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CS 2022 - Remédios Constitucionais HC MS MI DH AP ACP

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(CS) CADERNO SISTEMATIZADO - REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS 
 
HABEAS CORPUS............................................................................................... 2 
 
MANDADO DE SEGURANÇA.............................................................................. 11 
 
MANDADO DE INJUNÇÃO.................................................................................. 27 
 
HABEAS DATA .................................................................................................... 70 
 
AÇÃO POPULAR.................................................................................................. 74 
 
AÇÃO POPULAR........................................................................................ .......... 155 
 
AÇÃO CIVIL PÚBLICA.......................................................................................... 81 
 
 
1 / 167
 
 
CS ± PROCESSO PENAL II 2021.1 283 
 
AÇÕES AUTÔNOMAS DE IMPUGNAÇÃO 
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS 
Inicialmente, é preciso analisar o seguinte: 
1º É uma decisão recorrível? 
2º Se for, qual o recurso? 
3º Sendo recurso, devo garantir o prazo, se já perdeu o prazo, não é recurso (pegadinha). 
4º Ação impugnativa. 
Decisão irrecorrível? Ideia da ação impugnativa autônoma. Mas antes analisar a questão 
de requerimento. Ou seja, antes de optar por RC, HC ou MS, é necessário ver se não é caso de 
requerimento comum, ele terá preferência junto as ações impugnativas quando a decisão admitir 
retratação, nos casos em que não é decisão de exaustão jurisdicional e existe fato novo. Exemplos: 
relaxamento de prisão, revogação de prisão preventiva. 
Caso a decisão não admita a retratação e não exista fato novo, caberá ação autônoma 
de impugnação. 
2. HABEAS CORPUS 
Habeas = mostrar 
Corpus = corpo 
A ideia é apresentar/exibir a pessoa que está sofrendo a liberdade de locomoção. 
 PREVISÃO CONSTITUCIONAL 
Encontra-se disciplinado no art. 5º, LXVIII da CF. 
Art. 5º, LXVIII – conceder-se-á "habeas-corpus" sempre que alguém sofrer ou 
se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de 
locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder 
 CONCEITO 
Consiste em uma ação autônoma de impugnação, de natureza constitucional, que tem como 
objetivo restabelecer ou preservar a liberdade de locomoção ilegalmente ameaçada ou violada. 
O procedimento de processamento do HC é previsto no CPP. 
2 / 167
 
 
CS ± PROCESSO PENAL II 2021.1 284 
 
 NATUREZA JURÍDICA 
Tal como a revisão criminal, está previsto no Título dos Recursos de forma incorreta. Trata-
se, na verdade, de uma ação autônoma de impugnação. 
O HC pode ser usado tanto antes da relação jurídica como depois do trânsito em julgado da 
decisão condenatória ou absolutória. Por meio dele se forma uma nova relação jurídica processual. 
Eventualmente, pode o HC, em razão da sua celeridade, ser usado como substitutivo de um 
recurso. Contudo, não significa que seja uma espécie de recurso. 
Observe a tabela feita pelo Professor Renato Brasileiro, com a distinção entre recurso e 
habeas corpus. 
 
O HC é o instrumento processual, que pode conter diferentes pedidos, tais como 
relaxamento de prisão, concessão de liberdade provisória, salvo-conduto, revogação de prisão 
preventiva etc. 
 INTERESSE DE AGIR 
2.4.1. Análise da necessidade da tutela 
Entende-se por: 
x Violência: violência física. 
Por exemplo, pessoa presa em flagrante, mas sem que estivesse em qualquer das situações 
de flagrância do artigo 302 do CPP 
x Coação: violência moral (medo, intimação). 
RECURSO HABEAS CORPUS 
Pressupõe existência de um processo 
Independe da existência de processo, a 
exemplo do caso em que um hospital 
retém o paciente, em razão do não 
pagamento das despesas 
É instrumento de impugnação de 
decisões judiciais 
Pode ser impetrado contra decisões ou 
atos administrativo, como exemplo no 
caso de um comandante do Exército 
que pune disciplinarmente soldado por 
500 dias, sendo que o máximo de prisão 
disciplinar é de 30 dias 
Interposto contra decisões definitivas 
Pode ser impetrado mesmo após o 
trânsito em julgado, a exemplo da 
expedição de mandado de prisão, a 
partir de decisão transitada em julgado, 
proferida por juízo absolutamente 
incompetente. 
3 / 167
 
 
CS ± PROCESSO PENAL II 2021.1 285 
 
A coação a que se refere a CF deve ser concreta ou plausível. Exemplos: 
� Não é possível a impeWUDomR�GH�³KDEHDV�FRUSXV´�SDUD�R�ILP�GH�GLVFXWLU�
a inconstitucionalidade em tese de uma determinada lei. 
� Antigamente, as Comissões Parlamentares de Inquérito chamavam 
investigados na condição de testemunhas, para que eles fossem 
obrigados a prestar o compromisso de dizer a verdade. Nessa hipótese, 
p� FRPXP�D� LPSHWUDomR� GH� ³KDEHDV� FRUSXV´� SUHYHQWLYR� QR�6XSUHPR��
assegurando o direito ao silêncio, quando do depoimento. 
x Ilegalidade: falta de observância dos preceitos legais. 
Por exemplo, prisão temporária que se estende por duzentos dias, como se sabe a prisão 
temporária tem prazo predeterminado (5+5 ou 30+30, para crimes hediondos). 
A ilegalidade a que se refere a Constituição pode ser praticada tanto por particular como por 
funcionário público. Já o abuso de poder é praticado apenas pelo funcionário público. 
x Abuso de poder: exercício arbitrário de poder (apenas por funcionário público) 
Conforme a doutrina, o rol do art. 648 do CPP é meramente exemplificativo. 
CPP, art. 648: A coação considerar-se-á ilegal: 
I - quando não houver justa causa; 
II - quando alguém estiver preso por mais tempo do que determina a lei; 
III - quando quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-lo; 
IV - quando houver cessado o motivo que autorizou a coação; 
V - quando não for alguém admitido a prestar fiança, nos casos em que a lei 
a autoriza; 
VI - quando o processo for manifestamente nulo; 
VII - quando extinta a punibilidade”. 
 
$�H[SUHVVmR�³MXVWD�FDXVD´�GR�LQFLVR�,�Sossui um significado mais amplo do aquele constante 
do inciso III do art. 395 
CPP, art. 395, III: lastro probatório mínimo para a instauração de um processo. 
CPP, art. 648, I: existência de fundamento de fato e de direito para a persecução penal. 
2.4.2. Adequação 
O habeas corpus é o instrumento destinado somente à tutela da liberdade de locomoção. 
Segundo Ruy Barbosa (doutrina brasileira do HC), o habeas corpus poderia ser usado não 
apenas para a tutela da liberdade de locomoção, a exemplo do caso de reintegração de funcionários 
públicos e publicação de discursos. Isso ocorria, precipuamente, em razão da inexistência do 
mandando de segurança (1926). Contudo, após a criação do MS, a GRXWULQD�EUDVLOHLUD�GR�³Kabeas 
FRUSXV´�ILFRX�HVYD]LDGD. 
CF, art. 5º, LXIX – conceder-se-á mandado de segurança para proteger 
direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, 
quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade 
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CS ± PROCESSO PENAL II 2021.1 286 
 
pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder 
Público; 
 HIPÓTESES DE AUTORIZAM A IMPETRAÇÃO DE HABEAS CORPUS 
2.5.1. Anterior aceitação de proposta de suspensão condicional do processo e 
sujeição ao período de prova 
Aceita a suspensão condicional do processo, nos termos do art. 98 da Lei 9.099/95, o 
processo será suspenso. 
Apesar disso, ainda subsiste risco à liberdade de locomoção durante o período de prova. 
Por isso, de acordo com a doutrina, o habeas corpus continuaria sendo cabível. 
2.5.2. Autorização judicial ilegal de quebra de sigilo destinada a fazer prova em 
persecução penal referente à infração a qual seja cominada pena privativa de 
liberdade 
O sigilo bancário tutela a intimidade e a vida privada. 
Contudo, conforme precedente do STF, seria cabível o habeas corpus, tendo em vista que 
o sigilo é usado na investigação ou no processo, que poderá resultar em prejuízo à liberdade de 
locomoção. 
 HIPÓTESES QUE NÃO AUTORIZAM A IMPETRAÇÃO DE HABEAS CORPUS 
Tais hipóteses não autorizama impetração de habeas corpus, tendo em vista que não há 
risco à liberdade de locomoção. 
2.6.1. Persecução penal referente à infração penal à qual seja cominada tão 
somente pena de multa 
A Lei 9.268/96, alterou o art. 51 do CP, determinando que a multa não paga seja considerada 
dívida de valor, não podendo ser convertida em prisão. 
Desta forma, caso o acusado responda à infração penal, que a pena de multa seja a única 
cominada, não há risco à liberdade de locomoção, nem mesmo potencial. 
Súmula 693 STF: Não cabe ‘habeas corpus’ contra decisão condenatória a 
pena de multa, ou relativo a processo em curso por infração penal a que a 
pena pecuniária seja a única cominada 
2.6.2. Quando tiver havido o cumprimento de pena privativa de liberdade 
Caso já tenha cumprido a integralidade da pena privativa de liberdade, não existe mais 
nenhum risco à sua liberdade de locomoção. 
Súmula 695 STF: Não cabe ‘habeas corpus’ quando há extinta a pena 
privativa de liberdade. 
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CS ± PROCESSO PENAL II 2021.1 287 
 
2.6.3. Exclusão de militar, perda de patente ou função pública 
A reintegração às Forças Armadas ou à função pública deve ser veiculada por mandado de 
segurança ou ação ordinária. O habeas corpus não pode ser usado, pois essas situações não 
envolvem a liberdade de locomoção. 
Súmula 694 STF Não cabe habeas corpus contra a imposição da pena de 
exclusão de militar ou de perda de patente ou de função pública. 
2.6.4. Perda superveniente de interesse de agir em face da cessação do 
constrangimento ilegal à liberdade de locomoção 
Imagine, por exemplo, a decretação de prisão preventiva pelo juiz de primeira instância e 
impetração de habeas corpus no TJ. Ao serem prestadas as informações requeridas pelo relator, o 
juiz informa que a prisão preventiva já teria sido revogada. 
Perceba, portanto, que houve uma perda superveniente do interesse de agir, devendo o 
tribunal declarar a perda do objeto. 
 HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSOS ORDINÁRIOS 
A WHUPLQRORJLD�³UHFXUVRV�RUGLQiULRV´�p�XVDGD FRPR�R�RSRVWR�GH�³UHFXUVRV�H[WUDRUGLQiULRV´� 
Ou seja, todo e qualquer recurso que não seja RE e RESp. Seria a hipótese de um habeas corpus 
substituindo, por exemplo, o recurso em sentido estrito, a apelação ou o recurso ordinário 
constitucional. 
Imagine, por exemplo, que um juiz de primeira instancia tenha indeferido o pedido de 
reconhecimento da prescrição, seria cabível o recurso em sentido estrito (art. 581, IX) para o 
Tribunal de Justiça, seria o recurso ordinário. Contudo, há a impetração de habeas corpus, 
substituindo o recurso que, ordinariamente, deveria ter sido interposto contra aquela decisão. 
Por décadas, o habeas corpus substitutivo de recurso ordinário foi admitido. Contudo, os 
Tribunais Superiores mudaram o seu entendimento, sob dois argumentos, quais sejam: a permissão 
deixava os recursos ordinários em segundo plano e o alto volume de habeas corpus impetrados. 
Atualmente, entende-se que, como a lei prevê um recurso contra determinada decisão, deve 
ele ser interposto, como regra. O habeas corpus somente seria admitido em situações teratológicas, 
com evidente e manifesta violação à liberdade de locomoção. 
 HABEAS CORPUS E IMPETRAÇÃO DE RECURSO DE FORMA CONCOMITANTE 
De acordo com o STJ, o habeas corpus, quando impetrado de forma concomitante com o 
recurso cabível contra o ato impugnado, será admissível apenas se: 
a) for destinado à tutela direta da liberdade de locomoção ou 
b) se traduzir pedido diverso do objeto do recurso próprio e que reflita mediatamente na 
liberdade do paciente. 
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CS ± PROCESSO PENAL II 2021.1 288 
 
Nas demais hipóteses, o habeas corpus não deve ser admitido e o exame das questões 
idênticas deve ser reservado ao recurso previsto para a hipótese, ainda que a matéria discutida 
resvale, por via transversa, na liberdade individual. 
Assim, se o habeas corpus tiver por objeto a tutela direta da liberdade de locomoção (ex: 
HC que busca, tão somente, a concessão do direito de recorrer em liberdade), esse writ será 
conhecido mesmo que tenha sido impetrado de forma concomitante com o recurso. Nas hipóteses, 
contudo, em que o habeas corpus possuir, além do pedido de tutela direta da liberdade coarctada 
pela sentença, objeto(s) idêntico(s) ao da apelação, somente será admissível o conhecimento do 
writ, pelo Tribunal, da parte relativa à prisão (isso, claro, se houver insurgência nesse sentido). 
Caberá ao recurso de apelação, dotado de amplo espectro cognitivo, o exame das outras questões 
suscitadas pela defesa. 
Por sua vez, na hipótese de o réu se encontrar em liberdade e o objeto do habeas corpus 
ser idêntico ao do recurso de apelação, em todos os termos, não há como permitir o prosseguimento 
do remédio heroico, diante da opção específica, pelo legislador, de prever o recurso próprio como 
meio regular de se impugnarem decisões expressamente previstas no âmbito de cabimento do 
recurso. O habeas corpus, nesse caso, será nitidamente utilizado de forma desvirtuada, como meio 
de contornar as especificidades de tramitação do recurso de apelação, usualmente mais demorado. 
 POSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO 
2.9.1. Cabimento de habeas corpus em relação a punições disciplinares militares 
Observe o disposto no art. 142, §2º da CF: 
Art. 142, § 2º: Não caberá ‘habeas-corpus’ em relação a punições 
disciplinares militares. 
 
Segundo a doutrina, não cabe habeas corpus em relação ao mérito da punição disciplinar. 
Portanto, quanto aos aspectos relacionados à legalidade seria cabível habeas corpus, a exemplo 
do comandante do Exército que pune soldado por quinhentos dias (o prazo máximo de prisão 
disciplinar é de trinta dias). 
2.9.2. Prisão administrativa 
Está prevista no art. 650, §2º do CPP. 
CPP, art. 650, § 2º: Não cabe o habeas corpus contra a prisão administrativa, 
atual ou iminente, dos responsáveis por dinheiro ou valor pertencente à 
Fazenda Pública, alcançados ou omissos em fazer o seu recolhimento nos 
prazos legais, salvo se o pedido for acompanhado de prova de quitação ou 
de depósito do alcance verificado, ou se a prisão exceder o prazo legal”. 
 
O § 2º do art. 650 do CPP não tem mais aplicação, eis que a prisão administrativa não foi 
recepcionada pela CF/88, que pressupõe que toda e qualquer prisão só seja decretada por 
autoridade judiciária, à exceção da prisão em flagrante, dos crimes propriamente militares e das 
transgressões disciplinares. 
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CS ± PROCESSO PENAL II 2021.1 289 
 
Obviamente, caso alguém seja preso administrativamente, tratar-se-á de ilegalidade 
manifesta, sendo cabível a impetração de habeas-corpus. 
 LEGITIMIDADE PARA AGIR (ATIVA) 
2.10.1. Impetrante e paciente 
x Impetrante: é aquele que pede a concessão da ordem. 
x Paciente: é aquele que sofre (ou está ameaçado de sofre) a violência ou a coação. 
É comum que o impetrante e o paciente sejam pessoas distintas, mas nada impede que seja 
a mesma pessoa. 
2.10.2. Legitimação ampla e irrestrita 
O impetrante pode ser qualquer pessoa (física, jurídica, capaz, incapaz). 
CPP, art. 654, “caput”: “O habeas corpus poderá ser impetrado por qualquer 
pessoa, em seu favor ou de outrem, bem como pelo Ministério Público”. 
 
Parte da doutrina, entende que o habeas corpus VHULD�YHUGDGHLUD�³DomR�SRSXODU´��Segundo 
Renato Brasileiro, não é o melhor entendimento, tendo em vista que a ação popular somente pode 
ser proposta por cidadão e não é o ocorre no âmbito criminal. 
O impetrante pode impetrar não apenas o habeas corpus propriamente dito, mas todo e 
qualquer recurso em desdobramento a ele. 
2.10.3. Pessoa jurídica 
A pessoa jurídica não poderá figurar como paciente, mesmo em se tratando de crimes 
ambientais com dupla imputação, em razão de não ser dotada de liberdade de locomoção. Contudo, 
é perfeitamente possível que a pessoa jurídica figure como impetrante. 
2.10.4. Ministério Público 
O Ministério Público poderá funcionar como: 
x Autoridade coatora. 
Aqui,o habeas corpus deverá ser impetrado junto ao tribunal que teria competência 
originária para julgar o membro do Ministério Público, eis que poderá haver o reconhecimento da 
prática de um crime 
x Impetrante, desde que o habeas corpus seja impetrado em favor do acusado, a 
exemplo do reconhecimento da incompetência, que dependeria de o acusado estar 
em liberdade ou preso. 
 LEGITIMIDADE PASSIVA 
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CS ± PROCESSO PENAL II 2021.1 290 
 
A legitimidade passiva recai sobre a autoridade coatora, que é a pessoa responsável pela 
ilegalidade ou pelo abuso de poder, podendo ser tanto um particular como um funcionário público. 
 ESPÉCIES DE HABEAS CORPUS 
 COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO DE HABEAS CORPUS 
Aqui, analisaremos quatro premissas importantes, a fim de determinar a competência para 
julgamento do HC. 
1ª) A competência para o processo e julgamento do habeas corpus leva em consideração, 
como premissa inicial, as figuras do paciente e da autoridade coatora. 
Vejamos alguns exemplos: 
x Autoridade coatora: membro do Ministério Público. A competência é do tribunal que 
teria competência originária para julgá-lo, acaso praticasse uma infração de penal, eis 
que no julgamento de um habeas corpus é possível o reconhecimento da prática de 
um crime, a exemplo do abuso de autoridade. 
Membro do MP/DFT = TRF da 1ª Região. 
x PDFLHQWH��3UHVLGHQWH�GD�5HS~EOLFD��&)��DUW�������,��³G´� 
2ª) Em regra, em se tratando de autoridade coatora dotada de foro por prerrogativa de 
função, a competência para o processo e julgamento do habeas corpus recai, originariamente, sobre 
o Tribunal a que compete julgar os crimes por ela perpetrados. 
3ª) A competência do juiz cessará sempre que a violência ou coação provier de autoridade 
judiciária de igual ou superior jurisdição. 
CPP, art. 650, § 1º: A competência do juiz cessará sempre que a violência ou 
coação provier de autoridade judiciária de igual ou superior jurisdição. 
 
4ª) Supressão de instância: para que uma ordem de habeas corpus possa ser conhecida por 
uma instância superior, é necessária a provocação dos juízes inferiores acerca da matéria que se 
pretende impugnar, sob pena de indevida supressão de instância, salvo em situações teratológicas 
ou de manifesta ilegalidade. 
Trata-se do caso de hipótese de habeas corpus per saltum. 
PREVENTIVO/PROFILÁTICO LIBERATÓRIO/REPRESSIVO 
Coação (ameaça à liberdade de 
locomoção) 
Violência 
Concedido o HC, haverá ordem de 
salvo-conduto, garantindo a liberdade 
de 
locomoção, sem qualquer 
constrangimento. 
Concedido o HC, será expedido alvará 
de soltura, salvo se por outro motivo o 
paciente 
não tiver que ser mantido preso. 
9 / 167
 
 
CS ± PROCESSO PENAL II 2021.1 291 
 
Atenção! 
Súmula 691 STF Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de 
habeas corpus impetrado contra decisão do Relator que, em habeas corpus 
requerido a tribunal superior, indefere a liminar. 
 
Imagine, por exemplo, habeas corpus, impetrado no Superior Tribunal de Justiça, com 
pedido de medida liminar, indeferida pelo relator. De acordo a Súmula 691, o impetrante ainda não 
poderia impetrar outro habeas corpus no STF, pois a decisão não seria propriamente da Turma. 
Contudo, a Súmula 691 do STF vem sendo relativizada pelo próprio STF (HC 85185, HC 
86864 MC-DJ de 16/12/2005 e HC 90746-DJ de 11/5/2007). Em regra, caso o relator indefira a 
liminar, ainda não seria cabível o habeas corpus ou recurso ordinário constitucional para o Supremo, 
salvo se se tratar de decisão teratológica. 
Súmula 690 STF: Compete originariamente ao Supremo Tribunal Federal o 
julgamento de habeas corpus contra decisão de turma recursal de juizados 
especiais criminais 
 
Em relação à Súmula 690 do STF, operou-se o overruling. Atualmente, tratando-se de turma 
recursal, eventual habeas corpus deverá ser encaminhado ao TJ ou ao TRF. Nesse sentido, HC 
86834-DJ de 9/3/2007, HC 89378 AgR-DJ de 15/12/2006 e HC 90905 AgR-DJ de 11/5/2007 que 
determinam competência para Tribunais de Justiça dos Estados. 
 DILAÇÃO PROBATÓRIA 
Não há uma fase destinada à instrução. 
De forma semelhante ao mandado de segurança, ao impetrar o habeas corpus, a prova deve 
ser pré-constituída, geralmente documental. 
 MEDIDA LIMINAR 
Perfeitamente, cabível a medida liminar. 
Como a medida liminar tem previsão legal no caso de mandado de segurança, é evidente 
que também poderá ser usada no âmbito do habeas corpus. 
3. REVISÃO CRIMINAL 
 SEGURANÇA JURÍDICA E JUSTIÇA 
Analisando a revisão criminal, há um aparente conflito entre a coisa julgada (segurança 
jurídica) e a revisão criminal, que visa reparar uma injustiça (erro judiciário). Conforme a doutrina, 
seria um absurdo que um erro judiciário fosse mantido tão somente porque a decisão transitou em 
julgado, principalmente se o erro for em prejuízo da liberdade de locomoção de alguém. 
10 / 167
 
 
CS ± DIFUSOS E COLETIVOS 2019.1 139 
 
MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO 
1. PREVISÃO LEGAL E SUMULAR 
 a) Art. 5º, LXIX e Art. 5º, LXX 
 
LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e 
certo, não amparado por "habeas-corpus" ou "habeas-data", quando o 
responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou 
agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público; 
 
LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: 
a) partido político com representação no Congresso Nacional; 
b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente 
constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos 
interesses de seus membros ou associados; 
 
b) Lei do MS ± 12.016/09: nasce com três objetivos: 
- Unificar todas as leis sobre MS; 
- Consolidar na lei súmulas dos tribunais superiores, principalmente do STF, a exemplo do 
art. 25; 
Art. 25. Não cabem, no processo de mandado de segurança, a interposição 
de embargos infringentes e a condenação ao pagamento dos honorários 
advocatícios, sem prejuízo da aplicação de sanções no caso de litigância de 
má-fé. 
 
- Disciplinar dois temas que até então não tinham previsão legal, embora existentes na 
prática, quais sejam, o MS originário (MS que começa nos tribunais superiores) art. 16 e art. 18 e 
o MSC (art. 21 e art. 22). 
Art. 16. Nos casos de competência originária dos tribunais, caberá ao relator 
a instrução do processo, sendo assegurada a defesa oral na sessão do 
julgamento. 
Parágrafo único. Da decisão do relator que conceder ou denegar a medida 
liminar caberá agravo ao órgão competente do tribunal que integre. 
 
Art. 18. Das decisões em mandado de segurança proferidas em única 
instância pelos tribunais cabe recurso especial e extraordinário, nos casos 
legalmente previstos, e recurso ordinário, quando a ordem for denegada. 
 
Art. 21. O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por partido 
político com representação no Congresso Nacional, na defesa de seus 
interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária, 
ou por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente 
constituída e em funcionamento há, pelo menos, 1 (um) ano, em defesa de 
direitos líquidos e certos da totalidade, ou de parte, dos seus membros ou 
11 / 167
 
 
CS ± DIFUSOS E COLETIVOS 2019.1 140 
 
associados, na forma dos seus estatutos e desde que pertinentes às suas 
finalidades, dispensada, para tanto, autorização especial. 
Parágrafo único. Os direitos protegidos pelo mandado de segurança coletivo 
podem ser: 
I - coletivos, assim entendidos, para efeito desta Lei, os transindividuais, de 
natureza indivisível (difusos e coletivos em sentido estrito), de que seja 
titular grupo ou categoria de pessoas ligadas entre si ou com a parte 
contrária por uma relação jurídica básica; 
II - individuais homogêneos, assim entendidos, para efeito desta Lei, os 
decorrentes de origem comum e da atividade ou situação específica da 
totalidade ou de parte dos associados ou membros do impetrante. 
 
Art. 22.No mandado de segurança coletivo, a sentença fará coisa julgada 
limitadamente aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo 
impetrante. 
§ 1o O mandado de segurança coletivo não induz litispendência para as 
ações individuais, mas os efeitos da coisa julgada não beneficiarão o 
impetrante a título individual se não requerer a desistência de seu mandado 
de segurança no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência comprovada 
da impetração da segurança coletiva. 
§ 2o No mandado de segurança coletivo, a liminar só poderá ser concedida 
após a audiência do representante judicial da pessoa jurídica de direito 
público, que deverá se pronunciar no prazo de 72 (setenta e duas) horas. 
 
c) Aplicação do CPC ao MS (art. 24) 
Art. 24. Aplicam-se ao mandado de segurança os arts. 46 a 49 da Lei 
no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil. (Referem-se 
ao litisconsórcio). 113 AO 118 CPC/2015 
 
Sustentou-se durante muitos anos que não cabia a aplicação do CPC ao MS. 
No passado, interpretava-se que como a Lei de MS só autorizava a aplicação subsidiaria 
do CPC em sede de litisconsórcio, todo o mais dele não era aplicado. Assim, não cabia agravo de 
instrumento, embargos infringentes, intervenção de terceiros. . 
Nos últimos anos, entretanto, este quadro mudou e passou-se a admitir a aplicação 
subsidiária do CPC em praticamente todos os temas (embargos infringentes, intervenção de 
terceiros). 
d) Súmulas: 
STF - 101; 266 a 272; 304; 392; 405; 429; 430; 433; 474; 506; 510 a 512; 597; 622 a 632; 
701. 
101 - O mandado de segurança não substitui a ação popular. 
266 -- Não cabe mandado de segurança contra lei em tese. 
267 -- Não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de 
recurso ou correição. 
268 -- Não cabe mandado de segurança contra decisão judicial com trânsito 
em julgado. 
269 -- O mandado de segurança não é substitutivo de ação de cobrança. 
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270 -- Não cabe mandado de segurança para impugnar enquadramento da 
Lei 3.780, de 12-7-60, que envolva exame de prova ou de situação funcional 
complexa. 
271 -- Concessão de mandado de segurança não produz efeitos 
patrimoniais em relação a período pretérito, os quais devem ser 
reclamados administrativamente ou pela via judicial própria. 
272 -- Não se admite como ordinário recurso extraordinário de decisão 
denegatória de mandado de segurança. 
294 -- São inadmissíveis embargos infringentes contra decisão do Supremo 
Tribunal Federal em mandado de segurança. 
299 -- O recurso ordinário e o extraordinário interpostos no mesmo processo 
de mandado de segurança, ou de habeas corpus, serão julgados 
conjuntamente pelo Tribunal Pleno. 
304 -- Decisão denegatória de mandado de segurança, não fazendo coisa 
julgada contra o impetrante, não impede o uso da ação própria. 
319 -- O prazo do recurso ordinário para o Supremo Tribunal Federal, em 
habeas corpus ou mandado de segurança, é de cinco dias. 
330 -- O Supremo Tribunal Federal não é competente para conhecer de 
mandado de segurança contra atos dos Tribunais de Justiça dos Estados. 
392 -- O prazo para recorrer de acórdão concessivo de segurança conta-se 
da publicação oficial de suas conclusões, e não da anterior ciência à 
autoridade para cumprimento da decisão. 
405 -- Denegado o mandado de segurança pela sentença, ou no julgamento 
do agravo, dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo 
os efeitos da decisão contrária. 
429 -- A existência de recurso administrativo com efeito suspensivo não 
impede o uso do mandado de segurança contra omissão da autoridade. 
430 -- Pedido de reconsideração na via administrativa não interrompe o 
prazo para o mandado de segurança. 
433 -- É competente o Tribunal Regional do Trabalho para julgar mandado 
de segurança contra ato de seu presidente em execução de sentença 
trabalhista. 
474 -- Não há direito líquido e certo, amparado pelo mandado de segurança, quando 
se escuda em lei cujos efeitos foram anulados por outra, declarada constitucional 
pelo Supremo Tribunal Federal. 
506 -- O agravo a que se refere o art. 4º da Lei 4.348, de 26-6-64, cabe, somente, do 
despacho do Presidente do Supremo Tribunal Federal que defere a suspensão da 
liminar, em mandado de segurança, não do que a denega. 
510 -- Praticado o ato por autoridade, no exercício de competência delegada, contra 
ela cabe o mandado de segurança ou a medida judicial. 
511 -- Compete à Justiça Federal, em ambas as instâncias, processar e julgar as 
causas entre autarquias federais e entidades públicas locais, inclusive mandados de 
segurança, ressalvada a ação fiscal, nos termos da Constituição Federal de 1967, 
art. 119, § 3º. 
512 -- Não cabe condenação em honorários de advogado na ação de mandado de 
segurança. 
597 -- Não cabem embargos infringentes de acórdão que, em mandado de 
segurança, decidiu, por maioria de votos, a apelação. 
622 - Não cabe agravo regimental contra decisão do relator que concede ou indefere 
liminar em mandado de segurança. 
623-- Não gera por si só a competência originária do Supremo Tribunal Federal 
para conhecer do mandado de segurança com base no art. 102, I, n, da 
Constituição, dirigir-se o pedido contra deliberação administrativa do Tribunal de 
origem, da qual haja participado a maioria ou a totalidade de seus membros. 
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624 -- Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer originariamente de 
mandado de segurança contra atos de outros tribunais. 
625 -- Controvérsia sobre matéria de direito não impede concessão de mandado de 
segurança. 
626 -- A suspensão da liminar em mandado de segurança, salvo determinação em 
contrário da decisão que a deferir, vigorará até o trânsito em julgado da decisão 
definitiva de concessão da segurança ou, havendo recurso, até a sua manutenção 
pelo Supremo Tribunal Federal, desde que o objeto da liminar deferida coincida, total 
ou parcialmente, com o da impetração. 
627 -- No mandado de segurança contra a nomeação de magistrado da 
competência do Presidente da República, este é considerado autoridade coatora, 
ainda que o fundamento da impetração seja nulidade ocorrida em fase anterior do 
procedimento. 
628 -- Integrante de lista de candidatos a determinada vaga da composição de 
tribunal é parte legítima para impugnar a validade da nomeação de concorrente. 
629 -- A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em 
favor dos associados independe da autorização destes. 
630 -- A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda 
quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria. 
631 -- Extingue-se o processo de mandado de segurança se o impetrante não 
promove, no prazo assinado, a citação do litisconsorte passivo necessário. 
632 -- É constitucional lei que fixa o prazo de decadência para a impetração de 
mandado de segurança. 
701 -- No mandado de segurança impetrado pelo Ministério Público contra decisão 
proferida em processo penal, é obrigatória a citação do réu como litisconsorte 
passivo. 
 
STJ ± 41; 105; 169; 177; 202; 206; 212; 213; 333; 376; 460. 
Súmula 169: São inadmissíveis embargos infringentes no processo de 
mandado de segurança. 
Súmula 41: O Superior Tribunal de Justiça não tem competência para 
processar e julgar, originariamente, mandado de segurança contra ato de 
outros tribunais ou dos respectivos órgãos. 
Súmula 105: Na ação de mandado de segurança não se admite 
condenação em honorários advocatícios. 
Súmula 177: O Superior Tribunal de Justiça é incompetente para processar 
e julgar, originariamente, mandado de segurança contra ato de órgão 
colegiado presidido por Ministro de Estado. 
Súmula 202: A impetração de segurança por terceiro, contra ato judicial, 
não se condiciona à interposição de recurso. 
Súmula 213: O mandado de segurança constitui ação adequada para a 
declaração do direito à compensação tributária.Súmula 217 (cancelada): Não cabe agravo de decisão que indefere o 
pedido de suspensão da execução da liminar, ou da sentença em mandado 
de segurança. (obs: cabe, sim, o agravo, porquanto o sistema foi alterado 
pela Lei nº 8.437/92. QO no AgRg na SS 1204/AM, Rel. Min. Nilson Naves, 
Corte Especial, julgado em 23/10/2003) 
Súmula 333: Cabe mandado de segurança contra ato praticado em licitação 
promovida por sociedade de economia mista ou empresa pública. 
Súmula 376: Compete à turma recursal processar e julgar o mandado de 
segurança contra ato de juizado especial. 
Súmula 460 É incabível o mandado de segurança para convalidar a 
compensação tributária realizada pelo contribuinte. 
 
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2. CONCEITO 
Art. 1o Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e 
certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que, 
ilegalmente ou com abuso de poder, qualquer pessoa física ou jurídica 
sofrer violação ou houver justo receio de sofrê-la por parte de autoridade, 
seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça. 
 
 Garantia para proteção do direito individual ou coletivo: 
 
2.1. LÍQUIDO E CERTO 
Mandado de segurança (causa de pedir) é composto por: 
Fato: deve ser incontroverso, ou seja, provado de plano. Não depende de dilação 
probatória, uma vez que este fato está comprovado através de uma prova pré-constituída (direito 
líquido e certo) 
Prevalece na doutrina o entendimento de que a prova constituída (direito líquido e certo) 
trata-se de uma condição especial da ação do MS, equivale aos direitos de ação. 
Paralelo entre MS e ação monitória: ambos são processos documentais, pois dependem 
de prova pré-constituída. 
Fundamentos jurídicos: pode ser controverso, ou seja, pode ser um direito intrincado (não 
é pacífico) 
Súmula 625 STF – controvérsia sobre matéria de direito não impede a 
concessão de mandado de segurança. 
 
Exceção à prova pré-constituída no MS: 
Art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei do MS, uma vez que a prova está em poder da autoridade 
coatora, deve ser alegado em sede de preliminar. 
Art. 6o (...) 
§ 1o No caso em que o documento necessário à prova do alegado se ache 
em repartição ou estabelecimento público ou em poder de autoridade que 
se recuse a fornecê-lo por certidão ou de terceiro, o juiz ordenará, 
preliminarmente, por ofício, a exibição desse documento em original ou em 
cópia autêntica e marcará, para o cumprimento da ordem, o prazo de 10 
(dez) dias. O escrivão extrairá cópias do documento para juntá-las à 
segunda via da petição. 
§ 2o Se a autoridade que tiver procedido dessa maneira for a própria 
coatora, a ordem far-se-á no próprio instrumento da notificação. 
 
2.2. NÃO AMPARADO POR HABEAS CORPUS OU HABEAS DATA 
O MS é uma medida residual, por isso só cabe em casos em que não é possível HC e HD. 
O HC foi forjado para o cabimento de concessão liberdade (ir e vir). Está previsto no CPP. 
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O habeas data é regulamentado pela Lei 9.507/97, art. 7º, é concedido para garantia ao 
direito de informação própria. Portanto, é utilizado para obter informação própria. Caso queira 
informação de terceiro deve ser impetrado MS. 
2.3. CONTRA ATO 
Divide-se em: 
Ato administrativo: em regra, cabe MS contra ato administrativo (portaria, licitação, 
adjudicação). Existe uma exceção, qual seja, não cabe se contra o ato administrativo couber 
recurso administrativo com efeito suspensivo e sem pagamento de caução. 
Art. 5o Não se concederá mandado de segurança quando se tratar: 
I - de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, 
independentemente de caução; 
 
# Pode-se renunciar ao recurso administrativo e impetrar MS diretamente? 
Entende-se que a parte pode abrir mão da via administrativa, expressamente, para 
impetrar MS, vez que o ato é exequível. 
Há exceção da exceção, ou seja, há uma hipótese em que mesmo que tenha recurso 
administrativo com efeito suspensivo e sem caução caberá MS. É a hipótese do ato omissivo, 
entendimento sumulado (429 STF) 
Súmula 429 STF - A existência de recurso administrativo com efeito 
suspensivo não impede o uso do mandado de segurança contra omissão da 
autoridade. 
 
Ato legislativo: em regra, não cabe MS contra ato legislativo (Súmula 266 STF). 
Exceções: cabe mandado de segurança contra ato legislativo quando: 
- Leis de efeitos concretos: são leis que por si só já operalizam prejuízo, ou seja, não 
precisam de um ato administrativo posterior para causar prejuízo, a exemplo de leis proibitivas 
(Lei do Fumo); 
- Contra projeto de lei aprovado com violação do processo legislativo: só pode o 
parlamentar prejudicado. 
Ato judicial: em regra, não cabe MS contra ato judicial (art. 5º, II e III, súmula 267 e 268 
STF) 
Art. 5º, (...) 
II - de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo; 
III - de decisão judicial transitada em julgado 
 
Súmula 267 STF - Não cabe mandado de segurança contra ato judicial 
passível de recurso ou correição. 
 
Súmula 268 STF - Não cabe mandado de segurança contra decisão judicial 
com trânsito em julgado. 
 
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Exceção: cabe nos seguintes casos 
Contra decisão que não possui recurso previsto em lei (sucedâneo recursal), antes do 
trânsito em julgado. São exemplos: JEC e JEF 
No caso de decisão do STF, mesmo que não exista recurso previsto em lei, não cabe MS. 
Contra decisão teratológica (monstruosa), não possui substrato material, cabe, inclusive, 
após o trânsito em julgado. Por exemplo, no caso de petição inicial em que o juiz sentencia e 
manda citar o réu depois. 
2.4. LEGAL OU ABUSIVO DE DIREITO 
A &)�XVD�D�H[SUHVVmR�³DEXVLYR�GH�SRGHU´�� 
Ato ilegal: refere-se aos atos vinculados do poder público. 
Casos em que a aposentadoria, após preencher os requisitos, é negada. 
Abuso de poder (direito): refere-se aos atos discricionários, deve escolher dentro daquilo 
que protege o interesse público. Quando faz a opção que não atende ao interesse público 
caracteriza ato abuso de poder, cabendo MS contra ela. 
2.5. PRATICADO POR AUTORIDADE PÚBLICA OU AFIM 
Só cabe contra particular que estiver fazendo às vezes do poder público. 
3. LEGITIMIDADE 
3.1. LEGITIMIDADE ATIVA PARA O MS COLETIVO 
A) Partido Político 
Partido Político nada mais é do que uma associação que tem seus estatutos depositados 
perante o TSE, cujo objeto social é a conquista do poder (art. 17, §2º, da CF/88). 
Para que possa propor MS coletivo, deve possuir pelo menos 01 (um) representante no 
Congresso Nacional, seja deputado, seja senador. Cumprido o requisito, poderá fazê-lo nas três 
esferas da federação. 
Quanto ao objeto de defesa, existem três posições: 
1ª: Todos os assuntos de interesse nacional (Ada); 
2ª: Apenas a atividade partidária; 
3ª (mais prestigiada na doutrina e jurisprudência): Questão para o qual forem criados 
(artigo 1º da Lei n. 9.096/1995) ± ou seja: (i) tutela dos direitos fundamentais de todos; (ii) tutela 
do regime democrático; (iii) tutela do sistema representativo. Nesse sentido: STJ, RMS n. 2423. 
RMS - CONSTITUCIONAL - MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO - 
PARTIDO POLITICO - O MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO VISA A 
PROTEGER DIREITO DE PESSOAS INTEGRANTES DA COLETIVIDADE 
DO IMPETRANTE. DISTINGUEM-SE, ASSIM, DA AÇÃO 
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CS ± DIFUSOS E COLETIVOS 2019.1 146 
 
CONSTITUCIONAL QUE PRESERVA DIREITO INDIVIDUAL, OU DIFUSO. 
O PARTIDO POLITICO, POR ESSA VIA, SO TEM LEGITIMIDADE PARA 
POSTULAR DIREITO DE INTEGRANTE DE SUA COLETIVIDADE. (STJ - 
RMS: 2423 PR 1992/0032590-4, Relator: Ministro LUIZ VICENTE 
CERNICCHIARO, Data de Julgamento: 27/04/1993, T6 - SEXTA TURMA, 
Data de Publicação: DJ 22.11.1993 p. 24974) 
 
À luz desse entendimento, o STJ já negou (RE n. 196184) que o partido político pudesse 
entrar com MS em matéria tributária, in verbis: 
CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇACOLETIVO. LEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM DE PARTIDO POLÍTICO. 
IMPUGNAÇÃO DE EXIGÊNCIA TRIBUTÁRIA. IPTU. 1. Uma exigência 
tributária configura interesse de grupo ou classe de pessoas, só podendo 
ser impugnada por eles próprios, de forma individual ou coletiva. 
Precedente: RE nº 213.631, rel. Min. Ilmar Galvão, DJ 07/04/2000. 2. O 
partido político não está, pois, autorizado a valer-se do mandado de 
segurança coletivo para, substituindo todos os cidadãos na defesa de 
interesses individuais, impugnar majoração de tributo. 3. Recurso 
extraordinário conhecido e provido. (STF - RE: 196184 AM, Relator: ELLEN 
GRACIE, Data de Julgamento: 27/10/2004, Primeira Turma, Data de 
Publicação: DJ 18-02-2005 PP-00006 EMENT VOL-02180-05 PP-01011 
LEXSTF v. 27, n. 315, 2005, p. 159-173 RTJ VOL-00194-03 PP-01034) 
 
B) Sindicatos, entidades de classe e associações 
É clara que a regra da constituição ânua só vale para as associações (STF, RE n. 
198.919). 
LEGITIMIDADE DO SINDICATO PARA A IMPETRAÇÃO DE MANDADO 
DE SEGURANÇA COLETIVO INDEPENDENTEMENTE DA 
COMPROVAÇÃO DE UM ANO DE CONSTITUIÇÃO E FUNCIONAMENTO. 
Acórdão que, interpretando desse modo a norma do art. 5º, LXX, da CF, 
não merece censura. Recurso não conhecido. (STF - RE: 198919 DF, 
Relator: Min. ILMAR GALVÃO, Data de Julgamento: 15/06/1999, Primeira 
Turma, Data de Publicação: DJ 24-09-1999 PP-00043 EMENT VOL-01964-
02 PP-00411) 
 
Não é possível aplicar a dispensa do art. 5º, §4º, da LACP. 
Igualmente, não é necessária a autorização dos filiados (súmula 629 do STF). Tanto é 
verdade que é perfeitamente possível a impetração de MS coletivo para beneficiar apenas parcela 
da categoria (súmula 630 do STF). 
Quanto ao objeto de defesa, existem duas posições: 
1ª (minoritária): apenas interesse típico da classe ou categoria; 
2ª (prevalecente): direito dos associados/sindicalizados, independentemente de ser da 
classe/categoria (STF, RE n. 181.438-SP). 
 
3.2. LEGITIMIDADE ATIVA PARA O MS INDIVIDUAL 
a) Qualquer pessoa física, jurídica, brasileiro, estrangeiro e, até, entes despersonalizados 
(mesas de câmaras, poderes da república, órgãos da administração) podem propor MS individual. 
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b) Entende-se que o MS é uma ação personalíssima, por isso a morte do autor gera a 
extinção do processo; 
c) Não confundir MS individual em litisconsórcio (vários autores com direitos individuais) 
com MS coletivo (direito debatido é metaindividual); 
d) Possibilidade de formação de litisconsórcio ativo facultativo (art. 1ª, § 3º) 
§ 3o Quando o direito ameaçado ou violado couber a várias pessoas, 
qualquer delas poderá requerer o mandado de segurança. 
§ 2o O ingresso de litisconsorte ativo não será admitido após o despacho 
da petição inicial. 
 
e) Art. 3º 
Art. 3o O titular de direito líquido e certo decorrente de direito, em condições 
idênticas, de terceiro poderá impetrar mandado de segurança a favor do 
direito originário, se o seu titular não o fizer, no prazo de 30 (trinta) dias, 
quando notificado judicialmente. 
Parágrafo único. O exercício do direito previsto no caput deste artigo 
submete-se ao prazo fixado no art. 23 desta Lei, contado da notificação. 
 
Se o direito depende do exercício de direito de outra pessoa pode aquele, após a 
intimação deste, impetrar o MS (caso de legitimação extraordinária). 
Passou em concurso em 2º colocado, chamou o 3º colocado, o segundo colocado fica 
esperando o 1º colocado entrar com MS, mas este não faz, o notifica, caso dentro de 30 dias este 
não faça nada o 2º entra com MS em favor do 1º colocado para anular nomeação do 3º colocado. 
3.3. LEGITIMIDADE PASSIVA 
Toda previsão da legitimidade passiva (MSI e MSC) está no art. 1º, §§ 1º e 2º, da Lei do 
MS. 
§ 1o Equiparam-se às autoridades, para os efeitos desta Lei, os 
representantes ou órgãos de partidos políticos e os administradores de 
entidades autárquicas, bem como os dirigentes de pessoas jurídicas ou as 
pessoas naturais no exercício de atribuições do poder público, somente no 
que disser respeito a essas atribuições. 
§ 2o Não cabe mandado de segurança contra os atos de gestão comercial 
praticados pelos administradores de empresas públicas, de sociedade de 
economia mista e de concessionárias de serviço público. 
 
a) Atualmente prevalece o entendimento de que o réu no MS é a pessoa jurídica a que 
pertence à autoridade coatora, que só a representaria no MS. Isto porque quem sofre as 
consequências do ato e da decisão do MS é a pessoa jurídica, não autoridade. De qualquer modo, 
a definição da autoridade coatora no MS é fundamental para a fixação da competência para o 
julgamento da ação. 
b) O STJ nega expressamente, a existência de litisconsórcio passivo entre a pessoa 
jurídica e autoridade coatora, tendo em vista que se trata da mesma pessoa. 
Art. 6o A petição inicial, que deverá preencher os requisitos estabelecidos 
pela lei processual, será apresentada em 2 (duas) vias com os documentos 
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que instruírem a primeira reproduzidos na segunda e indicará, além da 
autoridade coatora, a pessoa jurídica que esta integra, à qual se acha 
vinculada ou da qual exerce atribuições. 
 
Indica os dois porque o art. 7º, II, manda notificar o coator e deve avisar o órgão de 
representação da pessoa jurídica. 
c) Definição legal de quem é a autoridade coatora ± é considerada tanto quem pratica ou 
ordenada o ato impugnado. 
§ 3o Considera-se autoridade coatora aquela que tenha praticado o ato 
impugnado ou da qual emane a ordem para a sua prática. 
 
Tecnicamente, a autoridade coatora é qualquer um dos dois casos acima, mas desde que 
seja capaz de desfazer o ato. 
x O simples subalterno executor do ato nunca pode ser autoridade coatora; 
x Ato coator praticado diversas vezes em áreas distintas, inclusive por executores 
distintos. O prejudicado, se quiser, pode impetrar um MS contra cada ato ou 
apenas um MS contra o superior hierárquico de todos os outros; 
x MS no ato complexo (decisão é fruto da vontade de órgãos distintos). Súmula 627 
x Ato composto: uma pessoa pratica o ato e outra homologa (autoridade coatora), a 
exemplo de demissão de servidor público; 
x Ato colegiado: um só órgão, mas dentro deste há várias manifestações de vontade, 
a exemplo do julgamento feito pelos Tribunais. A autoridade coatora é o presidente 
do órgão. 
d) Indicação errônea da autoridade coatora 
Apesar da crítica doutrinária, no sentido de que o jurisdicionado não é obrigado a conhecer 
os meandros da administração, o STJ é firme no sentido de que o caso é de extinção do MS. 
e) Teoria da encampação: a defesa do ato pela autoridade equivocadamente apontada 
como coatora supre a errônea indicação e permite o julgamento do MS. O superior assume a 
responsabilidade pelo subalterno. 
Para aplicação desta teoria é necessária a observação de quatro condições: 
x O encampante deve ser superior hierárquico do encampado; 
x O juízo seja competente para apreciar o MS também contra o encampante; 
x As informações prestadas pelo encampante enfrentem diretamente a questão, não 
alegando apenas ilegitimidade; 
x For razoável a dúvida contra a real autoridade coatora. REMS 21.508/MG 
f) Litisconsórcio passivo necessário e unitário entre a pessoa jurídica e o beneficiário do 
ato atacado. 
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Súmula 701 STF - No mandado de segurança impetrado pelo Ministério 
Público contra decisão proferida em processo penal, é obrigatória a citação 
do réu como litisconsorte passivo. 
 
Sumula 631 STF - Extingue-se o processo de mandado de segurança se o 
impetrante não promove, no prazo assinado, a citação do litisconsorte 
passivo necessário. 
 
 
g) Autoridades públicas por equiparação: 
I Grupo: (Julgado pela justiça eleitoral) 
Representantes ou órgãos de partido político; 
II Grupo 
Administradores de entidades autárquicas 
III Grupo 
Dirigentes de pessoas jurídicasou pessoas naturais no exercício de atribuições do poder 
público (relacionados com suas atribuições) 
Em princípio, não cabe MS contra bancos privados, pois a atividade não é delegada, mas 
sim autorizada, entretanto, se a discussão for sobre o sistema financeiro de habitação o banco 
age exercendo atribuição do poder público. Neste caso, cabe MS. 
IV Grupo 
Contra atos de gestão pública praticados por administradores de empresas públicas, 
sociedades de economia mista e concessionárias de serviço público. 
Ato de gestão comercial não cabe MS. 
Súmula 333 STJ - Cabe mandado de segurança contra ato praticado em 
licitação promovida por sociedade de economia mista ou empresa pública. 
 
4. OBJETO DO MS COLETIVO 
Existem duas grandes correntes: 
1ª (ampliativa ± adotada pela doutrina): todos os direitos e interesses metaindividuais 
(difusos, coletivos e individuais homogêneos. 
2ª (restritiva ± lei e STF): coletivos (strictu sensu) e individuais homogêneos (art. 21, 
§único, da LMS). 
5. COMPETÊNCIA 
5.1. FUNCIONAL/HIERÁRQUICO 
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 Observações: 
A regra geral do sistema é que não haja foro privilegiado em processo civil. Porém, o MS é 
uma exceção. 
O que define a competência funcional no MS é o status da autoridade coatora. 
Todas as regras de competência funcional e hierárquica do MS estão na CF art. 102, I, d; 
art. 105, I, b e art. 108, b. Além da CF as Constituições Estaduais também prevêem, bem como 
nas súmulas 41 STJ; 330, 433 e 624 STF. 
Regra para competência funcional do MS 
Top julga Top 
Súmula 41 STJ - O Superior Tribunal de Justiça não tem competência para 
processar e julgar, originariamente, mandado de segurança contra ato de 
outros tribunais ou dos Respectivos órgãos. 
 
Súmula 330 STF – O Supremo Tribunal Federal não é competente para 
conhecer de mandado de segurança contra atos dos tribunais de justiça dos 
estados. 
 
Súmula 433 STF – É competente o Tribunal Regional do Trabalho para 
julgar mandado de segurança contra ato de seu presidente em execução de 
sentença trabalhista. 
 
Súmula 624 STF – Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer 
originariamente de mandado de segurança contra atos de outros tribunais. 
 
Exceção à regra do top julga top: 
MS contra ato de juiz de 1º grau 
MS contra ato do juiz de JEC é julgado pelo colégio recursal. 
MS contra ato do colégio recursal, para atacar sua competência RMS 17524/BA, será o TJ 
ou TRF da região. 
Súmula 376 STJ – Compete à turma recursal processar e julgar o mandado 
de segurança contra ato de juizado especial. 
 
O STF, no julgamento 574386/BA, entendeu que não cabe MS, contrariando a súmula do 
STJ. 
5.2. MATERIAL 
a) Justiça do Trabalho ± regra expressa no art. 114, IV, CF ± compete a JT julgar MS 
contra atos de sua jurisdição, a exemplo de MS contra delegado do trabalho. 
b) Justiça Eleitoral ± julga desde que a matéria seja a do art. 121, CF. Basicamente, o MS 
de matéria eleitoral será julgado pela JE. 
22 / 167
 
 
CS ± DIFUSOS E COLETIVOS 2019.1 151 
 
c) Justiça Federal e Justiça Estadual ± o que define a competência entre elas é o status da 
autoridade, ou seja, se a autoridade coatora for federal (JF); se autoridade coatora for estadual 
(JE). 
Art. 2º, da Lei MS e art. 109, VIII, CF. 
O problema ocorre nas autoridades por equiparação. 
Para definir quem é competente nestes casos, verifica-se o status não da autoridade, mas 
sim de quem autoriza à atividade. 
Por exemplo, MS contra energia elétrica ± União autoriza ± Justiça Federal; porém, se 
resolver entrar com qualquer outra ação (cautelar, tutela antecipada, obrigação de fazer ou não 
fazer), o réu será a concessionária (particular), portanto, a competência será da justiça estadual. 
Ex2: MS em matéria de ensino superior ± pode ser explorado pela União, Estados/DF e 
Municípios, bem como particulares (pede autorização para o MEC ± União). 
 MS Outras ações 
Universidade Federal Justiça federal Justiça federal 
Universidade Estadual Justiça estadual Justiça estadual 
Universidade Municipal Justiça estadual Justiça estadual 
Universidade Particular Justiça federal Justiça estadual 
 
5.3. VALORATIVO 
Nacionalmente, define a competência dos juizados. 
Nem a Lei 9.099/95 (art. 8º), nem a Lei 10.059 (art. 3º, § 1º), tão pouco a Lei 12.153 (art. 
2º), admite MS nos juizados em 1ª Grau 
5.4. TERRITORIAL 
O que define a competência é o domicílio funcional da autoridade coatora, pouco 
importando onde o ato tenha sido praticado. É absoluta, causa de nulidade. 
6. PROCEDIMENTO 
Petição inicial (art. 6º) 
Liminar (art. 7º) 
Notificação ± autoridade coatora e PJ que ela pertença 
Informações (10 dias) 
MP (10 dias) 
Sentença 
6.1. LIMINAR NO MS 
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CS ± DIFUSOS E COLETIVOS 2019.1 152 
 
Art. 7º, III - que se suspenda o ato que deu motivo ao pedido (liminar), 
quando houver fundamento relevante e do ato impugnado puder resultar a 
ineficácia da medida, caso seja finalmente deferida, sendo facultado exigir 
do impetrante caução, fiança ou depósito, com o objetivo de assegurar o 
ressarcimento à pessoa jurídica. 
 
Antes da nova Lei do MS, era pacífico o entendimento de que era vetado a exigência de 
caução para conceder a liminar. 
A liminar só dura até a prolação de sentença. 
A liminar é limitada em algumas hipóteses. 
Art. 7º, § 2o Não será concedida medida liminar (cabe MS) que tenha por 
objeto a compensação de créditos tributários, a entrega de mercadorias e 
bens provenientes do exterior, a reclassificação ou equiparação de 
servidores públicos e a concessão de aumento ou a extensão de vantagens 
ou pagamento de qualquer natureza. 
 
O STF, no julgamento da ADC 4, entendeu que estas limitações são constitucionais, salvo 
em matéria previdenciária. 
6.2. INFORMAÇÕES 
a) Necessariamente, devem ser subscritas pela autoridade coatora; 
b) Não há revelia pela falta de apresentação, eis que a presunção de legitimidade do ato 
administrativo se sobrepõe a presunção de veracidade da revelia. 
c) Natureza 
 1ª C: a natureza jurídica é de provas (Didier - minoritária) 
2ª C: a natureza jurídica é de contestação (majoritária) 
6.3. SENTENÇA 
Art. 13. Concedido o mandado, o juiz transmitirá em ofício, por intermédio 
do oficial do juízo, ou pelo correio, mediante correspondência com aviso de 
recebimento, o inteiro teor da sentença à autoridade coatora e à pessoa 
jurídica interessada. 
Parágrafo único. Em caso de urgência, poderá o juiz observar o disposto no 
art. 4o desta Lei. 
 
Deve ser avisada a autoridade coatora 
O art. 25, LMS repete o enunciado da súmula 512 STF 
Art. 25. Não cabem, no processo de mandado de segurança, a interposição 
de embargos infringentes e a condenação ao pagamento dos honorários 
advocatícios, sem prejuízo da aplicação de sanções no caso de litigância de 
má-fé. 
 
6.4. RECURSOS 
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CS ± DIFUSOS E COLETIVOS 2019.1 153 
 
Art. 14. Da sentença, denegando ou concedendo o mandado, cabe 
apelação. 
§ 1o Concedida a segurança, a sentença estará sujeita obrigatoriamente ao 
duplo grau de jurisdição. 
§ 2o Estende-se à autoridade coatora o direito de recorrer. 
§ 3o A sentença que conceder o mandado de segurança pode ser 
executada provisoriamente, salvo nos casos em que for vedada a 
concessão da medida liminar. 
§ 4o O pagamento de vencimentos e vantagens pecuniárias assegurados 
em sentença concessiva de mandado de segurança a servidor público da 
administração direta ou autárquica federal, estadual e municipal somente 
será efetuado relativamente às prestações que se vencerem a contar da 
data do ajuizamento da inicial. 
 
a) Quem pode recorrer: as partes (impetrante e pessoa jurídica); MP e a autoridade 
coatora (inovação da LMS), apenas se a decisão afetar a sua esfera pessoal. 
b) Em 1º grau cabe: agravo - liminar (art. 7º, §1º), apelação (sem efeito suspensivo, salvo 
no caso do art. 14, § 3º, casos em que não cabe liminar contra o poder público)e embargos de 
declaração. 
c) Em 2º grau (julgamento da apelação ou agravo de instrumento) cabe: embargos de 
declaração, Recurso especial e recurso extraordinário, não interessa o julgamento do recurso, 
NÃO cabem embargos infringentes. 
d) MS originário (foro privilegiado) já começa nos tribunais, cabe: agravo para o colegiado 
(agravo interno) em duas situações: 
Art. 16 ± liminar; revogada a súmula 622 STF 
Art. 10, § 1º - indeferimento de inicial 
Cabe ROC (art. 18 LMS): é julgado pelo STJ ou pelo STF, depende da origem do MS 
originário. 
Extinção sem mérito 
Ordem denegada 
Cabe Resp ou RE quando concede a ordem. 
Cabem embargos de declaração sempre. 
7. DESISTÊNCIA 
Não aplica o art. 267, § 4º, CPC, não depende de concordância da outra parte. STJ possui 
vários precedentes a respeito. 
8. DECADÊNCIA 
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CS ± DIFUSOS E COLETIVOS 2019.1 154 
 
O art. 23, LMS, é claro no sentido de que o MS só pode ser impetrado no prazo de 120 
dias. 
Natureza jurídica: 
1ªC ± prazo decadencial (majoritária) 
2ªC ± (Leonardo Carneiro da Cunha) prazo extintivo com natureza própria (minoritária). É 
melhor porque a decadência do MS não acarreta a perda do direito, mas apenas da via, nada 
impedindo que a parte postule o mesmo direito pela via comum. 
Súmula 304 STF 
O prazo é constitucional. 
Termo inicial: 
c) Ato comissivo ± conta-se os 120 dias da ciência inequívoca do ato 
(intimação/publicação); 
d) Ato preventivo ± não há prazo, eis que o ato ainda não foi praticado; 
e) Ato omissivo ± se houver prazo legal para manifestação do coator conta-se do 
fim do prazo; se não houver prazo legal para a prática do ato não corre o prazo 
de 120 dias, pois o ato omissivo é permanente. 
Súmula 430 STF – pedido de reconsideração na esfera administrativa não 
interrompe o prazo de decadência. 
9. TEORIA DO FATO CONSUMADO 
Por esta teoria entende-se que o juiz extinguirá o processo, sem o julgamento do mérito 
toda vez que, já concedida a liminar, for observado, ao tempo do julgamento da ação, que a 
concessão ou não da ordem não alterará a situação de fato, já consumada. Nestes casos, 
extingue-se o MS sem análise do mérito. Por exemplo, a criança que cursou a primeira série por 
força de liminar. 
Obs.: O STJ, não aceita a aplicação desta teoria, em caso de candidato que participou de 
fase de concurso por força de liminar. 
 
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CS: CONSTITUCIONAL - PARTE I 2021.1 201 
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1. INSTRUMENTOS
O ordenamento jurídico brasileiro consagra dois instrumentos de controle das omissões 
inconstitucionais, são eles: 
a) Ação direita de inconstitucionalidade por omissão (ADO) ± instrumento de controle
abstrato, prevista no art. 103, §2º da CF e regulamenta pela Lei 12.063/2009;
CF, art. 103, § 2º: “Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida 
para tornar efetiva norma constitucional [finalidade], será dada ciência 
[efeito da decisão] ao Poder competente para a adoção das providências 
necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em trinta 
dias 
b) Mandado de injunção (MI) ± previsto no art. 5º, LXXI, da CF e regulamentado pela Lei
13.300/2016, com aplicação subsidiária da Lei do MS e do CPC.
CF, art. 5º, LXXI: “conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de 
norma regulamentadora torne inviável o exercício [finalidade: viabilizar o 
exercício] dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas 
inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania”. 
Lei n. 13.300/16, art. 14: Aplicam-se subsidiariamente ao mandado de 
injunção as normas do mandado de segurança, disciplinado pela Lei nº 
12.016, de 7 de agosto de 2009, e do Código de Processo Civil, instituído pela 
Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, e pela Lei nº 13.105, de 16 de março 
de 2015, observado o disposto em seus arts. 1.045 e 1.046. 
Com o intuito de facilitar a compreensão do tema, faremos uma análise comparativa entre 
ADO e MI, em relação a: 
a) Finalidade
b) Tipo de pretensão deduzida em juízo
c) Competência
d) Legitimidade ativa
e) Legitimidade passiva
f) Parâmetro
g) Objeto
h) Liminar
i) Decisão de mérito
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CS: CONSTITUCIONAL - PARTE I 2021.1 202 
2. FINALIDADE
Na ADO a finalidade é tornar efetiva a norma constitucional, ou seja, não visa assegurar 
direitos subjetivos, mas sim proteger a ordem constitucional objetiva. Desta forma, a Supremacia 
da Constituição será assegurada e suas normas terão a devida efetividade, cumprindo a função 
social para as quais foram criadas. Portanto, trata-se de um instrumento de controle abstrato de 
constitucionalidade. 
O MI possui como objetivo viabilizar o exercício de direitos e liberdades constitucionais. Isto 
é, sua finalidade principal é a proteção de direitos subjetivos. Assim, trata-se de um instrumento de 
controle concreto ou incidental. 
3. TIPO DE PRETENSÃO DEDUZIDA EM JUÍZO
Na ADO a pretensão é deduzida em juízo por meio de um processo constitucional 
objetivo. 
No MI a pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo. 
4. COMPETÊNCIA
A ADO é um instrumento de controle concentrado ou reservado (assim como ADI, ADC e 
ADPF). Por isso, só pode ser processada e julgada pelo STF (na esfera federal) e pelo TJ (na 
esfera estadual). 
Em relação ao MI, parte considerável da doutrina, afirma que a competência será definida 
expressamente pela CF (previu STF, STJ, TSE e TRF), por lei federal (não regulamentou) ou 
pela CE (cada uma trata de uma maneira, alguns afirmam que é do TJ; outras que será o TJ ou juiz 
estadual). 
Como há necessidade de previsão expressa, a doutrina costuma classificar o MI como um 
instrumento de controle difuso-limitado, pois não será qualquer juiz ou tribunal que terão 
competência. 
A seguir colacionamos os dispositivos constitucionais que preveem a competência para 
processo e julgamento do MI: ao STF, ao STJ ao TSE e ao TRE. 
a) STF
CF, art. 102: Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a 
guarda da Constituição, cabendo-lhe: 
I - processar e julgar, originariamente: 
q) o mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora
for atribuição do Presidente da República, do Congresso Nacional, da
Câmara dos Deputados, do Senado Federal, das Mesas de uma dessas
Casas Legislativas, Tribunal de Contas da União, de um dos Tribunais
Superiores, ou do próprio Supremo Tribunal Federal [critério de fixação da
competência do STF: órgão ou autoridade responsável pela omissão];
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CS: CONSTITUCIONAL - PARTE I 2021.1 203 
CF, art. 102: Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a 
guarda da Constituição, cabendo-lhe: 
II - julgar, em recurso ordinário [apenas quando a decisão for denegatória]: 
a) o habeas corpus, o mandado de segurança, o habeas data e o mandado
de injunção decididos em única instância pelos Tribunais Superiores
[atribuição indireta de competência aos Tribunais Superiores], se
denegatória a decisão [caso concedida a ordem não caberá recurso
ordinário para o STF].
b) STJ
CF, art. 105: Compete ao Superior Tribunal de Justiça: 
I - processar e julgar, originariamente: 
h) o mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora
for atribuição de órgão, entidade ou autoridade federal, da administração
direta ou indireta [competência residual, pois dependerá da análise se o
órgão, entidade ou autoridade federal devam ser, originariamente,
processados e julgados por outros tribunais], excetuados os casos de
competência do Supremo Tribunal Federal e dos órgãos da Justiça Militar, da
Justiça Eleitoral, da Justiça do Trabalho e da Justiça Federal [atribuição
indireta de competência aos órgãos de Justiça no âmbito federal];
c) TSE e TRE:
CF, art. 121: § 4º: Das decisões dos Tribunais Regionais Eleitorais somente 
caberá recurso quando: 
V - denegarem habeas corpus, mandado de segurança, habeas data ou 
mandado de injunção. 
Em relação à Justiça Federal, o STF possui precedentes conferindo à competênciapara o 
julgamento do MI. 
STF - MI 571 QO/SP: “EMENTA: Mandado de injunção: omissão normativa 
imputada a autarquia federal (Banco Central do Brasil): competência 
originária do Juiz Federal e não do Supremo Tribunal, nem do Superior 
Tribunal de Justiça: inteligência da ressalva final do art. 105, I, h, da 
Constituição.”; 
STF- MI 193/DF: “Tratando-se de mandado de injunção diante de omissão 
apontada em relação à norma emanada do Conselho Nacional de Trânsito - 
CONTRAN, órgão autônomo vinculado ao Ministério das Cidades e presidido 
pelo titular do Departamento Nacional de Trânsito, a competência para 
processar e julgar o mandado de injunção é da Justiça Federal, nos termos 
do art. 109, I, da Constituição Federal. 2. Mandado de injunção não 
conhecido.” 
Como já mencionado, as CE podem prever dentro do âmbito do TJ como bem entenderem. 
Cita-se, como exemplo, as CE de MG. 
Constituição do Estado de Minas Gerais: 
29 / 167
CS: CONSTITUCIONAL - PARTE I 2021.1 204 
Art. 106: Compete ao Tribunal de Justiça: 
f) mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora for
atribuição de órgão, de entidade ou de autoridade estadual da administração
direta ou indireta;
Art. 113, parágrafo único: “Compete ao Juiz de Direito julgar mandado de
injunção quando a norma regulamentadora for atribuição do Prefeito, da
Câmara Municipal ou de sua Mesa Diretora, ou de autarquia ou fundação
pública municipais”.
Sistematizando: 
COMPETÊNCIA QUANDO A ATRIBUIÇÃO PARA ELABORAR A NORMA 
FOR DO(A)(S) ... 
STF 
(art. 102, I, "q") 
� 3UHVLGHQWH�GD�5HS~EOLFD
� &RQJUHVVR�1DFLRQDO
� &kPDUD�GRV�'HSXWDGRV
� 6HQDGR�)HGHUDO
� 0esas da Câmara ou do Senado
� 7ULEXQDO�GH�&RQWDV�GD�8QLmR
� 7ULEXQDLV�6XSHULRUHV
� 6XSUHPR�7ULEXQDO�)HGHUDO�
STJ 
(art. 105, I, "h") 
órgão, entidade ou autoridade federal, excetuados os casos de 
competência do STF e dos órgãos da Justiça Militar, da Justiça 
Eleitoral, da Justiça do Trabalho e da Justiça Federal. 
Juízes e Tribunais da 
Justiça Militar, Justiça 
Eleitoral, Justiça do 
Trabalho 
órgão, entidade ou autoridade federal nos assuntos de sua 
competência. 
Juízes Federais e TRFs órgão, entidade ou autoridade federal, se não for assunto das 
demais "Justiças" e desde que não seja autoridade sujeita à 
competência do STJ. 
Ex: compete à Justiça Federal julgar MI em que se alega 
omissão do Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) na 
edição de norma de trânsito que seria de sua atribuição (STJ MI 
193/DF). 
Juízes estaduais e TJs órgão, entidade ou autoridade estadual, na forma como 
disciplinada pelas Constituições estaduais. 
5. LEGITIMIDADE ATIVA
Na ADO, por ser uma ação de controle abstrato, sem partes formais, é necessário que a 
haja previsão legal, o art. 12-A da Lei 9.868/99, prevê os mesmos legitimados da ADI e da ADC. 
É uma norma remissiva. 
Lei 9.868/99, art. 12-A: Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade 
por omissão os legitimados à propositura da ação direta de 
inconstitucionalidade e da ação declaratória de constitucionalidade. 
Obs.: não terá legitimidade para propor a ação a autoridade que for responsável pela omissão 
inconstitucional. Deverá suprir a omissão e não propor uma ação direita de inconstitucionalidade 
por omissão. 
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CS: CONSTITUCIONAL - PARTE I 2021.1 205 
O MI, por ser um instrumento de controle concreto, poderá ser impetrado, em regra, por 
quem tiver o direito violado pela impossibilidade de exercê-lo. Contudo, há dois tipos de MI: 
MI individual ± pessoa física ou pessoa jurídica que se declarar titular do direito e for 
inviabilizada de exercer determinado direito, previsto no texto constitucional, terá legitimidade ativa. 
Lei n. 13.300/16, art. 3º: São legitimados para o mandado de injunção, como 
impetrantes, as pessoas naturais ou jurídicas que se afirmam titulares dos 
direitos, das liberdades ou das prerrogativas referidos no art. 2º e, como 
impetrado, o Poder, o órgão ou a autoridade com atribuição para editar a 
norma regulamentadora. 
O art. 3º da Lei do MI, ao reconhecer legitimidade ativa às pessoas "que se afirmam 
titulares", adota a "teoria da asserção". Para essa teoria, a legitimidade ad causam deve ser 
analisada à luz das afirmações feitas pelo autor na petição inicial, devendo o julgador considerar a 
relação jurídica deduzida em juízo in status assertionis, isto é, à vista do que se afirmou. Em outras 
palavras, se o autor afirma que é titular daquele direito, para fins de legitimidade deve-se tomar essa 
afirmação como sendo verdadeira. Ao final do processo, pode-se até reconhecer que ele não é 
realmente titular, mas aí já será uma decisão de mérito. Para fins de reconhecimento de legitimidade 
e processamento da ação, basta que o autor se afirme titular. 
MI coletivo ± é necessária a previsão legal. Até 2016, os legitimados eram os mesmos do 
MS. A partir da Lei 13.300/2016 houve regulamentação específica, sendo legitimado o MP, partido 
político, organização sindical, entidade de classe ou associação constituída e em funcionamento há 
pelo menos um ano e pela DP, nos termos do art. 12 
Lei n. 13.300/16, art. 12: O mandado de injunção coletivo pode ser promovido 
I - pelo Ministério Público, quando a tutela requerida for especialmente 
relevante para a defesa da ordem jurídica, do regime democrático ou dos 
interesses sociais ou individuais indisponíveis; a 
II - por partido político com representação no Congresso Nacional, para 
assegurar o exercício de direitos, liberdades e prerrogativas de seus 
integrantes ou relacionados com a finalidade partidária; b 
III - por organização sindical, entidade de classe ou associação 
legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos 1 (um) ano, 
para assegurar o exercício de direitos, liberdades e prerrogativas em favor da 
totalidade ou de parte de seus membros ou associados, na forma de seus 
estatutos e desde que pertinentes a suas finalidades, dispensada, para tanto, 
autorização especial; c 
IV - pela Defensoria Pública, quando a tutela requerida for especialmente 
relevante para a promoção dos direitos humanos e a defesa dos direitos 
individuais e coletivos dos necessitados, na forma do inciso LXXIV do art. 5º 
da Constituição Federal. 
Parágrafo único. Os direitos, as liberdades e as prerrogativas protegidos por 
mandado de injunção coletivo são os pertencentes, indistintamente, a uma 
coletividade indeterminada de pessoas ou determinada por grupo, classe ou 
categoria” 
a) Embora o Ministério Público não esteja previsto na CF (art. 5º, LXX), a doutrina
majoritária, mesmo antes da Lei 13.300/16, admitia a sua legitimidade.
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CS: CONSTITUCIONAL - PARTE I 2021.1 206 
b) A legitimidade do partido político não é universal, há necessidade de pertinência
temática.
c) Exigência de pertinência temática.
O requisito legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos 1ano, será
aplicado, segundo parte da doutrina, com exclusividade às associações, sob os
seguintes fundamentos:
� LQWHUSUHWDomR�JUDPDWLFDO��³FRQVWLWXtGD´�
� em razão da maior liberdade de criação, a associação poderia ser criada tão
somente para impetrar MI coletivo ± o requisito evitaria tal situação.
� Ademais, a organização sindical e a entidade de classe possuem requisitos
rígidos para serem criadas.
Nesse sentido: 
STF - RE 198.919: “Legitimidade do sindicato para a impetração de mandado 
de segurança coletivo (mesmo raciocínio para o MI) independentemente da 
comprovação de um ano de constituição e funcionamento”; 
No MI 689/PB, a decisão foi diversa, Novelino entende que pode ser interpretado de 
três maneiras: 
� Houve superação do precedente anterior (não concorda);
� Trata de situações diversas, um do sindicado (não exigido) e outro da
entidade de classe (exigido). Não concorda, não faz sentido;
� Não houve superação, uma vez que em nenhum momento foi objeto de
deliberação a questão envolvendo o requisito. Foi colocado apenas na
ementa pelo Ministro Eros Grau, sem explicação. Por isso, Novelino entende
que se tratade entendimento pessoal do Ministro.
STF - MI 689/PB: “O acesso de entidades de classe à via do mandado de 
injunção coletivo é processualmente admissível, desde que legalmente 
constituídas e em funcionamento há pelo menos um ano”. 
Ainda em relação ao inciso III, do art. 12, destaca-se que não é necessário que todos 
os membros da organização sindical, da entidade de classe ou da associação sejam 
atingidos pelo direito ou tenham interesse com relação a este direito - o interesse 
pode ser de apenas uma parte da categoria, nos termos da S. 630 do STF 
Súmula 630 STF: A entidade de classe tem legitimação para o mandado de 
segurança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte 
da respectiva categoria 
. 
Ademais, é dispensada a autorização dos membros ou associados, conforme a 
Súmula 629 STF 
32 / 167
CS: CONSTITUCIONAL - PARTE I 2021.1 207 
Súmula 629 STF A impetração de mandado de segurança coletivo por 
entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes 
Segundo o STF, ela é dispensada porque se trata de uma hipótese de legitimação 
extraordinária ou substituição processual, a autorização é dada pela própria 
Constituição. 
A hipótese é distinta da presente na CF, art. 5º, XXI: representação processual, a 
qual depende de autorização dos membros, ainda que dada em assembleia. 
Em suma: 
� Regra geral, associação só pode representar seus filiados judicial ou
extrajudicialmente se houver autorização (CF, art. 5º, XXI).
� Exceção: quando a associação for impetrar mandado de segurança coletivo
ou mandado de injunção coletivo.
Sistematizando: 
Legitimado Situação
I - MINISTÉRIO PÚBLICO
quando a tutela requerida for especialmente relevante 
para a defesa da ordem jurídica, do regime democrático 
ou dos interesses sociais ou individuais indisponíveis.
II - PARTIDO POLÍTICO
(com representação no
Congresso Nacional)
para assegurar o exercício de direitos, liberdades e 
prerrogativas de seus integrantes ou relacionados com a 
finalidade partidária.
III - ORGANIZAÇÃO SINDICAL, 
ENTIDADE DE CLASSE OU 
ASSOCIAÇÃO
(legalmente constituída e em 
funcionamento há pelo menos 1 
ano) 
para assegurar o exercício de direitos, liberdades e 
prerrogativas em favor da totalidade ou de parte de seus 
membros ou associados, na forma de seus estatutos e 
desde que pertinentes a suas finalidades, dispensada, 
para tanto, autorização especial.
IV - DEFENSORIA PÚBLICA
quando a tutela requerida for especialmente relevante 
para a promoção dos direitos humanos e a defesa dos 
direitos individuais e coletivos dos necessitados, na forma 
do inciso LXXIV do art. 5º da CF/88.
6. LEGITIMIDADE PASSIVA
Na ADO qualquer autoridade ou órgão responsável pela omissão inconstitucional deverá 
figurar no polo passivo. 
No MI será o poder, órgão ou autoridade com atribuição para editar a norma 
regulamentadora. 
O STF não admite litisconsórcio no polo passivo, nem na ADO e nem no MI. 
7. PARÂMETRO
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CS: CONSTITUCIONAL - PARTE I 2021.1 208 
Não é qualquer norma da CF que servirá como parâmetro nas omissões inconstitucionais. 
É necessário que seja uma norma que necessite de intermediação, a fim de que o direito seja 
exercido ou que a constituição tenha efetividade. 
Quando a norma é autoaplicável (não depende de intermediação), não se justifica a 
impetração do MI e nem o ajuizamento da ADO. 
Na ADO não pode ser norma autoaplicável. Assim, somente normas de eficácia limitada 
podem ser parâmetro. 
Importante consignar que existem normas na CF que, embora sejam autoaplicáveis, impõem 
aos poderes públicos o dever de agir para proteger e promover o direito fundamental consagrado. 
Quando o poder público cria a lei, mas não é suficiente para a proteção do direito; ou quando o 
poder executivo atua no plano administrativo, mas as suas ações não são suficientes, há uma 
omissão parcial do poder público. A omissão parcial, nesses casos, pode ocorrer ainda que a norma 
parâmetro não seja norma de eficácia limitada, ou seja, pode ocorrer frente às normas 
autoaplicáveis. 
Como exemplo, podemos citar os arts. 5º, XLI (a lei punirá qualquer discriminação atentatória 
dos direitos e liberdades fundamentais) e XLII (a prática do racismo constitui crime inafiançável e 
imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei). Quando a discriminação for 
homofóbica ou transfóbica, não há previsão legal para criminalização. Diante disso, o STF 
reconheceu uma omissão constitucional. 
STF – ADO 26 e MI 4.733/DF: A maioria entendeu que houve omissão 
inconstitucional do Congresso Nacional por não editar lei que criminalize atos 
de homofobia e de transfobia. Reconheceu a mora do Congresso Nacional 
para incriminar atos atentatórios a direitos fundamentais dos integrantes da 
comunidade LGBT e votou pelo enquadramento da homofobia como tipo 
penal definido na Lei de Racismo (Lei 7.716/1989) até que o Congresso 
Nacional edite lei sobre a matéria. 
No caso do MI, há divergência, tendo em vista a redação constitucional e legal, que preveem 
norma não autoaplicável, relacionada ao exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das 
prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. 
A seguir veremos a posição de quatro doutrinadores acerca do tema: 
a) Manoel Gonçalves Ferreira Filho: não alcança os direitos sociais, servindo para
garantir apenas os direitos, liberdades e prerrogativas diretamente vinculados ao status
de nacional (CF, arts. 5º e 12) e de cidadão (CF, arts. 14 a 17).
b) Celso Bastos��D�H[SUHVVmR�³GLUHLWRV�H�OLEHUGDGHV�FRQVWLWXFLRQDLV´�DEUDQJH�QmR�VRPHQWH
os direitos e garantias individuais, mas também os coletivos e sociais.
c) José Afonso da Silva��YLVD�DVVHJXUDU�R�H[HUFtFLR��D��GH�³TXDOTXHU�GLUHLWR�FRQVWLWXFLRQDO
(individual, coletivo, político ou social) não regulamentado; (b) de liberdade constitucional
não regulamentada (...); (c) das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e
j�FLGDGDQLD��WDPEpP�TXDQGR�QmR�UHJXODPHQWDGDV´�
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CS: CONSTITUCIONAL - PARTE I 2021.1 209 
d) Carlos Ari Sundfeld: são tuteláveis pela injunção não apenas os direitos, liberdades e
SUHUURJDWLYDV�GR�DUWLJR����RX�GR�7tWXOR�,,��³'RV�'LUHLWRV�H�*DUDQWLDV�)XQGDPHQWDLV´���PDV
WDPEpP�RV�³SUHYLVWRV�HP�TXDOTXHU�GLVSRVLWLYR�GD�&RQVWLWXLomR´�
O STF não possui precedentes claros a respeito do tema. Em várias decisões isoladas, 
reconheceu como parâmetro normas que não são de direitos fundamentais. Portanto, a partir 
dessas várias decisões, a leitura é que o Supremo adotada uma interpretação mais extensiva, como 
a proposta por Carlo Ari Sundfeld. 
o Fixação dos limites dos juros reais em 12% (CF/88, Art. 192, § 3º) (MI 361);
o Reparação de natureza econômica aos cidadãos impedidos de exercer atividade
profissional específica durante o regime militar (ADCT, Art. 8º, § 3º) (MI 284);
o Isenção de contribuição para a seguridade social de determinadas entidades
beneficentes (CF/88, Art. 195, § 7º) (MI 232).
8. OBJETO
Na ADO o objeto pode ser a ausência total (inexiste norma regulamentadora) ou parcial 
de norma (norma é insuficiente para proteger ou assegurar de forma adequada o direito). Está 
previsto expressamente no era. 12-B da Lei 9.868/99, observe: 
Lei n. 9.868/99, Art. 12-B: A petição indicará: 
I - a omissão inconstitucional total ou parcial quanto ao cumprimento de dever 
constitucional de legislar ou quanto à adoção de providência de índole 
administrativa. 
No MI a ausência também poderá ser total ou parcial, conforme disposto no art. 2º da Lei 
13.300/2016. 
Lei n. 13.300/2016, Art. 2º. “Conceder-se-á mandado de injunção sempre que 
a falta total ou parcial de norma regulamentadora torne inviável o exercício 
dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à 
nacionalidade, à soberania e à cidadania. 
Parágrafo único. Considera-se parcial a regulamentação quando forem 
insuficientes as normas editadas pelo órgão legislador competente”. 
Obs.: O MI só será cabível quando