Apostila - Materiais e componentes das argamassas
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Apostila - Materiais e componentes das argamassas


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? Águas ácidas, provenientes de água da chuva, por exemplo, com proporções de gás

carbônico dissolvido age sobre a cal do cimento hidratado. Baixa concentração não
traz problemas e, eventualmente, o CO2 dissolvido na água pode ajudar na
carbonatação da cal. Em altas concentrações, pode extinguir a cal existente

? Águas de resíduos industriais (ácidas)
? Água sulfatada \u2013 ataca o cimento hidratado (reação sulfato com aluminato)

produzindo sulfoaluminato com aumento de volume.
Cimento Portland Comum (CPI e CPI-S)
 Pode ser utilizado em casos correntes da construção civil, onde não se queira
propriedades especiais do material.
Cimento Portland Composto (CPII (E, Z ou F)
 Difere pouco do comum, tendo suas aplicações indicadas para as mesmas
situações.
Cimento Portland de Alto Forno
 Deve-se dar preferência à sua utilização no caso de meios sulfatados, como
ambientes marinhos e algumas águas industriais residuais, devido à menor quantidade
de hidróxido de cálcio presente no material hidratado.
 Tem acréscimo de resistência mais lenta que o CPI;

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Cimentos Pozolânicos
 Cimentos com adição de substâncias de grande finura, que sozinhas, não tem
função aglomerante própria, porém reagem com a cal hidratada na presença de água,
formando materiais cimentícios. (cinzas vulcânicas, cinzas de casca de arroz, cinzas
volantes, escórias, entre outros).
 A resistência inicial de cimentos pozolânicos é inferior ao do cimento portland
comum, entretanto, em idades avançadas, sua resistência poderá até mesmo ultrapassar
a resistência deste, trazendo ainda, algumas melhorias:
? melhora a trabalhabilidade do material, em função da sua grande finura (mais fino

que o cimento);
? diminui o calor de hidratação;
? aumenta a impermeabilidade;
? reduz a fissuração;
? aumenta a resistência aos ataques a águas sulfatadas, água pura e água do mar;
? reduz riscos de eflorescência;
? reduz custos;

Fonte: Manual de especificações de produtos \u2013 cimentos Itambé
Bibliografia utilizada e sugerida como leitura complementar:
BOLORINO, H., CICOTTO, M. A. A influência do tipo de cimento nas argamassas. In

II Simpósio Brasileiro de Tecnologia das Argamassas Anais... 1997
BAUER, L. A. F. Materiais de construção.
PINTO, J. A do N. Elementos para a dosagem de argamassas.
NEVILLE, A. M. Propriedades do concreto.

Resisências mínimas a serem atingidas por cimentos
nacionais

0

5

10

15

20

25

30

35

40

CP I-S-32 CP II-F-32 CPII-Z-32 CP IV-32 CP V-ARI

Tipo de cimento

R
es

is
tê

nc
ia

 (M
Pa

)

1 dia

3 dias

7 dias

28 dias

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CAL HIDRATADA NAS ARGAMASSAS

 A cal é um tipo de aglomerante, resultante da calcinação de rochas calcárias, e
que irá apresentar características e comportamentos diferenciados, conforme a
composição básica da matéria prima utilizada.
 A utilização deste aglomerante em argamassas tem registros em arquiteturas
Gregas e Romanas, com muitas obras apresentando-se ainda em perfeito estado de
conservação, algumas vezes, com a rocha utilizada nas construções encontrando-se em
processo de decomposição mais evidente do que o próprio aglomerante utilizado.
 A cal utilizada nas construções é obtida por um processo chamado de calcinação,
onde a rocha calcária é submetida à temperaturas entre 850 e 1200 °C, onde ocorrerá a
decomposição em óxidos de cálcio e anidridos carbônicos.

CaCO3 + Calor (850 \u2013 1200°C) \u2192 CaO + CO2
 O produto da calcinação CaO, necessita de água para tornar-se utilizável nas
construções. À este processo de adição de água, chamamos de hidratação, extinção ou
queima.

CaO + H2O \u2192 Ca(OH)2

 Nestas condições, poderá ser utilizada em proporções adequadas, com areia e
água, podendo ainda ser adicionado cimento Portland.
 A recombinação do Ca(OH)2 com o CO2 do ar atmosférico fará o endurecimento
do material, com ligação de cristais da cal com o agregado utilizado e/ou com a
superfície onde foi aplicada.

Ca(OH)2 + CO2 \u2192 CaCO3 H2O

 Observa-se entretanto, que existem dois tipos de Cales:
Cal cálcica - Composição de, no mínimo 75% de CaO; (CaCO3).
Cal dolomítica ou magnesiana \u2013 Composição de, no mínimo 20% de MgO; (MgCO3).
 Observa-se entretanto, que as cales cálcicas, com teores elevados de
(MgCO3).podem vir a trazer problemas às argamassas pois, como dito anteriormente, o
carbonato de cálcio decompõe-se a uma temperatura aproximada de 900°C e o
carbonato de magnésio a aproximadamente, 400 °C. Como os materiais estão
misturados, a rocha contento ambos irá para o processo de calcinação a 900 °C,
entretanto, isto irá acarretar o processo de sinterização (semi-fusão) da parcela contendo
magnésio, dificultando sua posterior hidratação.
 Se o processo de extinção não for feito adequadamente, poderá ocorrer a
hidratação de parte da cal (contendo magnésio), em idades posteriores à aplicação da
argamassa em um revestimento, por exemplo. Como o processo de hidratação é
acompanhado de aumento de volume, em torno de 100% do volume inicial, certamente,
irão ocorrer problemas neste revestimento em um período de 3 a 6 meses.

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A cal e a qualidade das argamassas
 Em níveis de pureza, a NBR 7175 determina a existência de 3 tipos de cal: CH I
(mais pura), CH II e CH III.
 A qualidade pode interferir na correta dosagem das argamassas, onde a cal de
melhor qualidade tem um maior poder de incorporação de areia.
 O grau de pureza para cal hidratada de boa qualidade deve sempre ser superior a
88%. Alguns produtos misturados ou de segunda apresentam pureza muito baixa,
normalmente inferior a 50%, estando o restante do material composto por mistura de
materiais argilosos, como saibro, caulim, terra preta ou barro (ABPC)

É frequente a comparação da cal com aditivos químicos que prometem às
argamassas melhores características de desempenho em relação à esta.

Em algumas características, como a trabalhabilidade, podemos ter melhorias de
comportamento e até mesmo redução de preço de execução. O desempenho de uma
argamassa, não resume-se entretanto, à plasticidade da mesma e, algumas vezes, o
desempenho inicial, facilidade de aplicação e preço, não compensará as diversas
propriedades fornecidas por uma argamassa de cal durante toda a vida útil da edificação.
 Com relação à argamassas de cimento, teremos também um grande número de
benefícios, se à estas forem adicionadas cal, substituindo parte do cimento.
Comparação entre argamassas mistas de cimento e cal:

Maior teor de cimento Maior teor de cal
Maior resistência à compressão Maior resistência à altas temperaturas

Maior resistência à tração Menor retração por secagem inicial
Maior capacidade de aderência Maior retenção de água

Maior durabilidade Menor movimentação higroscópica
Maior permeabilidade Maior trabalhabilidade

Maior resistência inicial Maior plasticidade
 Maior elasticidade

Benefícios das argamassas com cal:
Custos:
 A cal proporciona uma melhor incorporação da areia, podendo-se substituir com
vantagens parte do cimento da argamassa. Reduz-se desta forma o custo da argamassa,
devido ao menor preço da cal em relação ao cimento.
Ambiente asséptico:
 A alcalinidade de argamassas com cal ( PH maior que 11,5) impede o
aparecimento de fungos nas superfícies revestidas com este material.
Isolação térmica:
 A cor branca da