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Resumo - Clínica Cirúrgica (Sabiston)

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crônica, esforço para defecar constante, ascite, cirrose, diálise peritoneal 
crônica. 
 
Classificação de Nyhus 
I: HII com anel de tamanho normal com assoalho normal 
II: HII com anel de tamanho anormal com assoalho normal 
III-A: HID 
III-B: HII com assoalho distorcido 
III-C: HF 
IV: Hérnias recorrentes 
 
Sintomas 
Podem ser: caroço ou inchaço na virilha, dor súbita, saliência ao levantar peso ou defecar, dor 
que se irradia para o escroto, desconforto, etc. 
 
Exame físico 
O paciente em pé e deitado. À inspeção, observa-se o abaulamento ou pede para fazer força, se 
for circular é HDD, se for elíptico é HII. Na palpação insere-se o dedo indicador no anel 
inguinal externo logo acima e lateralmente ao tubérculo pubiano. Verifica-se a resistência da 
parede posterior do canal e pede para fazer força, se a massa for de encontro à ponta do dedo é 
HII, se encostar lateralmente ao dedo provavelmente é HID. 
 
Diagnóstico diferencial 
Poe ser: hidrocele do cordão espermático, linfadenopatias, abscessos na virilha, varicocele, 
hematomas residuais ou criptorquidia... 
 
Tratamento 
A cirurgia consiste no isolamento do saco herniário e fechamento do defeito fascial no assoalho 
inguinal. 
Sem tela: têm maior índice de recidivas 
- Bassini: que aproxima o tendão da foice inguinal ao ligamento inguinal, e o cordão 
espermático permanece sob a aponeurose do m. oblq externo. 
- Halsted: técnica semelhante a Bassini, só que o cordão espermático fica sobre o m. oblq 
externo. 
- Mc Vay: usada para HF, liga a foice inguinal (tendão conjunto), mais posterior e inferior, até o 
ligamento de Cooper. 
- Shouldice: precisa de dissecção mais ampla, a fáscia transversal é incisada e ligada ao 
ligamento inguinal. Depois a foice e o m oblq interno são aproximados em camadas ao 
ligamento inguinal. 
Com tela: tem menos complicações, retorno rápido às atividades e menos recidivas. 
- Lichtenstein: usa-se tela de Marlex, que é suturada ao tecido aponeurótico sobreposto ao osso 
púbico, ao longo do ligamento inguinal até o anel interno, inferiormente. Lateralmente, a tela é 
cortada p/ passagem do cordão espermático, e superiormente é ligada ao tendão conjunto. 
 
 
 
- Stoppa: tem os mesmos princípios da Lichtenstein, porém usa um retalho de tela maior por ser 
mais utilizada em hérnias recorrentes ou bilaterais. 
Videolaparoscópicas: custo, complicações, dor e retorno mais rápido às atividades. 
- TAPP: coloca tela transabdominal pré-peritoneal. 
- TEP: coloca a tela por via extraperitoneal total. 
 
 
 
 
Hérnias umbilicais 
Em adultos ocorre bem depois do fechamento do anel umbilical, quando o tecido cicatricial ao 
redor cede gradualmente. É mas frequente em mulheres. Entre as causas estão: múltiplas 
gestações com trabalho de parto prolongado, ascite, obesidade ou grandes tumores abdominais. 
Sintomas: dor aguda à tosse ou esforço de defecação. 
Tratamento: tem risco de encarceramento e estrangulamento, normalmente contém o omento, 
mas pode ter intestino delgado e grosso. Deve ser reparado a aponeurose com sutura transversa. 
 
Hérnias epigástricas 
Protrusão através da linha branca, acima do nível do umbigo, podendo passar na saída de nervos 
e vasos ou devido a uma área de fraqueza congênita. 
Sintomas: geralmente assintomáticas, mas pode ter dor na região que irradia para o dorso ou 
quadrante abdominais inferiores. Pode ter aumento do volume abdominal, náuseas e vômitos. 
Diagnóstico diferencial: úlcera péptica, doença da vesícula biliar, hérnia de hiato, pancreatite, 
lipoma, fibroma, neurofibroma, diástase dos músculos retos (pois não há defeito fascial). 
Tratamento: cirúrgico, com fechamento primário. Usa-se tela se a área for extensa. 
 
Hérnia incisional 
É um tipo iatrogênico de hérnia que ocorre em 10% das cirurgias abdominais. 
Etiologia: técnica cirúrgica deficiente; infecção pós-operatória; idade avançada, debilidade do 
paciente (geralmente por doenças crônicas que comprometem a nutrição), obesidade, colocação 
de drenos, grande perda sanguínea intra-operatória, não fechar a fáscia adequadamente. 
Tratamento: em pequenas hérnias repara-se fáscia com fáscia utilizando sutura interrompida ou 
contínua com fio inabsorvível. Já as grandes, quando não dá para aproximar as bordas fasciais, o 
fechamento é feito com tela não absorvível ou com contra-incisões laterais na bainha do reto 
anterior para possibilitar o fechamento primário na linha média. O índice de recorrência das 
grandes hérnias é de quase 50% e o uso de tela está relacionado com altos índices de infecção e 
formação de fístulas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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(Oraine de Bireu) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
OBSTRUÇÃO INTESTINAL 
POR: MANOEL FERREIRA 
OBSTRUÇÃO INTESTINAL NO ADULTO 
Obstrução intestinal é uma interrupção parcial ou total da passagem do bolo alimentar pela luz 
do intestino. 
Principais Causas Mecânicas 
As principais causas para a ocorrência de obstrução intestinal são: 
 
Aderências/bridas (principalmente em pessoas que já sofreram cirurgia abdominal) 
Inflamações (peritonite, doença de Crohn) 
Tumores 
Invaginação 
 
Volvulo/torção de alça 
Cálculo biliar (íleo biliar) 
Bezoar (corpos estranhos) 
Pós-cirurgias (complicações) 
Vermes (ascaris) 
Hérnias abdominais (internas e externas) 
Diverticulite 
Enterite por radiação 
Traumatismos 
Íleo espástico 
 
Outras Causas Não Mecânicas 
 Íleo paralítico (adinâmico) que tem origem em diversas causas clínicas 
Isquemia mesentérica aguda 
Distúrbios metabólicos 
Intoxicação por chumbo (saturnismo) 
Quadro Clínico da Obstrução Intestinal 
A característica inicial de uma obstrução intestinal é a distensão do abdômen provocada pelo 
acúmulo de ar deglutido (vários litros diários), alimentos e secreções do aparelho digestivo - 
constituídas por saliva, sucos gástricos, biliares, pancreáticos e intestinais -, que podem chegar 
de seis a oito litros diários. 
Portanto, o conjunto de alimentos, ar deglutido e secreções, ao não ser absorvido nas últimas 
porções do intestino, não conseguirá fazer o trânsito intestinal normal e, conseqüentemente, irá 
dilatar o intestino, provocando todo o quadro dramático de abdômen agudo, conhecido como 
obstrução intestinal. 
Este quadro pode ser repentino ou insidioso, dependendo principalmente: 
a) da causa que o provocou 
b) se a luz do intestino fechou total ou parcialmente 
c) se ocorreu repentinamente – casos de torção de alça, também chamados de volvulo ou casos 
de hérnia estrangulada – ou se ocorreu paulatinamente, como nos casos de aderências pós-
operatórias ou devido a tumores 
 
 
 
 
d) se a dificuldade do fluxo não se deu por uma oclusão, como no íleo adinâmico 
Diagnóstico 
O diagnóstico diferencial da obstrução intestinal, apesar de ser complexo e multidisciplinar, é 
relativamente fácil para um médico experiente em abdômen agudo, pelas características próprias 
da luta da alça contra o obstáculo. 
 É importante agir antes de aparecerem os vômitos fecalóides, os quais são os sinais de 
obstrução em alça intestinal baixa (distante do estômago). 
 
 Com um simples estetoscópio usado no exame abdominal o médico pode ouvir ao mesmo 
tempo a queixa do paciente pela dor em cólica (dor intensa, tipo cãibra) e o som característico - 
de borborigmos, ronco do rolamento de líquidos-, o que a torna diferente das cólicas biliares e 
renais, nas quais não está presente o som inconfundível de luta da alça. 
Inicialmente, deve ser excluído o quadro característico das cólicas menstruais, a possibilidade 
de

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