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RESUMO ALÉM DO PRICNCIPIO DO PRAZER DE FREUD

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Pontos importantes do livro “Além do princípio do prazer”, de Sigmund 
Freud 
Nesta maravilhosa obra o autor vai como o nome diz além do princípio do 
prazer, pois traz a luz questões muito importantes na prática clínica do 
psicanalista, como por exemplo, pessoas que vão repetindo questões de 
sofrimento mesmo compreendendo o motivo delas acontecerem, um certo 
prazer no desprazer. Trazendo uma nova hipótese em relação ao 
funcionamento psíquico, o conflito entre pulsão de vida e pulsão de 
morte. 
A pulsão de morte estaria ligada a uma necessidade biológica de todos os 
organismos que é de retornar ao estado inicial, ou seja inorgânico, inanimado, 
sem vida, compreendendo assim que a pulsão de morte ou pulsões de 
destruição entra em oposição à pulsão de vida (Eros). No que tange ao 
princípio do prazer se mantém o entendimento, mas deve-se levar em 
consideração que para que ele se estabilize a pulsão de vida deve 
controlar a pulsão de morte pelo menos em parte, pois se não tudo se 
acaba. 
Neste texto ele fala também que quando a pulsão de morte domina a pulsão de 
vida, a destrutividade se sobressai na vida psíquica, como por exemplo no 
masoquismo e no sadismo, já em comparação quando a pulsão de vida 
assume o controle, essa destrutividade é em parte neutralizada e a 
agressividade se coloca a serviço do ego, podendo assim ser externalizada de 
formas mais saudáveis e menos autodestrutivas. 
O princípio do prazer e além dele 
No texto “Artigos sobre metapsicologia” (1915) Freud traz o conceito de 
princípio do prazer, onde no psiquismo existem tensões que são seguidas de 
descargas e que o aumento dessa tensão é acompanhado de desprazer e 
também de uma descarga de desprazer, exemplificando no desejo sexual e na 
fome. 
Complementando estes processos psíquicos existe uma variação no que tange 
a quantidade de energia, então se supõe a existência no psiquismo de um 
princípio regulador destas variações de tensão, deu o nome deste de princípio 
do prazer, que tem como objetivo produzir prazer e evitar o desprazer. No que 
diz respeito a tendência de estabilidade nos processos psíquicos o autor 
traz que isto acontece pela presença de outro princípio, este chamado de 
princípio da constância que tem como objetivo principal regular deixando 
o nível baixo de estímulo. 
Freud percebe que não é apenas isso e que o princípio do prazer não domina e 
regula todos processos psíquicos, pois a prática clínica mostra outra coisa, indo 
muitas vezes contra o prazer e direcionado ao desprazer. 
Além do princípio do prazer e as forças que se opõem a satisfação 
As forças que se opõem a satisfação das pulsões são duas: a primeira é o 
princípio da realidade esta que permite atrasar a satisfação e em partes 
suportar o desprazer temporariamente, como por exemplo, uma graduação em 
que o sujeito deseja muito formar-se, desejando ocupar o lugar de profissional 
e ter o certificado, mas tem que suportar os estudos durante anos para 
realmente formar-se e assim ocupar e autorizar-se ocupar aquele lugar. 
 
 
 
 
Em segundo lugar o ego, tendo em vista que ele pode causar muito 
desprazer que é motivado pelas pulsões interiores no decorrer do 
desenvolvimento, sendo este contrário para o ego como no caso do 
desprazer neurótico. 
https://www.psicanaliseclinica.com/funcionamento-psiquico/
https://www.psicanaliseclinica.com/funcionamento-psiquico/
Neste sentido tanto em uma como em outra este desprazer é causado pela 
percepção das pulsões exteriores ou interiores que existe um certo perigo, 
neste sentido quando o aparelho psíquico procede de forma adequada a esta 
percepção de perigo, obedece tanto o princípio do prazer como o da realidade. 
Duas fontes de repetição: A neurose traumática e o jogo na criança 
Freud traz estas duas situações que a repetição acaba por tentar administrar 
uma experiência dolorosa. No caso da primeira a neurose traumática advém de 
um choque que coloca a vida em risco, onde assume a sua manifestação pela 
angústia, por variados sintomas e sonhos repetitivos. Nos sonhos repetitivos 
tem como ponto principal a repetição desta situação repetitiva, um ponto de 
observação e que vai contra a teoria de que o sonho é a realização de um 
desejo. 
Na segunda seria a repetição do jogo na criança, Freud observa seu neto 
de uma ano e meio, o não protestar a ausência da mãe chama atenção, ao 
contrário a criança brincava muitas vezes de jogar uma bobina de 
madeira amarrada a um cordão para longe e depois puxar de volta, este 
ato estaria relacionado a mãe, onde fazia ela desaparecer e aparecer 
novamente neste brincar. 
Segundo Freud o menino tentava transformar esta experiência desagradável 
da ausência da mãe, de uma atitude passiva, passa para uma ativa, passando 
assim da passividade para a atividade e outra questão que ao lançar o objeto 
para longe de si, o menino de certa forma pode satisfazer o impulso reprimido 
de vingança por a mãe ter o deixado sozinho. Freud conclui que o jogo na 
criança teria como função ser uma forma de repetir as experiências que 
causaram o desprazer na tentativa de controlar a situação emocional. 
Sendo viável pensar que este brincar repetidamente pode levar a uma 
elaboração e estando colocada no princípio do prazer. 
Além do princípio do prazer e a compulsão à repetição 
De acordo com Freud a transferência seria a apresentação de fragmentos que 
estão reprimidos, estes do passado infantil do sujeito e na análise acaba se 
repetindo e abre a possibilidade de isto ser elaborado no presente, é o que se 
busca na análise e que o autor aponta em seu texto “Recordar, repetir e 
elaborar” (1914), mas entretanto em alguns analisandos este processo de 
elaboração vem a fracassar e a repetição vem a se tronar uma compulsão à 
repetição, esta que não advém do conflito entre consciente e inconsciente, que 
o inconsciente induzirá uma descarga no consciente, de acordo com a teoria da 
primeira tópica freudiana no caso da neurose. 
Se pode observar que esta compulsão à repetição não traz nenhum prazer, 
tanto na análise como no cotidiano do analisando. Mas na análise mesmo não 
gerando nenhum prazer ele acaba por repetir na transferência estas situações 
de desprazer, este repetir compulsivamente seria um desejo ativo do 
analisando, entretanto inconsciente, por isso ele não percebe. 
Considerações finais 
No texto Freud coloca esta questão da compulsão à repetição como algo que 
vai além do princípio do prazer, com isso introduz a pulsão de vida e o conflito 
com a pulsão de morte, deve-se levar em consideração o período de perdas 
que ele teve neste período histórico inclusive de sua filha Sophie em 1920 e o 
sucídio do amigo psicanalista Victor Tausk da mesma forma os medos 
deixados pela primeira guerra mundial, podem ter contribuído para esta escrita 
sobre pulsão de morte. 
Na clinica psicanalítica faz muito sentido esta compulsão de repetição e 
como isto pode estar atrelado a pulsão de morte que visa a 
autodestruição do sujeito, como por exemplo no caso da adicção, que 
esta dependência química em algo primeiramente visa o prazer, mas em 
segundo plano pode estar ligada a destruição deste sujeito, lembrando 
que esta vai acontecendo de maneira inconsciente e a psicanálise nas 
sessões de análise é uma alternativa para que isto venha a ser percebido 
conscientemente e haja a sua interrupção. 
https://www.sbcoaching.com.br/compulsivo/
https://www.sbcoaching.com.br/compulsivo/
Com este texto Sigmund Freud traz que pode existir um prazer no desprazer, 
isto pode ser pensado em relação a ganhos secundários em relação aos 
sintomas, em que o ego se adapta e se acostuma as certas circunstância, 
mesmo quando elas causam mal-estar e angústia, são colocações polêmicas 
dizer que o ser humano é capaz de sentir prazer e gostar da dor, mas se 
pensarmos na compreensão em que a psicanálise traz da psique e dos 
mistérios do inconsciente é completamentepossível aceitar esta visão. 
Referências bibliográficas 
QUINODOZ, Jean-Michel. Ler Freud: guia de leitura da obra de S. Freud. 
Artmed Editora, 2007. 
O presente artigo foi escrito por Bruno de Oliveira Martins. Psicólogo clínico, 
particular CRP: 07/31615 e pela plataforma online Zenklub, acompanhante 
terapêutico (AT), estudante de psicanálise pelo Instituto de Psicanálise Clínica 
(IBPC), contato WhatsApp: (054) 984066272

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