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EgitoAntigo

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cosmos and the world of the afterlife. In Roman 
No Período Grego (332-30 a.C.), as crenças funerárias relativas à vida 
após a morte permaneceram praticamente inalteradas. Os caixões 
de madeira ou os sarcófagos de pedra eram muito semelhantes aos 
do Período Tardio, geralmente em formato antropoide, mas com 
decorações menos elaboradas, simplesmente servindo de recipientes 
para proteger os corpos e não mais reproduzindo o cosmos e o 
mundo da vida após a morte. No Período Romano, a representação 
estilística era condicionada pela arte clássica. As máscaras de múmia 
e cartonagens tornaram-se representações mais realistas do defunto 
e eram influenciadas sobretudo pela ampla difusão dos retratos 
romanos. Máscaras de estuque e retratos de encáustica em tábuas 
de madeira foram outro registro dessa nova sensibilidade artística.
Desde as origens e até o fim da civilização egípcia, o caixão sempre 
encerrava um universo de crenças religiosas. Muitas vezes era 
identificado com a deusa Nut, que conhecemos no início de nossa 
jornada. A deusa do céu era também a mãe divina, que acolheria os 
mortos em seus braços e lhes permitiria começar uma nova vida. 
O caixão, como a deusa Nut, que dá à luz o sol ao amanhecer e o 
recolhe em si à noite, garante ao defunto a prerrogativa essencial de 
regeneração eterna e o renascimento de cada indivíduo.
times, the stylistic rendering would be conditioned by classical 
art. The mummy masks and cartonnage became more realistic 
depictions of the deceased, and were influenced above all by 
the extensive spread of Roman portraiture. Plaster masks and 
encaustic (wax) portraits on wooden boards were another 
testament to this new artistic sensibility.
From the origins to the end of Egyptian civilization, the coffin 
always enclosed a universe of religious beliefs. It was often identified 
with the goddess Nut, whom we met at the beginning of our 
journey. The goddess of heaven was also the divine mother, who 
would welcome the dead in her arms and enable them to start a 
new life. The coffin, like the goddess Nut, who gives birth to the sun 
at dawn and then swallows it again at sunset, ensures that the 
deceased possess the essential prerogative, the eternal regeneration 
and rebirth of every single individual.
Pirâmide de Quéops (Khufu), Gizé 
[Pyramid of Khufu, Giza] 
©Paolo Marini
Cotidiano
Daily Life
No imaginário popular, o antigo Egito sempre foi considerado 
uma terra mística e lendária. Ainda hoje, depois de ver as grandes 
coleções egípcias em todo o mundo, as pessoas têm a impressão 
de que os egípcios davam enorme atenção à morte. Essa 
percepção se deve ao tipo de objetos preservados: belos artefatos 
funerários que contam histórias de estranhos costumes e crenças, 
extremamente interessantes e fascinantes, mas em grande parte 
associados à morte e aos funerais.
No entanto, os egípcios não gastavam muito tempo pensando na 
morte. Pelo contrário, amavam a vida, tanto que esperavam por sua 
continuação após a morte. A vida, especialmente a vida cotidiana, 
é o personagem principal da primeira seção desta exposição.
A exuberante civilização egípcia dependia do rio Nilo e de suas 
enchentes sistemáticas. O dia era longo e o sol causticante, 
especialmente para os pobres camponeses que passavam seus 
dias nos campos. Os nobres proprietários das terras, entretanto, 
desfrutavam de seu tempo em frondosas áreas sombreadas sob 
as palmeiras, divertindo-se, caçando e pescando por puro prazer.
A paisagem egípcia, antiga e moderna, reflete o contraste entre o 
árido deserto vermelho, dominado pelo temível deus Seth, que 
matou seu irmão Osíris, e a estreita faixa de terra bem irrigada em 
ambos os lados do rio, com sua exuberante paisagem e vegetação 
frequentemente retratadas nas belas pinturas existentes nas 
paredes das tumbas egípcias.
In the popular imagination, ancient Egypt has always been thought 
of as a mystical and legendary land. Even today, after seeing 
the great Egyptian collections around the world, people have 
the impression that the Egyptians were completely devoted to 
death. This perception is due to the kind of objects that have been 
preserved: beautiful funerary artefacts that tell stories of strange 
customs and beliefs, extremely interesting and fascinating but 
largely associated with death and funerals.
But the Egyptians did not actually spend a lot of time thinking 
about death. On the contrary, they loved life, so much so that they 
hoped it would continue after death. Life, especially ordinary, daily 
life, is the main character of the first section of this exhibition.
The teeming Egyptian civilization depended on the Nile River and 
its systematic floods. The day was long and the sun harsh, especially 
for the poor peasants who spent their days in the fields. On the 
other hand, the noblemen who owned the land enjoyed their time 
in cool shady areas under the palm trees, enjoying themselves 
hunting and fishing for pleasure.
The Egyptian landscape, both ancient and modern, reflects the 
contrast between the arid red desert, dominated by the fearful God 
Seth, who killed his brother Osiris, and the well-watered narrow strip 
of land on either side of the river, with its luxuriant vegetation often 
depicted in the beautiful wall paintings in Egyptian tombs.
Vida cotidiana
Daily Life
Aldeia de [Village of] Deir el-Medina
©Paolo Marini
P. 48-49
Tumba de Sennedjem (detalhe de uma parede pintada) 
[Tomb of Sennedjem (detail of a painted wall)]
XIX Dinastia [19th Dynasty] (1292-1190 a.C. [BC])
Deir el-Medina 
5352
As oferendas funerárias eram fundamentais para garantir a sobrevivência do defunto no 
Além. Por esse motivo, as paredes das tumbas do Antigo Império eram repletas de cenas 
da vida cotidiana. O fragmento de parede aqui exposto provavelmente pertenceu a um 
conjunto de imagens que mostram os vários estágios da produção de alimentos, como 
pesca, caça, agricultura e colheita, permitindo ao defunto extrair daí uma reserva para 
a vida eterna. O fragmento de parede, antes em duas partes, agora está restaurado. Ele 
contém um baixo-relevo pintado com uma cena de trabalho agrícola relacionada com 
a colheita do trigo. Sete pessoas são representadas: à esquerda, há alguns camponeses 
em saiotes curtos e plissados (conhecidos como shendyt), passando, uns para os outros, 
caules de trigo recém-colhidos, amarrados com um cordão e empilhados em feixes. Um 
capataz (reis) é representado à direita, fiscalizando o trabalho.
A superfície do fragmento traz vestígios claramente visíveis da pintura original, que 
certamente completava a mensagem visual transmitida pelo baixo-relevo. Os caules 
de trigo são executados com impressionante destreza, em particular na representação 
muito detalhada das espigas individuais.
O fragmento provavelmente integrava a decoração da parede da capela funerária de um 
dignitário do Antigo Império, talvez da V Dinastia. Apesar de Mênfis (a antiga capital, no 
Baixo Egito) ter sido sugerida como sítio de origem, o local de descoberta permanece 
desconhecido. 
Fragmento de parede com cena agrícola 
[Wall fragment with agricultural scene]
V dinastia [5th dynasty] (2435-2305 a.C. [BC]) (?)
Calcário [Limestone], 23,5 x 95,8 x 8,5 cm
Mênfis [Memphis] (?)
Adquirido por [Acquired by] 
Ernesto Schiaparelli (1900-1901)
S. 1262
Funerary offerings were essential to ensure the survival of the deceased in the afterlife. 
For this reason, the walls of Old Kingdom tombs soon filled up with daily-life scenes. The 
wall fragment on display here probably belonged to a set of scenes showing the various 
stages of food production, such as fishing, hunting, agriculture, and the harvest, allowing 
the deceased to draw from these various food sources for eternity. The wall fragment was 
broken in two parts, now joined again. It carries a painted bas-relief showing a scene of 
agricultural work related to the wheat harvest. Seven people are depicted: on the left 
there are some peasants in short shendyt skirts,
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