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Neuroinfecções

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Temos neuroinfecções agudas, subagudas e crônicas. Como objetivo hoje temos: 
 Identificar as principais síndromes que compõem as neuroinfecções em geral. Todo doente, 
após a narrativa, após o exame físico completo começamos a ligar às principais síndromes 
(aqueles sinais e sintomas que estão juntos e pertencem ao mesmo processo 
fisiopatogênico). 
 Interpretar as evidências clínicas que contribuam para o diagnóstico das principais 
neuroinfecções. 
 Analisar dados de exames complementares de significância para o diagnóstico clínico e 
também para o diagnóstico diferencial. 
 Compreender a importância dos dados epidemiológicos. 
 Esquematizar um plano terapêutico adequado para as condições mais prevalentes. 
 Avaliar complicações e desfechos favoráveis e desfavoráveis. 
Sabemos que o sistema nervoso central está num estojo ósseo (no crânio) e dentro da coluna 
vertebral e não negocia depois de certo tempo o espaço. Quando somos lactentes, nós temos as 
fontanelas, mas depois que desenvolvemos, o crânio torna-se rígido e a coluna vertebral também. 
Se colocássemos o encéfalo mais a 
medula que é todo sistema nervoso central 
em ortostatismo, pelo peso desse conjunto, 
a gravidade iria fazer uma bagunça. Porém, 
isso não acontece porque o sistema nervoso 
central está mergulhado em uma coluna 
líquida. Com isso, o peso do deslocamento é 
o volume, 1 quilo e 600 gramas (peso do 
SNC) são transformados em 60 gramas. 
Então, o SNC está envolvido por uma 
camada líquida produzida por ele que é o 
líquor cefalorraquidiano. Envolvendo o 
cérebro, encéfalo, a medula e o estojo ósseo 
temos as meninges. Em termos de camadas 
como visto na imagem acima, temos o osso, logo abaixo do osso ligada ao periósteo temos a dura- 
máter (pouca célula e muita fibra) 
Obs: A dura-máter é usada para fazer prótese valvular cardíaco-biológica. 
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 NEUROINFECÇÃO 
 INTRODUÇÃO 
 
 
Obs: Com os anos, a dura-máter vai se soldando com o periósteo. Na fase que estamos, há um 
deslizamento da dura-máter com o periósteo. Traumas discretos podem levar a grandes 
complicações por conta disso, a dura está aderida ao periósteo e pode desfazer essa união e ali 
tem vasos havendo sangramento. Mais próximo ao encéfalo e à medula temos a pia-máter que é 
uma delicada membrana em torno do encéfalo e da medula e que entre ela e a dura-máter temos 
uma região chamada aracnoide (lembra uma malha de teia de aranha). É na região subaracnóidea 
(onde tem o líquor) que vai haver transformações em algumas neuroinfecções. 
Sabemos que o SNC tem algumas proteções importantes, é mais fácil encontrar pneumonia 
e gastroenterite do que encefalite e meningite. Temos duas construções significativas no SNC, uma 
é a barreira hematoencefálica, outra é a barreira hematoliquórica. 
Essa aqui é a barreira 
hematoencefálica. Podemos observar que o 
neurônio não está ligado ao vaso. Entre o 
neurônio e o vaso, temos uma célula 
chamada astroglia que faz como se fossem 
pés sugadores no epitélio. Tudo que está 
no sangue, pra chegar ao neurônio, tem 
obrigatoriamente que passar pela astroglia 
e tudo que sai do neurônio pra ir pro vaso 
tem que passar pela astroglia. 
Então essa é uma importante célula 
de homeostase do neurônio. 
Nessa imagem ao lado, notamos 
que nos capilares periféricos, entre 
uma célula endotelial e outra, temos 
espaços (pertuitos, junções frouxas) 
permitindo a passagem de líquido e 
também de proteína. 
Obs: o vírus SARS-COV-2, agride 
basicamente o pneumócito no pulmão 
e os receptores ACE2 do endotélio do 
capilar periférico e por isso a 
fisiopatologia da COVID 19 é uma 
endotelite. 
Do lado do capilar periférico, 
temos demonstrado o capilar do SNC onde não temos as aberturas (fenestras), são as chamadas 
Tight Junctions (junções estreitas/apertadas) e além dessas junções temos os pés sugadores 
(astrócito). 
Aqui temos a barreira hematoliquórica, 
marcado de azul temos o vaso, abaixo numa 
fileira de itens rosas temos as células 
ependimárias e abaixo das células ependimárias 
temos o líquor. Então, existe uma dificuldade do 
que sai no sangue, entrar no líquor. O espaço 
entre a célula ependimária e o vaso (interstício) é 
onde ocorre a produção do líquor. Então, 
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qualquer agente patógeno, obrigatoriamente tem que passar por essas barreiras pra entrar no 
SNC. 
Achados Clínicos 
Os achados clínicos de qualquer neuroinfecção dependem de 4 elementos: 
 Virulência do agente patógeno. 
 Quantidade invasora. 
 Resposta imunológica – está relacionada à idade do hospedeiro, porém está muito mais 
ligada à resposta inata e adquirida. 
 Resposta inflamatória do hospedeiro. Ela é importante até determinado limite, se ela for 
pouca não ajuda, mas se for muito ela prejudica. (tempestade de citocinas na COVID 19 
por exemplo). 
Obs: Tem muitos casos de sequelas por desregulação da resposta inflamatória onde o paciente 
tem complicações como encarceramento de nervos, alteração do eixo hipotálamo-hipofisário... 
Neuroinfecções 
Qualquer neuroinfecção é constituída de 4 síndromes: 
 Síndrome Infecciosa: Caracterizada por febre, queda do estado geral, taquicardia, sudorese, 
adinamia... 
 Síndrome Meningea: Rigidez de nuca, sinal de Kernig, sinal de Brudzinski (esses sinais 
foram descritos na época pré-antibiótico, ou seja, todos os pacientes de Kernig e Brudzinski 
tinham os sinais meníngeos). Porém não podemos esperar o diagnóstico de neuroinfecção 
apoiados em síndrome meníngea porque podem faltar os sinais nos primeiros dias de 
infecção. 
 Síndrome Encefálica: Indica comprometimento da pia-máter e de vasos do córtex cerebral 
e do encéfalo devido à endotelite (pode ser bacteriana ou viral). No momento que temos uma 
endotelite, pode ocorrer trombose e aí juntamos infecção com isquemia mais edema. Então, 
na síndrome encefálica, podemos ter alteração de consciência, irritabilidade ou sonolência 
ou torpor e crises epiléticas (podem ser focais ou tônico-clônico-generalizadas). 
 Síndrome Liquórica 
Obs: Geralmente as síndromes infecciosas exuberantes são bacterianas, depois as virais, depois 
vem uma infecção subaguda crônica da tuberculose e mais tardiamente a sífilis. 
Obs: Uma síndrome infecciosa importante mais uma síndrome encefálica, mesmo que não tenha 
síndrome meníngea, é mandatório analisarmos o líquor. 
Tem muitos casos em crianças em que a mãe chega e fala que o filho está amuadinho, ou 
seja, houve um rebaixamento de consciência. Nessas crianças o professor pela experiência dele 
diz nunca ter se arrependido de pedir exame do líquor. 
Rotas da Infecção 
 Por acesso direto: Após uma fratura de crânio, defeitos congênitos de fechamento do tubo 
neural (encefaloceles), por infecções iatrogênicas (punções lombares, cirurgias) 
 Por contiguidade: A partir de estruturas próximas ao SNC (os seios da face, a orelha média, 
a orelha interna, as infecções de pele, do rosto, da boca) 
 Por via hematogênica que é a mais importante. 
 Pelas derivações liquóricas (hidrocefalia, ventrículo peritoneal 
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Achados liquóricos 
O que precisamos saber sobre o líquor é que ele tem pressão até 18/20 cm de H2O, é um 
líquido claro (neurologista fala que é em água de rocha), tem poucas células (normalmente de 0 a 
4 células por mm³ e são predominantemente linfócitos, não tem polimorfonucleares, eosinófilos 
em um líquor normal). Devido aquelas junções estreitas, o líquor tem de 20 a 40 mg de proteína, 
mas não tem imunoglobulina (não tem anticorpo). A glicose é mais ou menos 2/3 da glicemia e a 
temperatura é de 36,8 a 37. 
Obs: A presença de eosinófilo dentro do líquor falaria a favor de uma parasitose 
O líquor é importante porque ajuda a confirmar o diagnóstico, pela cultura ou pela presença 
de elementos antigênicos podemos identificar o agente patógeno, é importante para testar a 
sensibilidade antimicrobiana e estabelecer a quimioprofilaxia nos contactantes (meningococcus e 
haemofilo). 
Em alguns livros, diz