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Resumo - Clínica Cirúrgica (Sabiston)

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Órgãos e sistemas 
 
1) ACV: REM à cirurgia e anestesia: descompensação de coronariopatas pelo aumento 
de catecolaminas (aumento de consumo de oxigênio, aumento do DC e pós-carga). Em 
portadores de estenose aórtica, o paciente com DC fixo pode sofrer edema agudo de 
pulmão ou descompensar ICC, devido a liberação de aldosterona e ADH, e deve-se 
evitar anestesia espinhal. O halotano, nitratos, hidralazina causam depressão miocárdica 
pelo efeito vasodilatador e inotrópico negativo para o coração. A anestesia regional 
diminui os efeitos de depressão miocárdica nesses pacientes. GOLDMAN conferiu uma 
tabela com risco cardíaco associado a diversos fatores, que não incluem diabetes 
mellitus, angina pectoris estável, fumantes, doença mitral, cardiomegalia, dislipidemia, 
alterações no segmento ST do eletrocardiograma, infarto do miocárdio remoto e 
bloqueios de ramo. Estas condições não devem ser ignoradas de todo 
 
 
 
Tabela 1- índice multifatorial de risco cardíaco de GOLDMAN. 
CRITÉRIOS 
História 
Idade > 70 anos 5 
IAM nos últimos seis meses 10 
 
Exame Físico 
Galope de B3 ou turgência jugular 11 
Estenose significativa de válvula aórtica 3 
 
Eletrocardiograma 
Contrações atriais prematuras ou ritmo diferente 
do sinusal 7 
>5 contrações ventriculares prematuras/minuto 7 
 
Estado qeral 3 
Gasometria anormal 
Anormalidades no K+ e HCO3 
Função renal anormal 
Doença hepática ou acamado 
 
Emergência 4 
Intraperitoneal, intratorácica ou aórtica 3 
 
TOTAL DE PONTOS 53 
 
Tabela 2- Interpretação do índice multifatorial de risco. Complicações incluem EAP, IAM e 
taquicardia ventricular. Os óbitos são devidos a causa cardíaca. 
RISCO PONTOS COMPLICAÇÃO ÓBITOS 
I 0-5 0,7 0,2 
II 6-12 5 2 
III 13-25 11 2 
IV >26 22 56 
DETSKI incluiu pacientes com Angina classe III e classe IV para os critérios de risco: 
 
Tabela 3 - índice multifatorial de risco Cardíaco proposto por Detski e cols (< 15 pontos = baixo 
risco; > 15 pontos = alto risco). 
Fatores de Risco 
IAM nos últimos 6 meses 10 
IAM com mais de 6 meses 5 
 
Sociedade Cardiovascular Canadense (Angina) 
Classe III 10 
Classe IV 20 
 
Edema Pulmonar 
Dentro da última semana 10 
Passado 5 
 
Estenose aórtica crítica 20 
Ritmo outro que não o sinusal em ECG realizado no pré-operatório ou 
ritmo sinusal acrescido de extrassístoles atriais 5 
> 5 extrassístoles ventriculares em qualquer momento antes da cirurgia 5 
Estado geral comprometido 5 
Idade > 70 anos 5 
Operação Emergencial 10 
 
 
2) HAS: níveis bons para o procedimento < 140 x 90 mmHg. Contudo, pode-se aceitar Ps 
< 180 mmHg e Pd: < 110 mmHg e sem lesões de órgão alvo. Não se deve fazer 
reajustes de anti-hipertensivos próximo ao dia da cirurgia. Eles devem ser usados até o 
dia da mesma, independente do paciente encontrar-se em dieta zero. Alterações de 
volume devem ser corrigidas em pacientes que utilizam diuréticos, assim como a 
hipotensão com uso de dobutamina e reposição de volume (devido o efeito de 
vasodilatação e depressão miocárdica dos anestésicos inalatórios). 
3) CARDIOPATIA ISQUÊMICA 
a. Angina estável: não contra-indica a cirurgia. Utiliza-se BETA-
BLOQUEADOR de ação longa antes ou administra-se durante toda a operação 
um BETA-BLOQUEADOR de ação curta e NITRATOS até o paciente se 
alimentar. 
b. Angina classe III: devem ser avaliados com teste ergométrico ou cintilografia 
de esforço. A cirurgia deverá ser suspensa a depender do grau de isquemia 
coronária. 
c. Angina classe IV e Angina instável: CONTRA-INDICAÇÃO PARA 
CIRURGIAS ELETIVAS. Caso não seja possível, indica-se a RM antes do 
procedimento. 
d. IAM: ideal que realize a cirurgia após 6 meses do evento, pois a cicatrização 
miocárdica demora, em média, 4-6 semanas. 
e. ICC: Depende da classe funcional (NYHA) e achados como terceira bulha e 
congestão pulmonar. Ideal: ESTABILIZAR O PACIENTE 1 SEMANA 
ANTES DO PROCEDIMENTO, ALÉM DE MONITORIZAÇÃO 72h 
ANTES E DEPOIS DA CIRURGIA. PREFERÍVEL NÃO UTILIZAR 
DIGITÁLICOS E TER USO CRITERIOSO DE DIURÉTICOS (por causar 
hipotensão associada aos anestésicos). 
f. Valvulopatias: Estenose aórtica – requer valvuloplastia ou cirurgia prévia / 
ponderar A < 1cm2 com mortalidade não tão expressiva. Em pacientes com 
próteses valvares em uso de anticoagulantes: SUSPENSÃO 4 DIAS ANTES E 
ACOMPANHAMENTO COM RNI; RNI < 1,5, INICIAR TRATAMENTO 
COM HEPARINA COM BOMBA DE INFUSÃO; SUSPENDER 
HEPARINA 6h ANTES DA CIRURGIA; REINICIAR A HEPARINA EM 
TORNO DE 12h APÓS A CIRURGIA; INICIAR O ANTICOAGULANTE 
ORAL APÓS 3 DIAS. Iniciar profilaxia para endocardite bacteriana em 
pacientes com próteses valvares, miocardiopatia hipertrófica, valvulopatia 
reumática, prolapso mitral com regurgitação, história prévia de endocardite etc. 
Os procedimentos envolvidos são os odontológicos, a biópsia de mucosa 
respiratória (durante broncoscopia), a cirurgia ou instrumentação gastrintestinal 
ou geniturinária e a incisão e drenagem de tecido infectado. 
g. Doença vascular periférica: observar portadores de claudicação, pois 
geralmente apresentam coronariopatias associadas, não evidenciadas pela 
diminuída capacidade de deambulação. Aneurismas aterosclerótico de aorta > 
5cm devem ser ressecados. Exames do pré-operatório para avaliação: 
cintigratia com tálio-dipiridamol ou ecografia de estresse com dobutamina. 
A coronariografia é indicada no caso de positivo o teste de cintigrafia, para 
avaliar a necessidade de RM. 
4) APARELHO RESPIRATÓRIO 
a. Achados: leucocitose, febre, alterações no Rx e gasometria, expectoração, 
dispnéia. A tosse é relacionada à deiscência de ferida no local da incisão. 
b. Maiores complicações: cirurgias em tórax e abdome superior. 
c. Anestesia: pode diminuir a capacidade vital e residual funcional da respiração e 
perdurar por 15 dias esta alteração. No pós-operatório, atelectasias, infecções 
podem aparecer. 
d. Risco: fumantes com uso de 20 maços/ano, sendo necessário, em alguns casos, 
da suspensão do tabagismo por 6-8 semanas antes do procedimento cirúrgico. 
Dentre os não-pulmonares, a obesidade, laparotomias verticais, idade avançada, 
desnutrição, anestesia > 3h, Rx anormal aumentam o risco de doenças 
pulmonares. 
e. DPOC: pacientes com CVF < 70%, VEF1/CVF < 50% e PaCO2 > 45mmHg 
têm risco maior de desenvolver complicações. Preconiza-se o uso de 
ANTIBIÓTICOS POR 10-14 DIAS. 
f. Broncoespasmo: o uso de GLICOCORTICÓIDES, 
BRONCODILATADORES E METILXANTINA pode ser realizado em até 
1 semana antes da operação, até que se cessem os sibilos. Não utilizar 
substâncias como D-TUBOCURARINA e CICLOPENTANO + 
TIOPENTAL. 
 
Tratamento Pré-operatório 
 
1) Utilizar ATB por 10-14d em pacientes com DPOC 
2) Uso de agonistas beta-2 (albuterol 0,5mL ou 10 gotas em 2,5mL de soro fisiológico 
para nebulização de 4/4h. 
3) Uso de glicocorticóides no perioperatório (metilprednisona 20-60 mg a cada 6h ou 
hidrocortizona, iniciada 12h antes da cirurgia). Suspender após liberação da dieta e 
iniciar prednisona, pois dificultam a cicatrização da ferida cirúrgica. 
4) Teofilina: utilizada por alguns, é feita em dose de ataque de 6mg/kg + infusão 
contínua de 8mg/kg (adultos jovens fumantes e crianças de 9-16 anos) ou a 0,1-
0,5mg/kg/h em não-fumantes, idosos, com DCV ou doença hepática. Há trabalhos 
com aumento da arritmia e convulsões com o uso desta droga. 
5) RINS 
a. desidratação: pacientes com vômitos ou diarréia intensa, doença renal 
policística, nefrite intersticial crônica ou aguda e estenose de artéria renal – 
agravamento do quadro por hipotensão na indução anestésica. FAZER 
CORREÇÃO HÍDRICA. 
b. Hidratação demasiada: pode causar edema agudo de pulmão. 
c. Hipercalemia: quando há diminuída taxa de filtração glomerular (IRC). 
d. Dialíticos: devem realizar diálise 24h antes da cirurgia. Checar calemia 
antes

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