DIREITO CIVIL 1 ESQUEMATIZADO - 1ª edição

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metodológico denominado direito civil-constitucional, que estuda o direito 
privado à luz das regras constitucionais. Como já mencionado no item 1.5., retro, é 
digno de nota o fenômeno que se vem desenvolvendo atualmente, da acentuada in-
terferência do direito público em relações jurídicas até agora disciplinadas no Có-
digo Civil, como as contratuais e as concernentes ao direito de família e ao direito de 
propriedade, reguladas na Constituição Federal de 1988, a ponto de se afirmar hoje 
que a unidade do sistema deve ser buscada, deslocando para a tábua axiológica da 
Carta da República o ponto de referência antes localizado no Código Civil.

O direito civil-constitucional está baseado em uma visão unitária do sistema. 
Ambos os ramos não são interpretados isoladamente, mas dentro de um todo, me-
diante uma interação simbiótica entre eles. Segundo Paulo Lôbo, “deve o jurista in-
terpretar o Código Civil segundo a Constituição e não a Constituição segundo o Có-
digo, como ocorria com frequência (e ainda ocorre)”14. Com efeito, a fonte primá  ria 
do direito civil — e de todo o ordenamento jurídico — é a Constituição da Repú-
blica, que, com os seus princípios e as suas normas, confere uma nova feição à ciên-
cia civilista. O Código Civil é, logo após a incidência constitucional, o diploma legal 
bási co na regência do direito civil. Ao seu lado, e sem relação de subordinação ou 
dependência, figuram inúmeras leis esparsas, que disciplinam questões específicas, 
como, v.g., a lei das locações, a lei de direitos autorais, a lei de arbitragem etc.15.

A expressão direito civil-constitucional apenas realça a necessária releitura 
do Código Civil e das leis especiais à luz da Constituição, redefinindo as categorias 

13 Direito civil: teoria geral, p. 12-13.
14 Teoria geral das obrigações, p. 2.
15 Cristiano Chaves de Farias e Nelson Rosenvald. Direito civil, cit., p. 19.

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48 Direito Civil Esquematizado Carlos Roberto Gonçalves

jurídicas civilistas a partir dos fundamentos principiológicos constitucionais, da nova 
tábua axiológica fundada na dignidade da pessoa humana (art.1º, III), na solidarie-
dade social (art. 3º, III) e na igualdade substancial (arts. 3º e 5º)16.

 2.3.6. Eficácia horizontal dos direitos fundamentais

Tem-se observado um crescimento da teoria da eficácia horizontal (ou irradian-
 te) dos direitos fundamentais, ou seja, da teoria da aplicação direta dos direitos 
fundamentais às relações privadas, especialmente em face de atividades privadas 
que tenham um certo “caráter público” como matrículas em escolas, clubes associa-
tivos, relações de trabalho etc. O entendimento é que as normas definidoras dos di-
reitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata (eficácia horizontal ime-
diata). Certamente essa eficácia horizontal ou irradiante traz uma nova visão da 
matéria, uma vez que as normas de proteção da pessoa, previstas na Constituição 
Federal, sempre foram tidas como dirigidas ao legislador e ao Estado (normas pro-
gramáticas). Essa concepção não mais prevalece, pois a eficácia horizontal torna 
mais evidente e concreta a proteção da dignidade da pessoa humana e de outros va-
lores constitucionais17.

Na atividade judicante, poderá o magistrado, com efeito, deparar-se com inevitá-
 vel colisão de direitos fundamentais, quais sejam, por exemplo, o princípio da auto-
nomia da vontade privada e da livre iniciativa de um lado (arts. 1º, IV, e 170, caput) 
e o da dignidade da pessoa humana e da máxima efetividade dos direitos fun -
damentais (art. 1º, III) de outro. Diante dessa “colisão”, indispensável será a “pon-
deração de interesses”, à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmo-
 nização. Não sendo possível a harmonização, o Judiciário terá de avaliar qual dos 
inte resses deverá prevalecer18.

Caso emblemático registra a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, em 
que foi mantida decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que reintegrara as -
sociado excluído do quadro de sociedade civil, ao entendimento de que houve ofen  sa 
às garantias constitucionais do devido processo legal e do contraditório, bem como 
ao seu direito de defesa, em virtude de não ter tido a oportunidade de refutar o ato 
que resultara na sua punição. Entendeu-se ser, na espécie, hipótese de aplicação 
direta dos direitos fundamentais às relações privadas (RE 201.819/RJ, rel. p/ o 
acórdão Min. Gilmar Mendes, j. 11.10.2005). Outros precedentes da mesma Corte, 
entendendo razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas, po-
dem ser mencionados: 

 RE 160.222-8 — entendeu-se como “constrangimento ilegal” a revista em 
fábrica de lingerie; 

16 Gustavo Tepedino, Temas, cit., p. 1; Cristiano Chaves de Farias e Nelson Rosenvald, Direito civil, 
cit., p. 27.

17 Flávio Tartuce, Direito civil, v. 1, p. 114.
18 Pedro Lenza, Direito constitucional esquematizado, p. 677.

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49   Parte Geral

 RE 158.215-4 — entendeu-se como violado o princípio do devido processo 
legal e ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa, sem 
direito à defesa; 

 RE 161.243-6 — discriminação de empregado brasileiro em relação ao fran-
cês na empresa “Air France”, mesmo realizando atividades idênticas. Determi-
nação de observância do princípio da isonomia.

 2.4. RESUMO

Conceito de direito civil Direito civil é o direito comum, que rege as relações entre os particulares. Não se li-
mita ao que consta do Código Civil, abrangendo toda a legislação civil que regula di-
reitos e obrigações da ordem privada, inclusive a Constituição Federal.

A Codificação Com a Independência, em 1822, as Ordenações Filipinas continuaram a ser aplicadas 
entre nós, até que se elaborasse o Código Civil. Somente após a proclamação da Repú-
blica, com a indicação de Clóvis Beviláqua, foi aprovado, em janeiro de 1916, o Projeto 
de Código Civil por ele confeccionado, entrando em vigor em 1º de janeiro de 1917.

O Código Civil de 1916 O CC/1916 continha 1.807 artigos e era antecedido pela Lei de Introdução ao Código Ci-
vil. Possuía uma Parte Geral, da qual constavam conceitos, categorias e princípios bási-
cos aplicáveis a todos os livros da Parte Especial. Refletia as concepções predominantes 
em fins do século XIX e no início do século XX, baseadas no individualismo então rei-
nante, especialmente ao tratar do direito de propriedade e da liberdade de contratar.

O Código Civil de 2002 Resultou do PL 634/75, elaborado por uma comissão de juristas, sob a supervisão de Mi-
guel Reale. Contém 2.046 artigos e divide-se em: Parte Geral, que trata das pessoas, dos 
bens e dos fatos jurídicos; e Parte Especial, dividida em cinco livros, com os seguintes 
títulos, nesta ordem: Direito das Obrigações, Direito de Empresa, Direito das Coisas, Di-
reito de Família e Direito das Sucessões. Manteve a estrutura do CC/1916, afastando-se, 
porém, das concepções individualistas que o nortearam para seguir orientação com-
patível com a socialização do direito contemporâneo. Implementou o sistema de cláu-
sulas gerais, de caráter significativamente genérico e abstrato, cujos valores devem 
ser preenchidos pelo juiz, que desfruta, assim, de certa margem de interpretação.

Estrutura e conteúdo O CC/2002, embora tenha mantido a estrutura do CC/1916, alterou a ordem dos tí-
tulos da Parte Especial, iniciando-a com o Direito das Obrigações. Deslocou o Direi-
to de Família para o 4º lugar e introduziu novo título: Direito de Empresa. 

Quanto ao conteúdo, tem por objeto a tutela da personalidade humana, discipli-
nando a personalidade jurídica, a família, o patrimônio e sua transmissão.

Princípios básicos  O da socialidade reflete a prevalência dos valores coletivos sobre os individuais. 
Com efeito, o sentido social é uma das características mais marcantes do novo diplo-
ma, em contraste com o sentido individualista que condiciona o Código Beviláqua.

 O da
Márcia Viriato fez um comentário
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