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Quimica Ambiental

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λ < 625 nm), respectivamente 
conforme as reações (R-29) e (R-30). O oxigênio atômico reage também com as 
espécies presentes no smog, formando novas espécies que irão participar do smog 
fotoquímico (LENZI; FAVERO, 2011). 
3.4.2 Segunda etapa
A segunda etapa é caracterizada com a entrada dos hidrocarbonetos (HCs) 
e outros compostos orgânicos voláteis (COV), conforme as reações (R-31), (R-32), 
(R-33), (R-34) e (R-35). 
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A formação do radical alquilperoxilo RH2COO·) é característico desta 
etapa, atuando como agente oxidante que oxida o O2 a ozônio e o NO a NO2, que 
realimentam a primeira etapa e, ao mesmo tempo, fica disponível para a terceira 
etapa da formação do smog fotoquímico. A presença de O3 e NO2 em concentrações 
significativas são características de um smog, mas, quando só eles, apenas 
caracterizam um ambiente atmosférico poluído (LENZI; FAVERO, 2011). 
3.4.3 Terceira etapa
Caracteriza-se pelas reações químicas de propagação, finalização de cadeias 
e eliminação de radicais, produzindo o PAN e o aldeído que são característicos da 
formação do smog fotoquímico, conforme podemos observar nas reações (R-36), 
(R-37) e (R-38) (LENZI; FAVERO, 2011). 
Assim, as principais reações de eliminação de radicais do smog fotoquímico 
são as reações (R-39), (R-40) e (R-41).
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A figura a seguir apresenta em forma de esquema as condições de formação 
do smog fotoquímico e as principais reações de cada etapa com as que acontecem 
em paralelo (LENZI; FAVERO, 2011).
FIGURA 34 – ESQUEMA DAS CONDIÇÕES DE FORMAÇÃO DO SMOG FOTOQUÍMICO E 
PRINCIPAIS REAÇÕES POR ETAPA
FONTE: Lenzi e Favero (2011, p. 216)
3.5 EFEITOS DO SMOG FOTOQUÍMICO
Classificam-se os efeitos do smog fotoquímico em físicos, biológicos e 
químicos. 
3.5.1 Efeitos físicos 
As partículas resultantes do smog apresentam as propriedades físicas 
dos materiais particulados da atmosfera e formam os aerossóis que limitam a 
visibilidade, dependendo da umidade relativa (abaixo de 60%) e se for abaixo de 
3,6 km (LENZI; FAVERO, 2011). 
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3.5.2 Efeitos biológicos
Os efeitos do smog fotoquímico atingem a biota animal e vegetal, e no 
ser humano apresentam problemas de saúde e de desconforto. Dependendo da 
intensidade do smog e do tempo de exposição, este apresenta um odor pungente. 
Os PAN e aldeídos causam irritação aos olhos, e o ozônio, na concentração de 0,15 
ppm causa tosse, dificuldade na respiração, chiado ao respirar, irritação das vias 
respiratórias e constrição dos brônquios (HINRICHS; KLEINBACH; REIS, 2010, 
MANAHAN, 2013, LENZI; FAVERO, 2011).
 
Os particulados sólidos e líquidos que se depositam nas folhas das plantas 
provocam a formação de manchas esbranquiçadas e bronzeadas, denominadas 
de clorose, devido à ação dos agentes oxidantes como o PAN, óxidos nítricos, 
peróxidos, ácido nítrico, entre outros. Os efeitos danosos dependem da concentração 
destes materiais oxidantes e do tempo de exposição (MANAHAN, 2013; LENZI; 
FAVERO, 2011). 
3.5.3 Efeitos químicos
Os efeitos químicos estão relacionados ao caráter oxidante dos produtos do 
smog fotoquímico, corroendo e decompondo os materiais com os quais entram em 
contato. A água é suporte para a maioria destas reações, seja na forma de umidade 
coalescendo no particulado sólido ou dissolvendo-se na forma de solução (LENZI; 
FAVERO, 2011).
4 COMPOSTOS ORGÂNICOS TÓXICOS
Primeiramente precisamos saber que a maioria dos compostos sintéticos 
comerciais são compostos orgânicos, em que a maioria utiliza o petróleo e o gás 
natural como fonte original de carbono. Assim, os compostos químicos sintéticos 
são usados para descrever substâncias que geralmente não estão presentes na 
natureza, mas que foram sintetizadas por químicos a partir de substâncias mais 
simples (BAIRD; CANN, 2011).
4.1 PESTICIDAS 
Os pesticidas são substâncias que matam ou controlam um organismo 
indesejável. Todos os pesticidas químicos compartilham uma propriedade comum 
de interferir no metabolismo vital dos organismos aos quais eles são tóxicos 
(BAIRD; CANN, 2011).
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Foi a partir do uso DDT durante a Segunda Guerra Mundial que o uso 
dos pesticidas tomou grande amplitude. São utilizados com diversas finalidades, 
como no controle de invertebrados incluindo os inseticidas, moluscicidas (atuantes 
contra caracóis e lesmas) e nematicidas (usados no controle de vermes cilíndricos 
microscópicos). Os vertebrados são controlados por raticidas (matam roedores), 
avicidas (matam pássaros) e piscicidas (matam peixes). Os herbicidas são 
utilizados para matar plantas, sobretudo ervas daninhas em terras cultivadas. Os 
reguladores de crescimento, desfolhantes e dessecantes de plantas são utilizados 
para diversas finalidades no cultivo de plantas. Os fungicidas atuam contra 
fungos, os bactericidas contra bactérias, os microbicidas impedem a ocorrência de 
organismos produtores de substâncias pegajosas na água e os algicidas combatem 
a proliferação de algas (MANAHAN, 2013). 
Os inseticidas e fungicidas são os pesticidas que mais estão em contato com 
os seres humanos pelos alimentos, devido à aplicação imediata antes ou mesmo após 
a colheita. A produção de herbicidas cresceu, acompanhando o crescente consumo 
de produtos químicos no controle de ervas daninhas em substituição às atividades 
diretas do cultivo da terra para essa finalidade, e hoje responde pela maioria dos 
pesticidas utilizados na agricultura (MANAHAN, 2013). 
É fato que a atual capacidade dos países desenvolvidos para plantar 
e amadurecer enormes quantidades de alimentos em uma área relativamente 
pequena de terra, com uma quantidade relativamente baixa de trabalho humano, 
tem sido possível somente pelo uso dos pesticidas em larga escala (BAIRD; CANN, 
2011). Com isso acentua-se o potencial para que grandes quantidades de pesticidas 
sejam introduzidas na água pela via direta, em aplicações como o controle de 
mosquitos, ou pela via indireta, pelos deflúvios de terras cultivadas (MANAHAN, 
2013). 
Tanto os pesticidas, como outros compostos químicos geram preocupações 
específicas devido aos efeitos que podem apresentar, entre as quais podemos citar 
os compostos com alta resistência à biodegradação, os carcinógenos prováveis 
ou conhecidos, os compostos tóxicos com efeitos negativos na reprodução ou 
no desenvolvimento, as neurotoxinas, como os inibidores da colinesterase, as 
substâncias com alta toxicidade aguda e os contaminantes conhecidos de águas 
subterrâneas (MANAHAN, 2013).
Desde a sua introdução, os pesticidas sintéticos têm gerado problema por 
causa do potencial impacto sobre a saúde humana devido à contaminação dos 
alimentos por esses compostos químicos orgânicos. Por essa razão, muitos desses 
compostos têm sido proibidos ou têm tido seu uso restringido (BAIRD; CANN, 
2011). 
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4.1.1 Inseticidas organoclorados
Os inseticidas à base de hidrocarbonetos clorados ou organoclorados são 
hidrocarbonetos em que diferentes átomos de hidrogênio foram substituídos por 
átomos de cloro (CI). Entre os inseticidas organoclorados, o mais famoso e um 
dos mais tóxicos foi o DDT (para-diclorodifeniltricloroetano), utilizado em grande 
quantidade após a Segunda Guerra Mundial (MANAHAN, 2013).
Os organoclorados foram utilizados em larga escala, pois apresentam 
várias propriedades consideradas importantes quanto à toxidade, solubilidade, 
eficácia, entre outros, como: 
• Estabilidade frente à decomposição ou degradação no ambiente. 
• Solubilidade baixa em água, exceto na presença de oxigênio ou nitrogênio nas 
moléculas. 
• Alta solubilidade em ambientes lipofílicos, como nos tecidos adiposos em 
matéria viva. 
• Toxicidade alta para insetos e baixa para humanos (BAIRD; CANN, 2011).
Podemos citar o hexaclorobenzeno (C6Cl6) como exemplo de um pesticida 
organoclorado estável, fácil de preparar a partir
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