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ANÁLISE DO COMPORTAMENTO E EVOLUÇÃO CULTURAL- RELAÇÕES ENTRE AS PROPOSTAS CONCEITUAIS DE B.F. SKINNER E S.S GLENN

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Dentro da cultura, porém, determinadas agências de controle manipulam conjuntos 
particulares de variáveis. As agências de controle como educação, governo e economia 
são geralmente mais bem organizadas do que a cultura como um todo, e com freqüência 
operam com maior sucesso (linha: 55). 
The power to wield economic control naturally rests with those who possess 
the necessary money and goods. The economic agency may consist of a single 
individual, or it may be as highly organized as a large industry, foundation, or 
even government. It is not size or structure which defines the agency as such, 
but the use to which the economic control is put. The individual uses his wealth 
for personal reasons, which may include the support of charities, scientific 
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activities, artistic enterprises, and so on. …. If there is any special economic 
agency as such, it is composed of those who possess wealth and use it in such a 
way as to preserve or increase this source of power. Just as the ethical group is 
held together by the uniformity of the aversive effect of the behavior of the 
individual, so those who possess wealth may act together to protect and to 
control the behavior of those who threaten it. To that extent we may speak of 
the broad economic agency called "capital". The study of such an agency 
requires an examination of the practices which represent concerted economic 
control and of the return effects which support these practices. (linhas: 98, 99) 
No caso da economia, temos um conjunto de práticas relacionadas ao poder 
para controlar os membros da cultura através do acúmulo de dinheiro. Assim como no 
caso dos grupos menos organizados, o estudo das práticas culturais de agências 
demanda investigarmos quais são as variáveis dispostas pela cultura para controlar os 
indivíduos e como, em contrapartida, o comportamento dos indivíduos colabora para a 
manutenção das práticas culturais. 
O controle da cultura sobre o indivíduo da forma como analisado aqui é mais 
poderoso, mas, a princípio, não se diferencia do controle pessoal já discutido ou do 
controle do indivíduo sobre o grupo. Segundo Skinner, o controle pessoal do homem 
forte ou inteligente, por exemplo, é uma espécie de governo pessoal, cujo poder deriva 
de sua habilidade ou força (linha: 58) Na agência governamental organizada, por sua 
vez, são utilizados equipamentos específicos e a tarefa de punir é incumbida a grupos 
especiais como a polícia e os militares (linha: 59): ―The techniques employed by an 
individual will be similar to those of a political machine or party‖ (linha: 60). 
Ainda que seu comportamento seja menos poderoso do que as variáveis 
produzidas pelo grupo, o indivíduo também pode controlar o grupo. O indivíduo pode, 
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por exemplo, ao ser estimulado aversivamente, contra-atacar o agente controlador. Ele 
pode responder às criticas feitas pelo grupo criticando o grupo ao invés de submeter-se a 
elas: ―the liberal accuses the group of beign reactionary, the libertine accuses it of beign 
prudish‖ (linha: 88). Outra possibilidade é o indivíduo simplesmente recusar-se a agir 
em conformidade com as práticas: ―a child unsuccessful in avoiding or revolting against 
parental control simply becomes stubborn‖ (linha: 89). Quando isto ocorre o grupo pode 
intensificar suas práticas, por exemplo, atirando contra o revolucionário ou preparando 
o indivíduo para controlar suas próprias tendências a escapar do controle, se revoltar ou 
atacar (linha: 90). 
1.2.3 A cultura como objeto de análise. 
Além das análises de Skinner envolvendo o comportamento de indivíduos ou 
conjuntos de indivíduos em interação, outra possibilidade de análise focaliza a própria 
cultura como objeto de estudo. O leitor passa a ficar sob controle de aspectos que 
perpassam outro nível de análise e que superam, mas não independem de, outras 
variáveis discutidas até aqui. 
Para esclarecer esta passagem para a análise da cultura, examinaremos um 
exemplo no qual a diferença em relação aos estímulos que Skinner coloca o leitor sob 
controle são evidenciadas: 
We may not be satisfied with an explanation of the behavior of two parties in a 
social interaction. The slaves in a quarry cutting stone for a pyramid work to 
escape punishment or death, and the rising pyramid is sufficiently reinforcing 
to the reigning Pharaoh to induce him to devote part of his wealth to 
maintaining the forces which punish or kill. An employer pays sufficient wages 
to induce men to work for him, and the products of their labor reimburse him 
with, let us say, a great deal to spare. These are on-going social systems, but in 
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thus analyzing them we may not have taken everything into account. The 
system may be altered by outsiders in whom sympathy with, or fear of, the lot 
of the slave or exploited worker may be generated. More important, perhaps, is 
the possibility that the system may not be in equilibrium. It may breed changes 
which lead to its destruction. Control through punishment may lead to 
increasing viciousness, with an eventual loss of the support of those needed to 
maintain it; and the increasing poverty of the worker and the resulting increase 
in the economic power of the employer may also lead to counter-controlling 
action. (linha: 181) 
No primeiro segmento de texto, Skinner apresenta situações nas quais variáveis 
que atuam sobre o comportamento dos indivíduos em interação estão sendo analisadas. 
O autor o faz apontando comportamentos e consequências que mantém o 
comportamento social. O foco é o comportamento de interação entre indivíduos, como 
no caso do controle econômico por parte do empregador, ou no efeito de práticas 
culturais sobre o comportamento dos indivíduos e vice-versa, como no caso do Faraó e 
seus escravos. 
 Na segunda parte do parágrafo, contudo, o próprio sistema social ou cultura 
como um todo passa a ser o elemento analisado. Neste momento, Skinner chama a 
atenção do leitor para as variáveis que afetam o sistema. Isto é feito indicando: (1) 
variáveis externas ao sistema que possam afetá-lo, como no caso dos outsiders e/ou (2) 
variáveis internas, como a ação de contracontrole por parte do trabalhador. 
Outro exemplo interessante no qual Skinner analisa práticas culturais (linhas: 
82, 83, 84, 85) envolve a análise do governo e dos governados. Neste caso, a conjunção 
das contingências dispostas pelo governo e pelos governados é considerada como 
cultura: 
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Government and governed compose a social system [cultura] in the sense of 
Chapter XIX. The questions which have just been raised concern the reciprocal 
interchange between participants. The government manipulates variables which 
alter the behavior of the governed and is defined in terms of its power to do so. 
The change in the behavior of the governed supplies a return reinforcement to 
the government which explains its continuing function. (linha: 82) 
Segundo Skinner, neste caso a cultura é inerentemente instável, uma vez que o 
poder da agência aumenta a cada interação. Quando o poder aumenta, as práticas de 
controle da agência tornam-se cada vez mais efetivas e cada vez mais voltadas aos 
interesses da agência - como, por exemplo, quando um governo ―uses force to acquire 
wealth‖ (linha: 83). Este processo não decorre indefinidamente, contudo. O 
desequilíbrio pode atingir um limite devido a variáveis internas, quando se esgotam os 
recursos dos governados ou quando os indivíduos se engajam em ações de 
contracontrole como as discutidas anteriormente, por exemplo. Outros limites podem 
ser oriundos de variáveis externas à cultura, como a competição com grupos que 
pretendam tomar o poder da agência em questão