por ações violentas, uma condição mais 
comum é o surto psicótico, existem ainda os transtornos causados pelas substancias 
psicoativas (comportamento alterado com risco à sociedade e ao indivíduo). 
 
São vantagens da hospitalização: presença de equipe multidisciplinar para o tratamento, 
proteção quanto a riscos, o tratamento é mais seguro e eficaz, maior atualização e 
brevidade do tratamento. 
Alternativas ao tratamento hospitalar: 
a) Residenciais de crise: o paciente recebe alta, mas ainda precisa de monitorização 
próxima. Há uma monitoração de curto prazo e intervenção na crise, 24h por dia, 
num ambiente mais social que o hospitalar. Tem como condições o paciente ter o 
acompanhamento de algum familiar proximo, não existir o risco grande de um 
surto psicótico e não estar o paciente sob efeito de drogas ou readaptação em 
relação a elas. 
b) Hospital-dia ou hospitalização parcial: para individuos acompanhados após um 
período de internação, que oscilam muito quanto aos medicamentos, mas sem 
grande indicação de ficar no hospital. Deve ter acompanhante, não ser paciente 
de risco. Como vantagem, há menor ruptura na vida do paciente, um ambiente 
mais sociavel e sem o estigma da internação psiquiátrica. 
c) Tratamento-dia: é um apoio continuo na fase de estabilização. É um 
acompanhamento mais distante, limitado, que deve ter boa estrutura, sendo bom 
para manter o vinculo do paciente com o tratamento, sendo muito bom para 
prevenir recaídas. 
d) Residencia: existe em alguns países, é um serviço de curta duração, quase um 
hotel (Casa de passagem); existem ainda na Europa as residencias de grupo de 
longo prazo, que conta com um acompanhamento proximo, mas não hospitalar; 
Apartamentos cooperativos, onde não há profissionais presentes; Residencias de 
comunidade de cuidado intensivo ou de crise; cuidado adotivo ou familiar; casas 
de alimentação e cuidado; clínicas de repouso. 
 
No Brasil não temos tudo isso, mas temos bons ambulatórios, pacientes em hospitais-
dia. 
 
Psicoses 
 
São doenças mentais caracterizadas pela distorção do senso de realidade, inadequação e 
falta de harmonia entre o pensamento e a afetividade. Existe uma "perda de contato com 
a realidade", são inimputáveis e incapazes. 
 
Sinais e sintomas comuns: inquietude psicomotora, desorganização psíquica, 
pensamento desorganizado, pensamento paranóide (um dos sintomas mais comuns são 
as idéias persecutórias), angústia intensa, insonia grave, falta de crítica. 
 
- Psicose organica: patologia cerebral, diagnostico etiológico. Ex: demência 
- Psicose funcional: sem identificação de neuropatologia, diagnostico sindromico. Ex: 
esquizofrenia, transtorno bipolar (psicose maníaco-depressivo) 
 
1) Demência: distúrbio adquirido (não congenito) e persistente (uma vez iniciado, 
sua evolução é inexorável) da função intelectual com comprometimento de 
segmentos da atividade mental. Ex: Alzheimer, demencia causada por alcoolismo. 
A principal apresentação da doença é em relação ao cérebro, com a atrofia 
cortical. Os sulcos corticais ficam alargados. A doença de base, por algum motivo 
destrói o axônio do neuronio. 
Os setores alterados são: linguagem (dificuldade de se expressar, esquece 
palavras, perde a lógica do discurso), memória (chama muito a atenção da família 
e do próprio paciente, é o grande sinal de alterta. Podem haver diversas 
modalidades de perda de memória, a depender da doença \u2013 Ex: no Alzheimer, é o 
da memória recente), habilidade visuoespacial, emoção e personalidade (como 
atitudes evitativas, para não se expor a testes pela familia, pode se tornar 
agressivo), cognição \u2013 abstração, cálculo (acalculia, dificuldade de realizar 
cálculos simples e sequenciais), julgamento. 
 
São tipos prevalentes pela sua ocorrência: as doenãs de Alzheimer e as demencias 
de origem vascular. 
São disturbios adquiridos e persistentes da função intelectual com 
comprometimento de segmentos da atividade mental. 
 
Diagnóstico: historia da doença (a historia clinica é fundamental), progressão, 
disturbios de memoria, ansiedade, depressão, fadiga, atividade domestica, 
comportamento \u2013 esses pontos devem estar nos autos. 
 
A origem do problema do Alzheimer é o deposito de placas amiloides nos 
neuronios, e esta interação entre placas e neuronios causa a morte do axonio. 
Existe uma alteração estrutural, visivel ao microscópio, o que não ocorre em 
doenças como a depressão. 
Os aminoácidos se depositam, mais especificamente, nos receptores das 
moléculas de transporte dos sinais neuronais, impedindo a chegada dos 
neurotransmissores. 
O que mais chama a atenção da familia é a alteração da memoria, mas não é o 
primeiro sinal, o primeiro é a linguagem. 
 
Em segundo lugar na frequencia, temos as alterações vasculares, que causam 
demência. Sendo dois grandes grupos, das doenças isquemicas (o sangue não 
chega, há um entupimento na artéria) e das hemorrágicas (a artéria se rompe e o 
sangue extravasa). 
 
Nas lesões isquemicas, podem ter 2 fontes: a carótida (que irriga todo o cérebro) 
pode formar trombos (é muito comum, não interferem a menos que chegue a 
mais de 85% de obstrução a placa de trombo ou então se ele soltar partículas, que 
vão para o cérebro e podem entupir artérias menores \u2013 causa um Acidente 
Vascular Cerebral Isquemico AVCI); ou as lesões cardíacas, principalmente nas 
válvulas \u2013 bacterias staphilococos podem fazer colonias nas valvulas que, se 
soltando, podem subir pela carótida e chegar ao cérebro. Os AVCIs levam ao 
enfarte (necrose)