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Lição 1 Cartas de Paulo: Aos Romanos, Gálatas e Efésios Autor: O Apóstolo Paulo Data: Cerca de 57 d.C. Carta aos Tema: A Revelação da Justiça de Deus Romanos Palavras-Chave: Justiça, fé, jus tif icação, lei, graça. Versículos-chave: Rm 1.16 e 17 5, ' I Romanos é a epístola de Paulo mais longa, mais teológica e mais influente. Talvez por essas razões foi colocada em primeiro lugar entre as do apóstolo. De modo contrário à tradição católica romana, a igreja de Roma não foi fundada por Pedro, nem por qua lquer outro apóstolo. Ela ta lvez foi inic iada por convert idos de Paulo provenientes da Macedônia e da Ásia, bem como pelos judeus e p rosé l i to s1 conver tidos no dia de Pentecos tes (At 2.10). Paulo não t inha Roma como campo específ ico de outro apóstolo (Rm 15.20). Em Romanos, Paulo afi rma que muitas vezes planejou ir até Roma para ali pregar o evangelho, mas que, até então fora impedido (Rm 1.13-15; 15.22). Reafi rma seu desejo de ir até eles (Rm 15.23-32). 1 Pagão que abraçou o judaísmo. Em vista de seus planos pessoais, Paulo escreveu para apresentar-se a uma igreja que nunca t inha visi tado. Ao mesmo tempo, ele apresentou uma declaração comple ta e ordenada dos princípios fundamentais do evangelho que pregava. Paulo, ao escrever esta epístola, perto do fim da sua terceira viagem missionária (cf. Rm 15.25,26; At 20.2,3; ICo 16.5,6), estava em Corinto como hóspede na casa de Gaio (Rm 16.23; ICo 1.14). Enquanto escrevia Romanos através do seu auxil iar Tércio (Rm 16.22), planejava voltar a Jerusa lém para o dia de Pentecoste (At 20.16; provavelmente na primavera de 57 ou 58 d.C.) e entregar pessoalmente uma oferta de socorro das igrejas gentias aos crentes pobres de Jerusa lém (Rm 15.25-27). Logo a seguir , Paulo esperava partir para a Espanha levando-lhe o evangelho, visi tar de passagem a igreja de Roma e receber ajuda dos crentes ali para prosseguir em sua caminhada para o oeste (Rm 15.24,28). Nenhum livro da Bíblia tem tantos títulos como Romanos: Evangelho Segundo Paulo, Evangelho do Cristo Ressurreto, Tratado Teológico Paulino, Mais Puro Evangelho , Principal das Epístolas Paulinas, A Catedral da Doutr ina Cristã, etc. Destinatários “Todos os que estais em Roma, amados de Deus” são os destinatários desta carta. Pode-se notar que Paulo nesta saudação não usa a palavra igreja (como faz em 1 e 2Coríntios, Gálatas, 1 e 2Tessalonicenses) . Isto pode mostrar que nessa época não exist ia nenhuma igreja organizada, mas várias igrejas de casa (Rm 16.5,14). Em todos os lugares havia cristãos que ali se reuniam para cultuar a Deus. 16 Não sabemos com certeza como e quando o Cris t ianismo chegou a Roma. Em Atos 18.2 fala-se acerca de Aqui la e Priscila que pertenciam àqueles judeus que Cláudio expulsara de Roma, cerca de 49 d.C. No final do quarto d ecên io1 já havia cr is tãos em Roma. Agost inho informa que o cr is t ianismo chegou a Roma durante o governo do imperador Cal ígula (37 - 41 d.C.). Autor Conforme a primeira palavra, Paulo, o servo e apóstolo de Jesus Cristo, é o autor da Epís tola . O conteúdo do l ivro indica que seja Paulo , não só pelas muitas re ferências pessoais (Rm 1.8-15; 9.1-5; 11.1,13 e 16.3-23), mas também pela profundeza dos seus ens inamentos e conhecimentos da verdade de Deus (Rm 3.20-25; 11.33-36, etc.). O livro todo fala do seu autor como de um homem erudito, profundamente espiri tual , intei ramente consagrado e conscientemente inspirado. Justino Mártir , Pol icarpo, Inácio, Clemente de Roma e Hipóli to fazem citações desta Epístola. Aceitavam-na como fazendo parte do cânon e até os próprios inimigos do Cris t ianismo reconheceram a carta como escrita pelo apóstolo Paulo. Não há motivos para se re jeitarem as muitas evidênc ias e favor de que a Epís to la seja o que pre tende ser. Não é de est ranhar que Paulo conhecesse tantas pessoas por seus nomes em uma cidade onde ele nunca t ivesse estado, porque essa cidade era Roma, a capital do mundo, e o apóstolo conhecia pessoalmente centenas de pessoas, tanto judeus, como gentios, que poderiam ter-se mudado para Roma por motivos comerciais ou particulares. Antes, 1 Período de 10 anos; década. 17 seria difícil que fosse de outro modo. O capítulo 16 com saudações para tantas pessoas não é um argumento válido para se re jeitar a Epís tola como genuína. Convém acrescentar que os 300 manuscri tos existentes da carta aos Romanos , todos os que não têm sido danificados, contêm a Epís to la completa tal qual se acha hoje no Novo Testamento. Data e as Circunstâncias É claro que P au lo não t inha vis i tado esta cidade antes de enviar -lhes esta carta (Rm L8-15 ; 15.22-24,28,29), que foi escri ta pelo apóstolo durante a sua terceira viagem missionária, quando se achava em Corinto. Durante sua permanência na Macedônia , Paulo escreveu duas cartas à Igreja de Corinto (Grécia), nas quais lhe falou a respeito da preparação de uma oferta para os necessitados em Jerusalém ( IC o 16.1,2; 2Co 8 e 9). Em Atos 20.2,3 vemos que o apóstolo, depois de recolher as ofertas das igrejas sediadas na Macedônia, desceu à Grécia onde ficou três meses. Em Romanos 15.25-28 vemos que Paulo t inha levantado a oferta em Corinto e está pronto para levá-la a Jerusa lém que, tendo desempenhado esta missão, pensava ir a Roma (At 19.21; Rm 1.8-15). Também evidencia a verdade o fato de que a portadora da carta aos Romanos foi Febe, de Cencréia, porto de Corinto. Por tanto , cremos que Paulo escreveu esta Epísto la estando em Corinto, durante a sua terceira viagem missionária, lá pelo ano 57 d.C. Muito se tem discutido a questão a respeito de quem teria sido o fundador da Igreja Cristã na cidade de Roma. Talvez não tenha importância, mas é quase impossível crer-se que t ivesse sido algum apóstolo, muito menos, Pedro, que permaneceu em 18 Jerusalém pelo menos até o ano 49, o qual concordou em ir para os judeus , e que Paulo fosse para os gentios (G1 2.7-9). É provável , ainda, em face de Romanos 16.5,14,15, que os irmãos crentes que es tavam em Roma n ã o . es tivessem organizados em uma só igreja ainda, quando Paulo escreveu esta carta, ta lvez devido ao fato de que nenhum apóstolo os t ivesse visi tado. Paulo chegou a Corinto (At 20.2,3) depois de ter passado dois anos em Efeso discutindo dia riamente na escola do mestre T i rano1 (At 19.9,10). Não se menciona o número de horas que Paulo falava cada dia, porém é provável que o apóstolo te rminasse o seu ministér io em Éfeso com a sua teologia organizada em sua mente. Ao mesmo tempo en tenderia m elhor as necessidades espiri tua is dos gentios e o modo mais claro e eficaz de apresentar-lhes a verdade. Não é de estranhar, então, que ele pensasse nas condições do grande número de crentes que estavam em Roma, e o Espíri to Santo lhe fez ver a importância de que todos fossem corre tamente instruídos na doutr ina verdadeira do Evangelho. Melhor era lançar um fundamento sólido, o mais depressa possível , antes que as heresias chegassem a levantar suas cabeças entre os irmãos. Propósito Paulo escreveu esta carta a f im de preparar o caminho para a obra que ele esperava realizar em Roma e na sua missão previs ta para a Espanha. Seu propós ito era duplo: 1. Segundo parece, os romanos t inham ouvido boatos falsos a respeito da mensagem e da teologia de Paulo (Rm 3.8; 6.1,2,15); daí ele achar 1 Supõe-se que ele era gentio e mestre em filosofia. 19 necessário regis trar por escri to o evangelho que já pregava há vinte e cinco anos. 2. Queria corrigir certos problemas da igreja, causados por ati tudes erradas dos judeus para com os gentios (Rm 2.1-29; 3.1,9), e dos gentios para com os judeus (Rm 11.11-32). Visão Panorâmica Doutr inar iamente, Romanos é o maior l ivro já_escrito.É o coração e a alma da revelação de Deus ao p ovo desta época. Todo o conjunto da verdade da redenção, chamado na Escritura “o Evange lho” , Está aqui detalhado. A mais completa his tória d a necessidade, do remédio e dos resul tados da morte de Cristo, encontra-se em Romanos. O pensamento chave é a jus tiça de Deus. A progressão da verdade vai da completa condenação até a integral e jus ta glorificação. O tema de Romanos está em 1.16,17, a saber: que no Senhor Jesus a jus tiça de Deus é revelada como a solução à sua jus ta ira contra o pecado. A seguir, Paulo expõe as verdades fundamentais do evangelho. Pr imeiro , destaca o fato de que o problema do pecado e a necessidade humana da jus tif icação são universais (Rm 1.18-3.20). Posto que tanto os judeus quanto os gentios estão sujeitos ao pecado e, portanto, sob a ira de Deus, ninguém pode ser jus ti f icado diante d ’Ele à parte do dom da jus tiça (Rm 3.24) mediante a fé em Jesus Cristo (Rm 3.21-4 .25) . • Sendo jus ti f icado generosamente pela graça de Deus, e tendo recebido a certeza da salvação (capítulo 5); • O crente demonst ra que recebeu o dom divino da just if icação, ao morrer com Cristo para o pecado (capítulo 6); • É liberto da luta com a jus tiça da lei (capítulo 7); 20 • É adotado como filho de Deus, recebendo nova vida segundo o Espíri to, o que o conduz à g lori ficação (Rm 8.18-30). • Deus está levando a efeito o seu plano da redenção, a despeito da incredulidade de Israel (Rm 9-11). Finalmente , Paulo declara que uma vida transformada em Cristo resulta na prática da re tidão e do amor em todos os aspectos da vida social , civil e moral da pessoa (Rm 12-14). Paulo te rmina Romanos expondo seus planos pessoais (capítulo 15), uma longa lista de saudações pessoais, uma últ ima admoestação e uma doxo log ia1 (capítulo 16). Romanos em Síntese • A Pessoa do Evangelho: Cristo • O poder do Evangelho: Poder de Deus • O propósi to do Evangelho: Para a salvação • As pessoas a quem se destinam: de todo aquele • O plano de aceitação: Aquele que crê • O plano de vida: O ju s to viverá por fé Divisões Principais Romanos é a alma da coerênc ia1 2. Começa com condenação, e prossegue através da salvação, jus tif icação, santi f icação (e depois uma secção a respeito da verdade dispensacional, conci l iando as promessas de Deus a Israel com as promessas de Deus à Igreja), te rminando com glorificação. 1 Fórmula litúrgica de louvor a Deus, geralmente ritmada. 2 Ligação ou harmonia entre si tuações, acontecimentos ou idéias; relação harmônica; conexão, nexo, lógica. 21 Característ icas Especiais Sete destaques principais carac terizam Romanos: 1. Romanos é a mais s is temática epístola de Paulo; a epístola teológica por excelência do Novo Testamento. 2. Paulo escreve num esti lo de pergunta e resposta, ou de diálogo (Rm 3.1,4-6,9,31). 3. Paulo usa amplamente o Antigo Testamento como a autoridade bíblica na apresentação da verdadeira natureza do evangelho. 4. Paulo apresenta “a jus tiça de Deus” como a revelação fundamental do evangelho (Rm 1.16,17); Deus restaura e ordena a si tuação do homem em Jesus Cristo e através d ’Ele. 5. Paulo focal iza a natureza dupla do pecado, bem como a provisão de Deus em Cristo para cada aspecto: O pecado como uma transgressão1 pessoal (Rm 1.1-5.11) e o pecado como um princípio ou lei (gr. he ham artia ), isto é, a tendência natural e inerente1 2 para pecar, existente no coração de toda pessoa, desde a queda de Adão (Rm 5.12-8.39). 6. O capítulo 8 é o mais longo da Bíblia sobre a obra do Espíri to Santo na vida do crente. 7. Romanos contém o estudo mais profundo da Bíblia sobre a rejeição de Cristo pelos judeus (excetuando- se um remanescente), bem como sobre o plano divino-redentor para todos, alcançando por fim Israel (Rm 9-11) . 1 Ato ou efeito de transgredir; infração, violação. 2 Que está por natureza inseparavelmente ligado a alguma coisa ou pessoa 22 Cristo Revelado A epís to la inteira é a história do plano de redenção de Deus em Cristo: a necessidade dele (Rm 1.18-3.20), a descrição detalhada da obra de Cris to e suas impl icações para os cristãos (Rm 3.21-11.36) e aplicação do evangelho de Cristo à vida cotid iana (Rm 12.1-16.27). Mais especif icamente , Jesus Cristo é o nosso Salvador, que obedeceu perfe itamente a Deus como nosso representante (Rm 5.18-19) e que morreu como nosso sacrifício substi tu to (Rm 3.25; 5.6,8). É nele que devemos ter fé para a salvação (Rm 1.16-17; 3.22; 10.9-10). Através de Cristo temos muitas bênçãos: reconcil iação com Deus (Rm 5.11); justiça e vida eterna (Rm 5.18-21); identif icação com ele em sua morte, sepultamento e ressurreição (Rm 6.3-5); estar vivos para Deus (Rm 6.11); livres de condenação (Rm 8.1); herança eterna (Rm 8.17); sofrimento com ele (Rm 8.17); ser glori ficados com ele (Rm 8.17); tornar- se como eles (Rm 8.29); e_o fato de que ele ora por nós mesmo agora (Rm 8.34). Na verdade, toda a vida cristã parece ser vivida através dele: oração (Rm 1.8), regozijo (Rm 5.11), exor tação (Rm 15.30), glor i ficar a Deus (Rm 16.27) e, em geral, viver para Deus e obedecer-lhe (Rm 6.11-14; 13-14). 23 Autor: O Apósto lo Paulo Data: Cerca de 49 d.C. Carta aos Tema: Salvação Pela Graça Mediante Gálatas a Palavras-Chave: Graça, evangelho, fé, justif icado, promessa, liberdade, lei Versículo-chave: G1 5.1 A ep ís to la aos G á latas fo i_escrita para salvar o cris t ianismo do legalismo juda ico . Apesar de ser uma das mais breves epístolas do apóstolo Paulo, tem exercido grande influência na vida da Igreja. Seu assunto cont inua atual, pois em qualquer época há sempre o risco de alguém, ou de um segmento da Igreja se inclinar para o legalismo religioso. O assunto principal de Gálatas é o mesmo debatido e resolvido em Jerusalém (c. de 49 d.C.; cf. At 15). Tal assunto implica uma dupla pergunta: • A fé em Jesus Cristo como Senhor e Salvador é o requisito único para a salvação? • É necessár io obedecer a certas práticas e leis judaicas do Antigo Testamento para se obter a salvação em Cristo? Talvez Paulo haja escri to Gálatas antes da controvérs ia da lei, na Assembléia de Jerusalém (At 15), e antes de a igreja comunicar a sua posição final. Se assim foi, então Gálatas é a primeira epístola que Paulo escreveu. Destinatários Paulo escreveu esta epístola (G1 1.1; 5.2; 6.11) “às igrejas da Galác ia” (G1 1.2). As autoridades no assunto declaram que os gálatas eram gauleses 24 oriundos do Norte da Galácia e que, mais tarde, parte deles emigrou para o Sul da Europa, de cujo te rr i tório a França de hoje faz parte. E muito mais provável que Paulo haja escri to esta epís to la às igrejas do Sul da província da Galácia (Ant ioquia da Pisídia, Icônio, Listra, Derbe), onde ele e Barnabé evangelizaram e estabeleceram igrejas durante sua primeira viagem missionária (At 13,14). Autor Ainda que por duas vezes a mesma carta diga que Paulo é o escri tor (G1 1.1; 5.2), o mesmo esti lo da carta, seus ensinamentos a respeito da Lei, e especialmente o que diz de Pedro “resist i- lhe face a face” (G1 2.11), jun tam ente com a sua contenção de que os demais apóstolos não lhe deram nada, mas sim que sua comissão veio de Deus (G1 1.16,17; 2.6); tudo prova que somente Paulo pode ser o autor. O apóstolo aos gentios é o único que falaria dos judeus, da lei, e da graça, com a profundeza de entendimento e a certeza que ele o faz. A evidência interna desta Epís tola é conc luden te1 a favor de que Paulo seja seu autor humano. Desde os dias de Pol icarpo em diante o livro tem sido citado pelos “Pa is” . Marción é o primeiro que cita por nome esta carta, colocando-a em primeiro lugar nos escri tos de Paulo. Quase todos os escri tores antigos, desde o segundo século em diante, c i tavam-na e se encontra nasversões lat inas, siríacas e o Cânon Muratori. Na antiguidade nem suspeita exist iu da autenticidade, de que a carta fosse de Paulo, e é difícil 1 Que conclui, ou merece fé; terminante, categórico. 25 imaginar-se que outra pessoa pudesse ter falsif icado tão faci lmente e sem motivo aparente, em época posterior, tal documento. Como disse Lightfoot: “Cada sentença gramatical reflete tão perfe itamente a vida e o caráter do apóstolo aos gentios, que ninguém tem duvidado de que seja genuíno” . A maioria das cartas de Paulo foi escri ta por seus am anuenses1 ou escribas. Como a si tuação das igrejas da Galácia era crí tica, estava em jogo não só a fé desses irmãos e nem apenas a autoridade apostólica de Paulo, mas princ ipalmente o futuro do cr ist ianismo. Ele mesmo escreveu de seu próprio punho (G1 6.11), pois não queria deixar margem para os gálatas duvidarem da autent icidade da carta. Data Tem havido muita controvérsia quanto à data e destinatário dessa epístola. Há três possíveis datas, mas todas elas têm os seus “ senões1 2” - 49,53 e 56 d.C. A seqüência de eventos é a seguinte: primeira viagem missionária, em seguida foi escri ta a epístola aos Gálatas, depois ocorreu o concíl io de Jerusalém e segue-se a segunda viagem. Isso nos dá subsídios para datá-la por volta de 49 d.C., e escri ta da região entre Ant ioquia da Síria e Jerusalém. A data mais provável da carta si tua-se logo após o regresso de Paulo à igreja que o enviou - Ant ioquia da Síria, e pouco antes do Concíl io de Jerusa lém (At 15). 1 Escrevente, copista. 2 De outro modo; do contrário; aliás. Mas sim; e sim; mas, porém. 26 Propósito Paulo tomou conhecim ento de que cer tos mestres judaicos estavam inquie tando seus novos convert idos na Galácia, impondo-lhes a circuncisão e o jugo da lei mosaica como requisitos necessários à salvação e ao ingresso na igreja. Ao saber disso, Paulo escreveu: • Para demonst rar cabalmente que as exigências da lei, como a c ircuncisão do velho concerto, nada tem a ver com a operação da graça de Deus em Cristo para a salvação sob o novo concer to; • Para reaf irmar c laramente que o crente recebe o Espíri to Santo e com Ele a nova vida espiri tual por meio da fé no Senhor Jesus Cristo e não por meio da lei do Antigo Testamento. Característ icas Especiais Quatro fatos singulares carac terizam esta epístola: 1. É a defesa mais veemente no Novo Tes tamento da natureza do evangelho. Seu tom é enérgico, intenso e urgente, uma vez que Paulo lida com oponentes em erro (G1 1.8,9; 5.12), enquanto repreende os gálatas por se deixarem iludir tão faci lmente (G1 1.6; 3.1; 4.19,20); 2. Quanto ao número de referências autobiográficas, Gálatas é superada somente por 2Coríntios; 3. Esta é a única epístola de Paulo em que ele explic itamente se dirige a várias igrejas (ver, no entanto, a in trodução a Efésios); 4. Contém a descrição do fruto do Espíri to (G1 5.22,23) e a lista mais comple ta do Novo Tes tamento das obras da carne (G1 5.19-21). 27 Cristo Revelado Paulo ensina que Jesus coloca aqueles que têm fé nele (G1 2.16; 3.26) em uma posição de l iberdade (G1 2.4; 5.1), l ibertando-os da servidão ao legalismo e à l iber t inagem1. A principal ênfase do apóstolo está na crucificação de Cristo como base para a libertação do crente da maldição do pecado (G1 1.4; 6.14), do próprio eu (G1 2.20; ver 5.24) e da lei (G1 3.12; 4.5). Paulo também descreve uma dinâmica união de fé com Cristo (G1 2.20). Vis ivelmente re tra tada no batismo (G1 3.27), que relaciona todos os crentes como irmãos e irmãs (G1 3.28). Em relação à pessoa de Cristo, Paulo declara tanto sua divindade (G1 1.1,3,16) quanto sua humanidade (G1 3.16; 4.4). Jesus é a substância do evangelho (G1 1.7), que ele próprio revelou a Paulo (G1 1.12). 1 Devassidão, desregramento, l icenciosidade, crápula. I 28 Questionário • Ass inale com “X ” as alternat ivas corretas 1. E a epístola de Paulo mais longa, mais teológica e mais influente a ) | I lCoríntios b ) |_I Gálatas c ) | I Efésios d) 0 Romanos 2. É errado afirmar a ) R | Paulo diz que Gálatas é a Revelação da Justiça de Deus b ) H Doutr inariamente , Romanos é o maior l ivro já escri to c ) fcl Romanos é o coração e a alma da revelação de Deus ao povo desta época d m A mais comple ta história da necessidade, do remédio e dos resul tados da morte de Cristo, encontra-se em Romanos 3. A epístola aos Gálatas foi escri ta para salvar o crist ianismo a) |_| Do legalismo Romanos b ) | I j D o legalismo gentio c) 0 . D o legalismo juda ico d ) |_| Do legalismo grego « Marque “C ” para Certo e “E ” para Errado 4 . |g] E claro que Paulo t inha visi tado a cidade de Roma antes de enviar-lhes a carta aos Romanos 5. [f 1 Romanos contém a descrição do fruto do Espíri to e a lista mais comple ta do Novo Testamento das obras da carne 29 Autor: O Apóstolo Paulo Data: Cerca de 62 d.C. Carta aos Tema: Cristo e Sua Igreja Efésios Palavras-Chave: Glória, corpo, lugares celestes Versículo-chave: Ef 1.3 Esta epís to la destaca-se pela universalidade do seu conteúdo, não só à igreja em Efeso, mas a todas as igrejas sob a l iderança de Paulo, bem como a toda a Igreja de Deus em todo o mundo e em todos os tempos. O caráter universal dessa epístola é percebido pelo PLúúo_da salvação p roposto por Deus desde a fundagão do m undo e que alcança a toda cr ia tura humana, independente de raca, cor ou nação. Esse plano não discr imina judeu nem gentio, mas coloca todos debaixo da graça imensurável de Deus em Cristo Jesus. Efésios é um dos picos elevados da revelação bíblica, ocupando lugar único entre as Epís tolas de Paulo. Ela não foi e laborada no árduo trabalho da b igo rna1 da controvérs ia doutr inária ou dos problemas pastorais (como muitas outras epístolas de Paulo). Ao contrário, Efésios transmite a impressão de um rico transbordar de revelação divina, brotando da vida de oração de Paulo. Ele escreveu a car ta quando es tava pr is ioneiro por amor a Cristo (Ef 3.1; 4.1; 6.20), provave lmente em Roma. Efésios tem muita afinidade com Coíossenses , e talvez tenha sido escri ta logo após esta. As duas cartas podem ter sido levadas s imul taneamente ao seu destino por um cooperador de Paulo chamado Tíquico (Ef 6.21; cf. Cl 4.7). 1 Peça de fe no , com o corpo central quadrangular e as ext remidades em ponta ci líndrica, cônica ou piramidal, sobre a qual se malham e amoldam metais; incude. 30 É crença geral que Paulo escreveu Efésios também para outras igrejas da região, e não apenas a Efeso. Possivelmente ele a escreveu como carta c ircular às igrejas de toda a província da Ásia. Autor Duas vezes na Epís tola se diz que foi Paulo quem a escreveu (Ef 1.1; 3.1). Também poderemos fazer a pergunta: Quem, além de Paulo, poderia ter escri to uma carta tão profunda na doutrina cristã? Porventura algum outro dos apóstolos teria escr i to o capítulo dois, versículos onze a vinte e dois, colocando os gentios em pé de igualdade com os judeus, alegando que não há diferença? E quem, senão Paulo, foi preso por causa dos gentios? O versículo dois do capí tu lo terceiro afirma que o escri tor recebeu de Deus a adminis tração ou ministér io do Evangelho entre os gentios, coisa que só Paulo podia alegar (Ef 3.1-13). O esti lo da carta é o de Paulo, sendo especia lmente semelhante à Epís tola aos Colossenses . Pr imeiramente expõe as verdades doutr inárias, como é costume de Paulo. A evidência externa é a melhor possível . E citados por Clemente de Roma, Inácio, Policarpo, Hermes, Clemente de Alexandria, Tertuliano, Irineu, Hipóli to e outros. Nenhum deles teve dúvidas a respeito da autent icidade da Epís tola e de que Paulo fosse seu autor. Até o próprio Marción a inclui entre as epístolas de Paulo, mas diz que foi escrita à igreja de Laodicéia, em vez de a de Efeso. Como em alguns dos manuscr itos antigos não aparecem no texto do primeiro versículo as palavras “Em Éfeso” alguns insistem em que esta tem de ser a Epís tola de Paulo aos de Laodicéia mencionada em Colossenses 4.16. Outros 31 afirmam que é antes uma carta particular. A tradição e a maior ia dos manuscritos dizem que foi a enviada a Éfeso, mas o que impor ta é que foi e é inspirada pelo Espíri to de Deus, e é para nós hoje a própr ia Palavra de Deus. Quando Paulo escreveu a epístola aos Efésios, estava preso em Roma, de onde a enviou àquela igreja através de Tíquico, por quem, também, enviou as cartas a Filemom e à igreja de Colossos, provave lmente entre 60 e 62 d.C. Data e Circunstâncias Vê-se em Efésios 3.1; 4.1 e 6.20 que Paulo estava na prisão, em cadeias, quando escreveu a carta. Da história de sua vida no livro dos Atos dos Apóstolos, calculamos que esta Epís tola foi escri ta cerca do ano 60 ou 62 a.C. A semelhança do seu conteúdo com a de Colossenses e o fato de que Tíquico foi o portador da carta (Ef 6.21,22), como também a dos Colossenses (Cl 4.7,8), fazem-nos crer que foram escritas na mesma época. É provável que Onésimo, que acompanhou a Tíquico (Cl 4.9) levasse a carta de Paulo a Filemom nessa mesma época. Em sua segunda viagem missionária, Paulo ficou em Éfeso poucos dias, prometendo voltar (At 18.19-21). Deixou Priscila e Áquila na cidade, ao passo que ele seguiu para Jerusa lém e Antioquia. Antes que Paulo regressasse, Apoio chegou a Éfeso e teve um ministério ali (At 18.18,19,24-28). Em sua terceira viagem, Paulo ficou em Éfeso cerca de três anos, realizando o melhor ministér io de toda a sua longa carreira (At 19.1-20). Nos três primeiros meses pregava na sinagoga, mas a oposição obrigou-o a afastar-se e se estabeleceu em uma escola, onde “falou ousadam ente” 32 durante dois anos. Não é est ranho, então, que a igreja de Éfeso pudesse receber e entender uma car ta tão espir i tualmente profunda como esta. Durante os anos do ministér io pessoal do apóstolo, os novos crentes aprofundaram-se em seus conhecimentos bíblicos e do Evangelho; es tavam em condições de apreciarem estes ensinamentos , e Paulo bem o sabia. Não há na carta referências a problemas especiais como os mencionados nas cartas aos Coríntios e aos Gálatas. Por que, então, foi escri ta? Não há quase dúvida de que exist iu um problema sério em Colossos, e Paulo, preparando a viagem de Tíquico para que levasse a Epís tola aos Colossenses , e enviando a Onésimo de volta para Fi lemom com sua carta de recomendação, quis escrever esta carta aos efésios (ou car ta-c ircular para todas as igrejas da Ásia, se ass im o desejarmos) . E possível que Paulo t ivesse tido novas revelações durante as suas prisões, e o Espíri to Santo desejava que Paulo deixasse por escri to estas verdades. Uma mente como a de Paulo, medi tando longas horas, mês após mês, no significado da morte, ressurreição e entronização do Senhor Jesus Cristo, sem dúvida seria guiada pelo Espíri to a novos passos e conhecimentos de verdades espiri tuais, como deduções lógicas do que já conhecia. A exper iência da matur idade e a apl icação no estudo mais ass íduo do Velho Testamento (2Tm 4.13) também contr ibuíram para que Paulo t ivesse verdades novas para transmit ir aos efésios, e aprouve a Deus que as deixasse em forma permanente para que nós, as gerações vindouras, nos aprove itássemos também delas. Não obstante, l ivremo- nos da idéia de que esta Epís tola cria uma nova dispensação, de modo que só ela e as Epístolas escri tas depois por Paulo, sejam para nós, atualmente, em vez de todo o Novo Testamento. Graças ao Pai Celestial , 33 que por Seu Espíri to Santo impeliu o grande apóstolo aos gentios a escrever esta Epístola. Não só devia preveni-los contra o erro que entrou em Colossos, e o outro que transtornou os gálatas, mas também os fez merecer a admoestação do Senhor Jesus em Apocal ipse 2.4,5. É considerada uma das “cartas da p r i são” porque as escreveu enquanto estava preso em Roma. Na pr imavera de 63 d.C., provavelmente , foi liberto. Propósito O propósi to imedia to de Paulo ao escrever Efésios está implícito em Efésios 1.15-17. Em oração, ele anseia que seus leitores cresçam na fé, no amor, na sabedoria e na revelação do Pai da glória. Almeja profundamente que vivam uma vida digna do Senhor Jesus Cristo (Ef 4.1-3; 5.1,2). Paulo, portanto, procura fortalecer-lhes a fé e os alicerces espiri tuais ao revelar a plenitude do propósi to eterno de Deus na redenção “em Cris to” (Ef 1.3-14; 3.10-12) à igreja (Ef 1.22,23; 2.11-22; 3.21; 4.11-16; 5.25-27) e a cada crente (Ef 1.15-21; 2.1-10; 3.16-20; 4.1-3,17-32; 5.1-6.20). Visão Panorâmica Há dois temas fundamentais no Novo Testamento: • Como somos redimidos por Deus; • Como nós, os redimidos , devemos viver. Os capítulos 1-3 de Efésios tratam principalmente do primeiro desses temas, ao passo que os capítulos 4-6 focalizam o segundo. Os capítulos 1-3 começam por um parágrafo de abertura que é um dos trechos mais profundos da 34 Bíblia (Ef 1.3-14). Esse grandioso hino sobre redenção t r ib u ta1 louvores ao Pai pela eleição, predest inação e adoção que Ele nos propiciou (Ef 1.3-6), por nossa redenção mediante o sangue do Filho (Ef 1.7-12) e pelo Espíri to, como selo e garantia da nossa herança (Ef 1.13,14). Nesses capítulos, Paulo ressalta que na redenção pela graça mediante a fé, Deus nos reconci l i a consigo mesmo (Ef 2.1-10) e com outros que estão sendo salvos (Ef 2.11-15), e, em Cristo, nos une em um só corpo, a igreja (Ef 2.16-22). O alvo da redenção é “tornar a congregar em Cristo todas as coisas. .. tanto as que estão nos céus como as que estão na te rra” (Ef 1. 10). Os capítulos 4-6 cons is tem mais de ins truções práticas para a igreja no tocante aos requis itos que a redenção em Cristo demanda de nossa vida individual e coletiva. Entre as 35 diretrizes dadas em Efésios, sobre como os redimidos devem viver, destacam-se três categorias gerais. 1. Os crentes são chamados a uma nova vida de pureza e separação do mundo. São chamados a serem “santos e ir repreensíveis diante de le” (Ef 1.4), a crescer “para templo santo no Senhor” (Ef 2.21), a andar “como é d igno da vocação com que fostes chamados” (Ef 4.1), a “varão perfe ito” (Ef 4.13), a viver “em verdadeira jus t iça e santidade” (Ef 4.24), a andar “em amor” (Ef 5.2; cf. 3.17-19) e a serem santos “pela Pa lavra” (Ef 5.26), a fim de que Cristo tenha uma “igreja gloriosa, sem mácula1 2, nem ruga.. . santa e i rrepreensível” (Ef 5.27). 2. O crente é chamado a um novo modo de viver nos relacionamentos familiares e vocacionais (Ef 5.22- 1 Prestar ou dedicar a (alguém ou algo), como tributo. 2 Nódoa, mancha. 35 6.9). Esses re lacionamentos devem ser regidos por princípios de conduta que dis t ingam o crente da sociedade descrente à sua volta. 3. Finalmente , o crente é chamado a manter-se firme contra as a s tu tas1 ci ladas do diabo e as terríveis “hostes espiri tuais da maldade, nos lugares celes tia is” (Ef 6.10-20). Cinco Característ icas Especiais 1. A revelação da grande verdade teológica dos capítulos 1-3 é in te rrompida por duas grandiosas orações apostólicas. Na primeira, o apóstolo pede para os crentes sabedoria e revelação no conhecimento de Deus (Ef 1.15-23); na segunda, roga que possam conhecer o amor, o poder e a glória de Deus (Ef 3.14-21). 2 . / “Em Cris to” , uma expressão paulina de peso (106 I vezes nas epístolas de Paulo), sobressai grandemente em Efésios (cerca de 36 vezes). “Toda bênção esp ir i tua l” e todo assunto prático da vida re lac iona s s e com o estar “em Cris to” . 3. Efésios salienta o propósi to e alvo eterno de Deus para a igreja. 4. Há um realcemul t i face tado1 2 do papel do Espíri to Santo na vida cristã (Ef 1.13,14,17; 2.18; 3.5,16,20; 4.3,4,30; 5.18; 6.17,18). 5. Efésios é tida, às vezes, como epístola gêmea de ̂ Colossenses, pelo fato de apresentarem definidas semelhanças em seus conteúdos e terem sido escri tas quase ao mesmo tempo. 1 Habil idade em enganar; lábia, solércia, manha, artimanha, ardil. Finura, malícia, sagacidade. 2 Que tem muitas facetas; multiface. 36 Cristo Revelado Efés ios foi chamado de “Os Alpes do Novo Tes tamento” , “O Grande Cânon da Escr itura” e “O Ápice Real das Ep ís to las” , não somente por seu grande tema, mas devido à majestade do Cris to revelado aqui. Capítulo 1: Ele é o Redentor (Ef 1.7), aquele em quem e por quem a história será def in it ivamente consumada (Ef 1.10); e Ele é o Senhor ressusci tado que não apenas ressusci tou dos mortos e do inferno, mas que reina como rei, derramando sua vida através de seu corpo, a Igreja - a expressão atual dele mesmo na terra (Ef 1.15-23). Capí tulo 2: Ele é o pacif icador que reconci l iou o homem com Deus e que também torna possível a reconcil iação entre os homens (Ef 2.11-18); e Ele é a “principal pedra da esquina” do novo templo, que consiste de seu próprio povo sendo habitado pelo próprio Deus (Ef 2.19-22). Capí tulo 3: E le é o t e souro em que são encontradas as r iquezas inescrutáveis da vida (Ef 3.8); e Ele é o que habita nos corações humanos, garantindo-nos o amor de Deus (Ef 3.17-19). Capí tulo 4: Jesus é o doador dos dons do ministér io à sua Igreja (Ef 4.7-11); e Ele é o vencedor que acabou com a capacidade do inferno de manter a humanidade cativa (Ef 4.8-10). Capítulo 5: Ele é o marido m odelo, dando-se sem egoísmo para realçar sua noiva - sua Igreja (Ef 5.25- 27,32). Capí tulo 6: Ele é o Senhor, poderoso na batalha, o recurso de força para seu povo enquanto eles se armam para a batalha espiri tual (Ef 6.10). 37 Questionário • Assinale com “X ” as al ternativas corretas 6. É percebido pelo plano da salvação proposto por Deus desde a fundação do mundo a) | ! O caráter universal da epístola aos Romanos b ) | | O caráter universal da epístola aos Gálatas C)I2L0 caráter universal da epístola aos Efésios d)|_J O caráter universal da epístola aos Hebreus 7. Efésios tem muita afinidade com a) l I Romanos b) |_| Gálatas c ) l | Fil ipenses d) 0 Colossenses 8. Quando Paulo escreveu a epístola aos Efésios, estava preso em de onde a enviou àquela igreja através de a) | I Roma, Timóteo b) 0 - R o m a , Tíquico c ) |_| Jerusalém, Timóteo d ) |_| Jerusalém, Tito Marque “C ” para Certo e “E ” para Errado 9Xf] Em Cris to” , uma expressão paulina de peso (106 vezes nas epístolas de Paulo), sobressai grandemente em Gálatas (cerca de 36 vezes) 10 .\&\ Efésios sal ienta o propósi to e alvo eterno de Deus para os judeus 38 Lição 2____________________ Cartas de Paulo: ICoríntios e 2Coríntios Autor: O Apósto lo Paulo Data: 55/56 d.C. Tema: Problemas da Igreja e Suas Soluções Palavras-Chave: A cruz, pecados sexuais, dons espiri tuais, amor, a ressurreição Versículos-chave: ICo 13.1; 14.33a Q Corinto, uma cidade antiga da Grécia, era, em muitos aspectos , a metrópole grega de maior destaque nos tempos de Paulo. Assim como muitas das cidades prósperas do mundo de hoje, Corinto era in te lectua lmente arrogante, materia lmente próspera e moralmente corrupta. O pecado, em todas as suas formas, g ra ssava1 nessa cidade de má fama, pela sua l icencios idade1 2. Juntamente com Priscila e Aqui la ( IC o 16.19) e com sua própria equipe apos tólica (At 18.5), Paulo fundou a igreja em Corinto, durante seu ministér io de dezoito meses ali, na sua segunda viagem Primeira Carta aos Coríntios 1 Desenvolver-se; alastrar-se, propagar-se progressivamente. 2 Sensual, l ibidinoso; libertino. 39 missionária (At 18.1-17). A igreja era composta de alguns judeus, sendo sua maioria const i tuída de gentios convertidos do paganismo. Depois da partida de Paulo de Corinto, surgiram vários problemas na jovem igreja, que requereram sua autoridade e doutr ina apostól ica , por carta e visitas pessoais. Autor A autent icidade de ICorínt ios nunca foi ser iamente desafiada. Em esti lo, l inguagem e fi losofia, a epístola pertence ao apóstolo Paulo. A própria ín d o le 1 da carta é uma prova de que Paulo é o autor humano da mesma. No primeiro capítulo diz ele que é Paulo, que exerceu um longo ministério entre eles, porém, que não bat izou muitas pessoas ali. Fala da sua conduta exemplar enquanto esteve em Corinto e manifesta uma compreensão de seus problemas e sua solução que só o apóstolo dos gentios poderia ter. A melhor explicação para se jus ti f icar a omissão do ensino doutr inário no começo da carta é que Paulo pregara em Corinto por espaço de quase dois anos, de maneira que não havia necessidade de que lhes escrevesse sobre as verdades fundamentais do Evangelho ( IC o 1.1,12-17; 3.4,6,22; 16.21). Os antigos “Pa is” deram evidência de sobra quanto à sua aceitação deste livro como uma carta escrita pelo apóstolo Paulo. Tem feito parte do cânon desde o seu começo. Clemente de Roma chama-a “Epístola do bendito apóstolo Pau lo” e Clemente de Alexandr ia fez mais de cem citações dela. Os cristãos e os inimigos do Cris t ianismo ci taram-na como Epís tola 1 Propensão natural; tendência característ ica; temperamento. Feitio, condição, caráter. 40 autêntica esc ri ta por Paulo, o apósto lo aos gentios. Apresenta esta car ta mais evidência em seu favor do que a maioria dos escri tos antigos, sem exis t ir controvérs ia quan to a este assunto. Data e as Circunstâncias Existem vários motivos para ace itar-se a declaração de Paulo de que ele se achava em Éfeso quando escreveu a Epísto la ( IC o 16.8,9). Seu ministér io exercido em Éfeso durante três anos provê a oportunidade (At 19.8,10,21,22; 20.31). Não era coisa fácil escrever-se naqueles dias, porém de acordo com ICor ín t ios 5-9, Paulo já t inha escri to a estes irmãos, mas ignoramos como se perdeu a mencionada carta. Ao sair Paulo de Corinto, levou consigo a Aquila e Pr iscila até Éfeso onde os deixou (At 18.18,19). Enquanto Paulo seguiu para Jerusa lém, chegou a Éfeso o eloquente orador Apoio, de ' Alexandria, até pregou com muito poder, porém não conhecia senão o batismo de João Batista. Depois de ouvi-lo falar, Pr isc ila e Áquila tomaram-no e ens inaram-lhe as demais verdades a respei to do Senhor Jesus e da vinda do Espíri to Santo. Depois Apoio passou por Corinto onde pregou com tanta e loqüência que alguns formaram um partido dando-lhe seu nome, ao passo que outros ficaram fiéis a Paulo , que t inha pregado a pura verdade, porém com s implic idade, com o propósito de evitar que os gentios fixassem sua atenção nele. Em Atenas Paulo falou perante os eruditos e f i lósofos da sua época e uns poucos se conver teram a despeito daqueles que zom bavam da doutrina. De Atenas o apóstolo foi a Corinto , e ele mesmo se expressou nestes termos: “E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o tes temunho 41 de Deus, não o fiz com ostentação de l inguagem, ou de sabedoria, porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e Este crucificado. E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consis t iram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonst ração do Espíri to e do poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana; e, sim, no poder de D eus” ( IC o 2.1-5). Paulo também vivia do trabalho de suas próprias mãos, fabricando tendas de campanha ou barracas, e aos sábados discutia com os que freqüentavam as sinagogas. Só quando chegaram Silas e Timóteo de Macedônia , sem dúvida trazendo-lhe uma oferta(Fp 4.15) é que Paulo abandonou o trabalho manual que estava fazendo para dedicar-se in tegralmente ao seu ministério. Natura lmente houve um contraste entre a humildade e abnegação de Paulo e a eloqüência de Apoio. Os dois pregadores não desejaram que isso acontecesse, nem pretendiam causar divisões entre os irmãos, nem houve ciúme ou inveja entre eles ( IC o 16.12). A formação dos dois partidos entre os coríntios foi simplesmente uma manifestação de sua carnalidade, e assim foi que Paulo considerou o fato ( IC o 3.3,4). Enquanto Paulo estava em Efeso, de regresso de Jerusa lém e no começo de sua terceira viagem missionária, ouvia falar destas divisões entre crentes de Corinto, e também de certas imoralidades ali praticadas. Escreveu- lhes acerca do dever de se separarem dos que es tavam em pecado e recebeu uma resposta por escri to na qual lhe faziam certas perguntas. Talvez Estéfanas, Fortunato e Acaio trouxessem o recado e dessem mais notícias verbalmente ( IC o 16.17). Além da mencionada carta da 42 Igreja de Corinto, veio a Éfeso a família do irmão Cloe e os membros desta famíl ia contaram a Paulo deta lhadamente a condição espiri tual dessa igreja. O apóstolo enviou Timóteo para lá imedia tamente , sem esperar para escrever-lhes. Já vimos, então, como foi que ele sentiu a necessidade de escrever esta carta, a f im de apl icar a cada problema da igreja de Corinto a solução ditada pelo Espíri to Santo. Como fundador da mencionada igreja e como apóstolo dos gentios por de terminação de Deus, a responsabil idade pesava sobre ele (2Co 11.28). A inspiração divina na composição da epís to la nota-se no fato de que Paulo explica as verdades fundamenta is que formam os pr incípios ou regras para as decisões ou procedimentos que cabem em cada caso. Ass im sendo, a carta é de grande importância e u ti l idade para a ins ti tuição de igrejas na atual idade, e damos graças a Deus que no-la tem conservado. Pelas razões acima expostas consideramos que esta Epís to la foi escri ta lá pelo fim dos três anos do minis tério de Paulo em Éfeso, entre 55 ou 56 da era cristã. Propósito Paulo t inha dois motivos principais ao escrever esta epístola: • Trata r dos sérios problemas da igreja de Corinto, de que fora informado. Eram pecados que os coríntios não levavam muito a sério, mas que Paulo sabia serem graves. • Aconselhar e doutrinar sobre variados assuntos que os coríntios lhe encaminharam por escrito. Isso incluía assuntos doutr inários e de conduta e pureza, tanto individual, como da congregação. 43 Visão Panorâmica Esta epístola trata dos problemas que uma igreja exper imenta quando seus membros continuam “carnais” ( IC o 3.1-3) e não se separam de uma vez, dos incrédulos a seu redor (2Co 6.17). São problemas t ipo espír i to de divisão ( IC o 1.10-13; 11.17-22), to lerância de pecado t ipo inces to1 ( I Co 5.1-13), imoral idade sexual em geral ( I C o 6.12-20), ação judic ia l entre os cristãos ( I C o 6.1-11), idéias humanis tas a respeito da verdade apostólica ( IC o 15) e confli tos a respeito da “ liberdade c r is tã” ( IC o 8-10). Paulo também instrui os coríntios a respeito do cel iba to1 2 e do casamento ( IC o 7), o culto público, inc lusive a Ceia do Senhor ( IC o 11-14) e a oferta para os santos de Jerusalém ( IC o 16.1-4). Entre os ensinos mais impor tantes de Paulo em ICorín t ios , está o das manifestações e dons do Espíri to Santo nos cultos da igreja ( IC o 12-14). O ensino desses capítulos é o mais r ico do Novo Tes tamento sobre a natureza e o conteúdo da adoração na igreja primitiva ( IC o 14.26-33). Paulo mostra que o propósito de Deus para a igreja inclui uma rica variedade de dons do Espíri to através de crentes fiéis ( IC o 12.4-10) e de pessoas chamadas para exercer certos minis térios ( IC o 12.28- 30) - uma diversidade dentro da unidade, comparável às múltiplas funções do corpo humano ( IC o 12.12-27). No da operação dos dons espir i tuais na congregação, Paulo faz uma dist inção essencial entre a edificação individual e a coletiva como assemblé ia ( IC o 14.2- 1 União sexual ilícita entre parentes consangiiíneos, afins ou adotivos. 2 O estado de uma pessoa que se mantém solteira. 44 6,12,16-19,26) , e reitera que todas as manifestações públicas dos dons devem brotar do amor ( IC o 13) e exist irem para a edificação de todos os crentes ( I C o 12.7; 14.4-6,26). Características Especiais Cinco caracterís t icas especiais vemos em ICorínt ios: 1. De todo o Novo Testamento , é a epís to la que mais trata de problemas. Ao tratar dos vários problemas e assuntos de Corinto, Paulo apresenta princípios espir i tuais claros e permanentes , sendo cada um deles universalmente aplicáveis à igreja ( I C o 1.10; 6.17,20; 7.7; 9.24-27; 10.31,32; 14.1-10; 15.22,23). 2. Há um destaque geral sobre a unidade da igreja local como corpo de Cristo, destaque este no ensino sobre divisões, Ceia do Senhor e dons espiri tuais. 3. Es ta epístola contém o mais amplo ensino do Novo Tes tamento em assuntos de grande importância como o celibato, o casamento e novo casamento (capítulo 7); a Ceia do Senhor ( I C o 10.16-21; 11.17-34); l ínguas, profecias e dons espir i tuais durante o culto ( I C o 12,14); o amor cristão ( I C o 13); e a ressurreição do corpo ( I C o 15). 4. A epístola é de valor incalculável para o ministér io pastoral , no tocante à discipl ina eclesiás tica ( I C o 5). 5. Salienta a possibil idade indubitável de decair da fé, aqueles que persistem numa conduta ímpia e que não têm fi rmeza em Cristo ( IC o 6.9,10; 9.24-27; 10.5- 12,20,21; 15.1-2). 1 2 1 Tornar-se saliente ou notável; evidenciar-se, dist inguir-se, sobressair. 2 Sobre que não pode haver dúvida; incontestável, irrefragável. 45 Correções na Conduta Cristã ( IC o 1-11) A maravilhosa igreja de Corinto, a jó ia br i lhante da coroa do trabalho de Paulo, estava f racassando, porque o mundanismo (carnalidade) se t inha in troduzido em seu seio. Tudo corria bem enquanto a igreja penetrava na c idade de Corinto, mas quando Corinto penetrou na igreja, o desas tre começou. O maior perigo da igreja de Corinto vinha de dentro. É uma verdade sempre confirmada. Espíri to de partidos. Paulo fala das divisões e grupos na igreja. Nada destrói mais o coração e a vida de uma igreja, do que a polí t ica de partidos. Cris t ianismo é amor. Só Jesus Cris to pode curar o mal das divisões ( IC o 1.13). Todo olhar, todo coração e todo espíri to deve voltar-se para um objetivo: Jesus Cristo, nosso Salvador pessoal. A Cruz. 1. A cruz era “escândalo para os j u d e u s” . Algo com que não podiam conformar-se ( I C o 1.23). Não era possível compreender como tal demonstração de fraqueza podia ser fonte de poder. Para eles, um homem morrendo na cruz não parecia o Salvador do mundo. A cruz significava fracasso para eles. 2 2. A cruz era “Loucura para os gregos” . Os gregos olhavam com desdém a religião sem base científ ica, ensinada primeiro num recanto atrasado do mundo, como Nazaré, pelo filho de um carpintei ro que nunca estudara em Atenas ou Roma. Os gregos idolatravam “cérebros” . 46 Mas Deus nunca desprezou as coisas humildes. Ele usou a fu n d a1 de Davi para derrubar Golias, o pior inimigo de Israel. Usou a m erenda2 de um menino para a limentar uma multidão. Ou a cruz é “o poder de D e u s” ou é “ loucura” . Nenhuma pessoa jamais de ixa a cruz na mesma condição em que a ela veio. Terá de aceitá-la ou de rejeitá-la. Se a aceita, torna-se fi lho de Deus (Jo 1.12); se a repudia, é réu, condenado (Jo 3.36). Paulo não pregou um Cris to conquis tador ou filósofo, porém, Cris to crucif icado e humilde ( I C o 2.2). Paulo diz: “Nem eu tão pouco ju lgo a mim m esm o ” ( I C o 4.3). Nãosabeis? Esta é uma expressão usada por Paulo. Sua fé se baseava em fatos. Ele queria saber das coisas. Sublinhe os “não sabe is?” do capítulo 6. Que nos compete saber? “Ou não sabeis porque o nosso corpo é o templo do Espíri to Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai , pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espíri to, os quais pertencem a D eus” ( IC o 6.19,20). Se o nosso corpo foi redimido pelo Senhor Jesus Cristo, então não nos pertence mais, e sim Aquele que nos comprou com o seu precioso sangue. “Porque fostes comprados por preço” . A Escritura não estabelece regrinhas de conduta nem diz que coisas devem ou não fazer, antes, estabe lece princípios pelos quais o cristão deve orientar suas ações. Alguém disse que a l iberdade cristã não quer dizer o direito que temos de fazer o que 1 Laçada de couro ou de corda para arrojar pedras, ou outros projetis, ao longe. Refeição leve, entre o almoço e o jantar . O que se leva em farnel para comer no campo ou em viagem. 47 queremos, e sim o que devemos. Paulo diz: “Todas as coisas me são l ícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são l ícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhum a” ( IC o 6.12). Casamento. Deus apresenta com clareza os princípios do casamento. Quando duas pessoas se casam, fazem-no por toda a vida. Leiam o que disse Jesus acerca do divórcio (Mt 5.31,32; 19.3-11; Mc 10.2-12). São declarações claras. Anotem ICorínt ios 7.9,13 na Bíblia. Meditem nesses versículos. A Ceia do Senhor A Ceia do Senhor é descrita em quatro trechos bíblicos: Mateus 26.26-29; Marcos 14.22-25; Lucas 22.15-20; ICorín t ios 11.23-32. Sua importância re laciona-se com o passado, o presente e o futuro. Sua importância no passado. É um memoria l (gr. ana m n esis ; ICo 11.24- 26; Lc 22.19) da morte de Cristo no Calvário , para redimir os crentes do pecado e da condenação. Através da Ceia do Senhor, vemos mais uma vez diante de nós a morte salvífica de Cristo e seu s ignificado redentor para nossa vida. A morte de Cristo é nossa motivação maior para não cairmos em pecado e para nos abstermos de toda a aparência do mal ( lT s 5.22). É um ato de ação de graças (gr. eucharistiá ) pelas bênçãos e salvação da parte de Deus, provenientes do sacrifício de Jesus Cristo na cruz por nós ( I C o 11.24; Mt 26.27,28; Mc 14.23; Lc 22.19). 48 Sua impor tância no presente. A Ceia do Senhor é um ato de comunhão (gr. ' ko inon iá ) com Cris to e de part ic ipação nos benef íc ios da sua morte sacrificial e, ao mesmo tempo, comunhão com os demais membros do corpo de Cristo ( I C o 10.16,17). Nessa ceia com o Senhor ressurreto, Ele, como o anfitr ião, faz-se presente de modo especial (cf. Mt 18.20; Lc 24.35). É o reconhecimento e a p roclamação da Nova Aliança (gr. kaine d ia theke) mediante a qual os crentes reaf i rmam o senhorio de Cris to e nosso compromisso de fazer a sua vontade, de permanecer leais, de resist i r o pecado e de identi ficar- nos com a missão de Cristo ( I C o 11.25; Mt 26.28; Mc 14.24; Lc 22.20). Sua impor tância no futuro. A Ceia do Senhor é um antegozo do reino futuro de Deus e do banquete mess iânico futuro, quando então, todos os crentes estarão presentes com o Senhor (Mt 8.11; 22.1-14; Mc 14.25; Lc 13.29; 22 .17,18 ,30) . Antevê a volta iminente de Cristo para buscar o seu povo ( IC o 11.26) e encena a oração: “Venha o teu Reino” (Mt 6.10; cf. Ap 22.20). Na Ceia do Senhor, toda essa impor tância acima mencionada, só passa a ter significado se chegarmos diante do Senhor com fé genuína, oração s incera e obediência à Palavra de Deus e à sua vontade. Instruções Quanto à Conduta Cristã ( IC o 12-16) Em ICorín tios 12 encontramos os dons que o Espíri to dá aos crentes. Nos vers ículos 1-3 ele fala da transformação que se deu na vida dos cristãos corínt ios após abandonarem o culto de ídolos mortos para adorar 49 Autor: O Apósto lo Paulo Segunda Data: 55/56 d.C. Carta aos Tema: Glória Através do Sofrimento Coríntios P a lavras~Chave: Consolação, sofrimento, minis tério , glória, poder, f raqueza Versículos-chave: 2Co 4.5; 5.20-21 Tendo Paulo fundado a igreja em Corinto, durante sua segunda viagem missionária, manteve contato freqüente com os coríntios a parti r de então, por causa dos problemas daquela igreja (ver a introdução a ICoríntios) . A seqüência desses contatos e o contexto em que 2Coríntios foi escri to são os seguintes: • Depois de alguns contatos e correspondência inicial entre Paulo e a igreja ( IC o 1.1; 5.9; 7.1), ele escreveu ICorín t ios , de Éfeso (pr imavera de 55 ou 56 d.C.). • Em seguida, ele fez uma viagem a Corinto, c ruzando o mar Egeu, para tratar de problemas surgidos na igreja. Essa visita, no período entre 1 e 2Coríntios (2Co 13.1,2), foi esp inhosa para Paulo e para a congregação (2Co 2.1,2). • Depois dessa visi ta a fanosa1, informes chegaram a Paulo em Éfeso de que seus adversár ios estavam atacando a sua autoridade apostólica em Corinto, tentando persuadir uma parte da igreja a rejeitá-lo. • - 'Respondendo, Paulo escreveu 2Corín tios, na Macedônia (outono de 55 ou 56 d.C.). • Pouco depois, Paulo viajou outra vez a Corinto (2Co 13.1), permanecendo ali cerca de três meses (cf. At 20.1-3a). Foi ali que escreveu a Epís to la aos Romanos. Cheio de afã; trabalhoso, laborioso.i Autor Paulo escreveu esta epístola à igreja de Corin to e aos crentes de toda a Acaia (2Co 1.1), ident if icando-se duas vezes pelo nome (2Co 1.1; 10.1). Há duas af irmações de que Paulo escreveu a carta (2Co 1.1 e 10.1). As coisas detalhadas que escreve e as referências par ticulares especialmente no capí tu lo dois, onde fala do mesmo homem que indica na primeira Epístola, o capítulo cinco: estas cons ti tuem provas de que o autor desta Epís to la é o mesmo que o da primeira. Não podia ser outro senão Paulo, o apóstolo dos gentios, e que fundou a igreja de Corinto (2Co 3.1-3). Só Paulo podia ter escri to 2Corín tios 12.19-13.10. O testemunho ex terno é mais do que sufic iente para provar a mesma coisa. Desde Policarpo em diante encontram-se re ferências a este livro, e ocupa o terceiro lugar no Apostolicón de Marción (Ano 145). Tema e Propósito Tendo em mente que 2Corín tios é a defesa pessoal do ministér io de Paulo, resumiremos o seu tema da seguinte maneira: o minis tério de Paulo, seus motivos, sacrifícios, responsabil idades e eficiência. • Paulo escreveu esta epístola a três classes de pessoas em Corinto; • Pr imeiro escreveu para encoraja r a maioria da igreja que lhe era fiel, como seu pai espiri tual; • Escreveu para contes tar e desmascarar os falsos apóstolos que continuavam a difamá-lo, para, assim, enfraquecer a sua autoridade e o seu apostolado, e dis to rcer a sua mensagem; 53 • Escreveu, também, para repreender a minor ia na igreja influenciada por seus oponentes e que não acatavam a sua autoridade e correção. Paulo reafi rmou sua integridade e sua autoridade apostól ica em relação a eles, esclareceu os seus motivos e os advertiu contra novas rebeliões. 2Coríntios visou a preparar a igreja como um todo, para sua visi ta im inen te1. A Data e as Circunstâncias Depois de enviar a primeira Epís to la aos Coríntios Paulo esperou em Efeso até o alvoroço no teatro (At 19.23-41), que o fez sair da cidade. Já t inha o propósi to de vis i tar a Macedônia e Acaia e t inha enviado adiante dele Timóteo e Eras to (At 19.21,22). Partiu de Éfeso e chegou a Trôade. Nesta cidade teve muitas oportunidades para pregar o Evangelho, mas não teve sossego em seu espírito, pelo fato de Tito não ter regressado, o qual fora enviado a Corinto por Paulo para adverti- los a respeito da oferta (2Co 12.18-8.6,16)e para saber de que maneira os irmãos de Corinto t inham recebido a carta anterior (2Co 2.12,13). Paulo partiu de Trôade para Macedônia , onde Tito o encontrou quando de seu regresso de Corinto (2Co 7.5-7). As notícias que trouxe da submissão da igreja às coisas que foram ordenadas na carta: sua pronta obediência e a tr isteza da maioria pelo que acontecera, não se acham somente neste capítulo sete, mas também de vez em quando por todo o livro. Também 2Coríntios 8.1 e 9.24 provam que esta carta foi escri ta desde a Macedônia , de modo que é claro que Paulo a escreveu quando do regresso de Tito com as 1 Que ameaça acontecer breve; que está sobranceiro. 54 notícias da recepção da primeira Epístola , talvez uns seis meses após aquela, cerca do ano 55 depois de Cristo. * Quando Tito contou a Paulo que a igreja de Corinto t inha disciplinado o culpado de acordo com as suas ins truções ( IC o 5), e que a dita disciplina t inha t ido o efeito desejado pelo fato de o homem estar muito tr iste e desejarem perdoá-lo (2Co 2.5-8), o apósto lo na tura lmente sentiu a sua responsabil idade de escrever- lhes imedia tamente com as ins truções sobre o caso. Com mais detalhes de Tito a respei to do caráter da oposição ao apóstolo e a tendência de alguns em prestar- lhes atenção quanto à importância da lei mosaica, Paulo quis deixar claro também esse ponto, tanto para defender seu própr io apostolado, como também para dar autoridade aos seus ensinamentos. Estas considerações, jun tam ente com os assuntos materia is, com a sua visi ta e a coleta para os santos em Jerusa lém, fizeram-no sentir o impulso de escrever. Deus usava as c ircunstânc ias para fazê-lo cumpri r a vontade divina e ass im temos este precioso livro no cânon do Novo Testamento. Visão Panorâmica 2Coríntios tem três divisões principais: 1. Na primeira (2Co 1-7), Paulo começa dando graças a Deus pela sua consolação em meio aos sof rimentos em prol do evangelho, elogia os coríntios por d iscip linarem um grande transgressor e defende a sua in tegridade ao alterar seus planos de viagem. Em 2Coríntios 3.1-6.10, Paulo apresenta o mais extenso ensino do Novo Tes tamento sobre o verdadeiro caráter do minis tério . Ressalta a impor tância da separação do mundo (2Co 6.11-7.1) e expressa sua alegria ao saber, 55 através de Tito, do arrependimento de mui tos na igreja de Corinto, que antes desacatavam a sua autoridade apostól ica (2Co 7). 2. Nos capítulos 8 e 9, Paulo exorta os coríntios a demonst rar a mesma generosidade cristã e sincera dos macedônios , ao cont ribuírem na campanha por ele dirigida, a favor dos crentes pobres de Jerusalém. 3. O estilo da epístola muda nos capítulos 10-13. Agora, Paulo defende o seu apostolado, discorrendo sobre a sua chamada, qual if icações e sofrimentos como um verdadeiro apóstolo. Com isso, Paulo espera que os coríntios reconheçam os falsos apóstolos entre eles, o que os poupará de futura discipl ina quando ele lá chegar. Paulo termina 2Coríntios com a única bênção tr ini tár ia no Novo Tes tamento (2Co 13.13). Características Especiais Quatro fatos principais carac terizam esta epístola: 1. -É a mais autobiográf ica das epístolas de Paulo. Suas muitas referências pessoais são feitas com humildade, desculpas e até mesmo constrangimento, mas foi necessário, tendo em vista a si tuação em Corinto. 2. Ult rapassa todas as demais epístolas paulinas no que tange à revelação da in tensidade e profundidade do amor e cuidado de Paulo por seus fi lhos espiri tuais. 3. Contém a mais completa teologia do Novo Tes tamento sobre o sofrimento do crente (2Co 1.3- 11; 4.7-18; 6.3-10; 11.23-30; 12.1-10), e de igual modo, sobre a contribuição cristã (2Co 8-9). 56 4. Termos-chave, tais como fraqueza, aflição, lágrimas, perigos, tr ibulação, sofrimento, consolação , jactância , verdade, ministér io e glória, destacam o conteúdo incomparável desta carta. Comentário Paulo estava um pouco preocupado sobre como a igreja de Corinto teria recebido sua primeira carta. Perguntava-se a si mesmo como teriam aceitado suas exortações. Por isso mandou Tito e talvez Timóteo a Corinto para verificar o resultado da epístola. Durante sua terceira viagem missionária, em Filipos, Tito contou que a maioria da igreja recebera a carta com bom espíri to. Alguns , porém, duvidaram dos seus motivos, chegando mesmo a negar o seu apostolado. Talvez pusessem isto em dúvida porque Paulo não pertenceu ao grupo dos doze. Nessas ci rcunstânc ias, Paulo escreveu a segunda epístola, não só para expressar sua alegria por causa das notíc ias alegres sobre a maneira como sua pr imeira epís to la foi recebida, como também para de fender o seu apostolado. O Ministério de Paulo (2Co 1-7) Paulo começa sua segunda epístola com as saudações habituais e ações de graças (2Co 1.1-11). Todos nós apreciamos uma his tória verdadeira. Paulo narra, nesse documento , tantas exper iências pessoais da sua vida, que não há quem não goste de lê-las. Começa contando as grandes afl ições pelas quais tem passado. Através de todas as suas provações , aprendeu a conhecer melhor a Deus. 57 Paulo t inha consc iência da sua sinceridade e fidelidade quando trabalhou entre os coríntios. Expl icou-lhes que t inha mandado sua primeira carta em vez de vir pessoalmente , a fim de poder, quando viesse, louvá-los e não repreendê-los (2Co 1.23-2.4). Ele invoca o tes temunho de Deus para a sua declaração. Os doutores da lei, dos dias de Paulo, sempre levavam consigo cartas de apresentação. Procuravam combater Paulo por todos os meios. Perguntavam: “Quem é esse Paulo? Que carta de recomendação traz de Je rusa lém ?” Como era tola a pergunta! Acaso Paulo precisaria de carta de recomendação para uma igreja que ele própr io fundara? “Por que” ? “Vós sois a nossa carta, escri ta em nossos corações, conhecida e lida por todos os hom ens” (2Co 3.2). As vidas dos verdadeiros cristãos em Corinto eram cartas, que serviam para recomendar tanto a Paulo, o servo, como a Cristo, o Senhor. Paulo teve um ministério tr iunfante , mas cheio de afl ições. A vitória tem um preço! Paulo conta muita coisa a respeito das suas tr ibulações (capítulos 4,6 e 11). Na sua glor iosa conversão, o Senhor disse: “Pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu N om e” (At 9.16). As provações parecem ter começado logo depois e o acompanharam durante tr inta anos. Paulo, porém, mostrava-se sempre otimista, pois sabia que as afl ições presentes tornavam maior a glória v indoura1 (2Co 4.17,18). Em todas as suas aflições Paulo encontra conforto na ressurreição. Vivia sob a inspiração de que, um dia, seu corpo seria transformado e glorificado (2Co 5.10). 1 Que há de vir ou acontecer; futuro, venturo. 58 O alvo do minis tério de Paulo é levar os homens a se reconci l i arem com Deus (2Co 5.20). O supremo interesse de Deus está no homem. Como embaixador de Cristo o apóstolo apela aos homens do mundo. Segue-se o seu apelo para uma vida de santidade (2Co 6.11-7.16). Sant idade de vida quer dizer “ tudo” para Deus. Paulo roga aos seus cooperadores que não recebam em vão a benignidade de Deus, porém, abram seus corações a Ele. Liberdade no Ar (2Co 8 e 9) Paulo relata à igreja de Corinto a generosidade das igrejas da Macedônia em favor do Fundo de Socorro para a Palest ina, contra a fome. Embora fossem pobres, primeiro se haviam dado ao Senhor. Todas as igrejas da Ásia Menor e da Grécia contr ibuíram para o fundo. Isto começara um ano antes (2Co 8.10). Paulo escreveu isto quando estava na Macedônia . Não t inha aceitado de nenhuma igreja qualquer salário para o seu trabalho. Cristo era o exemplo desses cristãos primit ivos (2Co 8.9). Como Dar: • Da vossa pobreza (2Co 8.2); • Generosamente (2Co 8.3);• Espontaneamente (2Co 9.7); • Proporc ionalm ente (2Co 8.12,13,14); • Com alegria (2Co 9.7): • Abundantemente (2Co 9.6). Deus sempre prometeu recompensas ao que dá com generosidade (2Co 9.6). Ele nos enriquece não só de bênçãos espir i tuais como também materiais. Essas dádivas serviam para for ta lecer os laços de 59 fraternidade entre os cr istãos judeus e gentios. “Graças a Deus pelo seu dom ine fáve l1“ (2Co 9.15). O Apostolado de Paulo (2Co 10-13) Alguns membros da igreja acusavam Paulo de covardia. Diz iam que era corajoso nas suas cartas, mas fraco em pessoa. O Novo Testamento não nos dá qualquer idéia da aparência de Paulo. Imaginar que esse homem, capaz de revoluc ionar cidades, era fraco, seria absurdo. Devia ter uma personal idade poderosa e dominante . Era pessoa de extraordinários dons e dotado de intelecto agudo e pesquisador. Além disso, Cristo habi tava nele e operava através dele. Ele ocultava-se atrás da cruz. Seus inimigos diziam que nenhum apóstolo traba lhava com as própr ias mãos para sustentar-se. Apontavam os outros apóstolos, mas Paulo explicou que t inha direito de receber um salário, porém o recusava a fim de que os falsos mestres não abusassem do seu exemplo comercia lizando o ministério. Declarou que, ao menos, havia fundado suas próprias igrejas e não andava perturbando igrejas fundadas por outros, como eles faziam. “Mas eles, medindo-se consigo mesmos, e comparando-se consigo mesmos, revelam insensa tez1 2“ (2Co 10.12-18). Paulo foi arrebatado ao “Para íso” , a saber, o terceiro céu. Você se lembra que Jesus, ao morrer, foi ao Paraíso (Lc 23.43). Lá Paulo teve visões e revelações maravilhosas , e ouviu coisas que ao homem não era l ícito falar (2Co 12.4). Nenhuma linguagem 1 Que não se pode exprimir por palavras; indizível. Encantador, inebriante. 2 Falto de senso ou razão; demente, louco; descocado. Que não revela bom senso. 60 humana, jamais poderia descrever a glór ia delas. Seria o mesmo que tentar descrever um pôr de sol para um cego de nascença. Paulo não t inha com que compara- las para poder fazer-nos compreendê-las. Parece que por causas dessas visões celestiais, Deus permit iu que Paulo sofresse um impedimento físico. O Senhor conhece o perigo do orgulho do coração humano depois de uma exper iência assim e, por isso, consentiu num “mensageiro de Satanás para esbofe tear” o seu servo. O Próprio apóstolo chamou a essa afl ição “espinho na ca rne” (2Co 12.7). 61 Questionário • Assinale com “X ” as al ternativas corretas 6. A segunda carta de Paulo aos Coríntios foi escrita a ) j_ ] Em Roma b ) |_ J Em Jerusalém c ) 0 ] Na Macedônia d ) [ J Em Alexandria 7. Notic iou Paulo sobre a recepção da primeira Epístola, contou a Paulo que a igreja de Corinto t inha disciplinado um culpado de acordo com as suas instruções a ) [ J Silvano b) j pTi to c ) [ J Erasto d) j ] Tíquico 8. Lá Paulo teve visões e revelações maravilhosas , e ouviu coisas que ao homem não era lícito falar • a ) [y1 No Paraíso b ) | | Em Corinto cj]_| No Templo d ) 0 Em Roma • Marque “C ” para Certo e “E ” para Errado 9. <c O alvo do ministér io de Paulo é levar os homens a se reconci l iarem entre eles 1 0 . 0 2Coríntios é a mais autobiográfica das epístolas de Paulo 62 Lição 3 Cartas de Paulo: Aos Filipenses, Colossenses, 1 e 2Tessalonicenses, 1 e 2Timóteo, Tito e Filemom Carta aos Filip enses Autor: O Apósto lo Paulo Data: Cerca Üe 62/63 d.C. Tema: Alegria de Viver por Cristo Palavras-Chave: Alegria, regoz i ja r1 Versíeulo-chave: Fp 4.4 A igreja de Fil ipos foi fundada por Paulo e sua equipe de cooperadores (Silas, Timóteo e Lucas) na sua segunda viagem missionár ia , em obediência a uma visão que Deus lhe dera em Trôade (At 16.9-40). Um forte elo de amizade desenvolveu-se entre o apóstolo e a igreja em Filipos. Várias vezes a igreja enviou ajuda financeira a Paulo (2Co 11.9; Fp 4.15,16) e contr ibuiu generosamente para a coleta que o apóstolo providenciou para os crentes pobres de Jerusalém (cf. 2Co 8-9). Parece que Paulo visi tou a igreja duas vezes na sua terceira viagem missionár ia (At 20.1,3,6). ' Causar regozi jo a; alegrar muito. 63 Propósito Da prisão (Fp 1.7,13,14), cer tamente em Roma (At 28.16-31) , Paulo escreveu esta carta aos crentes fi l ipenses para agradecer-lhes pela sua oferta generosa, cujo portador foi Epafrodito (Fp 4.14-19) e para informá-los do seu estado pessoal. Além disso, escreveu para transmit ir à congregação a cer teza do triunfo do propós ito de Deus na sua prisão (Fp 1.12- 30), para assegurar à igreja que o mensageiro por ela enviado (Epafrodito) cumprira f ielmente a sua tarefa e que não estava voltando antes do devido tempo (Fp 2.25-30), e para levar os membros da igreja a se esforçarem para conhecer melhor o Senhor, conservando a unidade, a humildade, a comunhão e a paz. Visão Panorâmica Diferente de muitas das cartas de Paulo, Fil ipenses não foi escri ta primeiramente devido a problemas ou confli tos na igreja. Sua tônica básica é de cordial afeição e apreço pela congregação. Da saudação inicial (Fp 1.1) à bênção final (Fp 4.23), a carta focaliza Cris to Jesus como o propósi to da vida e a esperança da vida eterna por parte do crente. Nesta epístola, Paulo trata de três problemas menores em Filipos: • O desânimo dos crentes ali, por causa da prisão prolongada de Paulo (Fp 1.12-26); • Pequenas sementes de discórdia entre duas mulheres da igreja (Fp 4.2; cf. Fp 2.2-4); • A ameaça de deslealdade sempre presente entre as igrejas, por causa dos mestres juda izantes e dos crentes de menta lidade terrena (Fp 3). 64 Carta aos Colossenses Autor: O Apóstolo Paulo Data: Cerca de 62 d.C. Tema: A Supremacia de Cristo Pa lavras-Chave: Plenitude , sabedoria, conhecimento , mistério Versículos-chave: Cl 1.18-29; 2.10 A cidade de Colossos estava local izada perto de Laodicéia (cf. Cl 4.16), no sudeste da Ásia Menor, cerca de 160 quilômetros a leste de Éfeso. A igreja colossense , tudo indica, foi fundada como resultado do grandioso minis tério de Paulo em Éfeso, durante três anos (At 20.31), cujos efeitos foram tão poderosos e de tão grande alcance que “todos os que habitavam na Ásia ouviram a pa lavra do Senhor Jesus” (At 19.10). Paulo talvez nunca tenha vis i tado Colossos pessoalmente (Cl 2.1), mas mantivera contatos com a igreja através de Epafras, um dos seus conver tidos e cooperadores naquela cidade (Cl 1.7; 4.12). O motivo desta epís to la foi o surg imento de ensinos falsos na igreja colossense , ameaçando o seu futuro espiri tual (Cl 2.8). Quando Epafras, dirigente da igreja colossense e seu provável fundador, via jou com o obje tivo de visi tar Paulo e informar-lhe a respeito da si tuação em Colossos (Cl 1.8; 4.12), Paulo então escreveu esta epístola. Nessa ocasião Paulo estava preso (Cl 4.3,10,18), possivelmente em Roma (At 28.16-31), aguardando comparecer perante César (At 25.11,12). O cooperador de Paulo, Tíquico , entregou pessoalmente a carta em Colossos, em nome do apóstolo (Cl 4.7). Não está descrita c laramente na carta a heresia surgida em Colossos, uma vez que os lei tores originais a conheciam bem. 65 No entanto, pelas re fu tações1 de Paulo ao falso ensino, deduz-se que era uma mistura est ranha de ensinos cristãos, tradições judaicas ex trabíb licas e f i losofias pagãs (semelhante ao s incre ti smo1 2 religioso das seitas falsas de hoje). Tal ensino subver t ia3 e substi tuía a centra lidade de Jesus. Esta carta foi escri ta de Roma, Cerca de 62 d.C. Colossenses é uma dííT“epístolas da p r i são” . Propósito Paulo escreveu esta carta: • Para combater os falsos ensinos em Colossos, que estavam suplantando4 à centralidade e supremacia5 de Jesus Cristo na criação, na revelação, naredenção e na igreja; • Para ressa ltar a verdadeira natureza da nova vida em Cristo e suas exigências para o crente. Visão Panorâmica Depois de saudar a igreja e expressar gratidão pela fé, amor e esperança dos crentes colossenses , bem como pelo seu progresso contínuo, Paulo focaliza dois assuntos principais: a doutr ina correta (Cl 1.13-2.23) e exortações práticas (Cl 3.1- 4.6). Teo log icam ente , Paulo enfatiza o verdadeiro caráter e glória do Senhor Jesus Cristo. Ele é a imagem 1 Réplica, contestação; resposta. 2 Tendência à unificação de idéias ou de doutrinas diversi ficadas e, por vezes, até mesmo inconciliáveis. 3 Perverter, corromper. 4 Abater, prostrar, derribar, derrubar. 5 Superioridade, preeminência, hegemonia. Poder supremo. 66 do Deus invisível (Cl 1.15), a p len itude da deidade em forma corpórea (Cl 2.9), o c riador de todas as coisas (Cl 1.16,17), o cabeça da igreja (Cl 1.18) e a fonte toda-sufic iente da nossa salvação (1.14,20-22). Enquanto Cristo é todo-sufic iente , a heresia colossense é to ta lmente insufic iente - vazia, enganosa e humanis ta (Cl 2.8); de espir i tualidade superfic ial e arrogante (Cl 2.18) e sem poder contra os apeti tes pecaminosos do corpo (Cl 2.23). Nas suas exortações práticas, Paulo faz um apelo em favor de uma vida a licerçada na suficiência comple ta de Cristo, como o único meio de progresso no viver cristão. A real idade da habitação de Cristo neles (Cl 1.27) deve evidenciar-se na conduta cristã (Cl 3.1- 17), no re lacionamento domést ico (Cl 3.18-4.1) e na d iscipl ina espiri tual (Cl 4.2-6). 67 Autor: O Apóstolo Paulo Primeira Carta Data: Cerca de 51 d.C. a o s Tema: A Volta de Cristo rp i ■ Palavras-Chave: Agradecimento ,1 essalomcenses & vinda, fe, esperança e ca r idade1 Versículos-chave: lTs 1.9-10 Tessa lônica, si tuada a pouco menos de 160 km a sudoeste de Fil ipos, era a capital, c idade principal e porto da província romana da Macedônia. Entre os 200.000 habitantes da cidade, havia ali uma grande comunidade juda ica. Quando Paulo fundou a igreja tessa lonicense, na sua segunda viagem missionár ia , seu frutífero ministér io ali foi encerrado prematuramente devido à in tensa hos t i l idade1 2 judaica (At 17.1-9). Forçado a sair de Tessa lônica, Paulo foi a Beréia, onde outro ministér io breve, porém bem- sucedido, foi in terrompido pela perseguição movida pelos judeus que o seguiram desde Tessa lônica (At 17.10-13). A seguir, viajou para Atenas (At 17.15-34), onde Timóteo se encontrou com ele; depois, Paulo enviou Timóteo de volta a Tessa lônica para verificar a condição da nova igreja ( lT s 3.1-5); ao mesmo tempo, Paulo seguiu para Corinto (At 18.1-17). Timóteo, ao comple tar sua tarefa, viajou para Corinto levando a Paulo informações sobre a igreja tessalonicense ( lT s 3.6-8), o que levou Paulo a escrever esta carta, talvez três a seis meses depois de fundada a igreja. 1 Amor. 2 Contrário, adverso, inimigo. Agressivo; provocante. 68 Tema O assunto principal é a Vol ta de Cristo. Pelo fato de ter sido um tanto breve o minis tério de Paulo em Tessalônica, Havia necessidade de confi rmar os novos crentes nas verdades que Paulo já lhes havia minist rado. Ligado a este assunto, há uma exortação para santidade de vida, coragem a despeito da perseguição ( lT s 3.2-4) e consolo para os que haviam perdido entes queridos ( l T s 4.1-13). Propósito Por ter sido Paulo forçado pela perseguição a sair de Tessalônica, os novos conver tidos receberam apenas um mínimo de ensino sobre a vida cristã. Ao saber Paulo,, por meio de Timóteo, das reais circunstânc ias, escreveu esta epístola: • Para expressar sua alegr ia pela fé e perseverança dos tessa lonicenses em meio à perseguição; • Para instruí-los na santidade e na vida piedosa; • Para e luc idar1 certas doutrinas, especia lmente no tocante à si tuação dos crentes que morrem antes da volta de Cristo. Visão Panorâmica Depois de saudar a igreja ( lT s 1.1), Paulo, com alegria, enaltece1 2 3 os tessa lonicenses pelo seu zelo e fé perseverantes em meio à advers idadeJ ( lT s 1.2-10; 2.13-16). Responde às crí t icas contra ele, re lembrando 1 Tornar compreensível ; esclarecer; explicar. 2 Exaltar, engrandecer. 3 Contrariedade, aborrecimento. 69 à igreja a pureza dos seus motivos ( lT s 2.1-6), a sinceridade da sua afeição e so l ic i tude1 pelo rebanho ( lT s 2.7,8,17-20; 3.1-10) e a integridade da sua conduta entre eles ( lT s 2.9-12). Paulo destaca a necessidade e impor tância da santidade e do poder na vida cristã. O crente precisa ser santo ( lT s 3.13; 4.1-8; 5.23,24), e o evangelho, acompanhado pelo poder e manifestação do Espíri to Santo ( lT s 1.5). Paulo admoesta os tessa lonicenses à não ex tinguirem o Espíri to, a não desprezar as suas manifestações, especia lm ente a profecia ( lT s 5.19,20). Um tema de destaque é a volta de Cristo para l ivrar seu povo da ira de Deus sobre a terra ( lT s 1.10; 4.13-18; 5.1-11). Parece que alguns crentes haviam morr ido em Tessalônica, motivando preocupação sobre a sua salvação final. Por isso, Paulo explica o plano de Deus para os santos que já t iverem partido quando Cris to voltar para buscar a sua igreja ( lT s 4.13-18), e exorta os vivos sobre a importância de estarem preparados quando Ele vier ( lT s 5.1-11). Paulo termina a carta com uma oração pela sant if icação e preservação espiri tual dos tessalonicenses ( lT s 5.23,24). 1 Desejo de atender a alguma sol ici tação da melhor forma possível; boa vontade. 70 Autor: O Apósto lo Paulo Segunda Carta Data: Cerca de 51 ou 52 d.C. Tema: A Volta de Cristo O f A O . Palavras-Chave: Dia do Senhor, Tessalonicenses homem do pecado, tradição Vers ículo-chave: 2Ts 2.15 Ao escrever Paulo esta epístola, a si tuação na igreja de Tessa lônica era quase a mesm a da ocas ião em que ele escreveu a primeira carta (ver in t rodução a ITessalonicenses). É provável , pois, que esta carta tenha sido escri ta apenas poucos meses depois de ITessalonicenses , quando Paulo ainda se encontrava trabalhando em Cor into com Silas e Timóteo (2Ts 1.1; cf. At 18.5). Tudo indica que Paulo, ao ser in formado do aco lh im en to1 da sua primeira carta e do progresso dos crentes tessa lonicenses, foi movido a escrever esta segunda carta. Propósito O propósito de Paulo nesta epís to la é semelhante ao de ITessalonicenses: • Anim ar seus novos convertidos perseguidos; • Exor tá-los a dar bom testemunho cris tão e a trabalhar cada um pelo seu sustento; • Corr igi r certos erros doutrinários sobre eventos dos tempos do fim, ligados ao Dia do Senhor - “Dia de Cris to” (2Ts 2.2). 1 Ato ou efeito de acolher; recepção. Atenção, consideração. 71 Visão Panorâmica O tom da primeira carta de Paulo aos tessalonicenses é o de uma ama que cria os seus filhos ( lT s 2.7). Na segunda, o tom é primeiramente o de um pai que disciplina os filhos desobedientes para corrigir seus caminhos (2Ts 3.7-12; cf. lT s 2.11). Elogia-os, porém, pela sua fé perseverante e volta a encorajá-los a permanecer fiéis em todas as perseguições (2Ts 1.3-7). A seção principal da carta trata do Dia do Senhor, no seu aspecto escatológico (2Ts 2.1-12; cf. 2Ts 1.7-10). Afigura-se de 2Tessa lonicenses 2.2 que alguns em Tessa lônica afi rmavam por “esp ír i to” (suposta revelação profética), por “palavra” (mensagem verbal) ou “epís to la” (supostamente escrita por Paulo), que o tempo da grande tr ibulação e o Dia do Senhor já haviam começado. Paulo corrige tal erro, declarando que três eventos notáveis assinalarão e precederão a chegada do Dia do Senhor (2Ts 2.2): • Ocorrerá uma grande apostasia e rebelião (2Ts 2.3); • A restrição determinada por Deus para resist i r à injustiça, será removida (2Ts 2.6,7); • “O homemdo pecado” se revelará (2Ts 2.3,4,8-11). Paulo repreende aqueles que, na igreja, estavam se aprovei tando da expecta tiva da iminente volta de Cristo como desculpa para a oc ios idade1. Exorta os crentes a serem dil igentes e disciplinados no seu viver (2Ts 3.6-12). 1 Qualidade ou estado de ocioso, de quem gasta o tempo inutilmente; inatividade. 72 Questionário • Assinale com “X ” as alternativas corretas 1. Paulo em sua segunda viagem missionár ia , em obediência a uma visão que Deus lhe dera em Trôade fundou a igreja de Fil ipos com sua equipe de cooperadores a ) |_j Barnabé, Tito e Timóteo b ) |_J Lucas, Tíquico e Silas c ) |_j Áquila, Pr iscila e Tito d) 0 Silas, Timóteo e Lucas 2. O motivo que levou a Paulo escrever esta epístola foi o surgimento de ensinos falsos na igreja a ) |_j De Fil ipenses b ) [~~l De Colossenses c ) |_| De ITesalonicenses d ) |_J De 2Tesalonicenses 3. É o tema principal das cartas de Paulo a Tessa lonicenses a ) |_| Glória através do sofrimento b ) |_j Supremacia de Cristo c ) [yt| A volta de Cristo d ) |_] Alegr ia de viver por Cristo • Marque “C ” para Certo e “E” para Errado 4 . m Colossenses é uma das “epístolas da p r isão” 5 . |ĝ ] Em 2Tessa lonicenses Paulo exor tá-os a dar bom tes temunho cristão e a trabalhar cada um pelo seu sustento 73 Primeira Carta a Timóteo Autor: O Apóstolo Paulo Data: Cerca de 65 d.C. Tema: A Sã Doutrina e a Piedade Palavras-Chave: Cuidado, vigilância, força, compromisso Versículos-chave: lTm 3.15; 4.12 Um dos cuidados principais que Paulo transmite ao seu jovem auxil iar é que Timóteo lute com d enodo1 pela fé e refute os falsos ensinos que estavam comprometendo o poder salvífico do evangelho ( l T m 1.3-7; 4.1-8; 6.3-5,20,21) . Paulo também instrui Timóteo a respeito das qualif icações espir i tuais e pessoais dos dirigentes da igreja, e oferece um quadro geral das qual idades de um obreiro candidato a futuro pastor de igreja. Entre outras coisas, Paulo ensina Timóteo sobre o re lacionamento pastoral com os vários grupos dentro da igreja, como as mulheres em geral ( lT m 2.9- 15; 5.2), as viúvas ( l T m 5.3-16), os homens mais idosos e os mais jovens ( l T m 5.1), os presbíteros ( l T m 5.17-25), os escravos ( l T m 6.1,2), os falsos mestres ( lT m 6.3-6) e os ricos ( lT m 6.7-10,17-19) . Paulo confia a Timóteo cinco tarefas dist intas para ele cumprir ( lT m 1.18-20; 3.14-16; 4.11-16; 5.21-25; 6 .20 - 21 ) . * 1 Nesta epístola, Paulo exprime sua afeição a Timóteo como seu conver tido e filho na fé, e estabelece um elevado padrão de piedade para a vida dele e da igreja. 1 Qualidade de denodado; ousadia, intrepidez, valor, coragem, bravura, destemor. 74 A u t o r 1 e 2 Timóteo e Tito - c o m u m e n te 1 chamadas “epístolas pasto rais” - são cartas escri tas por Paulo ( l T m 1.1; 2Tm 1.1; Tt 1.1) a Timóteo (em Éfeso) e Ti to (em Creta) concernen te1 2 ao cuidado pastoral das igrejas. Alguns cr í t icos quest ionam a autoria destas cartas por Paulo, mas a igreja pr im it iva co rroborava3 sua autoria paulina. Em bora haja diferenças de esti lo e de vocabulário nas epístolas pastorais ao compará- las com as outras cartas de Paulo, estas diferenças podem decorrer da avançada idade de Paulo e sua solic itude pessoal com os minis térios de Timóteo e Tito. Paulo escreveu IT im óteo depois dos eventos re la tados no fim de Atos, a primeira prisão de Paulo em Roma te rminou (At 28), segundo parece, com a sua l ibertação (2Tm 4.16,17). Pos te riormente , segundo Clemente de Roma (cerca de 96 d.C.) e o Cânon Mura toriano (cerca de 190 d.C.), Paulo viajou de Roma, dirigindo-se para o oeste, até a Espanha, e minis trou a Palavra de Deus ali, como era seu desejo há longo tempo (cf. Rm 15.23,24,28). Conforme re la tam as Epístolas Pastorais, Paulo a seguir, voltou à região do mar Egeu (especia lmente Creta, Macedônia e Grécia) e aí continuou seu ministério. Durante esse período (cerca de 64,65 d.C.), Paulo comissionou Timóteo como seu representante apostólico para minis trar em Éfeso, e Tito para fazer o mesmo em Creta. Da Macedônia , Paulo escreveu sua primeira carta a Timóteo, e, pouco mais tarde, escreveu a Tito. Posteriormente , Paulo foi preso de novo em Roma, quando então escreveu uma 1 Em geral, ordinariamente. 2 Que concerne; relativo, atinente, referente. 3 Dar força a; fortificar, fortalecer, confirmar, comprovar. 75 segunda car ta a Timóteo pouco antes do seu martír io, em 67/68 (ver 2Tm 4.6-8; ver também introdução a 2Timóteo). Propósito Paulo teve um tríplice propósito ao escrever ITimóteo: • Exor ta r o próprio Timóteo a respei to do seu ministér io e da sua vida pessoal; • Exorta r Timóteo a defender a pureza do evangelho e seus santos padrões da corrupção causada por falsos mestres; • Dar a Timóteo ins truções a respeito de vários assuntos e problemas de Efeso. 76 Autor: O Apóstolo Paulo Data: Cerca de 67 d.C. Tema: Perseverança Inabalável na Pé Pa lavras-Chave: Batalha, ins trução, responsabil idade Versículos-chave : 2Tm 3.14-17; 4.1-5 No capí tu lo 1, Paulo assegura a T im óteo o seu incessante amor e orações, e exor ta-o a nunca t rans ig i r1 na f idelidade ao evangelho, a guardar com dil igência a verdade e a seguir o seu exemplo. No capí tu lo 2, Paulo incumbe seu fi lho espiri tual a preservar a fé, transmitindo suas verdades a homens fiéis que, por sua vez, ensinarão a outros (2Tm 2.2). Admoesta o jo v em pastor a sofrer as afl ições como bom soldado (2Tm 2.3), a servir a Deus com dil igência e a manejar cor re tamente a pa lavra da verdade (2Tm 2.15), a separar-se daqueles que se desviam da verdade apos tólica (2Tm 2.18-21), a manter-se puro (2Tm 2.22) e a traba lhar com paciência como mestre (2Tm 2.23-26). No capí tu lo seguinte, Paulo declara a Timóteo que o mal e a apostasia aumentarão (2Tm 3.1- 9), porém, ele precisa permanecer sempre, e em tudo, leal às Escrituras (2Tm 3.10-17). No capí tu lo final, Paulo incumbe Timóteo de pregar a Palavra e de cumprir todos os deveres do seu ministér io (2Tm 4.1-5). Termina, informando a Timóteo quanto aos seus assuntos pessoais, quando ele já encarava a morte, e instando com o jovem pasto r a vir logo ao seu encontro (2Tm 4.6-21). Segunda Carta a Timóteo 1 Chegar a acordo; ceder, condescender, contemporizar. 77 A u t o r Esta é a última carta de Paulo. Ela foi escri ta quando o imperador Nero procurava impedir a expansão da fé cristã em Roma, perseguindo severamente os crentes. E Paulo voltara a ser pr is ione iro do imperador em Roma (2Tm 1.16,17). Estava sofrendo privações como se fosse um cr iminoso comum (2Tm 2.9), abandonado pela maioria dos seus amigos (2Tm 1.15), e t inha consc iência de que o seu ministér io chegara ao fim, e que sua morte se aproximava (2Tm 4.6-8,18; ver int rodução à IT imóteo para um exame mais completo da autoria e do contexto da epístola). Paulo escreve a Timóteo como “amado f i lho” (2Tm 1.2) e fiel cooperador (cf. Rm 16.21). Sua in timidade com Timóteo e sua confiança nele percebe- se no fato de o apóstolo mencioná-lo como seu cooperador na escri ta de seis epístolas, de Timóteo haver permanecido consigo durante sua primeira prisão (Fp 1.1; Cl 1.1; Fm 1), e de lhe haver escri to duas cartas pessoais. Ante sua execução iminente, Paulo pede duas vezes a Timóteo que venha estar novamente com ele em Roma (2Tm 4.9,21). Timóteo ainda residia em Efeso quando Paulo lhe enviou esta segunda epístola ( l T m 1.3; 2Tm 1.18). Nesta epístola, o apóstolo envia saudações a Onesíforo que residia em Éfeso (2Tm 1.16), e igualmente para o casal Áquila e Pr isc ila (2Tm 4.19). Características Especiais Contêm as últimas palavras escri tas por Paulo antes da sua execução por ordem deNero, em Roma, uns 35 anos depois da sua conversão a Cristo. 78 Contém uma das declarações mais claras, na Bíblia, a respeito da inspiração div ina das Escri tu ras e do seu propósito (2Tm 3.16,17); Paulo reafi rma que as Escri turas devem ser in terpretadas com exatidão pelos minis tros da Pa lavra (2Tm 2.15) e ins iste que a Palavra de Deus seja conf iada a homens fiéis que, por sua vez, possam ensinar a outros (2Tm 2.2). Do começo ao fim da carta aparecem exor tações sucintas, por exemplo, “despertes o dom de D eus” (2Tm 1.6), “não te envergonhes” (2Tm 1.8), sofre pelo evangelho (2Tm 1.8), “conserva o modelo das sãs pa lav ras” (2Tm 1.13), “guarda a ve rdade” (2Tm 1.14), “forti f ica- te na graça” (2Tm 2.1), “passa adiante a m ensagem ” (2Tm 2.2), “ sofre as afl ições” (2Tm 2.3), “ sê dil igente na Pa lav ra” (2Tm 2.15), “evita os falatórios profanos” (2Tm 2.16), “foge dos dese jos da mocidade e segue a ju s t iça” (2Tm 2.22), “acautela- te da apostasia que há de v ir” (2Tm 3.1-9), “permanece na verdade” (2Tm 3.14), “pregues a Pa lavra” (2Tm 4.2), “faze a obra de um evangel is ta” (2Tm 4.5) e “cumpre o teu minis té r io” (2Tm 4.5). Os temas i te ra t ivos1 destas muitas exortações são: manter f irme a fé (em Jesus Cristo e no evangelho apostólico original) , guardá-la da d is torção e da corrupção, opor-se aos falsos mestres e pregar o evangelho com perseverança inabalável. O tes temunho de despedida de Paulo é um exemplo com ovedor de coragem e esperança diante do martír io sentenciado (2Tm 4.6-8). 1 Relat ivo a, ou em que há iteração. Repet ido, reiterado. 79 Carta a Tito Autor: O Apósto lo Paulo Data: Cerca de 65/66 d.C. Tema: A Sã Doutr ina e as Boas Obras Palavras-Chave: D i l igênc ia1, compromisso, responsabil idade Versículos-chave: Tt 2.11-14 Tito, como 1 e 2 Timóteo, é uma carta pessoal de Paulo a um dos seus auxil iares mais jovens. É chamada de “epístola pastoral” porque trata de assuntos relacionados com a ordem e o minis tério na igreja. Tito, um gentio conver tido (G1 2.3), tornou-se ínt imo companheiro de Paulo no ministér io apostólico. Embora não mencionado nominalmente em Atos (por ser, talvez, irmão de Lucas), o grande re lacionamento entre Tito e o apóstolo Paulo vê-se: • Nas treze referências a Tito nas epístolas de Paulo; • No fato de ele ser um dos convert idos e fruto do ministér io de Paulo (Tt 1.4; como Timóteo), e um cooperador de conf iança (2Co 8.23); • Pela sua missão de representante de Paulo em pelo menos uma missão impor tante a Corinto durante a terceira viagem missionár ia do apóstolo (2Co 2.12,13; 7.6-15; 8.6, 16-24); • Pelo seu trabalho como cooperador de Paulo em Creta (Tt 1.5). Paulo e Tito trabalharam juntos por um breve período na ilha de Creta (a sudoeste da Ásia Menor, no Mar Mediterrâneo), no período entre a primeira e a segunda prisão dé Paulo em Roma (ver in trodução a 1 Cuidado ativo; zelo, aplicação. Atividade, rapidez, presteza. Providência; medida. 80 ITimóteo) . Paulo deixou Tito em Creta cuidando da igreja ali (Tt 1.5), enquanto ele (Paulo) seguia adiante para a Macedônia ( l T m 1.3). Algum tempo depois, Paulo escreveu esta carta a Tito, incumbindo-o de comple ta r a tarefa em Creta que os dois haviam começado juntos . E provável que Paulo t ivesse mandado a carta pelas mãos de Zenas e Apoio, que passaram por Creta, em viagem (Tt 3.13). Nesta carta, Paulo informa sobre seus planos para enviar Ártemas ou Tíquico para substi tui r Tito dentro em breve. E nessa ocasião Tito devia encontrar- se com Paulo em Nicópolis (Grécia), onde o apósto lo planejava passar o inverno (Tt 3.12). Sabemos que isto aconteceu, já que na ocasião posterior, Paulo designara Tito para a Dalmácia , no litoral oriental do mar Adriá tico (na ex-Iugoslávia) , em cuja região ficava Nicópol is , na Grécia (Tt 3.12). Propósito Paulo escreveu primeiramente para ins tru ir Tito na sua tarefa de: • Pôr em ordem o que ele (Paulo) deixara inacabado nas igrejas de Creta, inclusive a ins ti tuição de presbíteros nessas igrejas (Tt 1.5); • Ajudar as igrejas a crescerem na fé, no conhecimento da verdade e em santidade (Tt 1.1); • Silenciar falsos mest res (Tt 1.11); • Vir até Paulo, uma vez substi tu ído por Ártemas ou Tíquico (Tt 3.12). Visão Panorâmica Nesta epístola , Paulo examina quatro assuntos principais. R 1 1. Ensina Tito a respeito do caráter e das qualif icações espiri tuais necessárias a todos os que são separados para o ministério na igreja. Os presbíteros devem ser homens piedosos, de caráter cristão comprovado, e bem sucedidos na direção da sua família (Tt 1.5-9); 2. Paulo manda Tito ensinar a sã doutrina, repreender e si lenciar falsos mest res (Tt 1.10-2.1). No decurso da carta, Paulo apresenta dois breves resumos da sã doutrina (Tt 2.11-14; 3.4-7); 3. Paulo descreve para Tito ( lT m 5.1-6.2) o devido papel dos anciãos (Tt 2.1,2), das mulheres idosas (Tt 2.3,4), das mulheres jovens (Tt 2.4,5), dos homens jovens (Tt 2.6-8) e dos servos (Tt 2.9,10); 4. Finalmente , Paulo enfatiza que as boas obras e uma vida de retidão são o devido fruto da fé genuína (Tt 1.16; 2.7,14; 3.1,8,14; Tg 2.14-26). Características Especiais Dois breves resumos da verdadeira natureza da salvação em Jesus Cristo (Tt 2.11-14; 3.4-7). • A igreja e o seu ministér io devem estar edificados sobre firmes alicerces espiri tuais, teológicos e éticos. • Contém uma das duas listas no Novo Testamento enumerando as qualif icações necessárias à direção da igreja (Tt 1.5-9; lT m 3.1-13). 82 Autor: 0 Apostolo Paulo Carta a Data: Cerca de 62 d.C. F i l e m o m Tema: Reconcil iação Palavra-Chave: Irmão Versículos-chave: Em 17-19 Paulo escreveu esta “epís to la da p r isão” (Fm 1,9) como uma carta pessoal a um homem chamado Filemom, mais provavelmente durante sua primeira prisão em Roma (At 28.16-31). Os nomes idênticos mencionados em Filemom (Fm 1,2,10,23,24) e em Colossenses (Cl 4 .9 ,10-17) , indicam que F ilemom morava em Colossos e que as duas cartas foram escritas e entregues juntas. F ilemom era um senhor de escravos (Fm 16) e membro da igreja de Colossos (compare Fm 1,2 com Cl 4.17), talvez um conver tido de Paulo (Fm 19). Onésimo era um escravo de F ilemom que fugira para Roma; ali, teve contato com Paulo, que o levou a Cristo. Desenvolveu-se um forte vínculo de amizade entre os dois (Fm 9-13). Agora, Paulo, um tanto ap reens ivo1, envia Onésimo de volta a F ilemom, acompanhado por Tíquico, cooperador de Paulo, levando esta carta (Cl 4.7-9). Propósito Paulo escreveu a Filemom para tratar do problema específico do escravo fugi t ivo deste, Onésimo. Segundo a lei romana, um escravo fugit ivo era pass ível da pena de morte. Paulo inte rcede jun to a F i lemom em favor de Onésimo e pede- lhe que 1 Preocupado, receoso, cismático. 83 graciosamente receba Onésimo de volta, como um irmão crente e como companheiro de Paulo, com o mesmo amor com que acolher ia o próprio Paulo. Visão Panorâmica Eis o apelo de Paulo a Filemom: • Roga que Filemom, como irmão na fé cristã (Fm 8,9,20,21), receba Onésimo de volta, não como escravo, mas como irmão em Cristo (Fm 15,16). • Num t rocad i lho1 (no grego), Paulo chama atenção para o fato que Onésimo (cujo nome signif ica “úti l”) era anter iormente “ inúti l” , mas agora é “úti l” tanto a Paulo como a F ilemom (Fm 10-12). • Paulo queria que Onésimo permanecesse com ele em Roma, mas prefere enviá-lo de volta ao seu legít imo senhor (Fm 13,14). • Paulo oferece-se para pagar a dívida de Onésimo e relembra a F ilemom que este deve sua vida ao Apóstolo (Fm 17-19). A carta termina com saudações de alguns dos cooperadores de Paulo em Roma (Fm 23,24) e com uma bênção (Fm 25). Características Especiais Três característ icas principais acham-se nesta epístola: 1. Essa é a mais breve de todas as epístolas de Paulo; 2. Mais do que qualquer outra parte do Novo Testamento, ela i lustra como Paulo e a igreja primitiva tratavam do problema da escravidão no império romano. Ao invés de atacá-la dire tamente ou 1 Jogo de palavras parecidas no som e diferentes no significado, e que dão margem a equívocos; emprego de expressão ambígua. 84 de ins t iga r1 rebelião armada, Paulo expôs princípios cr is tãos que e liminavam a severidade da escravidão romana e que finalmente levaram à sua abolição total no meio da Cristandade; 3. Oferece um v is lum bre1 2 incomparáve l da natureza ínt ima de Paulo, pois este se identif icou tanto com um escravo que o chamou de “meu coração” (Fm 12). 1 Incitar, induzir, mover, estimular, açular, acirrar. 2 Idéia indistinta; conjetura, suposição, hipótese. 85 Questionário • Assinale com “X ” as al ternativas corretas 6. Cartas de Paulo inti tuladas como “Epístolas Pas to ra is” a) |_| 1 e 2Tessa lonicenses e F ilemom b) [T Zj 1 e 2Timóteo e Tito c ) |_| Colossenses , Fil ipenses e Efésios d) |~l 1 e 2Coríntios e Romanos 7. Contêm as últ imas palavras escritas por Paulo antes da sua execução por ordem de Nero, em Roma, uns 35 anos depois da sua conversão a Cristo a) 2 2Timóteo b ) U Tito c) ^ Filemom d) ^ IT im óteo 8 9 10 8. Epís tola escri ta por Paulo na prisão como uma carta pessoal a um homem, cujo tema central é a reconcil iação a) |______ j IT imóteo b ) |______ J Tito c ) P3 Fi lemom d ) |______ J 2Timóteo Marque “C ” para Certo e “E ” para Errado 9. \fA Tito é a mais breve de todas as epístolas de Paulo 10. ® Paulo descreve para Fi lemom o devido papel dos anciãos, das mulheres idosas, das mulheres jovens, dos homens jovens e dos servos 86 Lição 4 Cartas Gerais: Hebreus e Tiago Carta aos Hebreus Autor: Desconhecido Data: Gerca de 67-69 d.G. Tema: Um Melhor Concerto Palavra-Chave: Melhor Versículo-chave: Hb 4.14 Este livro foi destinado originalmente aos cr istãos de Roma. O seu-título, nos manuscritos gregos mais antigos, diz apenas “Aos Hebreus” . Seu conteúdo, no entanto , revela que foi escri to a cristãos judeus. O emprego que o autor fez da Sep tuag in ta1, nas citações do Antigo Testamento, indica que os primeiros lei tores foram provavelmente judeus de id ioma grego que viviam fora da Palestina. A expressão “Os da Itál ia vos saúdam ” (Hb 13.24) significa provavelmente que o autor escrevia para Roma, e que na ocasião incluiu saudações de crentes i tal ianos que viviam longe da pátria. Os destinatários podem ter sido igrejas em lares, da comunidade cristã de Roma, das quais algumas estavam a ponto de abandonar a fé em Jesus e voltar para a antiga fé juda ica por causa da perseguição e do desânimo. 1 Versão grega do Antigo Testamento. 87 Uma coisa é certa, o escri to r escreveu na plenitude do Espíri to e com entendimento , revelação e autoridade apostólica. O Senhor Jesus Cristo é o melhor Mediador do melhor Pacto baseado sobre melhores promessas (Hb 8.6). É o Filho de Deus, o resplendor de Sua glória e a expressão exata do Seu Ser. E o Criador, Sustentador e Herdeiro do universo. E maior que os anjos, maior que Moisés, Arão e Josué. E o Autor e Consumador de nossa fé, em Quem devemos fitar f i rmemente nosso olhar (Hb 12.2). Ele é o mesmo ontem, hoje e o será para sempre (Hb 13.8). Convém- nos sair a Ele, fora do arraial, levando Seu v i tupér io1 (Hb 13.13). Termina o argumento do livro com a bênção ou conclusão mais sublime de todas as Epístolas. Autor O escritor não se ident ifica no título original , nem através do livro, embora fosse bem conhecido dos seus leitores (Hb 13.18-24). Por alguma razão, perdeu-se a sua identidade ao findar-se o século I. Posteriormente , na tradição da igreja primitiva (séculos II ao IV), surgiram muitas opiniões diferentes sobre o possível escri tor de Hebreus. A opinião de que Paulo haja sido o autor não t inha aceitação até o século V. Muitos eruditos conservadores descartam a autoria de Paulo, uma vez que o esti lo esmerado e alexandrino do autor, seu embasamento" na Septuaginta, sua maneira de in troduzir as citações do 1 2 1 Vituperação. Insulto, injúria. Ato vergonhoso, infame ou criminoso. 2 Base, fundamento; razão, motivo. 88 Antigo Testamento, seu método de argumentar e ensinar, a estrutura da argumentação e a omissão da sua identificação pessoal são caracterís t icas muito di ferentes das de Paulo. Além disso, enquanto Paulo sempre apela à sua revelação recebida di retamente de Cris to (G1 1.11,12), esse escri tor demonst ra ser um dos cr istãos da segunda geração aos quais o evangelho fora confi rmado por testemunhas oculares do ministér io de Jesus (Hb 2.3). Ent re os homens mencionados nominalmente no Novo Testamento, a descrição que Lucas oferece de Apoio, em Atos 18.24-28, a justa-se melhor ao perfil do escri to r de Hebreus. Apesar de que costumamos dar a este l ivro o título: A Epístola do Apósto lo São Paulo aos Hebreus, desde os primeiros séculos do Cris t ianismo vem sendo discutido o problema a respeito de quem seja o autor desta carta. O próprio texto não revela a identidade do autor. Há os que alegam que 2Pedro 3.15 se refere a uma Epís tola escri ta pelo apóstolo Paulo especia lmente para os judeus , enquanto que 3.16 fala das demais Epístolas que ele escreveu. D izem que esta é aquela carta mencionada no versículo 15. Se Paulo foi o autor, por que não o disse em 2Tessa lonicenses 3.17? Clemente de Alexandria disse que Paulo não pôs o seu própr io nome na carta para que os judeus não levantassem argumentos prejudicia is contra ele. Isto é possível , mas não de acordo com o que sabemos do caráter franco de Paulo. Nem o esti lo, nem o vocabulário, têm qualquer semelhança com os do apóstolo. Não há provas co nc luden tes1 internas, nem externas , nem a favor, nem contra a que Paulo seja o autor. 1 Que conclui, ou merece fé; terminante, categórico. 89 Se há, porém, dúvidas de quem seja o autor, não há dúvidas de que tenha autoridade apostólica. É um livro do tempo dos apóstolos. Sua doutr ina está de acordo com tudo o mais que há na Bíblia e preenche uma patente lacuna no desenvolv imento da doutr ina no Novo Testamento. Clemente de Roma, no ano 96, fez tantas c itações deste livro que se ju lga que seria necessár io que t ivesse diante de si o texto de Hebreus enquanto escrevia. Policarpo, Justino Mártir , Dionís io, Teófilo, Clemente de Alexandria, Orígenes e Eusébio citam-no. Orígenes (185-254) faz muitas referências ao livro como sendo de Paulo, porém diz: “Homens de outrora legaram-nos este livro como sendo Paulo, mas quem escreveu a Epístola, só Deus o sabe com cer teza” (His tór ia Eclesiás tica por Eusébio, VI, 25). Tem sido atribuída a Lucas, a Barnabé, a Clemente de Roma e a outros e alguns crêem que Lucas escreveu todo o livro em hebraico e que Paulo após a conclusão, ou que Paulo escreveu todo o livro em hebraico e que Lucas, ou Clemente de Roma, o traduziu para o grego. Estas são con je tu ras1 apenas. Vários autores, começando por Lutero, a legam que Apoio é mais provavelmente o autor. De que seja de autoridade apostól ica não há motivo para duvidar-se. A Data e as Circunstâncias De Hebreus 10.11,12, comprova-se que o livro foi escri to depois da ascensão do Senhor Jesus Cristo e antes da destruição de Jerusalém no ano 70. A menção de Timóteo em 13.23, prova que seria na últ ima parte desse período. Não sabemos quando Timóteo foi detido, mas supõe-se que seria em Roma 1 Juízo ou opinião sem fundamento preciso; suposição, hipótese. 90 quando foi para socorrer a Paulo (2Tm 4.9). Se ass im é, talvez Hebreus tenha sido escri to cerca do ano 68 ou, talvez 69.Naturalmente , não sabemos nada das c ircunstâncias do escri tor, porém dos dest inatários, sim. Eram hebreus segundo todo o teor do livro. Seu t í tulo mais antigo foi simplesmente: Os Hebreus; depois: A Epís tola aos Hebreus; e f inalmente: A Epís to la do Apóstolo São Paulo aos Hebreus. Não há quaisquer referências aos gentios, nem se refere aos seus problemas no texto, porém, refere-se detalhadamente ao Antigo Pacto e a Abraão, Moisés , Josué, etc., sem explicações desnecessár ias para os judeus, coisa que seria necessário para os gentios que não conheciam o Antigo Testamento. Estes hebreus es tavam em um grande perigo - o de negarem a sua fé e volta rem para o judaísmo. A carta exorta-os a confiarem no Senhor Jesus Cristo, Mediador de um melhor pacto baseado sobre melhores promessas. O livro prova que o Novo Pacto (Testamento) é a rea lidade de que o Antigo Pacto é a sombra (Hb 8.5,6). Tema Cristo é a Pessoa inevitável, indispensável , perfe itamente ímpar. É superior (palavra usada 13 vezes) do que qua lquer cousa ou qualquer pessoa. E o cumprimento de tudo o que o Velho Tes tamento prometera. Propósito Hebreus foi escri to pr incipalmente para os cristãos judeus que es tavam sob perseguição e 91 esm orec im en to1. O escri tor procura fortalecê- los na fé em Cristo, demonstrando cuidadosamente a super io ridade e finalidade da revelação e redenção da parte de Deus em Jesus Cristo. Demonstra que as disposições divinas para a redenção vistas no Antigo Concerto cumpri ram-se e tornaram-se obsole tas1 2 pela vinda de Jesus e pelo es tabe lecimento de um Novo Concerto , mediante a sua morte v icár ia3. O escri tor anima seus leitores: • A mante rem firme sua confissão de Cristo até o fim; • A prosseguirem para a maturidade espiri tual; • Não volverem ao estado de condenação caso abandonem a fé em Jesus Cristo. Visão Panorâmica Hebreus parece mais um sermão do que uma epístola. O autor descreve sua obra como “uma palavra de exor tação” (Hb 13.22). Contém três divisões principais: 1. Pr imeiro, Jesus, o poderoso Filho de Deus, é declarado a plena revelação de Deus à humanidade - maior do que os profetas (Hb 1.1-3), do que os anjos (Hb 1.4-2.18), Moisés (Hb 3.1-6) e Josué (Hb 4.1-11). Nesta divisão do livro, ocorre uma advertência solene no tocante às conseqüências do abandono da fé ou do endurecimento do coração pela incredulidade (Hb 2.1- 3; 3.7-4.2); 2. A segunda divisão apresenta Jesus como o Sumo Sacerdote, cujas qualif icações (Hb 4.14-5.10; 6.19-7.25), caráter (Hb 7.26-28) e ministér io (Hb 8.1- 1 Diminuição de força, de coragem, de entusiasmo; desânimo, desalento, abatimento. 2 Que caiu em desuso; arcaico. 3 Que faz as vezes de outrem ou de outra coisa. 92 10.18), são perfeitos e eternos. Há uma solene adver tência para quem permanecer espir i tua lmente imaturo ou mesmo “cai r” depois de se tornar partic ipante de Cristo (Hb 5.11-6.12); A divisão final (Hb 10.19-13.17) admoesta enfaticamente os crentes a perseverarem na salvação, na fé, no sofrimento e na santidade. Característ icas Especiais Oito caracter ís t icas afloram neste livro: 1. No Novo Tes tamento é único quanto à sua estrutura: “começa como tratado, desenvolve-se como sermão e termina como car ta” (Orígenes); 2. É o texto mais refinado do Novo Testamento, abeirando-se do esti lo do grego clássico, mais do que qualquer outro escri tor do Novo Tes tamento (com exceção, q u iç á 1, de Lucas, em Lc 1.1-4); 3. É o único escri to do Novo Tes tamento que desenvolve o concei to do ministér io sumo sacerdotal de Jesus; 4. A cris to logia do livro é r icamente variada, apresentando mais de vinte nomes e t í tulos de Jesus; 5. Sua palavra-chave é “melhor” (13 vezes). Jesus é melhor do que os anjos e todos os mediadores do Antigo Testamento. Ele provê melhor repouso, concerto , esperança, sacerdócio, expiação pelo sacrifício vicário e promessas; 6. Contém o principal capítulo do Novo Tes tamento a respeito da fé (capítulo 11); 7. Es tá repleto de referências e alusões ao Antigo Testamento que oferecem um rico conhecimento da interpre tação cristã primitiva da história e da 1 Talvez, porventura; quem sabe. 93 adoração no Antigo Testamento, mormente no campo da t ipologia; 8. Adverte , mais do que qualquer outro escri to do Novo Tes tamento contra os perigos da apostasia espiri tual . Cristo, o Resplendor da Glória de Deus (Hb 1.3) A Epís tola aos Hebreus compara Jesus Cristo com o Antigo Pacto, e o apresenta como o cumprimento de todas as promessas messiânicas. Tal comparação visa demonst rar a super ior idade de Cristo sobre tudo quanto o Antigo Testamento tem a oferecer. O tema que percorre a carta do princípio ao fim é: “Jesus Cristo é superior a. . .” Ele é superior aos anjos, aos profetas, ao sacerdócio levít ico e etc. E descrito como o Criador de todas as coisas, resplendor da glória e imagem de Deus; aquele que tudo sustém com o seu poder, que nos purificou de todo o pecado e está assentado à destra de Deus. Profetas Anjos Jesus Cristo Foram criados Foram criados Tudo criou Tinham revelação parcial Tinham revelação parcial Trouxe a revelação completa São adoradores São adoradores Recebe adoração Anunciadores Minist radores Senhor de tudo Cristo, Superior aos Anjos (Hb 1.4) Os anjos t iveram impor tantes momentos na história dos judeus, tanto no âmbito nacional como na vida de indivíduos. Em sua natureza, mesmo atuando em favor dos que hão de herdar a vida eterna, são cria turas com limitações se comparadas ao Senhor 94 Jesus Cristo. Ele é declarado como Fi lho pelo próprio Deus, é o Messias , Criador e está à dire ita do Pai. O escri tor, ainda demonstrando a super ioridade de Jesus sobre os anjos, lembra aos lei tores que, se o que foi dito pelos anjos foi válido a ponto de toda desobediência às palavras angelicais receber punição, maior pena receberá aqueles que desprezarem, em Jesus, “ tão grande sa lvação” . Apenas Ele, como verdadeiro Sumo Sacerdote , pode se compadecer dos que são tentados e salvá-los. Os Anjos Jesus Cristo Criaturas (Hb 1.7) Criador (Hb 1.2-10) Revelação parcial Revelação comple ta Mensageiros (Hb 1.7) Filho (Hb 1.5) Nada lhes é sujeito Todas as coisas lhe são sujeitas São adoradores (Hb 1.6) Recebe adoração (Hb 1.6) Minis t radores Senhor de tudo Cristo, Superior a Moisés (Hb 3.3) Os crentes destinatár ios da epís to la são chamados de “ santos” , e devem, por serem partic ipantes da “vocação celes tia l” , considerar Jesus não apenas como apóstolo (um enviado de Deus), mas também Sumo Sacerdote, ao qual devem confessar suas dificuldades. Se Moisés foi fiel em seu ministério, Jesus muito mais, pois foi o autor, não somente do ministério, mas também da famíl ia de Moisés. O Grande Libertador dos hebreus, por ser homem, não pôde ser perfeito. Entretanto, Jesus deu-nos o exemplo de i r re fu táve l1 perfeição. 1 Que não se pode refutar; evidente, irrecusável, incontestável. 95 O sacro escri tor relembra a seus leitores que o povo de Israel peregrinara no deserto por mui tos anos, por não ter ouvido a voz de Deus através de Moisés, e roga-os que não ajam da mesma forma, endurecendo seus corações às ordens divinas. Repouso para o Povo de Deus (Hb 4.9) A sorte daqueles que foram resgatados do Egito teve amplo e direto sentido para os destinatár ios da epístola em estudo. Foram libertados, mas não entraram no “descanso de D eus” , e pereceram no deserto. Mesmo a segunda geração, que conseguiu entrar em Canaã, não alcançou a plenitude da promessa divina. Só pela vinda do Messias seria alcançada; e isto por apropriação, mediante a fé. Tanto Israel como esses primitivos cristãos ocupavam posição semelhante de ter recebido o evangelho e ter a oportunidade de apropriar-sedo mesmo. Israel falhou. Agora, o perigo para esses pr imitivos cristãos judeus era que, por causa da incredulidade e falta de firmeza, deixassem de entrar no descanso espiri tual de Deus, o qual não foi cumprido por Josué, mas que agora estava ao alcance de todos, em Cristo. Cristo, Sumo Sacerdote Superior a Arão (Hb 5.6) Por não conhecerem a Cristo sob a figura de Sumo Sacerdote e por não ser Ele da l inhagem de Arão, os cristãos hebreus não compreendiam a aplicação deste t ítulo e ofício à sua pessoa e, consequentemente , t inham dif iculdades em aceitá-lo e honrá-lo nessa função. Daí, a necessidade do escri tor resumidamente 96 apresenta r as caracterís t icas e atribuições do sumo sacerdote , demonst rando que as mesmas são perfe itamente satisfeitas em Cristo. O texto mostra a super ioridade de Cristo sobre os demais sumo sacerdotes, destacando que Ele não apenas satisfez as exigências do sistema levít ico para a vocação sacerdotal , mas dis t inguiu-se pelo fato de, sem pecado, entregar-se a si mesmo por nossos pecados. O Perigo da Apostasia (Hb 5 e 6) Os cristãos hebreus haviam, sido uma vez i luminados através da revelação de Deus em Cristo. Haviam exper imentado o dom celestial , o Espíri to Santo, e a boa Palavra de Deus, o evangelho de Cristo, pregado entre eles com toda manifestação de poder e milagres. Para essas pessoas, caso se desviassem, seria impossível serem renovadas outra vez para arrependimento , uma vez que deliberadamente re je ita ram a Cristo, declarando que a sua crucificação não possuía mais o sentido que antes lhe atribuíam. O escritor aos hebreus sentiu bem de perto o perigo que aqueles crentes nessas c ircunstâncias enfrentavam, por isso os advertiu. 97 Questionário • Assinale com “X ” as alternativas corretas 1. É tema principal da carta geral aos Hebreus a) |_] A Fé Manifes ta -se pelas Obras b) |_| Andando na Verdade c) |~1 Glória Através do Sofrimento d ) [ 1 Um M elhor Concerto 2. Hebreus foi escri to pr incipalmente para os cristãos a ) |_] Romanos que estavam sob tr ibulação b ) | I Judeus que es tavam sob escravidão e ) i n Judeus que estavam sob perseguição d)l I Romanos que es tavam sob perseguição 3. No Novo Testamento, Hebreus é o único quanto à sua estrutura: “começa como ' /' ___, desenvolve- se como t ^e termina como _______ ” (Orígenes) a) F ] Tratado, sermão e carta b) l I Carta, tratado e sermão c ) D Sermão, carta e tratado d ) |_| Epístola , tratado e sermão • Marque “C ” para Certo e “E ” para Errado 4.1 | Hebreus contém o principal capítulo do Novo Testamento a respeito da vinda de Cristo 5.fcl A Epís tola aos Hebreus compara Jesus Cristo com o Antigo Pacto, e o apresenta como o cumprimento de todas as promessas messiânicas 98 Cristo, Sacerdote Eterno e Perfeito (Hb 7.26) O autor da epístola agora reverte ao argumento deixado no capítulo 5, versículo 10, no qual se referia a Cris to como Sumo Sacerdote de um serviço divino, de ordem mais e levada do que aquela estabelecida sob a lei mosaica. Esta ordem sacerdotal é de origem divina e segundo a ordem de Melquisedeque. A descrição histórica desse personagem singular encontra-se em Gênesis 14.17-20. Ele surge nas páginas sagradas qual estrela nova, no fi rmamento. Logo desaparece para só o encontrarmos na epístola aos hebreus. O fato de as Escrituras não apresentarem o registro genealógico do nascimento de Melquisedeque ou sua morte, j á o torna t ipo perfeito do sacerdócio eterno de Cristo. Cristo, Mediador de uma Melhor Aliança (Hb 8.10) Nós, os crentes do Novo Concer to, possuímos um Sumo Sacerdote de classe única e p roem inen te1: Alguém que em si mesmo é a realidade, que corresponde e cumpre o padrão estabelec ido por Deus para o sacerdócio; Alguém cujo ministério, por conseguinte , é cumprido na esfera celestial , e não na terrena; Alguém cuja obra foi consumada pela entronização à mão direita de Deus; e Alguém que, por isso mesmo, é apto para cumprir um mais excelente ministér io na qualidade de mediador de um novo e melhor Concerto. Cristo, nosso amado Salvador, 1 Que sobressai , ressalta; saliente. 99 tornou-se ministro do verdadeiro tabernáculo, tendo entrado em nosso lugar não em algum santuário terreno, mas na própria presença de Deus, efetuou eterna redenção. Cristo Trouxe, Maior Glória na Adoração a Deus (Hb 9) Sob a ordem mosaica entendia-se que não havia l ivre acesso à presença de Deus. Somente uma vez por ano, e isso por meio dum representante. Somente mediante sacrifício c ruen to1 podia o povo aproximar-se de Deus. A lição que aprendemos é que devido ao pecado, o propósi to do homem de acercar-se d ire tamente de Deus era frustrado. Toda a economia levít ica era provisória, não passando de sombra ou tipo da real idade celestial. Os sacrifícios anuais jamais poderiam resolver o problema da consciência. Por serem provisórios, eles aguardavam um tempo de “re form a” , uma ocasião melhor. A Eficácia do Sacrifício de Cristo (Hb 10.1) Insti tuído por Deus, os sacrifícios de animais eram a única forma de se ap lacar1 2 a ira divina contra o pecado e aproximar o homem do seu Criador. Entretanto , tais sacrifícios demonst raram ser ineficazes porque apenas aplacavam temporariamente a ira de Deus, mas não removiam o pecado. Desta forma, havia a necessidade de um sacrifício único e perfeito, que propiciasse aos homens a certeza da reconcil iação com Deus. 1 Em que há sangue; sanguinolento, sangrento, cruel. 2 Tornar plácido; tranquilizar, serenar, apaziguar. 100 O autor da epístola em estudo não apenas apresenta Cris to como o últ imo Sumo Sacerdote, mas como o sacrifício perfe ito diante de Deus; sacrif ício que tira def in it ivamente os pecados. O Pecado Imperdoável (Hb 10.26) O sacrifício de Cristo nos faculta o acesso a Deus. Entretanto , Deus exige de nós responsabil idade no uso de seus dons, mas deseja principalmente de nós uma vida de santidade. Pode haver na igreja pessoas que, mesmo tendo exper imentado os presentes de Deus - a salvação, o perdão dos pecados, a inclusão na igreja - queiram pecar voluntariamente , não havendo para os pecados de tais pessoas qualquer sacrifício. Pelo fato de re to rnarem à vida de pecados e pisarem o Fi lho de Deus, resta- lhes a expec tação1 de algo ruim, pois cairão nas mãos do Deus Vivo. Os Elementos Essenciais da Fé (Hb 11.1) A fé, conforme a Palavra de Deus, é a condição básica para ser salvo e receber de Deus auxíl io em todos os aspectos. É a base, “ firme fundamento” ; a esperança “das coisas que se e spe ram ” e a convicção, “prova das coisas que não se v êem ” . O escri tor, recorrendo à história judaica, mostra diversas personagens que, pela fé, e não por seus próprios méritos, puderam obter da parte de Deus vitórias marcantes. Tais personagens viram de longe as promessas de Deus, e morreram crendo no cumprimento delas. Deus considera esses heróis como 1 Esperança fundada em supostos direitos, probabil idades ou promessas. 101 pessoas “dos quais o mundo não era d igno” , exemplos de fé a serem seguidos por todos nós. Característ icas Personagens Fé carac terizada pela obediência irrestri ta ao Senhor Abraão Recebeu uma revelação especial de Deus rela tiva ao dilúvio Noé Agradou a Deus por seu andar espiri tual diante dEle Enoque Aos olhos de Deus seu sacrifício teve maior valor Abel Perseverança na Fé e Santidade (Hb 12.1) Os cristãos hebreus t inham à sua disposição muito mais vantagens que as permitidas aos heróis que os antecederam. O autor se compara, jun tamente com seus irmãos em Cristo, a atletas disputando uma corrida, ao redor dos quais está aquela numerosa platéia enfileirada, como nas arquibancadas de um grande estádio. As testemunhas da grande prova são jus tam ente os heróisda fé, cujos feitos estão regis trados no capítulo 11 da epís to la em estudo. Tomando o exemplo desses homens das gerações anteriores, o escri tor procura nos encorajar a correr a. boa corrida da fé e ganhar, pela res is tência e coragem, o prêmio que nos é oferecido. Evidências da Vida Cristã (Hb 13.16) O escritor sagrado adiciona no texto em estudo uma variedade de breves declarações que contêm agudas exortações práticas para que o crente viva a vida cristã de modo digno. Ele sabia que seus 102 lei tores se t inham mostrado ativos no passado, em s impat ia e bondade para com seus irmãos na fé (Hb 6.10). Por esta razão, exorta-os aqui sobre a importância de manter tal amor prá tico entre os membros da fraternidade cristã: eles dever iam lembrar- se part icula rmente dos encarcerados, dos que es tivessem sofrendo enfermidades ou maus tratos, pois os crentes dever iam comparti lhar das mútuas provações. 103 Autor: Tiago Data: 45-49 d.C. Carta d e Tema: A Fé Manifes ta-se pelas Obras Tiago Palavras-Chave: Fé, r iquezas, l íngua, orgulho, oração Versículos-chave: Tg 1.27; 2.20 Tiago é c lass ificada como “epístola ' universal” porque foi orig inalmente escri ta para uma comunidade maior que uma igreja local. A saudação: “As doze tribos que andam dispersas” (Tg 1.1), jun tamente com outras referências (Tg 2.19-21), indicam que a epístola foi escri ta inic ia lmente a cristãos judeus que viviam fora da Palestina. É possível que os destinatários fossem os primeiros convert idos em Jerusalém, que, após a morte de Estevão, foram dispersos pela perseguição (At 8.1) até a Fenícia, Chipre, Antioquia da Síria e além (At 11.19). Isso explicaria: • A ênfase inicial da carta quanto ao sofrer com alegria as provações que testam a fé e que demandam perseverança (Tg 1.2-12); • O conhecimento pessoal que Tiago demonst ra ter pelos crentes “dispersos” . O Senhor Jesus Cristo c muito miser icordioso e compassivo, diz Tiago (Tg 5.11) ouve a oração e levanta os enfermos (Tg 5.14,15) dá sabedoria aos necessitados (Tg 1.7) e exalta os humildes (Tg 4.10). Ele é o glorioso Senhor Jesus Cristo (Tg 2.1) que está interessado em cada ato de todo indivíduo (Tg 4.15) e tem prometido a coroa de vida a todos os que O amam (Tg 1.12). 104 Autor Como pastor da igreja de Jerusalém, Tiago escreve às suas ovelhas dispersas. A maneira do autor se ident ificar s implesmente como “Tiago” (Tg 1.1), reve la sua posição de destaque na obra. Tiago, meio- irmão de Jesus e dirigente da igreja de Jerusalém, é gera lmente tido como o autor. Seu discurso no Concíl io de Jerusalém (At 15.13-21), bem como as descrições dele noutras partes do Novo Testamento (At 12.17; 21.18; G1 1.19; 2.9,12; ICo 15.7) correspondem perfeitamente com o que se sabe dele como autor desta epístola. Data e as Circunstâncias O mais provável é que Tiago tenha escr i to esta epís to la durante a década dos 40 d.C. A data tão re m o ta 1 para a escri ta provém de vários fatores, por exemplo, Tiago emprega a palavra grega synagoge (lit. “s inagoga” ) para referi r-se ao local de reunião dos cr istãos (Tg 2.2). Segundo o his to r iador juda ico Josefo, Tiago, irmão do Senhor, foi mart ir izado em Jerusalém, em 62 d.C. Por várias razões supõe-se que a Epís tola de Tiago foi escrita numa época bem cedo. O uso da palavra “s inagoga” para a reunião dos irmãos (Tg 2.1,2) prova que os cr is tãos ainda não t inham sido apartados inteiramente das sinagogas. Também fala dos anciãos da igreja em Tiago 5.14, de modo que a comunidade cristã t inha-se tornado um tanto homogênea. 1 Que sucedeu há muito tempo; antigo, longínquo. 105 A falta de uma menção de diáconos ou de bispos pode não ter significado algum, mas todo o espíri to da carta é de uma s ingeleza1 e l iberdade genuínas no culto. Ao mesmo tempo transcorrera tempo suficiente para que se estabelecessem congregações no exter ior da Judéia, e ainda dá a entender que t inham abusado da doutrina da jus tif icação pela fé em Cristo, levada a um extremo incorreto. Não se mencionam nela a destruição da cidade de Jerusalém, nem mesmo a questão de os gentios serem participantes, com os judeus, das promessas do Evangelho. Portanto, temos a certeza de que a carta é anterior ao ano 70, quando Jerusalém foi destruída, ou muito depois, quando esse fato já não era lembrado, o que é impossível. É muito provável também que fosse escri ta antes do Concíl io em Jerusalém (At 15), perto do ano 49. Assim, pois, admitimos que a data da carta seja entre 45 e 49. Há várias referências a fenômenos naturais que nos levam a pensar na Palest ina como o lugar de origem para a Epístola: o mar (Tg 1.6; 3.4); figos e azeitonas (Tg 3.12); fontes de água doce ou amarga (Tg 3.11,12); vento abrasador (Tg 1.11); as primeiras e as últ imas chuvas (Tg 5.7). Foi dirigida às doze tribos da dispersão, o que indica também que é de origem pales tin iana ou de Jerusalém. Tiago quis ajudar os judeus cristãos dispersos a manter um bom testemunho moral e ético. Se os crentes da sua congregação em Jerusalém tivessem dificuldades em suas vidas, e muitos deles foram dispersos entre as nações gentí l icas, era natural que Tiago sentisse o impulso do Espíri to Santo para escrever-lhes uma carta com o fim de exortá-los e admoestá-los na vida espiri tual. 1 Qualidade de singelo. Simples. 106 Propósito Tiago escreveu: • Para encorajar os crentes judeus que enfrentavam várias provações, que punham sua fé à prova; • Para corrig ir crenças errôneas a respeito da natureza da fé salvífica; • Para exor tar e ins truir aos lei tores concernentes ao resultado prático da sua fé na vida de retidão e nas boas obras. Visão Panorâmica Esta epístola trata de uma ampla variedade de temas re lacionados à verdadeira vida cristã. Tiago exorta os crentes a suportarem com alegria as suas provações e a t irarem provei to delas (Tg 1.2-11), exorta-os a resist i rem às tentações (Tg 1.12-18), a serem praticantes da Palavra e não apenas ouvintes (Tg 1.19- 27) e a demonstrarem uma fé ativa, e não uma prof issão de fé vazia (Tg 2.14-26). Adverte solenemente contra a pecaminosidade de uma língua indom áve l1 (Tg 3.1-12; 4.11,12), a sabedoria carnal (Tg 3.13-16), a conduta pecaminosa (Tg 4.1-10), a vida presunçosa1 2 (Tg 4.13-17), e a r iqueza egocêntrica (Tg 5.1-6). Tiago encerra ressal tando a paciência, a oração e a restauração dos desviados (Tg 5.7-20). Em todos os cinco capítulos destaca-se o re lacionamento entre a verdadeira fé e a vida piedosa. A fé genuína é uma fé provada (Tg 1.2-16), at iva (Tg 1.19- 27), pela qual se ama o próximo como a si mesmo (Tg 2.1-13), manifesta-se pelas boas obras (Tg 2.14- 1 Impossível de domar; indomesticável. 2 Que ou aquele que tem ou denota presunção; pretensioso. 107 26), mantém a l íngua sob rígido controle (Tg 3.1-12), busca a sabedoria de Deus (Tg 3.13-18), submete-se a Deus como ju s to ju iz (Tg 4.1-12), confia em Deus para 0 viver de cada dia (Tg 4.13-17), não é egocêntrica, nem l ibe r t ina1 (Tg 5.1-6), é paciente no sofrimento (Tg 5.7-12) e d il igente1 2 na oração (Tg 5.13-20). Características Especiais Sete característ icas principais ass inalam esta epístola: 1. É muito provável que ela tenha sido o primeiro livro do Novo Testamento a ser escrito. 2. Em bora contenha apenas duas referências nominais a Cristo, há nela mais alusões aos ensinos de Jesus do que todas as demais do Novo Testamento. Isso inclui 15 referências ao Sermão do Monte. 3. Mais da metade dos seus 108 versículos são expressões imperativas , ou mandamentos. 4. Sob vários aspectos, é o livro de Provérbios do Novo Tes tamento , pois: 5. Es tá repleto de sabedoria divina e instruções práticas, visando a uma vida cristã realista; a) Es tá escri to em esti lo sucinto3, com preceitosdiretos e analogias realistas. b) Tiago é um hábil observador dos fenômenos naturais e da natureza humana pecaminosa. Repet idas vezes, ele extrai l ições disso para desmascarar esta última (Tg 3.1-12). 6. Mais do que qualquer outro livro do Novo Testamento, Tiago destaca o devido re lacionamento entre a fé e as obras (principalmente Tg 2.14-26). 1 Devasso, dissoluto, depravado, l icencioso. 2 Ativo, zeloso, aplicado. Ligeiro, rápido. 3 Breve, resumido, condensado, conciso. 108 7. Tiago, às vezes, é chamado o Amós do Novo Testamento por tratar com fi rmeza a in jus tiça e as desigualdades sociais. 109 Questionário • Assinale com “X ” as alternativas corretas 6. Conforme a Palavra de Deus, é a condição básica para ser salvo e receber de Deus auxílio em todos os aspectos a ) l | O amor b ) 0 A fé c ) |_j A alegria d ) |_] O sofrimento 7. A Epís tola de Tiago foi originalmente escri ta para uma comunidade maior que uma igreja local , portanto , é classi ficada como a) | I Epís to la comunitária b ) |_] Epísto la pastoral c M Epís to la universal d)|_] Epís tola interdenominacional 8 9 8. Por tratar com firmeza a injustiça e as desigualdades sociais, Tiago às vezes é chamado de a) Q Habacuque do Novo Testamento b ) |______ j Malaquias do Novo Testamento c ) l I Sofon ias do Novo Testamento d ) 0 Amós do Novo Testamento • Marque “C ” para Certo e “E ” para Errado 9 . m Mais do que qualquer outro livro do Novo Testamento, Tiago destaca o devido re lacionamento entre a fé e as obras 1 0 . 0 Tiago é um hábil observador dos fenômenos naturais e da natureza humana pecaminosa 110 Lição 5 Cartas Gerais: 1 e 2Pedro; l,2 ,3João e Judas Primeira Carta de Pedro Autor: O Apóstolo Pedro Data: Cerca de 60-63 d.C. Tema: Sofr imento por Amor a Cristo Palavras-Chave: Sofrer, sofrimento Versículos-chave: IPe 4.12-13 Esta é a primeira de duas cartas no Novo Tes tamento escri tas pelo apóstolo Pedro ( I P e 1.1; 2Pe 1.1). Ele testi f ica que escreveu sua primeira carta com a ajuda de Silvano (cuja forma con t rac ta1 em grego é Silas), como seu escriba ( IP e 5.12). O grego fluente de Silvano e seu esti lo l iterário aparecem aqui, enquanto que, possivelmente , o grego menos e sm erado1 2 de Pedro apareça na sua segunda epístola. O tom e o conteúdo de IPedro combinam com o que sabemos a respeito de Simão Pedro. Os anos em que viveu no estreito convívio com o Senhor Jesus estão impl íc itos nas suas referências à morte de Jesus ( IP e 1.11,19; 2.21-24; 3.18; 5.1) e à sua ressurreição ( IP e 1.3,21; 3.21). Indiretamente, ele parece referir-se, inclusive, às ocasiões em que Jesus lhe apareceu na 1 Contraído. 2 Em que há esmero; apr imorado, apurado, elegante; bem- acabado, acabado. 111 Oaule ia , depois da ressurreição ( I r e z.23; o.2a; Jo 21.15-23). Além disso, muitas semelhanças ocorrem entre esta carta e os sermões de Pedro regis trados em Atos. Pedro dirige esta carta aos “estrangeiros d ispersos” nas províncias romanas da Ásia Menor ( IPe 1.1). Alguns destes, talvez hajam se conver tido no dia de Pentecoste , ao ouvirem a mensagem de Pedro, e re tornaram às suas respectivas cidades levando a fé que acabavam de conhecer (At 2.9,10). Estes crentes são chamados “peregrinos e foras te iros” ( IP e 2.11), re lembrando-lhes, assim, que a peregrinação cristã ocorre num mundo hostil a Jesus Cristo, mundo este do qual só podem esperar perseguição. É provável que Pedro escreveu esta carta em resposta a informes dos crentes da Ásia Menor sobre a crescente oposição a eles ( IP e 4.12-16) , ainda sem consentimento do governo ( I P e 2.12-17). Pedro escreveu de “Babi lônia” ( I P e 5.13). Isto pode referir-se l i teralmente à cidade de Babilônia, na Mesopotâmia , ou pode ser uma expressão figurada referente a Roma, o centro principal de oposição a Deus, no século primeiro. Embora Pedro possa ter visitado alguma vez a grande colônia de judeus or todoxos em Babi lônia, é mais consen tâneo1 entender, . ,.1, : , -sença de Pedro, Cilas ( IPe 5.12) e Marcos ( IPe 5.13), juntos em Roma (Cl 4.10). Propósito Pedro escreveu esta epístola de alegre esperança a fim de levar o crente a ver a perspectiva divina e eterna da sua vida terrestre e prover orientação 1 Apropr iado, adequado. Congruente, coerente. 112 prática aos cristãos que se encontravam sob o fogo do sofrimento entre os pagãos. O cuidado de Pedro visava evita r que os crentes não perturbassem sem necessidade o governo, e sim que seguissem o exemplo de Jesus no sofrimento, sendo inocente , mas portando-se com retidão e dignidade. Visão Panorâmica IPedro começa lembrando os leitores: • De que têm uma vocação gloriosa e uma herança celestial em Jesus Cristo ( IP e 1.2-5); • De que sua fé e amor nesta vida estarão sujeitos as provas e purif icações e que isso resultará em louvor, glória e honra na vinda do Senhor ( IP e 1.6- 9); • De que essa grande salvação foi predita pelos profetas do Antigo Testamento ( IPe 1.10-12); • De que o crente deve viver uma vida santa, bem diferente do mundo ímpio ao seu redor ( I P e 1.13- 21). Os crentes, escolh idos e santif icados ( I P e 1.2), são crianças em cresc imento que precisam do puro leite da Palavra ( I P e 2.1-3), são pedras vivas em que estão sendo edificadas como casa espir i tual ( IPe 2.4-10) e peregrinos, caminhando em terra est ranha ( IP e 2.11,12); devem viver de modo honroso e humilde no seu trato com todas as pessoas durante a sua peregrinação aqui ( I P e 2.13- 3.12). A mensagem preem inen te1 de IPedro diz respeito à submissão e a sofrer, perseverando na retidão, por amor a Cristo, de conformidade com o próprio exemplo dEle ( IP e 2.18-24; 3.9-5.11). Pedro 1 Que ocupa lugar mais elevado. 113 assegura aos fieis que eles obterão o favor e a recompensa de Deus ao sofrerem por causa da jus tiça. No contexto desse ensino do sofrimento por Cristo, Pedro ressa lta os temas c o n ex o s1 da salvação, da esperança, do amor, da fé, da santidade, da humildade, do temor a Deus, da obediênc ia e da submissão. Características Especiais Cinco característ icas principais vemos nesta epístola: 1. Juntamente com Hebreus e Apocalipse , sua mensagem gira em torno dos crentes sob a perspectiva de severa perseguição, por per tencerem a Jesus Cristo; 2. Mais do que qualquer outra epístola do Novo Testamento, contém instruções sobre o comportamento do cristão ante à perseguição e aos sofr imentos injustos ( IP e 3.9-5.11); 3. Pedro destaca a verdade de que o crente é estrangeiro e peregrino na terra ( I P e 1.1; 2.11); 4. Mui tos dos t ítulos do povo de Deus no Antigo Testamento são aplicados aos crentes do Novo Testamento ( IP e 2.5,9,10); 5. Contém um dos trechos do Novo Testamento de mui difíci l interpretação: quando, onde e como Jesus “pregou aos espíri tos em prisão, os quais em outro tempo foram rebeldes. . . nos dias de N oé” ( IPe 3.19,20). 1 Que tem, ou em que há conexão. 114 Autor: O Apóstolo Pedro Data: Gerca de 66-68 d.G. Tema: A Verdade de Deus e o Falso Ensino dos Homens Palavras-Chave: Saber, conhecimento , promessa Versículo-chave: 2Pe 2.1 Na saudação, Simão Pedro identif ica-se como o autor da carta. Mais adiante ele declara aos seus lei tores que esta é a sua segunda epístola (2Pe 3.1), indicando ass im que está escrevendo aos mesmos crentes da Ásia Menor , a quem dir igira a primeira epístola ( IP e 1.1). Alguns estudiosos do passado e do presente, ignorando certas notáveis semelhanças entre 1 e 2Pedro e destacando ao invés disso, as diferenças entre elas, supõem que não é de Pedro a autoria da carta. Essas diferenças de conteúdo, vocabulário, ênfases e esti lo l i terário podem ser uma decorrência das diferentes c ircunstânc ias de Pedro e de seus leitores, nas duascartas: As c ircunstânc ias originais dos endereçados haviam mudado. Antes, ardia o fogo da perseguição movida pela sociedade em derredor; agora, eram ataques vindos de dentro, através dos falsos mestres que ameaçavam os fundamentos da igreja: a verdade e a santidade. As c ircunstânc ias de Pedro também eram outras. Enquanto na primeira carta ele contou com a cooperação eficiente de Si lvano .na escri ta ( IP e 5.12), parece que agora este últ imo não estava disponível ao Segunda Carta de Pedro 115 ser e s c m a e s t a s e g u n u a e p i s i o i a . r a i v e / , , r e u i u i cn na empregado seu próprio grego galileu singelo, ou serviu-se de um escriba menos hábil do que Silvano. O Senhor Jesus Cristo é nosso Deus e Salvador, que nos resgatou e nos deu todas as coisas pertencentes à vida e à piedade. Em Sua primeira vinda manifestou outrora a Sua majestade, a qual foi vista pelo autor desta Epís to la e outras testemunhas . Agora é o Soberano Senhor que sabe livrar da tentação os piedosos, e a Quem somos exortados a conhecer mais e mais, para não ficarmos ociosos e infrutíferos na vida espiri tual . Ele há de vir outra vez, mas demorará, para que mais pessoas sejam salvas por meio do arrependimento e da fé nEle. Sua vinda trará uma grande transformação a todo o mundo, porque haverá uma conf lagração1 em que os elementos se desfarão e haverá novos céus e uma nova terra. Data e as Circunstâncias Visto que Pedro, assim como Paulo, foi executado por decreto do perverso Nero (que, por sua vez, morreu em junho de 68 d.C.), é mais provável que Pedro escreveu esta epístola entre 66 e 68 d.C., pouco antes do seu martír io em Roma (2Pe 1.13-15). Por sua referência à Primeira Epís to la vê-se que esta é dirigida às mesmas igrejas na Ásia Menor, e que é depois daquela. Como a primeira dava muitas exor tações posit ivas, esta fala acerca dos falsos mestres e dos seus erros, dando a entender que o erro estava mais desenvolvido ou, propagado e que Pedro t inha recebido notícias novas de lá. Só nesta Epís tola o 1 Revolução. Guerra generalizada. 116 autor faz referência à sua velhice e à morte próxima. Por essa razão, cremos que esta carta foi escri ta lá pelo ano 67. A primeira carta foi escri ta com o propósi to de confortar os cristãos no meio de suas perseguições. Esta tem como objetivo ajudá-los na sua vida cristã, admoestando-os a que continuem fiéis, a despeito dos falsos mestres. O erro, porém, não estava tão desenvolv ido para que o autor o mencionasse por nome nem expl icasse ponto por ponto suas divergências da verdade. Pelo que podemos deduzir da carta, foi escri ta às igrejas que es tavam nas mesmas condições em que se encontravam as da Ásia Menor no tempo do martír io tradicional de Paulo e de Pedro. Da parte dos judeus e dos gentios, mestres do gnostic ismo queriam enganá- los; da parte do governo, começou a perseguição, porquanto não adoravam o imperador. Propósito Pedro escreveu: • Para exortar os crentes a buscarem com di l igênc ia1 a santidade de vida e o verdadeiro conhecimento de Cristo; • Para desmascarar e repudiar a atividade traiçoeira dos falsos profetas e mestres que agiam nas igrejas da Ásia Menor, perver tendo a verdade bíblica. • Pedro resume o propósi to do livro, em 2Pedro 3.17,18, onde exorta os crentes verdadeiros: a estarem alerta para não serem enganados por homens perversos (2Pe 3.17); a crescerem “na graça e conhecimento de nosso Senhor e- Salvador Jesus Cris to” (2Pe 3.18). 1 Cuidado ativo; zelo, aplicação. 117 Visão Panorâmica Esta breve epístola solenemente instrui os crentes a tomarem posse da vida e da piedade, mediante o verdadeiro conhecimento de Cristo. O primeiro capí tu lo acentua a importância do crescimento cristão. Tendo começado pela fé, o crente deve buscar dil igentemente a excelência moral, o conhecimento, a temperança, a perseverança, a piedade, o amor fraternal e a car idade (amor a lt ru ís ta1), que levam à fé madura e ao verdadeiro conhecimento do Senhor Jesus (2Pe 1.3- 11). O capítulo seguinte adverte solenemente contra os falsos profetas e mestres que surgem dentro das igrejas. Pedro os denuncia como anarquistas e pern ic iosos1 2 3 (2Pe 2.1,3; 3.17), que se comprazem nas concupiscências da carne (2Pe 2.2,7,10,13,14,18,19); são cobiçosos (2Pe 2.3,14,15), arrogantes (2Pe 2.18) e obstinados^ (2Pe 2.10) e que desprezam a autoridade (2Pe 2.10-12). Pedro procura resguardar os verdadeiros crentes contra as suas heresias destrutivas (2Pe 2.1) pondo a descoberto seus motivos e conduta malignos. No capítulo 3, Pedro re fu ta4 o cetic ismo5 desses mestres , no tocante à vinda do Senhor (2Pe 3.3,4). Ass im como a geração dos dias de Noé, enganada, zombava da idéia do ju ízo da parte de Deus, 1 Desprendimento , abnegação. 2 Mau, nocivo, ruinoso; perigoso. 3 Pertinaz, firme, relutante. Teimoso, birrento. Inflexível, irredutível. 4 Dizer em contrário; desmentir; negar. 5 Atitude ou doutrina segundo a qual o homem não pode chegar a qualquer conhecimento indubitável, quer nos domínios das verdades de ordem geral, quer no de algum determinado domínio do conhecimento. Estado de quem duvida de tudo; descrença. 118 através de um grande dilúvio, esses outros zombadores estão igualmente cegos quanto às promessas da volta de Cristo. Mas, com a mesma certeza manifes ta no ju lgamento pelo dilúvio (2Pe 3.5,6), Cristo voltará e desintegrará a presente terra, no fogo (2Pe 3.7-12), e criará uma nova ordem sob a jus t iça (2Pe 3.13). Tendo em vista esse fato, os crentes devem viver vidas santas e piedosas na presente era (2Pe 3.11,14). Características Especiais Esta carta tem quatro carac terís t icas principais: 1. Ela contém uma das declarações de maior peso em toda a Bíblia no tocante à inspiração, à f idedignidade e à autoridade das Sagradas Escrituras (2Pe 1.19-21); 2. 2Pedro 2 e a epís to la de Judas têm semelhanças notáveis na incriminação dos falsos mestres. Talvez Judas, enfrentando em data pos terior o mesmo problema dos falsos mestres, empregou trechos dos ensinos inspirados de Pedro, para transmiti r a mesm a lição (ver Introdução a Judas); 3. O capítulo 3 é um dos grandes capítulos do Novo Testamento sobre a segunda vinda de Cristo; 4. Pedro cita indiretamente os escri tos de Paulo como Escrituras, ao mencioná-los juntamente com “as outras Escr i turas” (2Pe 3.15,16). 119 Questionário • Assinale com “X ” as alternativas corretas 1. Pedro testif ica que escreveu sua primeira carta com a ajuda de a) l | Barnabé b ) |_j Tíquico c ) S Silvano d ) l 1 Áquila 2. A mensagem de IPedro gira em torno dos crentes sob a perspectiva de severa perseguição, por pertencerem a Jesus Cristo, jun tamente com aj f / l Hebreus e Apocalipse b ) |_j Hebreus e Atos c ) | | Atos e Apocalipse d) l 1 Hebreus e Tiago 3. As duas cartas de Pedro são escritas aos crentes a)|_| Romanos bjf/1 Dispersos da Ásia Menor c ) |_| Gregos d ) | I Judeus Marque “C ” para Certo e “E ” para Errado 4.R-1 IPedro foi escrita com o propósito de confor tar os cristãos no meio de suas perseguições 2Pedro 2 e a epístola de Tiago têm semelhanças5. notáveis na incriminação dos falsos mestres 120 Primeira Carta de João Autor: O Apóstolo João Data: 85-95 d.C. Tema: Verdade e Justiça Palavras-Chave: Amor, conhecer , vida, luz, comunhão Versículos-chave: 1 Jo 5.11-12 Cinco l ivros do Novo Testamento levam o nome de João: um Evangelho, três epístolas e o Apocalipse. Embora João não se identif ique pelo nome nesta epístola, testemunhas do século II (Papias, Ir ineu, Tertuliano, Clemente de Alexandria) af irmam que ela foi escri ta pelo apóstolo João, um dos doze primeiros discípulos de Jesus. Fortes semelhanças no esti lo, no vocabulário e nos temas, entre U o ão e o Evangelhosegundo João, sancionam o testemunho f idedigno dos cristãos pr imitivos, af irmando que os dois livros foram escritos pelo apóstolo João; não há indicação dos destinatários desta carta, como também não há saudações, nem menção de pessoas, lugares ou eventos. A explicação mais provável dessa forma rara epis tolar é que João escreveu de onde residia, em Efeso, a certo número de igrejas da província da Ásia, que estavam sob sua responsabil idade apostólica (Ap 1.11), o assunto principal desta epístola é o problema dos falsos ensinos a respeito da salvação em Cristo e seu processo no crente. Certas pessoas, que an ter io rmente conviveram com os lei tores da epístola, deixaram as congregações ( l J o 2.19), mas os resul tados dos seus falsos ensinos continuavam a d is to rcer1 o evangelho, quanto a “saber” que t inham a vida eterna. Doutr inariamente , a sua heresia negava que Jesus é o 1 Mudar o sentido, a intenção, a substância de; desvirtuar. 121 carne ( l J o 4.2,3). Na área moral, ens inavam que não era necessário à fé salvífica ( l J o 1.6; 5.4,5), a obediência aos mandamentos de Jesus ( l J o 2.3-4; 5.3) e uma vida santa, separada do pecado ( l J o 3.7-12) e do mundo ( l J o 2.15-17). O Autor O apóstolo João, f ilho de Zebedeu, irmão de Tiago e que andou com o Senhor durante Seu ministér io terreno ( l J o 1.1-4; 4.14). É verdade que o autor não é nomeado na Epístola, como tampouco no quarto Evangelho , mas não há dúvida de que o mesmo homem foi usado pelo Espíri to Santo para escrever ambos os l ivros. O uso que faz das palavras-chaves “ luz” , “v ida” , “amor” é sufic iente para fazer-nos ver que é a mesma mente funcionando sob a inspiração do mesmo Espíri to. Não obstante, há muitas outras semelhanças, de maneira que sabemos que o apóstolo João é o autor humano da carta. No Evangelho segundo João, disse que foi ele quem reclinou sua cabeça sobre o peito de Jesus na últ ima ceia, e outra vez que foi aquele a quem o Salvador amava e de quem Pedro perguntou em João 21.20-24. Agora, comparando o prólogo do Evangelho (Jo 1.1-18) com o da Epístola ( l J o 1.14), notando especialmente o uso do termo “V erbo” , existe uma prova clara, porque não há outro escri tor na Bíblia que use este modo de começar seus l ivros. Também a semelhança em suas referências ao pecado, à vida eterna, ao Salvador do mundo, à água e ao sangue, etc., mostra-nos que João é o autor de ambos os livros. Cer tamente o autor foi um apóstolo ( l J o 4.6), que escreveu por inspiração consciente ( l J o 5.13 e muitas outras referências). 122 A única re fe rência que faz exceção na tradição, de que João, o apóstolo , seja o autor desta Epístola , é a idéia apresentada, sem qualquer fundamento , de que algum ancião desconhecido, também chamado João, a tenha escri to. Todos os escri tores antigos, desde Pol icarpo em diante, a tr ibuem-na a João, o Apóstolo. Papias conheceu pessoalmente João, e Eusébio diz que Papias fazia citações desta Epístola, chamando-a “A Epístola anter ior de Jo ão ” . Achava-se no Muratori e no antigo Siríaco. Ir ineu, Clemente de Alexandria , Tertul iano e muitos outros fazem citações do livro como apostólico e inspirado. Propósito O propós ito de João ao escrever esta epís to la foi duplo: • Expor e reba ter os erros doutrinár ios e éticos dos falsos mestres; • Exortar seus fi lhos na fé a manter uma vida de santa comunhão com Deus, na verdade e na jus tiça , cheios de alegria ( l J o 1.4) e de cer teza da vida eterna ( l J o 5.13), mediante a fé obediente em Jesus, o Filho de Deus ( l J o 4.15; 5.3-12), e pela habitação interior do Espír i to Santo ( l J o 2.20; 4.4,13). Alguns crêem que a epís to la também foi escri ta como uma sequência do Evangelho segundo João. Visão Panorâmica A fé e a conduta estão for temente entre laçadas nesta carta. Os falsos mestres, aos quais João chama aqui de “anticri s tos” ( l J o 2.18-22), apar taram-se do ensino apostól ico sobre Cristo e a vida de retidão. De modo 123 com veem ênc ia1 os falsos mest res ( l J o 2.18,19,22,23, 26; 4.1,3 ,5) com suas crenças e conduta destruidoras. Do ponto de vista posi t ivo, U oão expõe as caracterís t icas da verdadeira comunhão com Deus ( l J o 1.3-2.2) e revela cinco evidências específicas pelas quais o crente poderá “saber” , com confiança e certeza, que tem a vida eterna: 1. A evidência da verdade apostól ica a respeito de Cristo ( l J o 1.1-3; 2.21-23; 4.2,3 ,15; 5.1,5,10,20); 2. A evidência de uma fé obediente que guarda os mandamentos de Cristo ( l J o 2.3-11; 5.3,4); 3. A evidência de um viver santo, isto é, afastar-se do pecado, para comunhão com Deus ( l J o 1.6-9; 2.3- 6,15-17,29; 3.1-10; 5.2,3); 4. A evidência do amor a Deus e aos irmãos na fé ( l J o 2.9-11; 3.10,11,14,16-18; 4.7-12,18-21) ; 5. A evidência do tes temunho do Espíri to Santo no crente ( U o 2.20,27; 4.13). João afirma, por fim, que a pessoa pode saber com cer teza que tem a vida eterna ( l J o 5.13) quando estas cinco evidências são manifestas na sua vida. Características Especiais Cinco característ icas principais há nesta epístola: 1. Ela define a vida cristã empregando termos contrastantes e evitando todo e qualquer meio- termo entre luz e trevas, entre verdade e mentira, entre jus tiça e pecado, entre amor e ódio, entre amar a Deus e amar ao mundo, entre f ilhos de Deus e filhos do diabo, etc. 1 Intensidade, atividade, vivacidade. 124 2. É importante r e ssa l ta r1 que este é o único escri to do Novo Tes tamento que fala de Jesus como nosso “Advogado (gr. parak le to s) para com o Pa i” , quando o crente fiel peca ( l J o 2.1,2; cf. Jo 14.16,17,26; 15.26; 16.7,8). 3. A mensagem de U o ã o fundamenta-se quase que in te iramente no ensino apostólico, e não na revelação anter ior do Antigo Testamento ; não há c laramente na car ta referências às Escri turas do Antigo Testamento. 4. Visto tratar da cris tologia, e ao mesmo tempo refutar de te rminada heresia, a carta focaliza a encarnação e o sangue (i.e., a cruz) de Jesus, sem mencionar especif icamente a sua ressurreição. 5. Seu esti lo é simples e re itera tivo1 2, à medida que João apresenta certos termos principais, como “luz” , “verdade” , “c rer” , “permanecer” , “conhece r” , “amor” , “ju s t i ç a” , “ tes temunho” , “nascido de D eu s” e “vida e te rna” . 1 Tornar saliente; dar vulto ou relevo a; relevar, destacar. 2 Repet it ivo, renovado; iterativo. 125 Autor: O Apósto lo João Data: 85-95 d.C. Segunda Tema: Andando na Verdade Carta de J o ã o Palavras-Chave: Amor, Verdade Versículos-chave: 2Jo 9-10 João dirige esta car ta “à senhora eleita e a seus f i lhos” (2Jo 1). Alguns in terpretam “a senhora e le i ta” , f iguradamente, como uma igreja local , sendo “ seus f i lhos” os membros dessa igreja e sua “irmã, a e le i ta” (2Jo 13), como uma congregação idêntica. Outros interpre tam a endereçada, l i teralmente, como uma viúva cristã de destaque, conhecida de João, numa das igrejas da Ásia Menor, sob seus cuidados pastorais. A família dessa senhora (2Jo 1), bem como os filhos da sua irmã (2Jo 13) são pessoas de destaque entre as igrejas daquela região. Autor O autor se identifica como “o ancião” (2Jo 1). Provavelmente, um tí tulo honroso atribuído ao apóstolo João nas duas décadas finais do século I, devido a sua idade avançada e sua respeitável posição de autoridade espiritual como o único dos doze apóstolos ainda vivo. Data r Como as outras epístolas de João, 2João provavelmente foi escri ta de Éfeso, em fins da década de 80 ou no começo da década de 90 d.C. 126 Propósito João escreveu esta carta a f im de prevenir “a senhora e le i ta” contra os falsos obreiros (mestres, evangelis tas e profetas) que perambulavam pelas igrejas. Os tais abandonaramos ensinos do evangelho e propagavam os seus falsos ensinos. A dest inatária não devia recebê-los , dia logar com eles, nem auxiliá-los. Fazer isso, s ignif icar ia ajudá-los a d is seminar os seus erros e par tic ipar da sua culpa. A carta repudia o mesmo falso ensino denunciado em U oão . Visão Panorâmica Esta epís to la realça uma adver tênc ia1, que também se acha em U oão , sobre o per igo de falsos mestres que negam a encarnação de Jesus Cristo e que se afastam da mensagem do evangelho (2Jo 7,8). João se alegra por ver que “a senhora e le i ta” e seus filhos “andam na verdade” (2Jo 4). O verdadeiro amor cristão deve ser obediente aos mandamentos de Cris to e ser mútuo entre os irmãos (2Jo 5,6). O amor cris tão deve também incluir o discernimento" entre a verdade e o erro, e também não dar apoio aos falsos mestres (2Jo 7- 9). Receber amavelmente os falsos mestres é part ic ipar dos seus erros (2Jo 10,11). A carta é breve, pois João planeja uma visita para breve, e ass im falar-lhe “de boca a boca” (2Jo 12). 1 2 1 Admoestação, aviso, adversão. 2 Faculdade de ju lgar as coisas clara e sensatamente; critério, tino, juízo. 127 epístola. 1. É o menor livro do Novo Testamento; 2. Tem semelhanças surpreendentes com 1 e 3João, quanto à sua mensagem, vocabulário e esti lo simples de escrita; 3. Consti tui -se num importante complemento à mensagem de 3João, como prevenção quanto a receber e ajudar obreiros estranhos, desconhecidos. Conclui, insist indo na necessidade de cuidadoso discernimento, à luz dos ensinos de Cristo e dos apóstolos, antes de alguém apoiar esses falsos obreiros. S ã o t r ês as c a r a c t e r í s t i c a s p r i n c i p a i s d e s t a 128 Terceira Carta de João Autor: O Apósto lo João Data: 85-95 d.C. Tema: Procedendo com Fidel idade Palavras-Chave: Amor, verdade Versículo-chave: 3Jo 11 Esta carta pessoal é endereçada a um fiel cr istão chamado Gaio (3Jo 1), talvez pertencente a uma das igrejas da Ásia Menor. Ass im como as demais epís to las de João, Em fins do primeiro século, minis tros i t inerantes1 da igreja via javam de cidade em cidade, sendo com um ente1 2 sustentados pelos crentes que os acolhiam em casa e os a judavam nas despesas de v iagem (3Jo 5-8; 2Jo 10). Gaio era um dos mui tos cr istãos dedicados que graciosamente acolhiam e auxil iavam ministros via jantes de confiança (3Jo 1-8). Ao mesmo tempo, um homem de projeção chamado Diótrefes res ist ia com arrogância à autoridade de João e recusava hospital idade aos irmãos viajantes, enviados da parte deste. Propósito João escreveu para dar testemunho de Gaio pela sua fiel hospi ta lidade e ajuda prestada aos fiéis obreiros viajantes, para fazer uma adver tência indireta ao pe tu lan te3 Diótrefes e para preparar o caminho da sua própr ia visi ta pessoal. 1 Que viaja, que percorre it inerários. 2 Em geral, ordinariamente. 3 Atrevido, ousado, insolente. 129 visão ranoramica Três homens são mencionados por nome em 3João: 1. Gaio é calorosa e honrosamente mencionado pela sua piedosa vida na verdade (3Jo 3,4), e pela sua hospi ta lidade exemplar para com os irmãos viajantes (3Jo 5-8); 2. Diótrefes, um dirigente ditador, é denunciado pelo seu orgulho (“procura ter entre eles o p r im ado” , 3Jo 9 ) , cujas manifestações são: rejei tar uma carta anterior de João (3Jo 9), calúnia contra João (3Jo 10) , recusar o acolhimento aos mensage iros de João e ameaçar com exclusão aqueles que os receberem (3Jo 10); 3. Demétrio, talvez o portador desta carta, ou pastor de uma comunidade na vizinhança, é louvado como um homem de boa reputação e lealdade à verdade (3Jo 12). Características Especiais Duas característ icas principais sobressaem nesta epístola: 1. Embora seja pequena, dá uma noção de várias facetas impor tantes da história da igreja primitiva, perto do final do século I. 2. Há semelhanças notáveis entre 3João e 2.1oão. Mesmo assim, as duas epístolas diferem entre si em um aspecto importante: 3João elogia a hospital idade e ajuda oferecida aos bons ministros viajantes, ao passo que 2João acentua que não se conceda hospi ta lidade e sustento a maus obreiros, para não sermos culpados de apoiar seus erros ou más obras. 130 Autor: Judas Data- 70-80 d .ü . Tema: Batalhar pela Fé Palavras-Chave: Luta, a fé, manter Versículo-chave: Jd 3 Esta curta epístola, porém de l inguagem enérg ica , | foi escri ta contra os falsos mestres, /que eram aber tamente an t inomin ianos1 e que j zombando, re je itavam a revelação divina a respeito da Pessoa e da natureza de Jesus Cristo, segundo as EscriturasI(Jd 4). Dessa maneira ,^div id iam as igrejas,y concernente à fé (Jd 19a,22) e quanto à conduta (Jd 4,8,16). Judas descreve esses homens vis como “ím pios” (Jd 15), que “não têm o Espír i to” (Jd 19). O possível re lacionamento entre Judas e 2Pedro 2.1-3.4 depende do fator data do primeiro. O mais provável é que Judas t inha conhecimento de 2Pedro (Jd 17,18) e, daí, sua epís to la se si tuaria poster iormente , isto é, entre 70-80 d.C. Não está esc larecido sobre os destinatár ios , mas podem ter sido os mesmos de 2Pedro (ver in trodução de 2Pedro). Autor O escritor é Judas, meio irmão do Senhor Jesus (Mc 6.3). “Irmão de T iago” (Jd 1). Judas se identi fica s implesmente como o “irmão de T iago” (Jd 1). Os únicos irmãos do Novo Tes tamento que têm nomes de Judas e Tiago são os dois meio-irmãos de Jesus (Mt 13.55; Mc 6.3). Talvez Cartas de Judas 1 Ensinavam que a salvação pela graça lhes permitia pecar sem haver condenação. 131 do seu irmão, sendo dirigente da igreja de Jerusalém serviria para esc la recer sua própr ia identidade e posição. Propósito Judas escreveu esta carta: • Para, com empenho, advertir os crentes sobre a grave ameaça dos falsos mestres e sua inf luência destru idora nas igrejas; • Para energicamente conclamar todos os verdadeiros crentes a resolu tamente “batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Jd 3). Visão Panorâmica Seguindo-se à saudação (Jd 1,2), Judas revela que sua primeira intenção era escrever sobre a natureza da salvação (Jd 3a). Em vez disso, ele foi movido a esc rever sobre o assunto que se segue, por causa dos mestres apóstatas que estavam pervertendo a graça de Deus e, ao agirem assim, corrompiam a verdade e o caminho da retidão nas igrejas (Jd 4). Judas os acusa de impureza sexual (Jd 4,8,16,18), l iberais como Caim (Jd 11), cobiçosos como Balaão (Jd 11), rebeldes como Coré (Jd 11), arrogantes (Jd 8,16), enganosos (Jd 4 a , 12), sensuais (Jd 19) e causadores de divisões (Jd 19). Afirma a certeza do ju lgamento divino contra todos que vivem em tais pecados e i lustra esse fato com seis exemplos do Antigo Testamento (Jd 5- 11). Os doze fatos descritivos da vida deles revelam que a medida do seu pecado está cheia para o ju lgamento divino (Jd 12-16). Os crentes são despertados a crescer na fé e a ter compaixão com 132 temor, no tocante àqueles que estão vacilando na fé (Jd 20-23). Judas termina com palavras de louvor a Deus, de grande inspiração, ao im pe t ra r1 a sua bênção (Jd 24,25). Características Especiais Quatro caracterís t icas principais estão nesta epístola: 1. Contém a incriminação mais vigorosa e direta do Novo Testamento sobre os falsos mestres. Chama a atenção de todas as gerações para a gravidade do perigo constante da falsa doutr ina contra a genuína fé e a vida santa; 2. Exempli f ica o caso de i lus trações tríplices, e.g., três exemplos de ju lgamento t irados do Antigo Testamento (Jd 5-7), uma descrição tr íplice dos falsos mestres (Jd 8) e três exemplos de homens ímpios, t irados do Antigo Testamento (Jd 11); 3. Sob a plena inf luência do Espíri to Santo, Judas fez menção de vários escritos: a) As Escrituras do Antigo Testamento (Jd 5-7,11); b) As tradiçõesjudaicas (Jd 9,14,15); c) Citando dire tamente 2Pedro 3.3, que ele confi rma como procedente dos apóstolos (Jd 17,18). 4. Contém a bênção mais sublime do Novo Testamento. 1 Rogar, suplicar, pedir, requerer. Obter mediante súplicas. 133 Questionário • Ass inale com “X ” as alternativas corretas 6. Autor de cinco livros do Novo Testamento divididos em um Evangelho, três epístolas e o Apocalipse. a ) |_| Pedro (apóstolo) b) | , l João (apóstolo) c ) |_| Paulo (apóstolo) d ) |_] João Marcos 7. João em sua segunda epís to la se identifica como a) |_I Pregador b ) l | Miss ionário c ) |_| Pastor d ) |yl Ancião 8. 3João é uma carta pessoal endereçada a um fiel cr istão talvez pertencente a uma das igrejas da Ásia Menor por nome de a) F71 Gaio b ) |_| Diótrefes c ) |_j Onésimo d) D Silas • Marque “C ” para Certo e “E ” para Errado 9 . 0 Os únicos irmãos do Novo Testamento que têm nomes de Judas e Tiago são os dois meio- irmãos de Jesus 10.Qj Judas revela que sua primeira intenção era escrever sobre os mestres apóstatas que estavam pervertendo a graça de Deus. Em vez disso, ele foi movido a escrever sobre a natureza da salvação 134 Epístolas Paulinas e Gerais Referências Bibliográficas FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda; Novo A uré lio Século XXL, 3a Ed. Edi to ra Nova Fronteira; Rio de Janeiro , 1999. STAMPS, Donald C.; Bíblia de Estudo P en teco s ta l ; CPAD; Rio de Janeiro , 1995. MEARS, Henrie tta C.; Estudo P anorâm ico da B íb l ia ; Edi to ra Vida; São Paulo, 1995. 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Produtos Gráficos, Editoriais e Serigráficos em geral, Sinalização por Recorte Eletrônico de Adesivos, Arte Final Brindes Promoc ionais. Fone/Fax: (44) 642-1188 GUAÍRA - PR. 136 & IBADEP ptu O L O G ' * 1 IBADEP - Instituto Bíblico das Igrejas Evangélicas Assembléias de Deus do Estado do Paraná Av. Brasil, S/N° - Cx.Postal 248 - Fone: (44) 642-2581 Vila Eletrosul - 85980-000 - Guaíra - PR E-mail: ibadep@ ibadep.com - www.ibadep.com mailto:ibadep@ibadep.com http://www.ibadep.com