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Ética e Responsabilidade Social das Empresas

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Wilma Pereira Tinoco Vilaça
Elisangela Menezes
Ética e Responsabilidade 
social nas Empresas
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Wilma Pereira Tinoco Vilaça
Elisangela Menezes
 
 
 
 
 
 
 
ÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL NAS EMPRESAS
Belo Horizonte
Junho de 2015
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COPYRIGHT © 2015
GRUPO ĂNIMA EDUCAÇÃO
Todos os direitos reservados ao:
Grupo Ănima Educação
Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610/98. Nenhuma parte deste livro, sem prévia autorização 
por escrito da detentora dos direitos, poderá ser reproduzida ou transmitida, sejam quais forem os meios 
empregados: eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravações ou quaisquer outros.
Edição
Grupo Ănima Educação
Vice Presidência
Arthur Sperandeo de Macedo
Coordenação de Produção
Gislene Garcia Nora de Oliveira
Ilustração e Capa
Alexandre de Souza Paz Monsserrate
Leonardo Antonio Aguiar
Equipe EaD
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Conheça 
a Autora
Wilma Pereira Tinoco Vilaça, Doutora em 
Comunicação, com ênfase em Interfaces 
Sociais da Comunicação, pela ECA/USP; 
Mestre em Administração, com ênfase 
em Inovação e Tecnologia, pela PUC-MG/
Fundação Dom Cabral; especialista em 
Comunicação e Gestão Empresarial, pelo 
IEC/PUC-MG; Bacharel em Comunicação 
Social, habilitação Relações Públicas pela 
FAFI-BH (atual UNIBH). Atualmente leciona 
Técnicas e Métodos de Pesquisa, no curso de 
Administração; Planejamento Estratégico, no 
curso de Gestão de Recursos Humanos; Gestão 
da Comunicação, no curso de Publicidade e 
Propaganda, todos do UNIBH. Atuou como 
coordenadora do curso de Relações Públicas 
da UNA, em 2005. Professora convidada no 
MBA da Ciências Médicas, com a disciplina 
Metodologia Científica. Sócia-diretora da 
WV Comunicação Empresarial Ltda. Tem 
interesse nas áreas de Ética, Comunicação 
Interna, Comunicação Organizacional, 
Sustentabilidade, Planejamento e Pesquisa. 
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Conheça 
a Autora
Elisângela Dias Menezes é jornalista, advogada 
e perita judicial especializada em propriedade 
intelectual. Mestre em Direito Privado pela PUC 
Minas e Doutoranda em Ciências Jurídico-
civis pela Universidade de Lisboa. Professora 
de graduação e pós-graduação dos centros 
universitários UniBH e UNA. Membro da 
Comissão de Propriedade Intelectual da OAB-
MG. Autora do livro “Curso de Direito Autoral”, 
da Editora Del Rey, e coautora de outros três 
livros sobre direitos autorais.
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Ética e responsabilidade social são temas atuais e relevantes 
na formação de todo profissional, mas principalmente daqueles 
que almejam cargos de gestão nas empresas. Na condição de 
disciplina, assume como fundamentais as discussões que tratam 
o desenvolvimento, nos últimos anos, da responsabilidade social 
corporativa e seus impactos nas empresas que aderiram a modelos 
de gestão com vistas à sustentabilidade. Nesse sentido, Ética é 
tema central e traz como temas transversais as questões dos 
valores empresariais, da disseminação de boas práticas e também 
da importância de uma reflexão sobre as relações de trabalho e os 
conflitos que lhes são inerentes. 
Apresentação 
da disciplina
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UNIDADE 1 003
Introdução à ética 004
Conceitos fundamentais e problemas éticos 006
Hábitos, condutas, atitudes e determinação social da ética 010
O lugar do ser humano e as virtudes 012
A intenção ética e a norma 014
Modos de filiação ética 016
Revisão 019
UNIDADE 2 021
Ética e o panorama social, ambiental econômico 022
Papel, presença e efeito das organizações na sociedade 023
Os seres humanos e os processos produtivos 025
As empresas e as carências sociais e ambientais 027
Revisão 032
 
UNIDADE 3 034
As relações de trabalho e os principais dilemas contemporâneos 035
Valores sociais e a vida humana 036
Projetos sociais 039
A diversidade humana: discutindo relações étnico-raciais 
e direitos humanos 040
A diversidade social e cultural brasileira. 044
A noção de raça como noção política e histórica 046
Os direitos humanos como estratégia social de igualdade 048
Revisão 054
UNIDADE 4 056
Ética empresarial 057
Ética empresarial 059
Questões éticas no mundo dos negócios 062
Importância e efeitos da ética nos negócios 070
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REFERÊNCIAS 163
 
UNIDADE 5 076
Códigos de ética 077
A introdução e o sentido do código de ética 079
Valores e objetivos empresariais 086
Experiências empresariais com o código de ética 089
Revisão 096
UNIDADE 6 098
Responsabilidade social empresarial 099
Conceitos e histórico do movimento de responsabilidade social 101
A responsabilidade social e as esferas pública e privada das sociedades 106
O desenvolvimento sustentável e as empresas 110
Ações exemplares de responsabilidade social 114
Revisão 119
UNIDADE 7 121
Balanço social 122
Os grupos de interesse a responsabilidade social 124
Indicadores de responsabilidade social e ambiental 130
A constituição dos indicadores internos e externos 132
Cidadania corporativa 140
Revisão 142
UNIDADE 8 144
Normas e certificações em RSE 145
A certificação SA 8000 146
A perspectiva europeia de controle social 150
As certificações na América Latina 153
A certificação NBR 16001 156
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Introdução 
à ética
• Conceitos 
fundamentais e 
problema éticos
• Hábitos, 
condutas, 
atitudes e 
determinaçnao 
social da ética
• O lugar do ser 
humano e as 
virtudes
• A intenção 
ética e a norma
• Modos de 
filiação ética
• Revisão
Introdução
Em nosso dia a dia, nos deparamos com situações profissionais 
e pessoais difíceis,e sempre vêm à mente as mesmas perguntas: 
o que fazer? Qual a melhor saída? Será que estou sendo justo, 
correto, ético?
O termo “ética” é hoje amplamente utilizado pelos meios de 
comunicação e na rotina das organizações, especialmente nas 
empresas. Fala-se muito em “crise de valores”, ao mesmo tempo em 
que se discutem caminhos e condutas adequados para solucionar 
problemas sociais, econômicos e políticos. 
Estudar ética é estudar os hábitos, costumes e valores que 
regem o nosso comportamento em sociedade. Trata-se de um 
conhecimento que ajuda-nos na construção da nossa própria 
identidade, como membros que somos de uma comunidade que 
possui regras de convívio e de crescimento coletivo.
A noção de ética empresarial está cada vez mais incorporada ao 
chamado “mundo dos negócios”, e as condutas ético-profissionais 
têm sido vistas como respostas cada vez mais eficazes contra as 
más práticas empresariais. 
Para que sejamos bons profissionais, precisamos compreender 
quais são as condutas e atitudes esperadas de nós pelas 
organizações sociais, e precisamos também refletir sobre essas 
práticas para avaliar se as mesmas são condizentes com o que 
realmente sentimos e pensamos.
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Por isso, você está sendo convidado a conhecer um pouco mais 
sobre esta ciência chamada “ética” e a refletir sobre como ela 
é aplicada na prática, delimitando o lugar de todos nós seres 
humanos, a partir de nossos costumes e também de nossos valores 
e virtudes.
Ao longo da unidade, refletiremos sobre o conceito de ética, vamos 
falar sobre moral e ainda abordaremos as ideias de norma, virtude e 
costumes. Tudo isso objetivando iniciar seus estudos no campo da 
ética aplicada ao ambiente empresarial e à responsabilidade social. 
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ÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL NAS EMPRESAS
unidade 1
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A ética não é uma preocupação recente da humanidade. Esforços 
para refletir sobre dilemas éticos de modo sistemático remontam ao 
tempo dos gregos antigos e, desde então, não paramos de pensar 
nisso, ainda que de formas e por motivos muito diferentes, como se 
pode ver na linha do tempo abaixo.
Conceitos 
fundamentais e 
problemas éticos
FIGURA 1 - Evolução do pensamento ético
Séc. V a.C. Séc. XIV d.C.
Séc. XIX Séc. XX
Fonte: Núcleo de Educação a Distância (NEaD), Anima, 2014
Como se vê, os gregos antigos, cinco séculos antes de Cristo, 
já salientavam em seus textos escritos a preocupação com os 
dilemas éticos. Como parte de seus estudos de filosofia, este povo, 
precursor da ética para a humanidade, já acreditava que a sensação 
de proteção e conforto nas nossas relações com os outros seres 
humanos vinha não do contato físico, mas sim de um significado 
atribuído por nós a esta convivência. Isto significa que eles 
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unidade 1
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reconheciam um fato importante: que a vida em comunidade e o 
conjunto de padrões culturais (hábitos, comportamentos, costumes, 
valores, etc.) servem de abrigo, do qual retiramos sinais de proteção 
e conforto, isto é, as relações com os outros seres humanos formam 
nossa “morada protetora” e o nosso “lugar no mundo”.
 
O conceito de ethos como lugar 
simbólico
Para indicar esse “lugar” de conforto do homem, havia entre os 
gregos antigos um nome: ethos, para o qual o uso comum da época 
reservava dois sentidos, ambos importantes para a reflexão ética. 
Num primeiro sentido, ethos era o termo usado para designar o 
ninho ou abrigo dos animais. A transposição desse sentido para 
indicar o “mundo humano dos costumes” mostra que, para os 
gregos, estava claro que são os costumes, como laço entre os seres 
humanos e como regulação das ações humanas, que constituem a 
“morada” protetora do ser humano. 
Isso significa dizer que se destruíssemos todos os costumes já 
selecionados como importantes pelas gerações humanas, isso 
seria o fim de todo sentido para a vida propriamente humana. 
Desse modo, no primeiro sentido dado ao termo ethos, ele significa 
o lugar desse animal social, o ser humano, que sobrevive a partir 
do conjunto de costumes normativos da sua vida como um grupo 
social. É a partir do ethos que o espaço do mundo se torna habitável 
para os seres humanos.
No segundo sentido, ethos era usado para designar aqueles 
comportamentos que se repetiam na comunidade, não apenas 
por necessidade, mas principalmente por escolha das pessoas. 
Sendo assim, podemos dizer que ethos, nesse segundo sentido, 
designa os hábitos que uma comunidade preserva ao longo de sua 
Num primeiro 
sentido, ethos era o 
termo usado para 
designar o ninho ou 
abrigo dos animais.
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história, deixando de lado outros que se perdem no tempo. Essa 
interpretação de ethos salienta ainda que os comportamentos 
humanos não são ditados pela natureza, e sim pela liberdade e pela 
inteligência humanas.
Veja então que o termo ethos reúne dois aspectos que explicam 
as nossas sensações e percepções de conforto e proteção na 
convivência com aquelas pessoas que constituem nossa comunidade. 
Primeiro, ao partilhar conosco de nossos hábitos, costumes, valores 
e comportamentos, as outras pessoas nos ajudam a preservá-los e 
fazer deles nossas fontes de segurança e essa fonte, então, é o próprio 
ethos. Segundo, nas relações com as pessoas, na perspectiva histórica, 
inventa-se e reinventa-se constantemente um “abrigo simbólico” que 
nos protege das dificuldades da existência humana. Esse abrigo é 
também o que os gregos antigos chamavam de ethos.
Deste modo, ethos como o “lugar do ser humano na vida” é um 
conceito que vai muito além de saber que moramos em uma rua que 
conhecemos bem, ou que passamos diante das casas cujas cores 
estamos acostumados a ver. “Lugar”, nesse caso, depende muito 
mais das relações que alguém mantém com as demais pessoas, 
dos valores, hábitos e costumes que partilha com elas e que dão a 
sensação de proteção e conforto. 
Conservando esse sentido e estendendo-o a todas as pessoas 
com as quais partilhamos essa sensação, dizermos que estamos 
no “nosso lugar”, tem uma significação ampla: a de que sentimos 
proteção na familiaridade dos hábitos, costumes e comportamentos 
nossos e de nossos pares. Por isso, podemos dizer que o termo ethos 
resume a ideia de conservação de um “lugar para o ser humano”, e a 
ideia de constante reinvenção desse lugar. 
Por “ethos humano”, então, podemos entender aquilo que cada 
um de nós, cada grupo social, cada equipe de trabalho, acaba por 
sedimentar nas suas relações e que procura contrastar com valores, 
hábitos, costumes e comportamentos que queremos deixar de lado. 
O termo ethos 
reúne dois aspectos 
que explicam as 
nossas sensações 
e percepções de 
conforto e proteção 
na convivência com 
aquelas pessoas que 
constituemnossa 
comunidade. 
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Esse movimento constante é o que caracteriza o ethos como o 
lugar dos seres humanos na existência.
Ética como exercício de invenção e 
reinvenção das relações humanas
A partir do conceito de ethos surge a noção de ética, que se 
refere à construção efetiva do lugar do ser humano (o ethos), 
enquanto resultado do conjunto das suas ações. Então, ética é o 
próprio trabalho diário de localização do ethos como lugar do ser 
humano na existência. Este trabalho, de eliminação de referências 
e constituição de outras, é dinâmico e constante, e faz da atitude 
avaliativa dos rumos do ethos a atividade ética por excelência. 
Assim, a construção do lugar do ser humano (seu ethos) pode 
ocorrer sem nos darmos conta, mas pode também ser feita com 
um nível bastante elevado de consciência a respeito do efeito 
de nossas ações, individuais e coletivas. Nesse segundo caso, 
estaríamos no próprio campo da ética. Ao longo do tempo, as 
reflexões e análises relacionados à ética foram ganhando o status 
de uma ciência social, ou seja, de um estudo sistematizado das 
condutas humanas e da elaboração e transformação do ethos do 
homem em suas relações sociais.
Hoje, de forma simplificada, a ética pode ser conceituada como uma 
ciência social que lança um olhar específico sobre o homem, um 
olhar diferenciado das demais ciências sociais, tais como a filosofia 
e a sociologia. No caso da ética, o objeto de estudo é a conduta do 
homem em sociedade e a localização de seu ethos (lugar do ser 
humano). A ética passa a ser assim a ciência da conduta do homem 
em busca de seu lugar no mundo e nas relações sociais em que se 
vê inserido. 
Neste sentido, falar de ética é refletir sobre essas condutas sociais 
do homem e também sobre os valores que pautam suas diversas 
relações sociais. Essa reflexão a respeito do sentido de nossas 
A partir do conceito 
de ethos surge a 
noção de ética, 
que se refere à 
construção efetiva 
do lugar do ser 
humano (o ethos), 
enquanto resultado 
do conjunto das 
suas ações. 
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ações tem gerado muitas discussões, que são importantes para 
compreendermos as questões éticas nas organizações. É também 
nesse sentido, de um cálculo possível dos efeitos de nossas ações 
sobre o futuro da vida humana, que a ética empresarial procura 
inserir as empresas no campo da construção do ethos humano.
As sociedades antigas, como a dos gregos, tinham a ideia de que 
“formar” os cidadãos desde cedo para toda sua vida garantiria uma 
posição responsável ou ética. Nesse sentido, essa formação recaía 
sobre a aquisição de hábitos, condutas e atitudes que serviam 
para todas as situações, desde a família, passando pelos outros 
grupos até o trabalho, as relações sociais, etc. Nesse sentido, tais 
hábitos, condutas e atitudes se tornavam requisitos para inserção 
dos indivíduos naqueles grupos sociais que eles gostariam ou 
precisavam, por algum motivo, fazer parte. 
Ainda hoje, o estudo da ética parte dessa noção da divisão de 
nossa sociedade em grupos sociais que se formam por afinidade 
de valores, condutas e atitudes. Neste contexto, a lição dos gregos 
continua sendo válida, ou seja, a aquisição de certos hábitos, 
costumes e atitudes possibilita a entrada e permanência dos 
indivíduos nos diversos grupos sociais, ajudando-os na construção 
de seus próprios ethos.
A entrada dos indivíduos nesses grupos sociais geralmente 
constitui ritos de passagem, comuns em todas as sociedades. 
Exemplos desses ritos de passagem são a alfabetização e a 
Hábitos, condutas, 
atitudes e 
determinação 
social da ética
As sociedades 
antigas, como a dos 
gregos, tinham a 
ideia de que “formar” 
os cidadãos desde 
cedo para toda sua 
vida garantiria uma 
posição responsável 
ou ética. 
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formatura nos sistemas escolares, bem como o namoro e o 
casamento na vida afetiva ou a aquisição do primeiro ou de um 
novo emprego, na vida profissional.
Com efeito, é bastante marcante na vida adulta a escolha 
profissional, como uma porta para a diversidade de conhecimentos 
e de visões do mundo, das relações humanas, e das relações 
sociais nas organizações produtivas. A que visão do ethos 
humano inclina a formação em administração? E em engenharia 
de produção? E em direito? Em psicologia? Em medicina? Sem 
dúvida, a escolha profissional leva a uma reflexão ética que inclui 
as organizações produtivas. 
Como se vê, as organizações produtivas, tais como empresas, 
cooperativas, associações, dentre outras, são espaços legítimos 
de discussões éticas. Isso porque a atividade produtiva, da qual 
as empresas são protagonistas, é uma prática social e não um 
emaranhado de ações individuais. Essa prática é condicionada pelos 
determinantes históricos e sociais de cada momento. Isto quer 
dizer também que, para além das funções comerciais e financeiras, 
as organizações produtivas são responsáveis, também, pela 
constituição de referências éticas.
É nesse sentido que elas passaram a considerar diretamente, e 
não como tema secundário, as relações com as pessoas que, 
como colaboradores, ou de fora, como clientes e outros grupos 
de interesse, são o seu sentido e sua condição de sobrevivência. 
Assim, não podemos esperar dos administradores e dos líderes 
das empresas que eles tenham posições éticas, isto é, atitudes 
responsáveis em suas decisões e na condução dos grupos 
sociais da empresa, se isso não se sustentar em condutas éticas 
socialmente constituídas. Também não podemos esperar das 
pessoas que ingressam nas empresas que elas estejam alheias à 
influência cultural da qual fazem parte.
As organizações 
produtivas, tais 
como empresas, 
cooperativas, 
associações, 
dentre outras, são 
espaços legítimos de 
discussões éticas.
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Um conceito fundamental para a reflexão ética é o conceito de 
virtude. As virtudes são atributos dos indivíduos, identificáveis em 
suas ações, como fruto de um longo processo de aprendizado nos 
vários domínios, mas principalmente por ação de sua vontade. A 
prova da vontade está na base do desenvolvimento das virtudes, 
sempre enunciadas no plural, pela interligação entre elas. 
No entendimento de Aristóteles, filósofo do período grego clássico, 
as virtudes, tais como a justiça, a temperança e a coragem, dentre 
outras, se desenvolvem pelo exercício das ações virtuosas. Isto é, 
mais do que uma teoria das virtudes, interessa-nos saber o que 
nelas garantiria a ação “reta” que possibilitaria a vontade firme 
na ação ética. Para o filósofo, virtude não é um atributo subjetivo, 
inalcançável à observação. É entendidacomo algo que se revela 
na ação, nas situações reais para as quais seria necessária uma 
virtude específica. 
A virtude da “temperança”, por exemplo, que poderia ser definida 
como a habilidade de julgar de forma justa para tomar decisões, 
é um meio termo entre a “atitude apressada” e a “lentidão nas 
decisões”. Note-se que a virtude da temperança se define em 
relação a dois vícios opostos: de um lado o afobamento e, de outro 
lado, a lentidão, e ela, a virtude, seria exatamente o meio termo (a 
justa medida) entre esses dois vícios. 
Outro exemplo, mais significativo na época de Aristóteles do 
que na nossa mas que nos mostra a estrutura da sua noção de 
virtude é o exemplo da coragem. Essa virtude é entendida como o 
meio termo entre os dois vícios opostos que são a “covardia” e a 
“temeridade (precipitação)”. 
O lugar do ser 
humano e as 
virtudes
As virtudes 
são atributos 
dos indivíduos, 
identificáveis 
em suas ações, 
como fruto de um 
longo processo de 
aprendizado nos 
vários domínios, mas 
principalmente por 
ação de sua vontade.
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ÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL NAS EMPRESAS
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Observe o seguinte esquema: 
FIGURA 2 - Justa medida (metron)
Covardia Temeridade
Fugir correndo ao ver a força do 
inimigo, ou ao compreender a 
magnitude do perigo.
Jogar-se contra o inimigo 
sem considerar sua força ou 
desconsiderando a magnitude 
do perigo.
Enfrentar o inimigo, ou o perigo, 
sem se deixar dominar pelo 
medo e pela possibilidade de 
subestimar sua força.
Coragem
Fonte: Núcleo de Educação a Distância (NEaD), Anima, 2014. 
Como se vê, a ação corajosa (virtuosa) não significa a eliminação 
do medo, mas a sua adoção na medida certa. O excesso do medo 
produz o vício da covardia, ponto de produzir a fuga. Por outro lado, 
a falta do medo gera o vício da temeridade levando à precipitação e 
à exposição desnecessária ao golpe fatal. 
Se em nossa época soa estranho pensarmos na coragem como 
uma virtude, podemos, por outro lado, estender essa lógica 
da tensão entre virtudes e vícios a qualquer outra virtude que 
queiramos analisar. 
A justiça, por exemplo, era entendida por Aristóteles como 
a virtude máxima a ser desenvolvida nos seres humanos e 
primordial nas atividades de liderança e de governo. A justiça 
é a virtude desenvolvida como meio termo entre, de um lado, 
o vício da supremacia do indivíduo (vício que chamaríamos 
hoje de individualismo) e, de outro lado, o vício da supremacia 
da comunidade. Como meio termo entre essas duas esferas, 
chamadas contemporaneamente de esfera do público e do 
privado, a justiça se destaca como virtude, garantido inclusive o 
equilíbrio e o dinamismo de todas as demais. 
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unidade 1
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Observemos, ainda, que nessa concepção algumas ações não 
são passíveis de meio-termo. São as que nelas mesmas já 
encerram algum mal: o despeito, a impudência, a inveja, o roubo, 
o assassinato. Todos os hábitos que levem a essas ações ou que 
essas ações impliquem não são desejáveis em sistema social 
nenhum e, portanto, seriam hábitos a eliminar do ethos humano.
A ética grega nos ensina que a ação virtuosa é aquela que permite 
o encontro do melhor resultado, naquela época chamado de 
bem supremo ou simplesmente de felicidade. O bem supremo 
era entendido como a vida feliz, pautada pela razão. As virtudes, 
enquanto capacidades dos indivíduos de chegar, em suas ações, 
a um meio-termo entre dois possíveis vícios, garantiam que essas 
ações produzissem o bem, por eliminar os extremos representados 
pelos vícios. Assim, a intenção ética seria sempre a de alcançar o 
bem supremo ou a felicidade. 
Para falar sobre a aplicação da ética na prática precisamos recorrer 
ao sentido de moral. Em sua origem, a palavra moral surgiu na 
sociedade romana (latina), também na antiguidade clássica, e era 
usada com o mesmo significado que a palavra ética tinha para os 
gregos. Assim, moral vem do radical mores, que assim como ethos, 
representava a busca pelo “lugar dos seres humanos” enquanto 
localização, “morada” para os mesmos. Isso significa que os termos 
da discussão moral, entre os latinos, seguia a lógica dos gregos 
antigos, sistematizada na ideia de ética.
Todavia, ao longo do desenvolvimento da ética como ciência, os 
autores começaram a diferenciar os dois termos, atribuindo à moral 
um caráter mais prático e aplicado, restando à ética o campo do 
A intenção ética e 
a norma
A ética grega nos 
ensina que a ação 
virtuosa é aquela 
que permite o 
encontro do melhor 
resultado, naquela 
época chamado de 
bem supremo ou 
simplesmente de 
felicidade. 
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estudo teórico das condutas do homem. Esta diferenciação foi o 
resultado da interpretação do próprio pensamento dos gregos e dos 
romanos. Os gregos, por sua cultura, acreditavam que toda ação 
humana tende para o bem e que a soma de todos as intenções de 
chegar a esse bem seria garantida pela educação dos mais jovens. 
Já os romanos (latinos), logo depois, acentuam a necessidade de 
uma punição (coerção social) para garantir que as ações humanas 
sigam esse objetivo de buscar o bem. 
Dessa diferença de pensamento entre gregos e romanos teria 
surgido a diferença entre ética e moral, sendo a primeira o estudo 
do conjunto de valores que regem a ação humana num determinado 
contexto social e histórico, enquanto que a segunda seria a aplicação 
prática desses valores pelos homens, dentro de um sistema social 
coercitivo (punitivo, obrigatório). Esse sistema coercitivo pode ser 
chamado de sistema normativo, pois ele transforma os valores em 
normas, como regras de condutas expressamente estabelecidas, de 
caráter obrigatório, sob pena de gerarem algum tipo de repreensão 
ou punição para quem as descumpre.
Assim, as normas morais seriam essas máximas com as quais 
lidamos no seio de uma sociedade, às vezes sem nos darmos conta. 
Você já percebeu que em uma empresa, no dia a dia do trabalho, 
seria absurdo um indivíduo ir trabalhar de calça e sapato muito finos 
e sem camisa, nem casaco? Por que os indivíduos não o fazem? 
Porque estão seguindo a norma moral que proíbe a exposição do 
corpo e que exerce sobre nós um poder de coerção.
Pois bem, são várias as normas morais de uma sociedade 
específica. Algumas delas se tornam difundidas em várias culturas. 
“Não matarás”, “não furtarás”, são normas morais decisivas, 
de grande relevância para a permanência da estrutura social. É 
bom notar que o ato de matar não é algo descartado por si só. É 
a norma moral que lhe dá um sentido negativo ou positivo. Basta 
você lembrar que numa guerra, matar é a regra, ou seja, há normas 
morais que legitimam o ato de matar. Que todos nós queiramos que 
Os gregos, por sua 
cultura, acreditavam 
que toda ação 
humana tende para o 
bem e que a soma de 
todos as intenções 
de chegar a esse 
bem seria garantida 
pela educação dos 
mais jovens. 
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a norma moral “não matarás” seja seguida por todos, inclusive por 
quem tem o poder de fazer a guerra, é uma escolha a ser defendida 
dentre os demais. 
A partir das normas, ou seja, de tudo o que se sedimenta como 
direito e dever de todos em uma sociedade, passa-se à legislação. 
O teor das normas é objeto da legislação, ou seja, as normas morais 
mais sedimentadas são transformadas em leis. Nesse sentido, 
todas as leis são normas morais ou, dito de outra forma, a lei tem 
origem nas normas morais. 
Para nos filiarmos aos padrões éticos praticados em nosso meio 
social e construirmos nosso próprio ethos, utilizamos não apenas 
a ética das virtudes na busca do bem, mas também lançamos mão 
das normas morais impostas pela própria sociedade. 
Como vimos anteriormente, as normas morais são condutas 
práticas, comuns em determinadas comunidades, enquanto que a 
ética das virtudes nos convida a assumir as responsabilidades de 
maneira consciente e, portanto, teórica, antes mesmo que haja 
alguma norma moral determinada para aquela conduta.
Assim, podemos dizer que quanto aos modos de filiação éticas 
estão em jogo tanto a “intenção ética”, enquanto atitude consciente 
baseada em valores teóricos, quanto a “norma moral”, como regra 
de conduta praticada e, de certa forma, imposta pela sociedade.
Isso porque, se por um lado há transformações sociais e culturais 
que revelam mudanças na intenção das pessoas que compõem o 
meio, há também outros casos em que tais transformações são o 
Modos de filiação 
ética
Para nos filiarmos 
aos padrões éticos 
praticados em 
nosso meio social 
e construirmos 
nosso próprio ethos, 
utilizamos não 
apenas a ética das 
virtudes na busca do 
bem, mas também 
lançamos mão das 
normas morais 
impostas pela 
própria sociedade. 
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resultado da adoção de normas, num sistema de hierarquia e poder, 
principalmente nas organizações sociais.
Interessante notar que as “intenções éticas” e as “normas morais” 
não se complementam, mas normalmente se contrapõem, uma vez 
que enquanto as primeiras são teóricas, as segundas são de ordem 
prática e nem sempre a teoria e a prática coincidem. De toda forma, 
é exatamente essa contradição que define um modo único e amplo 
de filiação ética, que leve em conta os dois aspectos ao mesmo 
tempo. A “intenção ética” e a “norma moral” são modos diferentes e 
contrapostos, mas igualmente legítimos de filiação e exercício ético.
Nessa unidade você conheceu a origem e importância da definição 
da ética, podendo compreender de forma clara que o lugar, a morada 
simbólica (ethos) do ser humano, não está nunca pronta, acabada. E que 
a ação humana, sedimentando valores, hábitos e costumes, constitui 
o ethos humano. Considerando o que foi discutido nesta unidade, leia o 
artigo a seguir e avalie os argumentos da autora de modo a indicar onde 
reside o seu pessimismo ou o seu realismo. A quem podemos dizer que ela 
atribui a responsabilidade pela crise atual de autoridade? 
A CRISE QUE ESTAMOS ESQUECENDO 
Por Lya Luft
O tema do momento é a crise financeira global. Eu aqui falo de outra, que 
atinge a todos nós, mas especialmente jovens e crianças: a violência 
contra professores e a grosseria no convívio em casa. Duas pontas 
da nossa sociedade se unem para produzir isso: falta de autoridade 
amorosa dos pais (e professores) e péssimo exemplo de autoridades e 
figuras públicas.
Pais não sabem como resolver a má-criação dos pequenos e a 
insolência dos maiores. Crianças xingam os adultos, chutam a babá, 
a psicóloga, a pediatra. Adolescentes chegam de tromba junto do 
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carro em que os aguardam pai ou mãe: entram sem olhar aquele que 
nem vira o rosto para eles. Cumprimento, sorriso, beijo? Nem pensar. 
Como será esse convívio na intimidade? Como funciona a comunicação 
entre pais e filhos? Nunca será idílica, isso é normal: crescer é também 
contestar. Mas poderíamos mudar as regras desse jogo: junto com 
afeto, deveriam vir regras, punições e recompensas. Que tal um pouco 
de carinho e respeito, de parte a parte? Para serem respeitados, pai e 
mãe devem impor alguma autoridade, fundamento da segurança dos 
filhos neste mundo difícil, marcando seus futuros relacionamentos 
pessoais e profissionais. Mal-amados, mal ensinados, jovens abrem 
caminho às cotoveladas e aos pontapés.
Mal pagos e pouco valorizados, professores se encolhem, permitindo 
abusos inimagináveis alguns anos atrás. Uma adolescente empurra a 
professora, que bate a cabeça na parede e sofre uma concussão. Um 
menininho chama a professora de “vadia”, em aula. Professores levam 
xingações de pais e alunos, além de agressões físicas, cuspidas, 
facadas, empurrões. Cresce o número de mestres que desistem da 
profissão: pudera. Em escolas e universidades, estudantes falam alto, 
usam o celular, entram e saem da sala enquanto alguém trabalha 
para o bem desses que o tratam como um funcionário subalterno. 
Onde aprenderam isso, se não, em primeira instância, em casa? O que 
aconteceu conosco? Que trogloditas somos – e produzimos –, que 
maltrapilhos emocionais estamos nos tornando, como preparamos a 
nova geração para a vida real, que não é benevolente nem dobra sua 
espinha aos nossos gritos? Obviamente não é assim por toda parte, 
nem os pais e mestres são responsáveis por tudo isso, mas é urgente 
parar para pensar.
Na outra ponta, temos o espetáculo deprimente dos escândalos 
públicos e da impunidade reinante. Um Senado que não tem lugar 
para seus milhares de funcionários usarem computador ao mesmo 
tempo, e nem sabia quantos diretores tinha: 180 ou 30? Autoridades 
que incitam ao preconceito racial e ao ódio de classes? Governos 
bons são caluniados, os piores são prestigiados. Não cedemos ao 
adversário nem o bem que ele faz: que importa o bem, se queremos o 
poder? Guerra civil nas ruas, escolas e hospitais precários, instituições 
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moralmente falidas, famílias desorientadas, moradias sub-humanas, 
prisões onde não criaríamos porcos. Que profunda e triste impressão, 
sobretudo nos mais simples e desinformados e naqueles que ainda 
estão em formação. Jovens e adultos reagem a isso com agressividade 
ou alienação em todos os níveis de relacionamento. O tema “violência 
em casa e na escola” começa a ser tratado em congressos, seminários, 
entre psicólogos e educadores. Não vi ainda ações eficazes.
Sem moralismo (diferente de moralidade) nem discursos pomposos 
ou populistas, pode-se mudar uma situação que se alastra – ou 
vamos adoecer disso que nos enoja. Quase todos os países foram 
responsáveis pela gravíssima crise financeira mundial. Todos os 
indivíduos, não importa a conta bancária, profissão ou cor dos olhos, 
podemreverter esta outra crise: a do desrespeito geral que provoca 
violência física ou grosseria verbal em casa, no trabalho, no trânsito. 
Cada um de nós pode escolher entre ignorar e transformar. Melhor 
promover a sério e urgentemente uma nova moralidade, ou fingimos 
nada ver, e nos abancamos em definitivo na pocilga.
Fonte: LUFT, Lya. A crise que estamos esquecendo. In: “Revista Veja”, 08 
abril 2009, p. 24. 
Nos usos que fazemos hoje da palavra ética, praticamente 
esquecemos a abrangência do termo ethos. 
O conceito de ethos traduz a ideia de um “lugar para o ser humano” 
e a constante reinvenção desse lugar. Por “ethos humano”, então, 
podemos entender que cada um de nós, cada grupo social, cada 
equipe de trabalho, somente existe no contraste entre valores que 
queremos que sejam duradouros e os motivos que a vida nos 
apresenta para mudarmos esses valores. 
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Nesse contexto, a ética se refere ao nível de consciência que temos 
do efeito de nossas ações em conjunto sobre nosso lugar futuro no 
mundo. Assim, a ética pode ser definida como a “ciência da conduta 
do homem em sociedade, sendo objeto de reflexões do homem 
desde os filósofos gregos até os nossos tempos.” 
Sobre a importância dos hábitos, condutas e atitudes você leu que 
é deles que se constituem os alicerces daquilo que somos, como 
grupos sociais, e aprendeu que nossas ações são determinadas 
socialmente, o que é tema central da reflexão ética. 
Nesse sentido, sempre podemos desenvolver virtudes, como 
a justiça, a temperança e outras, ora optando por atribuir uma 
intenção ética em nossos atos, ora buscando conhecer e seguir as 
normas moral que regem as condutas em nosso meio social.
Para saber mais sobre os conceitos básicos de ética e moral, vale a pena 
conhecer duas importantes obras de pensadores da atualidade:
BOFF, Leonardo. Ética e Moral. Petrópolis: Vozes, 2003
VÁZQUEZ, Adolfo Sánchez. Ética. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999
Há também na internet, um site bastante interessante, com indicações de 
leituras, de links, de palestras e entrevistas sobre ética.
Site “Espaço Ética”. Apresenta informações sobre Clóvis de Barros Filho e 
suas palestras. Disponível em: <http://www.espacoetica.com.br/>. Acesso 
em: 03 ago. 2016. 
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Ética e o panorama 
social, ambiental e 
econômico 
• Papel, presença 
e efeito das 
organizações na 
sociedade
• Os seres 
humanos e 
os processos 
produtivos
• As empresas 
e as carências 
sociais e 
ambientais
• Revisão
Introdução
A construção da ética tem sido influenciada pelas transformações 
sociais, econômicas e ambientais de nossa sociedade. Nesse 
contexto, as empresas se destacam como verdadeiros agentes de 
transformação social. Nessa unidade, vamos falar sobre os diversos 
desafios éticos enfrentados hoje pelas organizações produtivas, 
tais como os avanços tecnológicos, a exclusão social e a escassez 
de recursos ambientais. 
Pretendemos, com isso, facilitar sua compreensão sobre a inserção 
necessária das organizações produtivas na realidade social da qual elas 
são sempre importantes agentes. Além disso, ao abordar as relações que 
as empresas têm mantido com os problemas sociais e com as questões 
ambientais, veremos que, para a tarefa de inserir a empresa no âmbito da 
ética empresarial, a implicação de todos os integrantes é fundamental.
Por fim, vamos apontar algumas posturas éticas a serem adotadas 
diante desses desafios, como o desenvolvimento de uma visão global, 
de um senso crítico humanizado e do constante aprimoramento 
de técnicas e conhecimentos. Leia atentamente as propostas de 
discussão, acrescente suas próprias observações sobre a realidade 
atual e procure refletir a respeito dos desafios que as condições 
sociais, econômicas e políticas, já criadas há bastante tempo, 
representam para a nossa participação nas organizações produtivas. 
Bons Estudos!
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ÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL NAS EMPRESAS
unidade 2
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O avanço das tecnologias digitais conferiu ao mundo um sentido de 
unidade jamais experimentado em períodos históricos anteriores. 
Romperam-se limites e fronteiras aparentemente intransponíveis, 
colocando-se em contato culturas diferentes, credos, etnias e 
tipos humanos, que passam a ter acesso a informações e notícias 
instantaneamente. Recentemente, as redes sociais via internet 
têm definido laços sociais que se constituem com grande rapidez 
e muita efetividade, chegando à instantaneidade na troca de 
informações entre as pessoas. 
Neste contexto, as organizações produtivas aparecem como 
agentes diretos das transformações. Ao se delinearem novos modos 
de relacionamento entre as pessoas, principalmente por meios 
eletrônicos e digitais que exigem maior qualificação e agilidade 
dos interlocutores, modifica-se o compromisso das empresas com 
seus colaboradores, seus clientes e as comunidades. Os modos 
do trabalho e os modos dos negócios devem considerar os efeitos 
diretos da modernização, iniciada desde os séculos anteriores e que 
em nossos dias toma uma velocidade assombrosa. 
Mas, alguns aspectos da realidade das relações sociais vividas nas 
empresas não se modificam por efeito das formas tecnológicas 
de comunicação. Ao contrário, elementos como valores, cultura e 
relações pessoais são somente facilitadas pela inserção das novas 
tecnologias. A responsabilidade das empresas em relação aos 
efeitos das mudanças sobre seus processos, estrutura e cultura, 
em relação aos efeitos de suas atividades sobre as pessoas, 
internas e externas e sobre o meio ambiente, continuam sendo foco 
de reflexões importantes que servem para pensarmos o papel das 
empresas rumo à contemporaneidade.
Papel, presença 
e efeito das organizações 
na sociedade
A responsabilidade 
das empresas em 
relação aos efeitos 
das mudanças sobre 
seus processos, 
estrutura e cultura, 
em relação aos 
efeitos de suas 
atividades sobre as 
pessoas, internas 
e externas e sobre 
o meio ambiente, 
continuam sendo 
foco de reflexões 
importantes 
que servem 
para pensarmos 
o papel das 
empresas rumo à 
contemporaneidade.
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As organizações empresariais têm a liberdade de investimento 
nos setores que julgarem melhor, entretanto, esses investimentos 
podem esbarrar no direito das comunidades (e da sociedade em 
geral) e das demais pessoas envolvidas.
No Estado de Direito, como é o caso de nossas sociedades, as leis 
estabelecemos limites entre as liberdades e os deveres de todos 
os integrantes do sistema social. Um exemplo disso são as leis 
trabalhistas, que visam equilibrar as relações entre os donos das 
empresas e os trabalhadores. Assim, a lei garante direitos aos 
empregados como forma de garantir a justiça nas relações de 
trabalho. Do mesmo modo, as leis de defesa do consumidor visam 
regular a relação das organizações produtivas com seu público. 
Todas essas regulações partem do suposto de que, no processo 
histórico, paralelamente aos benefícios do avanço das nossas formas 
de vida, há um risco social nas relações entre empresas e pessoas.
Como apontam as análises estruturais, o avanço do capitalismo 
ao longo dos últimos séculos criou uma inegável disparidade 
social referida nos meios de comunicação, ora como diferença 
entre “pobres” e “ricos”, ora entre “países desenvolvidos” e “países 
atrasados” ou “primeiro mundo” e “terceiro mundo”. 
Essa discrepância, que em resumo não é entre “países” ou 
“pessoas” individuais e sim entre classes sociais (capital e 
trabalho), encerra historicamente uma acumulação irrevogável dos 
meios de produção (matéria-prima, prédios, dinheiro, máquinas, 
equipamentos, mobiliário) sob a propriedade privada de uma das 
classes sociais (a classe do capital). 
Assim, tem crescido a ideia de que, junto ao avanço tecnológico 
e junto ao acompanhamento da modernização, as organizações 
produtivas precisariam se haver também com a construção de uma 
justiça social. Elas estarão inseridas na medida em que adotam 
posturas de responsabilidade, isto é, posições éticas. 
Todas essas 
regulações partem do 
suposto de que, no 
processo histórico, 
paralelamente aos 
benefícios do avanço 
das nossas formas 
de vida, há um risco 
social nas relações 
entre empresas e 
pessoas.
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Tais posições éticas referem-se não somente ao futuro, mas 
também à necessidade de um resgate ou amenização da 
disparidade histórica entre as condições sociais, que fazem a base 
da produção de bens e serviços no capitalismo contemporâneo. 
Neste sentido, a justiça social, como resultado de uma economia 
sustentável, é sempre uma proposição ideal a ser perseguida a 
médio e a longo prazos, sendo o esforço da ética empresarial a 
materialização desse ideal.
Os seres humanos e os 
processos produtivos
A tendência de se considerar as empresas como agentes de 
uma postura ética levou, nos últimos anos, à adoção de uma 
denominação específica para os vários grupos de pessoas e 
instituições ligadas ao processo produtivo. É nessa direção que se 
adota a noção de “grupos de interesse” da empresa, tradução do 
termo stakeholders, uma expressão inglesa que designa as partes 
interessadas em um negócio ou empreendimento. Estão incluídos 
neste conceito de “grupos de interesse” quaisquer indivíduos ou 
grupos cuja ação, opinião ou atitude possa afetar o negócio ou ser 
por ele afetado. 
Como se vê, os stakeholders (grupos de interesse) são os 
colaboradores, os fornecedores, os consumidores, a comunidade, 
o governo, os acionistas, etc. É comum nas empresas inseridas na 
preocupação com a ética empresarial a dedicação e o mapeamento 
dos stakeholders a elas atrelados.
Nessa noção, são importantes desde as questões trabalhistas (que 
interessam aos funcionários), até as preocupações com o meio 
ambiente (que interessam à vida no planeta), o que define a ética 
Os stakeholders 
(grupos de 
interesse) são os 
colaboradores, 
os fornecedores, 
os consumidores, 
a comunidade, 
o governo, os 
acionistas, etc. 
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empresarial como ética voltada para o outro, em detrimento da 
ética do interesse próprio. 
A ética orientada para os outros visa, exatamente como ponto de 
referência da empresa, a valorização do benefício do todo. Em uma 
analogia às relações pessoais, podemos dizer que a ética voltada 
para o outro tem por princípio a ideia de que “é fazendo o outro feliz 
que eu vou me realizar e me sentir feliz”.
No crescimento dos outros, pela implicação deles com o negócio 
da empresa, a organização pode crescer, por meio de suas equipes. 
Assim, pode-se dizer que o respeito aos stakeholders é mais do que 
um meio para a realização dos objetivos da empresa, representando 
um fim em si mesmo, que se atrela socialmente a esses objetivos. 
Na perspectiva dos negócios, o valor agregado pelos serviços é, em 
primeiro lugar, a referência da posição da empresa. Assim pode-se 
esperar a obtenção de ganhos financeiros, que ocorrerão a médio 
e longo prazos, como efeito do posicionamento ético da empresa. 
Como se vê, essa “riqueza simbólica” da empresa não se resume ao 
seu objetivo de obter resultados econômicos. 
A empresa dispõe de muitos recursos para gerir seu conjunto 
de valores, fundamentos de sua ética empresarial, tais como os 
códigos de ética, as cartas de valores e as políticas de gestão. A cada 
realidade pode-se encontrar mais vantagens do entrelaçamento 
entre esses documentos, mas o importante é que em todos eles a 
empresa seja vista como um conjunto de pessoas. 
Isso implica admitir que as tomadas de decisão sejam de 
pessoas sobre pessoas, visando os objetivos da empresa; que os 
instrumentos de regulação sejam instrumentos de ordenamento 
da ação de pessoas, com todas suas características de falibilidade; 
que as políticas de gestão não sejam somente gestão das pessoas, 
sejam políticas para gestão com as pessoas, feitas por sujeitos com 
capacidade de analisar e criticar a realidade à sua volta. 
A ética orientada 
para os outros visa, 
exatamente como 
ponto de referência 
da empresa, a 
valorização do 
benefício do todo. 
Em uma analogia às 
relações pessoais, 
podemos dizer que 
a ética voltada para 
o outro tem por 
princípio a ideia de 
que “é fazendo o 
outro feliz que eu 
vou me realizar e me 
sentir feliz”.
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Para que essa humanização das relações de trabalho aconteça é 
necessário admitir as diferenças internas entre as pessoas como 
diferenças que tocam a liberdade de cada um. Assim, o empresário 
não terá o mesmo interesse no lucro do que o funcionário que 
dele participa somente em pequena parcela. O esforço voluntário 
de inserção dos funcionários nos objetivos da empresa, a 
automotivação e as resistências a determinados aspectos da 
cultura da empresa dependem da absorção ou não dos diversos 
objetivos de vida das pessoas.
Note que na ética empresarial, a dimensão humana, tanto na 
instância interna como externa à empresa, é o fator primordial. Em 
síntese, é das pessoas em suas relações dinâmicas entre si que 
se sedimentam os elementos (hábitos, costumes, interditos) que 
formam o ethos humano, do qual a empresa participa.
As empresas e as 
carências sociais e 
ambientais
O efeito mais direto do debate sobre a ética empresarial nas 
empresas é a correção da projeção pessimista quanto aos 
rumos do capitalismo. Se na infraestrutura, como definia Marx, 
nadase modificou quanto à divisão de classes, na discussão 
ideológica, a emergência nos últimos anos de relatórios mais 
severos sobre o esgotamento dos recursos ambientais e as 
notícias diárias sobre as mazelas da exclusão social, têm sido 
sinais de alerta importantes. 
A chamada “economia pura”, entendida como economia dissociada 
de seu caráter social, é invadida por uma preocupação que pretende 
enfrentar os desafios do capitalismo, ao menos exigindo daqueles 
que antes somente pensavam em maximizar a riqueza, que se 
A chamada 
“economia pura”, 
entendida como 
economia dissociada 
de seu caráter social, 
é invadida por uma 
preocupação que 
pretende enfrentar 
os desafios do 
capitalismo, ao 
menos exigindo 
daqueles que antes 
somente pensavam 
em maximizar a 
riqueza, que se 
justifiquem do ponto 
de vista de sua 
contribuição para 
a invenção de um 
ethos humano do 
futuro. 
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justifiquem do ponto de vista de sua contribuição para a invenção 
de um ethos humano do futuro. 
O que a ética empresarial preconiza é a reflexão levada a efeito em 
formas objetivas de inserir a empresa em seu ethos, levando em 
conta o bem a ser garantido como abrigo protetor (como é o sentido 
do termo ethos para os gregos) a todos, o que implica também a 
conservação dos recursos naturais. 
As empresas, principalmente as de grande porte, têm grande 
responsabilidade na comunidade global justamente por serem elas 
a instância local que pode permitir uma resistência ao aniquilamento 
dos valores humanos e o descaso com a natureza.
É necessário reconhecer que a pressão exercida pelos vários 
mercados que compõem a globalização força as empresas e suas 
equipes a se autoanalisarem continuamente. E é exatamente esse 
autoexame, principalmente se ele for baseado em padrões de crítica 
racional, a exemplo daquela que os filósofos gregos fizeram de seu 
tempo, que cria a consciência necessária de que no movimento 
global contemporâneo se constrói um novo ethos. 
Para essa construção contribui imensamente a maneira como as 
empresas, em todo o mundo, propiciam a suas equipes o acesso 
a um nível de compreensão mais profundo do lugar da empresa. 
As empresas, assim como o Estado, tiveram seu papel alterado nos 
últimos anos. Hoje, é bem mais amplo o papel das empresas na 
sociedade, enquanto o próprio Estado, como garantidor da ordem 
social, tem sido forçado a redimensionar o seu papel. 
A administração superior de uma empresa, ao definir os campos 
de formação continuada de seus colaboradores, pode ter um 
papel fundamental se inserir as questões sociais e ambientais 
como objetivos de construção de saber para a empresa. Os 
funcionários da organização podem focalizar seus esforços 
educativos não somente na clarificação da estratégia empresarial 
As empresas, 
principalmente 
as de grande 
porte, têm grande 
responsabilidade 
na comunidade 
global justamente 
por serem elas 
a instância local 
que pode permitir 
uma resistência ao 
aniquilamento dos 
valores humanos 
e o descaso com a 
natureza.
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e na definição de metas financeiras desafiadoras e motivantes. A 
isso, pode-se acrescentar a investigação a respeito das formas 
de tornar a empresa também competitiva na responsabilidade 
social e ambiental.
Essa operação somente terá efeitos sobre o desenvolvimento 
da cultura organizacional se junto aos objetivos de inovação, 
experimentação, aprendizado contínuo e comprometido com 
os resultados de longo prazo, forem inseridos os esforços por 
desenvolver um saber ético. 
Em síntese, se o saber é o grande elemento da nova era das 
empresas, o saber sobre a otimização de todas as áreas da empresa 
deve incluir suas relações com as pessoas, como responsabilidade 
social, e as relações dos seus processos produtivos sobre a 
natureza, como responsabilidade ambiental. Essa deve ser uma das 
preocupações fundamentais da alta administração. 
No mundo globalizado, a organização empresarial ganha um 
intenso papel de instância de transformação (ou de estagnação) 
das sociedades. Aquilo que as empresas lançam aos mercados 
do qual participam têm efeitos não somente financeiros. Se elas 
disponibilizam ao mercado negociantes com capacidade limitada 
de análise da realidade, isso se reverterá em um conjunto de 
relações sociais alienantes. Se, por outro lado, elas estruturam 
sua produção, seu gerenciamento e a relação com a sociedade de 
maneira mais consciente, o efeito é um aumento da consciência 
em geral sobre a realidade.
A diversidade dos mercados e a diversidade de soluções que eles 
exigem não podem obscurecer a unidade do papel das empresas na 
instituição do ethos contemporâneo. 
Em resumo, teríamos que acrescentar a esse objetivo a consciência 
do efeito e responsabilidade da empresa pela efetivação criativa 
de novos elementos do ethos humano para os próximos séculos. 
A diversidade 
dos mercados 
e a diversidade 
de soluções que 
eles exigem não 
podem obscurecer 
a unidade do papel 
das empresas na 
instituição do ethos 
contemporâneo. 
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A empresa, mais do que o papel defensivo de não causar 
prejuízo, como era a preocupação no início do movimento pela 
responsabilidade ambiental, deverá fornecer em sua cultura e seus 
objetivos condições deliberadas para a invenção desse novo ethos.
A influência desse novo papel da empresa sobre os sujeitos 
humanos nas organizações empresariais e sobre os efeitos da 
produção sobre o meio ambiente é notória. As habilidades e 
competências que capacitam os profissionais para o contexto 
globalizado vão depender da inserção das pessoas nas exigências 
sociais e ambientais feitas à empresa.
As seguintes características ou habilidades são necessárias ao 
novo administrador: formação humanística e visão global; formação 
técnica e científica; internalização de valores de responsabilidade 
social, justiça e ética profissional; competência para empreender 
ações e para analisar criticamente as organizações e seus 
efeitos sociais e ambientais; compreensão da necessidade do 
contínuo aperfeiçoamento profissional e do desenvolvimento de 
autoconfiança; atuação de forma interdisciplinar. 
Mais do que lideranças técnicas ou de referências operacionais, 
esse perfil indica a necessidade das empresas, em obter em seus 
quadros funcionais lideranças éticas. Isto é, líderes com percepção 
suficiente do lugar da empresa na construção do ethos e com 
capacidade de traduzir essas exigências para os negócios da 
empresa. Esse novo líder, com apurado senso crítico quanto aos 
processos produtivos, deve primar pela capacidade de agir sobre a 
cultura da empresa influenciando-a na direção da atualização.
Dados científicos muitas vezes nos ajudam a compreender melhor a 
realidade. A chamada “Pesquisa Ação Social das Empresas”, realizada 
pelo Ipea pela segunda vez em todo o Brasil, aponta um crescimento 
As habilidades 
e competências 
que capacitam osprofissionais para o 
contexto globalizado 
vão depender 
da inserção das 
pessoas nas 
exigências sociais e 
ambientais feitas à 
empresa.
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significativo, entre 2000 e 2004, na proporção de empresas privadas 
brasileiras que realizaram ações sociais em benefício das comunidades. 
Neste período, a participação empresarial na área social aumentou dez 
pontos percentuais, passando de 59% para 69%. São aproximadamente 
600 mil empresas que atuam voluntariamente. Em 2004, elas aplicaram 
cerca de R$ 4,7 bilhões, o que correspondia a 0,27% do PIB brasileiro 
naquele ano. A partir da realização desta segunda edição da pesquisa, 
tornou-se possível iniciar a construção, de maneira inédita de uma série 
histórica que permite o acompanhamento da evolução do comportamento 
da iniciativa privada na área social desde finais da década de 1990.
A pesquisa ouviu, também, a percepção dos empresários sobre o seu papel na 
realização de ações voluntárias em benefício das comunidades. A grande 
maioria (78%) acredita que é obrigação do Estado cuidar do social e que a 
necessidade de atuar para as comunidades é maior hoje do que há alguns 
anos (65%). Há, portanto, uma compreensão, no mundo empresarial, 
de que a atuação privada não deve substituir o poder público, tendo um 
caráter muito maior de complementaridade da ação estatal. 
Embora a pesquisa não pretenda estabelecer um ranking dos estados que 
têm ações voluntárias para a comunidade, apresenta a seguinte ordem: 
Minas Gerais (81%) continua em primeiro lugar, sendo seguido por Santa 
Catarina (78%), Bahia (76%), Ceará (74%), Pernambuco (73%) e Mato 
Grosso e Mato Grosso do Sul (72%). 
Se estes dados já eram significativos na década passada, imagine agora. 
Quais serão as novas posições no ranking? Coloque sua curiosidade em 
dia e procure na internet novas informações sobre isso. 
 
Fonte: BRASIL – RESULTADOS FINAIS – SEGUNDA EDIÇÃO (2006). In: “Site 
IPEA”. Disponível em: <http://www.ipea.gov.br/acaosocial/articledcd2.
html?id_article=244>. Acesso em: 06 de jan. 2015.
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ÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL NAS EMPRESAS
unidade 2
032
Revisão
Para enfrentar os desafios do mundo contemporâneo, a ética 
empresarial deverá envolver toda a organização, desde os objetivos 
estratégicos da alta administração até a mais simples das funções, 
não devendo se restringir à adoção de normas de comportamento. 
Em sentido amplo, a ética empresarial implica na participação das 
pessoas e é de suma importante a presença, nas empresas, de 
lideranças éticas. É preciso também que a comunicação com as 
equipes privilegie o modo singular de cada integrante da empresa, 
para a construção de um ethos organizacional próprio, condizente 
com os desafios contemporâneos.
Dentre esses desafios, se destacam a exclusão social e a escassez 
de recursos ambientais, além do uso exagerado das tecnologias em 
detrimento do valor humano das relações.
Nesse contexto, é preciso pensar em lideranças que busquem o 
desenvolvimento de uma visão global de mundo e que, por meio 
de um senso crítico humanizado, sejam capazes de promover o 
constante aprimoramento de técnicas e conhecimentos.
Em artigo publicado no site do Sebrae, o professor Alfredo Passos destaca que 
leveza, rapidez e exatidão são alguns dos hábitos do líder contemporâneo. O 
autor analisa o livro “Seis Propostas para o próximo milênio”, de Ítalo Calvino, 
e faz uma comparação entre os valores literários destacados por Calvino e as 
características do líder do futuro. Resumidamente, conheça os seis valores.
1 – Leveza
Líder que sabe agir de forma leve e sutil, sem impor poder e sem pesar na 
estrutura organizacional da empresa.
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ÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL NAS EMPRESAS
unidade 2
033
2 – Rapidez
Líder que reconhece a necessidade de treinamento e reciclagem 
constantes, pois produtos, mercados e consumidores também estão em 
constante mudança. 
3 – Exatidão
Líder que é preciso no atendimento às reais necessidades e expectativas 
dos seus clientes. Estruturas menores tendem a personalizar os serviços e 
deixar os clientes mais satisfeitos.
4 – Visibilidade
Líder que se faz ouvir dentro da empresa e que desenvolve comunicação 
eficaz com o cliente.
5 – Multiplicidade
Líder com capacidade de desenvolver análises econômicas para fazer o 
empreendimento crescer e ter lucro.
6 – Consistência
Infelizmente, aos 62 anos Ítalo Calvino faleceu e não desenvolveu este 
tema. Fica então para a nossa imaginação esta conclusão, a partir das 
informações anteriores.
Fonte: PASSOS, Alfredo. Os hábitos do empreendedor eficaz. In: 
“BIS – Biblioteca Interativa SEBRAE.” Disponível em: <http://www.
bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.
nsf/44D9BEDE2E0DFB7003256D520059C0A7/$File/NT00001F6A.pdf> 
Acesso em: 25 Jul. 2016.
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As relações de 
trabalho e os 
principais dilemas 
contemporâneos 
• Valores sociais 
e a vida humana
• Projetos sociais
• A diversidade 
humana: 
discutindo 
relações étnico-
raciais e direitos 
humanos
• A diversidade 
social e cultural 
brasileira
• A noção de 
raça como 
noção política e 
histórica
• Os direitos 
humanos como 
estratégia social 
de igualdade
• Revisão
Introdução
As empresas estão cada vez mais preocupadas com os dilemas 
éticos e as ações de responsabilidade social. 
Parece haver uma preocupação em não esvaziar o conteúdo 
ético desta discussão, mantendo-se seu elemento essencial: o 
questionamento sobre a responsabilidade real das empresas e não 
somente o seu uso como mera estratégia de comunicação. 
Essa tensão entre o discurso de marketing e a responsabilidade real 
das empresas está na pauta das discussões éticas, mas felizmente, 
percebe-se na atualidade um grande esforço das organizações 
produtivas rumo à verdadeira prática de valores éticos. 
Esta busca passa pela reflexão empresarial sobre os novos valores 
sociais brasileiros. Elementos como a diversidade sociocultural de 
nosso povo e a defesa dos direitos humanos hoje são encarados 
com seriedade no debate sobre as relações humanas nos 
ambientes de trabalho, tendo em vista o desenvolvimento de 
práticas empresariais mais éticas e sustentáveis. 
Nesta unidade, vamos examinar os elementos e dilemas desse novo 
cenário social e cultural contemporâneo, e vamos perceber como 
tem se desenhado a ética empresarial dentro neste novo paradigma. 
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ÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL NAS EMPRESAS
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As empresas contemporâneas são, essencialmente, espaços nos 
quais as relações humanas ocorrem com grande intensidade e 
nos quais se definem a maior parte dos elementos constitutivos 
da qualidade da vida humana. Essa máxima se estende a todos os 
grupos de interesse da empresa, isto é, a empresa está implicada 
com a vida humana ao longo de todo o processo produtivo. 
Este processo nada mais é do que um conjunto de relações sociais 
de produção. Assim, desde os fornecedores, passando pelos 
trabalhadores e chegando aos clientes, ao governo e aos demais 
grupos de interesse, trata-se sempre e fundamentalmente de 
efeitos sobre os seres humanos. Mesmo os efeitos ambientais da 
produção se revertem em efeitos sobre a vida humana (presente 
e futura). 
A centralidade da vida humana nos sistemas de produção fica em 
segundo plano somente quando se torna prioritário o pensamento 
técnico, reflexo da chamada racionalidade instrumental. A razão 
humana é capaz de pensar soluções técnicas para os principais 
problemas humanos e a especialização trazida pelas ciências 
modernas (a física, a química e a biologia) ajuda a aprofundar essas 
soluções e garantir a correção teórica e prática dessas soluções.
Mas a razão humana também é capaz de pensar os sentidos da 
existência humana. Nesse sentido, ela é mais ampla do que a 
racionalidade técnica ou instrumental. As reflexões das ciências 
humanas e sociais como a sociologia, a antropologia, a psicologia 
e a economia, que se ocupam diretamente da dimensão do sentido 
a ser dado à vida humana, têm nos alertado para a perda cada vez 
maior das referências efetivamente humanas para a vida. 
Valores sociais e a 
vida humana
As empresas 
contemporâneas 
são, essencialmente, 
espaços nos quais 
as relações humanas 
ocorrem com grande 
intensidade e nos 
quais se definem 
a maior parte 
dos elementos 
constitutivos da 
qualidade da vida 
humana. 
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Essas referências, como estudado anteriormente (quando 
discutimos o ethos humano), são essencialmente “valores” 
atribuídos às coisas e às relações humanas no próprio movimento 
de construção dessas relações. 
Assim, é por uma escolha socialmente determinada que nas 
relações humanas de produção, damos valor maior aos problemas 
técnicos do trabalho, incentivando a racionalidade instrumental. 
É uma escolha, socialmente determinada (e não determinada 
por alguma “natureza oculta”), o fato de colocarmos o esforço da 
racionalidade das empresas somente na tentativa de resolver os 
problemas técnicos: que metodologia de trabalho, que tecnologia, 
que distribuição do trabalho, que estrutura organizacional, que 
relações mecânicas entre as partes que a compõem? 
Dentro desta perspectiva, será que também não seria possível 
escolhermos outra forma de pensar que ultrapassasse a 
racionalidade instrumental? Sim. Também pode ser uma escolha 
colocarmos os esforços da racionalidade das empresas (de seu 
capital intelectual) para pensá-las como sistemas sociais que 
geram essencialmente “valores humanos”; como relações entre 
seres humanos e não entre “mãos de obra”, como ainda se costuma 
dizer no ambiente empresarial, reduzindo a vida dos colaboradores 
ao fato mecânico de que é com a mão que alguém opera os 
instrumentos de trabalho.
Sendo relações entre seres humanos, as relações de produção 
implicam escolhas coletivas, e implicam conflitos e negociações 
entre partes com interesses diversos, como é o caso dos conflitos 
entre os vendedores da força de trabalho (os colaboradores) e os 
donos dos meios de produção (os proprietários do capital, sejam 
eles pessoas individuais ou acionistas). 
A ideia de grupos de interesse (stakeholders) tenta resumir as 
complexas relações sociais que se dão em torno da produção 
social da vida humana. Ainda que com uma certa dose de 
É por uma escolha 
socialmente 
determinada que nas 
relações humanas 
de produção, 
damos valor maior 
aos problemas 
técnicos do trabalho, 
incentivando a 
racionalidade 
instrumental. 
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simplificação, essa noção nos ajuda a pensar de modo mais 
objetivo essa complexidade e tem a vantagem de sempre se referir 
a um componente essencial das relações de produção: a de serem 
sempre relações entre grupos sociais. 
Na verdade, no modo de produção capitalista contemporâneo, 
estruturado em mercados globalmente expandidos, não há 
relações com “um cliente ou um consumidor”, e sim com o grupo 
social dos clientes-consumidores; não há relações com “um 
colaborador”, e sim com o grupo social de colaboradores; não 
há relações com “um fornecedor”, e sim relações sociais muito 
complexas com todos os grupos sociais que constituem as 
cadeias de relações com esse fornecedor. 
Dessa forma, para percebermos a essência das relações das 
empresas com seus grupos de interesse, temos que reconhecer 
que, primordialmente, as relações sociais de produção geram 
“valores humanos” que determinarão as decisões e os arranjos que 
caracterizam o trabalho. 
Como estudado na unidade 2, as empresas são por natureza 
responsáveis pelos efeitos de suas atividades.
Mas não se chega ao sentido profundo dessa máxima refletindo 
somente sobre o momento presente. Não se pode pensar com 
coerência em atribuir somente às empresas, por exemplo, a 
responsabilidade pelo efeito social devastador do avanço capitalista: 
a exclusão social determinada pela acumulação de capital.
Ainda nessa direção, não tem sentido pensar a “dívida social” como 
dívida financeiramente resgatável pela doação voluntária das 
empresas, mantendo-se elas como centro produtor dos valores do 
individualismo, do hiperconsumo e da racionalidade instrumental. 
Isto é, não se poderia confiar na “filantropia” como ação que pudesse 
resolver a grande cisão social entre pobres e ricos, incluídos e 
excluídos das classes de consumo e das facilidades da vida moderna.
Não se pode pensar 
com coerência em 
atribuir somente 
às empresas, 
por exemplo, a 
responsabilidade 
pelo efeito social 
devastador do 
avanço capitalista: 
a exclusão social 
determinada pela 
acumulação de 
capital.
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ÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL NAS EMPRESAS
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Por isso, ganha importância nas empresas a questão da 
ética empresarial tanto em sua dimensão da construção e 
divulgação de valores empresariais de responsabilização, 
quanto em suas ações mais visíveis e conhecidas como ações 
de responsabilidade social. 
As empresas, em sua postura de construção de uma ética 
empresarial e de adoção de políticas de responsabilidade 
social, têm desenvolvido projetos sociais como foco de sua 
contribuição para a superação da dívida social. 
As instituições que mais se dedicam ao desenvolvimento 
de projetos sociais são as do chamado