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ANÁLISES CLÍNICAS Diabetes mellitus Doença crônica do metabolismo caracterizada pela hiperglicemia no pós-prandial ou jejum devido à falta relativa ou absoluta de insulina. Caracterizada por: Poliúria, polifagia e polidipsia. Sinais e Sintomas: Sintomas Hiperglicemia (Alta de açúcar) Hipoglicemia (Baixa de açúcar) Início Lento Súbito (minutos) Sede Muita Inalterada Urina Muita quantidade Inalterada Fome Muita Muito ou normal Perda de peso Frequente Não Pele Seca Normal ou úmida Mucosa da Boca Seca Normal Suores Ausentes Frequentes e frios Tremores Ausentes Frequentes Fraqueza Presente Sim ou não Cansaço Presente Presente Glicose no sangue Superior a 200mg% 40 a 60mg% ou menos Hálito cetônico Presente ou ausente Ausente Classificação do diabetes (SBD - 2007) I. Diabetes tipo 1 II. Diabetes tipo 2 III. Diabetes gestacional IV. Outros tipos específicos Tipo 1 Tipo 2 20% dos casos 80% dos casos Aparecimento em crianças e jovens Aparecimento na idade adulta e idosos Ausência de insulina por destruição das células beta Resistência do tecido alvo ou diminuição da secreção de insulina Não é hereditário História familiar frequente Tendência a cetoacidose Obesidade em 80% Exames: Glicemia em jejum Teste oral de tolerância à glicose (TOTG, “Curva glicêmica”) Glicemia pós-prandial Hemoglobina glicada Hemoglicoteste (HGT, o “dextro”) Frutosamina Exame de Anelise de sedimento (EAS, urina) Diagnostico Laboratorial: Diabetes: > ou = 126mg% TOTG: 140mg% Glicemia pós-prandial: < 140mg% Intolerância à glicose: 100 a 126mg% Normal: 70 a 99mg% Glicemia normal Outras anomalias Diabetes Melitus Glicemia em jejum < 110 > 110 e < 126 > 126 Glicemia 2h após < 140 > 140 e < 200 > 200 Valores em mg/dl Hipoglicemia < 60 Normal 60 – 100 Tolerância diminuída à glicose 110– 126 Possível diabetes melitus > 126 Complicações Crônicas: Retinopatia diabética Nefropatia diabética Pé diabético Infarto do miocárdio e acidentes vasculares Infecções Fatores de risco: Idade: > 35 anos História familiar de DM (pais, filhos, irmãos) Excesso de peso (IMC > 25kg/m2) Sedentarismo HDL-c baixo ou triglicérides elevadas HAS Doença coronariana DM gestacional prévio Macrossomia, abortos de repetição ou mortalidade perinatal Uso de medicamentos hiperglicemiantes (corticoides, tiazídicos, betabloqueadores) Educação em diabetes Dieta + medicação + exercício Equilibrio emocional Apoio Social Controle domiciliar da glicemia Motivação pessoal Disciplina e força de vontade Tratamentos DM tipo 1 DM tipo 2 Antidiabético oral Insulina Antidiabético oral + insulina Insulina: Ação lenta (ex: glargina) Ação intermediaria (ex: NPH) Ação rápida (ex: regular) Ação ultrarrápida (ex: lispro, asparte) Áreas de aplicação de insulina: Barriga Interior da coxa Posterior do braço Bumbum Futuro: Transplante pancreático Transplante de ilhotas Bioengenharia com células tronco e afins O pâncreas virtual Regeneração de ilhotas Prevenção: Estilo de vida Atividade Física Alimentação Consultas e exames Direitos Legais: LEI Nº 11.347, DE 27 DE SETEMBRO DE 2006. - Dispõe sobre a distribuição gratuita de medicamentos e materiais necessários à sua aplicação e à monitoração da glicemia capilar aos portadores de diabetes inscritos em programas de educação para diabéticos. Caso clínico 1 M.F.T.: 56 anos; Sexo: feminino; Profissão: do lar. Consulta de rotina, referindo cefaleia ocasional, sem outras queixas. Aumentou 10 kg nos últimos 5 anos. Não faz restrições alimentares. É sedentária. Fumante de 10 cigarros por dia. Menopausa há 5 anos. Engordou 20 kg na última gravidez. Peso do filho ao nascer: 4,250 kg. Pai falecido de IAM e mãe obesa. Nega diabetes na família. EXAME FÍSICO Altura: 1,56 m; Peso: 76,800kg; IMC: 31,2 kg/m2; Cintura: 92 cm; PA: 150/95 mmHg; P: 84 bpm. Restante do exame: NDN (nada digno de notificação). Resposta: Cefaleia: provável HAS, mas a menopausa também pode causar. O fato dela ter engordado 10kg nos últimos anos + 20kg + circunferência da cintura, aumentou a sua propensão à obesidade (IMC > 30, obesidade). Engordou 20kg e o bebê sobrepeso é uma predisposição à diabetes. Sinais que a paciente apresenta para as doenças: Hipertensão: cefaleia Diabetes: sua gestação (engordar 20kg) Obesidade: seu IMC e peso, além de mãe obesa Dislipidemia: não indica nada, mas há um histórico de IAM na família dela (pai), indicando sua predisposição (genético ou não, nem todos os casos são genéticos). Caso haja suspeita de diabetes, confirma-se com os exames complementares (abaixo). 1ª Glicemia de jejum 8 ou 12h (depende do que jantou) 2º TOTG (Teste oral de tolerância à glicose, curva glicêmica) 3ª Glicemia pós-prandial (após o café, almoço, lanche da tarde, janta etc.) 4º HBA1C (Hemoglobina glicada) 5º Frutosamina 6º Glicoteste (HGT) 7º EAS (Elementos Anormais no Sedimento, urina). Caso clínico 2 VALOR DE REFERÊNCIA A SER CONSIDERADO: 70-99. Abaixo hipoglicemia, acima hiperglicemia. Resposta: Paciente acima apresenta glicemia de 149, repetido e confirmado. Não há como diagnosticar uma diabetes somente com esse parâmetro, de acordo com os sintomas (se apresentar poliúria, polifagia, polidipsia etc.) deve-se solicitar exames complementares. A glicemia pós-prandial está muito baixa, indicando quadro hiperglicêmico. O hiperglicêmico é o indivíduo onde após se alimentar, o pâncreas produz tanta insulina que a glicose é toda captada pelas células. Esse quadro indica muitos sintomas, como desmaios, dormência nas pernas etc. Para esse paciente pode ser indicado o exame chamado de curva de insulina (curva insulinêmica), onde ao invés de dosar glicose que nem o TOTG, dosa-se insulina. Para indivíduos hiperglicêmicos, a dieta indicada é uma dieta parecida com o de um diabético, além de ser indicado a alimentação de 3/3h. Coleta de sangue Glicemia de jejum e pós prandial As coletas devem acontecer no mesmo dia. No exame pós prandial, o paciente deve realizar a primeira coleta em jejum e comparecer exatamente 2horas após as refeições para colher nova amostra, normalmente, seguindo orientação médica, após o almoço ou lanche. O paciente deve se manter em jejum até 2 horas e chegar ao laboratório 10 minutos antes da coleta. Esse critério deve ser seguido rigorosamente. TOTG (Teste oral de tolerância a glicose ou curva glicêmica) Indicações: Indivíduos com glicemia de jejum entre 110 e 125mg/dl. Indivíduos com glicemia normal, mas com pelo menos dois fatores de risco. Diabetes gestacional prévio, com glicemia de jejum normal. Como funciona no laboratório: 1ª Coleta de sangue em jejum 2ª Ingestão de dextrose (25mg/50mg/70mg, critério médico) 3ª Coleta de sangue a 30 minutos 3ª Coleta de sangue 60 min 4ª Coleta de sangue 90 min 5ª Coleta de sangue 120 min 6ª Coleta de sangue 180 min Interpretação: O gráfico mostra o paciente 1(02/09/09). Percebe-se que esse apresenta tolerância a glicose diminuída, visto que o valor de referência após uma ingesta deveria ser menor que 140 (resultado = 149). VALOR DE REFERÊNCIA A SER CONSIDERADO: 99-140. Acima representa tolerância diminuída. HBA1C (Hemoglobina glicada ou glicosilada) A coleta de sangue ocorre com anticoagulante EDTA. Serve para controle terapêutico (medicamentos etc.) VALOR DE REFERÊNCIA A SER CONSIDERADO: Até 7% (variação de laboratórios). A hemoglobina está dentro da hemácia e transporta ferro, oxigênio, nutrientes e glicose no organismo. As hemácias possuem um ciclo de vida médio de 120 dias, tornando esse exame essencial para a identificação da glicose sanguínea por esse período (120 dias). Nível de HBA1C (%) Glicemia média correspondente (mg/dl) 5 100 6 135 7 170 8 205 9 240 10 275 11 310 12 345 Frutosaminas Frutosamina é a enzima derivada da ligação enzimática da glicose com proteínas presentes no plasmasanguíneo, como a Albumina. Esse exame mede o índice de frutosamina e é particularmente útil para o controle metabólico de portadores de diabetes. Mede a glicação da albumina e indica o controle glicêmico das últimas 2 semanas (15 dias). A coleta de sangue ocorre com EDTA. VALOR DE REFERÊNCIA A SER CONSIDERADO: 1,2 a 1,8mmol/L. Interpretação: Há uma boa correlação entre os valores de frutosamina e hemoglobina glicada. Geralmente, é utilizada nos pacientes em que a medição da hemoglobina glicada não é confiável. Glicoteste (HGT) Glicosímetro é um dispositivo usado para medir a concentração de glicose no sangue. É uma técnica rápida e indolor e necessita de calibração. Usado para monitorar a glicemia sanguínea por meio da coleta de sangue em digital. Monitorização da glicemia capilar. Horários para realização do teste: Jejum (8 horas sem alimento) 2 horas pós desjejum Antes do almoço 2 horas após o almoço Antes do jantar 2 horas após o jantar Ao deitar-se Ocasionalmente às 3h da madrugada O dedo correto para aferição da glicemia capilar é o anelar e/ou mindinho, por serem os menos usados. VALORES REFERÊNCIAS A SEREM CONSIDERADOS: Glicemia capilar plasmática Valores ideais Jejum/ Pré-prandial < 110 Pós-prandial < 140 Parâmetros laboratorial Parâmetros Metas terapêuticas SBD (Sociedade brasileira de diabetes) ADA (American Diabetes Association) Hemoglobina glicada < 6,5% < 7 Glicemia em jejum < 110 90 - 130 Glicemia pré-prandial < 110 90 - 130 Glicemia pós-prandial (2h) < 140 < 180 Diabetes tipo 1 Novas tecnologias foram criadas para ajudar pessoas com diabetes tipo 1 a monitorar sua glicemia diária, como as bombas de insulina, que apresenta um melhor resultado do que os métodos clássicos e são menos doloridas que picadas nos dedos, sugere uma nova pesquisa da John Hopkins. ANÁLISES CLÍNICAS Colesterol total e frações O colesterol no corpo é sintetizado pelo próprio organismo, sendo apenas uma pequena parte adquirida pela dieta. O colesterol é mais abundante no: Fígado Medula espinhal Cérebro Artérias (placas ateromatosas) Tem papel central em muitos processos bioquímicos e tem diversas associações entre doenças cardiovasculares e as diversas lipoproteínas que o transportam. Os altos níveis de colesterol no sangue recebem o nome de hipercolesterolemia. Quando as enzimas não conseguem “desgrudar” as placas das artérias, o HDL, o “bom colesterol”, faz esse trabalho. Há duas classes de colesterol: Colesterol mau (LDL): obstrui as artérias com suas placas. Colesterol bom (HDL): limpa as artérias, levando o excesso do LDL. Ambos são lipoproteínas usadas para o diagnóstico de colesterol. Lipoproteínas LOW DENSITY LIPOPROTEINS (LDL) - Lipoproteínas de baixa densidade Acredita-se que são a classe maléfica ao ser humano por serem capazes de transportar o colesterol do fígado até as células de vários outros tecidos. Popularmente chamado de "colesterol ruim" ou "colesterol mau". Acredita-se ter ações danosas. Realiza formação de placas ateroscleróticas nos vasos sanguíneos. HIGH DENSITY LIPOPROTEINS (HDL) - Lipoproteínas de alta densidade Acredita-se que são capazes de absorver os cristais de colesterol que começam a ser depositados nas paredes das artérias/veias, retardando o processo arteriosclerótico. Tem sido usado o termo "colesterol bom", que se acredita que tem ações benéficas. HDL pode até mesmo reduzir o risco de AVC hemorrágico, um tipo menos comum de AVC causado pelo sangramento cerebral associado a um nível baixo de colesterol. Hipocolesterolemia - diz respeito aos níveis anormalmente baixos de colesterol. As pesquisas sobre as causas desta condição são relativamente limitadas, mas alguns estudos sugerem uma relação com: Depressão, câncer e hemorragia cerebral. Níveis baixos de colesterol são a causa destas condições ou são um epifenômeno (acontece com algumas pessoas, incomum). Hipercolesterolemia Níveis aumentados de colesterol na corrente sanguínea, associadas com a formação de ateromas nas paredes das artérias (conhecida também como aterosclerose), que é a principal causa de doença coronariana cardíaca e outras formas de doença cardíaca. As taxas aumentadas de HDL estão relacionadas a taxas menores de progressão da hipercolesterolemia e até mesmo regressão dos ateromas. PLACA DE ATEROMA ACÚMULO DE LIPÍDEOS MODIFICADOS ↓ ATIVAÇÃO DAS CÉLULAS ENDOTELIAIS ↓ MIGRAÇÃO DAS CÉLULAS INFLAMATÓRIAS ↓ ATIVAÇÃO DAS CÉLULAS INFLAMATÓRIAS ↓ RECRUTAMENTO DAS CÉLULAS MUSCULARES LISAS ↓ PROLIFERAÇÃO E SÍNTESE DA MATRIZ ↓ FORMAÇÃO DA CAPA FIBROSA ↓ RUPTURA DA PLACA ↓ AGREGAÇÃO DAS PLAQUETAS ↓ TROMBOSE O cateterismo é um exame que consiste na inserção de um cateter nas artérias e ao perceber a placa, o médico insere um Stent, uma prótese metálica expansível, em forma cilíndrica, que expande a artéria. Determinações da coleta Para a preparação da coleta, deve-se: Manter o estilo de vida habitual nas últimas três semanas Realizar jejum de 12-24hs (imprescindível para valores de TG e HDL-C) Evitar exercício três horas antes da coleta Durante a coleta o paciente deve estar sentado e deve-se evitar a estase venosa (extravasamento). Esperar até três semanas em caso de doenças leves, mudanças dietéticas recentes. Esperar até três meses em caso de doença grave ou procedimento cirúrgico. Suspender medicamentos não imprescindíveis. Pacientes sob tratamento não devem suspender a medicação nem a dieta. COLESTEROL TOTAL Nível (mg/dL) Nível (mmol/L) Risco de doença cardíaca <200 <5,2 Desejável: Menor risco de doença cardíaca 200 - 239 5,2 - 6,2 Limítrofe: Limiar de alto risco >240 >6,2 Alto: Não desejável. Alto risco LDL – COLESTEROL Nível (mg/dL) Situação <100 Ótimo 100-129 Quase ótimo/Desejável 130-159 Limítrofe 160-189 Alto ≥190 Muito alto HDL – COLESTEROL Nível (mg/dL) Situação <40 Baixo >60 Alto TRIGLICÉRIDES Nível (mg/dL) Situação <150 Normal 150-199 Limítrofe 200-499 Alto ≥500 Muito alto Tipos de colesterol: HDL (bom): ele ajuda a limpar as placas de gordura das artérias. LDL (mau): Entope os vasos sanguíneos, obstruindo a passagem do sangue. Mgmin- LDL (supermau): Parece grudar mais nas paredes dos vasos, agravando o acúmulo de gordura. Moléculas de açúcar se ligam ao LDL “normal”, isso torna menor e mais denso, oque contribui para sua aderência a parede das artérias. Colesterol LDL – Transporta o colesterol do fígado para as células. Se está em excesso, pode acumular se nas paredes das artérias e diminuir o seu diâmetro. Para manter a saúde do seu coração deve manter o nível do “mau colesterol” baixo. Colesterol HDL – Transporta o colesterol até ao fígado onde posteriormente é eliminado. Funciona como um verdadeiro sistema de limpeza. Este tipo de colesterol ajuda a manter a saúde do coração e deve mantê-lo elevado. Interferentes: Soros ictéricos ou hemolisados: falso aumento (▲) Turvação ou cubetas úmidas: falsa redução (▼) Substâncias: álcool etílico, esteroides metabólicos (▲) Anticoncepcionais orais (▲) Corticosteroides (▲) Adrenalina (▲) Levodopa (▲) Penicilinas (▲) Fenotiazinas (▲) SUBSTÂNCIAS QUE PODEM DIMINUIR DO COLESTEROL: Medicamentos antidiabéticos Ácido ascórbico Salicilatos Clortetraciclinas Determinações laboratoriais Após os exames de colesterol, clínica e exames de imagem, o médico pode vir a solicitar exames complementares para confirmar o quadro de dislipidemia: Lipoproteína(a) – Lp(a): A lipoproteína à é uma molécula similar ao LDL. Associada à ocorrência de eventos cardiovasculares. Não há provas de que a diminuição dos níveis diminui o risco de aterosclerose. Homocisteína (HCY): Aminoácido formado do metabolismo da metionina. Elevações estão associadas à disfunção endotelial, trombose e maior gravidade de aterosclerose. Não há evidências de que níveis elevados sejam fator de risco isolado. Proteína C reativa de alta sensibilidade (PCR-as): Marcador do processo inflamatório em indivíduos sadios. Não se aplica a fumantes, diabéticos, portadores de osteoartrose e mulheres sob TRH, uso de AINES ou em infecções. Fibrinogênio: A dosagem de fibrinogênio é feitacomo parte da investigação de um distúrbio hemorrágico. Perfil lipídico É uma série de exames laboratoriais para determinar dosagens de: Colesterol total: soma do HDL, LDL e VLDL. HDL VLDL: corresponde a 1/3 dos Triglicérides. LDL Triglicerídeos São substâncias de origem orgânica caracterizadas pela insolubilidade em água e solubilidade em solventes orgânicos. No sangue, os lipídios em maior quantidade são: Colesterol, Triglicerídeos e Fosfolipídios. Em menores quantidades: Ácidos graxos livres, glicolipídios, hormônios e vitaminas de origem lipídica. CLASSIFICAÇÃO LABORATORIAL - (Após 12h de jejum) Dislipidemias ou hiperlipidemias referem-se ao aumento dos lipídios no sangue, principalmente do colesterol e dos triglicerídeos. Podem ser: Hipercolesterolemia isolada Hipertrigliceridemia Hiperlipidemia mista Diminuição isolada do HDL colesterol ou associada ao aumento dos triglicerídeos ou LDL-C. Ou ainda podem ser: Primárias: causas genéticas; influência ambiental devido à dieta inadequada; sedentarismo Secundárias: devido algumas doenças ou fatores de risco como: Hipotireoidismo: níveis de LDL pela diminuição do número de receptores hepáticos para LDL Insuficiência renal crônica: aumento dos triglicerídeos Síndrome nefrótica: aumento do colesterol e dos triglicerídeos Obesidade: aumento dos triglicerídeos e redução de HDL Fumo: reduz HDL e oxida as LDL Alcoolismo: aumento dos triglicerídeos Diabetes mellitus: aumenta triglicerídeos e diminui HDL Hepatopatia: aumento do colesterol total ORIENTAÇÕES Jejum de 12h a 14h. Estado metabólico estável. Dieta habitual e peso mantidos por pelo menos 2 semanas. Sem atividade física vigorosa nas 24h que antecedem a realização do exame. Evitar o uso de bebida alcoólica nas 72h que antecedem o teste. Procurar realizar as dosagens seriadas, no mesmo laboratório para minimizar o efeito da variação analítica. Dosagens e cálculos Variantes requeridas para os cálculos: Colesterol total, Triglicérides e HDL-colesterol LDL-colesterol Segue a fórmula de Friedewald: LDL = CT - HDL - VLDL. (TG/5) VLDL VLDL = TG/5 Somente se o TG for menor que 400 mg/dL. ÍNDICE DE CASTELLI Avaliam o fator de risco para doenças cardiovasculares. Assim, quanto maior o nível de LDL e menor de HDL, maior será o risco o qual pode ser quantificado através do Índice de Castelli: Índice de Castelli I = colesterol total / HDL Índice de Castelli II = LDL / HDL Risco de doença cardiovascular estará aumentadoquando: Índice de Castelli I: for maior que 4,4 Índice de Castelli II: maior que 2,9 Estatinas e efeitos sobre o LDL - C Fármaco Doses LDL - C Sinvastatina 20 a 80mg 27 a 42% Lovastatina 10 a 80mg 21 a 41% Pravastatina 20 a 40mg 20 a 33% Fluvastatina 20 a 80mg 15 a 37% Atorvastatina 10 a 80mg 37 a 55% Rosuvastatina 10 a 40mg 43 a 55% Sistema Urinário O sistema urinário é composto pelos rins (onde passam por eles veias e artérias para auxiliar na circulação); sai de cada rim um ureter, que se liga à bexiga, ligada à uretra. Coleta do exame para perfil renal Preparo de Paciente: Jejum Material: Sangue total (soro) Causas de Rejeição: Hemólise acentuada (rompimento das hemácias, quando o soro fica em um tom rosado). Conservação/Armazenamento para Envio: Enviar à temperatura entre 2 e 8ºC até 2 dias após a coleta. Comentários: Provas de ureia e creatinina permitem avaliar possibilidade e intensidade de lesões renais. Função homeostática renal Regulação do equilíbrio hidroeletrolítico; Eliminar resíduos metabólicos (ureia, creatinina, ácido úrico, bilirrubina conjugada, drogas, toxinas etc.); Retenção de nutrientes (proteínas, aminoácidos, glicose, cálcio etc.); Manutenção pH plasmático. Função endócrina renal O rim produz uma série de hormônios que atuam em diversas situações fisiológicas. A eritropoietina, por exemplo, é um hormônio que vai para a medula, onde atua na estimulação e no controle de produção de hemácias. Provas de função renal Provas para avaliar: 1. FUNÇÃO GLOMERULAR: Depuração de ureia e creatinina. 2. FUNÇÃO GLOMERULAR GRAVE E/OU TUBULAR: Ureia e creatinina séricos. 3. FUNÇÃO TUBULAR: Depuração, densidade, osmolalidade, imagem, excreção de eletrólitos, depuração de água livre, fração excretada de sódio. Essas provas não avaliam a etiologia do distúrbio renal. Avaliam o mal: Entre lesão localizada e generalizada Entre disfunção temporária e permanente (aguda ou crônica) Entre distúrbios primários e secundários. Avaliam, ainda, a presença ou ausência de disfunção com estimativa aproximada de sua gravidade. Creatinina A creatinina é a substância derivada do metabolismo da creatina endógena, uma proteína que está presente nos músculos. A creatinina é eliminada pelos rins e seu aumento no sangue pode indicar piora da função renal e está alterada se já houve destruição das estruturas responsáveis pela filtração renal (néfrons). Porém, a creatinina também pode estar elevada após exercícios intensos. A medida da concentração de creatinina no soro sanguíneo é um teste simples usado como principal indicador da função renal. Esse teste não é adequado para detectar doença renal em seu estágio inicial. Valores baixos creatinina não significam que paciente tenha necessariamente alguma doença ou que os rins não funcionem adequadamente e não costuma causar sintomas ou ser motivo de tratamento específico. Idosos, mulheres e acamados possuem menor quantidade massa muscular, o que pode indicar diminuição de creatina e consequentemente diminuição dos valores de creatinina. CREATININA ENDÓGENA A creatinina endógena é usada para avaliação da filtração glomerular. É uma prova pouco fidedigna nas Oligúrias (diminuição da diurese). Possui correlação com os valores de filtração glomerular pela análise de creatinina sanguínea e urinária. A creatinina tem origem endógena independente da dieta, com produção diária constante. Sua produção está diminuída em distrofias musculares. CLEARANCE DE CREATININA A creatinina é um marcador de função renal e por meio das análises podemos calcular o Clearance de Creatinina, que avalia velocidade e eficiência da filtração glomerular. O farmacêutico clínico pode identificar injúria renal (Insuficiência Renal) causada por medicamentos e realizar ajustes de doses. Destaca-se que há inúmeras fórmulas para calcular o clearance. O EXAME Coleta: jejum (amostra de sangue). Deve-se pesar e verificar a altura do paciente. Na coleta urinária, administra-se 2 copos de água (para diurese) e coleta imediatamente a excreção urinária em amostras de urina de 2, 4 ou 8hs até esvaziar totalmente a bexiga. Deve-se marcar a hora exata. VALOR DE REFERÊNCIA A SER CONSIDERADO: Sangue: 0,5 a 1,4mg/dL Urina: Homem: 125 a 135mL/min DEPURAÇÃO DA CREATININA DCE = U x V x 1,73 / S x A U = Creatinina na urina (mg/dL); S = Creatinina no soro (mg/dL); V = Volume minuto (volume de urina colhido/tempo de colheita em minutos); A = Área de superfície corporal do paciente; 1,73 = Área de superfície corporal média (K) Idade (anos) Homens Mulheres 20 – 30 88 – 146 81 – 134 31 – 40 82 – 140 75 – 128 41 – 50 75 – 133 69 – 122 51 – 60 68 – 126 64 – 116 61 – 70 61 – 120 58 – 110 71 – 80 55 – 113 52 – 105 VALORES AUMENTADOS Sem significação clínica (erros na coleta da urina e/ou esvaziamento incompleto da bexiga). VALORES DIMINUÍDOS Enfermidades agudas ou crônicas do glomérulo; Redução do fluxo sanguíneo do glomérulo; Lesão tubular aguda. Ureia A ureia é o principal produto do metabolismo (catabolismo) proteico. É formada no fígado a partir da amônia. A síntese pode ser afetada pelo conteúdo proteico da dieta,catabolismo proteico e estado de hidratação. A ureia é filtrada nos glomérulos, porém cerca de 40% são reabsorvidas nos túbulos por difusão passiva. Hiperuremia: aumento da ureia no sangue. Aumento da ureia no sangue é indicativo de redução da eliminação renal dessa ureia. VALOR DE REFERÊNCIA A SER CONSIDERADO: Entre 20 e 40mg% VALORES PATOLÓGICOS Retenção incipiente: 80mg% Retenção moderada: 80 e 100mg% Grave: 100 e 150mg% Gravíssima: superior a 150mg% DEPURAÇÃO DA UREIA Coleta: jejum (amostra de sangue). Pesar, verificar a altura do paciente. Na coleta urinária, administrar 2 copos de água (diurese) e coleta imediatamente a excreção urinária em amostras de urina de 2, 4 ou 8hs até esvaziar totalmente a bexiga. Marcar a hora exata. Em condições normais, os valores da depuração da ureia são paralelos à TFG (Taxa de Filtração Glomerular), correspondendo a cerca de 60% desta taxa. INTERPRETAÇÃO DA DEPURAÇÃO Valores normais = 60% e 100%. “Rim útil”. Insuficiência renal livre: 60% e 50% Insuficiência renal moderada: 50% e 30% Insuficiência renal grave: não atinge 30% Insuficiência renal gravíssima: inferiores a 5%. Coma urêmico presente ou eminente. HIPERUREMIA PRÉ-RENAL Resulta da perfusão (passagem de líquidos pelos vasos para os tecidos) inadequada do rim ou do aumento na produção da ureia. É tudo o que não acontece no sistema renal, mas que compromete o rim. Causada por: Choque traumático (traumatismo craniano etc.) Choque hemorrágico (úlcera perfurada etc.) Desidratação aguda (acidose diabética etc.) Desinteria aguda (perda de eletrólitos etc.) Descompensação cardíaca Infecção aguda e toxemia Queimaduras, febre (aumento do catabolismo proteico) HIPERUREMIA RENAL - Pode atingir até 300mg%. Causada principalmente por: Glomerulonefrite (aguda e crônica) Tuberculose renal Rim policístico Nefropatias malignas Necrose tubular aguda (bloqueio dos túbulos) Mieloma múltiplo Hemoglobinúria Alguns casos de tratamento com sulfonamida Transfusão incompatível HIPERUREMIA PÓS-RENAL Causada por: Obstrução uretral por cálculos Compressões por tumores Tumores compressivos da bexiga ou da uretra Obstrução da próstata Defeitos congênitos HIPOUREMIA -Taxa de ureia reduzida. Insuficiência hepática Atrofia amarela do fígado Necrose hepática tóxica (Tetracloreto de carbono, Clorofórmio, Fósforo...) Lesões hepáticas PIELOGRAMA INTRAVENOSO Técnica radiológica capaz de delinear as vias urinárias superiores e inferiores. Pode revelar obstruções pós-renais e a capacidade de concentração renal e/ou excreção. Ácido Úrico Principal produto das purinas (bases nitrogenadas, encontradas principalmente em alimentos ricos em proteína). Para determinação correta: dieta de carne. São os principais causadores dos casos suspeitos de “gota” (artrite urática). É predominante no sexo masculino. Hiperuricemia: aumento do ácido úrico. Se o ácido úrico está elevado no sangue, significa que está ocorrendo redução da sua excreção renal pelo excesso de produção. Pode levar à Leucemia, Anemia hemolítica, Talassemias... HIPOURICEMIA Pouco frequente. Envolvido em defeitos tubulares (doença de Wilson...) Xantinuria hereditária (baixa produção de ácido úrico e acúmulo de xantina e hipoxantina no sangue) Tratamentos com: Colchicina Alopurinol Probenecida Corticoides Fenilbutazona ANÁLISES CLÍNICAS Função hepática e cardíaca Função hepática O farmacêutico clínico é um profissional importante na avaliação da função hepatocelular, por meio de exames laboratoriais e devido ao seu conhecimento sobre a metabolização dos medicamentos pelo fígado, dependendo do histórico do paciente. Pode haver lesões hepáticas (destruição de hepatócitos), interferindo na função do fígado. Exames essenciais, que mostram lesão/alteração, na farmácia clínica para avaliação: Bilirrubinas Alanina aminotransferase (ALT), antigamente chamada de Transaminase glutâmico-pirúvica (TGP) Aspartato aminotransferase (AST), antigamente chamada de Transaminase glutâmico-oxalacética (TGO). ENZIMAS Enzimas avaliam também a função hepática e têm acesso imediato à corrente sanguínea. Exames de enzimas solicitados: Transaminases (AST - ALT) Gama-glutamil-transferase (үGT) Fosfatase Alcalina (ALP) Colinesterase (CHS) Glutamato-desidrogenase (GMD) Perfis avaliativos essenciais para avaliar hepatotoxicidades. Hepatopatias Lesão hepática (seja por acidente ou outros)95% são determinadas por: ALT/AST, үGT, CHS Hepatite viral No estado prodrômico (precede a fase aguda), ALT e AST estão elevados; Na forma necrosante (lesão), detecta-se GMD e CHS Hepatite crônica alcoólica Determina-se por үGT. Cirrose Hepática Determina-se por CHS. Icterícia Obstrutiva Determina-se por үGT Função cardíaca – Cardiopatias Usa-se também análise de enzimas em lesões agudas ou necrose das células do miocárdio (infarte/enfarte). Exames essenciais no diagnóstico laboratorial cardiológico (enzimas): Aspartato transaminase (AST) (somente essa) Lactato desidrogenase (LD) Creatina-quinase (CK) Isoenzimas da LD (LD1; LD2) e da CK (CK-MM; CKMB) Hidroxibutirato-desidrogenase (HBD) INFARTE AGUDO DO MIOCÁRDIO Exames: Eletrocardiograma + quadro clínico. 10 a 15% dos infartos não é diagnosticado. Detecta-se a lesão e qual enzima do perfil enzimático está alterada. As enzimas ficam alteradas pelo período de 6, 8, 24,48, 72hs após dor. É essencial que o paciente vá nesses horários após a dor para o hospital e que relate quando começou a dor. As enzimas podem ser detectadas em diferentes momentos: Enzima Início da ação (h) Atividade máxima (pico) (h) Normalização (dias) AST 4-6 16-36 4-6 LD 8-10 48-72 7-15 CK 3-6 16-36 3-6 HBD 6-12 30-72 10-20 A primeira enzima a ser detectada no laboratório é aCK (início de 3-6h), após AST (4-6h), após HBD (6-12h) e, por fim, LD (8-10h). A CK pode ser encontrada, ainda, 16h depois e assim por diante com as outras enzimas. AST - (Aspartato-aminotransferase) Inicia 6hs após a dor e alcança altos índices em 36hs. Retornam à normalidade de 4 a 6 dias. Elevada em 88 a 95% dos casos de enfarte do miocárdio. Diferenciais: Possui alta atividade no músculo cardíaco e reconhece precocemente o enfarte. LD (Lactato-desidrogenase) Inicia entre 8 e 10hs após a dor e alcança o máximo em 48 e 72hs. Retorna à normalidade em aproximadamente 15 dias. Aumentado em 95% dos pacientes de enfarte. A determinação sérica de LD é bastante segura e independe do eletrocardiograma. Diferenciais: Permite um diagnóstico diferencial entre enfarte do miocárdio e angina com lesão. Isoenzimas LD1 e LD2 permitem diferenciais importantes no diagnóstico. CK - (Creatina-quinase) Inicia 3hs após a dor e alcança o máximo de atividade entre 16 e 36hs. Retorna à normalidade após 3 dias. Elevação precoce no enfarte do miocárdio. Mais precoce e específica pós enfarte em 95% dos casos. Diferenciais: Detecta a necrose sofrida pelo miocárdio após graves e constantes ataques de angina. Permite diagnóstico diferencial de embolia pulmonar. Níveis aumentados podem indicar: Infarto do miocárdio Lesão da musculatura cardíaca ou esquelética Doença muscular cardíaca congênita Acidente vascular cerebral (AVC) Injeções intramusculares Hipotireoidismo Doenças infecciosas Embolia pulmonar Hipertermia maligna Convulsões generalizadas Neoplasias de próstata Neoplasia de vesícula ou do trato gastrintestinal Enzima pode estar aumentada ainda em pacientes que apresentam Rabdomiólise (lesão muscular) principalmente por uso de estatinas (sinvastatina). CK-MM / CK-MB: Isoenzimas da CK. Permitem avaliação das lesões no músculo cardíaco e esquelético HBD (Hidroxibutirato-desidrogenase) Inicia 6hs após a dor e alcança o máximo de atividade entre 30 e 72hs. Atividade sérica permanece de 15 a 20 dias após a dor e retorna à normalidade após 20 dias. Diagnósticoe confirmação de grande valor, mas não são tão específicas e é menos sensível. Creatinofosfoquinase fração MB (CK-MB) É uma isoenzima da creatinofosfoquinase (CPK ou CK) que é liberada pelo músculo cardíaco, elevada quando ocorre isquemia em uma determinada região do músculo. Isquemia é a redução do suprimento de sangue para o músculo cardíaco. Pode ser causada, principalmente, por ruptura de placa de ateroma (trombose e estreitamento dos vasos). Troponina É um complexo de três proteínas. Duas proteínas são marcadores cardíacos específicos: Troponina I e Troponina T. Embora essas duas proteínas tenham diferentes propriedades, sua aplicação clínica é semelhante. Há um intervalo de horas entre o infarto do miocárdio e a detecção de troponina na circulação. Seu pico de elevação está em torno 24 horas e declina dentro de muitos dias.