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MAYUME M35 Estafilococos e Estreptococos Incidência bastante elevada. Aula direcionada para refletir diagnóstico e conduta terapêutica. CASO CLÍNICO 1 Paciente masculino, 17 anos de idade, inicia quadro de febre, pouca dor de garganta e cefaleia há três dias, sem outros sintomas. Iniciou uso de antitérmico, com melhora parcial. Ao exame físico, REG, lúcido, hidratado. Tº= 38ºC Pulso Radial= 100 ppm FR= 20 irpm. PA= 120x70 mmHg. AR = ACV = ABD = ndn Discreta hiperemia nos pilares amigdalianos. Sem placa purulenta. Hipóteses que foram colocadas: Síndrome retroviral aguda Faringoamigdalite viral Faringoamigdalite bacteriana Conduta: usar um beta lactâmico e antitérmico se necessário. O que diferencia o quadro bacteriano do viral? Bacteriano: Presença de placa de pus (odor mais fétido) e severidade do quadro clínico (febre mais alta). Viral Mas uma coisa não descarta a outra. Pode ser bacteriano e estar bem na fase inicial e não ser tão severa. E ser viral fazendo placas branca-amarelas que recobrem os pilares amigdaliano (vírus Epstein-barr e citomegalovírus. Os dois podem fazer doença febril aguda, e sintomas sistêmicos: cefaleia, artralgia, mialgia, prostração, linfadenopatia e esplenomegalia. Podem vir também acompanhados de placas). Muito comum chegarem ao infecto caso de paciente que faz doença febril com placa, o médico do posto inicia um antimicrobiano e depois de 3-4 dias o paciente não apresenta melhora e algumas vezes pensa que é resistência bacteriana e acaba fazendo uma troca. E depois de 2 ou 3 trocas do ATB continuam com placas, eles são encaminhados ao infecto. Às vezes, chegam com 8-10 dias de doença, tendo usado 3-4 esquema de ATB sem melhora. E muitas vezes o que fazemos e tranquilizar o paciente, solicitar sorologia para Epstein-barr e citomegalovírus e acabam confirmando que é uma infecção viral. CASO CLÍNICO 2 Paciente masculino, 17 anos de idade, com história de febre alta, calafrios, cefaleia e náuseas há 2 dias. Queixa-se de odinofagia inclusive para líquidos. Iniciou uso de antitérmico, sem melhora. Ao exame, paciente abatido, desidratado leve. T°= 39°C, FC= 110 bpm. FR= 22 irpm. PA= 100x70 mmHg Cenário mais severo do que o caso clínico 1 Placas se formando principalmente do lado esquerdo. Já penso a principio em uma faringoamigdalite bacteriana. 1) Qual bactéria é a mais envolvida nesse quadro? Estreptococos são as bactérias mais envolvidas nas faringoamigdalite bacteriana (estreptocócica). 2) Qual a classificação dos estreptococos? Em relação do grau de hemólise: Hemolíticos x não hemolíticos. Relação direta com a virulência, a capacidade de promover destruição tecidual e infecções virulentas. ALTO grau de hemólise: importante virulência e consegue induzir a infecções muito piogênicas. Em relação ao grau de hemólise, podemos dizer se é: I. Alfa hemolítico II. Beta hemolítico: HEMÓLISE TOTAL: que causam as faringoamigdalite bacteriana. São os que promovem um alto grau de hemólise. Faz isolamento e teste especifico em meio de cultura (agar sague, cultivo na placa de petri). MAYUME M35 Não é apenas uma bactéria que é desse grupo. Há uma subclassificação: lancefielde, usando as letras para denominar os subgrupos (A, B...). Os importantes: A, B, C e G (tem maior virulência e maior capacidade de causar infecções piogênicas). Os estreptococos que causam a faringoamigdalite são classificados: Estreptococos Beta hemolítico do grupo A. Podemos classificar por gênero e espécie também, ficaria: Estreptococos piogênese (infectam a faringe e altamente virulentos) III. Gama hemolítico 3) Qual seria a droga de escolha para tratar a faringoamigdalite estreptocócica A, B, C e G? PENICILINA BENZATINA (excelente cobertura para estreptococo piogênese e outros grupos. Como também por ser injetável, basta uma injeção, melhora dentro de 48-72h). Fácil acesso e baixo custo. Amoxicilina Ampicilina Evitar o uso de macrolídeos como: azitromicina Beta lactâmicos: muito amplo, temos desde a penicilina até os carbapenemicos. Estreptococos beta hemolíticos do grupo B Se fosse chamar pelo gênero e espécie: Estreptococos agalactiae. Costumam causar infecções em: Recém nascidos e puérperas. Nas UTI neonatais, quando se suspeita de infecção, o primeiro esquema terapêutico que é prescrito para esse bebê inclui penicilina ou ampicilina. RN que nasce em sepse ou mulheres logo após o parto que tem febre, corrimento purulento, dor embaixo ventre ou dor ao toque vaginal (sinais de infecção puerperal) é indicado essas medicações. Os Estreptococos do grupo C e G: espectro de infecção semelhante ao piogenes, mas numa incidência muito baixa. Essa foto do caso, a faringoamigdalite pode não ser do estreptococo piogenes, pode eventualmente ser do grupo C ou G. CASO CLÍNICO 3 Paciente masculino, 53 anos de idade, com história de dor de dente há uma semana, evolui com febre e dificuldade para respirar há um dia. Relata também inchaço no pescoço neste período. Ao exame, paciente com estado geral comprometido, taquipneico, dentes em PEG (precárias condições). Dentes em condições ruins. Região cervical bem edemaciada. 1) Que processo está acontecendo com esse paciente? Formação de abcessos + edema de tecido celular subcutâneo. Esse quadro tem um nome especifico, é um tipo de infecção que costuma começar a partir de um foco dentário (frequentemente) e a infecção acaba se estendendo por todo assoalho da boca e região cervical. Nesse processo, além de edema, forma vários abcessos e se não tratar pode evoluir para uma mediastinite (infecção do mediastino): angina de Ludwig. PROBLEMA: boca altamente colonizada, é como se os estreptococos iniciassem o processo e com o avançar do processo infamatório, a infecção se torasse polimicrobiana (anaeróbios associados). 2) Quem é o principal agente agressor da angina de Ludwig? Estreptococos piogenes Altamente piogênica. MAYUME M35 3) TRATAMENTO? Vamos utilizar a PENICILINA por conta do piogenes. Mas iremos garantir a cobertura pra germes anaeróbios (ATB para anaeróbios e gram +): 1º escolha: Penicilina + Clindamicina (cobertura boa para estafilococos, estreptococos e anaeróbios). Amoxicilina + clavulanato: INJETÁVEL (cobre estreptococos e aeróbios) Precisa-se, condição indispensável: Abordagem cirúrgica, precisa fazer a limpeza e drenagem dos abcessos. CASO CLÍNCIO 4 Criança com história de odinofagia há dois dias e evolução para vermelhidão no corpo que começou no tórax e se disseminou. Ao exame, palidez perioral (SINAL de filatov) e hiperemia em todo corpo, exceto em palma das mãos e planta dos pés. Rash com aspecto de lixa (pele grossa). E que depois de 10 dias, a criança começa a ter descamação laminar principalmente nas extremidades e acentuação do rash nas dobras (região anterior do cotovelo, poplítea...). Tem um vermelho mais acentuado: sinal de pastia. 1) Que doença é essa? ESCARLATINA 2) Quem causa? Estreptococos piogenes 3) Diferente das duas patologias anteriores (faringoamigdalite: processo infecioso, invasão tecidual e formação de pus; e angina de Ludwig: processo infecioso local que se dissemina e produz pus): Na escarlatina temos a manifestação inicial de dor de garganta e depois a criança faz um rash cutâneo com uma série de características que são especificas da escarlatina. Nesse caso a diferença é que a cepa do estreptococo piogenes que leva a escarlatina ela é capaz de liberar uma toxina, e essa toxina que induz a ocorrência das manifestações clássicas da escarlatina (sinal de Filatov, sinal de Pastia, Rash com aspecto de lixa). É um processo muito mais que uma infecção, é um processo de intoxicação. Conceito importante: Os estreptococos eles além de produzirem quadros infecciososproduzem também quadros de intoxicação: mais clássica ESCARLATINA. 4) Qual tratamento? Penicilina benzatina Amoxicilina Ampicilina oral CASO CLÍNCIO 5 Paciente feminino, 65 anos, com história de pequeno ferimento em face há cinco dias e que evoluiu para vermelhidão em todo rosto, associada a mal estar e febre. Ao exame, paciente com fácies de sofrimento agudo, febril. Bem vermelho e tem uma bolha. 1) Qual diagnóstico/patologia? ERISIPELA FACIAL o Vermelho intenso o Nitidez na delimitação o Bolhas Áreas mais frequentes de erisipela: face e MMII. CASO CLÍNICO 6 Paciente feminino, trabalha na lavoura, relata ferimento pequeno em perna esquerda com pequena planta durante o retorno para casa há quatro dias, evolui com inchaço e dor na perna, além do aparecimento de íngua (aumento do linfonodo). Ao exame, REG, febril. Linfonodos inguinais presentes e aumentados à esquerda. ERISIPELA MAYUME M35 Dá para perceber a área sã da área avermelhada. 1. VERMELHO mais intenso. 2. Diferenciação mais nítida da pele sã e a pele doente (limites precisos). 3. Formação de bolhas 4. Pele em casca de laranja. PERGUNTAS: 1) Qual o principal causador da ERISIPELA? Estreptococos beta hemolítico do grupo A (Piogenes): responsável por quase 100%. 2) TRATAMENTO? PENICILINA benzatina Se optar por internar o paciente opta por: PENICILINA CRISTALINA: é porque ela é venosa e consigo atingir uma concentração tecidual mais alta em pouco tempo. CASO CLINICO 7 Paciente masculino, 32 anos de idade, com história de ferimento escoriativo em cotovelo direito há 3 dias, evolui com febre alta, mal estar, dor e edema no braço direito. Fez uso de analgésicos sem melhora. Ao exame, paciente toxemiado, febril. CELULITE 1. Vermelho menos intenso (MAIS CLARO: rosado, ainda que as áreas estejam edemaciadas). 2. Ausência de limites nítidos. Não consigo diferenciar muito as áreas sãs e doentes. PERGUNTAS: 1) Qual causador da CELULITE? VARIÁVEL. ESTREPTOCOCOS piogenes ESTAFILOCOCOS (altamente virulentos, causam infecções bacterianas graves e não tem bom perfil de sensibilidade para penicilina de primeira geração: benzatina, cristalina e procaína). Por que a benzetacil não é boa? Os ESTAFILOCOCOS produzem uma enzima: PENICILINASE. Que inativam a penicilina, amoxicilina e ampicilina. Para fugir dessa enzima: pegamos a penicilina e alteramos a estrutura química dela, para não ser inativada pela penicilinase. Em QUADRO GRAVE: oxacilina (injetável e hospitalar). O tratamento em casa: sai do grupo das penicilinas e vai para a cefalosporina de primeira geração: CEFALEXINA. DUVIDA: pode usar amoxicilina + clavulanato? Vai tentar inativar a penicilinase com o clavulanato (inibidor de beta lactamase) para a amoxicilina agir. Não é que não possa, mas se for a única opção pode arriscar em um quadro leve, mas não é a melhor escolha. AMBIENTE HOSPITALAR: estafilococo pode ter uma resistência a oxacilina, identificados como MRSA. Em um quadro de CELULITE no hospital: pode já fazer um tratamento direcionado para MRSA. Tem que sair totalmente dos beta- lactâmicos. Muda para: GLICOPEPTIDEOS (VANCOMICINA e TEICOPLANINA). DAPTOMICINA OBS: a LINESOLIDA pertence ao grupo das oxazolidinonas: também é uma opção para o tratamento do MRSA. 2) TRATAMENTO? Tem que cobrir estrepto e estafilo: OXACILINA: injetável e faz em pacientes internados. CASO CLÍNICO 8 Criança com história de aparecimento de febre e vermelhidão no corpo há 12 horas, apresentando também algumas bolhas. A mãe disse que houve pequeno ferimento quando cortava a unha do bebê há dois dias, sem infecção local. Relata agora que a pele da criança está saindo. Ao exame, sinal de Nikolsky positivo. MAYUME M35 Pele se solta na semelhança de queimadura de segundo grau. 1) Qual diagnóstico? SÍNDROME DA PELE ESCALDADA 2) Etiologia? Estafilococos AUREUS Quadro de intoxicação (não está havendo uma infecção sistêmica, o estafilococo não está na corrente sanguínea do bebe. Está restrito ao sitio de inoculação). O bebe é infectado pelos estafilococos, produzem diversas enzimas com poder de destruição tecidual e também funcionam como toxinas, induzindo essas manifestações clínicas dermatológicas. OBS: Nos estafilococos existem 3 quadros de intoxicação importante: 1. Síndrome da pele escaldada estafilococica 2. Entero-intoxicação (estafilococos costumam contaminar diversos alimentos, e já vão liberando as toxinas. Quando as pessoas ingerem esses alimentos contaminados, fazem diarreia aguda de rápida instalação e resolução). 3. Síndrome do choque tóxico: Relacionado ao uso de absorvente interno. O absorvente interno, com o sangue retido ali, tem uma maior proliferação bacteriana, os estafilococos liberavam toxinas que eram absorvidas pela mulher. E elas começavam com um quadro de febre, vomito, diarreia, prostração seguido de hipotensão e choque caso não fossem atendidas precocemente. Quadro severo. Mas depois viram que não eram apenas nessas mulheres, podendo acontecer em diversas outras condições onde houvesse inoculação dos estafilococos (ferimentos, picada de mosquito...). CLASSIFICAÇÃO dos estafilococos: Relacionado à enzima coagulase. 1. Produz a enzima: COAGULASE POSITIVO Altamente virulentos, capazes de causar infecções comunitárias e hospitalares graves. Não dependem de fatores de risco no hospedeiro, não precisam necessariamente de estado de imunodeficiência ou de alguma porta de entrada. Pode causar infecções a partir de pequenos traumas. ESTAFILOCOCOS AUREUS 2. Não produz: COAGULASE NEGATIVO Baixa virulência. Colonizam seres humanos. Dependem muito de fatores de risco, imunodepressão, da presença de procedimentos invasivos e protéticos (costumam infectar cateter, prótese valvar...). Quando os pacientes são operados várias vezes. E não costumam causar infecção a nível comunitário. ESTAFILOCOCOS EPIDERMIDES (colonizam a maioria da pele de todos os seres humanos e contaminam muito as coletas de hemocultura. Tanto que TODA hemocultura está presente, até que prove ao contrário, que é apenas uma contaminação. Passam a ter um valor maior quando eles passam a ter duas amostras ou mais da hemocultura. CASO CLÍNICO 9 Jovem masculino relata aparecimento de pústulas com frequência após fazer a barba, evolui com manchas vermelhas que se transformam em bolhas e rompem. Febre associada e mal estar. Ao exame, crostas finas e lisas em face, além das pústulas. OBS: As pústulas amareladas no fólico piloso após depilação, esse quadro inicial é FOLICULITE: as pessoas que fazem foliculite, são pessoas que provavelmente são colonizadas por estafilococos Aureus. Varias lesões crostosas: São o famoso: IMPETIGO. Impetigo pode estar relacionado ao estrepto e estafilo. Mas quando está relacionado a manifestações graves: IMPETIGO ESTAFILOCOCICO. Paciente também tem uma celulite. Sempre quando ficar em duvida se é uma celulite ou erisipela, melhor diagnosticar como celulite que cobre as duas bactérias. MAYUME M35 1. DIAGNÓSTICO: CELULITE FACIL associada IMPETIGO ESTAFILOCOCICO e um passado de FOLICULITE: Quadro de estafilococica GRAVE. Não deve liberar para casa. 2. TRATAMENTO: OXACILINA: em regime de internamento. CASO CLÍNICO 10 Puérpera de 25 anos de idade apresenta dor importante em mama associada a eritema local. Não aguenta amamentar deste lado. Ao exame, paciente em BEG, febril. CELULITE mamária: 1. Não tem delimitação precisa 2. Áreas rosadas 3. Pústulas 1) DIAGNÓSTICO: CELULITE MAMÁRIA 2) ETIOLOGIA: Estafilococos Aureus 3) TRATAMENTO: CEFALEXINA: opção para infecção estafilococica comunitária de leve a moderada. LEMBRAR: ESTREPTOCOCOS: Existe: impetigo, faringoamigdalite, angina de Ludwig, erisipela, celulite. E intoxicação: escarlatina Dividido em grau de hemóliseBeta hemolíticos: classificação de lancefield: A, B, C e G. ESTAFILOCOCOS Existe: celulite, foliculite, furunculoses, mastite, lesões de impetigo grave. Pode causar uma série de doenças: artrite séptica, osteomielite, infecções de ferida operatória. Causam infecções comunitárias e hospitalar. Divide-se: coagulase positiva (AUREUS: alta virulência) e negativa (EPIDERMIDES: baixa virulência). Mais de 90% são resistentes a penicilina, tendo a oxacilina como melhor opção terapêutica em casos graves. E em ambiente hospitalar tem muita resistência a oxacilina e tem que optar por: vancomicina, teicoplamina, daptomicina e linezolida.