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Ana Carolina Santana – Função e disfunção II PATOLOGIAS DA BOCA E ESÔFAGO Afecções de boca geralmente são sinalizados por emagrecimento ou salivação excessiva (ptialismo); Problemas respiratórios também são comuns, principalmente pneumonia aspirativa devido à fenda palatina. ALTERAÇÕES POST-MORTEM Refluxo de conteúdo gastrointestinal: achado comum, mesmo pouco tempo após a morte. Há relaxamento do esfíncter gástrico e, posteriormente, a pressão das vísceras abdominais distendidas por gás e o manuseio da carcaça provocam a descarga. O conteúdo pode sair pela boca ou pelo nariz por conta da faringe (orofaringe e nasofaringe); Melanose: acúmulo de melanina nos melanócitos (mucosas), comum em várias raças de cães e aumenta com a idade. ANOMALIAS DO DESENVOLVIMENTO Fenda palatina: anomalia congênita, não é corrigida sem intervenção cirúrgica. Caracterizada por dificuldade de se alimentar, baixa imunidade, pneumonia aspirativa (principal causa de morte). Tem correlação genética, Hipervitaminose de vitamina A e aplicação de corticoide durante a gestação. Lábio leporino: casuística baixa, afeta respiração e mastigação, além de mais chance de falsa via. Prognatismo: crescimento anormal da mandíbula, a espécie ovina é a mais acometida. Prognatismo inferior a mandíbula ultrapassa a maxila, prognatismo superior a maxila ultrapassa a mandíbula. ESTOMATITES E GENGIVITES Referem-se ao processo inflamatório da mucosa da cavidade oral e da gengiva, as quais são constantemente bombardeadas por substâncias ingeridas que se movem e podem causar lesão (erosão e ulcerações); As lesões podem ser causadas por agentes infecciosos, químicos, traumas, toxinas, doenças sistêmicas e doenças autoimunes; O animal pode desenvolver anorexia por conta da mastigação dolorosa, além de ptialismo (pela dor ou dificuldade em engolir). ESTOMATITE VESICULAR: formação de vesículas nas camadas mais superficiais do epitélio ou entre o epitélio e a lâmina própria; Ana Carolina Santana – Função e disfunção II Presença de vesículas com fluido translúcido no epitélio da cavidade oral, lábios e língua, mucosa nasal e trato alimentar; As bolhas são resultantes da união das vesículas que se rompem e ulceram, tipicamente hiperêmicas; Etiologia: (infecções virais) febre aftosa em ruminantes e suínos, estomatite vesicular em ruminantes, suínos e equinos, doença vesicular dos suínos e exantema vesicular em suínos; A estomatite vesicular também é observada em casos de pênfigo, uma doença autoimune comum em cães, na qual o paciente cria anticorpos contra os desmossomos das próprias células; As estomatites em animais de produção conferem perdas econômicas ao produtor, devido ao baixo ganho de peso e possíveis abortos por estresse doloroso. Estomatite vesicular em bovino acometido com febre aftosa! ESTOMATITE ULCERATIVA E EROSIVA: caracterizada pela presença de feridas superficiais e profundas; Etiologia: (infecções virais) diarreia viral bovina em bovinos, febre catarral maligna em ruminantes, selvagens e ocasionalmente suínos, calicivirose felina, doença da língua azul em ruminantes domésticos e selvagens, principalmente ovinos; A estomatite ulcerativa também é observada em casos de estomatite ulcerativa urêmica, intoxicação por Ramaria flavo-brunnescensI, em casos de trauma/corpo estranho e em síndrome do complexo eosinofílico felino. ESTOMATITE GRANULOMATOSA: caracterizada pela presença de piogranulomas, observada principalmente em casos de actinobacilose e actinomicose. Doença infecciosa, não contagiosa, crônica e piogranulomatosa que afeta os tecidos moles; Agente etiológico: Actinobacillus lignieressi (Gram -, aeróbio e anaeróbio facultativo); Comensal do trato digestivo de bovinos; A infecção ocorre quando há feridas na mucosa oral, geralmente por ingestão de alimentos fibrosos, viaja pela via hematógena ou linfática e atinge os linfonodos; Pode ocorrer infecção também por via aerógena, que constitui a forma pulmonar da doença; A infecção acarreta uma inflamação aguda que evolui para crônica com secreção purulenta; São afetados principalmente bovinos, mas pode afetar ovinos, suínos e equinos; Afeta língua, linfonodos da cabeça e pescoço de animais de qualquer raça ou idade; Sinais clínicos: glossite difusa esclerosante (língua dura, sensível e dolorida), salivação intensa (por conta da dor ao se alimentar e realizar movimentos mastigatórios), lesões nos lábios, palato, faringe, linfonodos, fossas nasais e face (“cara de hipopótamo). ACTINOBACILOSE Ana Carolina Santana – Função e disfunção II Na microscopia, é possível observar inflamação piogranulomatosa com focos necróticos, tendo no centro drusas, com projeções radiais na forma de clavas. Causada pela bactéria gram-positiva Actinomyces bovis, uma habitante comum da boca dos bovinos; É uma osteomielite, ou seja, afeta os ossos (principalmente os da mandíbula); Provoca aumento de volume da mandíbula, dor e inapetência; A reação granulomatosa no osso provoca osteólise e cavitações na estrutura óssea. MUCOCELE SALIVAR Também chamada de sialocele, higroma salivar, cisto salivar ou cisto melífero; Acontece quando há uma obstrução e/ou ruptura (parcial ou total) das glândulas ou ductos salivares, que acarreta no acúmulo de saliva no tecido adjacente, induzindo uma inflamação, junto da formação do tecido de granulação e pseudocisto; A etiologia pode ser infecciosa, traumática, neoplasia, idiopática ou obstrutiva por cálculos mineralizados (sialólitos); Sinais clínicos: aumento de volume progressivo e regular, uni ou bilateral de tamanhos distintos, não aderido, circunscrito, não invasivo, com superfície lisa, indolor à palpação, hipertérmicos ou não, flutuante e flácido; Podem ser formadas na região cervical ventral, sublingual, faríngea, parotídea ou zigomática, de acordo com a glândula e ducto salivar afetado; Em cães e gatos, quando localizadas na região sublingual, são denominadas de rânulas, as quais causam dificuldade de apreensão dos alimentos, disfagia, movimentos anormais da língua, hemorragias e hematomas orais, e anorexia. HIPOPLASIA DO ESMALTE DENTÁRIO Irregularidade do esmalte dental causada, na maioria das vezes, por doenças sistêmicas que atuam durante o desenvolvimento do dente (gênese dental); Ocorre antes da erupção permanente dos dentes dos cães (animais com menos de 6 meses de idades); As causas em cães estão ligadas ao vírus da cinomose (que causa necrose e desorganização dos ameloblastos) e febre alta; Em bovinos, está relacionada à infecção in útero pelo vírus da BVD (diarreia viral bovina). ACTINOMICOSE Ana Carolina Santana – Função e disfunção II HIPERPLASIA GENGIVAL Crescimento excessivo que pode envolver os dentes incisivos; Mais comum em cães braquicefálicos (principalmente Boxers com mais de 5 anos); Épulis é um neoplasma benigno do ligamento periodontal. Épulis acantomatoso. Épulis ossificante. Épulis fibromatoso. CARCINOMA DE CÉLULAS ESCAMOSAS Neoplasia maligna de queratinócitos da camada espinhosa; É a neoplasia mais frequente da cavidade oral em gatos; Nos bovinos, está relacionada à intoxicação por samambaia (Pteridum arachoideum); É um tumor extremamente invasivo, destrutivo e de crescimento rápido, podendo criar metástases nos linfonodos, tonsilas, gengiva, língua e palato duro; Geralmente tem associada a essa neoplasia abundante proliferação de tecido conjuntivo fibroso. Ana Carolina Santana– Função e disfunção II MELANOMA O melanoma oral é sempre de alta malignidade e de prognóstico desfavorável; É a neoplasia mais comum da cavidade oral dos cães; Pode atingir gengiva, mucosa bucal, lábios e palato; Caracteriza-se por massas nodulares, pigmentadas (melanóticas) ou não (amelanóticas); Seu crescimento é rápido, fazendo com que áreas de necrose e ulceração sejam comuns. PAPILOMA Neoplasia benigna transmissível, induzida pela infecção causada por um papilomavírus; Caracteriza-se por crescimentos verrucosos, elevações papilares lisas e solitários, semelhantes à couve-flor; Acontece principalmente em cães e bovinos. ESPIROCERCOSE Infecção pelo parasita Spirocerca lupi; Ocorre através da ingestão de besouros coprófagos ou carne de vertebrados (aves, galinhas, répteis e roedores); O parasita penetra na mucosa do estômago, migra até a aorta torácica pela artéria gástrica e celíaca e, depois, migram para o esôfago; No esôfago, acontece a formação de tecido de granulação que pode evoluir para neoplasias. Patologias da boca e esôfago Alterações post-mortem anomalias do desenvolvimento Estomatites e gengivites Mucocele salivar Hipoplasia do esmalte dentário Hiperplasia gengival cARCINOMA DE CÉLULAS ESCAMOSAS melanoma papiloma ESPIROCERCOSE