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ORÇAMENTO EMPRESARIAL FABRIZIO SCAVASSA Revisão e atualização: Márcia Maria da Graça Costa ©2016 Universidade de Santo Amaro Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Universidade de Santo Amaro. Pró-reitora de EaD: Angelita Flores Coordenador da Equipe Pedagógica: Jairo Bandeira Designer instrucional: Cibele Cesario Revisora de texto: Silvana Pierro Diagramação: Equipe Multimídia Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Milton Soldani Afonso Costa, Scavassa, Fabrizio Orçamento empresarial /Fabrizio Scavassa / revisado e atualizado por Márcia Maria da Graça Costa. – São Paulo : Unisa Digital, 2016. 94 p. : il. Apostila Unisa Digital (Educação a Distância) – Universidade de Santo Amaro, 2016. 1. Orçamento empresarial I. Título Universidade de Santo Amaro Rua Isabel Schmidt, 349 | Santo Amaro CEP 04743-030 | São Paulo | SP Tel.: 2141-8875 | Site: www.unisa.br APRESENTAÇÃO É com satisfação que a Unisa Digital oferece a você, aluno(a), esta apostila de Orçamento Empresarial, parte integrante de um conjunto de materiais de pesquisa voltado ao aprendizado dinâmico e autônomo que a educação a distância oferece. O principal objetivo desta apostila é propiciar aos(às) alunos(as) uma apresentação do conteúdo básico da disciplina. A Unisa Digital oferece outras formas de solidificar seu aprendizado, por meio de recursos multidisciplinares, como material de apoio, fóruns, aulas narradas, webconferências etc. Para enriquecer o seu aprendizado, você ainda pode contar com a Biblioteca Virtual: www. unisa.br, a Biblioteca Central da Unisa, juntamente às bibliotecas setoriais, que fornecem acervo digital e impresso, bem como acesso a redes de informação e documentação. Nesse contexto, os recursos disponíveis e necessários para apoiá-lo(a) no seu estudo são o suplemento que a Unisa Digital oferece, tornando seu aprendizado eficiente e prazeroso, concorrendo para uma formação completa, na qual o conteúdo aprendido influencia sua vida profissional e pessoal. A Unisa Digital é assim para você: universidade a qualquer hora e em qualquer lugar! Unisa Digital INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................... 7 1 CONCEITUAÇÃO DO ORÇAMENTO ......................................................................................... 9 1.1 Definições ........................................................................................................................................... 9 1.2 Noções básicas de planejamento e controle .................................................................................... 10 1.3 Objetivos e características do sistema orçamentário ....................................................................... 12 1.4 Condições para implantação de um sistema orçamentário ............................................................. 14 1.5 Processo de elaboração do orçamento ............................................................................................ 16 1.6 Sistema de informações gerenciais .................................................................................................. 17 1.7 Vantagens, limitações e problemas do orçamento .......................................................................... 19 1.8 Orçamento e empresas brasileiras ................................................................................................... 20 Recapitulando ......................................................................................................................................... 22 Explorando seu conhecimento ............................................................................................................... 22 2 ORÇAMENTOS DE VENDAS E DE PRODUÇÃO .................................................................. 23 2.1 Sistemática do orçamento de vendas .............................................................................................. 23 2.1.1 Métodos de projeção de vendas .............................................................................................. 25 2.1.2 Maximização das vendas versus maximização do lucro .......................................................... 26 2.1.3 Elaborando o orçamento de vendas ........................................................................................ 27 2.2 Orçamento de produção .................................................................................................................. 29 2.2.1 Planejamento da produção ...................................................................................................... 29 2.2.2 Quantidade da produção ......................................................................................................... 30 2.2.3 Programação da produção ....................................................................................................... 31 2.2.4 Elaborando o orçamento de quantidade a produzir ................................................................ 31 Recapitulando ......................................................................................................................................... 33 Explorando seu conhecimento ............................................................................................................... 33 3 ORÇAMENTOS DE MATÉRIA-PRIMA, MÃO DE OBRA DIRETA E CUSTOS INDIRETOS DE FABRICAÇÃO .........................................................................................................35 3.1 Orçamento de matéria-prima .......................................................................................................... 35 3.1.1 Planejamento do custo da matéria-prima .............................................................................. 35 3.1.2 Controle do custo das matérias-primas .................................................................................. 36 3.1.3 Elaborando o orçamento de Matérias-Primas (MP) ............................................................... 36 3.2 Orçamento de Mão de Obra Direta (MOD) ...................................................................................... 39 3.2.1 Elaborando o orçamento de Mão de Obra Direta (MOD) ........................................................ 40 3.3 Orçamento de Custos Indiretos de Fabricação (CIFs) ....................................................................... 41 3.3.1 Elaborando o orçamento de Custos Indiretos de Fabricação (CIFs) ......................................... 42 Recapitulando ......................................................................................................................................... 46 Explorando seu conhecimento ............................................................................................................... 47 4 ORÇAMENTOS DE DESPESAS OPERACIONAIS E FINANCEIRAS ................................ 49 4.1 Orçamento de despesas administrativas ......................................................................................... 49 SUMÁRIO 5 4.1.1 Planejamento das despesas administrativas .......................................................................... 49 4.1.2 Controle das despesas administrativas ................................................................................... 51 4.1.3 Elaborando o orçamento das despesas administrativas .........................................................52 4.2 Orçamento de despesas com vendas ............................................................................................... 53 4.2.1 Planejamento das despesas com vendas ................................................................................ 53 4.2.2 Controle das despesas com vendas ........................................................................................ 54 4.2.3 Elaborando o orçamento das despesas com vendas .............................................................. 55 4.3 Orçamento de despesas e receitas financeiras ................................................................................ 56 4.3.1 Despesas financeiras ............................................................................................................... 56 4.3.2 Receitas financeiras ................................................................................................................. 57 4.3.3 Elaborando o orçamento das despesas e receitas financeiras ............................................... 57 Recapitulando ......................................................................................................................................... 59 Explorando seu conhecimento ............................................................................................................... 60 5 DEMONSTRAÇÕES PROJETADAS E ORÇAMENTO DE CAIXA ..................................... 61 5.1 Demonstração de Resultados (DRE) projetada ................................................................................ 61 5.1.1 Elaborando a DRE projetada .................................................................................................... 62 5.2 Balanço Patrimonial (BP) projetado ................................................................................................. 63 5.2.1 Elaborando o balanço patrimonial ........................................................................................... 64 5.3 Orçamento de caixa projetado ......................................................................................................... 65 5.3.1 Elaborando o orçamento de caixa ........................................................................................... 66 Recapitulando ......................................................................................................................................... 71 Explorando seu conhecimento ............................................................................................................... 71 6 ORÇAMENTO DE CAPITAL ......................................................................................................... 73 6.1 Orçamento de capital e investimentos ............................................................................................. 73 6.2 Indicadores para análise de viabilidade ........................................................................................... 75 6.2.1 Período de payback ................................................................................................................. 75 6.2.2 Valor Presente Líquido (VPL) ................................................................................................... 76 6.2.3 Taxa Interna de Retorno (TIR).................................................................................................. 78 6.3 Técnicas combinadas de análise de viabilidade ............................................................................... 79 6.3.1 Análise de sensibilidade ........................................................................................................... 79 6.3.2 Análise de cenários .................................................................................................................. 83 Recapitulando ......................................................................................................................................... 85 Explorando seu conhecimento ............................................................................................................... 86 RESPOSTAS COMENTADAS ........................................................................................................ 97 REFERÊNCIAS .................................................................................................................................... 94 Unisa | Educação a distância 7 INTRODUÇÃO Você tem observado como o noticiário econômico, seja em revistas, jornais impressos ou na televisão, tem mostrado o cenário atual de negócios? Sem dúvida, é um contexto que tem levado desafios cada vez maiores às organizações, com a competição num mundo altamente instável, imprevisível, complexo e em constante mudança. Podemos perceber que concorrência acontece não apenas entre organizações de um mesmo mercado, produto ou tipo de negócio, nem se restringe aos limites geográficos de uma região, estado ou país. Os concorrentes podem aparecer em qualquer lugar e a todo o momento, com produtos mais competitivos, preços menores e margens melhores. Nesse contexto, as organizações precisam dispor de ferramentas para se tornarem mais ágeis e tomarem decisões mais adequadas para conquistarem vantagem competitiva (SOUZA, 2007). E os instrumentos mais importantes para a tomada de decisão são o planejamento e o orçamento empresarial. Para Welsch (1977), o planejamento permite à organização uma abordagem racional e sistemática do negócio proporcionando ao gestor exercer as funções, pois envolve a preparação e utilização de: objetivos globais e de longo prazo da empresa; um horizonte de resultados de longo prazo desenvolvido em termos gerais; um horizonte de resultados de curto prazo detalhado de acordo com os níveis rele- vantes e alinhado com a estrutura da empresa (áreas, departamentos, unidades de negócios, etc.); um sistema de controle que permite acompanhar os resultados obtidos pela empre- sa à luz dos objetivos traçados. O orçamento empresarial é o instrumento que permite à organização transformar o planejamento e a estratégia em um plano financeiro para determinado período, conten- do as metas a serem alcançadas pelos gestores nesse período, viabilizando a avaliação do desempenho da organização como um todo, de suas áreas e de seus gestores (FREZATTI, 2005). As organizações também precisam avaliar as necessidades de investimentos de lon- go prazo para garantir o crescimento e a continuidade do negócio, tais como projetos de expansão, implantação de sistemas, por exemplo. Nessas situações, o instrumento a ser utilizado é o orçamento de capital, que permite a tomada de decisão baseada na análise de viabilidade financeira do projeto (HOJI, 2010). Nesta disciplina, vamos estudar conteúdos que permitirão desenvolver os conceitos e a prática necessários à elaboração do orçamento empresarial e do orçamento de capital, além de compreender as suas implicações no processo de gestão empresarial. Fazem parte dos nossos objetivos, conceituar as peças orçamentárias que compõem o orçamento, identificando seu ciclo e sua interdependência. Também iremos elaborar um orçamento global, partindo do orçamento de vendas até as demonstrações financeiras projetadas. Por fim, serão apresentados os procedimentos que compõem o controle or- çamentário das organizações. Para que você possa ter melhor aproveitamento desse conteúdo, é importante que você explore todos os recursos que serão oferecidos na disciplina, dos quais esta apostila é o primeiro passo. Vamos lá? Unisa | Educação a distância 8 Orçamento Empresarial 9 1 CONCEITUAÇÃO DO ORÇAMENTO Esta unidade aborda os conceitos iniciais sobre o orçamento, apresentando sua relação com o planejamento estratégico da empresa. Também são apresentados a estrutura e o processo de elaboraçãode um orçamento, bem como suas vantagens e limitações. Para começarmos a estudar orçamento empresarial, precisamos definir o que é orçamento. Essa definição indica a existência de finalidades diversas para a elaboração dos orçamentos. Podem-se observar, de pronto, duas funções principais do orçamento. A primeira função é funcionar como um plano que engloba os fatores futuros da operação que os exprime em termos econômico- financeiros para que sobre eles possa atuar a segunda função: o controle. As atividades de planejamento e controle de resultados podem ser definidas como um enfoque sistemático e formal à execução das responsabilidades de planejamento, coordenação e controle da administração. Assim, essas atividades implicam elementos de realismo, flexibilidade e atenção permanente e identificam a administração do negócio como o principal fator de êxito da organização, sua garantia de crescimento permanente e continuidade ao longo do tempo (WELSCH, 1977). A elaboração do orçamento é uma etapa relevante na implementação da estratégia da empresa, pois visa traduzir os pressupostos gerais a respeito do planejamento da estratégia empresarial em representações numéricas de mercados e de recursos. As metas de faturamento são a expressão da estratégia de empresa em relação aos mercados; o capital que se aloca aos tomadores de decisões nos diversos centros de responsabilidade reflete a escolha da empresa em matéria de utilização de recursos. Dessa forma, elaborar o orçamento faz parte do processo de planejamento. Objetivos de aprendizagem Conhecer a interação existente entre o orçamento e o planejamento estratégico da empresa; Demonstrar as vantagens e desvantagens do orçamento, bem como suas limitações; Apresentar os cuidados envolvidos na elaboração do orçamento; Evidenciar as áreas da empresa responsáveis pelo acompanhamento do orçamento. 1.1 Definições Sistemático. No âmbito da disciplina, significa que a aplicação do orçamento deve ser feita com método, de maneira organizada e disciplinada. GLOSSÁRIO 10 Unisa | Educação a distância a) envolvimento administrativo: implica apoio, confiança, participação e orientação da alta administração. b) adaptação organizacional: a estrutura da organização e a autoridade atribuída a cada nível têm por objetivo garantir condições para que as metas e resultados da empresa sejam alcançados de maneira coordenada e efetiva. c) contabilidade por áreas de responsabilidade: o planejamento toma por base dados históricos gerados pelo sistema contábil e o controle envolve a comparação do realizado versus o planejado, por isso o sistema contábil deve ser organizado de acordo com a estrutura de responsabilidade (níveis) da empresa. d) orientação para objetivos: o crescimento e a continuidade da empresa são favorecidos pelo estabelecimento de objetivos e metas de desempenho para a empresa e para suas áreas/departamentos. e) comunicação integral: implica a atribuição de metas e objetivos para O orçamento define, ainda, as normas e estabelece os parâmetros para controle, resultando no que se costuma chamar de “papel duplo do orçamento”. Nesse contexto, um orçamento tem as funções de coordenar as atividades da empresa e servir como base de controle ao comparar números estimados (orçados) e o desempenho real da organização. Em outras palavras, o planejamento consiste em definir previamente as ações a serem executadas considerando os cenários e as condições preestabelecidas, estimando os recursos a serem utilizados e atribuindo metas a serem alcançadas pelos diversos gestores e áreas da organização de forma que a organização atinja seus objetivos globais. O planejamento estratégico está relacionado às consequências futuras das decisões cotidianas, por isso, é um processo que começa com o estabelecimento dos objetivos organizacionais para depois se definirem as estratégias políticas para alcançá-los e, por último, elaborar planos detalhados para garantir que as estratégias sejam implantadas. Como uma atitude da organização, deve- se estabelecer relações entre planos estratégicos, programas de médio prazo, orçamentos de curto prazo e planos operacionais (FREZATTI, 2005). Quanto ao controle, segundo Welsch (1977), pode ser definido como sendo uma ação necessária para verificar se os objetivos, planos, políticas e padrões estão sendo obedecidos e, se necessário, considerar e adotar alternativas de ação para corrigir as deficiências observadas e assegurar o atingimento dos objetivos. Para ser eficaz, o controle exige medidas de desempenho e feedback de informações para melhorar os ciclos subsequentes de planejamento e controle. Para Welsch (1977), os princípios fundamentais do planejamento e controle são: O planejamento consiste numa técnica que permite analisar o ambiente interno e externo da organização para identificar suas oportunidades e ameaças, bem como seus pontos fortes e fracos, à luz de sua missão. Os resultados consolidados dessas análises são a base para definir a direção que a organização seguirá de maneira a aproveitar as oportunidades e evitar as ameaças (FREZATTI, 2005). 1.2 Noções básicas de planejamento e controle Assista ao vídeo “Mecanimais”. De uma maneira lúdica e divertida, você encontrará uma breve aplicação da Análise SWOT para identificar pontos fortes e fracos, oportunidades e ameaças para analisar o ambiente interno e externo. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=L3il3sTC3V0. Acesso em: 10 jun. 2016. VÍDEO Orçamento Empresarial 11 Fonte: adaptado de FREZATTI, 2005, p. 28. superiores e subordinados, bem como o fornecimento de informações completas e sem restrições nos relatórios de desempenho. f) expectativas realistas: evitar ser conservador ou otimista em excesso; as metas e objetivos devem ser desafiadores, porém possíveis de ser alcançados. g) oportunidade: o planejamento deve ser um processo contínuo e todos os níveis devem examinar continuamente as perspectivas futuras, adaptando seus planos à realidade e utilizando-os na tomada de decisão. h) aplicação flexível: deve permitir prever exceções, ajustes e necessidade de replanejamento à medida que os acontecimentos se desenrolam. i) acompanhamento: a relação planejado versus realizado deve ser analisada continuamente e as decisões para ajustes devem ser tomadas. j) adaptabilidade: o sistema deve adaptar-se ao cenário específico e deve ser atualizado e modificado continuamente, à medida que esse cenário se transforma. k) execução: todos os executivos devem apoiar e empreender os esforços necessários e contínuos para que o planejamento seja executado. A figura a seguir apresenta, de forma resumida, o processo de planejamento estratégico, inter-relacionando o orçamento. Figura 1.1 – Processo de planejamento estratégico VISÃO MISSÃO OBJETIVOS DE LONGO PRAZO PLANOS DE LONGO PRAZO ORÇAMENTO CONTROLE ORÇAMENTÁRIO AMBIENTE EXTERNO FILOSOFIA EMPRESARIAL (ORÇAMENTO DE CAPITAL) NEGÓCIO DA ORGANIZAÇÃO AMBIENTE INTERNO ESTRATÉGIASPROJETOS 12 Unisa | Educação a distância 1.3 Objetivos e características do sistema orçamentário Um sistema orçamentário é um instrumento de planejamento e controle de resultados econômicos e financeiros, um modelo de mensuração que avalia e demonstra, por meio de projeções, o desempenho global da empresa, bem como das unidades que a compõem (HOJI, 2010). Como um plano administrativo, deve cobrir todas as operações da empresa para um período de tempo definido expresso em termos quantitativos. O orçamento global é dividido em orçamentos setoriais, como orçamento de vendas, orçamento de produção, orçamento de compras de matérias-primas, orçamento de capital, orçamento do fluxo de caixa etc. O orçamento étambém um planejamento do lucro por meio da previsão de todas as atividades da empresa. Por exemplo: previsão de quantidades a serem vendidas, previsão do preço de venda a ser praticado, previsão de produção, previsão de custos de matéria-prima, de mão de obra e custos indiretos de fabricação. Com a comparação entre o orçamento e os dados reais, a empresa pode controlar seu desempenho visando atingir o lucro planejado (REZENDE, 2011). O sistema orçamentário de uma empresa industrial é formado basicamente por orçamentos específicos conforme abaixo (FREZATTI, 2005; HOJI, 2010). a) Orçamento de vendas Composto pela definição da quantidade a ser vendida, por região, por grupo de produtos, por família etc. A quantidade do produto por grama, unidade, litro ou outra unidade de medida deve ser detalhada dentro do horizonte de tempo estabelecido pela organização. É nesse orçamento que devem ser definidos preços brutos, prazos, quais e como taxas de juros serão utilizadas, impostos e parâmetros de descontos. Dessa forma, ao término dessa etapa, o faturamento (bruto e líquido) da organização estará definido. b) Orçamento de produção Estabelece as condições para colocar os produtos que serão comercializados à disposição das diversas áreas envolvidas. Estão pressupostas nessas condições, a previsão de suprimentos e estocagem. Essa peça orçamentária leva em consideração a definição dos dias de estoques de produtos acabados (com base no perfil da demanda, o prazo de produção, a natureza do produto, escala de produção, tipo de produção e custo de carregamento de estoques), análise da capacidade instalada e necessidade de novos investimentos para atender a demanda, produtos em processo, insumos (matérias-primas, componentes e embalagens), consumo de materiais, compras projetadas e horas trabalhadas (mão de obra). Orçamento Empresarial 13 c) Orçamento de despesas operacionais É composto pelos orçamentos de despesas administrativas, que engloba os recursos necessários à gestão da empresa e outras como aluguéis e fornecimento de energia, água e telefonia, por exemplo; despesas de vendas que visam dimensionar os dispêndios para dar suporte às vendas projetadas, tais como comissões de vendedores e fretes; despesas financeiras e tributárias. d) Orçamento de caixa É elaborado depois de todos os outros orçamentos específicos que formam o sistema orçamentário ou orçamento geral, e permite projetar o fluxo de caixa no horizonte de tempo estabelecido para antecipar a necessidade de captação de recursos via empréstimos, por exemplo, bem como a disponibilidade de recursos para aplicação. e) Demonstrativo de resultado projetado É uma das peças mais importantes, pois concentrará os resultados de todas as operações da organização e refletirá o resultado final traduzido em lucro ou prejuízo. A sequência do orçamento deve respeitar uma ordem cronológica, algumas etapas só podem iniciar quando outra for encerrada, por exemplo, a etapa de orçamento de produção só se inicia quando temos os volumes de vendas (orçamento de vendas). “ ” 14 Unisa | Educação a distância 1.4 Condições para implantação de um sistema orçamentário Welsch (1977) apresenta, de maneira resumida, as principais condições para implantação de um sistema de planejamento e controle orçamentário, composto de etapas que visam estabelecer as bases adequadas à implantação de um sistema orçamentário. Leia o artigo “Análise do uso do orçamento empresarial em uma empresa de pequeno porte: um estudo de caso num comércio de iluminação” para perceber a importância da implantação do orçamento. Disponível em: http://www.unigran. br/mercado/paginas/ arquivos/edicoes/4/9. pdf. Acesso em: 12 jun. 2016. ARTIGO 1ª ETAPA 3ª ETAPA 5ª ETAPA A alta administração deve estar comprometida com o conceito geral de planejamento e controle, além de compreender perfeitamente as suas implicações e o seu funcionamento. Deve haver uma avaliação da estrutura organizacional e de atribui- ção de responsabilidades administrativas e das alterações necessá- rias para que o sistema orçamentário seja eficaz. Deve ser formulada uma política em relação às dimensões e tempo a serem usadas para fins do sistema orçamentário. 2ª ETAPA 4ª ETAPA As características da empresa e do meio em que opera – incluindo variáveis internas e externas – devem ser identificadas e avaliadas para que possam ser tomadas decisões relevantes em relação às ca- racterísticas de um programa de planejamento e controle eficaz e prático. O sistema contábil deve ser examinado e reorganizado, na medida do necessário, para que possa ser ajustado às responsabilidades ad- ministrativas (contabilidade por áreas de responsabilidade) e possa fornecer dados históricos particularmente úteis para fins de plane- jamento e avaliação de desempenho. Orçamento Empresarial 15 6ª ETAPA Deve ser estabelecido um programa de educação orçamen- tária para familiarizar todos os níveis administrativos com: as finalidades do programa; o modo de funcionamento, incluindo políticas e diretrizes básicas para a sua administração; a responsabilidade de cada nível administrativo no âmbito do pro- grama; as maneiras pelas quais o programa poderá facilitar o desempenho das funções de cada gestor. Tabela 1.1 – Exemplo de cronograma 1. Orçamento das vendas 2/out. 26/out. 6/nov. 8/nov. Antonio Alves Carlos Alexandre 3. Orçamento do pessoal 2. Orçamento da produção 4. Orçamento das compras de materiais Item Data de Entrega Responsável 5. Orçamento do imobilizado 26/out. 8/nov. 15/nov. 5/out. Marcelo Rogério Rogério Sergio 7. Orçamento de custos industriais 6. Orçamento das despesas departamentais 8. Projeção dos valores a receber 9. Projeção dos estoques 10/nov. 3/nov. 3/nov. 21/nov. Sandro Sandro Sandro Sandro 11. Projeção do passivo não corrente 10. Projeção do imobilizado 12. Fluxo de caixa 13. Estudos das provisões 21/nov. 21/nov. 21/nov. Sandro Sandro Sandro15. Balanço patrimonial projetado 14. Projeção dos lucros e perdas 16 Unisa | Educação a distância Esses três componentes devem culminar em projeções de receitas e despesas, fluxos de entradas e saídas de caixa, fluxos de capital de giro, projeções de resultados e balanços. Esses demonstrativos formais são preparados para representar resultados financeiros, previstos em consequência do conjunto de planos e políticas da administração para os períodos estabelecidos. f) Relatórios formais de desempenho distribuídos periodicamente por áreas de responsabilidade ou centros de resultados, que comparam o desempenho real ao desempenho planejado para todos os aspectos operacionais controláveis pela administração em cada unidade. O processo envolve, ainda, aspectos relacionados à análise de cenários e o estabelecimento de premissas que nortearão a elaboração das diversas peças orçamentárias. Frezatti (2005) recomenda que o cenário considere os principais aspectos que possam afetar os negócios da organização. Dentre outros elementos, destacam- se: o cenário político, o cenário econômico e o cenário mercadológico (clientes, fornecedores, concorrência etc.). Em situações de normalidade, a análise de cenários desenvolvida quando da montagem do planejamento estratégico pode ser utilizada para a elaboração de orçamento, sendo apenas atualizada. Esses cenários podem ser elaborados por colaboradores da própria organização ou por especialistas (consultorias) de mercado. As premissas ou pressupostos são definidos internamente pela administração e resultam de algum nível de consenso entre os gestores. Independentemente de quem as concebeu, a partir da adoção delas pela empresa, passam a ser premissas da administração e devem ser assumidaspor ela, uma vez que serão utilizadas no orçamento e terão impacto relevante sobre os resultados. É possível separar as premissas em três grupos, conforme segue (FREZATTI, 2005): 1.5 Processo de elaboração do orçamento O processo de elaboração do orçamento, segundo Welsch (1977), implica a formalização prévia de uma série de atividades e ações que incluem: a) O registro escrito dos objetivos gerais da empresa em longo prazo. b) Uma declaração dos objetivos específicos necessários à efetiva consecução dos objetivos gerais, incluindo planos para linhas de produtos e serviços, taxas de crescimento, margens de lucro e retornos do investimento. c) Uma declaração das estratégias (métodos de ação) básicas a serem aplicadas para alcançar tanto os objetivos gerais quanto os específicos. d) Políticas detalhadas essenciais para adoção das estratégias básicas. e) Expressão formal de: projetos planejados; um plano de resultados de curto prazo; um plano de resultados de longo prazo. Orçamento Empresarial 17 Tanto os cenários como as premissas são as bases para elaboração do orçamento, devendo estar definidos antes da montagem do instrumento propriamente dito, já que contêm informações indispensáveis a ela. O sistema consiste na espinha dorsal do controle gerencial e a atual facilidade para obter informações geradas pelos diversos sistemas viabilizou uma abordagem mais enfática e agressiva em termos de controle gerencial. Alguns aspectos estruturais desses sistemas são relevantes, haja vista que as informações contábeis devem estar disponíveis e proporcionar suporte às demandas envolvidas na elaboração e controle do orçamento. Em Frezatti (2005) pode ser observada uma ilustração que apresenta um modelo de sistema de informações e o relacionamento entre a contabilidade e o planejamento. 1.6 Sistema de informações gerenciais Toda a literatura relacionada às atividades de planejamento e controle orçamentário aborda a relevância do sistema de informações gerencias, tanto para obtenção de informações para elaboração do orçamento, como para sua implantação, acompanhamento e controle. Operacionais Estruturação Econômico-financeiras Referem-se às atividades propriamente ditas e, dentre elas, destacam- -se: fatores de consumo de materiais e mão de obra; hierarquia de produtos para o período futuro; estrutura organizacional no ponto de partida do orçamento; relação dos centros de custos e unidades de negócios que deverão ser detalhados no plano de contas; tendência de obtenção de insumos (importados ou adquiridos lo- calmente); pontos de partida do orçamento (saldos de balanços, preços de produtos, salários, preços de insumos etc.). Correspondem aos critérios considerados, tais como moeda de de- cisão utilizada e período de planejamento, por exemplo. Trata-se das premissas mais conhecidas e correspondem a inflação, juros, variação dos preços dos insumos, variação cambial etc. 18 Unisa | Educação a distância Figura 1.2 – Modelo de sistema de informações Frezatti (2005) também destaca os principais atributos relacionados a um sistema de informações gerenciais: Além desses atributos, é necessário observar que os sistemas se tornam mais úteis quanto mais forem integrados. Essa percepção, embora óbvia, tem consequências práticas em termos de qualidade da informação e diminuição de erros. O fato de uma informação ter uma única entrada dentro do sistema afeta favoravelmente o compartilhamento de dados e mesmo o potencial de rapidez no trato da informação, essenciais à qualidade do seu gerenciamento. Confiabilidade: significa dizer que a informação representa o que pretendia representar, sem viés ou erro; Abrangência: as informações gerenciais devem permitir uma ideia ampla da situação econômico-financeira da empresa, fazendo uso, em determinadas situações, de comentários adicionais; Tempestividade: corresponde a dizer que a informação chega no momento necessário para a tomada de decisão. Sistema Fiscal Faturamento Suprimentos Estocagem Contabilidade Orçamento Ativo Fixo Custeio Controle Orçamentário Produção Contas a Receber Contas a Pagar Fonte: adaptado de FREZATTI, 2005, p. 57. Orçamento Empresarial 19 a) Com a fixação de objetivos e políticas para a empresa e suas unidades, e por meio da sistematização do processo de planejamento e controle, introduz-se o hábito do exame prévio e minucioso de principais fatores da tomada de decisões importantes. b) Com base em resultados econômicos e financeiros projetados, importantes decisões financeiras podem ser tomadas com maior grau de acerto. c) Aumenta o grau de participação de todos os membros da administração na fixação de objetivos. d) Os administradores quantificam e datam as atividades pelas quais são responsáveis, o que os obriga a tomar decisões mais consistentes. e) Facilita a delegação de poderes. f) Identifica os pontos de eficiência ou ineficiência do desempenho das unidades. g) Tende a melhorar a utilização dos recursos, bem como ajustá-los às atividades prioritárias. h) Os controles gerenciais tornam-se mais objetivos. a) Os orçamentos baseiam-se em estimativas, estando sujeitos a erros maiores ou menores, segundo a sofisticação do processo de estimação. b) O plano de resultados, por si só, não garante o resultado projetado; deve ser continuamente monitorado e adaptado às circunstâncias. c) O custo de implantação e manutenção do sistema não permite sua utilização plena por todas as empresas. 1.7 Vantagens, limitações e problemas do orçamento Hoji (2010) apresenta um resumo das observações de diversos autores quanto as vantagens, limitações e problemas do orçamento, conforme segue: Vantagens: Limitações e problemas: d) Os atrasos na emissão de dados realizados prejudicam significativamente a implementação de ajustes em tempo hábil. e) as dificuldades de implementação de ajustes geram desconfianças em relação a resultados projetados. f) quando existe alta volatilidade das variáveis econômicas e financeiras, os resultados projetados sofrem fortes distorções. 20 Unisa | Educação a distância No Brasil, devido ao estágio atual do desenvolvimento do país, um número cada vez maior de empresas começa a considerar o controle orçamentário como um dos meios para alcançar maior rentabilidade. Essa nova mentalidade está formando-se, principalmente, em decorrência da junção de circunstâncias que, de forma indireta, obrigam os empresários a produzir melhor e mais barato, sob pena de expulsão do mercado pela concorrência. Antes, o mercado era do vendedor, mas agora começa a ser do comprador. Até a pouco, o empresário concentrava toda sua atenção na produção e comercialização, relegando o controle financeiro para segundo plano. 1.8 Orçamento e empresas brasileiras O uso efetivo dos princípios orçamentários, como elementos de controle, constitui fenômeno recente. Acompanhe a evolução na linha do tempo a seguir: 1920 Início da utilização do orçamento nos Estados Unidos 1930 Aplicação do orçamento empresarial toma impulso, com o aparecimento do movimento científico de administração empresarial 1941 Cerca de 50% das empresas norte- americanas usavam, de uma ou de outra forma, o sistema de controle orçamentário 1958 Pesquisa efetuada no ambiente empresarial norte-americano revelou que das 424 companhias entrevistadas, 404 - ou seja, 95% - aplicavam o sistema orçamentário para seu controle financeiro global Dias Atuais O controle orçamentário é quase uma “norma de vida” das empresas norte- americanas Figura 1.3 – Evolução dos princípios orçamentários Orçamento Empresarial 21 Para conhecer melhor o cálculoda inflação, o Banco Central do Brasil produz relatórios detalhados sobre os componentes da taxa de inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Esses relatórios mostram a participação de cada um dos componentes da taxa de inflação: • Variação cambial; • Inércia associada à parcela da inflação que excedeu a meta; • Diferença entre expectativas de inflação dos agentes e meta; • Choque de oferta; • Inflação de preços livres; • Inflação de preços administrados. Conhecer essa composição é importante para que a empresa possa preparar as suas projeções no contexto econômico correto. O link apresentado abaixo mostra uma das últimas versões do relatório, mas é importante que você atualize a sua pesquisa, pois os relatórios são atualizados periodicamente. Disponível em: http://www.bcb.gov.br/htms/relinf/port/2016/03/ri201603b6p.pdf. Acesso em: 9 jun. 2016. SAIBA MAIS Na década de 1980, o orçamento foi deixado de lado por conta do alto nível de inflação brasileira do período, inviabilizando o processo orçamentário por conta da alta desvalorização do valor do dinheiro no tempo. “ ” 22 Unisa | Educação a distância Nesta unidade, aprendemos que: Para iniciar o orçamento dentro de uma empresa, devemos primeiramente elaborar o planejamento estratégico dessa empresa. Antes de iniciar o orçamento, a empresa necessita saber para onde ela quer caminhar e qual a expectativa dela para o próximo ano ou para os próximos anos; Um modelo de processo de planejamento é composto por etapas que vão desde a concepção dos objetivos e metas da empresa passando pela análise dos ambientes internos e externos e definição de estratégias. Essas fases levam a formulação de planos de longo prazo, culminando com a elaboração do orçamento e as atividades de controle, num processo de retroalimentação contínuo; O orçamento tem sido utilizado por muitas empresas, mas esse uso tem sido de forma um pouco banalizada, sem sua devida aplicação. Para tanto, podemos definir o orçamento empresarial como um plano financeiro para a estimativa de controle e planejamento financeiro; Em meados da década de 1980, o orçamento foi deixado de lado por conta da instabilidade de nossa economia. Essa instabilidade foi decorrente das altas taxas de juros. Atualmente, nossa taxa de inflação gira em torno de 5% a 12% ao ano, e uma curiosidade é que ela, antigamente, era a taxa diária de inflação; A inflação do país chegava próximo de 1.000% ao ano, nesse cenário era praticamente trabalho perdido elaborar o orçamento de uma empresa, pois o valor do dinheiro no tempo sofria várias atualizações, sendo impossível acompanhar via projeções ou orçamento. 1. Por que se costuma dizer que o orçamento tem dupla função? 2. De que forma uma taxa de inflação elevada compromete a elaboração, a execução e o controle do orçamento empresarial? 3. Quais as consequências para as empresas, na aplicação do orçamento empresarial, de um sistema de informações gerenciais inexistente ou inadequado? RECAPITULANDO EXPLORANDO SEU CONHECIMENTO Orçamento Empresarial 23 2 ORÇAMENTOS DE VENDAS E DE PRODUÇÃO Nesta unidade, vamos iniciar o processo de elaboração do orçamento empresarial com o desenvolvimento de duas peças orçamentárias: o orçamento de vendas e o orçamento de quantidade a produzir. Este último orçamento é a primeira parte do orçamento de produção, que continuará a ser explorado na Unidade 3. O orçamento das vendas implica uma decisão voluntária por parte do empresário, em vista das circunstâncias do mercado em que este se encontra. A previsão das vendas pode ser definida como a fixação prévia delas, em quantidade e em valor, tendo em conta as limitações impostas à empresa e a ação desta sobre tais limitações. Objetivos de aprendizagem Elaborar o orçamento de vendas a partir das projeções de preços e quantidades de vendas; Calcular projeção de receita bruta e de receita líquida de vendas; Elaborar o orçamento de quantidades a produzir a partir das vendas projetadas. 2.1 Sistemática do orçamento de vendas Em princípio, a administração das vendas constitui o ponto de partida do esquema orçamentário empresarial. Sua estruturação é feita antes da formulação dos programas de produção, de compras, de pesquisas etc. Planejar vendas significa fixar com antecedência as quantidades físicas e os volumes monetários correspondentes. 24 Unisa | Educação a distância A estratégia criteriosa para previsão das vendas somente pode ser desenvolvida com base no conhecimento da causa das limitações externas e internas da empresa. É um processo lento de pesquisas e decisões através de ajustes contínuos. É verdade que os fatores relacionados com as vendas são menos tangíveis que os relacionados com a produção e, consequentemente, o grau de acerto é menor. Entretanto, as vendas e a produção podem ser estimadas com relativa exatidão, desde que tais estimativas sejam baseadas num fluxo de informações capaz de sofrer um julgamento acurado da equipe de vendas. A área comercial tem papel fundamental na elaboração do orçamento de receitas de vendas. É através dela que a empresa tem uma dimensão dos volumes comercializados para o próximo ano.“ ” Orçamento Empresarial 25 a) Abordagem causal: as variáveis (causas) são analisadas e em seguida projetadas para o futuro. Com base nas projeções e estimativas das variáveis, obtém-se uma projeção de vendas. Há dois tipos de variáveis (causas): Aquelas sobre as quais a empresa não possui controle, tais como cres- cimento da população, Produto Interno Bruto (PIB) e condições econô- micas e políticas em geral; Variáveis sobre as quais a empresa exerce algum controle como linhas de produtos, preços, despesas de publicidade e promoção de vendas, tamanho da equipe de vendas e territórios de vendas. b) Abordagem não causal: de acordo com esta abordagem, as vendas passadas da empresa são analisadas e obtém-se uma expressão dos padrões passados para projetar vendas futuras. O método pressupõe que as variáveis subjacentes continuarão a influenciar as vendas futuras da mesma forma como ocorreu no passado. De maneira geral, essa abordagem é utilizada combinada à anterior para que os dados projetados reflitam de maneira mais adequada uma simulação da realidade futura. Combinando as abordagens descritas, chega-se a um método de projeção mais detalhado conforme segue: 2.1.1 Métodos de projeção de vendas Welsh (1977) comenta que os métodos utilizados para projeção de vendas podem ser classificados de diversas formas, porém, as abordagens mais comuns são: causal e não causal. Métodos estatísticos Métodos de julgamento Combinação de opiniões da equipe de vendas; Combinação de opiniões dos supervisores de vendas; Combinação de opiniões dos executivos. Método do ritmo econômico – análise de tendências; Método de sequências de ciclos – correlação, relação de causa e efeito; Análises históricas específicas. Métodos de finalidades específicas Análises da indústria; Análises de linhas de produtos; Análises de usos finais dos produtos. 26 Unisa | Educação a distância Balancear o volume de vendas, o seu custo e o seu lucro deve ser objetivo mais importante do que simplesmente conseguir vendas máximas. Ao formular suas estimativas, o gerente de vendas deve ter plena consciência não só das despesas que afetam diretamente a área sob sua responsabilidade, mas também do fato de que seus planos de vendas podem aumentar os custos de outros setores da organização. Como as previsões de vendas constituem o ponto de partida para o lucro almejado pela empresa, é preciso determinar vários detalhes correlatos que possibilitem calcular se os programas de venda darão ou nãoo lucro desejado. São detalhes relacionados com os itens de deduções de vendas, do custo das vendas, e com as despesas correlatas. Se o lucro almejado não for alcançado nas estimativas globais, haverá necessidade de redimensionar as vendas projetadas, conferindo-lhes combinação de maior rentabilidade, ou de reduzir as despesas e o custo de fabricação de maneira a permitir um nível de rentabilidade compatível com o plano de lucros, previamente traçado. A incidência de impostos do tipo ICMS e IPI e das devoluções será considerada para a determinação das vendas líquidas. Em muitos casos, nesse estágio do desenvolvimento, o custo projetado ainda não está pronto, sendo provável também que os grandes itens das despesas também se encontrem em fase de elaboração. Mesmo assim, os departamentos envolvidos devem fornecer, de grosso modo, os dados necessários para a primeira avaliação das projeções de vendas. Os dados estatísticos do passado servem de base para muitas comparações, permitindo comparar os fatores determinantes do lucro da empresa. Combinação dos métodos Combinando os resultados dos métodos anteriores obtém-se a pro- jeção das vendas. 2.1.2 Maximização das vendas versus maximização do lucro É tarefa fundamental do departamento de vendas e, especialmente, do presidente da empresa desenvolver um programa de comercialização capaz de produzir o maior volume de receita sem provocar custos e despesas excessivas. Essa conceituação nem sempre se casa com a tendência tradicional do pessoal de vendas, de aumentá-la indiscriminadamente, sem a devida atenção ao custo envolvido. Esse critério supõe, em princípio, que cada moeda de venda apresenta margem de lucro. Apesar de correta em determinadas circunstâncias, essa posição nem sempre é válida. Orçamento Empresarial 27 As informações fornecidas pela empresa para elaboração do orçamento serão apresentadas em cada unidade, de acordo com a peça orçamentária que será elaborada. Vamos considerar que o orçamento será elaborado para o próximo ano, chamado de Ano 1. A base das informações serão a do ano atual, chamado de Ano 0 (zero). Projeção de preços e quantidades de vendas Para projetar as vendas, precisamos do preço e das quantidades vendidas no ano atual (Ano 0). Essas informações podem ser observadas a seguir: A diretoria de planejamento da Camisetas ABC elaborou análises internas e externas e concluiu que as vendas devem crescer 5% ao trimestre, com crescimento maior no 3º trimestre (10%) em virtude do fornecimento para brindes de final de ano. Os preços terão aumento de 8% no 1º e 2º trimestres, no 3º trimestre, no qual a demanda é maior, haverá aumento de 10%. O preço será mantido no 4º trimestre. Confira a seguir um resumo desses parâmetros para projeção das vendas no Ano 1. Para elaboração de um orçamento simples, que permita exercitar os conceitos elementares da prática orçamentária, vamos considerar a empresa Camisetas ABC Ltda., que fabrica camisetas básicas, em diversas cores, para fornecimento a empresas que as customizam e revendem como brindes, campanhas publicitárias ou eleitorais e até mesmo uniformes. 2.1.3 Elaborando o orçamento de vendas Camisetas ABC Ltda. 450.000 480.00 0530.000 5,00 500.000 qtde. vendida (Unidade) 1º trim Ano 0 2º trim Ano 0 3º trim Ano 0 4º trim Ano 0 05 28 Unisa | Educação a distância Projeção de receita A próxima etapa é calcular a receita bruta de vendas projetada para o Ano 1, multiplicando os preços e as quantidades por trimestre. Depois, basta calcular os impostos sobre vendas (aqui vamos considerar o ICMS de 18%) para obter a Receita Líquida. A seguir, cálculo dessas projeções para o 1º trimestre. A primeira etapa para elaboração do orçamento de vendas é o cálculo dos preços e das quantidades vendidas projetados para o Ano 1, considerando as diretrizes fixadas pela diretoria de planejamento. Veja a seguir como essas projeções são calculadas para o 1º trimestre. 2010 88 10 Sem aumento Resumo dos parâmetros Aumento dos preços (%) Crescimento das vendas (%) 1º trim Ano 1 2º trim Ano 1 3º trim Ano 1 4º trim Ano 1 66 10 6 472.500 5,40 Projeções Preço unitário projetado (R$) Quantidade projetada (unidades) 1º trim. Ano 1 Quantidade 1º trimestre Ano 0+ 5% de crescimento 459.270,00 2.551.500,00 2.092.230,00 Preço 1º trim. x quantidade 1º trim. Projeções Receita bruta projetada Receita líquida projetada (-) ICMS 18% 1º trim. Ano 1 Receita bruta x 18% Receita bruta (-) ICMS E as projeções para os demais trimestres? Veja orientações na seção “Explorando seu conhecimento”, ao final desta unidade. ” “ Orçamento Empresarial 29 2.2 Orçamento de produção O orçamento de produção é a base para planejar necessidades de matéria- prima, mão de obra, investimentos em imobilizado, fluxo de caixa e custos de operações da empresa, além disso, cria condições para o controle da produção, dos estoques, dos custos de produção e da mão de obra utilizada na fábrica. Planejar a produção pode revelar deficiências e fontes de possíveis problemas que podem ser evitados por meio de ações oportunas pelos executivos. Dessa forma, o orçamento de produção oferece bases seguras para a coordenação de operações durante todo o exercício. O orçamento da produção tem raiz nas estimativas de venda. Sem esta, a produção não tem sentido, já que a receita da empresa depende dela. A área de produção tem por tarefa transformar as matérias-primas em produtos acabados, adicionando a mão de obra e os Custos Indiretos de Fabricação (CIFs) necessários. Suas atividades procuram colocar o produto final em melhores condições, para que a venda deste apresente o resultado almejado. No planejamento da produção, o gerente da fábrica pode sugerir modificações no plano de vendas, como a combinação de vários produtos da mesma linha, a mistura das cores, dos tamanhos etc., seja para o melhor aproveitamento das máquinas e/ou dos tipos de mão de obra, seja para a melhor absorção dos CIFs, visando baixar o custo do produto e, ao mesmo tempo, alimentar as vendas com produtos acabados, no momento certo e na quantidade desejada. Do ponto de vista financeiro, o aumento ou a redução da escala de produção acarreta maior ou menor necessidade de recursos. O fluxo de caixa recebe o impacto imediato das alterações feitas na produção, pois, às vezes, os operários são pagos em base mensal ou semanal, e, às vezes, as matérias-primas e os bens de produção são pagos antes da venda dos produtos acabados. Essa inter- relação das atividades de produção com as áreas de vendas e finanças faz com que o orçamento da produção não possa ser considerado parte estanque do planejamento global da empresa. Um bom exemplo de planejamento da produção eficiente foi apresentado por Henry Ford, primeira pessoa a montar veículos em série. Quando os automóveis surgiram, eram símbolo de status e fortuna, quase uma exclusividade dos ricos. Ford modificou essa situação com o modelo T, que seria feito para as massas – um carro que virtualmente qualquer pessoa pudesse comprar. Ele entendia que a única forma de fabricar um carro assim era produzir em grande quantidade e a baixo custo. Se o alvo da empresa for determinar com antecedência o lucro ou a perda estimada para um ano, a escala da produção deve a princípio acompanhar essa programação. A revisão efetiva, porém, baseada no volume da produção, pode ser feita por períodos menores. Isso visa a ajustar o esquema de produção da empresa às condições presentes de trabalho, sempre com vistas à maior rentabilidade e ao menor custo industrial. 2.2.1 Planejamento da produção O filme “Ford: o homem e a máquina”, de 1987, dirigido por Allan Eastman, retrata a vida do empresário norte- americano, Henry Ford,primeiro a implantar a produção de automóveis em série. Disponível no Youtube em: https:// www.youtube.com/ watch?v=oTxWtcWB07w, https://www. youtube.com/ watch?v=_6SXS2YMjCs e https://www. youtube.com/ watch?v=G0OFjbYorm0. VÍDEO 30 Unisa | Educação a distância Do ponto de vista da produção, os períodos de revisão do orçamento podem ser escolhidos em conformidade com as conveniências de cada empresa. Na indústria têxtil, por exemplo, a programação da produção é feita geralmente por estação. A indústria automobilística pratica a programação da produção em base anual, em conformidade com a mudança dos modelos. Já a indústria de produtos alimentícios segue as safras ou colheitas das respectivas matérias- primas. A quantidade de produtos que deverão ser fabricados depende do volume das vendas e da política de estoques inicial e final do período orçamentário. Portanto, a empresa determina a quantidade dos produtos a manufaturar. Quando o estoque inicial for maior que o final, a quantidade produzida deverá ter sido menor que a quantidade vendida e vice-versa. Na programação da produção, a gerência de fabricação considera os fatores que influenciam a produção, como a mão de obra, as matérias-primas, os equipamentos, o espaço físico etc. Geralmente a produção é programada em unidades e em base mensal. Posteriormente, essas quantidades são transformadas em moeda, em forma de custo industrial. O orçamento de fabricação oferece a base para a elaboração do custo industrial estimado que é utilizado como meio de controle. A posição do estoque tem grande importância para o plano financeiro, da sua obsolescência, da possibilidade de seus preços caírem, além do custo de seu manuseio. Há circunstâncias em que a empresa prefere manter seu estoque em nível elevado, para melhor atender os clientes. Com frequência, ela se coloca nessa posição quando há sinais de incerteza na fonte de suprimento das matérias- primas ou de alterações acentuadas na disponibilidade de mão de obra. A manutenção de menor investimento em produtos acabados e semiacabados assume importância para as empresas que processam ou manufaturam componentes para seu próprio uso. A sincronização das últimas etapas da produção, em função do consumo futuro, pode livrar a empresa da alocação improdutiva de capital. 2.2.2 Quantidade da produção Para ser bem-sucedido, o orçamento de produção deve estar alinhado com o orçamento de vendas. A partir do volume de vendas, será possível dimensionar a quantidade de produtos que deverá ser fabricada, bem como a quantidade de matéria-prima e mão de obra que será necessária para a produção. “ ” Orçamento Empresarial 31 Determinada a quantidade a produzir, convém analisar sua composição e sincronização, visando à rentabilidade máxima. Apesar de determinado o montante global dos produtos a manufaturar, cabe ao gerente da fábrica determinar em que época serão elaborados tais produtos e em que quantidade. Essa tarefa não é fácil, pois exige conhecimentos acurados das causas e efeitos de vários fatores que influem na produção. A princípio, toda programação de produção deve primeiro levar em consideração a capacidade fabril existente e seu uso na forma mais eficiente e mais econômica. A alternativa entre a aquisição de novos equipamentos para enfrentar maior volume de vendas e a subcontratação de uma parte ou de um estágio da fabricação é ponderada em termos da rentabilidade final. Se a tendência favorável às vendas perdurar por longo prazo, talvez a aquisição constitua boa solução; na outra hipótese, o aumento dos turnos diários de trabalho, ou a contratação de serviços de terceiros, podem solucionar o problema temporário da produção. Há casos em que se adquirem novos equipamentos para suprir uma tendência momentânea. Passada a fase crítica, tais equipamentos ficam ociosos, onerando o custo médio da produção devido à carga adicional de depreciação e ao custo de sua manutenção. No planejamento da produção, outros fatores devem ser considerados, como a disponibilidade do espaço para a estocagem e as medidas de segurança para o armazenamento dos produtos acabados, que podem ser volumosos e sujeitos à fácil deterioração ou furto. Com frequência, as indústrias de produtos sazonais enfrentam problemas de ordem trabalhista em consequência do alto índice de rotação dos empregados. Como vimos, este orçamento tem a finalidade de determinar a quantidade de produtos que devem ser produzidos em função das vendas planejadas, considerando-se as políticas de estoque. Para aplicarmos esse objetivo na prática, vamos retomar o Orçamento da Camisetas ABC. O volume de vendas planejadas já foi projetado no orçamento de vendas, agora, precisamos da política de estoques da empresa, que você confere a seguir: a) Manter um estoque final de produtos acabados correspondente a 20% do volume de vendas projetado para o trimestre seguinte. Exemplo: se no 2º trimestre a projeção para venda é de 1.000 produtos, no 1º trimestre devem restar 200 produtos no estoque. b) Para orçamento do 4º trimestre, considerar 20% do volume de vendas do próprio trimestre. A estrutura básica para o cálculo de quantidades a produzir leva a um esquema resumido a seguir: 2.2.3 Programação da produção 2.2.4 Elaborando o orçamento de quantidades a produzir 20% vendas no 1º trim. 20% vendas no 2º trim. (1) - (2) + (3) 20% vendas no 3º trim. (1) - (2) + (3) 20% vendas no 4º trim. (1) - (2) + (3) 20% vendas no 4º trim. (1) - (2) + (3) Orçamento de vendas Orçamento de vendas Orçamento de vendas Orçamento de vendas 1º trim. 2º trim. 3º trim. 4º trim.Projeções 32 Unisa | Educação a distância Considerando a projeção de vendas e a política de estoques da Camisetas ABC, confira a projeção de quantidades a produzir para os dois primeiros trimestres: Você deve estar se perguntando “como fazer uma projeção de vendas se a empresa for nova e não houver um histórico anterior para projetar o crescimento?”. Para saber mais sobre isso, leia o artigo “Como fazer uma projeção de vendas em novas empresas?”. Disponível em: http://www.guiaempreendedor.com/como-fazer-uma-projecao-de-vendas-em-novas- empresas/. Acesso em: 8 jun. 2016. SAIBA MAIS 472.500 504.000 (94.500) (100.800) 100.800 116.600 478.800 519.800 Projeções 1. Vendas orçadas 2. (-) Estoque inicial 1º trim. 2º trim. 4. (=) Qtde. a produzir E as projeções para os demais trimestres? Veja orientações na seção “Explorando seu conhecimento”, ao final desta unidade. ” “ Importante: o orçamento de produção continuará sendo explorado na Unidade 3, na qual abordaremos orçamento de matéria-prima, mão de obra direta e custos indiretos de fabricação. Orçamento Empresarial 33 Nesta unidade, estudamos duas peças orçamentárias iniciais. Vamos ver o que aprendemos em cada uma delas. Orçamento de vendas: orçamento de vendas é o primeiro item que orçamos em nossa projeção. Através dele pudemos dimensionar o quanto a empresa poderá gastar com outros itens, como investimentos no processo ou parque fabril; o orçamento de vendas é o balizador de receita da empresa. O maior cuidado que a empresa deve ter ao elaborar esse tipo de orçamento é não superestimar a receita de modo que apresente um desafio muito difícil de ser atingido ou subestimar quando o desafio é fácil demais e pode ser alcançado no curto espaço de tempo; o orçamento de vendas pode ser elaborado por região, produto, tipo de venda, setor, unidade de negócio, área de atuação, entre outras. Orçamento de produção: o orçamento de produção só pode ser elaborado quando o orçamento de vendas está encerrado pela área comercial; só podemos saber o quanto devemos produzir a partir do momento que a empresa, mais especificamente a área comercial, apresentaa proposta de venda; é importante que a estimativa não seja muito elevada, pois assim as empresas, além de não venderem (entrar receita), terão a saída de despesas (gastos com matéria-prima e mão de obra); para a empresa manter um bom controle, o ideal na elaboração do orçamento é criar uma programação de estoque ou de produtos. Isso ajuda muito a empresa nesse momento com a programação de compra de material. Para explorar o seu aprendizado e praticar a elaboração do orçamento, agora é você quem vai ajudar a diretoria das Camisetas ABC, projetando: Orçamentos de vendas: preço, a quantidades de vendas, receita bruta, ISMC e receita líquida para os trimestres 2 a 4. Não se esqueça de totalizar as receitas para que a diretoria da Camisetas ABC tenha uma projeção do seu faturamento no Ano 1; Orçamento de quantidades a produzir: projetar os volumes de produção para 3º e 4º trimestres. RECAPITULANDO EXPLORANDO SEU CONHECIMENTO Orçamento Empresarial 35 Nesta unidade, vamos estudar os demais orçamentos que compõem o orçamento de produção. A partir do orçamento de quantidades a produzir, abordado na Unidade 2, vamos explorar os orçamentos dos itens necessários à efetiva fabricação dos produtos. A administração das matérias-primas usa a técnica orçamentária, envolvendo na programação do uso dos materiais dois aspectos correlatos: o nível de estoque e a programação das compras. O orçamento das vendas dá origem ao orçamento da produção. O programa de produção determina a quantidade necessária de cada matéria-prima para o período compreendido pelo orçamento com os detalhes sobre as quantidades e os respectivos custos. É tarefa da engenharia de produção fixar a quantidade de matérias-primas necessária à manufatura do produto. Esse padrão para a utilização das matérias- primas facilita, em primeiro lugar, o controle sobre o uso real; em segundo, permite a elaboração de um orçamento de compras mais preciso. Os métodos usados para determinar as quantidades variam. Os mais frequentes são: 3 ORÇAMENTOS DE MATÉRIA-PRIMA, MÃO DE OBRA DIRETA E CUSTOS INDIRETOS DE FABRICAÇÃO Objetivos de aprendizagem Compreender que esta parte do orçamento de produção, que elabora projeções de materiais e recursos humanos, é necessária para que as operações planejadas nos demais orçamentos sejam efetivamente exe- cutadas; Aprender a calcular as quantidades de matéria-prima, mão de obra di- reta e custos indiretos de fabricação, de acordo com as vendas projeta- das e com os estoques existentes. 3.1 Orçamento de matéria-prima O êxito da produção depende parcialmente do fluxo de abastecimento de matérias-primas de boa qualidade, a baixo custo e atendendo às necessidades de cada etapa do processo produtivo. Dessa forma, é essencial planejar e controlar o fluxo de materiais e manter os custos sob controle. 3.1.1 Planejamento do custo das matérias-primas 36 Unisa | Educação a distância Relação entre quantidade física do produto acabado e quantidade de cada matéria-prima usada. Essa relação pode ser determinada pela ex- periência passada, reajustável às novas condições de trabalho; Relação entre a quantidade de mão de obra ou horas de máquina e a quantidade usada de matéria-prima; Relação entre o custo da mão de obra direta e o custo da matéria-pri- ma usada. Entretanto, os critérios de determinação baseados na experiência nem sem- pre são os melhores, pois podem perpetuar deficiências. Para evitar esse incon- veniente, um número cada vez maior de empresas procura efetuar estudos de engenharia que determinem a quantidade e o tipo das matérias-primas necessá- rias à produção. Para maior segurança, o padrão é testado em condições contro- ladas, antes do uso na elaboração do custo estimado. O controle das matérias-primas processa-se sob dois sistemas: o controle físico e o controle financeiro em forma de custo industrial. Do ponto de vista do orça- mento empresarial, o segundo aspecto é o que mais nos interessa. O custo das matérias-primas sofre o impacto das variações de preço e da quan- tidade. Sendo o preço padrão das matérias-primas fornecido pelo departamento de compras e o padrão de quantidade determinado pelo departamento de pro- dução, a responsabilidade pela variação do custo das matérias-primas decorre de dois setores distintos, por esse motivo analisados separadamente: a variação resultante da eficiência no uso das matérias-primas e a variação proveniente do preço. Vamos aplicar os conceitos do orçamento de MP, retomando o orçamento da Ca- misetas ABC, para o qual já foram feitas as projeções de vendas e de quantidades a produzir na Unidade 2. Para elaboração do orçamento de MP, precisamos: Da quantidade de produtos projetada para vendas: 3.1.2 Controle do custo das matérias-primas 3.1.3 Elaborando o orçamento de Matérias-Primas (MP) 472.500 504.000 (94.500) (100.800) 100.800 116.600 Projeções Vendas orçadas (-) Estoque inicial 1º trim. 2º trim. 478.800 519.800Qtde. a produzir Do consumo de cada MP para fabricar uma camiseta, que você confere a seguir: Acabamentos (m )Embalagem (peça) 0,15 1,00 Consumo de materiais (unitário) Tecido (m) 0,80 )E Orçamento Empresarial 37 Pronto, agora já temos todas as informações para projetar o orçamento de matérias-primas. Vamos começar? Com base no esquema, o consumo de matérias-primas, no primeiro trimestre, está apresentado no quadro a seguir: 1) Calcular o consumo de cada matéria-prima para fabricar a quantidade necessária de camisetas. Esse cálculo é bem simples, como mostra o esquema a seguir: Do preço atual de cada MP, bem como dos critérios para ajuste do pre- ço para o próximo ano. O preço atual está na tabela a seguir. Quanto ao reajuste, o departamento de compras negociou um ajuste de 2,5% ao trimestre para o Ano 1. Acabamentos (m) Embalagem (peça) 3,00Tecido (m) Matérias-primas Custo unitário (R$) 0,15 1,85 Acabamentos Embalagem 0,80Tecido 1º trim. 2º trim. 3º trim. 4º trim. Matérias-primas Custo unit. Qtde. X consumo Qtde. a produzir Qtde. a produzir Qtde. a produzir Qtde. a produzir Qtde. X consumo Qtde. X consumo Qtde. X consumo Qtde. X consumo Qtde. X consumo Qtde. X consumo Qtde. X consumo Qtde. X consumo Qtde. X consumo Qtde. X consumo Qtde. X consumo1 0,15 Matérias-primas a consumir Acabamentos Embalagem Tecido quantidades a produzir 0,80 1º trim. 2º trim. 0,15 1 478.800 383.040 71.820 478.800 519.800 519.800 415.840 Matérias-primas a consumir 0,15 38 Unisa | Educação a distância Confira os preços ajustados para o primeiro trimestre. Consideramos quatro casas após a vírgula, pois os valores são pequenos e o arredondamento pode gerar distorções no cálculo final. 2) Calcular a projeção do custo unitário de cada matéria-prima, utilizando os parâmetros estabelecidos para reajuste do preço, ou seja, 2,5% ao trimestre. 3) Com base no Consumo de MP e no preço ajustado de cada uma delas, vamos agora calcular o valor que será gasto pela empresa com a compra de matéria-prima. Veja um esquema abaixo: Nota: neste nosso exemplo, vamos considerar que toda a quantidade de MP deverá ser comprada, ou seja, não há estoques. Acabamentos Embalagem Tecido 1º trim. 2º trim. Custo atual + 2,5% Custo 1º trim. + 2,5% Custo 1º trim. + 2,5% Custo 1º trim. + 2,5% Custo atual + 2,5% Custo atual + 2,5% Matéria-prima CustoAtual Custo 2º trim. (+) 2,5% Custo 2º trim. (+) 2,5% Custo 2º trim. (+) 2,5% Custo 3º trim. (+) 2,5% Custo 3º trim. (+) 2,5% Custo 3º trim. (+) 2,5% 3º trim. 4º trim. Acabamentos Embalagem Tecido Custo de MP ajustado 1ºtrim. 3,0750 1,8450 0,1538 3,00 0,15 1,80 Orçamento Empresarial 39 3.2 Orçamento de Mão de Obra Direta (MOD) Podemos conferir o valor do orçamento de matérias-primas da Camisetas ABC para o primeiro trimestre. Você já deve ter percebido que sempre ficarão alguns cálculos para você praticar, não é? Então, vá até a seção “Explorando seu conhecimento” e realize a atividade. Dessa forma, você reforçará o seu aprendizado à medida que avançamos na construção do Orçamento Empresarial. Há várias modalidades para planejar a mão de obra: algumas baseadas exclusivamente na experiência anterior, outras com fundamento no estudo tecnológico, que tem por base o estudo do tempo relativo aos diversos estágios de atividade que compõem a execução de determinada tarefa. Devido à flutuação na escala de produção, normal na maioria das indústrias, a mão de obra direta sofre alterações mais frequentes do que a mão de obra indireta. A capacidade de mão de obra normalmente é medida em horas necessárias para os processos ou com base na quantidade de produtos a serem fabricados ou serviços a serem executados. A metodologia de medição da capacidade de mão de obra direta segue algumas etapas: Verificação da produtividade média de cada mão de obra diretamente ligada aos produtos ou serviços; Multiplica-se a produtividade individual pela quantidade de produtos ou serviços que deverão ser entregues, o que determina a quantidade total de horas necessárias; A partir da quantidade total de horas, determina-se o número de co- laboradores necessários para efetiva produção do que foi planejado. 1º trim. Acabamentos Embalagem TOTAL MP Orçamento de MP (R$) Tecido 1. Consumo 383.040 3. Valor total 1.177.848 2. Preço unit. líq .3,0750 4. Consumo 71.820 6. Valor total 132.508 5. Preço unit. líq.1 ,8450 7. Consumo 478.800 9. Valor total 73,616 8. Preço unit. líq.0 ,1538 10. Tecido1 .177.848 13. Total 1.383.971 12. Embalagem 73.616 11. Acabamentos 132.508 .3 .1 .0 o1 40 Unisa | Educação a distância Número de horas para fabricação dos produtos Está relacionado ao número de horas necessário para fabricar um pro- duto. Como vimos, esse dimensionamento é feito pelo departamento de produção e, para a Camisetas ABC, foi informada a necessidade de 0,33 hora de MOD para fabricar uma camiseta. Valor médio por hora de MOD Fornecido pelo departamento de Recursos Humanos da Camisetas ABC, esse valor é de R$ 10,00/hora. Dessa forma, o orçamento de mão de obra direta está vinculado aos orçamentos de vendas e de produção. Alterações nos fluxos de vendas refletem no orçamento de quantidades a produzir que, por sua vez, causa impacto no volume de horas de mão de obra direta necessário para fabricar os produtos. Podemos concluir, então, que o orçamento de mão de obra serve para dimensionar a quantidade da força de trabalho e também os seus custos. Por isso, ele serve também para subsidiar a contratação de funcionários. De maneira geral, esse orçamento é constituído por dois tipos de dados: número de horas de mão de obra direta – calculado pelo departamento de produção; e o custo padrão dessa mão de obra – fornecido pelo departamento de Recursos Humanos. A aplicação dos conceitos do orçamento de MOD, utilizando a Camisetas ABC, será feita considerando: a quantidade de produtos a serem fabricados, o número de horas necessárias para fabricar esses produtos e o preço médio da mão de obra. Quantidade de produtos projetada para vendas: Para o custo de mão de obra direta, são considerados os valores (salários e encargos) de funcionários que estão diretamente relacionados à produção, ou seja, o custo de mão de obra direta faz parte da operação diretamente. “ ” 3.2.1 Elaborando o orçamento de Mão de Obra Direta (MOD) 2º trim.1º trim. 504.000472.500 (100.800)(94.500) 116.600100.800 519.800478.800 (-) Estoque Inicial (+) Estoque Final Qtde. a produzir Projeções Vendas Orçadas Orçamento Empresarial 41 Importante: haverá ajuste de 6,5% a partir de outubro, atingindo toda produção do quarto trimestre. O esquema a seguir mostra como obter o número de horas necessárias, e também como calcular o valor total dos custos com mão de obra direta. Custos Indiretos de Fabricação (CIF) são os custos que ocorrem no processo de fabricação, mas que não podem ser quantificados diretamente nos produtos. Alguns CIFs variam de acordo com o nível de produção e seu total pode ser determinado em função da quantidade produzida. São os CIFs variáveis, como combustíveis e lubrificantes, parte da energia elétrica e alguns materiais consumidos durante o processo de fabricação. Outros CIFs existirão mesmo que não haja produção, são os CIFs fixos, como salários de supervisores da fábrica. Esses custos são divididos em: Materiais indiretos: são materiais auxiliares empregados no processo de produção e que não integram fisicamente os produtos (serras, lixas, estopas, solventes etc.) e os materiais diretos, cujo consumo não pode ser quantificado nos produtos (colas, vernizes, pregos, linhas de costu- ra etc.); Como já temos todas as informações necessárias, podemos calcular o orçamento de mão de obra direta da Camisetas ABC. Veja o valor do orçamento de MOD da Camisetas ABC para o primeiro trimestre. Agora é a sua vez, vá até a seção “Explore seu conhecimento” e realize as atividades para consolidar o aprendizado. 1º trim. 478.800 Orçamento de MOD (R$) Qtde. a produzir Horas MOD por produto Total de horas de MOD Custo por hora de MOD Custo total MOD 0,033 15.800 158.004 10,00 3.3 Orçamento de Custos Indiretos de Fabricação (CIFs) Uma empresa fabrica copos de plástico com temas e tamanhos diferentes. As tintas utilizadas nos desenhos dos copos são materiais indiretos. Para ratear o seu custo entre os tamanhos de copos, a base utilizada é o consumo de plástico. Quanto maior o tamanho do copo, mais plástico será utilizado e mais tinta nos desenhos também. Algumas bases mais comuns utilizadas para rateio dos custos indiretos de fabricação, que permitem atribuir parcelas de custos aos produtos, são: área ocupada – m2 – na fabricação do produto; consumo de materiais diretos (MP); consumo de energia elétrica, horas de mão de obra direta (MOD); número de requisições de materiais dentre outras etc. O orçamento total de Custos Indiretos de Fabricação (CIFs) considera a projeção de custos variáveis e fixos. Custos Indiretos de Fabricação variáveis Para aplicação dos conceitos no nosso caso da empresa Camisetas ABC, serão considerados como custos indiretos de fabricação variáveis: a energia elétrica e os materiais diversos. A base para o rateio desses custos será o número de horas de Mão de Obra Direta (MOD), que nós já calculamos. Mão de obra indireta: corresponde aos custos com mão de obra que não trabalha diretamente na transformação da matéria-prima em pro- duto ou cujo tempo gasto na fabricação dos produtos não pode ser determinado; por exemplo, supervisão de operários, manutenção de máquinas, controle de qualidade etc.; Outros custos indiretos – são os demais custos indiretos ocorridos na fábrica, cujo consumo não pode ser quantificado de forma dire- ta e objetiva nos produtos, tais como energia elétrica, água, gás etc. Como não é possível relacionar diretamente o consumo desses custos aos pro- dutos, é preciso utilizar alguma forma de rateio para apropriá-los aos produtos. Rateio. É uma divisão proporcional a partir de uma base que tenha dados conhecidos. Em orçamento, significa estabelecer uma base por meio da qual os custos indiretos são atribuídos a um determinado produto. GLOSSÁRIO Que tal um exemplo para ilustrar o rateio? EXEMPLO 3.3.1Elaborando o orçamento de Custos Indiretos de Fabricação (CIFs) 42 Unisa | Educação a distância 43Orçamento Empresarial O valor dos CIFs variáveis, por hora de mão de obra direta é de: Energia elétrica R$ 0,28 e Materiais Diversos R$ 0,35. Esses valores serão reajustados em julho, em 4,5%, portanto, os novos valores terão impacto no terceiro e no quarto trimestre. Para facilitar o processo de cálculo, utilizamos o esquema a seguir. Com todas as informações em mãos, calculamos o orçamento de CIFs variáveis para o primeiro trimestre. Custos indiretos de fabricação fixos Os custos fixos na Camisetas ABC Ltda. estão nos departamentos que atuam em conjunto com o departamento de produção, dando apoio às atividades da fábrica: 1º trim. 478.800 Orçamento de MOD (R$) Qtde. a produzir Horas MOD por produto Total de horas de MOD 0,033 15.800 Total de horas de MOD Total de horas de MOD Custo unitário de energia elétrica Energia elétrica Materiáis diversos Custo unitário de materiais diversos Custo unitário de materiais diversos Total CIFs variáveis Custo total de energia elétrica Orçamento de CIF variável (R$) Calculado na unidade 3 (1) 1º trim. 2º trim. 3º trim. 4º trim. (1) X (2) (1) X (2) Valor p/hora de MOD (2) Valor p/hora de MOD (2) Soma custo total custo total Calculado na unidade 3 (1) Calculado na unidade 3 (1) Calculado na unidade 3 (1) Calculado na unidade 3 (1) (1) X (2) (1) X (2) Valor p/hora de MOD (2) Valor p/hora de MOD (2) Soma custo total custo total Calculado na unidade 3 (1) (1) X (2) (1) X (2) Valor p/hora de MOD (2) Valor p/hora de MOD (2) Soma custo total custo total Calculado na unidade 3 (1) (1) X (2) (1) X (2) Valor p/hora de MOD (2) Valor p/hora de MOD (2) Soma custo total custo total Calculado na unidade 3 (1) Total de horas de MOD Total de horas de MOD Custo unitário de materiais diversos Custo total de materiais diversos Valor por hora Energia elétrica Materiáis diversos Total CIFs variáveis Custo total de energia elétrica Orçamento de CIF variável (R$) 1º trim. 0,2800 4.424 5.530 15.800 15.800 0,3500 4.424 5.530 9.954 44 Unisa | Educação a distância Com o roteiro abaixo, você poderá calcular tanto o orçamento para a administração industrial, como para manutenção industrial: Os custos desses departamentos, em dezembro do Ano 0 (zero), estão na tabela a seguir: Esses valores serão reajustados no Ano 1, conforme diretrizes a seguir: Departamento de administração industrial: avalia, planeja e administra as atividades da área da fábrica; Departamento de manutenção industrial: responsável pela manuten- ção da área da fábrica, tanto de máquinas e equipamentos, como lim- peza e conservação de móveis. Salários Serviços de terceiros Material de expediente Outros custos Encargos Sociais Total do departamento Manutenção industrial Salários Seguros Encargos sociais Material de expediente Outros custos Total do departamento Seguros Serviços de terceiros Administração industrial 1º trim. 10.435 1.236 2.829 13.913 10.701 433 39.547 10.025 13.367 1.187 10.282 416 2.718 37.996 Salários Serviços de terceiros Material de expediente Outros custos Encargos Sociais Total do departamento Manutenção industrial Salários Seguros Encargos sociais Material de expediente Outros custos Total do departamento Seguros Serviços de terceiros Administração industrial 1º trim. 10.435 1.236 2.829 13.913 10.701 433 39.547 10.025 13.367 1.187 10.282 416 2.718 37.996 Salários e encargos 6,5% em outubro (4º trimestre) Conforme previsão de acordo sindical 8% em outubro (4º trimestre) Conforme histórico das apólices 5% em outubro (4º trimestre) Conforme projeção do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) Serviços de terceiros Material de expediente Outros custos Seguros Orçamento Empresarial 45 Vamos utilizar o roteiro e as informações da Camisetas ABC para calcular o orçamento do departamento de administração industrial. Confira os valores projetados a seguir. Vamos praticar? Vá até a seção “Explore seu conhecimento” e calcule a projeção para o departamento de manutenção industrial e depois some os valores das duas áreas para obter o orçamento de CIF fixo total. Para que possa conferir se está no caminho certo, abaixo você encontrará o orçamento de CIF total do primeiro trimestre. Depois de calcular todos os orçamentos de CIF fixo e variável, precisamos obter o total de custos indiretos de fabricação que a Camisetas ABC terá no próximo ano. No primeiro trimestre, os valores estão a seguir: Salários Serviços de terceiros Material de expediente Outros custos Encargos Sociais Total do departamento Seguros 1º trim. repete o valor repete o valor 3º trimestre (+) 6,5% 3º trimestre (+) 6,5% 3º trimestre (+) 6,5% valor atual repete o valor repete o valorvalor atual repete o valor repete o valorvalor atual repete o valor repete o valorvalor atual repete o valor repete o valorvalor atual repete o valor repete o valorvalor atual SOMA SOMA SOMA SOMA 2º trim. 3º trim. 4º trim. Salários Administração industrial Serviços de terceiros Material de expediente Outros custos Encargos Sociais Total do departamento Seguros 1º trim. 13.913 10.435 1.236 10.701 433 2.829 39.547 13.913 10.435 1.236 10.701 433 2.829 39.547 13.913 10.435 1.236 10.701 433 2.829 39.547 14.817 11.113 1.335 11.236 455 2.971 42.927 2º trim. 3º trim. 4º trim. Seguros Serviços de terceiros Material de expediente Salários Outros custos Total CIF Encargos sociais Orçamento de CIF variável (R$) 1º trim. 27.280 20.460 850 2.423 20.983 5.547 77.544 Total CIFs variáveis Total CIFs Orçamento de CIF variável (R$) 1º trim. 77.544 9.954 87.498 1 46 Unisa | Educação a distância Com essa totalização, terminamos os orçamentos de Custos Indiretos de Fabricação. Para encerrar esta unidade, é importante destacar que a soma dos custos de Matérias-primas (MP), Mão de Obra Direta (MOD) e Custos Indiretos de Fabricação (CIFs) resulta no Custo dos Produtos Vendidos (CPV). Esse valor é a base para apuração do custo unitário do produto e, consequentemente, projetar o preço de venda. CPV = MP + MOD + CF Custo unitário = CPV / nº produtos fabricados Assista ao vídeo com o passo a passo da resolução de uma questão do exame de suficiência de Contabilidade. Nele, você irá explorar mais o rateio de custos indiretos de fabricação, bem como conhecer uma aplicação prática dos valores de mão de obra direta, matéria-prima e custos indiretos de fabricação para apurar o custo unitário do produto. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=VN8ql-6s4n0. Acesso em 15 jun. 2016. SAIBA MAIS Nesta unidade, estudamos três orçamentos que integram o orçamento de produção. Vamos ver o que aprendemos em cada um deles. Orçamento de MatériaPrima (MP): o fluxo de matéria-prima deve ser planejado com cuidado para evitar que a produção seja interrompida por falta de insumos, ou que haja excesso de estoques, o que amplia os custos de produção; para a empresa manter um bom controle, o ideal na elaboração do orçamento é elaborar uma programação de estoque ou de produtos. Nesse momento, isso ajuda muito a em- presa com a programação de compra de material; o custo total de matéria-prima é calculado com base no consumo unitário de cada insu- mo e no custo unitário de cada um deles. RECAPITULANDO Orçamento Empresarial 47 Orçamento de Mão de Obra Direta (MOD): considera os custos de saláriose encargos dos funcionários diretamente envolvidos na produção; a técnica mais utilizada é baseada no cálculo do volume de horas ne- cessário para fabricar um produto e o custo de hora de MOD padrão. Orçamento de Custos Indiretos de Fabricação (CIFs): são os custos que ocorrem no processo de fabricação, mas que não podem ser quantificados diretamente nos produtos; é preciso utilizar alguma forma de rateio, ou seja, estabelecer uma base por meio da qual os custos indiretos são atribuídos a um determinado produto; os CIFs variáveis se alteram de acordo com o nível de produção e os CIFs fixos terão o mesmo valor, mesmo que não haja produção. Para praticar a elaboração do orçamento, e reforçar os conhecimentos adquiridos, você deverá finalizar os orçamentos de Matéria–Prima (MP) e Mão de Obra Direta (MOD), calculando os trimestres faltantes. Para o orçamento de Custos Indiretos de Fabricação (CIFs), calcule os demais trimestres dos CIFs variáveis, o orçamento de CIF fixo para o departamento de manutenção industrial e total de CIF fixo somando os dois departamentos. Por fim, some o total de CIFs fixos e variáveis para obter o orçamento final. EXPLORANDO SEU CONHECIMENTO Orçamento Empresarial 49 Esta unidade contempla os cuidados e processos do orçamento de despesas operacionais. Ele representa os recursos envolvidos nas atividades da empresa não relacionadas diretamente com a produção, tais como salários de vendedores, despesas da diretoria e áreas administrativas, propaganda, impostos etc. Esse orçamento é dividido em despesas administrativas e despesas com vendas. A unidade também trata do orçamento de despesas financeiras que inclui despesas com juros de empréstimos e financiamentos bancários, bem como as receitas financeiras decorrentes de aplicações. Um dos princípios fundamentais para o planejamento e controle das despesas administrativas é a departamentalização. Pela natureza de suas funções, cada um dos departamentos administrativos oferece assistência às demais áreas da empresa. O custo administrativo é contabilizado em separado. No fim do período contábil, as despesas são rateadas pelas divisões de produtos, em função do montante dos serviços prestados. Esse orçamento tem a finalidade de determinar os recursos que serão despendidos com a gestão da empresa, tais como honorários dos diretores, salários do pessoal administrativo, aluguéis das áreas administrativas, seguros, energia, telefonia etc. Objetivos de aprendizagem Conhecer os principais itens que integram as despesas de operação da empresa, bem como as técnicas mais utilizadas para elaboração de projeções dessas despesas; Compreender o papel do orçamento de receitas e despesas financeiras na gestão do fluxo de caixa da empresa; Calcular projeções orçamentárias de despesas operacionais e financei- ras. 4 ORÇAMENTOS DE DESPESAS OPERACIONAIS E FINANCEIRAS 4.1 Orçamento de despesas administrativas 4.1.1 Planejamento das despesas administrativas 50 Unisa | Educação a distância A finalidade principal de manter em separado as despesas por departamento é outorgar a cada gerente plena autoridade e responsabilidade, para cuidar dos assuntos internos do seu departamento; que é um fator psicológico importante para o sistema de controle orçamentário, já discutido. A maior parcela das despesas administrativas se refere, geralmente, aos salários e encargos sociais. O departamento jurídico e o de auditoria se utilizam de serviços externos, os quais, às vezes, representam despesas vultosas que fazem parte da conta de serviços contratados. Com exceção desses poucos itens de despesas específicas, a quase totalidade das demais é idêntica para todos os departamentos administrativos. Para facilitar a consolidação das despesas por sua natureza, aconselha-se estabelecer uma série única de contas para toda a empresa, com dispositivos aplicáveis às despesas específicas. Com referência ao primeiro ponto, vários itens de despesas administrativas não podem ser medidos, por falta de comprovantes. Mesmo com comprovantes ou documentação hábil, nem sempre há meio de avaliação firme da razoabilidade de tais despesas. Tomemos como exemplo as despesas com contratos de serviços profissionais externos, viagens, despesas de transporte etc. Manter a proporção entre as despesas administrativas e as vendas é uma das tarefas mais difíceis. Nos períodos de redução drástica das vendas, a diminuição proporcional das despesas é um alvo quase impossível de atingir, pois muitos itens das despesas são de natureza fixa. Mesmo assim, observando queda contínua de suas vendas, a empresa pode não dispor de outros meios para sobreviver que não seja o corte das despesas internas. A avaliação do resultado financeiro dos diversos produtos da mesma empresa requer que cada um assuma sua justa parte das despesas efetuadas. Como a estrutura administrativa engloba funções diversas, cujos serviços têm efeito genérico dentro da organização, a base de rateio constituirá sempre uma estimativa, por melhor que seja. É o caso que ocorre, por exemplo, com o salário dos executivos, que trabalham ao mesmo tempo para muitas divisões de produtos da empresa. Nesses casos, prevalece o “bom senso”. A manutenção da proporcionalidade entre as despesas e as vendas. Três pontos vulneráveis Orçamento Empresarial 51 Em vista das características inerentes a tais despesas, seu controle depende principalmente do fator organização. Por organização entende-se o processo pelo qual os recursos são utilizados: responsabilidades e autoridades são definidas e as relações são estabelecidas. Não basta traçar uma linha de autoridade genérica para a empresa. É necessário que o esquema organizacional cubra tanto a cúpula como o escalão mais abaixo da hierarquia empresarial, com todos os detalhes pertinentes às suas responsabilidades e autoridades. Além de definir as responsabilidades e autoridades, para manter a proporcionalidade entre a despesa e a receita, precisa-se determinar o número dos funcionários estritamente necessários a cada setor. Muitas empresas procuram ter, de início, uma organização reduzida, em termos de elementos humanos. Aumentar o número dos funcionários à medida que surgem as necessidades é sempre mais suave do que reduzi-los por falta de serviço. A determinação do nível futuro das operações é decisiva na preparação do orçamento departamental. No processo de controle, comparam-se as despesas reais com as previstas para determinar os desvios por tipo de despesa. Para manter a proporcionalidade entre a despesa e a receita, tomam-se em consideração as porcentagens das despesas reais em relação às vendas reais. Por outro lado, o princípio da responsabilidade e da autoridade, anteriormente mencionado, estabelece que cada gerente só é responsável pelas despesas por ele previstas e aprovadas. Essas despesas pertencem ao grupo das “controláveis”. Só despesas que não dependem da sua autorização, como impostos, eletricidade, água etc., devem fazer parte do segundo grupo, denominado “semicontroláveis”. O controle das despesas por departamento deve basear-se exclusivamente no primeiro grupo, ou seja, o dos controláveis. Quanto às despesas do segundo grupo, formado em sua maior parte por gastos fixos, em geral o controle é feito com base no valor total de cada despesa e pela empresa como um todo. Há circunstâncias em que, mesmo previamente aprovadas no plano orçamentário, certas despesas precisam ser evitadas. É o caso, por exemplo, de uma redução das vendas não prevista no orçamento e que, em consequência, atua negativamente sobre as despesas previstas correspondentes. A empresa deve agir com rapidez objetivando convencer as partes em jogo a salvaguardarem o plano das despesas. 4.1.2 Controle dasdespesas administrativas A empresa deve controlar bem as despesas administrativas, pois as despesas comerciais estão relacionadas com as vendas, e o equilíbrio é naturalmente obtido. As despesas administrativas não costumam variar com as vendas, por isso, quando há uma queda nelas, deve ser feita uma revisão das despesas administrativas. “ ” 52 Unisa | Educação a distância Este orçamento tem a finalidade de determinar os recursos que serão dispendidos com a gestão da empresa. A Camisetas ABC Ltda. tem dois departamentos na área administrativa: administração geral (integra as funções de operações, marketing e recursos humanos) e finanças. As despesas desses departamentos no Ano 0 (zero), bem como os parâmetros de reajuste para o próximo ano, foram informados pelo departamento financeiro. O cálculo das projeções dessas despesas é bem simples, pois haverá reajuste apenas a partir do quarto trimestre, mantendo-se os valores atuais nos três primeiros trimestres. Dessa forma, os valores das projeções podem ser obtidos com o esquema a seguir: Usando o esquema e as informações do departamento financeiro, temos: 4.1.3 Elaborando o orçamento das despesas administrativas Honorários diretoria Seguros Aluguel Comunicações e energia Salários Viagens e representações Outras despesas Total Encargos sociais 29.475 22.213 4.514 10.880 749 3.953 4.829 2.342 78.956 Honorários, salários e encargos 6,5% em outubro (4º trimestre) Conforme previsão de acordo sindical 8% em outubro (4º trimestre) Conforme histórico das apólices 5% em outubro (4º trimestre) Conforme projeção do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) Aluguel Comunicações e energia Viagens e representações Outras despesas Seguros Salários Aluguel Comunicação e energia Viagens e representações Encargos Sociais Seguros Despesas Administrativas 1º trim. repete o valor repete o valor 3º trimestre (+) 6,5% 3º trimestre (+) 8,0% 3º trimestre (+) 5,0% 29.475 Honorários da diretoria repete o valor repete o valor10.880 repete o valor repete o valor22.213 repete o valor repete o valor749 repete o valor repete o valor3.953 repete o valor repete o valor4.514 repete o valor repete o valor repete o valor repete o valor 4.829 2.342 SOMA SOMA 2º trim. 3º trim. 4º trim. Outras despesas TOTAL TOTAL SOMA SOMA SOMA SOMA SOMA SOMA SOMA SOMA SOMA SOMA Salários Aluguel Comunicação e energia Viagens e representações Encargos Sociais Seguros Despesas Administrativas 1º trim. 29.475 Honorários da diretoria 10.880 22.213 749 3.953 4.514 4.829 2.342 29.475 10.880 22.213 749 3.953 4.514 4.829 2.342 29.475 10.880 22.213 749 3.953 4.514 4.829 2.342 31.390 11.587 23.657 809 4.151 4.739 5.071 2.460 83.864 44.228 2º trim. 3º trim. 4º trim. Outras despesas TOTAL TOTAL 78.956 78.956 78.956 119.814 90.296 3.057 16.011 18.280 19.558 9.487 320.732 78.956 Orçamento Empresarial 53 Este orçamento está relacionado às despesas necessárias, não apenas à venda dos produtos, mas também ao seu processo de distribuição. De maneira geral, essas despesas podem ser divididas em: a) Despesas de venda. b) Despesas de propaganda e promoção de venda. c) Despesas de embarque e depósito. Essa divisão normalmente ocorre em empresas de maior porte, quando as dimensões dos negócios a justificam. Nas empresas de porte médio ou pequeno, há um único responsável pela distribuição. Quando o movimento é grande, cada setor tem um gerente com responsabilidade e autoridade definidas. Planejar as despesas de distribuição é tarefa muito mais complexa do que planejar o custo fabril, por diversos motivos. Em primeiro lugar, verifica-se certa tendência à simplificação dos processos de produção e, consequentemente, ao barateamento do custo de manufatura dos produtos, em virtude dos contínuos avanços tecnológicos, enquanto que, para o custo da distribuição desses produtos, a tendência é inversa, especialmente em relação às despesas que visam à neutralização das forças concorrentes e à consecução de um volume de vendas adequado. Em segundo lugar, do ponto de vista psicológico, o controle do custo fabril obedece a um conjunto de regras fixas e previamente estabelecidas, regras essas que valem tanto para os dirigentes quanto para os empregados, estando os últimos perfeitamente aptos para acatar ordens ou orientações superiores. O tratamento já é diferente na área de distribuição, pois se processa de pessoa para pessoa – caso do vendedor e do cliente, cada um com seu julgamento, sua opinião e seus caprichos. Não há regulamentos ou normas fixas para todos os casos, daí ocorrer maior flexibilidade na atividade distribuidora. Por conseguinte, o controle do custo da distribuição não pode ter a mesma rigidez do controle do custo industrial. Em terceiro lugar, dos itens de despesa comuns a todos os departamentos da empresa, cada setor da área de distribuição possui alguns itens de característica específica, como as comissões sobre as vendas, por exemplo, que pertencem ao departamento de vendas, e as despesas de frete, que são próprias do departamento de embarque. Essas peculiaridades tornam mais complexa a sistemática do planejamento e controle das despesas de distribuição. O quarto motivo refere-se aos canais de venda. Para fazer frente às circunstâncias, na maior parte delas motivada pelo impacto do lançamento de produtos novos e da concorrência cada dia mais ativa, a empresa deve repensar constantemente seus métodos e canais de venda. Isso faz com que a estrutura do custo de distribuição sofra frequentes modificações, o que às vezes significa um novo planejamento e um sistema de controle completamente diferente. 4.2.1 Planejamento das despesas com vendas 4.2 Orçamento de despesas com vendas 54 Unisa | Educação a distância Na área de distribuição, além dos itens de despesa comuns a todos os centros de custo, como salários, encargos sociais, viagens, depreciação, seguros etc., há tipos específicos de despesas para cada setor. Veja alguns exemplos na figura a seguir: Os itens de despesas comuns obedecem aos mesmos critérios de planejamento e controle, enquanto os itens de despesas específicas requerem julgamento mais cuidadoso do analista; pois exigem maior conhecimento da política da empresa, com referência a cada item, e das implicações, no plano financeiro, de tal política. Em geral, esses itens específicos absorvem quantias elevadas e exigem maior atenção da administração. Para facilitar a tarefa do controle, muitas empresas adotam o sistema orçamentário específico, além do orçamento geral de despesas por departamento, que faz parte do sistema integral de controle financeiro adotado. O orçamento específico consiste no planejamento de cada item de despesas com o que se obtém acompanhamento mensal no processo de controle. Qualquer aumento ou redução das despesas de distribuição altera o resultado operacional. Às vezes, a empresa se encontra no difícil dilema de reduzir as despesas – para elevar a rentabilidade – ou aumentar as vendas, o que, indiscutivelmente, exigirá maiores e mais dispendiosos serviços de distribuição. Para esses casos, a análise por aplicação de recursos é de grande utilidade. O método consiste em determinar a influência do custo da distribuição sobre o resultado financeiro. Esse tipo de controle pode ser exercido por: Comissões de venda; Materiais de venda. Propaganda em rádio e TV; Exposições em vitrines. Frete e embalagens. 4.2.2 Controle das despesas com vendas VENDA PROMOÇÃO EMBARQUE CONTROLE DAS DESPESAS COM VENDAS TERRITÓRIO PRODUTO CLIENTE CANAL DE DESTRIBUIÇÃO MÉTODO DE VENDAVENDEDOR I Orçamento Empresarial 55 Este orçamento destina-se a dimensionar os recursos para dar suporte às vendas orçadas. As despesas do departamento de vendas da Camisetas ABC Ltda. no Ano 0 (zero), bem como os parâmetros de reajuste para o próximo ano foram informados pelo departamento financeiro. Quando o sistema de distribuição da empresa é complexo, o controle global por natureza da despesa torna-se menos eficiente. O controle por operação executada consiste em determinar a responsabilidade individual pelas despesas ocorridas, em função das unidades padrão de sua produção. O processo de apuração é semelhante ao do custo por produção. As etapas são cinco: 4.2.3 Elaborando o orçamento das despesas com vendas 6,5 % em outubro (4º trimestre) Conforme previsão de acordo sindical 8% em outubro (4º trimestre) Conforme histórico das apólices 5% ao trimestre Conforme negociação do diretor de vendas com a direção geral 5% em outubro (4º trimestre) Conforme projeção do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) Seguros Aluguel Comunicações e energia Salários Viagens e representações Propaganda Total Encargos sociais 23.118 500 8.217 33.025 9.998 4.530 1.819 5.744 86.951 Outras despesas 56 Unisa | Educação a distância Assim como as projeções das despesas administrativas, nas despesas com vendas os cálculos também são simples. Como o ajuste está previsto apenas para o quarto trimestre, os valores atuais são mantidos nos três primeiros trimestres. Dessa forma, os valores das projeções podem ser obtidos com o esquema a seguir: O cálculo das projeções do orçamento de despesas com vendas fica por sua conta! Essa é a forma de você praticar e aproveitar ao máximo o conteúdo. Salários Comunicações e energia Aluguel Viagens e representações Outras despesas Encargos Sociais Propaganda Seguros Despesas de vendas 1º trim. repete o valor repete o valor 3º trimestre (+) 6,5% 3º trimestre (+) 8,0% 3º trimestre (+) 5,0% 33.025 repete o valor repete o valor23.118 repete o valor repete o valor repete o valor repete o valor 500 repete o valor repete o valor 9.998 repete o valor repete o valor 4.530 8.217 repete o valor repete o valor1.819 1º trim. (+) 5% 2º trim. (+) 5% 3º trim. (+) 5%5.744 TOTAL TOTAL TOTALS OMASOMA SOMA SOMA 2º trim. 3º trim. 4º trim. SOMA SOMA SOMA SOMA SOMA SOMA SOMA SOMA O orçamento das despesas financeiras está relacionado aos gastos gerados pela captação de recursos de terceiros e as receitas financeiras são resultado de aplicações financeiras realizadas pela empresa. Para uma projeção mais precisa do montante total de despesas financeiras ou da disponibilidade de recursos para aplicação, é preciso projetar o fluxo de caixa para identificar as necessidades de empréstimos para o capital de giro ou as chamadas “sobras” de caixa para aplicação. Essas despesas são decorrentes da captação de recursos para financiar o capital de giro da empresa, ou para aquisição de ativos fixos. As principais despesas financeiras são os juros de empréstimos e financiamentos contratados no período anterior ao exercício projetado no orçamento. Podemos classificar as despesas financeiras, de acordo com o motivo pelo qual os recursos foram captados em instituições financeiras, em temporárias e estruturais. a) Despesas financeiras temporárias Em alguns momentos da sua operação, a empresa pode ficar temporariamente sem recursos no fluxo de caixa para pagamento de suas obrigações de curto prazo. Isso pode acontecer em função da inadimplência de clientes, da compra antecipada de mercadorias e de outras situações que podem ocorrer no dia a dia da empresa. 4.3.1 Despesas financeiras 4.3 Orçamento de despesas e receitas financeiras As instituições financeiras oferecem diversas opções para captação de recurso de curto prazo para financiamento do capital de giro das empresas. Veja, no link do Banco Itaú, algumas dessas opções: https:// www.itau.com.br/ empresas/creditos- financiamentos/curto- prazo/ LINK Orçamento Empresarial 57 São receitas originadas por um superávit temporário de caixa que ocorre quando há desequilíbrio entre as entradas e saídas decorrentes das operações da empresa. Esse valor ficaria ocioso no caixa, por isso a empresa precisa identificar previamente essa ocorrência para aplicá-lo no mercado financeiro até o momento no qual será necessário para o pagamento de obrigações da empresa. Dessa forma, a empresa otimiza esse recurso, preservando-o da perda de valor de compra em decorrência da inflação e obtendo receitas financeiras adicionais. Chegamos ao nosso momento de praticar os conceitos na elaboração do orçamento da Camisetas ABC. Para compor esse orçamento, é preciso tomar por base: as aplicações existentes e aquelas projetadas para o ano que está sen- do orçado; os financiamentos e empréstimos em andamento e os valores de amor- tizações previstos para o ano seguinte; as taxas de juros que remuneram as aplicações e que integram os con- tratos de financiamentos. a) Receitas financeiras Vamos começar pelo orçamento de receitas financeiras decorrentes das aplicações da empresa. Para esta apoiar a elaboração desse orçamento, o departamento de planejamento financeiro projetou um saldo inicial de R$ 2.500.000,00 aplicados no início do Ano 1, aplicações trimestrais e rendimentos conforme segue: Para suprir a deficiência do caixa, a empresa recorre às instituições financeiras para obter empréstimos de curto prazo, ou podem antecipar o recebimento de duplicatas. Ao equilibrar o fluxo de caixa, a empresa quita esses empréstimos e os juros correspondentes. b) Despesas financeiras estruturais Quando uma empresa necessita realizar investimentos de longo prazo, como a aquisição de uma máquina ou a ampliação da fábrica, são obtidos recursos financeiros também de longo prazo. Apesar de apresentar custos mais atraentes em relação aos recursos de curto prazo, o pagamento dos juros desses financiamentos também deve ser considerado na elaboração do orçamento de despesas financeiras, bem como as amortizações que são feitas ao longo do período de pagamento do financiamento obtido. 4.3.2 Receitas financeiras 4.3.3 Elaborando o orçamento das despesas e receitas financeiras Amortização. É o processo de extinção de uma dívida através da sua quitação em diversas prestações. Cada uma das parcelas é parte do valor total do financiamento, incluindo os juros, reduzindo assim o valor da dívida de forma gradativa. GLOSSÁRIO As aplicações financeiras de curto prazo precisam ser bem estudadas para evitar que a empresa corra riscos no retorno do dinheiro ao seu fluxo de caixa, o que pode comprometer o pagamento das suas obrigações. O artigo “Onde investir em 3 e 6 meses sem correr muito risco” mostra os investimentos mais indicados por especialistas para investir em curtos períodos de tempo com pouco risco. Disponível em: http:// exame.abril.com.br/ seu-dinheiro/noticias/ onde-investir-em-3-e- 6-meses-sem-correr- muito-risco. Acesso em 16 jun. 2016. ARTIGO 1º trim. 2.400.000 2.300.000 2.350.000 2.700.000 2º trim. 3º trim. 4º trim. Aplicações 1º trim. 2,37 2,30 1,98 2,00 2º trim. 3º trim. 4º trim. Rendimentos (%) 58 Unisa | Educação a distância Despesas financeiras A Camisetas ABC Ltda. tem um financiamento em andamento, cujo saldo inicial para o Ano 1 é de R$ 5.400.000,00. Serão feitas amortizações trimestrais de R$ 400.000,00. Os juros do financiamento estão na tabela a seguir: As despesas financeiras também são projetadas no formato de fluxo de caixa com saldos iniciais e finais a cada trimestre. O esquema a seguir mostra esse processo:As projeções de receitas financeiras são feitas no formato de fluxo de caixa, com saldos iniciais e finais a cada trimestre. Veja o esquema a seguir que mostra resumidamente esse processo: Saldo inicial Rendimento Resgate do principal Saque do rendimento Aplicação 1º trim. 2.500.000 saldo inicial x juros (-) saldo inicial (-)80% rendimento 2.400.000 SOMA saldo inicial x juros (-) saldo inicial (-)80% rendimento 2.300.000 SOMA saldo inicial x juros (-) saldo inicial (-)80% rendimento 2.350.000 SOMA saldo inicial x juros (-) saldo inicial (-)80% rendimento 2.700.000 SOMA Taxa de juros (% a.t) 2,37% 2,30% 1,98% 2.00% 2º trim. 3º trim. 4º trim. Utilizando o esquema e as informações do departamento financeiro, calculamos as projeções para o primeiro trimestre. Saldo inicial Rendimento Resgate do principal Saque do rendimento Aplicação 1º trim. 2.500.000 59.250 (2.500.000) (47.400) 2.400.000 2.411.850 Taxa de juros (% a.t) 2,37% 1º trim. Taxa de juros (%) 2,45% 2,41% 2,37% 2,32% 2º trim. 3º trim.4 º trim. Saldo inicial Juros Amortização 1º trim. saldo inicial x juros (400.000) SOMA saldo inicial x juros (400.000) SOMA saldo inicial x juros (400.000) SOMA saldo inicial x juros (400.000) SOMA Taxa de juros (% a.t) 2,45% 2,41% 2,37% 2º trim. 3º trim. 4º trim. .4 2,32% 5.400.000 Orçamento Empresarial 59 Utilizando o esquema e as informações do departamento financeiro, calculamos as projeções para o primeiro trimestre. Saldo inicial Juros Amortização 1º trim. 5.400.000 132.300 (400.000) 5.132.300 Taxa de juros (%) 2,45% Relatório Focus Neste vídeo do youtube, dois jovens, Hsia Hua Sheng (doutor em finanças pela FGV) e José Marcos Carrera Junior (mestre em finanças pela USP e em administração pela FGV), explicam o que é e a importância desse relatório. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=niVK-lTQdtA. VÍDEO Para projetar aumentos ou reduções de despesas, bem como os juros de financiamento e aplicações, é necessário ter uma boa previsão das tendências do mercado. O Relatório Focus, elaborado pelo Banco Central do Brasil, é uma publicação que contém um resumo das expectativas de mercado a respeito de alguns indicadores da economia brasileira, portanto uma boa fonte de informações para projeções e tendências. Disponível em: http://www.bcb.gov.br/pt-br/#!/n/focus. Acesso em: 16 jun. 2016. SAIBA MAIS Nesta unidade, aprendemos que: a projeção das despesas pode ser dividida em três categorias: despesas administrativas/gerais, despesas comerciais e despesas financeiras; nas despesas administrativas/gerais, podemos considerar salários da equipe de recursos humanos, salários da equipe da contabilidade, salários das áreas administrativas, salários e remunerações dos sócios, aluguel, serviços de limpeza, material de escritório, entre outros; as despesas comerciais devem conter todos os gastos da área comercial; entre eles, os salários de diretor comercial, gerentes, vendedores, comissão de vendedores, gastos com área de marketing, propaganda, publicidade, anúncio de televisão, anúncio em rádio, panfletos, entre outros; as despesas e receitas financeiras devem ser elaboradas com base nos rendimentos de aplicações e nas taxas de juros de financiamentos de empréstimos captados pela empresa. RECAPITULANDO 60 Unisa | Educação a distância Para praticar a elaboração do orçamento, e reforçar os conhecimentos adquiridos, você deverá calcular o orçamento de despesas com vendas e finalizar os orçamentos de receitas e despesas financeiras calculando os trimestres faltantes. EXPLORANDO SEU CONHECIMENTO Orçamento Empresarial 61 5 DEMONSTRAÇÕES PROJETADAS E ORÇAMENTO DE CAIXA Objetivos de aprendizagem Entender que o encerramento do plano orçamentário se dá com a pro- jeção das demonstrações financeiras básicas; Verificar que todas as peças do orçamento empresarial são canalizadas para a demonstração dos resultados e o balanço patrimonial projeta- dos; Entender as duas metodologias de cálculo para se elaborar o fluxo de caixa projetado; Compreender que o orçamento de receitas financeiras é o elemento que une a demonstração de resultados, o balanço patrimonial e o fluxo de caixa projetado. O primeiro demonstrativo a ser projetado é a Demonstração de Resultados (DRE), uma das peças mais importantes do orçamento, pois é nessa demonstração que se reflete o resultado final projetado para as operações do ano seguinte. A última linha – a do lucro líquido – é a que representa se todos os esforços para a elaboração do orçamento resultaram no lucro esperado pela empresa. Podemos sintetizar os principais objetivos da Demonstração de Resultado (DRE) da seguinte forma: Avaliar a eficiência geral das operações, obtendo relações significativas entre as receitas, os custos e as despesas operacionais; Esta unidade apresenta a conclusão do orçamento empresarial com as projeções das demonstrações financeiras, nas quais as peças orçamentárias são reunidas dentro do formato dos demonstrativos básicos: demonstração dos resultados, balanço patrimonial e fluxo de caixa. Essas projeções são fundamentais para permitir à administração da empresa efetuar as análises financeiras e apurar o nível e o alcance dos resultados pretendidos. 5.1 Demonstração de Resultados (DRE) projetada 62 Unisa | Educação a distância Para elaborar a DRE projetada da Camisetas ABC, vamos utilizar uma demonstração baseada na utilização do enquadramento tributário mais completo, ou seja, o lucro real. A elaboração da DRE nada mais é do que o transporte dos valores de todas as planilhas de orçamento para composição de receitas, custos e despesas, finalizando com lucro ou prejuízo. Observe o esquema a seguir: Observe que, na coluna de “Fonte”, são apresentados os orçamentos que deram origem às contas da DRE. Os itens que não possuem identificação de fonte foram calculados na própria DRE. Para facilitar esse cálculo, observe que as linhas da DRE foram numeradas e os cálculos mostram quais linhas devem ser utilizadas. Na linha de impostos sobre o lucro, a alíquota de 34% equivale à combinação de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) de 25% e Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) de 9%. Analisar e comparar a situação econômica atual com a situação econô- mica futura da empresa; Comparar os valores projetados e realizados, buscando verificar a efi- ciência do plano geral da empresa, constituindo um instrumento de planejamento e controle econômico; Informar aos atuais e novos acionistas sobre a provável remuneração dos capitais investidos na empresa; Projetar também os resultados não operacionais da empresa, isto é, o resultado das outras atividades. 5.1.1 Elaborando a DRE projetada Para conhecer melhor os enquadramentos tributários, acesse o link do Portal Tributário e leia o artigo “Lucro real, presumido ou simples?”. Disponível em http://www. portaltributario.com. br/noticias/lucroreal_ presumido.htm. Acesso em 16 jun. 2016. ARTIGO 1 RECEITA OPERACIONAL BRUTA 5 MP 6 MOD 7 CIF 2 (-) DEDUÇÕES ICMS 8 (=) LUCRO BRUTO 9 (-) DESPESAS OPERACIONAIS 10 DESPESAS DE VENDAS 4 (-) CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS 11 DESPESAS ADMINISTRATIVAS 14 (+) RECEITAS DE JUROS 15 (-) DESPESAS DE JUROS 16 (=) LUCRO ANTES DOS IMPOSTOS (LAIR) 17 (-) IMPOSTOS SOBRE LUCROS (34%) 18 (=) LUCRO LÍQUIDO 12 (=) LUCRO ANTES DOS JUROS E IMPOSTOS (LAJIR) 13 (-/+) DESPESAS FINANCEIRAS Demonstrações de Resultados (DRE) Fonte Orç. vendas 3 (=) RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA (1) - (2) Orç. MOD Orç. vendas (5) + (6) + (7) Orç. MP Orç. CIFs (3) - (4) Orç. desp. vendas (10) + (11)Orç. desp. adm. (8) - (9) (14) + (15) (12) - (13) (16) x 0,34 (16) - (17) Orçamento Empresarial 63 Com base nos orçamentos elaborados para a Camisetas ABC nas unidades anteriores, ficou fácil calcular o lucro líquido do primeiro trimestre. Confira a seguir: O balanço patrimonial, visto de uma maneira bem simples, é a demonstração financeira que organiza e resume tudo o que a empresa possui – classificado como ativo – e tudo o que a empresa deve – classificado como passivo. A diferença entre o ativo e o passivo representa o patrimônio líquido da empresa. O ativo, que fica ao lado direito do balanço, agrupa as contas que representam bens e direitos que a empresa tem para receber. Essas contas são organizadas por ordem de liquidez, sendo o ativo circulante composto de contas que representam os lançamentos que podem se transformar em dinheiro mais rapidamente. No ativo não circulante, estão as contas que demoram mais para se transformar em dinheiro no caixa da empresa. No lado direito do balanço, estão as contas classificadas como passivo e patrimônio líquido que representam as origens dos recursos utilizados pela empresa, compostos por capitais próprios e de terceiros. No passivo – capital de terceiros –, são lançadas as obrigações que a empresa tem que pagar ordenadas de forma decrescente de exigibilidade. Primeiro vêm as contas que vencem dentro do exercício – passivo circulante – e depois as que irão vencer após o término do exercício – passivo não circulante. Que tal praticar esse novo conhecimento? Vá até a seção “Explorando seu conhecimento” e realize a atividade. 1 RECEITA OPERACIONAL BRUTA 5 MP 6 MOD 7 CIF 2 (-) DEDUÇÕES ICMS 8 (=) LUCRO BRUTO 9 (-) DESPESAS OPERACIONAIS 10 DESPESAS DE VENDAS 4 (-) CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS 11 DESPESAS ADMINISTRATIVAS 14 (+) RECEITAS DE JUROS 15 (-) DESPESAS DE JUROS 16 (=) LUCRO ANTES DOS IMPOSTOS (LAIR) 17 (-) IMPOSTOS SOBRE LUCROS (34%) 18 (=) LUCRO LÍQUIDO 12 (=) LUCRO ANTES DOS JUROS E IMPOSTOS (LAJIR) 13 (-/+) DESPESAS FINANCEIRAS Demonstrações de Resultados (DRE) Fonte Orç. vendas 3 (=) RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA (1) - (2) Orç. MOD Orç. vendas (5) + (6) + (7) Orç. MP Orç. CIFs (3) - (4) Orç. desp. vendas (10) + (11) Orç. desp. adm. (8) - (9) (14) + (15) (12) - (13) (16) x 0,34 (16) - (17) 1º trim. (459.270) 2.092.230 158.004 2.551.500 (1.629.473) 1.383.971 87.498 462.757 86.951 (165.907) 78.956 296.850 (73.050) 59.250 (132.300) 223.800 (76.092) 147.708 5.2 Balanço Patrimonial (BP) projetado 64 Unisa | Educação a distância No patrimônio líquido – capital próprio –, são registradas as contas que representam o capital que os sócios investiram na empresa, além dos resultados acumulados obtidos pela empresa (lucros ou prejuízos). Pelo balanço projetado, a administração anteverá a situação econômica e financeira da empresa ao final do período orçado, podendo, através de técnicas de análises e comparações, avaliar o grau de adequação do plano estratégico adotado em relação aos objetivos estabelecidos. Essa peça é decorrente do saldo encontrado em cada componente patrimonial das peças anteriores. Como fizemos com a demonstração de resultados, vamos transportar o saldo dos orçamentos elaborados para estruturar o balanço projetado. Vale lembrar que o balanço extraído no final do exercício apresenta o resultado final dos orçamentos. No caso da Camisetas ABC, para a qual fizemos o orçamento em trimestres, o balanço apresentará a situação do quarto trimestre para a maior parte das contas. Trata-se de apenas uma simulação para exemplificar o balanço mais provável da empresa ao final do orçamento do Ano 1, em comparação ao balanço do Ano 0 (zero). Confira o balanço projetado da Camisetas ABC, bem como a origem das informações na coluna “Fonte”. 5.2.1 Elaborando o balanço patrimonial Caixa Aplicações Créditos de liquidação duvidosa (5,5%) Estoques ATIVO 100.000 2.500.000 1.100.000 800.000 1.100.000 4.000.000 5.000.000 (1.000.000) 9.539.500 (60.500) 2.150.034 1.683.990 1.735.246 1.683.990 3.200.000 4.000.000 (800.000) 10.460.932 (92.619) 100.292 Contas a receber 4º trim. 5,5% do contas a receber Ativo circulante Ativo permanente Imobilizado Depreciação (20%) Total Ativo Contas a receber Realizável em longo prazo 4.439.500 5.576.942 Contas a receber após 4ºtrim. Imobilizado (-) depreciação Imobilizado X0 Cálculo da depreciação MP 4º trimestre X0 X1 Fonte Fornecedores Tributos a recolher Contas a pagar Exigível em longo prazo PASSIVO 470.000 286.451 586.000 6.155.601 755.601 5.400.000 2.041.448 1.615.847 425.601 86.104 361.781 812.584 5.257.641 980.517 4.277.124 3.375.247 1.615.847 1.759.400 9.539.500 10.460.932 92.092 653.678 Contas a pagar 4º trim. Folha 4ºtrim. ICMS vendas 4º trim. + IRPJ e CSLL 4º trim. Despesas 4º trim Passivo circulante Financiamentos Patrimônio líquido Capital social TOTAL PASSIVO Lucro acumulado Salários a pagar Fornecedores 1.828.044 Contas a pagar após 4º trim. Mantido capital de X0 Lucro acumulado Ano 0+ Lucro ano 1 X0 X1 Fonte 1.342.451 Orçamento Empresarial 65 O orçamento de caixa, também conhecido como fluxo de caixa financeiro ou cash flow, é elaborado após todas as outras peças orçamentárias. Esse orçamento está relacionado diretamente ao orçamento de despesas e receitas financeiras, pois a disponibilidade ou falta de caixa gera oportunidade de aplicações ou a necessidade de captação de empréstimos. O desenvolvimento do orçamento de caixa envolve uma projeção das entradas e saídas de caixa, as necessidades de financiamento e o controle dos recursos financeiros. Dessa forma, é possível identificar a defasagem entre as transações e adequar os valores dos demais orçamentos aos regimes de caixa versus competência. O cálculo das entradas e saídas prováveis permite à entidade avaliar sua provável situação no exercício coberto pelo orçamento. Essa avaliação da situação financeira será útil à medida que pode revelar necessidades de financiamentos para cobrir o déficit projetado, e de planejamento para a transferência de fundos excedentes a alguma aplicação proveitosa. Em síntese, as principais finalidades do orçamento de caixa podem ser assim consideradas: Revelar a posição financeira provável em um momento futuro, como resultado das operações planejadas; Indicar excessos ou insuficiência de saldo; Indicar necessidades de empréstimos ou, inversamente, disponibilida- de de fundos para investimentos temporários; Permitir a coordenação dos recursos financeiros em relação ao capital de giro, às vendas, aos investimentos e ao capital de terceiros; Estabelecer bases sólidas para a política de crédito; Estabelecer bases sólidas para o controle da posição financeira. Existem dois métodos de preparação do orçamento de caixa: fluxo de caixa líquido e fluxo de caixa tradicional. Vamos ver um pouco mais sobre esses métodos. Método de fluxo líquido de caixa (ou do lucro líquido ajustado) É preparado a partir do lucro líquido projetado com base na estimativa de resultados, sendo similar à análise do capital de giro. Nesse método, o lucro projetado é convertido de regime de competência para regime de caixa (ajustado por estoques, contas a receber, despesas a pagar) e, em seguida, são projetadas outras fontes e aplicações de fundos. Esse método é apropriado para a realização de projeções em longo prazo. Método de recebimentos e desembolsos É o tradicional fluxo de caixa, em que são relacionadas as entradas e saídas de caixa previstas. Esse é o método que iremos trabalhar no nosso exemplo prático, pois estamos elaborando o orçamento anual da CamisetasABC. 5.3 Orçamento de caixa projetado 66 Unisa | Educação a distância Para elaboração do orçamento de caixa, é necessário conhecer as diretrizes definidas para a gestão de seu caixa. As principais são: caixa mínimo, forma de recebimento das vendas e forma de pagamento aos fornecedores: Vamos ver como funcionam essas políticas na Camisetas ABC para que possamos elaborar o seu orçamento de caixa. Está previsto um saldo de caixa inicial de R$ 500.000,00 para o Ano 1. Política de caixa mínimo Ao final de cada trimestre, deverá haver uma disponibilidade mínima de caixa de R$ 100.000,00. Política de recebimento A combinação dos diversos prazos oferecidos aos clientes gera uma média de recebimento de 50% das vendas do trimestre no próprio trimestre e 50% no trimestre seguinte. Exemplo: para as vendas realizadas no 1º trimestre, 50% são pagas no 1º trimestre e 50%, no 2º trimestre. Para elaboração do contas a receber do Ano 1, o departamento de vendas informa que há um saldo de R$ 2.200.000,00 de vendas faturadas em dezembro do Ano 0 (zero). Com base nessas premissas, e no roteiro a seguir, podemos calcular o contas a receber da Camisetas ABC Ltda. 5.3.1 Elaborando o orçamento de caixa Política de pagamentos Demonstra como a empresa negociou com seus fornecedores a forma de pagamento de produtos e serviços adquiridos para manter as operações - o número de parcelas e o prazo entre elas. Política de recebimentos Estabelece como os clientes pagam os produtos comprados da empresa, ou seja, o número de parcelas e o prazo entre elas. Orçamento Empresarial 67 A partir das informações e do roteiro, temos o cálculo do contas a pagar no primeiro trimestre. A partir das informações e do roteiro, temos o cálculo do contas a pagar no primeiro trimestre. Política de pagamento A Camisetas ABC Ltda. tem políticas diferentes para o pagamento de matérias- primas e demais custos e despesas. Para os fornecedores de matérias-primas, o pagamento é feito da seguinte forma: 40% no próprio trimestre e 60% no trimestre seguinte. Exemplo: compras de matérias-primas no 1º trimestre são pagas 40% no 1º trimestre e 60%, no 2º trimestre. Os demais fornecedores são pagos à vista, ou seja, no mesmo trimestre das compras ou prestação de serviços. Para elaboração do contas a pagar do Ano 1, o departamento de vendas informa que há um saldo de R$ 800.000,00 de matérias-primas adquiridas em dezembro do Ano 0 (zero). Usando essas premissas, e no roteiro a seguir, já podemos calcular o contas a pagar dos fornecedores de matérias-primas da Camisetas ABC Ltda. 1º trim. 2º trim. 3º trim. 4º trim. Total Contas a receber Faturamento do trimestre 1º trim. faturamento x 0,5 SOMA faturamento x 0,5 faturamento x 0,5 SOMA faturamento x 0,5 faturamento x 0,5 SOMA faturamento x 0,5 faturamento x 0,5 SOMA Saldo dez/Ano 0 orçamento de vendas 2.200.000 faturamento x 0,5 2º trim. 3º trim. 4º trim. orçamento de vendas orçamento de vendas orçamento de vendas 1º trim. 2º trim. 3º trim. 4º trim. Total Contas a receber Faturamento do trimestre 1º trim. 1.275.750 2.375.750 2.551.500 2.200.000 1.100.000 2.939.328 3.367.980 Saldo dez./Ano 0 3.740.062 1º trim. 4º trim. TOTAL 2º trim. 3º trim. Contas a pagar MP doTrimestre orçamento de MP orçamento de MP orçamento de MP orçamento de MP Faturamento x 0,4 SOMA Faturamento x 0,6 Faturamento x 0,4 SOMA 800.000 Faturamento x 0,6 Faturamento x 0,6 Faturamento x 0,4 SOMA Faturamento x 0,6 Faturamento x 0,4 SOMA 2º trim.1º trim. 3º trim. 4º trim. 68 Unisa | Educação a distância Agora, basta consolidar todos os valores de salários, encargos e honorários na folha de pagamento. Faremos isso utilizando o roteiro a seguir: O orçamento de caixa, ou fluxo de caixa projetado, da Camisetas ABC é elaborado com a transferência dos valores já calculados em outros orçamentos. Veja, no esquema a seguir, como fazer essa transferência. Folha de pagamento Fonte 1º trim. Orçamento CIF Fixo Orçamento CIF Fixo Orçamento MOD Orçamento Vendas Orçamento Vendas Orçamento Adm. Orçamento Adm. Orçamento Adm. Total MOD CIF salários CIF encargos Vendas salários Vendas encargos Administração salários 158.004 27.280 20.460 33.025 171.534 27.280 20.460 33.025 188.562 27.280 20.460 33.025 184.511 29.053 21.790 35.172 23.118 29.475 22.213 10.880 23.118 29.475 22.213 10.880 23.118 29.475 22.213 10.880 24.620 31.390 23.657 11.587 324.455 337.985 355.013 361.781 2º trim. 3º trim. 4º trim. Administração encargo Honorário diretoria SegurosF onte 1º trim. Orçamento CIF Fixo Orçamento Vendas Orçamento Adm. Seguros CIF Seguros Vendas Seguros Administração Total 2.423 500 749 3.672 2.423 500 749 3.672 2.423 500 749 3.672 2.617 540 809 3.966 2º trim. 3º trim. 4º trim. Comunicação e energia 1º trim. Orçamento CIF Variável Orçamento Vendas Orçamento Adm. Energia CIF Com. e energia Vendas Com. e energia Adm. Total 4.424 4.530 4.514 13.468 4.803 4.530 4.514 13.847 5.517 4.530 4.514 14.561 5.069 4.754 4.739 14.565 2º trim. 3º trim. 4º trim. Outros 1º trim. Orçamento CIF Fixo Orçamento Vendas Orçamento Adm. Outros CIF Outros Vendas Outros Administração Total 5.547 2.342 1.819 9.709 5.547 2.342 1.819 9.709 5.547 2.342 1.819 9.709 10.194 2º trim. 3º trim. 4º trim. sF 7 5.825 2.460 1.910 Para elaboração do contas a pagar dos demais custos e despesas, é preciso elaborar uma planilha consolidando os valores distribuídos em vários orçamentos relacionados a: seguros, comunicação e energia e outros custos e despesas. Confira a seguir essa consolidação, lembrando que esses custos e despesas são pagos no mesmo trimestre em que acontecem. 1º trim. 2º trim. 3º trim. 4º trim. Total Contas a pagar MP do trimestre 1º trim. 553.589 1.033.589 Saldo dez/Ano 0 1.383.971 800.000 480.000 1.540.044 1.735.246 1.634.195 Orçamento Empresarial 69 3 ICMS 1 Recebimentos de vendas RECEBIMENTOS PAGAMENTOS 7 Propaganda 8 Aluguel 9 Material de expediente 4 Folha de pagamento 10 Viagens e representações 11 Seguros 12 Comunicações e energia 6 Serviços de terceiros 13 Outros custos e despesas 14 TOTAL Fluxo de caixa projetado 2 Matéria-prima 5 Materiais diversos 1ºtrim. 2ºtrim. 3ºtrim. 4ºtrim. 16 Pagamento de juro 20 Amortização empréstimos 21 Resgate principal aplicações 17 Saque de rendimentos 23 Saldo inicial 25 Aplicações 18 Imposto de Renda sobre Lucros Orçamento de vendas Contas a pagar MP Contas a pagar MP Contas a pagar MP Contas a pagar MP Orçamento de vendas Orçamento de vendas Orçamento de vendas Orçamento de vendas Orçamento de vendas Orçamento de vendas Orçamento de vendas Folha de Pagamento Folha de Pagamento Folha de Pagamento Folha de Pagamento orç. CIF variável orç. CIF variável orç. CIF variável orç. CIF variável orç. CIF vendas orç. CIF vendas orç. CIF vendas orç. CIF vendas orç. CIF vendas + adm. orç. CIF vendas + adm. orç. CIF vendas + adm. orç. CIF vendas + adm. orç. CIF vendas + adm. orç. CIF vendas + adm. orç. CIF vendas + adm. orç. CIF vendas + adm. Contas a pagar demais despesas Contas a pagar demais despesas Contas a pagar demais despesas Contas a pagar demais despesas Contas a pagar demais despesas Contas a pagar demais despesas Contas a pagar demais despesas Contas a pagar demais despesas Contas a pagar demais despesasContas a pagar demais despesas Contas a pagar demais despesas Contas a pagar demais despesas soma (2) a (13) soma (2) a (13) soma (2) a (13) soma (2) a (13) (1) - (14) (1) - (14) (1) - (14) (1) - (14) orç. Desp. Financeiras orç. Desp. Financeiras orç. Desp. Financeiras orç. Desp. Financeiras orç. Rec. Financeiras orç. Rec. Financeiras orç. Rec. Financeiras orç. Rec. Financeiras DRE DRE DRE DRE (15) - (16) + (17) - (18) (15) - (16) + (17) - (18) (15) - (16) + (17) - (18) (15) - (16) + (17) - (18) orç. Desp. Financeiras orç. Desp. Financeiras orç. Desp. Financeiras orç. Desp. Financeiras orç. Rec. Financeiras orç. Rec. Financeiras orç. Rec. Financeiras orç. Rec. Financeiras (19) - (20) + (21) (19) - (20) + (21) (19) - (20) + (21) (19) - (20) + (21) 500.000 Saldo 1º trimestre Saldo 2º trimestre Saldo 3º trimestre (22) + (23) (22) + (23) (22) + (23) (22) + (23) orç. Rec. Financeiras orç. Rec. Financeiras orç. Rec. Financeiras orç. Rec. Financeiras (24) - (25) (24) - (25) (24) - (25) (24) - (25) 70 Unisa | Educação a distância E agora podemos projetar o fluxo de caixa, veja como ficou o primeiro trimestre. Com a projeção dos demonstrativos, encerramos o orçamento empresarial. Na próxima unidade, vamos abordar o orçamento de capital, vamos falar do orçamento de projetos de longo prazo. 3 ICMS 1 Recebimentos de vendas RECEBIMENTOS PAGAMENTOS 7 Propaganda 8 Aluguel 9 Material de expediente 4 Folha de pagamento 10 Viagens e representações 11 Seguros 12 Comunicações e energia 6 Serviços de terceiros 13 Outros custos e despesas 14 TOTAL Fluxo de caixa projetado 2 Matéria-prima 5 Materiais diversos 1ºtrim. 16 Pagamento de juro 20 Amortização empréstimos 21 Resgate principal aplicações 17 Saque de rendimentos 23 Saldo inicial 25 Aplicações 18 Imposto de Renda sobre Lucros 2.375.750 1.033.589 459.270 324.455 5.530 20.983 5.744 13.952 850 13.046 3.672 13.468 9.709 1.904.268 471.482 (132.300) 47.400 (76.092) 310.491 (400.000) 2.500.000 2.410.491 100.000 2.510.491 (2.400.000) 110.491 Disponível em: http:// www.unicruz.edu.br/ site/cursos/contabeis/ artigos/Artigos%20 2014/Planejamento%20 financeiro,%20para%20 fins%20gerenciais,%20 em%20uma%20 empresa%20do%20 ramo%20de%20%20 comercio%20e%20 servicos.pdf. Acesso em: 17 jun. 2016. ARTIGO Orçamento Empresarial 71 Nesta unidade, aprendemos que: o orçamento de caixa é o reflexo do orçamento econômico (orçamento de receita, custos e despesas), pois ele deve considerar as entradas e saídas de caixa quando realmente ela ocorrerá, ou seja, respeitando os prazos de recebimentos e pagamentos. Com isso será necessário verificar os saldos do caixa. Caso haja excesso no caixa, os valores devem ser programados para aplicação e não deixar o saldo em excesso parado; o mesmo deve ser feito quando ocorre a escassez no caixa, mas nesse caso deve ser pro- gramada a cobertura desse caixa, ou seja, captar empréstimos bancários para cobertura dos valores e saldos negativos do caixa; para finalizar esse processo, projetamos as demonstrações de fluxo de caixa, demonstra- ção de resultado do exercício e as contas do balanço patrimonial. RECAPITULANDO É a sua vez de calcular as projeções para os trimestres que faltam para: Demonstração de Resultados (DRE); contas a receber, contas a pagar matéria-prima e orçamento de caixa. EXPLORANDO SEU CONHECIMENTO Orçamento Empresarial 73 6 ORÇAMENTO DE CAPITAL Objetivos de aprendizagem Compreender que é necessária a elaboração do orçamento de capital para concluir o plano orçamentário; Entender a relação entre o orçamento de capital e as decisões de inves- timento e financiamento da empresa; Entender que as decisões de investimentos devem ser fundamentadas em análises prévias para verificar se haverá retorno adequado do in- vestimento; Conhecer as principais técnicas de análise de viabilidade que incorpo- ram o conceito do valor do dinheiro no tempo. Orçamento de capital é o processo que consiste em avaliar e selecionar investi- mentos de longo prazo que estejam consistentes com o planejamento estratégi- co da empresa, visando maximizar a riqueza dos proprietários. Em geral, esses investimentos estão relacionados ao ativo imobilizado (máquinas, equipamentos e instalações, por exemplo) ou a investimentos estratégicos em outras empresas (aquisição de participação societária em clientes, fornecedores etc.). Podemos dizer, de maneira geral, que os investimentos de longo prazo representam gran- des desembolsos de recursos, normalmente obtidos com terceiros por meio de financiamentos. A geração de riqueza é a base dos motivos que levam as empresas a realizarem investimentos, buscando um retorno lucrativo e sustentável. Para que haja a cria- ção de valor ou riqueza, os retornos desses investimentos deverão ser superiores ao custo dos capitais neles empregados. Isso fará com que os valores líquidos dos resultados sejam positivos e agregará riqueza para o investidor e para o próprio investimento (GITMAN, 2011). O custo do capital empregado em cada investimento leva em consideração o risco financeiro e econômico que está envolvido na incerteza de cada projeto e das formas de financiamento utilizadas. Nesta unidade, vamos estudar as necessidades de investimentos para ampliação da capacidade produtiva da empresa ou melhoria das suas instalações. São operações que envolvem a captação de recursos de valores mais elevados, com amortização em longo prazo, por isso é necessária a elaboração de projetos para analisar a viabilidade desses investimentos. 6.1 Orçamento de capital e investimentos 74 Unisa | Educação a distância Fatores como o alto custo do capital, a escassez de recursos, no seu sentido mais amplo, e a busca pela rentabilidade e geração de riqueza são preponderan- tes para que investimentos realizados sejam previamente analisados e mensura- dos exaustivamente, prevenindo fracassos, perda financeira e patrimonial, tanto dos projetos quanto dos agentes investidores. A análise econômica, rígida e criteriosa, de um projeto de investimento é base para sua realização, prevenindo empirismos causadores de fracassos imediatos. Pontos como custo do capital, custos operacionais, preços, rentabilidade, mar- gens, oportunidades, volumes operados, taxas de risco, taxas de atratividade são alguns itens indispensáveis a uma boa avaliação, que visa diminuir as incertezas e maximizar a criação de valor para investidores, sociedade e para a perpetuação do projeto realizado. Essa análise é passível de ser elaborada segundo diversos enfoques, reverten- do-se em vários indicadores que demonstram a viabilidade ou não de cada inves- timento. Indicadores como Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR) e payback são utilizados nessas análises, visando demonstrar a viabilidade de um único investimento ou, através da comparação, demonstrar qual entre dois ou mais investimentos será o de melhor retorno ou de retorno mais rápido. Dois conceitos são relevantes no uso de indicadores com a utilização de fluxos de caixa descontados: Taxa Mínima de Atratividade (TMA): é a taxa mínima de juros que o in- vestidor pretende conseguir como rendimento ao optar e realizar certo investimento para o nível de risco escolhido. Corresponde, na prática, à taxa oferecida pelo mercado para uma aplicação de capital, como a caderneta de poupança, depósitos a prazo fixo e outros. Assim, se um investimento propiciar uma rentabilidade abaixo do rendimento des- sas formas de aplicação de capital, ele não será atrativo ao investidor. Custo de oportunidade: é utilizado como referência na análise de inves- timentos, como parâmetro de rentabilidade de projetos, demonstran- do o ganho real de um investimento como sendo a diferença entre a sua taxa interna de retorno e a taxa de maior capacidade contributiva ao mesmo capital investido em outra atividade, seja ela produtiva ou especulativa. Na prática, a utilização desses conceitos é feita de maneira simultânea. Os conceitos acabam sendo tratados como semelhantes já que ambos representam um sacrifício de recursos feito pela empresa no presente na expectativa de resul- tados futuros. Orçamento Empresarial 75 O período de payback máximo aceitável é definido pela direção da empresa, tomando por base uma série de fatores, tais como: tipo de projeto (expansão, substituição, renovação e outros) e percepção de risco do projeto. A alta administração da empresa acredita que obter retornos nesse prazo re- sultará em decisões de investimento que gerarão valor para a empresa. É o período de tempo necessário para que a empresa recupere o investimento inicial de um projeto, calculado a partir das entradas de caixa. No caso de anuidade, basta dividir o valor do investimento inicial pelo valor da entrada de caixa anual. Em se tratando de séries mistas, as entradas de caixa de- vem ser acumuladas até a recuperação do investimento inicial (GITMAN, 2010). Quando utilizado o período de payback para decisão, os critérios aplicados são: Período de payback menor do que o período máximo aceitável: aceitar; Período de payback menor do que o período máximo aceitável: rejeitar. O orçamento de capital leva em conta a existência de dois tipos de projetos: Independentes Mutuamenteexcludentes Projetos que competem entre si, pois possuem a mesma função. A aceitação ou rejeição de qualquer um dos projetos não elimina a análise dos demais. A aceitação de um projeto elimina os demais. A empresa tem recursos disponíveis para mais de um projeto. 6.2 Indicadores para análise de viabilidade 6.2.1 Período de payback 76 Unisa | Educação a distância Que tal um exemplo para conhecer melhor esse indicador? A empresa Talheres de Plásticos avalia o investimento num novo equipamento para ampliar a produção. O valor do investimento é $ 1.000.000,00 e há duas opções de fluxos de caixas (entradas). Na opção A, o investimento é totalmente recuperado no 4º ano com saldo de $ 250.000, enquanto a opção B apresenta um saldo maior no 5º ano, porém ainda absorve $ 70.000 do ano 4. A decisão sobre qual é a melhor opção deve ser tomada considerando o prazo máximo estabelecido pela empresa para retorno do investimento. ano 1 ano 2 ano 3 ano 4 ano 5 A: anuidades 250.000 saldo 250.000 250.000 250.000 250.000 (750.000) (500.000) (250.000) - 250.000 (1.000.000)investimento ano 1 ano 2 ano 3 ano 4 ano 5 190.000 210.000 230.000 300.000 350.000 (810.000) (600.000) (370.000) (70.000) 280.000 (1.000.000)investimento B:entradas mistas saldo Os fluxos de caixa representam as entradas e saídas esperadas como resultado do investimento em um determinado projeto. Na análise de viabilidade, consideramos as entradas líquidas de caixa para comparar com o investimento inicial no projeto. “ ”A popularidade desse método resulta de sua simplicidade de cálculo. Tam- bém é interessante por considerar o fluxo de caixa e não o lucro contábil. Quanto maior for o tempo previsto para recuperar o investimento, maior será a possibili- dade de ocorrerem imprevistos. Por outro lado, prazos menores indicam menor exposição aos riscos. A principal fragilidade desse indicador é o fato de não considerar o valor do dinheiro no tempo. Dessa forma, o ideal é utilizá-lo para filtrar os projetos po- tenciais, reduzindo-os a uns poucos que mereçam avaliação mais cuidadosa por outros indicadores que serão apresentados a seguir. Valor presente ou present value é um conceito matemático que indica o valor atual de uma série uniforme de capitais futuros, descontados a uma determinada taxa de juros compostos, por seus respectivos prazos (GITMAN, 2010). Segundo Hoji (2010), a definição de valor presente líquido é a de uma soma algébrica de fluxos de caixa descontados para o instante presente a uma taxa de juros. Cabe salientar o enfoque dado por cada um dos autores, destacando o concei- to de VPL ao valor atual de uma série de “fluxos de caixa” na segunda definição apresentada. 6.2.2 Valor Presente Líquido (VPL) Orçamento Empresarial 77 Vamos ver melhor o VL num exemplo. A empresa Mesas de Madeira está avaliando dois projetos de investimento (A e B), com investimentos de $ 42.000 e $ 45.000 respectivamente. As entradas de caixa estão na tabela a seguir. Como os dois projetos resultaram em VPL > 0, ambos são aceitáveis. Em caso de projetos excludentes, a opção ideal seria o Projeto A, pois o VPL é maior do que o Projeto B. Caso os valores fossem iguais, o projeto A requer menor investimento que o B. Utilizando a HP12C, temos: Aqui iremos considerar uma combinação entre ambos os conceitos: Valor Pre- sente Líquido (VPL) o valor das somas algébricas de fluxos de caixa futuros, des- contados a uma taxa de juros compostos, em uma determinada data. Nesse caso, a data a ser adotada como referência não necessariamente será o presente, podendo ser uma data futura determinada pelo início dos projetos de investimentos analisados. Esse indicador, utilizado em análises de investimentos, possibilita o exame da viabilidade somente de um projeto, se este propicia o retorno mínimo esperado, caso em que o VPL retornará um valor acima de 0 (zero). Ele permite, ainda, com- paração entre projetos de investimentos distintos, ordenados segundo o valor apurado através do cálculo desse indicador. Existe fórmula específica para cálculo do VPL, no entanto, o uso de calculadora financeira substituiu o uso de fórmulas nas aulas. Projeto A Projeto B 14.000 5 10 Resultado Resultado 42.000 CHS CFo Nj i i NPV NPV 11.071,01 CFo Nj 10.924,40 28.000 12.000 10.000 3 10 45.000 CHS g g g g g g f f g g 1 2 3 4 5 Projeto AP rojeto BAno 14.000 14.000 14.000 14.000 14.000 28.000 12.000 10.000 10.000 (42.000) (45.000)0 10.000 78 Unisa | Educação a distância 6.2.3 Taxa Interna de Retorno (TIR) É a mais usada das técnicas para análise de investimentos empresariais, embora seja mais difícil de calcular à mão. No entanto, com o uso intensivo de calculado- ras financeiras e de softwares de cálculo como o Excel, seu uso está amplamente difundido. A TIR consiste na taxa de desconto que faz o VPL de um investimento ser igual a 0 (zero), já que o valor presente das entradas é igualado ao do investimento inicial. É a taxa de retorno anual composta que a empresa obterá se investir no projeto e receber as entradas de caixa. Para decidir quanto à aceitação de projetos utilizando a TIR, os critérios são: Se a TIR for maior do que o custo de capital: aceitar o projeto; Se a TIR for menor do que o custo de capital: rejeitar o projeto. Vamos utilizar o mesmo exemplo do VPL para a TIR. Utilizando a HP12C, temos: Pela análise da TIR, os dois projetos são aceitáveis, pois resultam em taxa maior do que o custo de capital de 10%. A princípio, o projeto mais adequado seria o B (21,5%), maior do que o A (19,9%), conclusão diferente da baseada no VPL. Esses conflitos não são raros, pois o uso dos dois indicadores não garante uma classificação igual para os projetos. No entanto, ambos devem indicar se os projetos são aceitáveis ou não. Projeto A Projeto B 14.000 5 Resultado Resultado 42.000 CHS CFo Nj IRR IRR 19,9% aa CFo Nj 21,7% aa 28.000 12.000 10.000 3 45.000 CHS g gg g g g f f g g As evidências sugerem que os administradores das grandes empresas esco- lhem usar o método da TIR, pois preferem tomar decisões com base em taxas de retorno em vez de tomá-las baseados em dinheiro puro de retorno. Orçamento Empresarial 79 No universo da administração financeira e da controladoria, é comum se ci- tar frequentemente as taxas de juros, as medidas de lucratividade e assim por diante, como taxas anuais de retorno, por isso o uso da TIR faz sentido para os responsáveis pelas decisões nas empresas. Eles tendem a achar o VPL mais difícil de usar, porque ele não mede, na realidade, os benefícios relativos ao montante investido. Ao contrário, a TIR dá muito mais informações para quem vai tomar uma decisão de investimento ao lhe prover dados sobre os benefícios relativos ao investimento inicial. Embora o VPL seja teoricamente preferível, a TIR é mais popular devido ao fato de os responsáveis pelas decisões financeiras poderem relacioná-la direta- mente aos dados disponíveis de decisão (GITMAN, 2010). Os indicadores que estudamos até aqui devem ser utilizados de maneira combi- nada para que a análise dos projetos de investimento resulte em maior seguran- ça, pois muitos processos de avaliação de investimento podem apresentar incer- tezas com relação a certas variáveis, como preços de vendas, demandas, custos fixos e variáveis, legislação tributária, custo de capital, entre outras. A inviabilidade de se experimentar um investimento reside no fato de que cada investimento exige um desembolso de capital e, ainda, as condições do in- vestimento, que devem ser consideradas constantes, não podem assim ser man- tidas. Por isso faz-se necessário o uso das técnicas de simulação, o que sob certas condições, levam a resultados satisfatórios quanto à análise dos projetos. Vamos conhecer duas dessas técnicas de simulação que podem ser utilizadas para aumentar a segurança na análise e seleção de projetos de investimentos: análise de sensibilidade e análise de cenários. A análise de sensibilidade é feita por meio de simulações para diferentes variáveis do projeto que constituem as maiores fontes de incertezas no futuro, tais como preço e volume de vendas, custos de produção, taxa de câmbio e as condições de financiamento do projeto, determinando-se o impacto dessas alterações na rentabilidade do investimento. Essa técnica analisa o efeito, nos indicadores de VPL, TIR e payback, de prová- veis mudanças em variáveis relevantes do projeto. Podemos acompanhar e estudar melhor a análise de sensibilidade com um exemplo. 6.3 Técnicas combinadas de análise de viabilidade 6.3.1 Análise de sensibilidade 80 Unisa | Educação a distância No final do Ano 0, você está analisando a viabilidade de um projeto para a aquisição de uma máquina com as seguintes informações: Vida útil esperada: 10 anos. Custo atual do investimento: $ 300.000,00 Preço unitário de venda projetado: $ 20,00 Quantidade vendida estimada por ano: $ 10.000 Custo unitário de mão de obra: $ 6,00 Custo unitário de materiais: $ 8,00 Custo do capital: 12% a.a. A primeira etapa da análise consiste na elaboração do fluxo de caixa do pro- jeto. Como a máquina tem vida útil de 10 anos, consideramos que a empresa terá entradas líquidas de caixa anuais de R$ 60.000,00 por 10 anos. Agora, basta utilizar as informações para calcular o payback, Valor Presente Lí- quido (VPL) e Taxa Interna de Retorno (TIR) do projeto, conforme já aprendemos no início desta unidade. Confira os resultados a seguir: Com esse resultado, o projeto se mostra atrativo, uma vez que o VPL é positivo e a TIR de 15,10% a.a. é superior ao custo de capital de 12% a.a. Ao analisar a sensibilidade das variáveis do projeto, a empresa concluiu que o preço e o custo de mão de obra são aqueles que podem sofrer mais alterações: o preço pode cair cerca de 10% e o custo unitário de mão de obra pode sofrer aumento de 10%. Dessa forma, é necessário recalcular os indicadores do projeto considerando as prováveis mudanças dessas variáveis. Quantidade de vendas Receita de vendas ($) Custos operacionais ($) Mão de obra ($) Materiais ($) Resultado líquido anual ($) 1DADOS/PERÍODO 10.000 200.000 140.000 60.000 8,00 20,00Preço unitário ($) 6,00 VPL TIR 39.013,38 15,10% a.a. 5 anosPayback Orçamento Empresarial 81 Com base nesse novo resultado, os indicadores serão alterados para: Com base nesse novo resultado, os indicadores serão alterados para: É possível perceber que, mesmo com VPL positivo, a TIR fica muito pouco aci- ma do custo de capital, o que torna o resultado bastante arriscado. Perceba que apenas uma queda de 10% no preço já torna o projeto inviável, pois o VPL seria negativo e a TIR de 5,60% a.a. seria inferior ao custo do capital de 12% a.a. Análise de sensibilidade 1: Redução de 10% no preço unitário de vendas, o que resultará num novo fluxo de caixa conforme segue. Análise de sensibilidade 2: Aumento de 10% no custo unitário de mão de obra, o que resultará num novo fluxo de caixa conforme segue. Quantidade de vendas Receita de vendas ($) Custos operacionais ($) Mão de obra ($) Materiais ($) Resultado líquido anual ($) 1DADOS/PERÍODO 10.000 200.000 146.000 54.000 8,00 20,00Preço unitário ($) 6,60 Quantidade de vendas Receita de vendas ($) Custos operacionais ($) Mão de obra ($) Materiais ($) Resultado líquido anual ($) DADOS/PERÍODO 10.000 180.000 140.000 40.000 8,00 18,00Preço unitário ($) 6,00 Payback VPL TIR 12,41% a.a. 5.112,04 5 anos, 6 meses e 20 dias Payback VPL TIR 5,60% a.a. (73.991,08) 7 anos e 6 meses 82 Unisa | Educação a distância Veja que os resultados da análise de sensibilidade podem, de forma signifi- cativa, direcionar os recursos para as variáveis de grande influência, quando se objetivam melhorias na atratividade do investimento. Trata-se de um projeto bastante sensível a qualquer alteração nas condições do ambiente. Se a empresa precisar dar descontos para vender, ou se precisar aumentar os salários para obter mão de obra qualificada, o projeto torna-se inviável. A análise de cenários é um processo de análise de possíveis eventos futuros, con- siderando alternativas para possíveis resultados (cenários). Assim, a análise de cenários, que é um dos principais métodos de projeção, não tenta mostrar uma imagem exata do futuro. Em vez disso, ela apresenta várias alternativas possíveis do que poderá ser encontrado no futuro de acordo com o quadro atual e os pros- pectos. De maneira geral, a combinação de cenários mais utilizada é a que apresenta três opções: A partir do cenário neutro ou mais provável, são simuladas alterações em duas ou mais variáveis para os cenários otimista e pessimista. Assim como na análise de sensibilidade, os responsáveis pela elaboração da análise do projeto selecio- nam as variáveis de acordo com as incertezas que estão relacionadas à empresa e seu contexto. 6.3.2 Análise de cenários Ce ná rio n eu tr o Também chamado de mais provável e, de maneira geral, é o que apresenta maior possibilidade de ocorrência. Ce ná rio o tim is ta Ce ná rio p es si m is ta Que conclusão podemos extrair da análise de sensibilidade do projeto? Orçamento Empresarial 83 Para cada um dos três cenários, de acordo com as análises do ambiente eco- nômico atual e futuro, são estabelecidos percentuais de probabilidade de ocor- rências de cada cenário. A soma dos percentuais deve ser 100%. Por exemplo, neutro: 65%, pessimista: 20%, otimista: 15%. Cenário otimista A empresa entende que, em condições mais favoráveis de economia, é possível aumentar o lucro em 10% e ainda assim vender uma quantidade 10% maior.Nesse cenário, o fluxo de caixa e os indicadores seriam: Cenário pessimista Caso a economia apresente condições desfavoráveis, a empresa entende que deverá dar 10% de desconto no preço para manter um volume de vendas 10% menor. Nesse cenário, o fluxo de caixa e os indicadores seriam: Vamos continuar com o exemplo utilizado na análise de sensibilidade, para o qual já temos o fluxo de caixa do projeto, bem como os indicadores calculados no cenário neutro. Quantidade de vendas Receita de vendas ($) Custos operacionais ($) Mão de obra ($) Materiais ($) Resultado líquido anual ($) 1DADOS/PERÍODO 10.000 200.000 140.000 60.000 8,00 20,00Preço unitário ($) 6,00 Payback VPL TIR 15,10% a.a. 39.013,38 5 anos Quantidade de vendas Receita de vendas ($) Custos operacionais ($) Mão de obra ($) Materiais ($) Resultado líquido anual ($) 1DADOS/PERÍODO 11.000 242.000 154.000 88.000 8,00 22,00Preço unitário ($) 6,00 Payback VPL TIR 26,55% a.a. 197.219,63 3 anos,4 meses e 27 dias 84 Unisa | Educação a distância Quantidade de vendas Receita de vendas ($) Custos operacionais ($) Mão de obra ($) Materiais ($) Resultado líquido anual ($) 1DADOS/PERÍODO 9.000 162.000 126.000 36.000 8,00 18,00Preço unitário ($) 6,00 Payback VPL TIR 3,46% a.a. (96.591,97) 8 anos e 4 meses 1 Cenário Probabilidade (1) Payback (2) Ponderação (2 X 1) Payback ponderado (anos) 2 3 0,65 0,1 0,25 5 3,41 8,4 3,25 0,34 2,10 5,69 1 Cenário Probabilidade (1) VPL (2) Ponderação (2 X 1) VPL ponderado ($) 2 3 0,65 0,1 0,25 39.013,38 197.219,63 (96.591,97) 25.358,70 19.721,96 (24.147,99) 20.932,67 1 Cenário Probabilidade (1) TIR (2) Ponderação (2 X 1) TIR ponderada (% a.a) 2 3 0,65 0,1 0,25 15,1 26,55 3,46 9,82 2,66 0,87 13,34 Cenário pessimista Caso a economia apresente condições desfavoráveis, a empresa entende que deverá dar 10% de desconto no preço para manter um volume de vendas 10% menor. Nesse cenário, o fluxo de caixa e os indicadores seriam: Ponderação de cenários Para tomada de decisão, deve-se projetar a probabilidade de ocorrência dos três cenários, ponderando os resultados obtidos em cada um de maneira a refletir a combinação entre eles. Para o projeto em análise, foram projetadas as seguintes probabilidades: cenário neutro – 65%, cenário otimista – 10%, cenário pessimista – 25%. Com essa combinação e cenários, os resultados ponderados estão na tabela a seguir: Orçamento Empresarial 85 Há várias opções de planilhas que auxiliam a elaborar cenários e simular condições diferentes para uma avaliação mais consistente de projetos de investimentos. No link abaixo você encontrará uma dessas opções para download gratuito, o modelo para análise e simulação de cenários financeiros. Disponível em: http:// materiais.treasy.com. br/modelo-simulacao- de-cenarios. Acesso em: 18 jun. 2016. LINK Veja que, com a análise de cenários, é possível obter uma configuração mais precisa do projeto, ajustando os indicadores de acordo com a possibilidade de ocorrência de cada cenário. Com essa configuração, os tomadores de decisão podem selecionar os projetos com maior segurança, uma vez que as variáveis econômicas e suas possibilidades futuras já estão contempladas nos indicadores calculados para o projeto. Nesta unidade, estudamos que: O orçamento empresarial normalmente é finalizado com o orçamento de capital, ins- trumento que permite avaliar projetos de investimentos de longo prazo que envolvem recursos de maior valor; Os principais indicadores utilizados no orçamento de capital são o período de payback, o Valor Presente Líquido (VPL) e a Taxa Interna de Retorno (TIR); A análise de sensibilidade mede o quanto os projetos são sensíveis a alterações no con- texto empresarial que resultam em modificações das variáveis e dos resultados do pro- jeto; A análise de cenários simula modificações no cenário econômico que podem impactar de maneira favorável ou desfavorável as variáveis do projeto e, em consequência, os seus resultados. RECAPITULANDO 86 Unisa | Educação a distância 1. Carlos é analista financeiro de uma empresa e acaba de dar seu parecer sobre a compra de uma nova máquina para a empresa. O custo da máquina seria de R$ 1.500.000,00, com vida útil de 10 anos. O Valor Presente Líquido do projeto é de R$ 1.500,00. O parecer de Carlos é contrário à aceitação do projeto. Por que Carlos recusou o projeto com VPL > 0? 2. Você está analisando a viabilidade de um investimento em que o empresário poderia utilizar o recurso a ser investido numa máquina em títulos do Tesouro Nacional com rentabilidade anual de 8,5%. I. O cálculo da TIR mostra um retorno do investimento na máquina de 9,0% a.a., portanto, o empresário deverá recusar o investimento. II. A TIR calculada corresponde ao valor da TMA. III. Para o empresário aceitar investir nesse projeto, a rentabilidade deveria ser, no mínimo, igual ao retorno dos títulos. IV. O custo de oportunidade do projeto é de 9,0% a.a. É correto afirmar que: a) Apenas as afirmativas I e II estão corretas. b) Apenas as afirmativas II e IV estão corretas. c) Todas as afirmativas estão corretas. d) Todas as afirmativas estão incorretas. 3. Em relação ao payback, assinale (V) para proposições verdadeiras e (F) para as falsas. I. Representa a taxa de retorno do projeto de investimento. II. Indica o tempo máximo de retorno do investimento. III. Se a vida útil do equipamento for de 8 anos e o payback for de 7 anos, seguramente o projeto é um bom investimento, pois recupera o capital dentro do prazo de vida útil do equipamento. IV. Para classificar projetos, quanto menor o período de payback, melhor. A sequência correta é: a) V, V, F, V. b) V, F, F, V. c) F, V, F, V. d) V, F, V, F. 4. Um projeto envolve investimento no valor de R$ 1 milhão e entradas de caixa anuais de: R$ 500 mil, R$ 300 mil, R$ 250 mil e R$ 150 mil. O custo do capital é de 15% a.a. Com base nos indicadores TIR e VPL, você considera esse projeto viável? EXPLORANDO SEU CONHECIMENTO Orçamento Empresarial 87 RESPOSTAS COMENTADAS Unidade 1 1. Porque, ao mesmo tempo em que o orçamento funciona como um plano que engloba os fatores futuros da operação traduzidos em termos econômico-financeiros, também define as normas e estabelece os parâmetros para controle, servindo como base para comparar números estimados (orçados) e o desempenho real da organização. 2. A inflação elevada significa aumento desordenado de todos os preços do mercado, dessa forma, há grande dificuldade em se elaborar projeções futuras com nível razoável de confiabilidade. A execução se torna comprometida, pois projeções inadequadas dificilmente podem ser cumpridas e o controle resultará numa discrepância grande entre valores orçados e realizados. 3. A ausência de um sistema de informações integrado reduz a qualidade das informações e amplia as possibilidades de erros. Isso resulta numa análise inadequada, e muitas vezes inútil, da relação entre o que foi planejado no orçamento e o que realmente está sendo realizado pela empresa. Unidade 2 Orçamento de vendas da Camisetas ABC Orçamento de quantidades a produzir da Camisetas ABC Quantidade projetada (Unidades) Preço unitário projetado (R$) (-) ICMS 18% Vendas líquidas projetadas Receita bruta projetada ORÇAMENTO DE VENDAS 1º trim.Ano 1 5,40 472.500 2.551.500 (459.270) 2.092.230 5,83 504.000 2.939.328 (529.079) 2.410.249 6,42 583.000 TOTAL 3.740.062 (673.211) 3.066.851 6,42 525.000 3.367.980 (606.236) 2.761.744 12.598.870 (2.267.797) 10.331.073 2º trim. Ano 1 3º trim. Ano 1 4º trim. Ano 1 (94.500) 100.800 116.600 105.000 105.000 478.800519.800 471.400 525.000 (100.800) (116.600) (105.000) 472.500 504.000 583.000 525.000 1º trim. Ano 1 2º trim. 3º trim. 4º trim. Quantidades a Produzir 5 88 Unisa | Educação a distância Unidade 3 Orçamento de matérias-primas Orçamento de mão de obra direta Orçamento de custos indiretos de fabricação Tecido Acabamentos Embalagem Matérias-primas a consumir 1º trim. 0,80 0,15 1 383.040 71.820 478.800 415.840 77.970 519.800 457.120 85.710 571.400 420.000 478.800 519.800 571.400 525.000 78.750 525.000 Quantidades a produzir 2º trim. 3º trim. 4º trim. Tecido Acabamentos Embalagem 1º trim. 3,0750 1,8450 0,1538 3,1519 1,8911 0,1576 3,2307 1,9384 0,1615 3,3114 1,9869 0,1656 Custo de MP ajustado 2º trim. 3º trim. 4º trim. Tecido Embalagem Orçamento de MP (R$) 1º trim. 1. Consumo 2. Preço unit. líq. 3. Valor total 4. Consumo 5. Preço unit. líq. 6. Valor total 7. Consumo 8. Preço unit. líq. 9. Valor total 11. Acabamentos 13. Total 3,0750 1.177.848 71.820 3,1519 1.310.676 77.970 3,2307 1.476.805 85.710 3,3114 383.040 415.840 457.120 420.000 1.390.804 78.750 132.508 478.800 0,1538 147.451 519.800 0,1576 166.141 571.400 0,1615 156.465 1,8450 1,8911 1,9384 1,9869 525.000 0,1656 1.177.848 132.508 73.616 1.310.676 147.451 81.917 1.476.805 166.141 92.300 1.390.804 73.616 81.917 92.300 86.925 156.465 86.925 1.383.971 1.540.044 1.735.246 1.634.195 2º trim. 3º trim. 4º trim. 1º trim.Orçamento de MOD (R$) qtde. a produzir Horas MOD por produto Total de horas de MOD Custo por hora de MOD Custo total MOD 478.800 0,033 15.800 519.800 0,033 17.153 571.400 0,033 18.865 525.000 0,033 17.253 158.004 171.534 188.562 184.511 10,00 10,00 10,00 10,65 2º trim. 3º trim. 4º trim. Total de horas de MOD Total de horas de MOD Custo unitário de materiais diversos Custo total de materiais diversos Valor por hora Energia elétrica Materiáis diversos Total CIFs variáveis Custo total de energia elétrica Orçamento de CIF variável (R$) 1º trim. 0,2800 4.424 5.530 15.800 15.800 0,3500 4.424 5.530 9.954 2º trim. 0,2800 4.803 6.004 17.153 17.153 0,3500 4.803 6.004 10.807 3º trim. 0,2926 5.517 6.897 18.856 18.856 0,3658 5.517 6.897 12.414 4º trim. 0,2926 5.069 5.069 17.325 17.325 0,3658 5.069 6.337 11.406 Acabamentos Total MP 10. Tecido 12. Embalagem Orçamento Empresarial 89 Salários Administração industrial Serviços de terceiros Material de expediente Outros custos Encargos Sociais Total do departamento Seguros 1º trim. 13.913 10.435 1.236 10.701 433 2.829 39.547 13.913 10.435 1.236 10.701 433 2.829 39.547 13.913 10.435 1.236 10.701 433 2.829 39.547 14.817 11.113 1.335 11.236 455 2.971 2º trim. 3º trim. 4º trim. Salários Serviços de terceiros Material de expediente Outros custos Encargos Sociais Total do departamento Seguros 27.280 20.460 2.423 20.983 850 5.547 77.544 27.280 20.460 2.423 20.983 850 5.547 77.544 27.280 20.460 2.423 20.983 850 5.547 77.544 29.053 21.790 2.617 22.032 892 5.825 82.210 Salários Manutenção Industrial Serviços de terceiros Material de expediente Outros custos Encargos Sociais Total do departamento Seguros 13.367 10.025 1.187 10.282 416 2.718 37.996 13.367 10.025 1.187 10.282 416 2.718 37.996 13.367 10.025 1.187 10.282 416 2.718 37.996 14.236 10.677 1.282 10.796 437 2.854 40.283 Total CIFs Variáveis Total CIFs Orçamento de CIF TOTAL (R$) 1º trim. 77.544 87.498 9.954 2º trim. 77.544 88.350 10.807 3º trim. 77.544 89.958 12.414 4º trim. 82.210 93.616 11.406 41.927 90 Unisa | Educação a distância Unidade 4 Orçamento de despesas operacionais Orçamento de receitas e despesas financeiras Saldo inicial Amortização 1º trim. 5.400.000 132.300 (400.000) 5.132.300 5.132.300 123.688 (400.000) 4.855.988 4.855.988 115.087 (400.000) 4.571.075 4.571.075 106.049 (400.000) 4.277.124 Taxa de juros (% a.t) 2,45% 2,41% 2,37% 2.32% 2º trim. 3º trim. 4º trim. Saldo inicial Rendimento Resgate do principal Saque do rendimento 1º trim. 2.500.000 59.250 (2.500.000) (47.400) 2.411.850 55.473 (2.411.850) (44.378) 2.161.095 42.790 (2.161.095) (34.232) 2.008.558 40.171 (2.008.558) (32.137) Taxa de juros (% a.t) 2.37% 2,30% 1,98% 2.00% 2º trim. 3º trim. 4º trim. Aplicação 2.400.000 2.411.850 2.150.000 2.161.095 2.000.000 2.008.558 2.142.000 2.150.034 9.487 24.620 Juros Orçamento Empresarial 91 Unidade 5 Demonstração de Resultados (DRE) projetada Contas a receber Contas a pagar matéria-prima 1 RECEITA OPERACIONAL BRUTA 5 MP 6 MOD 7 CIF 2 (-) DEDUÇÕES ICMS 8 (=) LUCRO BRUTO 9 (-) DESPESAS OPERACIONAIS 10 DESPESAS DE VENDAS 4 (-) CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS 11 DESPESAS ADMINISTRATIVAS 14 (+) RECEITAS DE JUROS 15 (-) DESPESAS DE JUROS 16 (=) LUCRO ANTES DOS IMPOSTOS (LAIR) 17 (-) IMPOSTOS SOBRE LUCROS (34%) 18 (=) LUCRO LÍQUIDO 12 (=) LUCRO ANTES DOS JUROS E IMPOSTOS (LAJIR) 13 (-/+) DESPESAS FINANCEIRAS Demonstrações de Resultados (DRE) 3 (=) RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA 4º trim. (606.236) 2.761.744 184.511 3.367.980 1.634.195 93.616 849.422 92.774 (176.639) 83.864 672.783 (65.878) 40.171 (106.049) 606.905 (206.348) 400.557 TOTAL (2.267.797) 10.331.073 702.611 12.598.870 (7.355.489) 6.293.456 359.421 2.975.585 354.504 (675.236) 320.732 2.300.349 (279.441) 197.683 (477.124) 2.020.908 (687.109) 1.333.799 3º trim. (673.211) 3.066.851 188.562 3.740.062 (2.013.765) 1.735.246 89.958 1.053.085 87.540 (166.496) 78.956 886.589 (72.297) 42.790 (115.087) 814.292 (276.859) 537.433 2º trim. (529.079) 2.410.249 171.534 (1.799.928) 1.540.044 88.350 610.321 87.239 (166.194) 78.956 444.126 (68.216) 55.473 (123.688) 357.911 (127.810) 248.101 1º trim. (459.270) 2.092.230 158.004 2.551.500 (1.629.473) 1.383.971 87.498 462.757 86.951 (165.907) 78.956 296.850 (73.050) 59.250 (132.300) 223.800 (76.092) 147.708 1º trim. saldo dez/ano 0 4º trim. TOTAL 2º trim. 3º trim. Contas a receber MP dotrimestre 1.383.971 1.540.044 1.735.246 1.634.195 553.589 1.033.589 616.018 1.446.400 800.000 480.000 924.026 694.098 1.618.125 1.041.147 653.678 1.694.825 2º trim.1º trim. 3º trim. 4º trim. 1º trim. saldo dez/ano 0 4º trim. TOTAL 2º trim. 3º trim. Contas a receber faturamento do trimestre 2.552.500 2.939.328 3.740.062 3.367.980 1.275.750 2.375.750 1.275.750 1.469.664 2.745.414 2.200.000 1.100.000 1.469.664 1.870.031 3.339.695 1.870.031 1.683.990 3.554.021 2º trim.1º trim. 3º trim. 4º trim. (1.912.322) 2.939.328 1 pagar 830.383 92 Unisa | Educação a distância 3 ICMS 1 Recebimentos de vendas RECEBIMENTOS PAGAMENTOS 7 Propaganda 8 Aluguel 9 Material de expediente 4 Folha de pagamento 10 Viagens e representações 11 Seguros 12 Comunicações e energia 6 Serviços de terceiros 13 Outros custos e despesas 14 TOTAL Fluxo de caixa projetado 2 Matéria-prima 5 Materiais diversos 1ºtrim. 2ºtrim. 3ºtrim. 4ºtrim. 16 Pagamento de juro 20 Amortização empréstimos 21 Resgate principal aplicações 17 Saque de rendimentos 23 Saldo inicial 25 Aplicações 18 Impostode Renda sobre Lucros 2.375.750 1.033.589 1.618.125 1.694.825 2.745.414 3.339.695 3.554.021 459.270 529.079 673.211 606.236 324.455 337.985 355.013 361.781 5.530 6.004 6.897 6.337 20.983 20.983 20.983 22.032 5.744 6.032 6.333 6.650 13.952 13.952 13.952 14.649 850 850 850 892 13.046 13.046 13.046 13.698 3.672 3.672 3.672 3.966 13.468 13.847 14.561 14.565 9.709 9.709 9.709 10.194 1.904.268 2.401.558 2.736.351 2.755.827 471.482 343.856 603.344 798.193 (132.300) (123.688) (115.087) (106.049) 47.400 44.378 34.232 32.137 (76.092) (127.810) (276.859) (206.348) 310.491 136.736 245.629 517.934 (400.000) (400.000) (400.000) (400.000) 2.500.000 2.411.850 2.161.095 2.008.558 2.410.491 2.148.586 2.006.724 2.126.492 100.000 110.491 109.077 115.800 2.510.491 2.259.077 2.115.800 2.242.292 (2.400.000) (2.150.000) (2.000.000) (2.142.000) 110.491 109.077 115.800 100.292 Orçamento de caixa 1.446.400 Orçamento Empresarial 93 Unidade 6 1. Carlos recusou o projeto, mesmo com VPL maior do que 1, pois trata-se de um projeto com risco elevado. São necessários 10 anos para que um investimento de R$ 1,5 milhão proporcione retorno de apenas R$1,5 mil. 2. Resposta correta D, pois a TIR representa o retorno do projeto, não a taxa mínima de atratividade (afirmação II) ou o custo de oportunidade (afirmação IV). Para aceitar projetos com base na TIR, ele deve ser maior do que o retorno dos títulos. Como 9% a.a. é superior a 8,5% a.a., o projeto deve ser aceito e não recusado. 3. Resposta correta B, pois o payback não é a taxa de retorno do projeto de investimento, mas uma indicação do tempo máximo de retorno do investimento, portanto, quanto menor o payback, melhor. Em relação ao payback de 7 anos para um equipamento com vida útil de 8 anos, não é possível afirmar que sejam um bom investimento. Restará apenas um ano para o projeto apresentar rentabilidade, haja vista que os primeiros 7 anos foram apenas para pagar o investimento inicial. 4. O projeto não é viável, pois o VPL é negativo (88.232,25) e a TIR de 9,59% a.a. é menor do que o custo do capital de 15% a.a. 94 Unisa | Educação a distância REFERÊNCIAS BRAGA, R. Fundamentos e técnicas da administração financeira. São Paulo: Atlas, 2006. FREZZATTI, F. Orçamento empresarial. São Paulo: Atlas, 2005. GITMAN, L. J. Princípios de administração financeira. São Paulo: Harbas, 2001. GROPPELLI, A.A. e NIKBAKHT, E. Administração financeira. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 1998. HIRSCHFELD, H. Engenharia econômica. 4. Ed. São Paulo: Editora Atlas, 1989. HOJI, M. Administração financeira, uma abordagem prática. São Paulo: Atlas, 2007. __________. Administração financeira e orçamentária: matemática financeira aplicada, estratégias financeiras, orçamento empresarial. 9. Ed. São Paulo: Atlas, 2010. LEMES, A. B.; RIGO, C. M. CHEROBIM, A. P. 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