Logo Passei Direto

A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
2 pág.
Dismenorreia

Pré-visualização | Página 1 de 1

Dismenorreia
fluxo menstrual difícil (grego)
● dor pélvica que ocorre antes ou durante o fluxo menstrual
● alta prevalência e atinge maiores índices em mulheres com menos de 20 anos
○ 10% das pacientes tornam-se incapazes de desenvolver suas atividades habituais em decorrência da dor
Classificação
● intensidade: leve, moderada e grave
● etiologia
○ primária (funcional): início após os primeiros
ciclos menstruais ovulatórios normais + não
está associada a nenhuma doença do trato
genital + pode sofrer redução espontânea
significativa de sua intensidade ao redor dos
20 anos de idade (em alguns casos, isso pode
ocorrer após a 1ª gestação)
○ secundária (orgânica): início em qualquer
período da vida reprodutiva e está associada a
algum tipo de alteração do sistema reprodutor
(doenças ou anormalidades anatômicas
canaliculares congênitas ou adquiridas que
resultem em lesões nos órgãos pélvicos) →
endometriose, leiomioma, adenomiose, pólipo endometrial, doença inflamatória pélvica e uso de dispositivo
intrauterino
Etiopatogenia
● endométrio em descamação → liberação de grandes quantidades de prostaglandinas (PGs) e icosanoides →
aumento da atividade do músculo uterino → incremento da força e frequência das contrações miometriais → redução
do fluxo sanguíneo no órgão e hipóxia tecidual → dor
● ácido linolénico e o ácido linoleico são ácidos graxos poli-insaturados de cadeia longa, responsáveis pela resposta
inflamatória e devem permanecer em equilíbrio no organismo em uma relação de 1:1
○ (1) ácido linolénico: ação anti inflamatória
○ (2) ácido linoleico: ação inflamatória
○ (1) e (2): envolvidos na síntese de eicosanoides (metabólitos altamente ativos)
● eicosanoides
○ maior precursor: ácido araquidônico
○ sintetizados a partir de três vias principais nas quais agem as enzimas cicloxigenase (COX), lipoxigenase e
epoxigenase
○ incorporadas nos fosfolípidos da membrana celular, agindo como substrato na síntese das PGs, em especial a PGs
F2α e a COX, que possuem potente ação de vasoconstrição e estímulo da contração da musculatura lisa, que se
associam e geram um quadro de isquemia
○ hipóxia → estímulo das terminações nervosas nociceptoras com indução de dor
● níveis de PGs são 4x + elevados em mulheres com dor menstrual aguda em relação àquelas que apresentam pouca
ou nenhuma dor menstrual
○ mulheres com dismenorreia apresentam níveis endometriais mais altos de prostaglandinas F2a e E2 do que as
mulheres assintomáticas
● mulheres com dismenorreia severa → níveis mais altos de PGs nos primeiros 2 dias do fluxo menstrual
Diagnóstico
● anamnese + exame físico: em geral, são suficiente para o diagnóstico
○ localização, a duração e características da dor, além de fatores de melhora e de piora
● dor menstrual: em geral, tipo cólica
○ início na pelve
○ irradiação para a lombar e face interna das coxas
○ sensação de peso no hipogástrio
○ início antes ou nos 2 primeiros dias do fluxo menstrual (+ intensa)
○ 50% dos casos: acompanhada de náuseas, vômitos, palidez, cefaleia, diarreia, vertigem e desmaio
○ sintomas secundários à resposta
inflamatória (mediada pelas PGs e LTs,
sintetizadas e metabolizadas pelo útero)
● quadros mais severos: podem estar
relacionados a menarca precoce e
duração/volume do fluxo menstrual
aumentado
● fumo: fator predisponente → nicotina →
vasoconstrição + hipóxia miometrial
● dieta rica em gorduras contendo ácidos
graxos omega-6 (esp. ácido aracdônico →
iniciam a cascata de PG e LT no
útero)
● obesidade e consumo de álcool
Tratamento
● analgésicos simples:
paracetamol ou dipirona →
casos iniciais ou quando os
anti-inflamatórios não
esteroidais (AINEs) são contraindicados
● anti-inflamatórios não esteroidais: 70% das mulheres com dismenorreia moderada ou severa melhoram com o uso
dessa classe de medicamento
○ 3- 5 dias de tratamento
○ início: 2 dias antes do início do fluxo menstrual (analgesia preemptiva)
○ efeitos adversos gastrointestinais (náuseas, vômitos e diarreia) podem ocorrer
● anticoncepcionais orais (ACOs): reduzem a espessura endometrial → diminui o sangramento → queda dos níveis de
PGs no soro e no fluido menstrual
● sistema intrauterino de levonorgestrel