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USF_NFG_U7_Direitos_Humanos

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DIREITOS HUMANOS
VIVIANE DE ARRUDA PESSOA OLIVEIRA
CESAR AUGUSTO ARTUSI BABLER
RAFAEL DE LAZARI
MARIA CAROLINA GERVÁSIO ANGELINI DE MARTINI
1
UNIDADE 7
DIREITOS HUMANOS E 
DESENVOLVIMENTO: IGUALDADE E 
DESIGUALDADE NO SÉCULO XXI
INTRODUÇÃO
O século XXI traz para a humanidade o desafio de viver em um mundo com extrema 
desigualdade. Milhares de pessoas enfrentam a condição de pobreza, fome, miséria, de 
desrespeito a diversidade, que as colocam em uma situação de extrema vulnerabilidade 
por pertencimento a determinado grupo social ou por condição econômica, em diversos 
países e regiões no mundo. 
Estima-se que, atualmente, mais de 1,3 bilhão de pessoas se encontram na condição 
de extrema pobreza e são expostas a grave violação de direitos humanos, sem acesso 
a educação, água potável, saneamento, dentre outros direitos humanos básicos essen-
ciais para viver uma vida com dignidade (UNDP-OPHI, 2021, p. 5) 
Desse grupo, destaca-se, no relatório do Índice de Pobreza Multidimensional (MPI, 
UNDP-OPHI, 2021) global, que metade tem menos de 18 anos, ou seja, são crianças, 
grande parte pertence a grupos étnicos e/ou vive em países de renda média e ainda 
suporta a desigualdade de condição em razão do gênero, posto que dois terços das 
pessoas mais vulneráveis vivem em moradias em que nenhuma menina completou seis 
anos de estudo: 85% vive na África subsaariana (556 milhões) ou no sul da Ásia 
(532 milhões).
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O Índice de Pobreza Multidimensional (MPI, na sigla em inglês) global, é elaborado 
pelo Programa das Nações Unidades para o desenvolvimento (PNUD) e pela Oxford 
Poverty and Human Development Initiative (OPHI), da Universidade de Oxford. Anali-
sando a vida de 5,9 bilhões de pessoas localizadas em 109 países, percebe a pobreza 
com base em privações nos acessos a saúde, educação e, ainda, pelo baixo padrão 
de vida. O relatório pode ser acessado nas versões inglês, francês e espanhol, na 
íntegra, no link seguinte.
http://hdr.undp.org/en/2021-MPI. Acesso em: 4 mar. 2022.
No Brasil, observa-se especialmente a desigualdade estrutural fruto do colonialismo e 
do longo período de escravidão, bem como o desrespeito à cultura indígena e à pre-
servação das etnias no território nacional, além da marginalização pela condição de 
gênero. Assim, a desigualdade é manifesta aos grupos de pessoas pretas e pardas, 
índios e mulheres, especialmente de pessoas oriundas do Norte e do Nordeste do País. 
Esse desequilíbrio manifesto revela ofensa ao princípio da igualdade e do direito 
ao desenvolvimento.
http://hdr.undp.org/en/2021-MPI.
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2Direitos Humanos Aplicados
Direitos humanos e desenvolvimento: igualdade e desigualdade no século XXI
Nesse sentido, é preciso compreender o conceito de desenvolvimento a fim de certificar 
que esse de direito se efetiva de forma concreta em nossa sociedade com base no re-
conhecimento dos valores consagrados em tratados internacionais de direitos humanos 
e normais nacionais que garantam a todo ser humano a condição de viver e ter acesso 
a suas necessidades materiais e existenciais, de forma universal e indivisível. 
Assim, se o ser é privado das mais diversas condições que o proporcione uma existên-
cia legitima de direitos, ele viverá em uma sociedade que lhe nega o direito ao desen-
volvimento. Amarthya Sen (2010, p. 16) adverte:
O desenvolvimento requer que se removam as principais fontes de privação de liber-
dade: pobreza e tirania, carência de oportunidades econômicas e destituição social 
sistemática, negligência dos serviços públicos e intolerância ou interferência excessiva 
de Estados repressivos.
No entanto, não se verifica o combate à ausência de desenvolvimento sem políticas pú-
blicas que promovam a igualdade nos cenários nacional e internacional. Nesse sentido, 
são necessárias a universalidade e a implementação dos direitos humanos na prática. 
No plano internacional, passados os horrores da Segunda Guerra Mundial, houve mo-
vimentação de ações e agendas que procuraram reprimir o grave cenário de crise e 
desigualdade dos países no mundo.
No âmbito das Nações Unidas, por exemplo, em 1963, houve a criação do Instituto das 
Nações Unidas de Pesquisas sobre Desenvolvimento (UNRISD), cujo objetivo era am-
pliar essa percepção sobre o desenvolvimento.
Neste agir objetivando estruturar uma política internacional, em 1965, é criado o já 
citado Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), uma agência 
especializada em combater a pobreza bem como em promover o desenvolvimento hu-
mano de forma global. 
Apesar dos inúmeros esforços e debates sobre o tema, é somente a partir de 1986 que 
o desenvolvimento tem seu reconhecimento formal como um direito humano inaliená-
vel, com a Declaração sobre o Direito ao Desenvolvimento, adotada pela Assembleia 
Geral das Nações Unidas (Resolução nº 41/128 em 04 de dezembro de 1986).
Incorporando aos Estados o dever de cooperar uns com os outros para assegurar 
o desenvolvimento e eliminar os obstáculos ao desenvolvimento, em seu artigo 3.3, 
essa declaração afirma que os Estados deveriam realizar seus direitos e cumprir suas 
obrigações a fim de promover uma nova ordem econômica internacional baseada em 
igualdade, soberania, interdependência, interesse mútuo e cooperação, assim como de 
encorajar a observância e a realização dos direitos humanos.
Nesse mesmo sentido, anos após, em 1993, ocorreu a Conferência Mundial de Direitos 
Humanos, da qual resultou a elaboração de uma Declaração e um Programa de Ação 
de Viena (1993), que afirma a necessidade de promoção da democracia, o desenvol-
vimento e o respeito aos direitos humanos e liberdades fundamentais como conceitos 
interdependentes que se reforçam mutuamente. Estas passam a ser percebidas como 
liberdades fundamentais nos cenários nacionais e internacionais. 
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U7 Direitos humanos e desenvolvimento: igualdade e desigualdade no século XXI
Sen (2010, p.17) reconhece que o mundo atual nega liberdades, em uma opulência 
global, constatando que há um grande número de pessoas cuja ausência de liberda-
des substantivas relaciona-se diretamente com a pobreza econômica, impedindo-as de 
saciar a fome, de obter uma nutrição satisfatória ou remédios para doenças tratáveis, 
de vestir-se ou morar de modo apropriado, de ter acesso a água tratada ou sane-
amento básico.
No entanto, a percepção da pobreza e da ausência de desenvolvimento, na promoção 
de um mundo desigual, deve ocorrer não apenas pela ausência de renda econômica 
que sustente o ser humano, mas também com base em uma multiplicidade de fatores 
que proporcionam às pessoas o exercício usufruir de direitos humanos fundamentais e 
de viver com dignidade.
Assim, dentre as causas apontadas da desigualdade social existente podemos indicar 
que, muitas vezes, o pertencimento a grupo étnico ou gênero, o desemprego, a ausên-
cia de acesso a serviços de natureza essencial à condição de ser humano, como saúde, 
educação, moradia, a ocupação de espaços geográficos com forte concentração de 
renda por poucos, os graves conflitos, as mudanças climáticas que assolam o planeta, 
bem como o manifesto desequilíbrio na concentração de renda por parte da população 
mundial e a condição de subdesenvolvimento enfrentada por alguns países, especial-
mente no sul global levam à negação do direito ao desenvolvimento.
Piovesan (2021, p. 240) observa que o direito ao desenvolvimento demanda assim uma 
globalização ética e solidária. 
Assim, não há como haver a concretização do direito ao desenvolvimento sem a divisão 
de forma igualitária das condições de acesso a direitos humanos por todos em uma so-
ciedade, com a promoção do desenvolvimento econômico e social de forma equânime 
por todos os países do norte ao sul.
1. COMPREENDENDO O ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO 
HUMANO (IDH)
O IDH é um dos índices usados para medir o grau de desenvolvimento de uma socieda-
de. Ele foi criado e desenvolvido por Mahbub ul Haq, com a colaboração do economista 
e ganhador do prêmioNobel de economia em 1998, Amathya Sen, que perceberam que 
o indicador de renda per capita como medida de percepção do desenvolvimento não era 
suficiente. Nesse sentido, os autores reforçaram a ideia de que era necessário mais que 
renda, um fator de ordem econômica, para o reconhecimento e a promoção do desen-
volvimento e medição do processo de determinada sociedade (PNUD).
Assim, entendeu-se que uma medida para resumir o grau de desenvolvimento de uma 
sociedade deveria considerar três dimensões básicas do desenvolvimento humanos, a 
saber: a renda, a saúde e a educação. 
Nesse sentindo, de acordo com o PNUD, é o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) 
uma medida geral com o objetivo de ampliar a perspectiva sobre o desenvolvimento 
humano e o progresso de determinada sociedade, muito embora não possa estar limi-
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4Direitos Humanos Aplicados
Direitos humanos e desenvolvimento: igualdade e desigualdade no século XXI
tada a tal, como medida substitutiva do produto interno bruto (PIB) per capita. Assim, o 
índice observa expectativa de vida, nível de escolaridade e renda nacional per capita.
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Países como a Noruega, a Irlanda, a Suíça, a Região Administrativa Especial de 
Hong Kong, a Islândia, a Alemanha, a Suécia, a Austrália, a Holanda e a Dinamar-
ca encontram-se no topo dos países com os melhores índices de desenvolvimento 
humano para se viver. Por outro lado, países como Nigeria, Burquina Fasso, Serra 
Leoa, Mali, Burundi, Sudão do Sul, Chade e República Centro-Africana figuram entre 
os piores índices de desenvolvimento humano. O Brasil, nesse ranking, encontra-se 
na posição 84ª posição de uma lista de 189 países (RDS/PNUD).
Outros índices acerca dessa avaliação são destaque no cenário internacional e no Bra-
sil, como é o caso do índice Gini, apontado por Jubilut, Rei, Garcez (2017, p. 240). Se-
gundo os autores, esse índice foi desenvolvido por Corrado Gini, foi publicado em 1912 
no documento “Variabilidade e mutabilidade” (GINI, 1912) e varia de 0 a 1, em que “0” 
representa situação de igualdade; e “1”, extrema desigualdade. Assim, ele compara os 
20% mais pobres da população com os 20% mais ricos, tendo sido adotado por organis-
mos internacionais, como a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Eco-
nômico (OCDE) e, no Brasil, pelo Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais (Ipea). 
2. FORMAS DE ERRADICAÇÃO E COMBATE À POBREZA 
E À FOME
Um dos grandes desafios da humanidade para essa geração e as próximas é a neces-
sidade de erradicação e combate à pobreza e à fome. 
Amathya Sen (2010, p. 120) entende que a pobreza deve ser vista como privação das 
capacidades básicas, sem descartar também que a renda baixa é uma de suas causas 
principais, embora não possa ser considerada a razão primordial.
Muitas pesquisas e muitos estudos na atualidade preocupam-se em desenvolver o con-
ceito de pobreza e sua percepção de forma multidimensional, como nos trabalhos de P. 
Townsend, D. Gordon, J. Mack, S. Lansley e S. Nandy. A privação de direitos importa 
para a manutenção de uma condição de natureza individual mas de responsabilidade 
social, a todo e qualquer indivíduo que esteja nessa situação. 
As medidas de combate à extrema pobreza e a promoção do direito ao desenvolvimen-
to também impulsionaram o debate em conferências mundiais com grande apelo de 
atividades pelos países na promoção de políticas e ações que visem solucionar o problema.
Nesse sentindo, em 2000, realizou-se na sede da ONU uma conferência que resultou 
na Declaração do Milênio, que trazia para a humanidade e todos os países participantes 
a missão de promover os objetivos do Quadro 01.
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U7 Direitos humanos e desenvolvimento: igualdade e desigualdade no século XXI
Quadro 01. Objetivos do desenvolvimento do milênio
1. Acabar com a fome e a miséria. 
2. Oferecer educação básica de qualidade para todos. 
3. Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres. 
4. Reduzir a mortalidade infantil. 
5. Melhorar a saúde das gestantes.
6. Combater a Aids, a malária e outras doenças. 
7. Garantir qualidade de vida e respeito ao meio ambiente. 
8. Estabelecer parcerias para o desenvolvimento. 
Fonte: elaborado pela autora com base nos dados da OMS.
Após a Declaração do Milênio, diversas conferências foram realizadas em Estocolmo 
(1972), Rio de Janeiro (1992), Johanesburgo (2002) e Rio+20 (2012), incorporando 
uma agenda global com o mesmo propósito.
Assim, em revisão, em 2015, a Declaração passa por nova reformulação na Cúpula 
para Desenvolvimento Sustentável, em Nova York, ampliando e incorporando novos te-
mas para que houvesse a promoção de novos objetivos de desenvolvimento, traçando 
metas a serem alcançadas até 2030. 
Nesse sentido, com base na agenda 2030, que traz a incorporação de 17 objetivos de 
desenvolvimento sustentável, há uma preocupação com cinco pilares: pessoas, plane-
ta, prosperidade e paz. 
A preocupação com as pessoas objetiva erradicar a pobreza e combater a fome ex-
trema – da mesma forma, pensando no planeta, a agenda propõe a atenção com o 
meio ambiente equilibrado e saudável, com um sistema de menor consumo de maneira 
sustentável e com a redução dos impactos das mudanças climáticas. Além disso, pre-
tende-se que todos tenham acesso a uma vida próspera, com qualidade em todas as 
suas dimensões, e também que haja paz, promovendo a diminuição da violência e do 
medo, por meio de desenvolvimento de sociedades pacíficas. As metas e os objetivos 
devem ser alcançados, de acordo com a Agenda 2030, por meio de uma parceria global 
revitalizada que propõe o desenvolvimento com base em uma solidariedade global.
O plano de ação traça, assim, 17 objetivos de desenvolvimento sustentável, com base 
na visão de que não bastam o emprego do desenvolvimento e a preocupação com ele 
apenas se considerando os aspectos econômicos, uma vez que estes têm de estar em 
harmonia e equilíbrio com um planeta mais sustentável, viabilizando a concretização 
dos direitos humanos básicos para todos. 
Dentre os pontos relevantes dos 17 objetivos sustentáveis, Piovesan (2018, p. 280) 
destaca, especialmente, a erradicação da pobreza, a agricultura sustentável, a saúde e 
o bem-estar, a educação de qualidade, a igualdade de gênero, a água potável e o sane-
amento, a energia limpa, o trabalho decente, a redução das desigualdades, as cidades 
e comunidades sustentáveis, o consumo e as produções responsáveis, a ação contra 
a mudança global do clima, e a paz, a justiça e as instituições eficazes. A autora, com 
isso, percebe a mudança da arena para uma perspectiva mais global, que abrange os 
países em desenvolvimento e os desenvolvidos em uma ação conjunta.
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Direitos humanos e desenvolvimento: igualdade e desigualdade no século XXI
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Para ler o texto do plano de ação “Transformando nosso mundo: a Agenda 2030 para 
desenvolvimento sustentável” e todos os objetivos com as respectivas definições, 
acesse o link seguinte.
https://brasil.un.org/pt-br/91863-agenda-2030-para-o-desenvolvimento-sustentavel. 
Acesso em: 9 dez. 2021
Para conferir os 17 objetivos, verifique a Figura 01.
Figura 01. Objetivos do Desenvolvimento Sustentável
Quadro 02. ODS
Objetivo 1. Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares;
Objetivo 2. Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e a melhoria da nutrição e promover a 
agricultura sustentável;
Objetivo 3. Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades;
Objetivo 4. Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de 
aprendizagem ao longo da vida para todos;
Objetivo 5. Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas;
Objetivo 6. Assegurar a disponibilidade e a gestão sustentável da água e saneamento para todos;
Objetivo 7. Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos;
Objetivo 8. Promovero crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e pro-
dutivo e trabalho decente para todos;
Objetivo 9. Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e 
fomentar a inovação;
Objetivo 10. Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles;
Objetivo 11. Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis;
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Objetivo 12. Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis;
Objetivo 13. Tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus impactos;
Objetivo 14. Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o 
desenvolvimento sustentável;
Objetivo 15. Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de 
forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a 
perda de biodiversidade;
Objetivo 16. Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcio-
nar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis;
Objetivo 17. Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvol-
vimento sustentável.
Fonte: elaborado pela autora com base em ONU (2021, [n. p.]).
No que se refere ao primeiro objetivo – acabar com a pobreza –, reforça-se a necessi-
dade de os países erradicarem a pobreza extrema para todas as pessoas, utilizando-se 
como medida as pessoas que vivam com pelo menos UU$1,90 por dia. A meta objetiva 
ainda, até 2030, reduzir pela metade a proporção de homens, mulheres e crianças 
que vivam na pobreza, implementar medidas e sistemas de proteção social, garantindo 
que todos tenham direitos iguais aos recursos econômicos, acesso a serviços básicos, 
propriedade e controle sobre a terra e outras formas de propriedade, herança, recursos 
naturais, novas tecnologias apropriadas e serviços financeiros, incluindo microfinanças, 
dentre outras ações importantes (ONU, 2021).
 Com relação à fome, a meta principal é promover o fim da fome e garantir o acesso 
de todas as pessoas a alimentos seguros, nutritivos e suficientes durante todo o ano, 
propiciando uma agricultura sustentável, que ajudem a manter os ecossistemas, que 
fortaleçam a capacidade de adaptação às mudanças climáticas, bem como a promoção 
de recursos suficientes para investimentos e desenvolvimento de novas tecnologias 
para estimular a alimentação, dentre outras medidas necessárias (ONU, 2015, [n. p.]). 
2.1. PROMOÇÃO DE UMA SOCIEDADE QUE IMPLEMENTA NA 
PRÁTICA OS DIREITOS HUMANOS
Ao perceber na leitura o conceito de pobreza e a sua relação com o direito ao desen-
volvimento, é importante entender que não há efetividade dos direitos humanos sem 
a promoção de medidas práticas que de fato promovam a erradicação da pobreza e o 
desenvolvimento, de forma universal e de forma indivisível, cuja aplicação pertence à 
Concepção Contemporânea dos Direitos Humanos. 
Nesse sentido, Piovesan (2018, p. 216), reforçando a característica da historicidade dos 
direitos humanos, afirma que estes devem ser reivindicados com base em um espaço 
simbólico de luta e ação social para a promoção de políticas públicas que os implemen-
tem no dia a dia de toda a população. 
Uma sociedade que implementa os direitos humanos traz à população a condição de 
desenvolvimento. É preciso entender que essa medida não nasce sem mecanismos 
efetivos de justiça social, em que promovem a todos, de forma equânime e solidária, 
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Direitos humanos e desenvolvimento: igualdade e desigualdade no século XXI
o acesso aos direitos mais básicos, como saúde, educação, moradia, cultura, lazer, 
transporte público de qualidade e oportunidade de trabalho a todos sem grandes 
diferenças salariais e concentração de renda. 
Por sua vez, não existe sociedade em consonância com a igualdade e o desenvol-
vimento sem que haja participação democrática na decisão das políticas públicas. O 
processo democrático não pode nem deve se limitar a escolha dos políticos, mas em 
medidas que tragam a possibilidade à população de ser atendidas as suas reivindica-
ções sociais, sem privilégios e benefícios a determinado grupo social. 
Nesse sentido, Bauman (2015, p. 47) observa que o abismo crescente que separa os 
pobres que sofrem com os efeitos colaterais da má distribuição de riqueza tem como 
principal democracia, tornando-se objeto de rivalidades cruelmente sangrentas entre os 
bem-providos e os necessitados e abandonados. 
Percebe-se que a promoção de uma sociedade que implemente os direitos humanos na 
prática se traduz em desafio de natureza social, cultural, econômico, ambiental e políti-
co, na qual os anseios da população podem e devem ser concretizados a partir de uma 
educação de qualidade, a fim de possam ter consciência e promovam democratica-
mente o direitos de elegibilidade de políticas públicas que as tragam, de forma efetiva, 
o direito de usar e dispor do acesso de direitos que os garanta uma vida com dignidade, 
especialmente de uma educação de qualidade, agua, alimentação adequada, lazer, 
saneamento e sobretudo com fruição do direito a felicidade com acessos as estruturas 
vitais básicas para ser titular de direitos humanos.
Figura 02. Pobreza e desenvolvimento
 Fonte:123RF.
Vamos compreender melhor o que diz respeito à equidade, pois se a liber-
dade é o cume, a equidade é a base; […] civilmente, ela é todas as aptidões 
tendo iguais oportunidades; politicamente, todos os votos tendo o mesmo 
peso; religiosamente, todas as consciências tendo direitos iguais. (Victor 
Hugo, Os Miseráveis, 2017)
9 Direitos Humanos
U7 Direitos humanos e desenvolvimento: igualdade e desigualdade no século XXI
MAPA CONCEITUAL
Figura 03. Agenda 2030 e os 5 Ps
PESSOAS
PARCERIA PLANETA
PROSPERIDADE PAZ
A AGENTE 2030 E OS 5PS
1 – PESSOAS
Erradicar a pobreza e a fome de todas as pessoas de todas as maneiras e garantir a dignidade humana.
2 – PROSPERIDADE 
Garantir vidas prosperas e plenas em harmonia com a natureza.
3 – PAZ 
Promover sociedades pacíficas, justas e inclusivas.
4 – PARCERIAS
Implementar a agenda por meio deu uma parceria global sólida.
5 – PLANETA 
Proteger os recursos naturais e o clima do nosso planeta para as futuras gerações.
Fonte: elaborada pela autora com base nos dados de pesquisa ONU BRASIL.
CONCLUSÃO
A erradicação da pobreza e da fome está entre os maiores desafios globais do século 
XXI. Essa meta, embora determinada pelos países pela Agenda 2030 e os seus 17 
objetivos sustentáveis, não poderá ser efetuada sem a parceria de uma sociedade que 
busque o equilibro e a promoção dos direitos humanos a fim de garantir a todos uma 
vida com qualidade e dignidade e acesso equânime. Por sua vez, o desenvolvimento 
sem a promoção de medidas que concretize, pelas empresas e governos, um planeta 
que respeite os seus recursos naturais, com políticas e medidas globais de redução de 
consumo e metas de crescimento sustentável, torna essa meta para o ano de 2030 uma 
grande utopia. Os desafios certamente virão, como as mudanças climáticas, as crises 
econômicas, as epidemias sanitárias e as mudanças nos comportamentos sociais.
 A pandemia do coronavírus comprova o que foi acima afirmado. A crise sanitária enfren-
tada a partir de 2020 só intensificou a desigualdade presente nos países. Isso sinaliza 
para o mundo que é preciso repensar as formas de distribuição de renda, de concen-
tração de poder, de equilíbrio no sistema, de formas de consumo, preservação do meio 
ambiente e, principalmente, de promoção uma solidariedade global presente entre os 
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Direitos humanos e desenvolvimento: igualdade e desigualdade no século XXI
países desenvolvidos e em desenvolvimento, para que habitemos um mundo interco-nectado que não admita mais ausência de justiça social. 
Link
“Condições de vida, desigualdade e pobreza”.
https://www.ibge.gov.br/estatisticas/multidominio/condicoes-de-vida-desigualdade-e-pobre-
za.html. Acesso em: 6 mar. 2022.
1- O Living on one dollar (2013)
Direção de Zach Ingrasci, Chris Temple, Sean Leonard
Premiações: Melhor documentário no Sonoma International Film Festival
O filme aborda a experiência de pesquisa de quatros jovens universitários americanos, na 
Guatemala, que passam a viver com apenas 1 dólar por dia, vivendo as incertezas e difi-
culdades da população local a fim de compreender de forma empírica a pobreza e suas 
consequências, trazendo profundas reflexões sobre desigualdade, oportunidades, consumo 
e desumanidade. 
2- O Fim do Sonho Americano – Noam Chomsky (2018) [Requiem for the American dream]
1h18min / documentário, biografia
Direção: Kelly Nyks, Jared P. Scott
Roteiro Peter D. Hutchison, Kelly Nyks
Elenco: Noam Chomsky
Sinopse:
Com base em diversas entrevistas realizadas com o linguista, filósofo e sociólogo Noam 
Chomsky, o documentário reflete a questão da concentração do poder e a destruição do mito 
do sonho americano, demonstrando que a desigualdade social é um dos maiores desafios da 
humanidade no Século XXI.
Disponível em: https://youtu.be/_FtpgDvWjkQ
3- Você não estava aqui (2019)
1h41min / drama
Direção: Ken Loach
Roteiro Paul Laverty
Elenco: Kris Hitchen, Debbie Honeywood, Rhys Stone
Título original Sorry We Missed You
Sinopse: 
O filme reflete as lutas pela sobrevivência e precarização do trabalho, com a “uberização” do 
trabalhador na sociedade atual. 
https://www.adorocinema.com/filmes-todos/genero-13007/
https://www.adorocinema.com/filmes-todos/genero-13027/
https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-157802/
https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-729021/
https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-576342/
https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-157802/
https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-93152/
https://youtu.be/_FtpgDvWjkQ
https://www.adorocinema.com/filmes-todos/genero-13008/
https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-6440/
https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-48396/
https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-868225/
https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-868226/
https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-868228/
11 Direitos Humanos
U7 Direitos humanos e desenvolvimento: igualdade e desigualdade no século XXI
Obras literária: 
Caso de aplicação:
Muitas vezes a desigualdade e a ausência de acesso a direitos impedem que as pessoas 
usufruam da promoção de medidas práticas que lhes resguardem da mais ampla violação de 
direitos humanos, revelando conteúdos e ações discriminatórias. A condição de pobreza, que 
consequentemente traz ausência de acesso a direitos como saúde e educação, pode gerar 
graves e manifestas violações que necessitam da intervenção dos tribunais, utilizados para 
buscar a efetivação desses direitos (que não se efetivam por conteúdo discriminatório). É o 
que chamamos de interseccionalidade, ou seja, diferentes formas de opressão em razão da 
condição de raça, gênero, idade, condição econômica, que devem ser levadas em conta na 
solução de casos concretos, para promoção de acesso à justiça. 
Um caso prático de interseccionalidade e manifesta ação discriminatória é trazido nos co-
mentários do Professor André de Carvalho Ramos, nos comentários ao caso Gonzales Lluy:
Na jurisprudência internacional sobre a interseccionalidade na temática dos 
direitos humanos, destaca-se o caso Gonzales Lluy e outros vs. Equador da 
Corte Interamericana de Direitos Humanos (sentença de 1º de setembro de 
2015). Tratou-se de caso de contágio pelo vírus do HIV da menina Talía Lluy, 
que, à época, possuía três anos, fruto de transfusão de sangue contamina-
do. Aos cinco anos, Talía foi impedida de ingressar na escola (por suposto 
risco aos demais estudantes).A Corte IDH reconheceu que, no caso de Talía, 
confluíram, de modo interseccional, fatores múltiplos de vulnerabilidade e de 
discriminação associados à condição de criança, mulher, pessoa em situa-
ção de pobreza (condição econômica) e pessoa com HIV, que derivaram em 
uma forma específica de discriminação. A pobreza inicialmente gerou a de-
ficiência no atendimento à saúde (sangue contaminado), impactando ainda 
no acesso ao sistema de ensino, no que contribuiu também sua situação de 
criança e pessoa com HIV; como mulher e pessoa com HIV, há possibilidade 
de estigmatização futura. Em outras palavras, o caso de Talía demonstra 
que a discriminação da pessoa com HIV não impacta de modo homogêneo 
os indivíduos, mas possui efeitos mais gravosos em grupos que são vulne-
ráveis (parágrafo 290 da sentença). A interseccionalidade desses fatores de 
desigualdade, então, exige reparações específicas que devem servir para 
superar os obstáculos enraizados na sociedade, que mantém injustiças e 
vulnerabilidades de determinados grupos sociais. (RAMOS, 2016, p. 299)
HUGO, Victor. Os miseráveis. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.
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U7
12Direitos Humanos Aplicados
Direitos humanos e desenvolvimento: igualdade e desigualdade no século XXI
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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SEN, Amartya. Desenvolvimento como liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. Edição do Kindle.
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