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Angela Rama
Gislane Azevedo
Isabela Gorgatti
Leandro Calbente
Reinaldo Seriacopi
POLÍTICA E ÉTICA EM
AÇÃO: CIDADANIA E DEM
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ISBN 978-65-5742-116-1
MANUAL DO
PROFESSOR
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PRISMA
1a edição
São Paulo – 2020
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Maria Angela Gomez Rama
• Mestra em Ciências (Geografia Humana) pela
Universidade de São Paulo (USP).
• Bacharela e licenciada em Geografia pela
Universidade de São Paulo (USP).
• Especialista em Ensino de Geografia pela Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
• Licenciada em Pedagogia pela Universidade de
Franca (Unifran-SP).
• Formadora de professores. Atuou como professora
no Ensino Fundamental e Médio das redes pública
e privada e no Ensino Superior.
Gislane Campos Azevedo Seriacopi
• Mestra em História Social pela Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
• Professora universitária, pesquisadora e
ex-professora de História do Ensino Fundamental e
Médio nas redes pública e privada.
Isabela Gorgatti Cruz
• Bacharela em Geografia pela Universidade de São Paulo (USP).
• Especialista em Administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP).
• Editora de livros didáticos.
Leandro Calbente Câmara
• Bacharel em História pela Universidade de São Paulo (USP).
• Bacharel em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP).
• Mestre em Ciências (História Econômica) pela Universidade
de São Paulo (USP).
• Editor de livros didáticos.
Reinaldo Seriacopi
• Bacharel em Letras pela Faculdade de Filosofia,
Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP).
• Bacharel em Jornalismo pelo Instituto Metodista de Ensino
Superior (IMS-SP).
• Editor especializado na área de História.
MANUAL DO
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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Prisma : ciências humanas : política e ética em
ação : cidadania e democracia : ensino médio /
Maria Angela Gomez Rama ... [et al.]. – 1. ed. –
São Paulo : FTD, 2020.
Área do conhecimento : Ciências humanas e sociais
aplicadas
Vários autores : Gislane Campos Azevedo
Seriacopi, Isabela Gorgatti Cruz, Leandro Calbente
Câmara, Reinaldo Seriacopi
Bibliografia
ISBN 978-65-5742-115-4 (Aluno)
ISBN 978-65-5742-116-1 (Professor)
1. Ciências (Ensino médio) 2. Tecnologia I.
Seriacopi, Gislane Campos Azevedo II. Cruz, Isabela
Gorgatti III. Câmara, Leandro Calbente IV. Seriacopi,
Reinaldo
20-44109 CDD-372.7
Índices para catálogo sistemático:
1. Ciências : Ensino médio 372.7
Aline Graziele Benitez - Bibliotecária - CRB-1/3129
Copyright © Maria Angela Gomez Rama, Gislane Campos Azevedo Seriacopi, Isabela
Gorgatti Cruz, Leandro Calbente Câmara e Reinaldo Seriacopi, 2020
Direção-geral Ricardo Tavares de Oliveira
Direção editorial adjunta Luiz Tonolli
Gerência editorial Flávia Renata Pereira de Almeida Fugita
Edição João Carlos Ribeiro Junior (coord.)
Bárbara Berges, Carolina Bussolaro, Maiza Garcia Barrientos Agunzi,
Siomara Sodré Spinola
Preparação e revisão de textos Maria Clara Paes (sup.)
Danielle Costa, Diogo Souza Santos, Eliana Vila Nova de Souza,
Felipe Bio, Fernanda Rodrigues Baptista, Graziele Cristina Ribeiro,
Jussara Rodrigues Gomes, Kátia Cardoso da Silva,
Lívia Navarro de Mendonça, Rita Lopes, Thalita Martins da Silva Milczvski,
Veridiana Maenaka
Gerência de produção e arte Ricardo Borges
Design Daniela Máximo (coord.), Sergio Cândido
Imagem de capa nastas_styles/Shutterstock.com
Arte e Produção Vinicius Fernandes (sup.)
Ana Suely Silveira Dobon, Karina Monteiro Alvarenga,
Jacqueline Nataly Ortolan (assist.)
Diagramação C2 Artes
Coordenação de imagens e textos Elaine Bueno Koga
Licenciamento de textos Érica Brambila, Bárbara Clara (assist.)
Iconografia Priscilla Liberato Narciso, Ana Isabela Pithan Maraschin (trat. imagens)
Ilustrações Andreia Vieira, Davi Augusto, Eber Evangelista, Leandro Ramos, Ricardo
Sasaki, Sonia Vaz
Em respeito ao meio ambiente, as folhas
deste livro foram produzidas com fibras
obtidas de árvores de florestas plantadas,
com origem certificada.
Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD
CNPJ 61.186.490/0016-33
Avenida Antonio Bardella, 300
Guarulhos-SP – CEP 07220-020
Tel. (11) 3545-8600 e Fax (11) 2412-5375
Reprodução proibida: Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610
de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados à
EDITORA FTD.
Rua Rui Barbosa, 156 – Bela Vista – São Paulo – SP
CEP 01326-010 – Tel. 0800 772 2300
Caixa Postal 65149 – CEP da Caixa Postal 01390-970
www.ftd.com.br
central.relacionamento@ftd.com.br
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APRESENTAÇÃO
Diariamente, somos bombardeados por notícias e informações na internet,
na televisão, nos jornais, o que torna muito difícil entender o que acontece no
mundo e identifi car aquilo que é signifi cativo para nós e que pode infl uenciar
nosso cotidiano e impactar nossa comunidade. Se muitas vezes você tem a sen-
sação de que não consegue analisar satisfatoriamente esse imenso volume de
informações, saiba que não está sozinho.
As Ciências Humanas e Sociais Aplicadas são uma ferramenta importante para
nos ajudar a refl etir sobre o mundo em que vivemos. Os saberes desenvolvidos
pela História, pela Geografi a, pela Sociologia e pela Filosofi a permitem mobilizar
competências e habilidades fundamentais para o exercício do pensamento crítico,
essencial para transformarmos as informações recebidas diariamente em conhe-
cimentos capazes de nos ajudar a modifi car a realidade que nos cerca.
Para auxiliá-lo nessa tarefa, selecionamos um conjunto de temas importan-
tes para a compreensão dos tempos atuais. Por meio de textos, mapas, gráfi cos,
tabelas, fotografi as e muitos outros documentos, você terá condições de interpre-
tar e analisar criticamente não só a sua realidade, mas o mundo de uma maneira
mais ampla. Com isso, esperamos ajudá-lo no exercício da cidadania e no desen-
volvimento de práticas colaborativas que contribuam para a construção de uma
sociedade mais justa, em busca do bem-estar coletivo.
Esperamos oferecer o conhecimento necessário para você desenvolver uma
visão crítica da realidade e se sentir seguro para adotar uma postura protagonista
em seu dia a dia.
Os autores
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UNIDADE
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Participação
política
Um aspecto central para a construção de
uma sociedade justa é assegurar participa-
ção política atodos os cidadãos. Participar
da política não significa apenas votar ou
acompanhar o desempenho do governo;
significa também se envolver em ações
comunitárias, se engajar em grupos, tomar
parte de discussões de temas do interesse
da coletividade e de manifestações públicas
ou fazer uso da internet para debater ideias e
promover formas de atuação coletiva. Nesta
unidade, vamos refletir sobre a organização
do governo e as diferentes possibilidades de
participação política.
1. Você considera que participa ativamente da
política? Como você faz isso?
2. O que pode ser feito para promover a maior
participação dos jovens na política no Brasil
contemporâneo?
NÃO ESCREVA
NO LIVRO
■ Ilustração de Paulica Santos, 2012.
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FAKE NEWS
Fake news é um termo em inglês que significa "notícia falsa". Atualmente, podemos
definir as fake news como notícias ou informações falsas ou, ainda, distorcidas, pro-
duzidas e disseminadas intencionalmente para confundir os leitores. Com a internet,
as fake news ganharam grande notoriedade em razão da velocidade e da quantidade
de informações que recebemos diariamente por meio de diversos suportes midiáticos.
As fake news acarretam as mais diversas consequências, como, por exemplo, modi-
ficar cenários eleitorais e reduzir o número de mães e pais que vacinam seus filhos.
Neste projeto, utilizaremos a análise de mídias tradicionais para produzir um folheto
informativo, com o objetivo de ajudar a comunidade a identificar fake news e a se infor-
mar de maneira segura.
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CAPÍTULO
Em 2019, ocorreu um lance inusitado em uma partida de futebol
na Dinamarca. As equipes do Vejle e do AGF disputavam um jogo para
fugir do rebaixamento. Em determinado momento, a partida foi inter-
rompida quando a bola estava com o AGF. O time do Vejle como manda
o fair play, deveria devolver a bola aos jogadores do AGF.
O atacante do Vejle, porém, chutou a bola em direção ao campo adver-
sário e surpreendentemente marcou um gol. A situação criou uma grande
confusão, já que era um gol que poderia mudar o futuro das duas equipes.
Os jogadores começaram a discutir e precisaram entrar em um acordo para
solucionar o impasse da forma mais justa possível. A solução foi permitir
que o AGF marcasse um gol para reestabelecer a igualdade no placar.
Essa situação é um exemplo de como a ética é um campo de refle-
xão muito importante para a vida cotidiana. Os jogadores das duas
equipes iniciaram uma discussão em torno de valores. O objetivo disso
era determinar o que era justo e o que era injusto.
O que transforma essa discussão em um problema ético é o fato
de que não havia uma solução predeterminada para o conflito entre
as equipes. As regras do futebol não estabelecem o que fazer em uma
situação como essa. Além disso, o juiz da partida não tinha elementos
prévios para resolver o conflito e estabelecer a decisão mais justa.
Assim, a decisão dos jogadores foi tomada a partir da reflexão em
torno do problema, visando ao comportamento mais adequado. Essa
decisão criou um valor ético, que foi respeitado por todos. Ao final, a
partida foi reequilibrada e o AGF venceu o adversário por 4 a 2. Mesmo
derrotada, a equipe do Vejle jogou a partida de forma ética.
Neste capítulo, vamos refletir sobre o conceito de ética e analisar
como ele é importante para a vida de todos nós.
A ética no mundo
contemporâneo
■ Cena de partida de
futebol disputada
entre as equipes
do Vejle e do AGF,
em Vejle, Dinamarca,
2019.
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Como vimos , os valores se transformam ao longo do tempo. Por
isso, algumas ideias consideradas corretas no passado são vistas atual-
mente como práticas criminosas que devem ser combatidas. O estudo
da ética é muito importante nesse processo, já que ele pode ajudar a
avaliar as transformações dos valores de modo a não reproduzir precon-
ceitos ou práticas violentas que eram consideradas moralmente corretas
em outras épocas.
O texto a seguir, escrito por um juiz dos Estados Unidos em 1927, é
um exemplo. Leia atentamente e responda ao que se pede:
É melhor para todo mundo se, em vez de esperar para executar os
descendentes degenerados por algum crime ou deixar que morram de
fome por causa da imbecilidade, a sociedade possa prevenir aqueles
que são manifestadamente inaptos de se reproduzirem. O princípio
que sustenta a vacinação obrigatória é suficientemente amplo para
cobrir o corte das trompas de Falópio. [...] Três gerações de imbecis
são suficientes.
Fonte dos dados: LANG-STANTON, P.; JACKSON, S. Eugenia: como movimento para criar seres humanos
‘melhores’ nos EUA influenciou Hitler. BBC News Brasil, 23 abr. 2017. Disponível em: https://www.bbc.com/
portuguese/internacional-39625619. Acesso em: 10 jun. 2020.
1. Tendo em vista o atual conhecimento científico, por que a proposta do
juiz não se justifica? Caso julgue necessário, pesquise informações para
fundamentar sua resposta.
2. Do ponto de vista ético, por que a proposta do juiz é incorreta? Apresente
argumentos para justificar seu posicionamento.
3. Imagine que você deve ela-
borar uma resposta ao juiz.
Escreva uma carta mobili-
zando argumentos cientí-
ficos e éticos para refutar
aquilo que ele defende. Ao
final, discuta seu texto com
os colegas em sala de aula.
Corte das trompas de
Falópio
Método de esterilização
de mulheres.
DIÁLOGOS> LINGUAGENS E LEITURAS>
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NÃO ESCREVA
NO LIVRO
■ Ilustração
representando a
"Árvore Eugenia" e
a ideia de evolução
humana por meio das
raízes, que extraem
materiais de diversas
fontes. O cartaz foi
utilizado como símbolo
do Segundo Congresso
Internacional de
Eugenia, realizado em
Nova York (Estados
Unidos), em 1922.
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Abertura dos
capítulos
Todos os capítulos iniciam-se
com algum assunto do presente,
para que você possa começar
a entender como as Ciências
Humanas e Sociais Aplicadas se
relacionam com o seu cotidiano.
Atividades
Conjunto de atividades que
aparece ao final de muitos
capítulos. É o momento em
que você aplica os saberes
apreendidos e exercita sua
reflexão a respeito de diferentes
temas estudados.
Linguagens e leituras
Esta atividade trabalha habilidades de leitura e
interpretação de diferentes tipos de documentos,
como mapas, gráficos, tabelas, charges, fotografias,
textos impressos etc. Muitas vezes, você será
convidado a relacionar informações em documentos
distintos. A seção encontra-se no meio dos capítulos,
mas pode aparecer também ao final deles.
Abertura das
unidades
Texto e imagem apresentam
o tema central da unidade.
Também encontram-se
perguntas que auxiliam na
reflexão sobre o assunto.
Muitas imagens presentes
nas aberturas são trabalhos
de artistas plásticos
contemporâneos. Todos os
volumes estão divididos
em quatro unidades, e cada
unidade tem dois capítulos.
Nossa comunidade
Por meio desta seção, você e seus colegas desenvolverão um projeto que impactará a
comunidade em que vivem. É o momento de exercerem o protagonismo. São dois projetos
por livro, cada um composto de quatro etapas que aparecem ao final de cada capítulo.
Esta coleção é composta de seis volumes. A seguir, apresentare-
mos algumas das principais características das obras.
NÃO ESCREVA
NO LIVROATIVIDADES>
• Democracia é o tema da tirinha reproduzidaabaixo. Observe-a com aten-
ção e responda ao que se pede.
1. Na tirinha vemos personagens que representam dois grupos distintos.
a) Quais grupos são representados?
b) Que elementos presentes na tirinha embasam sua resposta?
2. A tirinha faz referência à democracia.
a) O que é a democracia, no seu entendimento?
b) De que maneira essa ideia encontra-se expressa na charge?
3. Pode-se dizer que a imagem mostra um equilíbrio de forças entre dois
grupos? Justifique.
4. De acordo com a cartunista, de que modo é possível haver um equilí-
brio de forças?
Como essa ideia é transmitida na charge? Você concorda com essa
ideia?
5. Além da democracia, a tirinha faz referência a outro elemento funda-
mental da vida política. Qual é ele?
6. Resuma em uma frase a mensagem que a tirinha transmite, em sua
opinião.
LA
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LAERTE. [Tirinha]. Folha de S.Paulo, 1o maio 2018.
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Glossário
As palavras
destacadas nos
textos ganham
uma explicação
aprofundada
no glossário.
CONHEÇA
SEU LIVRO
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INVESTIGAÇÃO>
O slam como forma de resistência
Slam (slam poetry) é um estilo de poesia apresentada em forma de batalha e,
por isso, também conhecido como batalha de slam. Os poetas devem ler ou recitar
produção autoral, sem uso de adereços ou instrumentos, mas podem apresentar
performances.
■ Apresentação de slam em CIEP da cidade do Rio de Janeiro (RJ), 2020.
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O termo slam teve origem em Chicago, nos Estados Unidos, em 1984, e seu sig-
nificado está relacionado ao som de uma batida de porta ou janela. Atualmente, as
batalhas de slam são realizadas em mais de 500 comunidades do mundo. No Brasil,
todos os anos acontece o Slam BR – Campeonato Brasileiro de Poesia Falada, cujo
vencedor compete na Copa do Mundo de Slam, realizada anualmente na França.
Esse acontecimento poético dá voz a poetas da periferia, que trazem à tona
questões da contemporaneidade, convidando o público a refletir sobre os temas
abordados e provocando a tomada de consciência política.
Os temas normalmente estão relacionados à realidade das periferias, como
racismo, feminismo, desemprego, violência. Por isso, o slam é uma forma de resis-
tência e, como tal, uma prática política.
Com base nessas informações e em outras pesquisas, organize, coletivamente,
uma batalha de slam na escola.
Para iniciar essa atividade, em primeiro lugar, converse com os professores sobre
como efetivar esse evento.
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Em seguida, com a ajuda de seus colegas, organize a turma em duplas ou trios
para a criação das poesias e monte as chaves para determinar a ordem de confronto
entre as duplas e trios, desde a primeira fase até a final. A ideia é que o número de
participantes se reduza a cada fase.
Após a organização do evento, escolha os professores que serão os jurados
para determinar quem venceu cada confronto. É importante discutir previamente
as regras de avaliação, de modo que todos tenham clareza dos critérios.
Com o evento planejado, é o momento de criar os slams. Para isso, os grupos
devem selecionar os temas das poesias e pesquisar informações. Também é inte-
ressante buscar na internet exemplos de slams para ter uma ideia mais clara sobre
o formato dessa produção.
Com as poesias finalizadas, é importante ensaiar a apresentação. Caso nem
todos os membros do grupo se sintam à vontade para se apresentar, é possível
selecionar um representante. É necessário, porém, que todos os grupos apresentem
suas produções no momento do confronto.
Pronto, agora basta iniciar o evento. É importante respeitar os colegas e acom-
panhar atentamente as apresentações de todos. Além disso, é interessante registrar
as apresentações por meio de fotos ou filmagem. Caso o grupo esteja de acordo, é
possível divulgar as batalhas nas redes sociais.
Ao final, organizem uma etapa de discussão com todos os participantes, para
entender como cada um interpretou os poemas e de que forma a atividade ajudou
a refletir sobre nossa sociedade.
■ Grande final do Slam BR 2019 – Campeonato Brasileiro de Poesia Falada, no Sesc Pinheiros, em
São Paulo (SP), 2019.
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O Complexo do Alemão, ou Morro do Alemão, na zona norte do
Rio de Janeiro, é formado por 13 comunidades e abriga uma população
de 180 mil pessoas. Esses moradores convivem com uma série de pro-
blemas, como ruas esburacadas, falta de eletricidade e de saneamento
básico. Em 2010, os moradores do Complexo do Alemão viveram um
momento de grande tensão quando tropas das Forças Armadas e da
Polícia Militar ocuparam o morro, e as ruas se transformaram em um
palco de guerra entre militares e traficantes. Foi a partir desse momento
que Rene Silva ganhou reconhecimento.
Na época com 17 anos, Rene, de dentro de sua casa – localizada no
Morro do Adeus, uma das comunidades do complexo –, começou a
publicar em uma rede social informações sobre o confronto em tempo
real. Suas postagens se tornaram a principal fonte de notícias sobre
os conflitos e viralizaram com rapidez. Em poucas horas, o perfil Voz
das Comunidades, criado por Rene em uma rede social para divulgar
as informações, recebeu milhares de seguidores do Brasil e de vários
outros países. Mais do que isso, ganhou destaque nas mídias nacionais
e internacionais.
A experiência de Rene com o jornalismo comunitário começou aos
11 anos, quando lançou na escola o jornal Voz das Comunidades, para
divulgar os problemas do Morro do Adeus. Com apenas quatro páginas
e uma tiragem de 50 exemplares, o periódico ajudou a comunidade a
chamar a atenção do poder público para suas reivindicações.
■ Rene Silva, funda-
dor do jornal Voz
das Comunidades,
no Complexo do
Alemão, Rio de
Janeiro (RJ), em 2020.
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DIÁLOGOS> EU TAMBÉM POSSO>
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Contando com uma equipe reduzida de colaboradores, todos da
mesma faixa etária de Rene, o jornal passou a ser patrocinado por comer-
ciantes locais, o número de páginas aumentou e a tiragem saltou para 5 mil
exemplares. Tudo isso antes dos acontecimentos de 2010.
Desde então, o Voz das Comunidades só cresceu, e seu campo
de atuação se expandiu, transformando-se em um portal na internet.
Além disso, ele tem contas em diversas redes sociais que conquistaram
centenas de milhares de seguidores. O jornal, que no início circulava
apenas no Morro do Adeus, chegava a dez comunidades do Complexo
do Alemão em 2020.
Além de dar voz aos moradores do Complexo do Alemão e mostrar
as potencialidades do lugar, o Voz das Comunidades passou a realizar
atividades ligadas à cultura, à assistência social, à educação e ao lazer.
Todo esse trabalho desenvolvido por Rene lhe rendeu projeção inter-
nacional. Em 2018, a Mipad, uma organização sediada em Nova York e
ligada às causas dos afrodescendentes, elegeu Rene como uma das 100
pessoas negras mais influentes do mundo.
No Brasil, o trabalho de Rene serviu de inspiração para a criação de
outros portais comunitários, como o Nordeste Eu Sou, de Salvador; e
o Diário de Ceilândia, no Distrito Federal. A respeito de seu trabalho,
Rene declarou:
A realidade das favelas é não ter voz, não ter espaço, não ter mídia,
e o meu desejo é fazer com que a gente tenha voz e espaço e que
consiga, de fato, mais jovens assim como eu.
XAVIER, E. Do Complexo do Alemão ao mundo, Rene Silva amplia voz de quemnão tem palavra. GQ, 20 jul.
2020. Disponível em: https://gq.globo.com/Prazeres/Poder/noticia/2020/07/do-complexo-do-alemao-ao-
mundo-rene-silva-amplia-voz-de-quem-nao-tem-palavra.html. Acesso em: 12 ago. 2020.
1. Com base na leitura do capítulo, pode-se dizer que o trabalho de Rene
Silva é um exemplo de participação política? Por quê?
2. Rene afirma: “A realidade das favelas é não ter voz, não ter espaço, não
ter mídia”. Em sua opinião, por que isso acontece? Qual é o impacto dessa
realidade para os moradores das comunidades?
3. A pouca idade não impediu Rene de realizar o desejo de escrever um
jornal para a comunidade em que vivia. Como você reage quando se
depara com algum problema que pode impedir a concretização de um
objetivo seu? Você desiste ou procura alternativas? Conte para seus cole-
gas sobre seu comportamento nessas ocasiões, procurando ilustrar com
uma experiência vivida por você.
NÃO ESCREVA
NO LIVRO
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D3-CH-EM-3075-V2-U3-C6-094-111-LA-G21_AVU1.indd 109D3-CH-EM-3075-V2-U3-C6-094-111-LA-G21_AVU1.indd 109 16/09/20 20:5916/09/20 20:59
Conceito em mudança permanente
A própria ideia de cidadania está em mudança permanente. Ela varia de uma
nação para outra, de um momento histórico para outro. Se, hoje, esse conceito é
cada vez mais inclusivo, na antiga Grécia, onde a ideia da cidadania surgiu, ele tinha
um caráter excludente.
Nas antigas pólis, nem todos tinham direitos de cidadania. As pessoas escraviza-
das, por exemplo, tinham muito menos direitos que os cidadãos livres. Além disso,
mulheres e estrangeiros não podiam participar da vida política da cidade.
Ainda hoje, o conceito de cidadania varia de um lugar para outro. Ser cidadão,
no Brasil, é diferente de ser cidadão nos Estados Unidos ou na França. Uma das
grandes questões na atualidade é como garantir a cidadania a todos, considerando
as diferenças étnicas, religiosas, culturais, sociais e econômicas observadas em um
mundo cada vez mais globalizado, plural e multicultural.
São questões para as quais ainda não se tem uma resposta, mas, como afirma
o historiador Peter Demant (1951-), para que a cidadania beneficie a todos, é neces-
sário que as relações entre maioria e minorias, inclusive em nível institucional (leis,
políticas públicas etc.), sejam renovadas de modo a considerar os interesses de toda
a população, não apenas os das elites.
■ Refugiados e migrantes chegam a bordo de um barco inflável à ilha de Lesbos (Grécia), 2020.
> DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Observe as fotografias desta página e da página anterior. Em sua opinião, as pessoas retratadas têm
seus direitos de cidadão assegurados? Em sua comunidade, existem grupos que carecem desses
direitos? Justifique suas respostas.
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Esses vazios de cidadãos podem ser verificados em diferentes
escalas espaciais: quando se comparam as grandes regiões, unidades
da federação, municípios e regiões dentro dos municípios, e quando se
verificam vazios nas periferias das cidades.
Para que não fiquemos apenas na constatação dos vazios de cida-
dãos, vale lembrar que não há outro caminho para reduzir ou eliminar
tais vazios que não o da participação democrática de toda a população.
Essa participação, como já vimos, vai muito além do voto, devendo cada
cidadão estar alerta, cobrar as autoridades e manifestar-se, sempre con-
siderando a lei maior do país, a Constituição.
■ Rua alagada no bairro
Terra Firme. Os mora-
dores convivem com
esgoto a céu aberto
e frequentes alaga-
mentos do canal Lago
Verde, que cruza o
bairro. Belém (PA), 2019.
NÃO ESCREVA
NO LIVRO> LEITURA DE IMAGEM
• Observe atentamente a fotografia desta página e analise a cena retratada
com base no conceito de vazio de cidadãos.
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Winter on fire: Ukraine’s fight for freedom
Direção: Evegny Afineevsky. Estados Unidos/Ucrânia, 2015. Vídeo (98 min).
O documentário, cujo título pode ser traduzido como “Inverno em chamas: a luta
da Ucrânia pela liberdade”, aborda a Revolução Ucraniana de 2014, quando jovens
foram às ruas protestar contra a aproximação entre o governo ucraniano e a União
Europeia. O filme mostra a complexa rede de influências formada por países como
Rússia e Estados Unidos, além da União Europeia e partidos de extrema direita.
Disponível em: https://www.netflix.com/br/title/80031666. Acesso em: 5 set. 2020.
A onda
Direção: Dennis Gansel. Alemanha, 2009. DVD (107 min).
O filme narra a história de um professor que ministra aulas sobre regimes
autocráticos por meio de práticas pedagógicas pouco convencionais. A narrativa
mostra a facilidade com que discursos autocráticos conseguem manipular as
massas, principalmente os jovens, que estão em processo de formação de
personalidade.
> SAIBA MAIS
E-democracia
Disponível em: http://www.edemocracia.leg.br/. Acesso em: 22 ago. 2020.
A plataforma, criada em 2009 pela Câmara dos Deputados, permite a participação
popular por meio da gestão de dados públicos. É possível encontrar diversos
modelos de participação, como edição colaborativa de projetos de lei e interação
em audiências.
Oxfam Brasil
Disponível em: https://www.oxfam.org.br/justica-social-e-economica/forum-
economico-de-davos/tempo-de-cuidar/. Acesso em: 22 ago. 2020.
O link dá acesso a informações recentes sobre a desigualdade econômica no mundo
e ao relatório Tempo de cuidar – O trabalho de cuidado não remunerado e mal pago
e a crise global da desigualdade, disponível para download. Navegando no site da
organização, é possível acessar notícias atualizadas sobre desigualdades e direitos
humanos; juventudes, gênero e raça; e justiça econômica.
A ONU e a democracia
Disponível em: https://nacoesunidas.org/acao/democracia/. Acesso em: 06 set.
2020.
A página das Organização das Nações Unidas apresenta o trabalho desenvolvido
pela ONU na promoção da democracia, incluindo o apoio à participação política das
mulheres no mundo.
145
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O movimento ambientalista também ganhou destaque nos últimos
anos. Para fazer frente às crescentes agressões ao meio ambiente – como
desmatamentos, extinção de espécies, despejo de produtos tóxicos na
natureza –, que geram prejuízos sociais para as atuais e as futuras gera-
ções, os ambientalistas vêm defendendo a necessidade de alterações
na estrutura da economia global e no padrão de consumo das pessoas.
Nessa esteira também atua o movimento indígena, cuja pauta está cada
vez mais vinculada à preservação do meio ambiente.
Existem, ainda, grupos que lutam pela ampliação dos direitos de
populações marginalizadas. No Brasil, há dois importantes movimentos
sociais que lutam, respectivamente, por moradia e terra: o Movimento
dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e o Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra (MST). Enquanto o primeiro reivindica o direito à
moradia para famílias carentes, o segundo reclama a concessão de terras
públicas e improdutivas a agricultores que não possuem condições de
adquirir propriedades. Ambos buscam implementar dispositivos da
Constituição de 1988, que inclui o direito à moradia (artigo 6º) e uma
política de reforma agrária (artigos 184 a 191).
■ Voluntárias trabalham
na campanha
Marmita Solidária,
iniciativa organizada
para fornecer água,
alimentos e banho à
população em situação
de rua durante a
pandemia da covid-19,
no Recife (PE), 2020.
> MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• O movimento ambientalista vem ganhando um protagonismo cada vez maior nos últimos anos.
Pesquise sobre a atuação dos diversos grupos dedicados a essa questão. Em seguida, escreva um
texto no caderno, explicando a relação entre a causa ambiental e os direitos humanos.
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De mãos dadas
Atividades que relacionam temas
do capítulo com sua realidade,
como seus amigos, sua escola, seu
bairro, seu município etc. Aparece
de forma aleatória nos capítulos.
Saiba mais
Aqui você encontra
sugestões de
filmes, sites,
vídeos, podcasts,
livros e outros
materiais que
ampliam os
saberes explorados
nas unidades.
Leitura de
imagem
Atividade de leitura
e análise de mapas,
gráficos, charges e
outras linguagens
imagéticas. Aparece
de forma aleatória
nos capítulos.
Meus argumentos
Momento em que você expõe
suas ideias, pois esta seção
explora sua capacidade de
analisar, refletir e argumentar
a respeito de determinado
assunto. Aparece de forma
aleatória nos capítulos.
Eu também posso
Esta seção apresenta exemplos de jovens que exerceram o
protagonismo e promoveram mudanças na comunidade em que
vivem. O texto vem acompanhado de atividades que exploram,
entre outros itens, suas competências socioemocionais. Esta seção
aparece duas vezes por volume.
InvestigAção
Esta seção estimula o pensamento crítico. Aliando criatividade com
diferentes práticas de pesquisa, você será convidado a solucionar
problemas e desafios relacionados ao seu cotidiano. Esta seção
aparece duas vezes por volume.
Este ícone aparece
junto das atividades
em que é proposto o
trabalho em grupo.
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Ética e política . . . . . . . . . . . . . . . 10
UNIDADE
1
> Capítulo 1 A ética no mundo
contemporâneo . . . . . . . . . . . . . . . 12
O que é ética? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
Ética e moral são a mesma coisa? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
Ética no dia a dia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
Linguagens e leituras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
Vivemos uma crise ética? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
A modernidade líquida e a crise ética . . . . . . . . . . . . . . . . 21
Ética, bem-estar e território . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
Atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .24
Nossa comunidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
> Capítulo 2 Política não se
discute? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .26
O que é política? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
Política e justiça . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30
Política e cidadania . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
Linguagens e leituras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
Política e poder . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .34
O poder está em toda parte . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .34
Poder, política e resistência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
Negação da política . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .36
Atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .38
InvestigAção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40
Nossa comunidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .42
Saiba mais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .43
Direitos humanos . . . . . . . . . 44
UNIDADE
2
> Capítulo 3 Em busca da
cidadania . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .46
É possível ser feliz? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
Reflexões sobre a felicidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
A felicidade como direito humano . . . . . . . . . . . . . . . .49
Hobbes e a soberania popular . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
Locke e os direitos individuais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
Direitos universais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52
Linguagens e leituras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
Cidadania hoje . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .54
Conceito em mudança permanente . . . . . . . . . . . . . . . . . 55
Cidadania e espaço . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .56
Atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .58
Nossa comunidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .59
> Capítulo 4 O que são os
direitos humanos? . . . . . . . . 60
Evolução histórica dos direitos humanos . . . . . . . 61
Os quatro pilares dos direitos humanos . . . . . . . . . . . . .62
Direitos para grupos específicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .63
Desigualdades estruturais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64
Linguagens e leituras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .65
Conquistas sociais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .66
Muito a conquistar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
Mundo: violação dos direitos
humanos, 2014 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .68
A luta por direitos sociais no presente . . . . . . . . . . . . . . . 70
Linguagens e leituras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73
Eu também posso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74
Nossa comunidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 76
Saiba mais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77
SUMÁRIO
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Participação
política . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .78
UNIDADE
3
> Capítulo 5 A organização do
governo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80
Diferentes formas de organização do
governo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81
A divisão dos poderes e a organização
do governo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .82
Linguagens e leituras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .83
Formas de governo e regimes políticos . . . . . . . . . . . . . 84
Atividade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .85
As origens do governo no Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . .86
A independência e a organização de um
governo autônomo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .86
A primeira democracia brasileira . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87
O governo brasileiro no século XX:
entre ditaduras e democracias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .88
Um breve período democrático . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .88
A Nova República e o problema da corrupção . . . . . 90
Atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .92
Nossa comunidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .93
> Capítulo 6 Participação política . . . . 94
O que é participação política? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .95
Participação política e governo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .95
Outras formas de participação política ao
longo do tempo . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 97
A invenção do sufrágio como forma de
participação política . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .98
Linguagens e leituras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .99
A participação política na era da internet . . . . 100
Internet e colaboração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 101
A internet e a organização de movimentos
sociais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 102
O problema da desigualdade de acesso
à internet . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 103
O jovem e a participação política . . . . . . . . . . . . . . . 104
As Jornadas de Junho de 2013 e a mobilização
estudantil de 2015 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 105
Linguagens e leituras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 106
Eu também posso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 108
Nossa comunidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 110
Saiba mais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111
Organização
do Estado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 112
UNIDADE
4
> Capítulo 7 A organização do
Estado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 114
A gênese do Estado moderno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 115
O fortalecimento da autoridade dos reis . . . . . . . . . . . 116
Os primeiros Estados centralizados: as
monarquias nacionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117
Linguagens e leituras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 118
A organização do Estado brasileiro . . . . . . . . . . . . . 119
Estado-nação e nações sem Estado . . . . . . . . . . . . 123
Nações e nacionalismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 123
Nacionalismo e conflitos contemporâneos . . . . . . . . 124
O conflito na Palestina . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 125
Atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 126
Nossa comunidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 127
> Capítulo 8 A democracia pode
morrer? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 128
Origens da democracia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129
Os limites da democracia ateniense . . . . . . . . . . . . . . . . 130
Espinosa: uma defesa radical da democracia . . . . . 130
As revoluções do século XVIII: a disseminação
dos ideais democráticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 131
Democracia no século XX . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132
O fascismo e a crise da democracia . . . . . . . . . . . . . . . . 133
A retomada da democratização no pós-guerra . . 134
Linguagens e leituras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 135
A democracia e o sistema internacional . . . . . . 136
O impacto dos conflitos do mundo bipolar no
processo de democratização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 136
Organismos internacionais e o processo de
democratização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 137
Democracia e desigualdade social . . . . . . . . . . . . . . 138
Uma nova crise da democracia? . . . . . . . . . . . . . . . . . 140
Atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 141
InvestigAção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 142
Nossa comunidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 144
Saiba mais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 145
> FICHAS DE AUTOAVALIAÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . 152
> BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR . . . . 154
> BIBLIOGRAFIA COMENTADA . . . . . . . . . . . . . . . . . . 158
Orientações para o professor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 161
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NESTE VOLUME
Objetivos, justificativas, competências e habilidades
Você já parou para pensar por que e para que estuda os conteúdos escolares? Eles devem ter importância
para sua vida, sendo uma ferramenta a mais para que você, com seus colegas e professores, pensem em solu-
ções para diferentes problemas do cotidiano, da sociedade brasileira e do mundo em geral.
Apresentamos, a seguir, as justifi cativas (importância) e os objetivos (para que) de cada unidade deste
livro e também indicamos competências e habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), cujos textos
se encontram ao fi nal do livro.
UNIDADE 1 Ética e política
Justificativa • Por que é importante estudar este
conteúdo?
A ética e a política são práticas fundamentais para a orga-
nização e a transformação das sociedades contemporâneas. Por
essa razão, é fundamental refl etir sobre esses conceitos e enten-
der o modo como eles se manifestam no cotidiano. Assim, esta
unidade analisa e incentiva refl exões sobre o papel dessas práti-
cas na transformação de nossa sociedade.
Objetivos • Devo estudar este conteúdo para...
1. Refl etir sobre a importância da ética e da política ao longo
do tempo na organização das sociedades contemporâneas,
analisando cada um desses conceitos.
2. Compreender a ética como campo de refl exão humana,
que se dedica a analisar os valores sociais, a fi m de pro-
blematizar questões contemporâneas, como as fake news.
3. Valorizar posturas éticas, compreendendo a importância
delas na vida cotidiana e na resolução dos confl itos, como
forma de construir uma sociedade mais equilibrada e justa.
4. Reconhecer a importância da ação ética para a transforma-
ção de nossa sociedade, diferenciando regra moral e ação
ética.
5. Compreender que a política é uma forma de exercer o
poder por meio de discussões coletivas, do convencimento
e da argumentação, analisando a origem da atividade polí-
tica e sua relação com o poder.
6. Reconhecer a importância da ação política dos jovens na
busca de soluções para atender aos interesses e às neces-
sidades de todos, com vistas ao bem comum.
7. Analisar a negação da política e a descrença na democracia
a partir de diversos tipos de linguagens (gráfi cos, tabelas
e textos).
Competências e habilidades
Competências gerais 1,4, 7, 8, 9 e 10
Competências específi cas 1, 5 e 6
Habilidades EM13CHS101, EM13CHS102, EM13CHS103, EM13CHS105,
EM13CHS106, EM13CHS501, EM13CHS502, EM13CHS503,
EM13CHS504, EM13CHS602, EM13CHS603
UNIDADE 2 Direitos humanos
Justificativa • Por que é importante estudar este
conteúdo?
Vivemos em um mundo de grandes conquistas, com avanços
científi cos e tecnológicos. Mas, na contramão desse processo,
encontra-se boa parte da população mundial e brasileira, que
se vê excluída de seus direitos básicos de cidadania e tendo a
integridade física e psicológica constantemente violada. Esta
unidade, portanto, tem como objetivo problematizar essa rea-
lidade, em busca de uma sociedade mais justa, democrática e
inclusiva.
Objetivos • Devo estudar este conteúdo para...
1. Compreender o processo de formação do conceito de cida-
dania em diferentes tempos e espaços.
2. Refl etir sobre as condições necessárias para garantir a cida-
dania a todos no mundo contemporâneo.
3. Entender o que são direitos humanos e sua importância
para a construção de uma sociedade mais justa.
4. Entender as polêmicas existentes em torno dos direitos
humanos na sociedade brasileira.
5. Diferenciar igualdade de equidade, de modo a esclarecer
que a equidade pressupõe a garantia de direitosvoltados
para um público específi co, reconhecendo a importância
de corrigir desigualdades preexistentes.
6. Elaborar explicações sobre a posição do Brasil no ranking
mundial de violação dos direitos humanos a partir da
leitura e análise de informações representadas em mapa.
7. Conhecer as lutas por direitos sociais no presente, compre-
endendo que a luta pela ampliação dos direitos humanos
continua e identifi cando o protagonismo de jovens nesse
processo.
Competências e habilidades
Competências gerais 1, 2, 4, 6, 7, 9 e 10
Competências específi cas 1, 4, 5 e 6
Habilidades EM13CHS101, EM13CHS102, EM13CHS103, EM13CHS106,
EM13CHS403, EM13CHS502, EM13CHS503, EM13CHS504,
EM13CHS601, EM13CHS603, EM13CHS604, EM13CHS605
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UNIDADE 3 Participação política
Justificativa • Por que é importante estudar este
conteúdo?
A refl exão sobre a participação política é indissociável da
refl exão sobre a forma como o governo se organiza ao longo do
tempo. Assim, é necessário refl etir criticamente sobre a maneira
como o governo se organiza no presente e as possibilidades
de transformá-lo por meio da participação política. Além disso,
é importante entender que a participação política vai além do
voto, se expressando em diferentes atividades coletivas que se
desenrolam no cotidiano de todos.
Objetivos • Devo estudar este conteúdo para...
1. Avaliar as diferentes formas de organização dos governos
no mundo contemporâneo a partir do entendimento de
conceitos de forma, sistema e regime de governo.
2. Identifi car permanências e rupturas no processo de for-
mação do Estado brasileiro, analisando problemas atuais,
como a corrupção e o patrimonialismo.
3. Refl etir sobre a desconfi ança em relação às instituições
democráticas a fi m de buscar soluções para fortalecer a
democracia.
4. Reconhecer a importância da participação política para
construir uma sociedade mais justa e democrática.
5. Conhecer práticas de jovens para participar da vida polí-
tica, reconhecendo que ações e condutas de indivíduos e
grupos podem infl uenciar na formação e na atuação dos
governos.
6. Identificar formas variadas utilizadas por indivíduos e
grupos para participar das decisões do governo e da socie-
dade, ao longo do tempo.
7. Avaliar os pontos positivos e negativos da ação política no
mundo digital, refl etindo sobre diferentes visões sobre o
impacto da internet na participação política.
8. Reconhecer que o não envolvimento dos indivíduos e
grupos sociais ajuda a manter a situação existente, sendo
também um gesto político.
9. Utilizar coleta e análise de informações presentes em dife-
rentes linguagens (gráfi co, poema, charge).
Competências e habilidades
Competências gerais 1, 5, 9 e 10
Competências específi cas 1, 5 e 6
Habilidades EM13CHS101, EM13CHS102, EM13CHS501, EM13CHS503,
EM13CHS504, EM13CHS601, EM13CHS602, EM13CHS603
UNIDADE 4 Organização do Estado
Justificativa • Por que é importante estudar este
conteúdo?
O problema da crise da democracia e o modo como isso
afeta a organização das sociedades em diferentes regiões do
mundo é uma questão muito presente no mundo contemporâ-
neo. Ao se discutir essa crise, é necessária uma refl exão crítica em
torno da importância de assegurar a continuidade do processo
de democratização. Nesse contexto, são necessárias análises da
emergência e transformação da noção de democracia, assim
como análises do processo histórico de organização do Estado,
da maneira como se estruturam as principais instituições estatais
no Brasil e do problema das nações sem Estado.
Objetivos • Devo estudar este conteúdo para...
1. Entender a organização e as funções do Estado no mundo
e no Brasil, reconhecendo a importância da participação
política para a construção de uma sociedade mais justa e
democrática.
2. Compreender o processo histórico de constituição do
Estado moderno, refl etindo de forma crítica sobre a reali-
dade dos Estados no presente.
3. Conhecer exemplos da relação entre a estrutura do Estado
centralizado e a vida cotidiana dos cidadãos.
4. Analisar a relação entre nacionalismos e conflitos con-
temporâneos, operacionalizando conceitos de nação e de
Estado.
5. Analisar os riscos de um novo período de governos auto-
ritários no planeta e discutir a perda de confiança na
democracia moderna nos dias atuais.
6. Entender avanços e recuos da democratização no planeta,
analisando o processo histórico de formação das democra-
cias modernas.
7. Identifi car e analisar fatores que desestabilizam as democra-
cias no mundo contemporâneo, como a desigualdade social,
o enfraquecimento das instituições políticas, a transforma-
ção de adversários políticos em inimigos, entre outros.
8. Reconhecer a importância de fortalecer as práticas demo-
cráticas, valorizando a imprensa livre, os partidos políticos
e os movimentos sociais, entre outros mecanismos.
Competências e habilidades
Competências gerais 1, 7, 9 e 10
Competências específi cas 1, 2, 5 e 6
Habilidades EM13CHS101, EM13CHS103, EM13CHS104, EM13CHS201,
EM13CHS501, EM13CHS502, EM13CHS503, EM13CHS603,
EM13CHS604, EM13CHS605
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UNIDADE
1
10
Ética e
política
Uma pesquisa realizada pelo Instituto
Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO), em
parceria com o Datafolha, em 2017, revelou
que 90% dos brasileiros entre 14 e 24 anos
consideram a sociedade brasileira pouco ou
nada ética. Apenas 4% dos jovens que parti-
ciparam da pesquisa consideram o Brasil um
país muito ético.
A pesquisa apontou bombeiros e profes-
sores como os profissionais mais éticos na
avaliação dos jovens. Numa escala de notas
de 0 a 10, os primeiros tiveram média 8,7 e
os professores, 8,5. Os políticos ficaram em
último lugar, com 2,2.
1. Você concorda com a opinião
dos jovens pesquisados? Em
seu caderno, justifique sua resposta.
2. O que você pensa do fato de os políticos
terem ficado em último lugar na pesquisa?
O que seria necessário para que os jovens
pudessem ter uma visão mais positiva dos
políticos e da política de modo geral?
NÃO ESCREVA
NO LIVRO
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BULLYING
Você sabe o que significa bullying? Já vivenciou – como espectador, vítima ou agressor – algum ato de bullying
em sua escola? Esse tipo de prática é muito usual e não ocorre apenas nas escolas. Às vezes, o que pode parecer
uma brincadeira inofensiva é na verdade uma forma de violência que causa males a toda a comunidade, em
especial, àqueles que são vítimas dessas agressões.
A proposta deste projeto é organizar uma palestra em sua escola, com base em uma pesquisa de amostragem
sobre os problemas acarretados pelo bullying. Em um sentido mais geral, o objetivo é pesquisar informações
sobre essa prática, investigar se ocorre em outras escolas do bairro ou da cidade, averiguar quais são os tipos
de bullying mais frequentes e quais são suas principais consequências, além de buscar, em conjunto, formas de
conscientizar a comunidade escolar sobre o tema e propor formas de combate a esse tipo de violência.
BULLYING
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1
CAPÍTULO
Em 2019, ocorreu um lance inusitado em uma partida de futebol
na Dinamarca. As equipes do Vejle e do AGF disputavam um jogo para
fugir do rebaixamento. Em determinado momento, a partida foi inter-
rompida quando a bola estava com o AGF. O time do Vejle como manda
o fair play, deveria devolver a bola aos jogadoresdo AGF.
O atacante do Vejle, porém, chutou a bola em direção ao campo adver-
sário e surpreendentemente marcou um gol. A situação criou uma grande
confusão, já que era um gol que poderia mudar o futuro das duas equipes.
Os jogadores começaram a discutir e precisaram entrar em um acordo para
solucionar o impasse da forma mais justa possível. A solução foi permitir
que o AGF marcasse um gol para reestabelecer a igualdade no placar.
Essa situação é um exemplo de como a ética é um campo de refle-
xão muito importante para a vida cotidiana. Os jogadores das duas
equipes iniciaram uma discussão em torno de valores. O objetivo disso
era determinar o que era justo e o que era injusto.
O que transforma essa discussão em um problema ético é o fato
de que não havia uma solução predeterminada para o conflito entre
as equipes. As regras do futebol não estabelecem o que fazer em uma
situação como essa. Além disso, o juiz da partida não tinha elementos
prévios para resolver o conflito e estabelecer a decisão mais justa.
Assim, a decisão dos jogadores foi tomada a partir da reflexão em
torno do problema, visando ao comportamento mais adequado. Essa
decisão criou um valor ético, que foi respeitado por todos. Ao final, a
partida foi reequilibrada e o AGF venceu o adversário por 4 a 2. Mesmo
derrotada, a equipe do Vejle jogou a partida de forma ética.
Neste capítulo, vamos refletir sobre o conceito de ética e analisar
como ele é importante para a vida de todos nós.
A ética no mundo
contemporâneo
■ Cena de partida de
futebol disputada
entre as equipes
do Vejle e do AGF,
em Vejle, Dinamarca,
2019.
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Consultar as Orientações para o professor para obter mais informações sobre o capítulo
e sobre o trabalho com as atividades.
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O que é ética?
BECK, A. Armandinho Sete. Florianópolis: Edição do autor, 2015. p. 70.
A reflexão ética está sempre presente em nossas vidas. Por isso,
falamos em ética no trabalho, ética nos esportes, ética jornalística, ética
nos relacionamentos e também em bioética.
A ética pode ser compreendida como o campo da reflexão humana
que se dedica a analisar os valores morais, como o bem, a verdade, a
coragem. Ela examina a conduta humana do ponto de vista da ação.
A reflexão ética se dedica a entender o que são os valores, como
se formam e como podem ser aplicados à vida cotidiana. Cabe à ética
refletir sobre o significado da justiça, do dever, da virtude e de outros
valores morais. No próximo tópico, veremos a diferença entre a ética e
a moral.
Nesse sentido, é importante observar que, para a reflexão ética,
os valores não são regras fixas e definitivas. Assim como os costumes
mudam com o tempo, os princípios éticos também estão em constante
transformação.
Vamos ver um exemplo dessa situação? Quando os cientistas tra-
balham na criação de um novo medicamento, eles precisam fazer
testes para avaliar sua eficácia. Uma forma de fazer esses testes é uti-
lizar animais criados em laboratório, como camundongos. Há pessoas,
porém, que desaprovam essa prática, já que os experimentos subme-
tem os animais a sofrimento e, muitas vezes, os levam à morte.
Temos aí um impasse. O que é possível fazer para resolver essa
questão, já que não existe uma regra fixa e definitiva para decidir qual
é o melhor caminho a seguir? Pode-se, por exemplo, criar um comitê de
bioética para avaliar os experimentos e tomar a decisão de como agir,
a fim de assegurar o avanço do conhecimento científico sem provocar
sofrimento aos animais. É esse o trabalho da reflexão ética.
Bioética
Campo de estudo que
se refere às implicações
éticas e filosóficas de
procedimentos, tecno-
logias e tratamentos
médicos e científicos,
como transplantes de
órgãos e engenharia
genética, entre outros.
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Ética e moral são a mesma coisa?
Enquanto a ética analisa os valores morais e o comportamento
humano do ponto de vista da ação, a moral consiste no conjunto de
valores, regras e normas de conduta de uma sociedade. A diferença
entre uma regra moral e a ação ética é que a segunda se forma a partir
de uma reflexão consciente daquele que a pratica. A ética passa pela
deliberação do indivíduo, enquanto a moral tem a finalidade de deter-
minar o modo de agir dos indivíduos em comunidade.
Os valores e as normas de conduta variam de acordo com a época
e/ou a sociedade. Ao longo da história, as sociedades humanas criaram
diferentes códigos morais. Na Idade Média, no Ocidente, os valores cristãos
não podiam ser questionados, e a moral cristã era considerada a única
possível e verdadeira. Essa visão teocêntrica do mundo, baseada na fé e
na noção de bem e mal, impunha regras rígidas de comportamento social.
Nesse caso, os valores se transformam em um conjunto de regras
morais. Sendo regras, nem sempre são questionadas.
A reflexão ética é um exercício da liberdade e é fundamental para
a organização da vida em sociedade. Por meio dela, os indivíduos
podem elaborar novas soluções para conflitos e determinar a melhor
maneira de agir diante dos mais variados problemas. Ela é também uma
importante ferramenta de crítica das regras morais, contribuindo para
a transformação da sociedade.
Deliberação
Reflexão visando à reso-
lução de um problema.
Teocêntrico
Que tem Deus como
ponto de convergência
de todas as coisas.
■ A ética e a moral estão
presentes em nosso
cotidiano e muitas
vezes se confundem,
mas é essencial
diferenciá-las. Na foto,
cena do programa
Café Filosófico sobre
ética no cotidiano,
com os filósofos Mario
Sergio Cortella e Clóvis
de Barros Filho.
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NÃO ESCREVA
NO LIVRO> MEUS ARGUMENTOS
• A ética está diretamente relacionada com nossas ações. Não basta refletir sobre ética sem aplicar
a reflexão àquilo que fazemos cotidianamente. Imagine que a justiça comprove que uma loja da
qual você é cliente costuma vender roupas produzidas por meio de trabalho análogo à escravidão.
Reflita como agir de forma ética diante dessa situação e elabore um texto, no seu caderno, justifi-
cando seu posicionamento.
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Ética no dia a dia
Como vimos, a ética reflete sobre as ações humanas. Por
isso, muitos pensadores entendem a ética como uma forma
de saber prático. Isso significa que a reflexão ética não trata
apenas de problemas abstratos, mas de situações concretas
que afetam a vida e as relações entre os indivíduos.
A palavra ética se origina do termo grego ethos, que
significa lugar de convívio. Na Grécia antiga, considerava-
-se ético aquilo que visasse ao bem comum e ao do lugar
em que se vivia. Para o filósofo grego Aristóteles (385
a.C.-323 a.C.), a ética e a política seriam os dois principais
saberes práticos da vida humana.
Para Aristóteles, todo ser humano busca a felicidade e
o bem-estar a partir da realização de seus objetivos e pro-
jetos de vida. Segundo o filósofo, existe uma relação entre
a felicidade e as virtudes necessárias para a condução da
vida individual.
Aristóteles considera princípios centrais de uma vida
ética a realização das tarefas cotidianas, o empenho nos
estudos e o exercício das atividades profissionais com
afinco. Para isso, o filósofo grego aconselha a prudência e o desenvol-
vimento da capacidade de escolher a melhor opção entre as diversas
possibilidades que surgem ao longo da vida.
Assim, para ele, a ética seria uma forma de reflexão que poderia ajudar
os indivíduos a alcançaruma vida feliz, além de auxiliar na construção de
relações sociais harmoniosas.
■ BAGDATOPOULOS,
W. S. Aristóteles
ensinando aos pés da
Acrópole em Atenas.
Litografia colorida que
ilustra a obra de Arthur
Mee, The children's
encyclopedia ("A
enciclopédia das
crianças"), publicada
em c 1930.
Fonte: MIOTO, R. Felicidade custa R$ 11 mil por mês, aponta estudo. Folha de S.Paulo, São Paulo, 7 set.
2010. Disponível em: https://m.folha.uol.com.br/ciencia/2010/09/795092-felicidade-custa-r-11-mil-por-
mes-aponta-estudo.shtml. Acesso em: 5 set. 2020.
■ A felicidade é um valor
relativo. Na atualidade,
muitas pessoas
associam a felicidade
ao bem-estar material,
como apontam os
dados do gráfico da
pesquisa realizada nos
Estados Unidos, em
2010. Para Aristóteles,
porém, a felicidade está
ligada à vida virtuosa.
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Bem-estar segundo a estatística, 2010
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50%
60%
70%
80%
90%
Proporção dos
entrevistados
Entrevistados se dizendo
felizes e contentes com a vida
Entrevistados que não relataram
nenhum estresse
R$ 11,3 mil/mês:
ponto a partir do qual mais dinheiro
não signi�ca mais felicidade
Renda mensal em R$ mil
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A ética como um caminho para a
felicidade, conforme concebida por
Aristóteles, teve grande importância
na história do pensamento filosófico
e influenciou muitos pensadores, da
Antiguidade até o presente.
Um exemplo é a forma como o
filósofo holandês Baruch de Spinoza,
ou Bento de Espinosa (1632-1677), refle-
tiu sobre a ética. Para ele, uma vida
ética é baseada na busca da felicidade
e da liberdade, e um aspecto central
dessa busca é o modo como os indi-
víduos lidam com seus afetos.
Segundo Espinosa, todos os
seres vivem em constante interação. Essas interações podem ser posi-
tivas, potencializadoras (afecções alegres), aumentando a capacidade
dos seres de agir sobre o mundo, ou negativas, despotencializado-
ras (afecções tristes), diminuindo essa capacidade. Para esse filósofo,
quanto maior a alegria de um ser, maior sua liberdade de ação. Dessa
forma, uma vida ética se constrói a partir da alegria compartilhada.
Assim como Aristóteles e Espinosa, vários outros pensadores ana-
lisaram a importância da ética na vida cotidiana.
O filósofo francês Jean-Paul Sartre (1905-1980) analisou o problema
ético a partir da ideia de que a liberdade é a característica central do
ser humano.
Para Sartre, os seres humanos não nascem com uma função
determinada. Cada indivíduo vai definir aquilo que é a partir de suas
escolhas, e essas escolhas são da
responsabilidade de cada um.
Assim, ao longo da vida, o indiví-
duo toma uma série de decisões
que lentamente vão construindo
aquilo que ele é.
■ Para Espinosa, o ciúme
é um exemplo de afeto
triste. Na foto, cena do
filme O ciúme, com
direção de Philippe
Garrel. França, 2014.
■ A vida ética está implícita na
relação com o outro. Na foto,
adolescentes trabalham em
grupo voluntário. Ucrânia, 2018.
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Entretanto, se o indivíduo é livre,
há sempre o risco de suas escolhas se
chocarem com as escolhas de outros
indivíduos. É a partir dessa ideia que
nasce o problema da ética para Sartre.
Ele defende que toda escolha implica
não apenas a construção da liberdade
individual, mas um modelo de ação
para os demais.
Assim, um indivíduo que ingressa na
vida política e, livremente, decide agir
apenas de acordo com seus interesses,
desviando dinheiro público, estaria afir-
mando não apenas que sua liberdade é
mais importante que a dos demais, mas
enfatizando que todos podem agir da
mesma forma.
Segundo essa perspectiva, uma vida
ética corresponde àquela na qual a liber-
dade individual é construída a partir do fortalecimento da liberdade
de todos, o que implica necessariamente escolhas individuais que
respeitem o outro.
A verdade também é um problema ético que nasce da relação
com o outro. O compromisso em dizer e agir de forma verdadeira
está estreitamente associado a uma vida ética. Essa questão, discutida
por pensadores desde a Antiguidade, ganhou um novo sentido na
contemporaneidade.
Diversos cientistas sociais contemporâneos afirmam que vivemos
a era da pós-verdade, em que a disseminação de fake news vem
enfraquecendo a credibilidade dos meios de comunicação e dos pes-
quisadores. Com a facilidade de circulação de informações pelas redes
sociais e aplicativos, muitas pessoas ignoram canais que divulgam
notícias com base em fontes confiáveis e dados científicos, passando
a compartilhar mensagens falsas, sem fonte ou de fontes duvidosas.
■ Para Sartre, todos
nascem livres para
decidir aquilo que
farão de suas vidas.
São as escolhas feitas
ao longo do tempo
que fazem de nós
aquilo que somos.
Fake news
Termo utilizado para se
referir a notícias falsas,
que podem ser intei-
ramente fabricadas ou
distorcer um conteúdo
real. Suas fontes são
duvidosas (veículos de
mídia sem credibilidade)
ou inexistentes.
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> DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Segundo Espinosa, existem interações positivas e negativas entre os seres, afetos alegres e afetos
tristes. Assim, para esse pensador, uma vida ética está relacionada com ações que promovem a
alegria em nós mesmos e nos outros. Como é possível aplicar essa ideia em sua vida cotidiana?
Converse com seus colegas sobre esse tema.
17
D3-CH-EM-3075-V2-U1-C1-010-025-LA-G21.indd 17D3-CH-EM-3075-V2-U1-C1-010-025-LA-G21.indd 17 15/09/20 12:1715/09/20 12:17
■ O gráfico
demonstra a força
das fake news em
alguns países.
O Brasil é o
país com o
maior número
de pessoas
que admitiram
já terem sido
enganadas por
notícias falsas.
Ações como compartilhar uma notícia nas redes sociais sem confirmar a pro-
cedência da informação contribuem para enfraquecer a credibilidade das fontes
confiáveis e estimular comportamentos que ameaçam a democracia e mesmo a vida
de outras pessoas.
Assim, problematizar as fake news e valorizar o conhecimento científico e a infor-
mação baseada em fatos e pesquisas é também uma forma de agir eticamente na
sociedade em que vivemos. Nesse sentido, o conceito de maioridade intelectual pro-
posto pelo filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804) nos ajuda a refletir sobre essa
questão.
Segundo Kant, quando o indivíduo é incapaz de usar sua capacidade de entendi-
mento para agir por si próprio, guiando-se pelo pensamento alheio, ele está vivendo
numa condição de menoridade intelectual. Para ele, o indivíduo só conquista a maiori-
dade intelectual quando consegue pensar e agir de maneira autônoma, livre da tutela
dos outros.
Nesse sentido, a maioridade intelectual pode ser entendida como a postura ética
diante das informações que recebemos, distinguindo as notícias falsas das verdadei-
ras e agindo sempre de modo a evitar a disseminação de inverdades.
Enganados pelas fake news, 2018
Fonte: FANTINI, F. Para além das fake news: os fake numbers, escreve Flamínio
Fantini. Poder 360, 22 jul. 2019. Disponível em: https://www.poder360.com.br/
opiniao/midia/para-alem-das-fake-news-os-fake-numbers-escreve-flaminio-
fantini/. Acesso em: 10 jun. 2020.
0 10 20 30 40 50 60 70 80
Países
%
Brasil
Arábia Saudita
Coreia do Sul
Peru
Espanha
China
Índia
Polônia
Suécia
Chile
média mundial
*Pesquisa com 27 países.
6258
58
57
57
56
55
55
55
54
48
SO
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Porcentagem dos que admitem ter acreditado
em uma notícia falsa na internet
18
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Como vimos , os valores se transformam ao longo do tempo. Por
isso, algumas ideias consideradas corretas no passado são vistas atual-
mente como práticas criminosas que devem ser combatidas. O estudo
da ética é muito importante nesse processo, já que ele pode ajudar a
avaliar as transformações dos valores de modo a não reproduzir precon-
ceitos ou práticas violentas que eram consideradas moralmente corretas
em outras épocas.
O texto a seguir, escrito por um juiz dos Estados Unidos em 1927, é
um exemplo. Leia atentamente e responda ao que se pede:
É melhor para todo mundo se, em vez de esperar para executar os
descendentes degenerados por algum crime ou deixar que morram de
fome por causa da imbecilidade, a sociedade possa prevenir aqueles
que são manifestadamente inaptos de se reproduzirem. O princípio
que sustenta a vacinação obrigatória é suficientemente amplo para
cobrir o corte das trompas de Falópio. [...] Três gerações de imbecis
são suficientes.
Fonte dos dados: LANG-STANTON, P.; JACKSON, S. Eugenia: como movimento para criar seres humanos
‘melhores’ nos EUA influenciou Hitler. BBC News Brasil, 23 abr. 2017. Disponível em: https://www.bbc.com/
portuguese/internacional-39625619. Acesso em: 10 jun. 2020.
1. Tendo em vista o atual conhecimento científico, por que a proposta do
juiz não se justifica? Caso julgue necessário, pesquise informações para
fundamentar sua resposta.
2. Do ponto de vista ético, por que a proposta do juiz é incorreta? Apresente
argumentos para justificar seu posicionamento.
3. Imagine que você deve ela-
borar uma resposta ao juiz.
Escreva uma carta mobili-
zando argumentos cientí-
ficos e éticos para refutar
aquilo que ele defende. Ao
final, discuta seu texto com
os colegas em sala de aula.
Corte das trompas de
Falópio
Método de esterilização
de mulheres.
DIÁLOGOS> LINGUAGENS E LEITURAS>
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NÃO ESCREVA
NO LIVRO
■ Ilustração
representando a
"Árvore Eugenia" e
a ideia de evolução
humana por meio das
raízes, que extraem
materiais de diversas
fontes. O cartaz foi
utilizado como símbolo
do Segundo Congresso
Internacional de
Eugenia, realizado em
Nova York (Estados
Unidos), em 1922.
19
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Vivemos uma crise ética?
Nas últimas décadas, um tema tem aparecido com frequência nos
meios de comunicação, nas redes sociais, nos debates entre especialis-
tas e nas rodas de conversa: a crise ética do mundo contemporâneo.
Vários pensadores defendem a ideia de que a ação e a reflexão ética
perderam espaço em nossa sociedade.
No Brasil, por exemplo, muitos especialistas afirmam que vivemos
uma profunda crise ética na política. Isso fica claro quando observa-
mos os dados alarmantes sobre corrupção e uso das ferramentas e
instituições públicas para beneficiar agentes privados.
O Índice de Percepção da Corrupção (IPC) é medido pela
Transparência internacional, que classifica 180 países com base em
quão corrupto o setor público
é percebido por especialistas e
executivos. A nota vai de 0 a 100,
do mais corrupto ao mais íntegro.
A média dos países em 2018 foi
43. Índices abaixo de 50 indicam
preocupação no combate à
corrupção.
A corrupção não é o único
exemplo de manifestação da crise
ética no mundo contemporâneo.
A questão dos refugiados é outro
indício desse fenômeno. Milhões
de pessoas, em diferentes regiões
do mundo, são forçadas a deixar
suas terras por causa de confli-
tos ou problemas ambientais.
Contudo, nem sempre elas são
acolhidas de forma digna por
outros países.
> DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Você presencia exemplos de ações em sua comunidade que demonstram a crise ética da atualida-
de? Converse sobre o assunto com seus colegas e pensem conjuntamente em ações que possam
ajudar a superar essa situação.
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Fonte: ÍNDICE de percepção da corrupção 2018. Gazeta do Povo, 29 jan. 2019.
Disponível em: https://infograficos.gazetadopovo.com.br/politica/indice-de-
percepcao-da-corrupcao-2018/. Acesso em: 11 jun. 2020.
2012 2013 2014 201720162015 2018
100º
80º
60º
69º 72º 69º
76º
79º
96º
105º
Em pontos
A nota vai de 0 a 100; quanto mais alta, melhor.
Posição no
ranking
Brasil: índice de percepção da corrupção, 2018
20
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A modernidade líquida e a crise ética
O sociólogo polonês Zygmunt Bauman (1925-2017) foi um dos pensadores que
analisaram as causas da crise ética contemporânea. Em muitas de suas obras, ele
refletiu sobre a importância da ética e investigou como as transformações na socie-
dade afetam os princípios éticos nas relações entre os indivíduos.
Bauman criou o conceito de modernidade líquida para definir uma nova forma
de organização das relações sociais, econômicas e produtivas que teve início na
segunda metade do século XX. Esse conceito designa uma época na qual todas
essas relações se tornaram frágeis, efêmeras e flexíveis.
Para o sociólogo, durante muito tempo, as relações sociais se mantiveram estáveis
e duráveis. Isso significa que as pessoas desempenhavam papéis predeterminados
na sociedade, as estruturas familiares eram rígidas e havia poucas possibilidades de
mudança no modo de vida dos indivíduos.
Em meados do século XX, muitas pessoas tinham a expectativa de iniciar sua carreira
profissional em uma empresa e nela permanecer até se aposentarem. O casamento era
considerado uma instituição sólida, em geral concebida como algo indissolúvel.
Lentamente, a solidez das relações humanas foi se desfazendo em vista das
mudanças econômicas, sociais, políticas e culturais ocorridas no mundo. Com isso,
as relações duráveis e estáveis foram sendo aos poucos substituídas por relações
líquidas. Por meio dessa metáfora, Bauman expressa a ideia de que os papéis sociais
se tornaram fluidos, transformando-se com rapidez.
■ Para Bauman, na
modernidade líquida
a amizade deixou
de ser uma relação
sólida e duradoura,
que é construída
lentamente, para se
tornar algo superficial
e passageiro, que
pode ser criado e
desfeito rapidamente
nas redes sociais.
Na modernidade líquida, os relacionamentos se tornam mais instáveis e de curta
duração, os indivíduos têm maior liberdade para mudar de profissão ou de trajetória
profissional, os laços familiares se enfraquecem e o individualismo é valorizado.
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Com as transformações nas relações entre os indivíduos, os valores
também se tornam mais frágeis. Dessa forma, a preocupação em agir
de forma ética perde importância e é substituída por uma valorização
excessiva da individualidade.
Para Bauman, o resultado é a intensificação do consumismo e a des-
responsabilização do indivíduo em relação ao outro. Assim, as pessoas
se enxergam cada vez mais como consumidoras que agem movidas por
seus interesses, sem se preocupar com os efeitos de suas ações.
Ocorre também um enfraquecimento da empatia, o que ajudaria
a entender o crescimento da xenofobia e de atos intolerantes contra
minorias, na visão de Bauman.
Para o sociólogo polonês, a reflexão ética e a crítica do individua-
lismo e do consumismo são essenciais para lutar contra os efeitos
negativos da modernidade líquida e construir relações que não sejam
baseadas apenas em valores individualistas e consumistas.
Ética, bem-estar e territórioOutra forma de pensar a questão da crise ética é analisar as desigual-
dades que marcam os territórios. Segundo o geógrafo Milton Santos
(1926-2001), o território é revelador de diferenças, às vezes agudas, das
condições de vida da população.
■ Em muitas cidades do
mundo, é evidente a
desigualdade social na
ocupação do território.
Vista aérea do bairro
Afonso Vidal, distrito
de Vila Andrade, São
Paulo (SP), 2020.
Em um território onde a localização dos serviços essenciais, como
postos de saúde, escolas, parques e locais de diversão, entre outros, é
deixada à mercê da lei do mercado, tudo colabora para que as desigual-
dades sociais aumentem.
Empatia
Capacidade de se iden-
tificar com o outro e se
colocar no lugar dele.
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Nas cidades brasileiras, quanto mais distantes as pessoas residem das áreas cen-
trais e/ou mais valorizadas, menor é o acesso aos serviços essenciais. Para Milton
Santos, os bens públicos de serviço deveriam ser acessíveis à população de forma
igualitária, a fim de garantir a todos uma vida digna.
Os investimentos públicos deveriam ser distribuídos de modo a atender às
necessidades de toda a população. Segundo o geógrafo, é possível trazer bem-es-
tar a uma grande quantidade de pessoas por meio de uma repartição espacial não
mercantil dos serviços, baseada exclusivamente no interesse público.
Assim, a falta de políticas públicas que ajudem a combater as desigualdades,
garantindo a criação de um território mais igualitário, é um exemplo da crise ética
que marca nossa sociedade.
Essa situação fica ainda mais clara quando se analisa a problemática do sanea-
mento básico, tema de fundamental importância para o desenvolvimento econômico
e social do país, mas que muitas vezes é negligenciado pelos gestores públicos. No
mapa a seguir, é possível observar a porcentagem de pessoas atendidas por serviço
de esgoto sanitário no estado do Rio de Janeiro.
Apesar de ser um item essencial para a manutenção da saúde e a promoção
do bem-estar da população, os investimentos públicos são baixos. A falta de ações
concretas para assegurar condições igualitárias de saneamento básico e de outros
serviços públicos demonstra uma realidade política e social marcada pelo descaso
com o outro.
A ética pode contribuir para sensibilizar a sociedade com relação às questões
sociais e mobilizar a população para exigir do poder público polític as igualitárias de
organização do território.
Rio de Janeiro: pessoas atendidas por serviço
de esgotamento sanitário (por município), 2015
39%
33%
99%
49%44%
41%
45%
44%
42%
ND
ND
ND
42%
31%
93%
39%
12%
57%
83%
41%
46%
Rio de Janeiro
Itaguaí
Seropédica
Paracambi
Japeri
Queimados
Nova
Iguaçu
Duque
de Caxias Magé
Cachoeiras
de Macacu
Guapimirim
Rio BonitoItaboraí
MaricáNiterói
São
Gonçalo
OCEANO ATLÂNTICO
Tanguá
Belford Roxo
Mesquita
Nilópolis
São João
de Meriti
43° O
23° S
0 13
D
AC
O
ST
A
M
AP
AS
Fonte: CASA FLUMINENSE.
Mapa da desigualdade.
Casa Fluminense, [20--].
Disponível em: https://
casafluminense.org.br/
mapa-da-desigualdade/.
Acesso em: 15 jul. 2020.
23
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NÃO ESCREVA
NO LIVROATIVIDADES>
1. Retome o mapa da página anterior e depois responda às questões:
a) Como o saneamento básico se relaciona com o bem-estar das pessoas?
b) No seu município, a distribuição espacial dos serviços públicos revela desigualda-
des? Pesquise.
c) Qual é a relação entre ética e desigualdades socioespaciais?
2. O trecho reproduzido a seguir foi escrito por Zygmunt Bauman. Leia-o atentamente e
responda ao que se pede:
Numa vida de contínuas emergências, as relações virtuais derrotam facilmente
a “vida real”. Embora os principais estímulos para que os jovens estejam sempre
em movimento provenham do mundo off-line, esses estímulos seriam inúteis sem
a capacidade dos equipamentos eletrônicos de multiplicar encontros entre indi-
víduos, tornando-os breves, superficiais e sobretudo descartáveis. As relações
virtuais contam com teclas de “excluir” e “remover spams” que protegem contra
as consequências inconvenientes (e principalmente consumidoras de tempo) da
interação mais profunda.
BAUMAN, Z. 44 cartas do mundo líquido moderno. Rio de Janeiro: Zahar, 2011. E-book.
a) Que relação pode ser estabelecida entre o texto e o conceito de modernidade
líquida?
b) Qual é o peso das relações on-line em sua vida cotidiana? Você concorda com a
ideia de que as relações virtuais derrotam a “vida real”? Justifique sua resposta.
c) Bauman afirma que as relações virtuais podem ser facilmente excluídas, como
mensagens de spam. De que forma esse tipo de situação se relaciona com o for-
talecimento do individualismo e com a crise ética na perspectiva do sociólogo
polonês?
d) Para Zygmunt Bauman, o consumismo é um dos sintomas da crise ética contem-
porânea. De acordo com esse pensador, o consumo é utilizado para construir
uma imagem positiva de nós mesmos. Vestir uma roupa de grife ou ter um celular
caro seria, segundo ele, uma forma de construir uma falsa imagem de superio-
ridade. Você considera essa análise adequada para pensar o mundo em que
vivemos? Justifique sua resposta.
e) Você sabe qual é a diferença entre consumo e consumismo? Consumo é o ato de
adquirir produtos realmente necessários para a nossa sobrevivência, enquan-
to o consumismo é caracterizado pela compra não consciente e desnecessária,
motivada por impulso para a satisfação de desejos. Segundo Zygmunt Bauman,
o consumismo na sociedade contemporânea transformou os indivíduos em
mercadorias. Com base na sua experiência, você concorda com essa crítica
do sociólogo?
24
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Etapa
1
DIAGNÓSTICO DA REALIDADE
De acordo com um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) em escolas de todo país, Brasília é a capital na qual o bullying ocorre com maior
frequência, atingindo 35,6% dos estudantes. Curitiba ocupa o segundo lugar, com 35,2%.
Ainda de acordo com essa pesquisa, 32,6% das vítimas de bullying são do sexo masculino
e 28,3%, do sexo feminino.
Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), nas
escolas brasileiras os estudantes estão duas vezes mais suscetíveis ao bullying do que
a média geral das instituições de ensino em 48 países. Em um levantamento da Pesquisa
Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis, na sigla em inglês), realizado em 2018,
28% dos diretores das escolas brasileiras de ensino fundamental afirmam que o bullying
ocorre semanal ou diariamente nas escolas, e 18% dos administradores das instituições
de ensino médio dizem o mesmo.
No entanto, não existe apenas um tipo de bullying. Pesquisadores da área identificam
três tipos:
[1º] diretos e físicos, que inclui agressões físicas, roubar ou estragar
objetos dos colegas, extorsão de dinheiro, forçar comportamentos sexuais,
obrigar a realização de atividades servis, ou a ameaça desses itens;
[2º] diretos e verbais, que incluem insultar, apelidar, "tirar sarro", fazer
comentários racistas ou que digam respeito a qualquer diferença no outro;
[3º] indiretos que incluem a exclusão sistemática de uma pessoa, rea-
lização de fofocas e boatos, ameaçar de exclusão do grupo com o objetivo
de obter algum favorecimento, ou, de forma geral, manipular a vida social
do colega.
Fonte de dados: ANTUNES, D. C.; ZUIN, A. A. S. Do bullying ao preconceito: os desafios da barbárie à educação.
Psicologia & Sociedade, v. 20, n. 1. Porto Alegre, jan./abr. 2008. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo. php?
script=sci_arttext&pid=S0102-71822008000100004&lng=en&nrm=iso&tlng=pt.Acesso em: 6 ago. 2020.
Além disso, um tipo de violência muito comum nos dias de hoje é o chamado cyber-
bullying, no qual os agressores utilizam a tecnologia e as redes sociais para difamar,
ofender e agredir outras pessoas.
Para começar nosso projeto, reúna-se com mais três ou quatro colegas e conversem
sobre as definições de bullying apresentadas acima. Procurem diferenciar os tipos de
bullying e relatem se já presenciaram ou praticaram algum deles. Nesse caso, evitem
fazer julgamento ou juízo de valor, tendo em vista que muitas vezes agimos sem pensar
criticamente nas consequências de nossos atos. O importante é identificar os problemas e
consequências desse tipo de ação e modificar nossas atitudes diante da realidade, a partir
de uma reflexão mais crítica sobre a forma como agimos na comunidade escolar. Anotem
suas conclusões em seus cadernos.
Em seguida, busquem, em fontes confiáveis, mais dados sobre bullying em sua cidade,
região e/ou estado, identificando as consequências dessas ações. Por exemplo: muitos
estudantes que são vítimas dessa prática passam a ter menor rendimento escolar, se
isolam, mudam de escola, desenvolvem doenças e há até casos de suicídio. Anotem as
informações mais relevantes obtidas na pesquisa e as respectivas fontes.
25
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CAPÍTULO
2
No Brasil é muito comum dizer que “religião, política e futebol
não se discutem”. Será mesmo que política não se discute? Essa ideia
traz implícito o entendimento de que os indivíduos possuem crenças
políticas que não podem ser questionadas por quem pensa diferente.
Apesar de ser uma expressão muito conhecida e utilizada, ela está
longe de expressar a realidade. Nos últimos anos, o desenvolvimento
das tecnologias digitais e a ampliação do uso de redes sociais criaram
novos canais de discussão pública.
O questionamento e o debate de ideias, inclusive entre indivíduos
desconhecidos, tornaram-se frequentes à medida que as pessoas pas-
saram a expressar suas convicções e posições políticas nas redes. Isso,
porém, nem sempre ocorre de forma respeitosa e tolerante. A polari-
zação entre pontos de
vista políticos é um
fenômeno que vem se
tornando cada vez mais
comum no mundo
contemporâneo.
São muito comuns
nas redes sociais os
casos de usuários que
xingam, ofendem ou
praticam cyberbullying
contra pessoas que
defendem visões políti-
cas diferentes das suas,
ignorando argumentos
e recusando debates
civilizados.
Como veremos ao
longo do capítulo, esse
tipo de atitude intole-
rante pode resultar em
uma forma de negação da política. Para entender isso, é importante
analisar o que é a atividade política, qual é sua origem e como ela se
relaciona com o poder.
Política não se discute?
■ Atualmente, muitos influenciadores digitais e personalidades utilizam as
redes sociais para discutir temas políticos. Exemplo disso foi a série de
lives Beabá da política, em que a cantora Anitta entrevista a advogada e
comentarista de política Gabriela Prioli, em 2020.
HTTPS://WWW.YOUTUBE.COM/WATCH?V=IZJJ4FKAJPS&FEATURE=EMB_TITLE
Consultar as Orientações para o professor para obter mais informações sobre o capítulo
e sobre o trabalho com as atividades.
26
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O que é política?
A palavra política deriva do grego politikós, que, por sua vez, se
origina de pólis, cidade-Estado, na Grécia antiga. A pólis é a cidade
organizada, formada por cidadãos, pessoas livres que têm isonomia,
princípio que estabelece a igualdade perante as leis, e isegoria, direito
de se expressar e opinar livremente nas assembleias.
Frequentemente, a palavra política é empregada para designar o
conjunto de atividades referentes ao Estado, exercidas por indivíduos
que ocupam cargos políticos, porém esse é apenas um de seus diversos
significados. Todo indivíduo pratica diferentes ações políticas ao longo
da vida. Um grupo de estudantes que se reúne com professores e com
a direção da escola para propor mudanças nas normas da instituição
está fazendo política, assim como trabalhadores que se mobilizam para
discutir suas condições de trabalho ou reivindicar direitos. Nós também
fazemos política quando compartilhamos informações sobre o país nas
redes sociais ou discutimos notícias com colegas, amigos ou familiares.
A política está presente em nosso cotidiano e se relaciona com os
problemas que nascem do convívio entre indivíduos com necessidades,
aspirações e desejos distintos. Por essa razão, a filósofa alemã Hannah Arendt
(1906-1975) afirma que “a política trata da convivência entre diferentes”.
A atividade política é uma forma de relação que exige negociação
e discussão entre os indivíduos. Para encontrar soluções que atendam
aos diferentes interesses das pessoas, é necessário construir argumentos
que justifiquem determinadas escolhas.
Imagine, por exemplo, que uma turma do último ano do Ensino
Médio precise decidir como será feita a celebração de formatura. Esse
evento é uma etapa importante na vida de todos, e cada um pode ter
uma ideia própria para organizá-lo.
■ As manifestações
pacíficas são uma
forma de exercício
da política. Marcha
por Nossas Vidas,
em protesto contra
a violência armada.
Os jovens levantam
cartazes com letras
que formam a palavra
enough, que significa
“basta”, em português.
■ Washington, DC
(Estados Unidos), 2018.
ROB CRANDAL/SHUTTERSTOCK.COM
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D3-CH-EM-3075-V2-U1-C2-026-043-LA-G21_.indd 27D3-CH-EM-3075-V2-U1-C2-026-043-LA-G21_.indd 27 15/09/20 15:0115/09/20 15:01
As diferentes ideias surgidas para a organização do evento podem provocar
impasses, já que nem sempre é possível agradar a todos. Uma forma de resolver
esse problema é criar uma comissão para planejar a festa. A fim de decidir o que
deve ser feito, a comissão precisa se reunir e discutir as propostas de modo a chegar
a um consenso.
Esse tipo de situação é um exemplo de atividade política. Para garantir a melhor
escolha, os membros da comissão precisam defender suas ideias com argumentos
claros e lógicos. Também é necessário ouvir sugestões e realizar ajustes. Assim, por
meio do diálogo, é possível chegar a um acordo entre todos.
A política é uma forma de ação que se baseia na discussão e não no uso da força
ou da coação. Por essa razão, é fundamental estar sempre aberto a discutir política,
já que essa é a única forma de tomar decisões coletivas que respeitem as diferenças
e atendam aos interesses da comunidade.
A concepção da política como uma ação que visa ao consenso por meio da
argumentação tem uma história, e compreendê-la pode nos ajudar a entender a
importância da política no presente.
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> MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• A argumentação está no cerne da ação política. Uma boa argumentação deve ser fundamentada
em informações consistentes, capacidade de síntese e identificação de fragilidades no discurso do
interlocutor, lembrando que é essencial manter o respeito. Seguindo essa orientação, elabore um
texto argumentativo com base na seguinte frase: “Direito de expressão não dá direito à agressão”.
28
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Uma breve história da invenção da política e de seus antecedentes
■ Paleolítico: Os grupos humanos eram formados por
poucos indivíduos que viviam da caça e da coleta.
Esses grupos se organizavam de forma bastante
igualitária e as principais decisões eram tomadas por
meio da participação de toda a comunidade.
■ Neolítico: Nesse período, ocorreu o crescimento
das comunidades humanas e o estabelecimento
de hierarquias sociais. Nesse processo, as decisões
deixaram de ser tomadas coletivamente e surgiram
os primeiros governantes.
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■ Pnyx, monte rochoso, nos arredores da Acrópole,
usado como local de realização das assembleias e
onde os cidadãos atenienses se reuniam para votar.
Atenas, Grécia, 2014.
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Civilizações sedentárias da Antiguidade: Em diver-
sas regiões do planeta, desenvolveram-se civilizações
com um governo centralizado, que decidia a forma de
organização da sociedade e comandava as decisões.
São exemplos os egípcios, na África; os povos meso-
potâmicos, no Oriente Médio; os chineses, na Ásia;
os astecas, na América. Os governantes desses povos
tinham grande poder e suas resoluções deveriam ser
obedecidas sem grandes contestações.
Os gregos e a invenção da política: Na Grécia antiga,
os indivíduos se organizaram nas pólis, cidades-Estado.
Cada cidade tinha seu próprio governo, seus costumes
e suas leis. No início, as decisões eram tomadas por um
líder que comandava sem contestação.
Aos poucos, os conflitos entre diferentes setores
da sociedade cresceram e provocaram mudanças na
forma de organização dessas cidades. Em muitas delas,
os governantes perderam parte de seu poder. Foram
criadas assembleias e outras instituições que passa-
ram a reunir os cidadãos para discutir os interesses da
comunidade.
A grande inovação desse processo foi o fato de que
as decisões das assembleias podiam ser contestadas,
não eram impostas. Em razão dessas transformações,
atribui-se aos gregos a invenção da política tal como a
concebemos até os dias de hoje.
■ ANTIGO livro egípcio da morte. Tumba de Kha Merit.
Tebas, meados da 18ª dinastia (1550 a.C-1292 a.C.). Papiro.
Na antiga civilização egípcia, o faraó era o representante
máximo do poder.
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Política e justiça
Como vimos no capítulo anterior, para Aristóteles, a política era
colocada ao lado da ética como a prática social mais importante, pois
ambas permitiam organizar a comunidade de modo a assegurar o
bem-estar e a felicidade dos cidadãos.
Para Aristóteles, o ser humano se diferencia dos demais animais
por ser um animal político. Segundo esse pensador, apenas vivendo
em comunidade o indivíduo pode se desenvolver e viver de acordo
com sua natureza. Um indivíduo isolado ou
alheio às questões políticas de sua comu-
nidade não é capaz de desenvolver suas
virtudes e viver de forma justa.
Um dos elementos necessários para uma
vida justa, na visão de Aristóteles, é o exercí-
cio da justiça distributiva. De acordo com o
filósofo grego, a tarefa principal da atividade
política é assegurar uma divisão dos recur-
sos da comunidade de forma igualitária entre
os iguais e desigual entre os desiguais. Isso
significa que a justiça distributiva defende
uma concepção de justiça que vai além da
ideia de igualdade, atingindo o princípio da
equidade.
Não seria justo, por exemplo, dividir os
recursos do governo de forma igualitária entre
ricos e pobres. Para assegurar a distribuição
justa dos recursos, segundo a perspectiva
aristotélica, seria necessário assegurar que os
mais pobres recebessem uma parcela maior
desses recursos, e que os mais ricos contribu-
íssem com mais recursos na forma de impostos
e tributos.
■ A justiça normalmente é representada como uma
mulher de olhos vendados segurando nas mãos uma
espada. Nesta escultura, chamada Sobrevivência
do mais gordo (2002), o dinamarquês Jens Galschiot
representou uma justiça obesa, carregada por um
homem pobre, esquelético e cansado. Ringobin
(Dinamarca), 2018.
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Observe a ilustração.
O filósofo estadunidense John Rawls (1921-2002) propôs, em 1971, uma teoria da
justiça com base na justiça distributiva, buscando viabilizar sua aplicabilidade nas
sociedades democráticas contemporâneas, conciliando as noções de liberdade e
igualdade.
> DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Em grupo, desenvolvam um projeto para assegurar a estudantes com deficiência o prin-
cípio da equidade no ambiente escolar. Avaliem essa questão sob a ótica da organização
espacial e de outros elementos necessários: equipamentos, acolhimento e boa convi-
vência. Sigam estas etapas:
a) Façam um levantamento bibliográfico, a fim de identificar os recursos exigidos para
cada tipo de deficiência. Por exemplo: Quais recursos devem ser providenciados
para que um estudante que use cadeira de rodas possa usufruir a escola da melhor
forma possível?
b) Identifiquem na escola a existência de estudantes com deficiência e perguntem se
eles consideram adequado o atendimento que recebem da comunidade escolar e
as condições de acessibilidade do espaço.
c) Com base na pesquisa, na entrevista e na observação da estrutura escolar, produ-
zam um relatório indicando possíveis ações para atender aos estudantes portadores
de necessidades especiais, a fim de que eles tenham condições adequadas de aces-
so à educação.
Ao final, com a orientação do professor, agendem uma reunião com a comunidade
escolar e apresentem as propostas.
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Política e cidadania
A p olítica tal qual foi concebida pelos gregos exerceu grande influência em diver-
sas culturas ao longo do tempo. Os valores gregos influenciaram outros povos da
Antiguidade, como os romanos, e foram retomados em diferentes períodos da história.
O modelo de política como uma forma de resolução de conflitos em que os
cidadãos participam da tomada de decisões se tornou a base das democracias
modernas. Assim como os gregos, os países democráticos organizam suas decisões
coletivas por meio de diferentes instituições formadas por cidadãos.
Essas instituições visam a assegurar que as decisões serão tomadas de forma
coletiva em um Estado democrático, impedindo que um indivíduo imponha suas
decisões à sociedade.
É importante destacar que existe uma diferença importante entre a concepção
de cidadania na Grécia antiga e na atualidade. Entre os gregos, apenas uma parcela
da população era considerada cidadã: os homens livres nascidos nas cidades. Os
estrangeiros, as mulheres e as pessoas escravizadas não eram considerados cida-
dãos, portanto não participavam das decisões políticas da pólis.
Atualmente, nos países democráticos, todos os indivíduos são considerados
cidadãos e têm o direito de participar de diferentes formas das decisões políticas.
A participação dos cidadãos nas decisões políticas é fundamental para a criação de
uma sociedade mais justa, que garanta o bem-estar de todos.
Estado global da democracia
■ A democracia
contemporânea
funciona com
base em uma
combinação de
instituições e
grupos sociais
que promovem
o equilíbrio do
poder.
Fonte: INSTITUTO INTERNACIONAL PARA LA DEMOCRACIA Y LA ASISTENCIA ELECTORAL.
Índices del estado global de la democracia. Estocolmo: Idea, 2020. Disponível em:
https://www.idea.int/es/%C3%ADndices-del-estado-global-de-la-democracia. Acesso em: 9 jun. 2020.
Democracia
local
Aplicação
previsível
Ausência de
corrupção
Integridade
da mídia Independência
judicial
Parlamento
eficaz
Democracia
direta
Participação
eleitoral
Participação
da sociedade
civil
Sufrágio
Universal
Eleição
limpa
Partidos
políticos
livres
Governo
eleito
Acesso à
justiça
Liberdades
civis
Direitos
sociais e
igualdadelocal
Aplicação
previsível
Administração
imparcial
Integridade
Parlamento
Controle do
governo
justiça
Liberdades
Direitos
sociais e
Direitos
fundamentais
Sufrágio
Universal
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Governo
eleito
Governo
representativo
Democracia
direta
Participação
eleitoral
civil
Engajamento
participativo fundamentais
Democracia
Participação popular e
igualdade política
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A seguir, temos três documentos: uma charge, um quadro informativo de atendimento
hospitalar e um excerto da Constituição Federal. Após a leitura, responda ao que se pede.
DIÁLOGOS> LINGUAGENS E LEITURAS>
■ A faixa traz os dizeres: “4048a Olimpíada animal”.
Título II
Dos Direitos e Garantias Fundamentais
Capítulo I
Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garan-
tindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito
à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade [...]
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2020]. Disponível
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 20 jul. 2020.
1. Que ideia a charge transmite?
2. Qual é o objetivo do quadro de classificação de risco do hospital?
3. O que o artigo 5o da Constituição Federal determina?
4. Dos três documentos, qual deles está de acordo com a justiça distributiva? Justifique
sua resposta, apresentando argumentos referentes a cada um dos documentos.
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EMERGÊNCIA
Caso gravíssimo, com necessidade
de atendimento imediato.
MUITO URGENTE
Caso grave, com risco significativo.
Necessita de atendimento urgente.
URGENTE
Caso de gravidade moderada.
Necessita de atendimento rápido, mas pode aguardar.
NÃO URGENTE
Sem risco de agravamento da saúde. Pode aguardar atendimento
ou encaminhamento à Unidade Básica de Saúde.
POUCO URGENTE
Baixo risco de agravamento da saúde. Pode aguardar atendimento.
BEM-VINDO
AQUI VOCÊ É ATENDIDO COM
CLASSIFICAÇÃO DE RISCO.
ENTENDA OS NÍVEIS DE GRAVIDADE POR COR.
NÃO ESCREVA
NO LIVRO
Ver nas Orientações para o professor observações sobre o caráter multimodal da página.
33
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Política e poder
A ação política é baseada na negociação. Segundo Hannah Arendt,
o sentido da política é que os indivíduos estabeleçam relações entre si
em liberdade, regulamentando os assuntos por meio do diálogo e do
convencimento recíproco.
Existe uma relação entre o exercício da política e o do poder, mas o
poder não é exercido apenas por meio da política. Quando um adulto
ordena a seus filhos pequenos que não pratiquem determinada ação,
não está fazendo política, mas exercendo sua autoridade para garantir
o bem-estar das crianças. É uma forma de exercício do poder que não
passa por negociação e convencimento.
A relação que se estabelecia entre senhores e trabalhadores escraviza-
dos durante o período de vigência da escravidão no Brasil também não era
política. Essa relação era marcada pela violência e não havia preocupação
em convencer o escravizado a realizar tarefas por meio de argumentos.
Existem diferentes formas de poder, e a política é apenas uma delas.
Diversos pensadores estudaram o conceito de poder, já que ele é muito
importante para analisar as sociedades e as relações estabelecidas entre
os indivíduos ao longo do tempo.
O poder está em toda parte
O filósofo francês Michel Foucault (1926-1984) foi um desses pensadores.
Uma de suas contribuições essenciais para a reflexão sobre poder e política
foi a afirmação de que o poder não é algo controlado apenas pelo governo
ou por um pequeno grupo de pessoas.
Para esse pensador, o poder é uma forma de relação que se dissemina
por todas as esferas da sociedade,
como vimos no exemplo do adulto
que dá uma ordem aos seus filhos.
Foucault entende que sempre há
uma relação de poder quando indiví-
duos tentam influenciar as ações de
outros indivíduos. Um professor que
chama a atenção dos estudantes para
participar da aula está exercendo uma
forma de poder, assim como o dono
de uma empresa que dá ordens aos
seus funcionários ou o médico que
passa instruções ao seu paciente.
■ A imagem abaixo
expressa a ideia de
um professor que
exerce pleno poder
sobre sua turma de
estudantes, inserindo
conhecimento em
suas mentes sem
questionamentos ou
resistências. Ilustração
de 1910, de uma série
de ilustrações francesas
publicadas entre 1899
e 1910, representando
uma visão de como
seriam as escolas no
ano 2000.
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Poder, política e resistência
Outra contribuição importante de Foucault para a reflexão sobre o poder é
sua afirmação de que todo poder cria resistência. Para Foucault, não existe uma
situação na qual alguém possa exercer um domínio sem contestação e obrigar o
outro a obedecê-lo indefinidamente.
Os africanos escravizados que viveram no Brasil entre os séculos XVI e XIX,
por exemplo, sofriam grande violência, mas resistiam de muitas formas: lutando
contra os senhores, organizando fugas e formando comunidades, destruindo fer-
ramentas, trabalhando com lentidão, mantendo suas tradições e costumes, entre
outras.
Muitas vezes, a resistência se torna possível a partir da organização política.
Para melhor resistir às imposições, os indivíduos podem se organizar em um
grupo com interesses comuns. Esse processo é uma forma de política.
No Brasil, por exemplo, durante a ditadura civil-militar (1964-1985), a organiza-
ção da sociedade civil contra a violência do regime gerou inúmeras ações políticas
visando ao retorno da democracia, como manifestações, greves, produção de
obras de arte de protesto,
entre outras.
Assim, mesmo quando
o poder é exercido por
meio da violência, é possí-
vel resistir fazendo uso de
práticas políticas. A organi-
zação de grupos que atuam
de forma coletiva em prol
de um objetivo comum
permite o fortalecimento
dos indivíduos.
■ WAGENER, Z. Divination
ceremony and dance
(Cerimônia de adivinhação e
dança). Brasil, 1630.
COLEÇÃO PARTICULAR. FOTO: THE PICTURE ART COLLECTION/ALAMY/FOTOARENA
> DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Como vimos, a resistência se manifesta de diferentes formas. No presente, muitos jovens orga-
nizam ações coletivas em prol de transformações sociais. Essas práticas podem ser entendidas
como exemplos de resistência contra as injustiças do mundo contemporâneo. Pense em exem-
plos de ações desse tipo organizadas por jovens de sua comunidade ou do Brasil e discuta a
importância dessas práticas com seus colegas.
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Negação da política
Nas eleições de 2018, que elegeram presidente da República, depu-
tados estaduais e federais, senadores e governadores, houve o menor
número de eleitores jovens no Brasil desde 2002.
■ O gráfico mostra
a participação de
eleitores jovens nas
eleições de 2002 a 2018.
Ano de eleição
2002 2006 2010 2014 2018
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4
6
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Com direito a voto facultativo
Com título de eleitor
Fonte: Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apud MORENO, A. C.; COSTA, F. Nº de eleitores
jovens cai por desilusão com política e falta de identificação com os partidos, avaliam
especialistas. G1, 16 ago. 2018. Disponível em: https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2018/
noticia/2018/08/16/no-de-eleitores-jovens-cai-por-desilusao-com-politica-e-falta-de-identificacao-com-os-partidos-avaliam-especialistas.ghtml. Acesso em: 9 jun. 2020.
No Brasil, o voto é facultativo para pessoas entre 16 e 17 anos. Assim,
a queda do número de jovens que participaram das eleições de 2018
demonstra a perda de interesse dessa parcela da população no pro-
cesso eleitoral.
Cientistas políticos formularam diferentes hipóteses para explicar
esse fato, como a insatisfação dos jovens em relação aos rumos políticos
do país, a desilusão com a democracia ou a falta de diálogo de partidos
políticos com a população, entre outros motivos.
Essa situação é apenas um exemplo de um problema mais amplo
que é a chamada negação da política. Essa expressão é utilizada para
descrever o crescente desinteresse de setores da sociedade na participa-
ção política tradicional, por meio de eleições, organização de partidos e
associações políticas ou mesmo de envolvimento direto na construção
da democracia.
Brasil: eleitorado de 16 e 17 anos, 2002-2018
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Nos últimos anos, o fenômeno da negação da política vem cres-
cendo não só no Brasil, mas em diversas partes do planeta, o que
representa um grave problema social. As crises sociais e econômicas
que provocam o aumento da pobreza e da desigualdade social, os
escândalos de corrupção e a incompetência dos políticos na resolução
de problemas são alguns dos fatores que provocam a desconfiança da
sociedade civil diante das instituições políticas.
Nesse contexto, surgem grupos que passam a questionar a impor-
tância da democracia e defender ações autoritárias como forma de
resolução dos problemas.
Desse modo, o princípio central da ação política, a preocupação
em convencer o outro por meio da argumentação, começa a se perder
e discursos intolerantes ganham força nas redes sociais e em outros
espaços cotidianos.
Além disso, a desconfiança em relação à política é acompanhada da
perda de credibilidade dos meios de comunicação tradicionais, o que
abre caminho para a disseminação de fake news. Esse tipo de discurso
também enfraquece o diálogo, já que as falsas notícias são afirmações
não baseadas em fatos.
No lugar do diálogo e do debate democrático, com base em evi-
dências, muitas pessoas preferem acreditar em supostas verdades e
considerar incorretos e inaceitáveis outros pontos de vista, sem apre-
sentar argumentos fundamentados.
Como vimos, a política está em toda parte e todos podem exercê-
-la. Quando os indivíduos perdem o interesse pela política e deixam
de participar do processo, abrem caminho para pequenos grupos ou
setores da sociedade se apropriarem do discurso político e passarem
a tomar decisões de forma autoritária, e essas decisões afetarão a vida
de todos.
É muito importante problematizar a questão da negação da política,
bem como a desconfiança em relação à democracia, pois é só a partir
da construção coletiva de soluções políticas que os problemas sociais
do presente poderão ser resolvidos de modo a atender aos interesses
e necessidades de todos.
> MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO
1. Com base no gráfico anterior, o que é possível afirmar sobre a participação dos jovens nas eleições
brasileiras?
2. Na sua opinião, o que pode ser feito para modificar a situação representada no gráfico? Apresente
seus argumentos.
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D3-CH-EM-3075-V2-U1-C2-026-043-LA-G21_.indd 37D3-CH-EM-3075-V2-U1-C2-026-043-LA-G21_.indd 37 15/09/20 15:0115/09/20 15:01
NÃO ESCREVA
NO LIVROATIVIDADES>
1. A seguir é reproduzido o trecho de uma reportagem sobre a participação
da jovem ativista sueca Greta Thunberg no Fórum Econômico Mundial,
realizado em Davos, na Suíça, em janeiro de 2020.
Leia o texto atentamente e res-
ponda ao que se pede:
“Praticamente nada foi feito
já que as emissões globais
de CO2 não reduziram”, disse
Thunberg. “Será necessário
muito mais do que isso.” Mais
de 43 bilhões de toneladas de
dióxido de carbono foram emi-
tidos na atmosfera em 2019,
quebrando recorde anual, esta-
belecido em 2018, em mais
de 0,5%, segundo estimativa
prévia da organização interna-
cional de pesquisa ambiental
Global Carbon Project.
[...]
Segundo o relatório do Painel
Intergovernamental das Nações
Unidas sobre Mudanças Climáticas
de 2018, a comunidade internacio-
nal só poderá emitir mais 420 bilhões
de toneladas de dióxido de carbono a fim de evitar que a temperatura
média global aqueça em 1,5 °C a partir de 2030. Nas condições atuais, o
limite de carbono será ultrapassado em menos de nove anos.
‘PRATICAMENTE nada foi feito’ contra emissões de CO
2
, diz Greta em Davos. Veja, 21 jan. 2020.
Disponível em: https://veja.abril.com.br/mundo/praticamente-nada-foi-feito-contra-emissoes-de-co2-
diz-greta-em-davos/. Acesso em: 9 jun. 2020.
a) É possível afirmar que Greta Thunberg estava fazendo política no
evento do Fórum Econômico Mundial? Justifique.
b) A jovem Greta utiliza argumentos científicos para defender sua posi-
ção. Qual é a importância desse tipo de argumento para combater a
negação da política que marca o mundo contemporâneo?
c) Greta é uma jovem ativista. Você considera importante que os jovens
se tornem ativistas no contexto atual? Elabore um texto argumenta-
tivo sobre a questão.
d) O que você sabe sobre o Fórum Econômico Mundial? Essa organiza-
ção internacional reúne os principais líderes empresariais e políticos
do mundo, além de intelectuais e jornalistas. Pesquise o histórico, os
objetivos e as ações dessa organização e reflita sobre a importância
que ela tem no contexto atual.
■ A jovem ativista
sueca Greta
Thunberg discursa
no Fórum Econômico
Mundial, realizado
em Davos, Suíça, em
janeiro de 2020.
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2. O texto a seguir contextualiza a campanha “Mais do que um voto”, que ocorreu nos
Estados Unidos durante as eleições de 2020.
Leia o texto atentamente e responda ao que se pede:
■ Eleitor preenche cédula
eleitoral nas eleições
primárias presidenciais
em Louisville, Kentucky
(Estados Unidos), em
junho de 2020. BR
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Em meio a uma onda de indignação contra o racismo, a estrela da NBA [campeonato
de basquete dos Estados Unidos] LeBron James e outros atletas e celebridades uniram
forças em uma parceria para promover o voto dos negros americanos antes da eleição
presidencial de novembro.
"Está na hora de finalmente fazermos a diferença", afirmou o jogador do Los
Angeles Lakers nesta quarta-feira (10) em entrevista ao jornal The New York
Times.
Com o nome de "Mais do que um voto", a associação incentivará os afro-ame-
ricanos a se registrarem como eleitores e a votar nas eleições presidenciais de 3
de novembro.
Ao mesmo tempo, os membros da associação usarão suas redes sociais como
plataforma para alertar sobre qualquer tentativa de interferir no direito de voto
das minorias no país.
FRANCE PRESSE. LeBron James e outras estrelas do esporte farão campanha pelo voto afroamericano. G1,
11 jun. 2020. Disponível em: https://g1.globo.com/mundo/eleicoes-nos-eua/2020/noticia/2020/06/11/lebron-james-e-
outras-estrelas-do-esporte-farao-campanha-pelo-voto-afro-americano.ghtml. Acesso em: 14 ago. 2020.
a) De que forma é possível relacionar a campanha “Mais do que um voto” com o
problema da negação da política no presente?
b) O movimento visa mobilizar a população afro-americana a participar das eleições
nos Estados Unidos. Nesse sentido, esse movimento pode ser visto como um exem-
plo de ação de resistência em uma sociedade com grande desigualdade racial
como os Estados Unidos. Justifique essa ideia.
c) Você acredita que no Brasil seriam importantes movimentos semelhantes ao “Mais
do que um voto”? Por quê?
d) Imagine que vocêvai organizar uma campanha para estimular a participação da
população nas eleições. Como você faria isso? Discuta o tema com seus colegas.
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INVESTIGAÇÃO>
O slam como forma de resistência
Slam (slam poetry) é um estilo de poesia apresentada em forma de batalha e,
por isso, também conhecido como batalha de slam. Os poetas devem ler ou recitar
produção autoral, sem uso de adereços ou instrumentos, mas podem apresentar
performances.
■ Apresentação de slam em CIEP da cidade do Rio de Janeiro (RJ), 2020.
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O termo slam teve origem em Chicago, nos Estados Unidos, em 1984, e seu sig-
nificado está relacionado ao som de uma batida de porta ou janela. Atualmente, as
batalhas de slam são realizadas em mais de 500 comunidades do mundo. No Brasil,
todos os anos acontece o Slam BR – Campeonato Brasileiro de Poesia Falada, cujo
vencedor compete na Copa do Mundo de Slam, realizada anualmente na França.
Esse acontecimento poético dá voz a poetas da periferia, que trazem à tona
questões da contemporaneidade, convidando o público a refletir sobre os temas
abordados e provocando a tomada de consciência política.
Os temas normalmente estão relacionados à realidade das periferias, como
racismo, feminismo, desemprego, violência. Por isso, o slam é uma forma de resis-
tência e, como tal, uma prática política.
Com base nessas informações e em outras pesquisas, organize, coletivamente,
uma batalha de slam na escola.
Para iniciar essa atividade, em primeiro lugar, converse com os professores sobre
como efetivar esse evento.
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Em seguida, com a ajuda de seus colegas, organize a turma em duplas ou trios
para a criação das poesias e monte as chaves para determinar a ordem de confronto
entre as duplas e trios, desde a primeira fase até a final. A ideia é que o número de
participantes se reduza a cada fase.
Após a organização do evento, escolha os professores que serão os jurados
para determinar quem venceu cada confronto. É importante discutir previamente
as regras de avaliação, de modo que todos tenham clareza dos critérios.
Com o evento planejado, é o momento de criar os slams. Para isso, os grupos
devem selecionar os temas das poesias e pesquisar informações. Também é inte-
ressante buscar na internet exemplos de slams para ter uma ideia mais clara sobre
o formato dessa produção.
Com as poesias finalizadas, é importante ensaiar a apresentação. Caso nem
todos os membros do grupo se sintam à vontade para se apresentar, é possível
selecionar um representante. É necessário, porém, que todos os grupos apresentem
suas produções no momento do confronto.
Pronto, agora basta iniciar o evento. É importante respeitar os colegas e acom-
panhar atentamente as apresentações de todos. Além disso, é interessante registrar
as apresentações por meio de fotos ou filmagem. Caso o grupo esteja de acordo, é
possível divulgar as batalhas nas redes sociais.
Ao final, organizem uma etapa de discussão com todos os participantes, para
entender como cada um interpretou os poemas e de que forma a atividade ajudou
a refletir sobre nossa sociedade.
■ Grande final do Slam BR 2019 – Campeonato Brasileiro de Poesia Falada, no Sesc Pinheiros, em
São Paulo (SP), 2019.
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PLANEJAMENTO
Reúnam-se com os demais colegas de sala e sigam os passos:
1. Identifiquem e mapeiem outras escolas públicas ou particulares da região onde vocês estudam
que tenham turmas de Ensino Médio.
2. Elaborem em conjunto um questionário sobre bullying para ser aplicado aos estudantes da sua
escola e de outras instituições de ensino. Para isso, utilizem a Escala de Likert, que, basicamente
consiste em apresentar afirmações aos entrevistados e pedir que eles escolham uma numeração
entre 0 e 10, sendo 0 correspondente a “nunca” e 10, “com muita frequência”, ou, ainda, 0 para
“discordo totalmente” e 10 para “concordo totalmente”.
3. Vocês não irão entrevistar todos os estudantes da escola, mas fazer uma pesquisa de amostra-
gem, assim como fazem vários institutos de pesquisa. Para isso, é importante saber o número
de estudantes de Ensino Médio que existe em cada escola e estabelecer, juntos, qual é a por-
centagem de estudantes que serão entrevistados. Por exemplo, caso a escola onde será feita
a entrevista tenha 240 estudantes no período da manhã e vocês queiram uma amostragem de
10%, devem entrevistar 24 estudantes. Há várias formas de selecionar os entrevistados. Uma
sugestão é pedir que os estudantes se voluntariem.
4. Ainda sobre a elaboração do questionário, criem frases simples, de fácil entendimento, façam uma
divisão para enquadrar as afirmações entre as Escalas de Likert, de 0 a 10: “Nunca ou com muita
frequência” (pode ser chamada de Pesquisa A) ou “Discordo totalmente e concordo totalmente”
(pode ser chamada de Pesquisa B). Não se esqueçam de incluir todos os tipos de bullying identifi-
cados anteriormente e outros que vocês julguem ter importância em relação ao tema pesquisado.
Formulem afirmações que busquem avaliar se o entrevistado já foi um agressor ou uma vítima,
mais uma vez sem emitir juízo de valor. Todos os grupos devem aplicar a mesma entrevista.
5. É possível deixar uma questão ou um espaço aberto, caso o entrevistado queira dar algum
depoimento, citar exemplos ou fazer comentários. É importante garantir que os estudantes entre-
vistados tenham a opção de responder à pesquisa anonimamente para manter sua privacidade,
mas é necessário que forneçam dados como idade e ano que estão cursando.
6. Tenham em mente que o público-alvo da pesquisa são estudantes do Ensino Médio da própria
escola e de outras escolas da região. Dividam os grupos de pesquisa para cada escola, orga-
nizem-se para calcular quantas entrevistas devem ser aplicadas em cada escola, avaliar as
melhores datas para realizar as entrevistas e as melhores formas de deslocamento, bem como
decidir se utilizarão questionários impressos em papel ou formulários disponibilizados pela inter-
net. Marquem uma data final comum a todos os grupos para apresentar os resultados coletados.
7. Como metodologia de pesquisa, vocês irão utilizar o método de amostragem, que consiste em
um estudo estatístico para investigar a experiência ou a opinião de um determinado grupo de
pessoas. Nesse caso, o universo pesquisado são estudantes do Ensino Médio, a população da
pesquisa são estudantes do Ensino Médio das escolas escolhidas pela turma que se dispuserem
voluntariamente a responder a pesquisa. A proposta é que vocês entrevistem 10% da popula-
ção da pesquisa. Para isso, calculem a quantidade de estudantes que vocês devem entrevistar,
anotem os nomes dos voluntários e façam um sorteio entre eles. Os sorteados que serão entre-
vistados compõem a amostra de vocês.
8. Com ajuda de um professor ou da coordenação da escola, redijam uma carta dirigida à coordena-
ção e aos estudantes das escolas que vocês visitarão, explicando os objetivos e a forma como
a pesquisa será feita.
Etapa
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Memórias da ditadura
Disponível em: http://memoriasdaditadura.org.br/
O site traz diversos registros de ações organizadas por diferentes setores da sociedade civil
durante a ditadura, o que ajuda a refletir sobre as práticas de resistência da sociedade civil
durante o período ditatorial no Brasil.
Entendendo ética: um guia ilust rado
Dave Robinson e Chris Garrat. São Paulo: Leya, 2017.
O livro combina uma linguagem didática com quadrinhos para explorar alguns dos principaisproblemas e debates da reflexão ética ao longo do tempo. Dessa forma, é uma excelente obra
introdutória para conhecer mais sobre o campo da ética e suas implicações para as sociedades
humanas.
A náusea
Jean-Paul Sartre. São Paulo: Nova Fronteira, 2019.
O livro, que é uma das diversas obras literárias escritas pelo filósofo francês, oferece a
oportunidade de conhecer melhor suas ideias e refletir sobre suas propostas éticas. Nesse
romance, o intelectual Antoine Roquetin faz uma profunda reflexão ética ao enfrentar o problema
da ausência de sentido da vida.
Nossa casa está em chamas: ninguém é pequeno demais para fazer a diferença
Greta Thunberg et al. São Paulo: BestSeller, 2019.
Escrita de forma colaborativa por Greta Thunberg, sua mãe e seus familiares, o livro narra
o envolvimento da jovem ativista sueca na luta contra a destruição do meio ambiente. Por
meio dessa narrativa, é possível refletir sobre a importância da política na construção de um
mundo justo para todos.
Ética e vergonha na cara!
Mario Sergio Cortella e Clóvis de Barros Filho. São Paulo: Papirus, 2014.
Nesse livro, os dois pensadores brasileiros refletem sobre questões éticas e políticas a partir de
situações cotidianas. A obra pode ajudar a aprofundar alguns temas estudados na unidade.
A vida não é útil
Ailton Krenak. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.
As ideias do autor constituem um exemplo de resistência às relações de poder que marcam as
sociedades contemporâneas. O livro é uma excelente introdução ao pensamento de Krenak, que
dialoga com alguns problemas éticos e políticos importantes no mundo contemporâneo.
Depois da verdade: desinformação e o custo das fake news
Direção: Andrew Rossi. Estados Unidos, 2020. Vídeo (95 min). Disponível em: https://www.hbogo.
com.br/. Acesso em: 22 jul.2020.
Esse documentário analisa o impacto das fake news no mundo contemporâneo a partir de
exemplos ocorridos nos últimos anos nos Estados Unidos.
> SAIBA MAIS
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UNIDADE
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Direitos
humanos
Os direitos dos cidadãos são resultado da
luta de pessoas que sonharam e ainda sonham
com um mundo mais justo e sem opressão. Os
direitos que usufruímos hoje foram conquis-
tados graças à participação ativa de muitas
pessoas que não se intimidaram perante
injustiças e lutaram por igualdade de direitos
civis, políticos, econômicos e sociais. A cidada-
nia, porém, se constrói todos os dias e muitos
direitos continuam sendo conquistados
graças à nossa capacidade de organização
e intervenção social. Nesta unidade vamos
conhecer um pouco dessa história.
2
1. Você já se sentiu desrespeitado como cida-
dão ou já presenciou alguém ser vítima de
desrespeito? Qual foi sua reação?
2. Além de direitos, a cidadania estabelece
deveres. Em uma roda de conversa, debata
com seus colegas quais são os principais de-
veres de um cidadão que se preocupa com
o coletivo e como isso contribui para a con-
solidação de uma sociedade democrática.
NÃO ESCREVA
NO LIVRO
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■ Ilustração criada por
Preta Ilustra (Vanessa
Ferreira), 2020.
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CAPÍTULO
3 Em busca da cidadania
É muito comum encontrarmos pessoas para quem a ideia de cida-
dania significa apenas ter o direito de votar livremente na época das
eleições. O direito ao voto é, sem dúvida um exemplo de prática da
cidadania. Entretanto, o termo não se resume a isso; ele é muito mais
amplo. Cidadania é a condição do cidadão que, como membro de um
Estado, tem pleno direito de participar da vida política e tomar parte
das decisões do governo. Quem não tem cidadania está marginalizado
ou excluído, sem poder participar das decisões.
Os direitos do cidadão, no entanto, não surgiram ao acaso nem
se desenvolveram de modo linear. Eles são resultado de muitas idas e
vindas ao longo dos séculos, e sua existência é fruto de conquistas de
muitas pessoas que lutaram e ainda lutam por um mundo sem opres-
sões e desejam uma sociedade mais justa.
Direitos como manifestar ideias livremente, praticar uma religião, ter
tratamento igual perante a lei, por exemplo, só se tornaram realidade
porque, no passado, muitos batalharam – e até morreram – por esses
ideais. Por isso, costuma-se dizer que a cidadania não é algo acabado,
mas algo que se constrói todos os dias.
Neste capítulo, você verá como se deu o processo de formação do
conceito de cidadania que conhecemos no presente. Ele começou ainda
no século XVII, na luta dos ingleses contra o absolutismo, e se consoli-
dou no século seguinte, com a Revolução Francesa e a Declaração dos
Direitos do Homem e do Cidadão. E, mesmo variando de um país para
o outro, ainda hoje esse conceito está em constante mudança.o outro, ainda hoje esse conceito está em constante mudança.
■ Voluntários trabalham em
produção emergencial
de sacolas de alimentos
durante a pandemia do
novo coronavírus (covid-19),
em Oakland, Califórnia
(Estados Unidos), 2020.
STEPHEN LAM/REUTERS/FOTOARENA
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Consultar as Orientações para o professor para obter mais informações sobre o capítulo
e sobre o trabalho com as atividades.
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■ Crianças em Lunana
Gewog, distrito de
Gasa (Butão), 2017.
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É possível ser feliz?
O que é a felicidade? Ela também é um direito do cidadão? Para
alguns, felicidade é passar bons momentos ao lado da família. Para
outros, viajar ou ter algum hobby, como tocar um instrumento, praticar
esportes ou ir a baladas com os amigos. Há quem encontre a felici-
dade na religião, assim como há pessoas que se sentem felizes quando
compram algo que há muito tempo desejavam.
A ideia do que é felicidade varia de pessoa para pessoa. O soció-
logo holandês Ruut Veehoven (1942-), uma das principais autoridades
mundiais a respeito do assunto na atualidade, estuda como a felicidade
pode ser considerada uma medida confiável para avaliar o desenvolvi-
mento das sociedades. Para ele, a felicidade pode ser entendida como
“o grau de satisfação de um indivíduo com sua qualidade de vida”. Ou
seja, quanto mais uma pessoa estiver satisfeita com a vida que leva,
mais feliz ela é.
O Butão, país asiático encravado entre a China e Índia, criou, em 1972,
a Felicidade Interna Bruta (FIB), um conceito de desenvolvimento social
que faz contraponto ao Produto Interno Bruto (PIB), indicador econômico
utilizado para calcular a riqueza das nações. Enquanto o PIB é medido
considerando todos os bens e serviços produzidos por um país ao longo
de um determinado período, o FIB é medido considerando variantes
como preservação e promoção dos valores culturais, igualdade entre
gêneros, liberdade de pensamento, saúde da população, entre outras.
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Reflexões sobre a felicidade
Diferentes sociedades humanas formularam reflexões sobre o
que significa a felicidade. Na Antiguidade, essa questão foi analisada
por diversos filósofos que discorreram sobre o melhor caminho para
conquistá-la.
Epicuro (341 a.C.-270 a.C.) considerava a felicidade o verdadeiro
propósito da vida. Para alcançá-la, o filósofo recomendava a vida em
comunidade, o fortalecimento dos laços de amizade, a liberdade e o
exercício da filosofia. Segundo a doutrina epicurista, a busca indiscrimi-
nada de prazeres é fonte de perturbações que causamdor e sofrimento,
portanto cultivar o prazer das coisas simples e habituar-se a um modo
de vida não luxuoso são atitudes que proporcionam uma vida feliz.
Sócrates (c. 469 a.C.-399 a.C.) defendia a ideia de que a felicidade
só podia ser atingida por meio de uma conduta justa e virtuosa. Para
o filósofo, o autoconhecimento era importante para que as pessoas
pudessem examinar a si próprias com o objetivo de abandonar as
falsas opiniões que guiariam seus atos de forma errada, conduzindo
à infelicidade.
Platão (c. 427 a.C.-347 a.C.), discípulo de Sócrates, entendia a feli-
cidade como finalidade última do ser humano e de suas ações. Ela
seria alcançada pelos indivíduos que agissem conforme a sua própria
natureza. Sendo felizes, as pessoas contribuiriam para a felicidade dos
demais membros de sua comunidade, no caso, a pólis. A felicidade, para
Platão, não tinha um caráter individualista, mas coletivo.
Para Immanuel Kant (1724-1804), a busca pela felicidade individual
não podia ser um fim em si mesma, mas estaria condicionada aos prin-
cípios da moralidade que
deveriam orientar a vida
de todos. Essa tese influen-
ciou outros pensadores,
fortalecendo a ideia de que
a felicidade individual não
era o princípio central que
conduziria a uma vida ética.
Ao longo do tempo,
outros filósofos abordaram
o problema da felicidade,
como Thomas Hobbes
(1588-1679), John Locke
(1632-1704) e Gottfried
Leibniz (1646-1716).
■ STROHMAYER, A.
Jardim do filósofo,
Atenas, óleo sobre
tela,1834. O Jardim de
Epicuro era uma comu-
nidade onde todos
viviam basicamente do
consumo de hortaliças
cultivadas pelos pró-
prios moradores.
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A felicidade como direito
humano
No século XVIII, alguns pen-
sadores europeus começaram a
refletir a respeito da felicidade
como um valor social, um direito
natural inerente ao ser humano.
Ser feliz era, assim, um projeto
de sociedade.
A crença nessa ideia ganhou
força porque, com a Revolução
Industrial – iniciada naquele
mesmo século –, trabalhadores
passaram a produzir em grandes
quantidades os bens necessários
para se viver de forma mais confortável. Muitos cientistas, filósofos e
pensadores iluministas acreditavam que, com aqueles avanços, seria
possível sonhar com uma sociedade em que a miséria e as desigualda-
des sociais fossem reduzidas. Assim, seria viável a construção de uma
sociedade mais justa e igualitária, capaz de, em um futuro não tão dis-
tante, assegurar a felicidade de toda a população.
Essas ideias influenciaram o pensamento social e político da época,
ganhando contornos mais claros no processo de Independência dos
Estados Unidos, em 1776. No documento elaborado pelos líderes revolucio-
nários estadunidenses, que declarava as colônias inglesas livres do domínio
britânico, encontra-se a seguinte afirmação: “Todos os homens são criados
iguais, dotados pelo seu Criador de certos direitos inalienáveis, [e] que entre
esses estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade”. Para aqueles líderes,
a felicidade era entendida como um direito inerente ao indivíduo.
> MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Pensando em seus sentimentos, reflita e responda: O que o faz feliz? Você
compartilha sua felicidade com alguém? Como você lida com os mo-
mentos em que se sente triste? Você procura ajuda nesses momentos?
E quando você encontra alguém triste, você tenta ajudar essa pessoa?
Em seguida, compare sua resposta com a de outro colega da sua sala,
procurando encontrar semelhanças e diferenças.
■ ARMAND-DUMARESQ,
C. E. Declaração da
Independência dos
Estados Unidos, 4 de
julho de 1776. c. 1873.
Óleo sobre tela,
74,9 cm x 120,5 cm.
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Hobbes e a soberania popular
As raízes dessa luta por direitos,
que tanto influenciou a Independência
dos Estados Unidos, podem ser encon-
tradas em duas outras revoluções
ocorridas no século XVII, na Inglaterra.
Conhecidas como Revoluções Inglesas,
elas foram fundamentais para pro-
mover uma mudança nas relações
de poder, não só na sociedade como
também no Estado inglês.
Na época, a Inglaterra era uma
monarquia absolutista, ou seja, o
poder do rei não se encontrava
limitado por nenhum outro poder,
exceto “pelas leis de Deus”. Os
monarcas entendiam que seu poder
havia sido concedido diretamente
por Deus, princípio conhecido como
direito divino dos reis.
No entanto, o filósofo Thomas
Hobbes publicou, em 1651, o livro
Leviatã, no qual contesta essa origem
do poder real. Para Hobbes, a origem
do poder não é divina, mas é criada
a partir de um contrato estabele-
cido com cada indivíduo que forma
a sociedade.
De acordo com Hobbes, os indiví-
duos transferem seu poder a um indivíduo ou a uma assembleia, dando
origem ao soberano. O dever do soberano é cuidar da defesa nacional
e criar leis que garantam a segurança interna. Nesse sentido, o poder
do soberano origina-se da soberania popular.
Para Hobbes, a única forma de organizar a sociedade seria assegurar
que o soberano passasse a concentrar todo o poder, já que isso evitaria
conflitos internos, que poderiam provocar a desintegração do Estado.
Ao mesmo tempo em que defende o absolutismo, Hobbes prega
a existência de direitos inalienáveis aos seres humanos. Entre eles, o
direito à vida, à propriedade e à iniciativa privada. Inovadoras para a
época, as ideias de Hobbes trazem em si os elementos fundadores do
pensamento liberal.
Liberal
Adepto do liberalismo,
doutrina que defende
a liberdade individual
nos campos econômico,
político, religioso e
intelectual.
■ Frontispício da pri-
meira edição da obra
Leviatã, de Thomas
Hobbes, publicada
em 1651.
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Locke e os direitos individuais
Em 1688, a burguesia
inglesa liderou a Revolução
Gloriosa (1688-1689), res-
ponsável por acabar com o
absolutismo no país e trans-
formar a Inglaterra em uma
monarquia constitucional. Um
dos marcos dessa revolução foi
a assinatura, por parte do rei,
da Bill of Rights (Declaração de
Direitos). Esse documento sig-
nificou o reconhecimento do
rei de que seus poderes eram
limitados pelo Parlamento, ao
mesmo tempo em que assegu-
rava que o Estado respeitaria os direitos individuais da população. A Bill
of Rights pode ser considerada o ponto de partida para a construção de
uma sociedade baseada em um Estado de direito, ou seja, que defende
os direitos dos cidadãos.
Um ano depois da assinatura, em 1690, a questão dos direitos indi-
viduais ganharia novo destaque, desta vez com a publicação de Dois
tratados sobre o governo civil, do filósofo inglês John Locke.
Diferentemente de Hobbes, Locke era contrário ao absolutismo e
defendia alguns dos elementos que hoje norteiam um regime cons-
titucional, como o fato de que o Poder Legislativo deve ser formado
por representantes eleitos pelo povo, renovados periodicamente, e de
que as decisões do eleitorado e do Parlamento devem ser tomadas por
maioria e obedecidas por todos, mesmo por aqueles que não concor-
dam com elas. Locke teve um papel importante na disseminação da
ideia de que as pessoas são detentoras de direitos individuais naturais,
entre eles, o direito à vida, à liberdade, à saúde.
Esses ideais influenciaram os líderes da Revolução Americana, de
1776, bem como afetaram de maneira decisiva a Revolução Francesa,
de 1789.
■ William desembar-
candoem Torbay,
Devon, 5 de novem-
bro de 1688 com
tropas no início da
Revolução Gloriosa.
c. 1754. Gravura.
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> MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Em um governo absolutista, o poder se concentra nas mãos de uma pessoa, diferentemente de um
regime democrático, no qual há uma divisão de poderes. Com base em seus conhecimentos e na
leitura do capítulo, cite três aspectos positivos da divisão de poderes entre diferentes esferas.
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Direitos universais
A Revolução Francesa (1789-1799) foi uma revolução social com
grande participação popular, que teve como lema “liberdade, igualdade
e fraternidade” e que pode ser considerada o ápice do processo histó-
rico de luta por direitos civis iniciado no século XVIII. O movimento foi
liderado pela burguesia, mas dele também fizeram parte outros grupos
sociais, como camponeses e trabalhadores urbanos.
Os revoltosos pertenciam ao chamado Terceiro Estado, maior grupo
social da França, e eles se rebelaram contra o absolutismo do rei Luís XVI
e contra os privilégios do clero (Primeiro Estado) e da nobreza (Segundo
Estado). Entre esses privilégios, estavam a isenção de diversos impostos
e o direito a julgamentos em tribunais próprios.
A revolução se estendeu por dez anos, ao longo dos quais o
movimento obteve avanços e enfrentou retrocessos. Porém, uma das
conquistas mais importantes foi quando os revolucionários consegui-
ram decretar o fim desses privilégios e proclamaram a Declaração dos
Direitos do Homem e do Cidadão, em 1789.
Nos 17 artigos desse documento,
os franceses procuraram reunir
tanto as proteções legais dos direi-
tos fundamentais como estabelecer
as bases jurídicas do governo. Eles
criaram uma sociedade de cidadãos
juridicamente iguais. Em seu pri-
meiro artigo, a declaração dizia que
“todos nascem e permanecem livres
e iguais em direitos”. Nela também
estavam assegurados o direito à pro-
priedade, à segurança, à resistência
à opressão, bem como à liberdade
de imprensa. Estavam também proi-
bidas ordens arbitrárias e punições
desnecessárias.
Uma característica inédita desse
documento é que ele não era voltado
exclusivamente ao povo francês,
tinha um caráter universal. Ou seja,
pretendia abarcar a humanidade
como um todo, independentemente
de país ou etnia. Começava a se con-
solidar, dessa maneira, a ideia de
cidadania que conhecemos hoje.
■ LE BARBIER, J-J. F.
Declaração dos
Direitos do Homem
e do Cidadão. 1789.
Óleo sobre madeira,
71 cm x 56 cm. Museu
Carnavalet, Paris,
França.
Direitos civis
Direitos que o governo
garante aos cidadãos,
como o direito ao voto.
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Os textos a seguir foram produzidos durante a Revolução Francesa:
a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789) e a Declaração
dos Direitos da Mulher e da Cidadã, escrita em 1791 por Olympe de
Gouges (1748-1793). As propostas de Olympe foram recusadas pela
Assembleia Legislativa francesa, mas seu documento tornou-se um
importante manifesto em favor da igualdade de gêneros e foi retomado
por outros movimentos ao longo do século XIX.
Leia os excertos selecionados e responda ao que se pede.
DIÁLOGOS> LINGUAGENS E LEITURAS>
■ KUCHARSKI, A. Retrato de
Olympe de Gouges. (Detalhe).
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Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão
Art. 1o Os homens nascem e são livres e iguais em direitos. As distinções sociais
só podem fundamentar-se na utilidade comum.
[...]
Art. 10o Ninguém pode ser molestado por suas opiniões, incluindo opiniões religio-
sas, desde que sua manifestação não perturbe a ordem pública estabelecida pela lei.
[...]
Art. 15o A sociedade tem o direito de pedir contas a todo agente público pela sua
administração.
DECLARAÇÃO de Direitos do Homem e do Cidadão – 1789. Biblioteca Virtual de Direitos Humanos da Universidade de São
Paulo. Disponível em: http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Documentos-anteriores-%C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-
da-Sociedade-das-Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3%A9-1919/declaracao-de-direitos-do-homem-e-do-cidadao-1789.html.
Acesso em: 15 ago. 2020.
Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã
Artigo primeiro A Mulher nasce livre e permanece igual ao homem em direitos. As
distinções sociais só podem ser fundamentadas no interesse comum.
[...]
Artigo dez Ninguém deve ser molestado por suas opiniões, mesmo que sejam de
princípio; a mulher tem o direito de subir ao cadafalso; mas ela deve igualmente ter
o direito de subir à tribuna, contanto que suas manifestações não perturbem a ordem
pública estabelecida pela lei.
[...]
Artigo quinze O conjunto das mulheres, igualadas aos homens na contribuição, tem
o direito de pedir contas de sua administração a qualquer agente público.
GOUGES, O. de. Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã. INTERthesis, Florianópolis, v. 4, n. 1. jan./jun. 2007. Disponível
em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/interthesis/article/view/File/911/10852. Acesso em: 15 ago. 2020.
Com base em seus conhecimentos e nos fragmentos, responda:
a) Quais são as semelhanças e diferenças observadas entre os artigos desses dois
documentos?
b) Nos artigos citados, quais são os direitos reivindicados pelas mulheres? Esses direitos
fazem parte da realidade das mulheres no Brasil hoje?
c) Olympe de Gouges ressalta uma questão central para o exercício da cidadania, em
seu documento: a importância da igualdade de direitos entre homens e mulheres.
Por que essa igualdade é necessária para o pleno exercício da cidadania?
NÃO ESCREVA
NO LIVRO
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Cidadania hoje
A cidadania consolidada pela Revolução Francesa, e que está na
base do conceito de cidadania que temos hoje, é chamada pelos his-
toriadores de cidadania liberal. Como vimos, ela é fruto de um longo
processo de conquistas, como o direito à igualdade política, advindo
com a Declaração de Direitos (1689), da Revolução Gloriosa; a conquista
da autodeterminação, com a Revolução Americana (1776); a conquista
da igualdade jurídica, com a Declaração dos Direitos do Homem e do
Cidadão (1789).
A cidadania liberal rompeu com a ideia de que os indivíduos eram
súditos de um rei ou de uma rainha e que tinham apenas deveres a
cumprir. Os súditos tornaram-se cidadãos, com deveres, mas também
com direitos. A luta pela conquista de direitos, inclusive, ampliou-se ao
longo do tempo.
A Revolução Industrial, iniciada no século XVIII, provocou o surgi-
mento do operariado, que, unido em torno de sindicatos e associações,
começou a lutar por melhores condições de trabalho, melhores salários
e leis de proteção ao trabalhador. E muitas dessas reivindicações torna-
ram-se realidade durante os séculos XIX e XX. Assim, expandiu-se a ideia
do que é ser cidadão. O historiador Jaime Pinsky (1939-) nos apresenta
a seguinte definição em torno do que é ser cidadão nos dias de hoje:
Ser cidadão é ter direito à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade
perante a lei: é, em resumo, ter direitos civis. É também participar no
destino da sociedade, votar, ser votado, ter direitos políticos. Os direi-
tos civis e políticos não asseguram a democracia sem os direitos sociais,
aqueles que garantem a participação do indivíduo na riqueza coletiva: o
direito à educação, ao trabalho, ao salário justo, à saúde, a uma velhice
tranquila. Exercer a cidadania plena é ter direitos civis, políticos e sociais.
PINSKY, J. História da cidadania. São Paulo: Contexto,2003. p. 9.PINSKY, J. História da cidadania. São Paulo: Contexto, 2003. p. 9.
■ Pessoa em situação de
rua em Sumaré (SP),
2017.
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Conceito em mudança permanente
A própria ideia de cidadania está em mudança permanente. Ela varia de uma
nação para outra, de um momento histórico para outro. Se, hoje, esse conceito é
cada vez mais inclusivo, na antiga Grécia, onde a ideia da cidadania surgiu, ele tinha
um caráter excludente.
Nas antigas pólis, nem todos tinham direitos de cidadania. As pessoas escraviza-
das, por exemplo, tinham muito menos direitos que os cidadãos livres. Além disso,
mulheres e estrangeiros não podiam participar da vida política da cidade.
Ainda hoje, o conceito de cidadania varia de um lugar para outro. Ser cidadão,
no Brasil, é diferente de ser cidadão nos Estados Unidos ou na França. Uma das
grandes questões na atualidade é como garantir a cidadania a todos, considerando
as diferenças étnicas, religiosas, culturais, sociais e econômicas observadas em um
mundo cada vez mais globalizado, plural e multicultural.
São questões para as quais ainda não se tem uma resposta, mas, como afirma
o historiador Peter Demant (1951-), para que a cidadania beneficie a todos, é neces-
sário que as relações entre maioria e minorias, inclusive em nível institucional (leis,
políticas públicas etc.), sejam renovadas de modo a considerar os interesses de toda
a população, não apenas os das elites.
■ Refugiados e migrantes chegam a bordo de um barco inflável à ilha de Lesbos (Grécia), 2020.
> DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Observe as fotografias desta página e da página anterior. Em sua opinião, as pessoas retratadas têm
seus direitos de cidadão assegurados? Em sua comunidade, existem grupos que carecem desses
direitos? Justifique suas respostas.
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Cidadania e espaço
Diante do que você estudou até agora, quantos habitantes do
Brasil são cidadãos? Quantos não sabem que não são cidadãos? Essas,
entre outras perguntas, fazem parte das reflexões feitas pelo geógrafo
Milton Santos (1926-2001) no livro O espaço do cidadão, lançado em
1987, quando nosso país acabava de entrar no processo de redemocra-
tização e muitos defendiam que havia um longo caminho na luta pelos
direitos de toda a população.
Desde então, houve inúmeros avanços em relação aos direitos dos
cidadãos, o que se refletiu em melhorias nas condições de vida das
pessoas nos mais diversos setores, como a ampliação do acesso à edu-
cação e à saúde. No entanto, sabemos que ainda há muito o que ser
feito para ampliar esse acesso e, principalmente, a qualidade de diversos
serviços, ao mesmo tempo em que verificamos retrocessos com gover-
nos que não têm um compromisso real com políticas públicas.
Ao analisarmos a cidadania e a conquista de direitos do ponto de
vista da Geografia, e voltando a Milton Santos, dirigimos o olhar para o
espaço que, muitas vezes, é caracterizado por vazios. Não se trata aqui
de “vazios populacionais”, mas de “vazios de cidadãos” verificados na
ausência de fixos sociais, dos quais fazem parte a infraestrutura que
garante os direitos sociais, como hospitais e escolas.
Segundo Milton Santos, os fixos são a parte material do
espaço geográfico, ou seja, objetos que resultaram do trabalho
humano e passaram a ter uma função. Há fixos sociais e cultu-
rais, econômicos, religiosos etc. Também podem ser públicos e
privados. Exemplos de fixos são as fábricas, os bancos, os templos
religiosos, os shoppings etc. Já as ações e práticas são os fluxos. Os
fixos e os fluxos formam um conjunto inseparável que compõe o
espaço geográfico.
Leia, a seguir, um trecho de O espaço do cidadão sobre isso:
Olhando-se o mapa do país, é fácil constatar extensas áreas vazias
de hospitais, postos de saúde, escolas secundárias e primárias, infor-
mação geral e especializada, enfim, áreas desprovidas de serviços
essenciais à vida social e à vida individual. O mesmo, aliás, se veri-
fica quando observamos as plantas das cidades em cujas periferias,
apesar de uma certa densidade demográfica, tais serviços estão igual-
mente ausentes. É como se as pessoas nem lá estivessem.
SANTOS, M. O espaço do cidadão. 7. ed. São Paulo: Edusp, 2007. p. 59.
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Esses vazios de cidadãos podem ser verificados em diferentes
escalas espaciais: quando se comparam as grandes regiões, unidades
da federação, municípios e regiões dentro dos municípios, e quando se
verificam vazios nas periferias das cidades.
Para que não fiquemos apenas na constatação dos vazios de cida-
dãos, vale lembrar que não há outro caminho para reduzir ou eliminar
tais vazios que não o da participação democrática de toda a população.
Essa participação, como já vimos, vai muito além do voto, devendo cada
cidadão estar alerta, cobrar as autoridades e manifestar-se, sempre con-
siderando a lei maior do país, a Constituição.
■ Rua alagada no bairro
Terra Firme. Os mora-
dores convivem com
esgoto a céu aberto
e frequentes alaga-
mentos do canal Lago
Verde, que cruza o
bairro. Belém (PA), 2019.
NÃO ESCREVA
NO LIVRO> LEITURA DE IMAGEM
• Observe atentamente a fotografia desta página e analise a cena retratada
com base no conceito de vazio de cidadãos.
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NÃO ESCREVA
NO LIVROATIVIDADES>
1. Durante a pandemia de covid-19 no Brasil, em 2020, foram amplamente divulgadas as diferenças
entre os fixos relacionados ao direito à saúde e, por consequência, ao direito à vida. Veja o mapa a
seguir e responda ao que se pede.
Se consideramos o conceito de vazio de cidadãos no mapa acima, em quais regiões (Norte,
Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul) os vazios estão concentrados? E, no interior dessas regiões,
há diferenças?
2. Releiam a definição de “o que é ser cidadão”, na p. 54, escolham um dos direitos e discutam de que
forma ele é atendido em sua comunidade. Como provocação da discussão, adaptem as perguntas
feitas por Milton Santos, verificando se há vazios de cidadãos: Quantos cidadãos há na comunidade?
Quantas pessoas não sabem que não são cidadãs? Pense em ações, de diferentes atores, que possam
garantir tais direitos ou ampliá-los.
Fonte: 43% DA POPULAÇÃO brasileira mora em municípios sem estrutura recomendada de respiradores ou leitos de
UTI. FGV Dapp, 6 abr. 2020. Disponível em: http://dapp.fgv.br/43-da-populacao-brasileira-mora-em-municipios-sem-
estrutura-recomendada-de-respiradores-ou-leitos-de-uti/. Acesso em: 1 ago. 2020.
Brasil: proporção da população em municípios sem
registro de respiradores/ventiladores, 2020
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
PACÍFICO
Equador
Trópico de Capricórnio
50° O
0°
De 0 a 9
De 9,1 a 19
De 27,1 a 41,6
De 41,7 a 100
De 19,1 a 27
Percentual da população
por região intermediária em
municípios sem registro de
respiradores/ventiladores
Capital de estado
Divisa regional
Capital de país
0 355
Rio Branco
Maceió
Macapá
Manaus
Salvador
Fortaleza
Vitória
Goiânia
São Luís
Cuiabá
Campo Grande
Belo Horizonte
Belém
João
Pessoa
Curitiba
Recife
Teresina
Rio de Janeiro
Natal
Porto Alegre
Porto
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COLETA DE DADOS E INFORMAÇÃO
Para dar continuidadeao projeto, vocês podem seguir estes passos.
1. Cada grupo deve entrar em contato com a escola (por telefone ou pessoalmente), encaminhar
ou entregar a carta de apresentação e agendar a melhor data e horário para entrevistar os
estudantes. Os grupos devem também obter informações como nome e endereço da escola,
dados da coordenação ou do professor que irá auxiliá-los na entrevista, número de estudan-
tes da instituição etc.
2. No dia da entrevista, dividam as funções entre os participantes do grupo. Definam quem fará
a divulgação da pesquisa; quem realizará as entrevistas pessoalmente ou via internet; quem
será responsável pela coleta e distribuição do material (questionários, canetas, lápis). Uma
dica: mesmo que vocês tenham optado pelo formulário on-line, tenham disponíveis formu-
lários impressos, caso haja algum imprevisto.
3. Na ocasião da entrevista, expliquem brevemente o objetivo do projeto e deem ao entrevis-
tado a opção de registrar ou não seu nome no formulário, criando um clima de confiança. Ter
empatia é muito importante: coloquem-se no lugar do outro e reflitam sobre como gostariam
de ser abordados para falar de um tema tão delicado como o bullying. Após a finalização do
questionário, deixem o entrevistado livre para fazer outras observações. Não se esqueçam
de agradecer.
4. Após a coleta de dados feita pelo grupo, elaborem uma tabela para organizá-los. Para cada
tipo de Escala de Likert vocês devem elaborar tabelas diferentes (por exemplo, Tabela A no
formato “discordo totalmente/concordo totalmente”; Tabela B no formato “nunca/com muita
frequência”). Cada tabela pode seguir este modelo:
Etapa
3
5. Montem uma tabela por pesquisa, dispondo uma afirmação por linha, e contabilizem quantos
estudantes responderam 0, 1, 2 etc. para cada uma delas. Em seguida, transformem cada
pergunta das tabelas em gráficos de colunas ou de pizza para que possam visualizar melhor
os resultados.
6. Analisem em grupo os gráficos fazendo questões como: Do total de entrevistados, quantos
afirmam ter sofrido bullying? Quantos afirmam ter praticado bullying? Qual foi o tipo de
bullying mais comum citado pelos entrevistados? Identifiquem quais aspectos dos resulta-
dos chamam mais a atenção de vocês.
7. Na data combinada, todos os grupos da sala devem se reunir com seus resultados e compa-
rá-los, identificando respostas semelhantes ou muito diferentes e selecionando comentários
significativos com relação ao tema.
NÃO ESCREVA
NO LIVRO
Respostas da Pesquisa A da Escola X:
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
A� rmação 1
A� rmação 2
A� rmação 3
Comentários pessoais mais importantes:
[Transcrevam os comentários livres que considerarem mais importantes.]
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CAPÍTULO
4 O que são os direitos humanos?
Quando foi assassinada a tiros com seu motorista Anderson
Gomes, em março de 2018, Marielle Franco (1979-2018), vereadora da
cidade do Rio de Janeiro, era considerada uma das mais importantes
defensoras dos direitos humanos no Brasil. O crime chocou a socie-
dade e gerou inúmeras manifestações de consternação e repúdio, mas
algumas reações ao ocorrido chamaram a atenção pelo fato de tenta-
rem justificar o assassinato
de Marielle em razão de
seu engajamento na luta
por direitos. Em duas delas,
registradas na seção de
comentários do site de um
jornal, um leitor escreveu
que “a pior coisa do mundo
são os direitos humanos”,
enquanto outro afirmou
que “quem defende os
direitos humanos gosta de
bandido”.
Afirmações como essas
são equivocadas, pois os
direitos humanos estão
ancorados nas noções de
igualdade e universalidade,
rejeitando qualquer dife-
renciação entre as pessoas.
Apesar desses equívocos, as
críticas aos direitos humanos vêm ganhando força nos últimos anos
em alguns segmentos sociais. Frases como “direitos humanos para
humanos direitos” evidenciam o quanto esses direitos vêm tendo sua
legitimidade questionada com base em ideias autoritárias.
Esse tema é extremamente relevante para a realidade brasileira, na
qual a violação aos direitos humanos é um dado cotidiano que ameaça
boa parte da população. Neste capítulo, veremos o que são os direitos
humanos, sua importância para a sociedade e por que estão frequen-
temente cercados de polêmicas, mesmo sendo fundamentais para a
construção de uma sociedade mais justa.
■ Pessoas levantam
placas de rua com
o nome de Marielle
Franco em sinal de
repúdio ao assassinato
da vereadora no Rio de
Janeiro (RJ), 2018.
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Consultar as Orientações para o professor para obter mais informações sobre o
capítulo e sobre o trabalho com as atividades.
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Evolução histórica
dos direitos humanos
Como analisamos no capítulo anterior, a noção de direitos humanos
foi construída com base nas experiências históricas da Revolução
Gloriosa, da Independência dos Estados Unidos e da Revolução Francesa.
Da maneira como se cristalizou ao final desse processo, a ideia desses
direitos incluía três dimensões: eles deveriam ser naturais, isto é, ine-
rentes a todos os seres humanos;
iguais, servindo da mesma forma
para todos; e universais, sendo apli-
cáveis em todo o mundo.
Se, por um lado, a natureza
desses direitos foi facilmente aceita,
por outro, as demandas por igual-
dade e universalidade vêm sendo
de difícil aplicação desde o final do
século XVIII. Isso porque, ao contrá-
rio da dimensão natural, as ideias de
igualdade e universalidade contras-
tam com a realidade das relações
sociais, permeadas por diferenças
de diversos tipos: social, cultural,
econômica, religiosa, política, de
gênero etc. A diferença geracional,
por exemplo, impõe o seguinte
questionamento: A partir de que
idade as pessoas devem adquirir
plenos direitos políticos? A dife-
rença de origem, por sua vez, traz
uma série de questões sobre quais
direitos os imigrantes devem ter
nos países em que fixam residência.
Essas diferenças estiveram na base das situações que levaram ao
desrespeito aos direitos humanos ao longo da história. No século XIX,
essas violações ocorreram com bastante frequência em diversas regiões
do mundo, sobretudo naquelas que conviveram com o colonialismo e
a escravidão, mas foi no século XX que o nível dessas violações atingiu
um novo patamar. Se a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) representou
uma experiência marcante no que se refere a essa questão, não restam
dúvidas de que os crimes praticados durante a Segunda Guerra Mundial
(1939-1945) chocaram a humanidade em razão de sua extrema violência
e do número sem precedentes de mortes.
■ O Tribunal de Nuremberg
foi um tribunal militar
internacional criado para
julgar o alto escalão nazista
por crimes de guerra e contra
a humanidade praticados
durante a Segunda Guerra
Mundial (1939-1945). Na foto,
sala do Tribunal durante
audiência no Palácio da
Justiça de Nuremberg
(Alemanha), 1945.
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Os quatro pilares dos
direitos humanos
O assassinato em massa de judeus, ciganos, homossexuais, pessoas
com deficiência e outros grupos nos campos de concentração alemães
e as vidas perdidas nos ataques atômicos às cidades japonesas de
Hiroshima e Nagasaki representaram uma ruptura inédita na noção de
direitos humanos que vinha se constituindo desde o século XVIII. Ao
fim do conflito, o mundo se deu conta de que o avanço científico havia
provocado um extermínio em massa.
Três anos depois da
Segunda Guerra Mundial, a
recém-criada Organização
das Nações Unidas aprovou
a Declaração Universal dos
Direitos Humanos (1948).
Diretamente inspirado na
Declaraçãodos Direitos do
Homem e do Cidadão, ela-
borada durante a Revolução
Francesa, esse documento
se baseou em quatro pilares:
a dignidade, a liberdade, a
igualdade e a fraternidade. A
Declaração elegeu a vida, a
liberdade, a igualdade perante
a lei, a educação, o trabalho, a
liberdade religiosa e a segu-
rança pessoal como direitos
inalienáveis de todos os seres
humanos. De acordo com o texto, todos esses direitos deveriam, dali em
diante, servir como fundamento “da justiça e da paz no mundo” para
que tragédias humanas não se repetissem.
Por sua importância, a Declaração foi traduzida para mais de qui-
nhentos idiomas, servindo de base para a regulamentação e a aplicação
dos direitos humanos em todo o planeta. Desde então, ela norteou a
assinatura de uma série de tratados internacionais e inspirou o conteúdo
de muitas leis e constituições democráticas aprovadas por países de todo
o mundo. Um dos casos mais notórios é a Constituição brasileira de 1988,
cujos princípios incluem a “prevalência dos direitos humanos” (artigo 4o),
dos quais são considerados fundamentais a igualdade entre homens e
mulheres, a liberdade de expressão, a liberdade religiosa, a igualdade
perante a lei e a liberdade de locomoção, entre outros (artigo 5o).
■ Eleanor Roosevelt,
ex-primeira-dama
estadunidense (de 1933
a 1945), exibe cartaz
com a Declaração
Universal dos Direitos
Humanos. Washington
(Estados Unidos), cerca
de 1947.
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Direitos para grupos específicos
A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi, sem dúvida, um
marco para a delimitação desses direitos em diversos países. Todavia, as
constantes transformações políticas, econômicas e sociais ocorridas no
mundo desde a década de 1940 apontaram a necessidade de avanços
nessa agenda. Atenta a diversas demandas sociais, a Organização das
Nações Unidas passou a elaborar convenções voltadas a grupos histo-
ricamente marginalizados.
O primeiro avanço nesse sentido foi a Convenção Internacional
sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, de 1969.
Resultado direto da entrada dos países africanos recém-independentes
na ONU e do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos, essa
convenção foi um passo importante para o combate ao preconceito
racial. Os governos que a ratificaram se comprometeram a adotar polí-
ticas com o objetivo de eliminar a discriminação racial e garantir “o
pleno exercício dos direitos humanos e das liberdades fundamentais”
às vítimas de preconceito.
Em 1979, na esteira da luta femi-
nista, a ONU ratificou a Convenção
para a Eliminação de Todas as Formas
de Discriminação contra as Mulheres.
Formado por mais de trinta artigos, o
acordo determinou a adoção de leis
nacionais que favorecessem a igualdade
de gênero. Os países que subscreveram
a convenção comprometeram-se a criar
políticas públicas e meios de proteção
eficazes contra esse tipo de discrimina-
ção, de modo a garantir às mulheres o
exercício dos direitos humanos e das
liberdades fundamentais “em igualdade
de condições com o homem”.
■ Bombeiros jogam
jato de água contra
manifestantes das
marchas contra a
segregação racial e
pela luta dos direitos
civis negros na cidade
de Birmingham
(Alabama, Estados
Unidos), 1963.
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> DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Em grupo, discutam as seguintes questões:
a) Quando se fala em direitos dos cidadãos, quais direitos vocês acreditam ter? Na opinião de vocês,
esses direitos são garantidos a todas as pessoas na prática?
b) Os direitos de jovens menores de idade devem ser os mesmos dos jovens maiores de 18 anos?
Justifiquem suas respostas.
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Desigualdades estruturais
Na década de 1980, foi a vez da publicação da Convenção sobre
os Direitos da Criança. Ratificada em 1989 por 196 países, a convenção
definiu crianças e adolescentes como sujeitos de direitos, cuja vida e
liberdade devem ser respeitadas como valores fundamentais. Além
disso, o documento previu a proteção contra abusos e exploração
infantil, proibiu os países signatários de adotarem a pena de morte
para menores de idade e estabeleceu o direito de crianças e adoles-
centes à educação e à saúde como responsabilidades dos pais e dos
Estados.
Em 2006, a ONU aprovou a Convenção Internacional sobre os
Direitos das Pessoas com Deficiência, reconhecendo o direito desse
grupo à autonomia e à independência, o que significa inclusão social
e garantia de igualdade de oportunidades.
É importante notar que o Brasil ratificou
todas essas convenções, comprometendo-
-se a implementar políticas públicas que
garantam os direitos e a igualdade de con-
dições para os grupos contemplados por
elas, de modo a corrigir as desigualdades
estruturais existentes no país.
Desde a redemocratização, houve
diversas iniciativas nesse sentido por parte
do governo: a Lei das Cotas para o ensino
superior (lei nº 12 711/2012), que garan-
tiu o acesso à universidade a jovens de
baixa renda, incluindo negros, indígenas
e pessoas com deficiência; a Lei Maria da
Penha (lei nº 11 340/2006), para coibir atos
de violência doméstica e feminicídios; a
PEC das Domésticas (proposta de emenda
constitucional nº 66/2012, que se tornaria
a emenda constitucional nº 72/2012), que
estendeu direitos trabalhistas às trabalha-
doras domésticas; o Estatuto da Criança
e do Adolescente (lei nº 8 069/1990), que
definiu o conjunto de direitos de todos os
brasileiros de 0 a 18 anos; e o Estatuto da
Pessoa com Deficiência (lei nº 13 146/2015),
para delimitar os direitos e promover a
inclusão social desse grupo.
■ Maria da Penha
(à esquerda) se destacou
no combate à violência
doméstica e familiar
contra as mulheres,
inspirando a lei que leva
seu nome. Na imagem,
ela é homenageada em
evento ocorrido em
São Paulo (SP), 2008.
Feminicídio
Termo usado para definir
assassinato de mulheres
motivado por violência
doméstica ou discrimina-
ção de gênero.
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Como vimos, a noção de direitos humanos é bastante ampla, englobando uma série de
medidas que visam garantir elementos considerados básicos para a vida das pessoas. Abaixo,
você encontrará trechos de três artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e o trecho
da letra de uma canção de 1987 da banda Titãs. Após a leitura dos documentos, responda às
questões que seguem.
Declaração Universal dos Direitos Humanos
Ar tigo XXIII
1. Todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e
favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.
[...]
Artigo XXV
1. Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar-lhe, e a sua família,
saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços
sociais indispensáveis [...].
Artigo XXVII
1. Todo ser humano tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de
fruir das artes e de participar do progresso científico e de seus benefícios.
[...]
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Declaração Universal dos Direitos Humanos. Rio de Janeiro: UNIC Rio, 5 jan. 2009. p. 12-15. Disponível em:
https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2018/10/DUDH.pdf. Acesso em: 17 ago. 2020.
Comida
[...]
A gente não quer só comida,
A gente quer comida, diversão e arte.
A gente não quer só comida,
A gente quer saída para qualquer parte.
A gente não quer só comida,
A gente quer bebida, diversão, balé.
A gente não quer sócomida,
A gente quer a vida como a vida quer.
[...]
A gente não quer só dinheiro
A gente quer dinheiro e felicidade
A gente não quer só dinheiro
A gente quer inteiro e não pela metade
COMIDA. Intérprete: Titãs. Compositores: A. Antunes; M. Fromer e S. Britto. In:
TITÃS 84/94 – Um. [S. l.]: Warner Music, 1994. Faixa 7.
1. A letra dessa canção trata de direitos humanos? Justifique sua resposta tomando como base os
trechos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
2. Você considera que os dois documentos possuem divergências ou estão de acordo? Justifique sua
resposta.
3. Reúna-se com alguns colegas e, juntos, componham uma canção que tenha como tema os direitos
humanos. Em seguida, apresentem a produção coletiva para o restante da turma.
DIÁLOGOS> LINGUAGENS E LEITURAS> NÃO ESCREVA NO LIVRO
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Conquistas sociais
Embora a ONU e os Estados tenham exercido papel importante no
processo que resultou na conquista e no reconhecimento dos direitos
humanos, os avanços nessa área foram resultado de lutas promovidas
por diferentes movimentos sociais ao redor do planeta. No século XX, em
especial, grupos historicamente marginalizados se organizaram para lutar
por melhores condições de vida e pela proteção de seus direitos básicos.
Um dos casos mais emblemáticos foi a luta contra o racismo, ocor-
rida em diversos países. Graças aos movimentos sociais liderados por
negros, os Estados Unidos aprovaram, em 1964, a Lei dos Direitos Civis,
que acabou com o racismo institucional no país; a África do Sul aboliu,
em 1994, o apartheid, regime de forte segregação racial no território
sul-africano, que estabelecia proibições como a de brancos e negros
habitarem os mesmos bairros; o Brasil implementou, em 1989, a lei no
7 716, que criminalizou o racismo.
Outra luta notável foi a do movimento feminista, por meio do qual
as mulheres conquistaram direitos políticos e sociais em diversos países,
além de melhorar vários aspectos do seu cotidiano. Diferentemente da
realidade de outros períodos históricos, atualmente muitas mulheres
podem votar e se candidatar a cargos políticos, usufruir de licença-
-maternidade e ter liberdade para escolher sua profissão e seus parceiros.
Recentemente, o movimento LGBTQI+ também registrou importan-
tes conquistas ao redor do mundo. Graças à sua forte atuação política
desde a década de 1970, ele conseguiu ampliar a noção de igualdade
de direitos civis para gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros. Hoje em
dia, muitos países possuem políticas públicas de combate à homofobia
e reconhecem, por exemplo, o casamento entre pessoas do mesmo sexo,
garantindo a elas os mesmos direitos concedidos a casais heterossexuais.
■ Projeção em
homenagem ao
Dia Mundial do
Orgulho LGBTQI+
(comemorado no dia
28 de junho) sobre o
edifício do Congresso,
em Brasília (DF), 2020.
Racismo institucional
Racismo praticado
pelo Estado e suas
instituições.
LGBTQI+
Sigla que busca agrupar
a diversidade de orien-
tações sexuais, além da
heterossexualidade, e
identidades de gênero.
As iniciais signifi-
cam: Lésbicas, Gays,
Bissexuais,Transexuais,
Travestis e Transgêneros,
Queer e Intersexuais.
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Muito a conquistar
O movimento indígena também alcançou
importantes vitórias nas últimas décadas. Tanto
no Brasil como no Peru, na Bolívia, no México e
em outros países, muitos grupos nativos conse-
guiram obter a demarcação de suas terras, fato
que contribuiu enormemente para a preservação
de suas culturas, seus idiomas e seus modos de
vida. Além disso, ampliaram sua participação na
política, inclusive assumindo cargos governamen-
tais, em alguns países.
Os movimentos sociais foram responsáveis por
uma série de conquistas que melhoraram a vida
de muitas pessoas, o que não significa que tenham
resolvido todos os problemas. Nos dias de hoje,
negros de diversas partes do mundo vivem em situ-
ação socioeconômica pior que a dos brancos, de
modo geral, e são as principais vítimas de ações poli-
ciais que resultam em morte e prisão de inocentes.
As mulheres ainda sofrem diversos tipos
de violência de gênero e ganham salários, em
média, mais baixos que os dos homens. Muitos
homossexuais, bissexuais e transgêneros são alvos
de preconceitos cotidianos e de agressões em
espaços públicos. Os indígenas, por sua vez, têm
suas terras e suas vidas constantemente ameaça-
das por pessoas interessadas em se apropriar das
riquezas naturais de seus territórios.
Essas permanências podem sugerir, à primeira
vista, que as lutas por direitos foram inúteis, mas o
que elas nos mostram é que um futuro mais igual
e com mais direitos para todos depende da luta
pela manutenção das conquistas sociais obtidas
no passado e por novas conquistas no presente.
Sem essa luta constante, mesmo as vitórias obtidas
podem ser perdidas.
■ Faixa com os dizeres “Os Wixaritari defendemos
a terra até com a vida”, ao lado da estrada
Aguascalientes-Nayarit, bloqueada por membros
das comunidades indígenas Wixaritari de Tuxpan de
Bolanos e San Sebastian, durante protesto contra os
partidos políticos e seus candidatos à presidência,
no estado de Jalisco (México), 2018.
> MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Observe a foto acima. Em sua opinião, para terem seus direitos respeitados, as pessoas com deficiên-
cia física demandam a mesma atenção que os demais indivíduos ou precisam de um olhar especial,
voltado para suas necessidades específicas? Justifique sua resposta.
■ Garoto em cadeira de rodas embarca em ônibus
com estrutura para atender a pessoas com
deficiência física, durantes os Jogos Paralímpicos,
no Rio de Janeiro (RJ), 2016.
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> MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• No infográfico analisado, o Brasil recebeu a nota 5,6. Que
hipóteses você levantaria para explicar esse resultado? Justifique.
O respeito aos direitos humanos varia bastante
de país para país. É justamente por isso que algumas
entidades internacionais vêm há algum tempo cole-
tando informações para medir índices de aplicação
desses direitos. Uma delas é a Our World in Data
(“Nosso Mundo em Dados”), vinculada à Universidade
de Oxford, na Inglaterra, que confeccionou este info-
gráfico, com o intuito de fornecer uma visão ampla e
comparativa sobre as violações aos direitos humanos
em todos os países.
Para chegar a esse resultado, a entidade estipulou
uma escala de 0 a 10, sendo 0 o melhor e 10 o pior
índice. Os números finais foram obtidos pelo cálculo
de múltiplas variáveis, que incluem liberdade de
imprensa, liberdades civis, liberdade política, tráfico
de pessoas e número de prisioneiros políticos, pessoas
encarceradas, perseguições religiosas, torturas e exe-
cuções cometidas. Abaixo, a descrição dos problemas
observados na atualidade em alguns desses países
que estiveram entre os piores do ranking.
Mundo: violação dos
direitos humanos, 2014
Círculo Polar Ártico
OCEANO GLACIAL ÁRTICO
No data 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
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Sem dados 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
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0 2635
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Na República
Democrática do Congo
(índice 1) e no Sudão
do Sul (índice 9,9), a
situação é das mais graves.
Mesmo que seus territórios
estejam entre os mais ricos
do mundo em termos de
recursos minerais, esses
países sofrem há décadas
com guerras entre grupos
étnicos e disputas políticas
que envolvem milícias
armadas. Em razão dessa
situação, muitos crimes
contra a humanidade foram
cometidos, com grande
incidência de chacinas
de diferentes grupos étnicos,
violências sexuais contra
mulheres e sequestros de
crianças.
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Na Síria (índice 9,9), a situação
tornou-se crítica desde o início
da guerra civil, em 2011. O
conflito já causou a morte de
pelo menos 400 mil pessoas,
forçou 5 milhões de sírios a
buscar refúgio em outros países
e levou outros 6 milhões a
migrar dentro do país. O uso
difundido de armas químicas
por parte do exército sírio contra
civis das regiões dominadas
pelas forças da oposição está
entre as muitas violações
contra os direitos humanos
praticadas no país.
No Irã (índice 9,3), o governo
é acusado do uso sistemático
de detenções arbitrárias, e há
um elevado índice de pessoas
condenadas à pena de morte
com base em confissões forçadas,
bem como execução de jovens.
As condições das cadeias são
precárias e os prisioneiros não
têm acesso a tratamento médico
adequado. Minorias religiosas e
étnicas são vítimas constantes de
intimidação, perseguição e prisão.
Participar de protestos ou publicar
as opiniões em mídias sociais
pode levar as pessoas à prisão.
Círculo Polar Ártico
OCEANO GLACIAL ÁRTICO
No data 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
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Círculo Polar Ártico
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OCEANO GLACIAL ÁRTICO
OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO
0 2635
Na China (índice 9,1),
o governo exerce rígida
censura, controlando o
tráfego de internet, a
atuação de ONGs e de
ativistas, promovendo
perseguições, prisões
e até proibições de
viagens. Por meio das
novas tecnologias, o
Estado procura exercer
forte controle social.
Grupos minoritários
são vítimas de
detenções arbitrárias.
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A luta por direitos sociais
no presente
Como vimos, a luta dos indivíduos e dos movimentos sociais é
essencial para a manutenção e a ampliação dos direitos humanos.
Cientes disso, muitos grupos continuam atuando no Brasil e em outras
partes do mundo com o objetivo de construir uma sociedade mais justa.
A luta contra o racismo é, sem dúvida, uma das principais bandei-
ras atuais. Ações empreendidas pelo movimento estadunidense Black
Lives Matter (“Vidas Negras Importam”, em tradução livre), fundado em
2013, e por outros similares na América Latina e na África têm atraído as
atenções em todo o mundo. Essas ações visam à conquista de melho-
res condições socioeconômicas para os afrodescendentes e ao fim da
violência policial contra eles.
Sob muitos aspectos, essas pautas são semelhantes às do movi-
mento feminista.
■ A greve dos
entregadores de
aplicativos foi a
maior mobilização da
categoria no Brasil e
ocorreu em diversas
cidades do país. Rio de
Janeiro, 2020.
70
D3-CH-EM-3075-V2-U2-C4-060-077-LA-G21.indd 70D3-CH-EM-3075-V2-U2-C4-060-077-LA-G21.indd 70 15/09/20 15:4015/09/20 15:40
As ações do movimento feminista visam a combater o assédio e todo
tipo de abuso sexual, o feminicídio e a desigualdade de gênero, além de
reivindicar maior igualdade socioeconômica. Esse movimento também
questiona as formas de machismo que permeiam o cotidiano das relações
sociais, defendendo, por exemplo, uma melhor divisão das responsabi-
lidades domésticas, que muitas vezes recaem exclusivamente sobre as
mulheres, fazendo com que elas tenham jornadas duplas de trabalho.
Não menos importante é o movimento dos trabalhadores, os quais
vêm sendo significativamente afetados por recentes mudanças no
mercado de trabalho. A luta por melhores condições passou a incluir tra-
balhadores que não possuem direitos trabalhistas, como os prestadores
de serviços vinculados a aplicativos. Assim, novas categorias profissio-
nais surgidas nos últimos anos, como a dos motoristas de automóveis
e a dos entregadores de comida por aplicativo, têm reivindicado os
mesmos direitos concedidos a funcionários com carteira assinada, como
piso salarial e seguro contra acidentes.
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O movimento ambientalista também ganhou destaque nos últimos
anos. Para fazer frente às crescentes agressões ao meio ambiente – como
desmatamentos, extinção de espécies, despejo de produtos tóxicos na
natureza –, que geram prejuízos sociais para as atuais e as futuras gera-
ções, os ambientalistas vêm defendendo a necessidade de alterações
na estrutura da economia global e no padrão de consumo das pessoas.
Nessa esteira também atua o movimento indígena, cuja pauta está cada
vez mais vinculada à preservação do meio ambiente.
Existem, ainda, grupos que lutam pela ampliação dos direitos de
populações marginalizadas. No Brasil, há dois importantes movimentos
sociais que lutam, respectivamente, por moradia e terra: o Movimento
dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e o Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra (MST). Enquanto o primeiro reivindica o direito à
moradia para famílias carentes, o segundo reclama a concessão de terras
públicas e improdutivas a agricultores que não possuem condições de
adquirir propriedades. Ambos buscam implementar dispositivos da
Constituição de 1988, que inclui o direito à moradia (artigo 6º) e uma
política de reforma agrária (artigos 184 a 191).
■ Voluntárias trabalham
na campanha
Marmita Solidária,
iniciativa organizada
para fornecer água,
alimentos e banho à
população em situação
de rua durante a
pandemia da covid-19,
no Recife (PE), 2020.
> MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• O movimento ambientalista vem ganhando um protagonismo cada vez maior nos últimos anos.
Pesquise sobre a atuação dos diversos grupos dedicados a essa questão. Em seguida, escreva um
texto no caderno, explicando a relação entre a causa ambiental e os direitos humanos.
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O texto abaixo foi escrito pela professora e advogada especialista em Direitos Humanos Maíra
Cardoso Zapater. Leia-o atentamente e responda às questões que seguem:
Não é nada raro que os Direitos Humanos sejam equivocadamente associados de forma pejorativa
a “direitos de bandido”: militantes de direitos humanos veem-se frequentemente acusados de um
suposto descaso com ditos “direitos humanos das vítimas”, protesto habitualmente acompanhado
do desgastado argumento de que os direitos humanos atenderiam apenas aos “delinquentes”, e
pior, que corresponderia a uma condescendência com a prática de crimes. “Se você gosta tanto,
por que não leva pra sua casa? Você só tem pena de bandido, não tem pena da vítima?”
Antes de mais nada, há que se desfazeras confusões entre sentimento de solidariedade e com-
paixão pelo sofrimento alheio e direitos que podem ser pleiteados juridicamente. Solidariedade,
compaixão, raiva ou revolta são sentimentos humanos naturais e legítimos – ainda mais em
uma situação traumática de violência – mas que se encontram fora do alcance dos limites do
Direito, em especial do Direito Penal.
[...]
Afinal, o que têm a ver os direitos humanos com os direitos das pessoas acusadas de crimes?
[...]
Aqui é preciso destacar que, em determinado momento da História do Ocidente [...], a socie-
dade passou a entender que quando um crime ocorre, o problema não é da vítima, e sim do
Estado. Isso porque a violação de direito praticada por meio da conduta criminosa passa a ser
considerada tão grave que atinge toda a comunidade onde o crime aconteceu, deixando de cons-
tituir um mero conflito interpessoal, cabendo ao Estado a responsabilidade de determinar as
consequências jurídicas do fato. Além disso, constatou-se que quando se permitia que a própria
vítima – ou seus familiares – tomassem providências para fazer justiça com as próprias mãos, a
violência se propagava e, tanto quanto o crime precedente, as reações individuais mantinham
sob ameaça a paz social: é a fase conhecida historicamente como da vingança privada. Assim,
decide-se que somente o Estado teria direito de punir o autor de um crime – ou seja, somente
o Estado é que deteria, de forma impessoal, o monopólio da violência.
[...]
O sistema de justiça criminal e as regras de processo penal foram desenvolvidos para conferir
equilíbrio a essa balança [acusado/Estado]: fazê-la pesar para o lado do Estado não aumenta
a segurança da população e, independentemente de o acusado ser ou não culpado pelo crime
que lhe é atribuído, aumenta seriamente o risco de se praticarem injustiças. Por exemplo, per-
manecer preso durante o processo e ser absolvido ao final, ou condenado por uma pena mais
curta do que o tempo transcorrido na prisão provisória.
[...]
ZAPATER, M. C. Direitos Humanos: é direito “de bandido?”. Observatório do Terceiro Setor, 14 set. 2015. Disponível em: https://observatorio3setor.
org.br/colunas/maira-zapater-direitos-humanos-e-sociedade/direitos-humanos-e-direito-de-bandido/. Acesso em: 11 ago. 2020.
1. De acordo com o texto, qual é a principal razão que leva as pessoas a pensar que direitos humanos
são “direitos de bandido”?
2. O que você entende pela frase “somente o Estado é que deteria, de forma impessoal, o monopólio
da violência”?
3. Com base no texto, qual é a importância da existência de um sistema de justiça criminal e de regras
do processo penal?
4. Em sua opinião, o sistema judiciário comete injustiças ou arbitrariedades? Justifique sua resposta.
5. Organize com seus colegas uma breve encenação teatral de, no máximo, 10 minutos, que aborde
os temas levantados pela autora em seu texto.
DIÁLOGOS> LINGUAGENS E LEITURAS> NÃO ESCREVA NO LIVRO
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E se fosse com você?
A implementação dos direitos humanos não é algo que ocorre facilmente e
de maneira automática. Em muitos casos, ela depende da ação das comunidades
locais.
Os direitos fundamentais assegurados pela atual Constituição do Brasil classi-
ficam a legislação brasileira como uma das mais completas do mundo em relação
aos direitos humanos. Entretanto, ainda existem muitos obstáculos para que os
princípios legais estabelecidos sejam efetivamente cumpridos. Isso significa que
há uma grande contradição entre a teoria e a prática: o país apresenta ótimas leis,
mas não garante o seu cumprimento.
No Brasil, um país com profundas desigualdades sociais, os direitos humanos
nem sempre são respeitados. O relatório organizado pela Anistia Internacional
Estado dos direitos humanos no mundo 217/218, que reuniu análises sobre
157 países e territórios, apontou os seguintes problemas no que diz respeito aos
direitos humanos no país: a alta taxa de homicídios, principalmente de jovens
negros; os abusos policiais e as execuções extrajudiciais; a situação crítica do
sistema prisional; a vulnerabilidade dos defensores de direitos humanos, sobre-
tudo em áreas rurais; a violência cometida contra populações indígenas; e as
várias formas de violência contra as mulheres.
■ Betina Garcia Pacheco,
Ketlin Rochane da
Cunha da Conceição
e Roberta da Silveira
Caxambu, idealizadoras
do projeto “E se fosse
com você?”, Novo
Hamburgo (RS), 2019.ACE
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DIÁLOGOS> EU TAMBÉM POSSO>
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NÃO ESCREVA
NO LIVRO
Nas últimas décadas, porém, a sociedade brasileira vem se mobilizando para
mudar essa realidade. A mobilização popular tem sido mais intensa nas periferias,
onde as violações aos direitos humanos estão mais presentes, mas também ocorre
em outras comunidades.
Em 2019, Betina Garcia Pacheco, Ketlin Rochane da Cunha da Conceição e
Roberta da Silveira Caxambu, alunas do 8º ano do Ensino Fundamental da E. M.
E. F. Maria Emília de Paula, em Sapiranga, no Vale dos Sinos, Rio Grande do Sul,
resolveram se unir para implementar mudanças em sua comunidade.
Após tomarem conhecimento dos casos de violência doméstica sofridos por
suas avós e perceberem que o problema persistia no cotidiano de muitas famílias
de sua cidade, as meninas resolveram criar um clube para debater igualdade de
gênero e combater o feminicídio na comunidade de sua escola. Com isso, deram
o pontapé inicial para o projeto “E se fosse com você?”.
Auxiliadas por uma psicóloga, uma advogada e uma professora, Betina, Ketlin
e Roberta organizaram rodas de conversa e debates entre meninas e sessões de
leitura de contos e de obras literárias sobre o tema. Diante do sucesso, o projeto
foi ampliado, passando a incluir meninos, crianças mais novas e estudantes de
outras escolas de Sapiranga e do município vizinho de Nova Hartz.
Não satisfeitas, as fundadoras do projeto foram além. Juntas, entraram
em contato com a Secretaria de Educação e com a Câmara de Vereadores de
Sapiranga e apresentaram um projeto de lei que garante a discussão sobre a igual-
dade de gênero e o combate à violência contra as mulheres em todas as escolas
do município.
Graças ao projeto “E se fosse com você?”, Betina, Ketlin e Roberta foram sele-
cionadas para representar o Brasil na Conferência Global “I Can” (“Eu Posso”, em
inglês) de 2019, que reuniu cerca de 2 mil crianças e adolescentes de todo o mundo
em Roma, na Itália. Além da oportunidade de conhecer o Papa Francisco, a pre-
sença das garotas no evento rendeu ao grupo a quantia de R$ 1,5 mil, usada para
levar o projeto adiante.
Ao ganhar o mundo, essa iniciativa, desenvolvida em uma pequena cidade do
Sul do Brasil, mostra que o respeito aos direitos humanos necessita, muitas vezes,
de ações individuais e coletivas.
No link a seguir, você pode conferir o texto integral do projeto de lei sugerido pelas
organizadoras do projeto “E se fosse com você?”: https://www.camarasapiranga.rs.gov.
br/camara/proposicao/Projetos-de-Lei/2019/1/0/16631 (acesso em: 18 ago. 2020).
• As estudantes identificaram um problema em sua comunidade e desenvolveram
um projeto para combatê-lo. Quando você se depara com um problema em sua
comunidade, qual é a sua postura? Você procura resolver sozinho, busca ajuda
de outras pessoas ou prefere não se envolver? Em grupo, conversem a respeito
dessa questão.
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PREPARAÇÃO, APRESENTAÇÃO DA PALESTRA E AVALIAÇÃO
Nesta última etapa, vocês irão preparar a apresentação da palestra e, ao final, fazer a avaliação.
Siga as orientações:
1. Um grupo de estudantes deve ficar responsável pela organização da palestra e conversarcom o pro-
fessor responsável ou com a coordenação da escola, a fim de marcar uma data e um horário para que
os colegas de todas (ou de algumas) séries possam participar do evento. Planejem também o local em
que a palestra vai ocorrer e pensem na adequação do espaço ao material que irão utilizar. Se forem usar
a quadra, por exemplo, é preciso pensar onde serão colocados os cartazes com os gráficos ou como
serão projetados; se será necessário o uso de microfones ou outros materiais.
2. Um grupo de estudantes deve se encarregar da construção e apresentação dos gráficos. Vocês
devem reunir as respostas obtidas em cada escola e em cada pesquisa (A e B) em dois gráficos,
para registrar a pesquisa de amostragem, e um gráfico geral, juntando todos os resultados. Além
disso, devem pensar em como esse gráfico será apresentado para a comunidade escolar: por meio
de um grande cartaz, de uma apresentação de PowerPoint ou de outros suportes.
3. Um grupo responsável pela pesquisa e pelo texto deve ser organizado para retomar as pesquisas
sobre bullying e analisá-las detalhadamente, em conjunto com os resultados obtidos na pesquisa
de amostragem. Em seguida, elaborem um texto informativo e argumentativo sobre o bullying,
apresentando suas características, causas e consequências; registrando os diferentes tipos de
bullying existentes; e, por fim, incluindo trechos de depoimentos significativos. Caso considerem
oportuno, podem acrescentar alguma notícia local sobre um caso de bullying.
4. Um grupo de divulgação deverá assumir a tarefa de convidar os estudantes para participar da
palestra, informando o dia, o horário e o local em que ocorrerá o evento. Além de convites pessoais
a colegas de outros anos, podem ser produzidos cartazes e posts para redes sociais. Não se
esqueçam de escolher um nome para o título da palestra.
5. É importante que todo o material da palestra esteja pronto dias antes da data marcada para a
apresentação. Façam um ensaio geral e verifiquem se precisam ser feitos ajustes, melhorias ou
mudanças. Garantam que todo material necessário esteja disponível e funcionando. No dia da
palestra, todos os estudantes devem estar presentes no local onde ela será realizada para se
prepararem e ajudarem uns aos outros.
6. A palestra pode ser dividida em partes, por exemplo:
Parte I. Apresentação do projeto (explicar a importância do tema, as leituras que fizeram, como
foram feitas as perguntas do questionário, como os dados foram analisados etc.).
Parte II. Apresentação dos questionários e dos gráficos, explicando como foram produzidos e quais
foram os principais resultados alcançados.
Parte III. Apresentação oral do texto elaborado.
Parte IV. Tempo para perguntas da plateia e respostas.
Parte V. Roda de conversa sobre os problemas representados pelo bullying na própria escola e propostas
de como a comunidade escolar pode colaborar para evitar esse tipo de violência. Um estudante pode se
encarregar de anotar as principais propostas levantadas e, posteriormente, divulgar para a escola; outro
pode ficar responsável pelo registro fotográfico ou pela gravação de cenas da palestra.
7. É importante lembrar que em uma palestra é fundamental ouvir e ser ouvido de forma organizada,
acolher ideias diferentes e evitar julgar os colegas.
8. Para finalizar e avaliar se o projeto atingiu os objetivos pretendidos, reúnam-se alguns dias após
a palestra e conversem sobre os resultados que obtiveram. As informações que vocês produzi-
ram foram bem apresentadas? Houve participação da plateia? Vocês conseguiram responder às
perguntas? Foi possível, por meio da roda de conversa, problematizar a questão do bullying na
escola e pensar coletivamente em ações para impedir essa prática? Quais foram os pontos fortes
do processo de produção do projeto? O que poderia ter sido melhor? Quais foram os principais
erros e como podem ser resolvidos em uma próxima oportunidade? Façam anotações no caderno
sobre esse momento avaliativo, ponderando todos esses aspectos e fazendo uma autoavaliação
da sua participação no projeto.
Etapa
4
76
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Crianças invisíveis
Direção: Ridley Scott, John Woo, Jordan Scott e outros. Itália, 2005. DVD (129 min).
Formado por sete curtas-metragens, dirigidos por conhecidos diretores, o filme procura
retratar a invisibilidade de algumas crianças ao redor do mundo. Em todos os episódios, o
tema central é a vida de crianças que experimentam dramas e responsabilidades da vida
adulta.
Hoje eu quero voltar sozinho
Direção: Daniel Ribeiro. Brasil, 2014. DVD (96 min).
Por meio da história de Leonardo, um adolescente cego que deseja ser mais independente
em relação a sua mãe, o filme traz um debate sobre homofobia e liberdade sexual, além de
discutir a exclusão de pessoas com deficiência.
Milk, a voz da igualdade
Direção: Gus van Sant. Estados Unidos, 2008. DVD (128 min).
No início dos anos 1970, Harvey Milk é um nova-iorquino que, para mudar de vida, decide
morar em São Francisco. Disposto a enfrentar a violência e o preconceito da época, Milk
busca direitos iguais e oportunidades para todos, sem discriminação sexual.
Moonlight: sob a luz do luar
Direção: Barry Jenkins. Estados Unidos, 2016. DVD (111 min).
Vencedor do Oscar 2017, o filme acompanha a jornada de autoconhecimento de Chiron, em três
momentos de sua vida: a infância, passada em um subúrbio de Miami, nos Estados Unidos;
a adolescência, quando é alvo de bullying dos colegas de escola enquanto descobre sua
homossexualidade; e a fase adulta, quando tenta se adaptar à realidade cruel em que vive.
> SAIBA MAIS
Organização das Nações Unidas
Disponível em: https://nacoesunidas.org/direitoshumanos/. Acesso em: 18 ago. 2020.
O site da ONU reúne diversos documentos (textos, fotos e vídeos) e notícias relativos aos direitos
humanos e à luta por sua implementação ao longo da história em diversas partes do mundo.
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988
Documento on-line. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/
constituicao.htm. Acesso em: 20 ago. 2020.
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)
Documento on-line. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm.
Acesso em: 20 ago. 2020.
Estatuto da Juventude
Documento on-line. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-
2014/2013/Lei/L12852.htm. Acesso em: 20 ago. 2020.
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78
UNIDADE
78
3
Participação
política
Um aspecto central para a construção de
uma sociedade justa é assegurar participa-
ção política a todos os cidadãos. Participar
da política não significa apenas votar ou
acompanhar o desempenho do governo;
significa também se envolver em ações
comunitárias, se engajar em grupos, tomar
parte de discussões de temas do interesse
da coletividade e de manifestações públicas
ou fazer uso da internet para debater ideias e
promover formas de atuação coletiva. Nesta
unidade, vamos refletir sobre a organização
do governo e as diferentes possibilidades de
participação política.
1. Você considera que participa ativamente da
política? Como você faz isso?
2. O que pode ser feito para promover a maior
participação dos jovens na política no Brasil
contemporâneo?
NÃO ESCREVA
NO LIVRO
■ Ilustração de Paulica Santos, 2012.
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PA
U
LI
CA
S
AN
TO
S
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FAKE NEWS
Fake news é um termo em inglês que significa "notícia falsa". Atualmente, podemos
definir as fake news como notícias ou informações falsas ou, ainda, distorcidas, pro-
duzidas e disseminadas intencionalmente para confundir os leitores. Com a internet,
as fake news ganharam grande notoriedade em razãoda velocidade e da quantidade
de informações que recebemos diariamente por meio de diversos suportes midiáticos.
As fake news acarretam as mais diversas consequências, como, por exemplo, modi-
ficar cenários eleitorais e reduzir o número de mães e pais que vacinam seus filhos.
Neste projeto, utilizaremos a análise de mídias tradicionais para produzir um folheto
informativo, com o objetivo de ajudar a comunidade a identificar fake news e a se infor-
mar de maneira segura.
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CAPÍTULO
5 A organização do governo
No início de 2020, o Instituto da Democracia e da Democratização
da Comunicação, uma organização que reúne pesquisadores do Brasil,
da Argentina e de Portugal, divulgou um estudo sobre a percepção dos
brasileiros sobre a melhor forma de governo para o país.
De acordo com a pesquisa, realizada em 2019, 64,8% dos brasileiros
consideram que a democracia é sempre a melhor forma de governo,
enquanto 11,2% dos entrevistados consideram que uma ditadura pode
ser a melhor forma de governo em certas circunstâncias.
Essa pesquisa também foi aplicada em 2018. Na ocasião, a parcela
dos que defendiam a democracia em qualquer circunstância represen-
tava 56,2% dos participantes. Já os que defendiam uma ditadura em
determinadas conjunturas representavam 21,1% dos entrevistados.
Fonte: INSTITUTO DA
DEMOCRACIA E DA
DEMOCRATIZAÇÃO DA
COMUNICAÇÃO. Resultados:
A cara da democracia 2019.
Belo Horizonte, 2019.
Disponível em: https://
www.institutodademocracia.
org/post/2020/01/27/
resultados-a-cara-da-
democracia-2019.
Acesso em: 8 set. 2020.
Entretanto, muitos dos participantes que afirmaram preferir a demo-
cracia não confiam nas instituições democráticas, como o Congresso ou o
Poder Judiciário. A pesquisa, portanto, evidencia a fragilidade da democra-
cia brasileira e a importância de fortalecê-la.
Para entender esse quadro, é importante conhecer os conceitos relacio-
nados com as formas, os sistemas e os regimes de governo e, sobretudo,
no caso do Brasil, compreender como a corrupção marcou o processo his-
tórico de formação do governo brasileiro, provocando o enfraquecimento
da democracia no país. Esses são os principais temas deste capítulo.
80
Brasil: preferência pela democracia, 2018-2019
■ O gráfico destaca os
principais dados da
pesquisa aplicada em
2019 pelo Instituto
da Democracia e da
Democratização da
Comunicação.
Consultar as Orientações para o professor para obter mais informações sobre o capítulo
e sobre o trabalho com as atividades.
0
20,0
40,0
50,0
60,0
70,0
30,0
10,0
12,3 14,8
56,2
21,1
11,2
64,8
2018
2019
Tanto faz um
regime
democrático
ou um
regime não
democrático
A democracia
é preferível
a qualquer
outra
forma de
governo
Em algumas
circunstâncias,
uma ditadura
pode ser
preferível a um
governo
democrático
% dos entrevistados
Nota: Os dados desse grá�co foram retirados de uma pesquisa feita com duas mil
e nove pessoas, em cento e cinquenta e um municípios, entre 8 e 16 de novembro de 2019.
SO
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Diferentes formas de
organização do governo
Como foi visto no capítulo 2, o desenvolvimento das comunidades
humanas deu origem às primeiras formas de governo e, ao longo do
tempo, foram criados modos muito diversos de organizar as sociedades,
tomar decisões e administrar os recursos.
Você provavelmente já ouviu termos como parlamentarismo e
presidencialismo. Nem sempre é fácil entender o que diferencia uma
república presidencialista de uma república parlamentarista.
Conhecer essas diferenças é importante, pois, para participarmos
ativamente da vida política e exercermos nossa cidadania, é funda-
mental compreender como o governo se organiza e como ele pode
se transformar a partir das ações dos diferentes grupos que compõem
a sociedade.
Ao longo do tempo, diferentes pensadores das ciências humanas
se dedicaram ao problema da organização do governo e formularam
classificações para analisar como ocorre a tomada de decisões nas socie-
dades humanas e avaliar quais seriam as melhores formas de garantir a
construção de uma sociedade justa e equilibrada.
Na Antiguidade, Platão (428 a.C.-347 a.C.) estabeleceu uma tradi-
ção que teve grande influência sobre o pensamento político ocidental.
Segundo essa tradição, existem diferentes formas de governo. Algumas
seriam formas justas, enquanto outras seriam formas corruptas. As pri-
meiras garantiriam o bem-estar da sociedade. Já os governos corruptos
seriam aqueles que não se preocupam com o bem comum, conduzindo
de forma inadequada os interes-
ses da comunidade.
Para Platão, a aristocracia ou
a monarquia seriam formas de
governo justas. Nessas, os gover-
nantes agiriam de acordo com
suas virtudes e garantiriam o bem
coletivo da sociedade. A forma
mais corrupta de governo, para
Platão, era a tirania. Nela, o gover-
nante agiria de acordo com seus
caprichos e desejos, esquecendo
as virtudes e deixando o bem da
sociedade em segundo plano. STE
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P
O
LL
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81
■ Ilustração de Stephanie
Pollo, 2020.
Aristocracia
Para Platão, aristocracia
significava o governo dos
mais virtuosos. Esse con-
ceito, baseado em mérito,
transformou-se ao longo
do tempo, ganhando
diversas conotações até
a acepção atual, relacio-
nada a títulos de nobreza
e hereditariedade.
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A divisão dos poderes e a
organização do governo
A divisão dos governos proposta por Platão foi criada com base nas
experiências da sociedade em que o filósofo viveu. Ao longo do tempo,
foram criadas outras formas de organização e estabelecidos novos cri-
térios de análise.
Todo governo possui diferentes atribuições, como a criação de leis,
a administração dos recursos públicos (tributos e impostos), a aplicação
das leis, a manutenção da ordem e o julgamento da infração às leis, entre
outras. São essas atribuições que constituem os poderes de um governo.
Há muitas formas de organizar essas atribuições, e a forma como enten-
demos essa divisão na atualidade se deve em grande parte ao modelo de
divisão dos poderes proposto no século XVIII, durante o Iluminismo.
Um dos principais pensadores a refletir sobre a questão da divisão
dos poderes foi o filósofo francês Montesquieu (1689-1755). Para ele, as
atribuições do governo não poderiam se concentrar em um só indivíduo
ou instituição. Caso isso ocorresse, o exercício do governo tenderia a
beneficiar alguns em detrimento de outros. Assim, Montesquieu propôs
a distribuição das atribuições do governo entre três poderes distintos: o
Executivo, o Legislativo e o Judiciário, cada um deles controlado por ins-
tituições diferentes, de modo a promover um equilíbrio e evitar abusos.
Veja no esquema a seguir uma síntese das ideias de Montesquieu:
Iluminismo
Movimento filosófico
que se desenvolveu
principalmente ao longo
do século XVIII e que
defendia o uso da razão
como forma de resolver
os problemas humanos.
Para Montesquieu, ao Poder
Legislativo caberia a criação das leis; ao
Executivo, a administração do governo
e a aprovação das leis; ao Judiciário, a
interpretação e a aplicação das leis. Essa
divisão é fundamental para entender os
diferentes tipos de governo em vigor no
mundo contemporâneo.
Os três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário
As atribuições do governo podem ser
divididas em três poderes:
A separação dos poderes visa assegurar um equilíbrio que impeça o domínio
do Estado por apenas um dos poderes.
O Poder Legislativo, responsável
pela aprovação das leis
do Estado.
O Poder Judiciário, responsável
pela interpretação e julgamento
das leis do Estado.
O Poder Executivo, responsávelpela aplicação das leis do Estado.
82
■ Vista aérea da praça dos Três Poderes, em
Brasília (DF), 2018.
Fonte: THE POLITICS
book. London: DK
Publishing, 2013. p. 110.
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O pensador político francês Montesquieu publicou em 1748
O espírito das leis, livro no qual apresenta a ideia da divisão dos
poderes em três esferas. Leia abaixo um trecho extraído dessa obra e
responda ao que se pede:
Existem em cada Estado três tipos de poder: o poder legisla-
tivo, o poder executivo das coisas
que dependem do direito das gentes
e o poder executivo daquelas que
dependem do direito civil.
Com o primeiro, o príncipe ou o
magistrado cria leis por um tempo
ou para sempre e corrige ou anula
aquelas que foram feitas. Com o
segundo, ele faz a paz ou a guerra,
envia ou recebe embaixadas,
instaura a segurança, previne inva-
sões. Com o terceiro, ele castiga os
crimes, ou julga as querelas entre
os particulares. Chamaremos a este
último poder de julgar e ao outro
simplesmente poder executivo do
Estado.
[...]
Quando, na mesma pessoa ou
no mesmo corpo de magistratura,
o poder legislativo está reunido ao
poder executivo, não existe liber-
dade; porque se pode temer que o
mesmo monarca ou o mesmo senado
crie leis tirânicas para executá-las
tiranicamente.
MONTESQUIEU, C. de S. O espírito das leis. São Paulo:
Martins Fontes, 1996. p. 167-168.
DIÁLOGOS> LINGUAGENS E LEITURAS>
1. Qual é a importância da proposta de divisão de poderes elaborada por Montesquieu? Qual seria a
consequência no caso de dois ou três poderes se concentrarem em uma única pessoa ou grupo?
2. No Brasil, os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário são compostos por diversos órgãos, cada
qual com uma função específica. Em grupo, selecione dois órgãos pertencentes a cada um desses po-
deres e descreva suas atribuições. Ao final, façam uma apresentação oral aos demais colegas.
NÃO ESCREVA
NO LIVRO
■ Página de rosto da
edição original de
L'Esprit des loix
(O espírito das leis),
1748, de Charles-Louis
de Secondat, Barão de
la Brède, conhecido
como Montesquieu.
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Formas de governo e
regimes políticos
Com base no princípio da divisão dos poderes, é possível classificar a organização de dife-
rentes governos. Atualmente, uma forma de realizar essa classificação é a partir da análise da
forma de governo (monarquia ou república), do sistema de governo (parlamentarismo ou
presidencialismo) e do regime de governo (absolutismo, democracia, ditadura e fascismo).
O infográfico a seguir apresenta mais informações sobre esses conceitos:
Monarquia
A monarquia é uma forma de governo cujo
representante é um indivíduo, normalmente o rei. Existem monarquias
hereditárias, nas quais o título passa de pai para filho. Mas há também
monarquias não hereditárias, nas quais existe um sistema para a
escolha do sucessor do rei após sua morte.
Monarquia parlamentarista
A monarquia parlamentarista é um sistema de governo no qual o rei não
concentra todos os poderes. Nesse sistema, o Parlamento (formado, na maioria
das vezes, por meio do voto dos cidadãos) passa a controlar o Poder Legislativo.
Frequentemente, o Poder Executivo é controlado pelo primeiro-ministro, um
membro do Parlamento que pode ser escolhido pelo rei ou pelos parlamenta-
res. O Poder Judiciário é independente do Legislativo e do Executivo. A ideia de
monarquia parlamentar se desenvolveu entre os séculos XVII e XVIII e atual-
mente muitos países, como o Reino Unido, adotam esse governo.
República
A república é uma forma de governo na qual o mandatário é escolhido
pelos cidadãos ou seus representantes por meio do voto. A república
foi inventada na Antiguidade, mas só se tornou a principal forma de
organização do governo no século XX. Atualmente, a maior parte dos
países se organizam em governos republicanos.
República parlamentarista
A república parlamentarista é um sistema de governo no qual os cidadãos
votam para escolher os parlamentares. Eles compõem o Poder Legislativo.
Além disso, cabe ao Parlamento a escolha do primeiro-ministro, responsá-
vel pelo Poder Executivo. Nesse governo, o presidente é o chefe de Estado.
Seus poderes são limitados e quem executa as atribuições do Executivo é o
primeiro-ministro. A Alemanha é um exemplo desse tipo de governo.
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NÃO ESCREVA
NO LIVROATIVIDADE>
• Você considera que, em uma sociedade governada por um regime fascista, a população tem seus
direitos de cidadãos preservados? Justifique sua resposta.
República presidencialista
A república presidencialista é um sistema de governo no qual os cidadãos votam para
escolher o presidente, que representa o Poder Executivo, e o Parlamento, que representa o
Poder Legislativo. Normalmente, o Poder Judiciário não é escolhido pelo voto dos cidadãos.
O Brasil é uma república presidencialista.
Absolutismo
O absolutismo é um regime de governo no qual um indivíduo, normalmente um
rei, concentra todas as principais atribuições do governo. Assim, nesse tipo de
governo, a divisão proposta por Montesquieu não existe, e o comandante pode
impor sua vontade aos governados. Esse regime de governo foi muito importante
na Europa entre os séculos XV e XVIII. Atualmente, ainda existem alguns governos
que se enquadram nesse tipo, como o da Arábia Saudita.
Democracia
A democracia é um regime de governo baseado na participação dos cida-
dãos nas decisões políticas. Essa participação frequentemente se dá por
meio do voto, do envolvimento em instituições e organizações sociais e
pela livre manifestação das ideias. Para assegurar os direitos dos cidadãos,
uma democracia se organiza a partir de um sistema de divisão dos poderes,
visando evitar que um indivíduo ou grupo possa exercer suas atribuições
de forma autoritária.
Ditadura
Uma ditadura é um regime de governo autoritário. Frequentemente, uma
ditadura se forma a partir de um golpe de Estado, quando um grupo derruba os
governantes ou subverte as leis com o objetivo de controlar o governo. Em uma
ditadura, a divisão dos poderes deixa de funcionar, já que o ditador e seus aliados
ampliam seus poderes de modo a agir de acordo com seus interesses. O Brasil foi
governado por uma ditadura entre 1937 e 1945 e entre 1964 e 1985.
Fascismo
O fascismo foi um regime político que surgiu nas primeiras décadas do século
XX na Itália e na Alemanha. Trata-se de uma forma específica de ditadura que
estabelece um controle mais radical sobre os cidadãos. Em um regime fascista,
um grupo passa a controlar o governo de modo a tentar anular todo tipo de
oposição e a perseguir e exterminar grupos vistos como uma ameaça. Apesar
dos regimes fascistas terem sido derrubados ao final da Segunda Guerra
Mundial, suas propostas continuam inspirando grupos políticos até o presente.
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As origens do
governo no Brasil
Ao longo de sua história, o Brasil teve diferentes formas de
governo. Durante o processo de conquista e colonização, os portu-
gueses estabeleceram instituições e introduziram no território práticas
de governo adotadas em Portugal e em outros territórios coloniais.
Em 1548, quando Portugal era uma monarquia absolutista, foi
criado no Brasil o Governo-Geral e nomeado pelo rei o primeiro gover-
nador-geral, que deveria prestar obediência e atenderàs ordens e
decisões da Coroa portuguesa.
O Governo-Geral vigorou
em partes do atual território
brasileiro até a independên-
cia, em 1822, portanto, durante
todo o período colonial, o Brasil
foi uma colônia subordinada a
uma monarquia, sem governo
autônomo e independente.
■ Marco do "descobrimento",
monumento de pedra portu-
guesa, de cerca de 1500, com uma
inscrição afirmando a soberania
portuguesa. Centro histórico de
Porto Seguro (BA), 2019.
A independência e a organização
de um governo autônomo
A partir de 1822, teve início o processo de construção do Estado
brasileiro e a organização do primeiro governo autônomo do Brasil. O
processo de independência foi marcado por uma aliança entre as elites
brasileiras e dom Pedro I (1798-1834), filho do monarca português, dom
João VI (1767-1826).
Após proclamar a independência e se tornar imperador, dom Pedro I
se articulou para manter a monarquia no Brasil, ou seja, não houve uma
ruptura completa com as tradições de governo portuguesas.
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Além disso, embora o novo governo tenha aprovado em 1824 uma
Constituição que previa a divisão dos poderes, dom Pedro I instituiu o
poder moderador, um poder exclusivo do imperador, que lhe permitia
intervir nos demais poderes.
Por meio do poder moderador, dom Pedro I podia, por exemplo,
dissolver a Câmara dos Deputados, nomear ou demitir ministros, sus-
pender os juízes ou modificar penas impostas a condenados. O Brasil
passou, portanto, a contar com um sistema parlamentarista subordi-
nado aos poderes do imperador. Por essa razão, muitos historiadores
denominam de parlamentarismo às avessas o sistema político que se
consolidou ao longo do Império.
Em 1889, um golpe militar derrubou dom Pedro II (1825-1891), suces-
sor de dom Pedro I, e proclamou a República. A partir de então, uma
nova forma de organização de governo foi adotada no Brasil.
A primeira democracia brasileira
Após o golpe, foi criada, em 1891, uma nova Constituição, que determi-
nou a implantação de uma democracia presidencialista. Os cidadãos com
direito ao voto podiam escolher os representantes dos poderes Executivo
e Legislativo. Entretanto, apenas uma pequena parcela da população par-
ticipava das eleições. Mulheres e analfabetos eram os principais grupos
excluídos do direito de cidadania.
Outro problema do sistema de governo
adotado nesse momento é que o voto era
aberto. Assim, era possível pressionar e intimidar
eleitores para assegurar a vitória de candidatos
alinhados com os interesses das elites locais.
Além disso, ocorriam muitas fraudes e arranjos
políticos que dificultavam a eleição de políticos
de oposição.
O período de 1891 a 1930 foi marcado pela
existência de um governo controlado pelas elites
econômicas de diferentes regiões do Brasil, que
se afastava do ideal de democracia como exer-
cício da vontade e dos interesses dos cidadãos.
> MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Nos primeiros tempos da República, as elites econômicas controlavam
a vida econômica e política do país. Nos dias de hoje, essa característica
se mantém ou houve mudanças? Justifique sua resposta.
■ BRUNO, P. Pátria. 1919. Óleo sobre tela, 190 cm × 278 cm.
Museu da República, Rio de Janeiro (RJ).
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O governo brasileiro
no século XX: entre
ditaduras e democracias
Em 1930, Getúlio Vargas (1882-1954) e setores das elites descontentes com o sistema político
brasileiro articularam um golpe que pôs fim à primeira democracia brasileira e deu início à fase
conhecida como Era Vargas (1930-1945).
Em 1934, quatro anos depois de Vargas ter se tornado presidente do Brasil, foi promulgada uma
nova Constituição, que trouxe inovações importantes, como a legislação trabalhista e o direito de voto
feminino. Entretanto, as eleições previstas para 1938 não ocorreram. Um ano antes, Getúlio deu um novo
golpe e criou o Estado Novo, uma ditadura que governou o país até 1945.
Durante o Estado Novo, o Poder Executivo prevaleceu sobre os demais poderes. Getúlio Vargas
perseguiu seus opositores e utilizou a propaganda política para ganhar força e conquistar apoio da
sociedade. A Constituição de 1934 foi substituída por uma nova Carta constitucional, outorgada pelos
aliados do presidente.
No Estado Novo, as garantias legais dos cidadãos foram suspensas. As eleições para todos os níveis
do governo foram canceladas e a liberdade de manifestação foi abolida. As pessoas podiam ser per-
seguidas, presas, torturadas ou mortas por criticar o governo ou defender o retorno da democracia.
Com o avanço da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o Estado Novo entrou em crise. O Brasil
enviou tropas para lutar ao lado dos Aliados contra as forças fascistas da Itália e da Alemanha. Essa
atitude do governo gerou críticas dos opositores de
Vargas, que passaram a denunciar a contradição de
lutar contra regimes autoritários enquanto o país era
governado por um ditador.
Um breve período
democrático
A crise do Estado Novo enfraqueceu o poder de
Vargas e abriu caminho para a articulação de um
novo golpe, em 1945. Com a deposição de Getúlio
e a redemocratização do país, foram convocadas
eleições no final desse mesmo ano. Em 1946, foi
criada uma nova Constituição, visando assegurar
os direitos dos cidadãos brasileiros.
A democracia presidencialista foi reestabele-
cida e voltou a vigorar um sistema de divisão dos
poderes. O sufrágio feminino foi assegurado, mas
os analfabetos continuaram excluídos do processo
eleitoral. Entre 1946 e 1964, o país contou com elei-
ções livres e os cidadãos recuperaram sua liberdade
de manifestação.
■ Queima das bandeiras dos estados brasileiros durante
o Estado Novo, ordenada por Getúlio Vargas para rea-
firmar a unidade nacional. Rio de Janeiro (RJ), 1937.
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Ainda assim, a liberdade não era plena. O Partido Comunista, por
exemplo, teve seu registro cassado, e os sindicatos dos trabalhadores
sofreram perseguições do governo, cujo objetivo era conter a organiza-
ção da luta por direitos trabalhistas.
Esse período também foi marcado por crises políticas. Em 1950, Getúlio
Vargas voltou ao poder, desta vez eleito democraticamente, porém não
completou seu mandato. Em 1954, diante do fortalecimento da oposição,
o presidente se suicidou.
Outro exemplo de crise ocorreu em 1961, quando o presidente Jânio
Quadros (1917-1992) renunciou ao cargo. Setores conservadores da socie-
dade não aceitavam que o vice-presidente, João Goulart (1919-1976),
assumisse o governo, como mandava a Constituição, o que resultou no
estabelecimento de um curto período parlamentarista na história brasi-
leira, entre 1961 e 1963.
Essas crises culminaram em um novo golpe de Estado, a partir da
articulação de militares com setores da sociedade civil, dando origem a
uma ditadura que vigorou no país de 1964 a 1985.
Nesse período, novamente o Poder Executivo se impôs sobre os
demais poderes, e os direitos individuais foram anulados. As eleições
diretas foram suspensas e uma nova Constituição foi outorgada em 1967.
As oposições foram duramente reprimidas e milhares de pessoas foram
torturadas e mortas por agentes do governo.
■ Reprodução de man-
chete do jornal Folha
de S.Paulo de 12 de
dezembro de 2018
lembrando os 50 anos
do decreto do AI-5, ato
institucional que deu
ao presidente o poder
de fechar o Congresso,
promover censura e
cassar direitos políticos,
entre outras formas de
repressão.FO
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> MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NOLIVRO
• Durante a ditadura que governou o Brasil entre 1964 e 1985, os partidos políticos foram extintos
e somente dois puderam existir: a Arena, partido da situação, e o MDB, partido da oposição. Em
sua opinião, qual é o impacto que a extinção dos diversos partidos políticos provoca em um
regime democrático?
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A Nova República e o problema
da corrupção
Por mais de vinte anos o Brasil esteve sob o regime de ditadura
civil-militar. A crescente pressão da sociedade civil obrigou o governo
a promover um lento processo de reabertura política, que culminou na
eleição indireta do presidente da República, em 1985.
Em 1988, uma nova Constituição foi promulgada. Dessa vez, o
texto constitucional foi criado com a participação de amplos setores
da sociedade civil. O documento reconheceu direitos inéditos aos
cidadãos brasileiros, como a extensão do voto aos analfabetos, a
garantia do direito dos povos indígenas
a viver em suas terras segundo seus cos-
tumes, a defesa da reforma agrária, o
reconhecimento das terras quilombolas e
a criminalização do racismo.
O processo de redemocratização do
país deu início à chamada Nova República,
uma democracia presidencialista que per-
manece em vigor até o presente. Essa
forma de governo trouxe avanços políticos
importantes, ampliando a participação e as
liberdades dos cidadãos, mas também vem
sendo marcada por problemas graves.
Um dos principais problemas da Nova
República é a permanência de práticas de
corrupção por agentes públicos e priva-
dos. No plano político, a corrupção ocorre
quando o bem público é prejudicado, ou
seja, quando bens públicos são utilizados
para atender a interesses privados.
Patrimonialismo e a crise da democracia
A corrupção não é recente na história do Brasil; ela marcou o pro-
cesso de construção e consolidação do Estado nacional brasileiro.
Muitos pesquisadores, como Raymundo Faoro (1925-2003), defendem a
ideia de que a origem das práticas de corrupção está relacionada com
o problema do patrimonialismo.
Esse conceito, formulado pelo sociólogo alemão Max Weber (1864-
1920), foi utilizado para analisar a confusão que ocorre em determinadas
sociedades entre as esferas públicas e privadas. Em uma sociedade
■ Placa de terra indí-
gena protegida,
em Primavera do
Leste (MT), 2018.
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patrimonialista, agentes
privados se organizam
para utilizar os recursos
públicos (provenientes
de tributos e impostos)
de modo a beneficiar
seus próprios interesses
em detrimento dos inte-
resses de outros grupos.
Um exemplo claro
de prática patrimonia-
lista ocorre quando se
desvia dinheiro de obras
públicas. Uma emprei-
teira pode cobrar um
valor mais alto do que o
custo real para a cons-
trução de um hospital. O político responsável pela aprovação do
orçamento aceita a proposta e ambos dividem o valor extra. Dessa
forma, os recursos públicos são usados indevidamente, prejudicando
a sociedade.
O patrimonialismo marcou a história da sociedade brasileira e con-
tinua presente. As práticas de corrupção estão arraigadas em nossa
sociedade, o que enfraquece os mecanismos democráticos do país.
A corrupção fragiliza a democracia na medida em que parte da
sociedade passa a olhar os políticos com desconfiança. Essa reali-
dade marcou a história brasileira ao longo do século XX, colocando a
democracia sob constante ameaça, já que muitas pessoas, ao perder
a confiança na democracia, enxergam na ditadura uma solução para
o problema da corrupção.
Acontece, porém, que em governos ditatoriais as práticas patrimo-
nialistas podem ser reforçadas, uma vez que a repressão às oposições
e à imprensa dificulta as denúncias e investigações de crimes de cor-
rupção. A forma mais eficiente de se combater o patrimonialismo é
fortalecer a democracia e o controle da sociedade civil sobre os meca-
nismos do governo.
> MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Em sua opinião, de que maneira a sociedade civil pode fortalecer a de-
mocracia no país?
■ A participação dos
cidadãos na política é
essencial para defender
seus direitos e com-
bater a corrupção nos
gastos públicos.
Na foto, manifestação
pela educação em
Maceió (AL), 2019.
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NÃO ESCREVA
NO LIVROATIVIDADES>
• Democracia é o tema da tirinha reproduzida abaixo. Observe-a com aten-
ção e responda ao que se pede.
1. Na tirinha vemos personagens que representam dois grupos distintos.
a) Quais grupos são representados?
b) Que elementos presentes na tirinha embasam sua resposta?
2. A tirinha faz referência à democracia.
a) O que é a democracia, no seu entendimento?
b) De que maneira essa ideia encontra-se expressa na charge?
3. Pode-se dizer que a imagem mostra um equilíbrio de forças entre dois
grupos? Justifique.
4. De acordo com a cartunista, de que modo é possível haver um equilí-
brio de forças?
Como essa ideia é transmitida na charge? Você concorda com essa
ideia?
5. Além da democracia, a tirinha faz referência a outro elemento funda-
mental da vida política. Qual é ele?
6. Resuma em uma frase a mensagem que a tirinha transmite, em sua
opinião.
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LAERTE. [Tirinha]. Folha de S.Paulo, 1o maio 2018.
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DIAGNÓSTICO DA REALIDADE
De acordo com os Relatórios de 2018 da We Are Social e da Hootsuite, 66% da
população brasileira tem acesso à internet (porcentagem relativamente baixa em
relação aos países desenvolvidos). Essas pessoas passam cerca de nove horas
diárias conectadas à rede, das quais três horas e meia são dedicadas às redes
sociais, o que representa quase o dobro da média mundial.
Nesse cenário, devem ser consideradas duas realidades: o analfabetismo e o
analfabetismo funcional. No primeiro caso, estão incluídas as pessoas que não
sabem ler, escrever ou interpretar formalmente textos escritos; no segundo caso,
incluem-se as pessoas que, embora saibam ler, possuem pouca ou nenhuma
habilidade para interpretar o que leem.
Segundo estudo realizado pelo Ibope Inteligência, em 2018, no Brasil, 29% da
população era considerada analfabeta funcional e 8%, analfabeta, o que não sig-
nifica que essas pessoas não utilizem as redes sociais.
Independentemente desses fatores, o fato é que nem sempre lemos na íntegra
os conteúdos que acessamos por meio da internet e das redes sociais, como
destaca o texto a seguir:
Mesmo quando os links são clicados, poucos leitores vão
passar dos primeiros parágrafos, o que facilita ainda mais o
trabalho de elaboração de uma notícia falsa. Estudo do Nielsen
Norman Group divulgado em 2013 mostrou que 81% dos leitores
voltam os olhos – o que não significa necessariamente que estão,
de fato, a ler – para o primeiro parágrafo de um texto na internet,
enquanto 71% chegam ao segundo. São 63% os que olham para o
terceiro parágrafo, e apenas 32% voltam os olhos para o quarto.
[...] Outro desafio ainda se coloca na qualidade da leitura. “A não
ser que se preste atenção especial ao que está lendo, os artigos
ficam descontextualizados em relação às suas fontes e fatos se
misturam livremente com ficção” (Chen, Conroy & Rubin, 2015b,
tradução própria).
DELMAZO, C.; VALENTE, J. C. L. Fake news nas redes sociais on-line: propagação e
reações à desinformação em busca de cliques. Media & Jornalismo, v. 18, n. 32,
Lisboa, abr. 2018. Disponível em: http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_
arttext&pid=S2183-54622018000100012.Acesso em: 11 ago. 2020.
O que torna o problema das fake news ainda mais grave é a existência de
grupos que operam na deep web, uma parte da rede oculta ao público. Esses
grupos criam uma página na internet e programam um robô para disseminar o
link nas redes. Quanto mais um tema é mencionado, mais o robô dispara infor-
mações, numa velocidade que pode chegar a dois segundos.
As limitações de leitura e interpretação de texto, somadas à forma apressada
como são lidas as informações na internet, ao volume e à velocidade de disse-
minação das fake news e à dificuldade que os leitores, de modo geral, têm em
identificá-las, podem levar a um cenário desastroso em relação à maneira como
as pessoas se informam, constroem juízos de valor e agem na sociedade.
Etapa
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CAPÍTULO
6
Em junho de 2020, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,
organizou um comício para sua campanha de reeleição na cidade de
Tulsa, no estado de Oklahoma. A equipe do presidente acreditava que
o estádio onde ocorreria o evento lotaria, com mais de 19 mil pessoas,
considerando o número de solicitações de convite para o evento.
O estádio, porém, não tinha sequer um terço do público esperado:
autoridades estimam que cerca de 6 mil pessoas tenham participado
do evento. O que teria causado o “sumiço” das pessoas, se havia tantos
interessados? Usuários de uma rede social e fãs do gênero musical K-pop
reconheceram ter organizado uma ação para solicitar convites, porém,
sem intenção de comparecer. Assim, enganaram a equipe do presi-
dente, ao fazê-la acreditar que havia um interesse real das pessoas em
participar do comício.
A ação, cujo objetivo foi desestabilizar a campanha de Trump, é um
claro exemplo de participação política de jovens para mudar os rumos
políticos do país. Esse tipo de ação colaborativa, que se tornou muito
comum nos últimos anos, faz uso intenso da internet como plataforma
de organização popular para dialogar com os governos e pressioná-los.
Neste capítulo, vamos refletir sobre o conceito de participação polí-
tica, conhecendo as várias maneiras pelas quais os indivíduos podem
tomar parte das decisões dos governos e da sociedade. Também vamos
refletir sobre o impacto da internet na participação política e conhecer
exemplos de outras ações organizadas por jovens para participar da
vida política de seus países.
Participação política
■ Homem em arquiban-
cada vazia do estádio
onde ocorreu o comício
de Donald Trump,
em Tulsa, Oklahoma
(Estados Unidos), em
junho de 2020.
refletir sobre o impacto da internet na participação política e conhecer
exemplos de outras ações organizadas por jovens para participar da
vida política de seus países.
em Tulsa, Oklahoma
(Estados Unidos), em
junho de 2020.
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Consultar as Orientações para o professor para obter mais informações sobre o capítulo
e sobre o trabalho com as atividades.
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O que é participação política?
A expressão participa-
ção política é utilizada com
grande frequência no mundo
contemporâneo. Se você fizer
uma busca rápida na internet
por vídeos sobre participação
política, encontrará mais de 100
mil resultados.
Em junho de 2020, era
possível encontrar quase um
milhão de páginas contendo
essa expressão. Nessa vastidão
de resultados, pode não ser
tão fácil entender com clareza
o seu significado.
O que significa participar
da política? Significa apenas
votar ou é preciso se tornar
um político? Discutir política é uma forma de participação? Escrever ou
gravar postagens sobre política também é uma maneira de participar?
E comparecer a manifestações públicas ou tentar modificar aspectos
comportamentais da sociedade, pode também ser considerada parti-
cipação política?
As ciências humanas podem nos ajudar a responder a essas questões
e a compreender melhor o conceito de participação política. Entender
esse conceito é importante não apenas para ter mais clareza do seu sig-
nificado, mas, principalmente, para nos ajudar a transformar a política
no mundo em que vivemos e a construir uma sociedade mais igualitária.
Participação política e governo
Vimos no capítulo anterior que, ao longo do tempo, foram criadas
diversas formas de organização do governo, o que significa que houve
diferentes maneiras de participação política no decorrer da História.
Mesmo nos dias atuais, existem diferentes modos de participar da polí-
tica, de acordo com o tipo de governo ou de sociedade, e esses modos
também poderão se alterar no futuro.
A definição de participação política, portanto, envolve distintas
possibilidades de intervenção dos indivíduos ou grupos humanos nas
decisões políticas e na sociedade em que vivem.
■ Divina Maloum recebe
prêmio de Kailash
Satyarthi, durante a
cerimônia do Prêmio
Internacional da Paz
das Crianças. Haia
(Holanda), 20 de
novembro de 2019.
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O cientista político italiano Gianfranco Pasquino (1942-) define
participação política como o conjunto de ações e condutas que são
utilizadas por indivíduos e grupos para influenciar a organização e as
ações do governo e modificar a sociedade.
Essa definição fica mais clara com a ajuda de alguns exemplos.
Vamos supor que o presidente de um país decida, com o apoio de seus
aliados, cortar os recursos federais para a manutenção das universida-
des públicas. Essa decisão irá desagradar uma parcela da sociedade,
que, na tentativa de reverter os cortes, passará a se mobilizar por
meio de uma série de ações: manifestando-se nas redes sociais, ques-
tionando o governo, organizando passeatas ou greves, publicando
textos em jornais, entre outras possibilidades. Todas essas ações são
exemplos de participação política.
Caso o presidente ignore as reivindicações e mantenha sua decisão
de corte de investimentos públicos, essa parcela da sociedade pode
dar sua resposta nas urnas, nas próximas eleições, votando em outros
candidatos. Essa também é uma forma de participação política.
Assim, a participação política é bastante ampla e envolve múltiplas
possibilidades de pressão, diálogo e convencimento, visando influen-
ciar as decisões e ações do governo ou a sociedade, de modo geral.
■ Estudantes da rede
estadual paulista
de ensino realizam
protesto contra o
fechamento das
escolas em São Paulo
(SP), 2015.
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Outras formas de participação
política ao longo do tempo
Uma das formas de participação política adotadas na atualidade é
a representação. Nas democracias contemporâneas, os políticos são
eleitos para representar os interesses dos cidadãos.
Nem toda sociedade, porém, se organiza segundo o princípio da
representação. A antiga democracia ateniense constitui um exemplo de
sistema direto de participação política. Em Atenas, todos os cidadãos
participavam das assembleias e podiam ocupar cargos políticos na pólis.
Nesse sistema, a participação política dos cidadãos ocorria a partir
do envolvimento nas assembleias e discussões realizadas na ágora.
Todo cidadão tinha direito a igual participação no exercício do poder,
podendo agir diretamente para mudar decisões do governo.
Outro exemplo de participação pode ser encontrado nas socieda-
des ameríndias. De acordo com o antropólogo francês Pierre Clastres
(1934-1977), existem sociedades indígenas que se organizam de forma
igualitária.Embora as aldeias tenham um chefe, ele não tem o poder de
decisão sobre os assuntos da comunidade. O chefe precisa apresentar
suas ideias e encontrar meios de influenciar as decisões do grupo. Há, por-
tanto, uma inversão da ordem da participação política que conhecemos.
Ágora
Praça principal das
antigas cidades gregas.
■ Mulheres lutam o huka-
-huka durante a Festa do
Uluri, ritual de formação
de liderança feminina
da comunidade. Aldeia
Kamayurá Ipavu, Gaúcha
do Norte (MT), em 2018.
> MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Um cidadão pode ter uma atuação política independente de vínculos com partidos políticos? Que
outras formas de organização política são possíveis?
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A invenção do sufrágio como forma
de participação política
A participação política representativa está associada ao sufrá-
gio. Durante muitos séculos, porém, a ideia de que toda a sociedade
deveria participar das decisões políticas por meio do voto não existia.
Na Europa do Antigo Regime, entre os séculos XV e XVIII, a partici-
pação política estava restrita a uma pequena parcela de privilegiados,
à qual era dado o direito
de influenciar os rumos
do governo, geralmente
por meio de petições e
reclamações aos monarcas
absolutistas.
As revoluções ocor-
ridas a partir do final do
século XVIII provocaram a
queda do Antigo Regime
na Europa e na América.
Assim começou a se formar
a ideia de que os cidadãos
deveriam participar ativa-
mente da organização do
governo e da construção
de suas políticas. Foi nesse
processo que o sufrágio se
transformou em uma fer-
ramenta importante para assegurar a representação dos desejos e
projetos políticos dos cidadãos.
Esse processo deu origem ao sistema moderno de partidos polí-
ticos. Um partido político é uma organização social que se constitui
em torno de interesses políticos comuns e se propõe alcançar o poder.
No Brasil, por exemplo, os filiados a um partido podem se candidatar
a um cargo público de vereador, prefeito, governador, deputado esta-
dual ou federal, senador ou presidente por meio de eleições.
Durante grande parte do século XX, a participação política se
manifestou predominantemente por meio do voto e do envolvimento
com partidos políticos tradicionais das mais diversas democracias do
planeta. Embora não tenha sido a única, o engajamento partidário
representou uma forma de participação importante para compreen-
der as disputas e a dinâmica política das democracias no período.
Sufrágio
Ato de votar em uma
eleição.
■ Mulher vota nas
eleições para
novos membros do
Parlamento no Rio de
Janeiro (RJ), em 1933.
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Os dois textos a seguir discutem a questão da participação política. O primeiro é da filósofa
brasileira Marilena Chaui (1941-); o segundo é um poema atribuído a Bertolt Brecht (1898-1956),
um dos mais importantes escritores alemães do século XX. Após a leitura de ambos, realize as
atividades propostas.
As pessoas que [...] não querem ouvir falar em política, recusam-se a participar de atividades
sociais que possam ter finalidade ou cunho políticos, afastam-se de tudo quanto lembre ativi-
dades políticas, mesmo tais pessoas, com seu isolamento e sua recusa, estão fazendo política,
pois estão deixando que as coisas fiquem como estão e, portanto, que a política continue tal
qual é. A apatia social é, pois, uma forma passiva de fazer política
CHAUI, M. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2003. p. 379.
O analfabeto político
O pior analfabeto
É o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala
Nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
O preço do feijão, do peixe, da farinha,
Do aluguel, do sapato e do remédio
Dependem das decisões políticas.
O analfabeto político
É tão burro que se orgulha
E estufa o peito dizendo
Que odeia a política.
Não sabe o imbecil que,
Da sua ignorância política
Nasce a prostituta, o menor abandonado,
E o pior de todos os bandidos,
Que é o político vigarista,
Pilantra, corrupto e lacaio
Das empresas nacionais e multinacionais.
Poema atribuído a Bertolt Brecht apud SOUSA, R. A. de et al. Portal do Professor. Como trabalhar com o conceito de analfabeto político [...].
Disponível em: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=34664. Acesso em: 12 ago. 2020.
1. Segundo Marilena Chaui, por que o fato de alguém se manter alheio à vida política deve ser consi-
derado um gesto político?
2. Por que, para o texto atribuído a Bertolt Brecht, “o pior analfabeto é o analfabeto político”?
3. Em sua opinião, não participar das eleições, votar em branco ou anular o voto é também um ato
político? Por quê?
4. Escreva no caderno um texto comparando as ideias de Marilena Chaui com o poema. Procure rela-
cionar o que leu com a realidade social, política e econômica do Brasil atual.
DIÁLOGOS> LINGUAGENS E LEITURAS> NÃO ESCREVA NO LIVRO
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A participação política
na era da internet
Nas últimas décadas, o desenvolvimento da internet e das tecnolo-
gias de comunicação provocou mudanças importantes na forma como
os cidadãos participam da política. Em alguns países, essas mudanças
provocaram o enfraquecimento dos partidos políticos tradicionais e o
surgimento de novas estratégias de organização e participação políticas.
Alguns cientistas sociais, como o sociólogo espanhol Manuel
Castells (1942-), defendem a ideia de que a internet provocou uma
revolução na forma como a democracia é praticada no mundo, uma
vez que possibilitou ampliar a participação política dos cidadãos,
criando uma ágora digital na qual os indivíduos podem participar da
democracia de forma direta.
Entretanto, não existe consenso entre os pesquisadores. Segundo
o entendimento de parte dos cientistas sociais, a internet cria meca-
nismos que aprimoram a participação dos cidadãos na democracia
representativa existente, mas que não asseguram efetivamente o exer-
cício de uma democracia direta. Há também aqueles que consideram
alguns aspectos da internet como ameaças à democracia.
Para refletir sobre essas diferentes visões, é importante pensar um
pouco sobre o desenvolvimento da internet e o modo como o mundo
digital se tornou um ambiente que permite aos cidadãos participar e
se organizar politicamente.
■ Diversas mobilizações
populares atualmente
são organizadas pelas
redes sociais. A foto
mostra um celular
exibindo a hashtag
#blackouttuesday,
campanha de para-
lisação do trabalho
iniciada pela indús-
tria da música, em
solidariedade aos
protestos antirracismo,
que floresceu nas redes
sociais. Washington DC
(Estados Unidos), 2020.
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Internet e colaboração
É provável que você
passe a maior parte do seu
tempo na internet utilizando
as redes sociais. Uma das
principais características
dessas plataformas é que
elas se organizam por meio
da interação de seus usuá-
rios. Quando, por exemplo,
você grava um vídeo e o
compartilha em uma rede
social, você está produzindo
um conteúdo que poderá ser
utilizado por outras pessoas.
A internet atualmente
é uma rede colaborativa e
descentralizada. Cada internauta pode produzir conteúdos e divulgar
informações, dividindo-os com pessoas conhecidas ou desconhecidas.
Ao contrário de outros meios de comunicação, como o jornal, o rádio
e a televisão, na internet não existeuma hierarquia clara entre quem
produz conteúdo e quem utiliza o conteúdo.
Um jornal, uma emissora de rádio ou de televisão têm a possibili-
dade de selecionar notícias e informações, determinando previamente
o que será divulgado, de acordo com seus critérios. Desse modo, o
público leitor, ouvinte ou telespectador não participa da produção
desses conteúdos.
Na internet, os grandes portais de notícias também fazem uma
seleção prévia de conteúdos, porém os usuários conseguem intera-
gir com o veículo (no caso dos que permitem comentários) e podem
compartilhar os textos em suas redes sociais, o que abre novas possibili-
dades de participação política. A rede permite aos internautas defender
suas visões políticas de uma forma que não era possível nos veículos de
comunicação tradicionais.
■ Aluna de um Centro
Educacional Unificado (CEU)
participa de uma aula sobre
fake news, em São Paulo
(SP), 2018.
> DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Um dos principais problemas advindos da rápida expansão da internet é a facilidade para transmitir
notícias e informações falsas ou que induzem a erro. São as chamadas fake news, que se disseminam
sobretudo em períodos eleitorais. Em sua opinião, qual é o interesse de quem divulga esse tipo de
conteúdo e como é possível combatê-lo?
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A internet e a organização
de movimentos sociais
O caráter colaborativo da internet começou a ser explorado nos anos 1990,
quando teve início a expansão da rede de computadores por todo o planeta, per-
mitindo as trocas de informações e mensagens entre pessoas das mais diversas
partes do mundo. Desde então, tornou-se possível a organização de movimentos
sociais que visam à participação popular nas decisões políticas.
Um exemplo foi o movimento zapatista, cuja aparição pública ocorreu no estado
mexicano de Chiapas, em 1994. Fazendo uso dos recursos de correio eletrônico e
das redes de comunicação via internet, os zapatistas construíram uma rede de soli-
dariedade formada por ativistas de direitos humanos em todo o mundo para lutar
por melhores condições de vida para as populações indígenas do México.
O uso da internet para a articulação de movimentos sociais e grupos políticos
ganhou mais força na década de 2000. A partir de então, organizações não gover-
namentais, grupos políticos, movimentos sociais e cidadãos comuns passaram a
se manifestar e a compartilhar ideias pela rede com o objetivo de influenciar as
decisões do governo.
A internet se transformou em um veículo importante para o ativismo político
e social no mundo contemporâneo. Por essa razão, alguns pensadores consideram
que a internet pode ajudar a criar uma forma de democracia direta.
Outros pensadores lembram que a participação política digital tem limitações.
Segundo eles, a internet não é capaz de substituir o sistema de representação, mas
oferece aos cidadãos a possibilidade de influenciar a tomada de decisões do governo
e acompanhar de forma mais ativa as ações dos políticos eleitos, zelando para que
eles defendam os interesses da sociedade que os elegeu.
É importante, porém, destacar que o caráter colaborativo da internet
esbarra nos limites concretos de acesso a ela, já que a inclusão digital ainda é bas-
tante desigual no Brasil e no mundo.
■ Mulheres e crianças
participam de marcha
pelos direitos humanos
na revolta zapatista.
O movimento ganhou
destaque internacional
no dia 1o de janeiro de
1994, quando homens
do Exército Zapatista
de Libertação Nacional
(EZLN) ocuparam as
prefeituras de diversas
cidades mexicanas.
Chiapas (México), 1994.MA
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O problema da
desigualdade de
acesso à internet
O acesso à internet no Brasil avançou
nos últimos dez anos, mas revela dife-
renças sociais importantes. Segundo
dados de um estudo que mede os
hábitos e comportamentos de usuários
da internet, TIC Domicílios 2018 (TIC é
a sigla de Tecnologia da Informação e
Comunicação), o acesso da população
brasileira à internet teve um avanço de
quatro pontos percentuais em relação a
2018, alcançando 74% de usuários (133,8
milhões de pessoas). Contudo, esse índice
mostra que um em cada quatro brasileiros
ainda não tem acesso à internet.
É importante verificar a taxa de
usuários que acessam a internet exclusi-
vamente pelo celular, já que nem sempre
os aparelhos permitem a realização de
atividades mais complexas. A pesquisa
indica que 58% dos internautas brasilei-
ros se conectam apenas pelo telefone
móvel. Em 2014, 80% dos usuários aces-
savam a internet pelo computador. Em
2018, esse índice caiu para 42%. Essa
diferença é ainda maior se considerar-
mos as classes sociais: dos usuários que
se conectam à internet unicamente pelo
celular, 85% pertencem às classes D e E.
Observe os gráficos ao lado:
Fonte: PESQUISA sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação nos
domicílios brasileiros: TIC Domicílios 2018 . São Paulo: Comitê Gestor da Internet
no Brasil, 2019. p. 105. Disponível em: https://cetic.br/media/docs/publicacoes/2/
12225320191028-tic_dom_2018_livro_eletronico.pdf. Acesso em: 11 ago. 2020.
Brasil: domicílios com acesso à
internet, por área, 2008-2018
2009 2010 201320122011 2014 2015 2016 2017 2018
0
20
40
80
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Ano
Total de
domicílios (%)
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27
31
44
48
54 56
59
65
70
40
18
24
27
40
43
50 51
54
61
67
36
4 6 6
10
15
22 22
26
34
44
8
2008
Urbana Total Rural
Fonte: PESQUISA sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação nos
domicílios brasileiros: TIC Domicílios 2018 . São Paulo: Comitê Gestor da Internet
no Brasil, 2019. p. 111. Disponível em: https://cetic.br/media/docs/publicacoes/2/
12225320191028-tic_dom_2018_livro_eletronico.pdf. Acesso em: 11 ago. 2020.
Brasil: usuários de internet por área, grau de
instrução, faixa etária e classe social, 2008-2018
70
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49
14
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88
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83
90 86
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92 91
76
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Total da
população (em %)
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NÃO ESCREVA
NO LIVRO> LEITURA DE IMAGEM
1. Observe atentamente os gráficos desta página e escreva no caderno um pequeno texto a respeito
do que os dados revelam sobre o acesso à internet no Brasil. De 2018 até o presente, e considerando
a sua realidade e a das pessoas que conhece, você avalia que as diferenças entre os grupos repre-
sentados tiveram mudanças significativas?
2. O acesso à internet exerce um importante papel a fim de promover melhorias nas condições de vida
da população. Em sua opinião, como a ampliação do acesso à internet na sua comunidade poderia
contribuir para isso?
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■ Estudantes e
trabalhadores
participam de
manifestação em
Paris (França),
em maio de 1968.
O jovem e a participação
política
Ao longo do século XX, os jovens se tornaram uma força política
importante, organizando ações variadas para influenciar governos e
promover transformações sociais.
Na década de 1960, por exemplo, uma onda de protestos de
estudantes na França mobilizou milhões de pessoas no movimento
chamado Maio de 1968. Defendendo mudanças radicais nas estrutu-
ras da sociedade da época, os jovens tomaram as ruas de Paris e de
outrascidades francesas.
As manifestações estudantis estimularam os trabalhadores france-
ses a iniciar uma série de greves por melhores condições de vida. Os
protestos paralisaram a França durante dois meses e inspiraram jovens
de diversas partes do mundo a lutar por mudanças sociais.
Muitos artistas aderiram ao movimento por meio da criação de
canções, peças teatrais, filmes e outras obras de arte que defendiam
novos valores sociais e combatiam o machismo, o racismo e outras
espécies de preconceito e desigualdade. Produções artísticas também
são uma forma de participação política.
Outro exemplo de participação política organizada por jovens ocorreu
no Brasil no início dos anos 1990. Milhares de estudantes organizaram o
movimento dos caras-pintadas para exigir a cassação do então presidente
Fernando Collor de Mello, acusado de envolvimento em esquemas de
corrupção. Collor acabou sofrendo um processo de impeachment que
resultou na cassação de seus direitos políticos em 1992.
Esses dois exemplos demonstram a influência dos jovens na política
do século XX e sua ativa participação na sociedade em diversas partes
do mundo. No século XXI, a internet tem servido de plataforma para a
articulação de novos movimentos juvenis.
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As Jornadas de Junho de 2013 e a
mobilização estudantil de 2015
No Brasil, na segunda década do século XXI, dois movimentos con-
taram com intensa participação dos jovens: as Jornadas de Junho de
2013 e a mobilização estudantil de 2015.
As jornadas tiveram início após o anúncio de aumento das tarifas de
transporte público em diversas cidades brasileiras. Esse episódio defla-
grou a articulação de movimentos sociais que lutam pelo direito ao
transporte. Esses movimentos, encabeçados por jovens, se organizaram
nas redes sociais e conquistaram a opinião pública, especialmente em
razão da forte repressão policial contra os manifestantes.
Com a adesão de boa parcela da população, os protestos ganharam
força. Grandes manifestações populares ocorreram nos centros urbanos
de várias partes do Brasil. O movimento acabou extrapolando o objetivo
inicial de luta pela redução das tarifas de transporte e incorporou pautas
variadas, incluindo a reivindicação de reformas políticas.
A mobilização estudantil de 2015 ocorreu no estado de São Paulo
e foi organizada por estudantes do Ensino Médio e universitários que
questionavam a decisão do governo do
estado de promover uma reestruturação
do ensino público paulista. O movimento
utilizou as redes sociais para organizar a
ocupação de escolas e expor seus argu-
mentos contra a reforma. Durante as
ocupações, os jovens realizaram tarefas
de manutenção dos prédios e promove-
ram eventos artísticos e aulas livres.
Apesar das tentativas do governo do
estado de conter o movimento, os jovens
conquistaram apoio de amplos setores da
sociedade civil e forçaram a Secretaria de
Educação a rever a reforma.
■ Em 2015, estudantes
do Ensino Médio e uni-
versitários ocuparam
cerca de 200 escolas no
estado de São Paulo.
Na foto, faixas em
frente à Escola Estadual
Fernão Dias Leme,
na zona oeste de São
Paulo (SP), 2015.
RONALDO SILVA/FUTURA PRESS
> MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• O ativismo por meio da internet tem sido cada vez mais praticado por grupos defensores de diver-
sas causas: políticas, sociais, educacionais, ecológicas, de gênero, entre muitas outras. Com seus
colegas, discutam as seguintes questões: Qual é a importância desses grupos e o impacto deles na
sociedade? Vocês participam de algum movimento semelhante? Em caso positivo, qual e por quê?
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Os documentos a seguir permitem discutir a ideia de participação política na
sociedade. Inicialmente, apresentamos o trecho de uma entrevista concedida pela
desenhista gaúcha Fabiane Langona, na qual ela explica sua visão sobre a relação
entre arte e política. Em seguida, reproduzimos desenhos da artista sobre questões
femininas. Analise os documentos com atenção e responda ao que se pede.
É muito difícil elencar o que é político ou não. Comportamento é político. Amor
é político. Todas as coisas são políticas de forma geral. [...] O contexto político
está inserido em todo nosso comportamento, em tudo que vivemos. Você fala em
“questão feminina”. Quer luta, ou tema mais político que esse? [...] Não são “ques-
tões femininas”, são questões de toda a sociedade. São questões de todas e todos
que estão dispostos a repensar a história dando real dimensão a abordagens antes
deixadas para trás por conta de uma sociedade misógina que nos empurra um
papel secundário, no qual as narrativas e experiências femininas são vistas como
de segunda classe ou menores.
DIÁLOGOS> LINGUAGENS E LEITURAS> NÃO ESCREVA NO LIVRO
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1. Que tipos de situação Fabiane Langona apresenta em seus desenhos? Que discussão
ela traz à tona?
2. Que relação pode ser feita entre os desenhos da artista e o trecho reproduzido de sua
entrevista?
3. Fabiane Langona aponta exemplos de discursos machistas observados na sociedade
brasileira. Em sua opinião, a arte tem o poder de promover mudanças nesse tipo de
comportamento? Por quê?
4. Os desenhos de Fabiane são um exemplo de participação política por meio da arte.
Cite outro trabalho artístico que, na sua opinião, apresenta essa proposta e justifique
a sua escolha.
5. Em um trecho da entrevista, Fabiane afirma que "É muito difícil elencar o que é político
ou não. Comportamento é político. Amor é político. Todas as coisas são políticas de
forma geral". Você concorda com a artista? Justifique.
EXPRESSA. Rio de
Janeiro, n. 3, p. 9,
nov. 2019.FA
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O Complexo do Alemão, ou Morro do Alemão, na zona norte do
Rio de Janeiro, é formado por 13 comunidades e abriga uma população
de 180 mil pessoas. Esses moradores convivem com uma série de pro-
blemas, como ruas esburacadas, falta de eletricidade e de saneamento
básico. Em 2010, os moradores do Complexo do Alemão viveram um
momento de grande tensão quando tropas das Forças Armadas e da
Polícia Militar ocuparam o morro, e as ruas se transformaram em um
palco de guerra entre militares e traficantes. Foi a partir desse momento
que Rene Silva ganhou reconhecimento.
Na época com 17 anos, Rene, de dentro de sua casa – localizada no
Morro do Adeus, uma das comunidades do complexo –, começou a
publicar em uma rede social informações sobre o confronto em tempo
real. Suas postagens se tornaram a principal fonte de notícias sobre
os conflitos e viralizaram com rapidez. Em poucas horas, o perfil Voz
das Comunidades, criado por Rene em uma rede social para divulgar
as informações, recebeu milhares de seguidores do Brasil e de vários
outros países. Mais do que isso, ganhou destaque nas mídias nacionais
e internacionais.
A experiência de Rene com o jornalismo comunitário começou aos
11 anos, quando lançou na escola o jornal Voz das Comunidades, para
divulgar os problemas do Morro do Adeus. Com apenas quatro páginas
e uma tiragem de 50 exemplares, o periódico ajudou a comunidade a
chamar a atenção do poder público para suas reivindicações.
■ Rene Silva, funda-
dor do jornal Voz
das Comunidades,
no Complexo do
Alemão, Rio de
Janeiro (RJ), em 2020.
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DIÁLOGOS> EU TAMBÉM POSSO>
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Contando com uma equipe reduzida de colaboradores, todos da
mesma faixa etária de Rene, o jornal passou a ser patrocinado por comer-
ciantes locais, o número de páginas aumentou e a tiragem saltou para 5 mil
exemplares. Tudo isso antes dos acontecimentos de 2010.
Desde então, o Voz das Comunidades só cresceu, e seu campo
de atuação se expandiu, transformando-se em um portal na internet.
Além disso, ele tem contas em diversas redes sociais que conquistaram
centenas de milhares de seguidores. O jornal, que no início circulava
apenas no Morro do Adeus, chegava a dez comunidades do Complexo
do Alemão em 2020.
Além de dar voz aos moradores do Complexo do Alemão e mostrar
as potencialidades do lugar, o Voz das Comunidades passou a realizar
atividades ligadas à cultura, à assistência social, à educação e ao lazer.
Todo esse trabalho desenvolvido por Rene lhe rendeu projeção inter-
nacional. Em 2018, a Mipad, uma organização sediada em Nova York e
ligada às causas dos afrodescendentes, elegeu Rene como uma das 100
pessoas negras mais influentes do mundo.
No Brasil, o trabalho de Rene serviu de inspiração para a criação de
outros portais comunitários, como o Nordeste Eu Sou, de Salvador; e
o Diário de Ceilândia, no Distrito Federal. A respeito de seu trabalho,
Rene declarou:
A realidade das favelas é não ter voz, não ter espaço, não ter mídia,
e o meu desejo é fazer com que a gente tenha voz e espaço e que
consiga, de fato, mais jovens assim como eu.
XAVIER, E. Do Complexo do Alemão ao mundo, Rene Silva amplia voz de quem não tem palavra. GQ, 20 jul.
2020. Disponível em: https://gq.globo.com/Prazeres/Poder/noticia/2020/07/do-complexo-do-alemao-ao-
mundo-rene-silva-amplia-voz-de-quem-nao-tem-palavra.html. Acesso em: 12 ago. 2020.
1. Com base na leitura do capítulo, pode-se dizer que o trabalho de Rene
Silva é um exemplo de participação política? Por quê?
2. Rene afirma: “A realidade das favelas é não ter voz, não ter espaço, não
ter mídia”. Em sua opinião, por que isso acontece? Qual é o impacto dessa
realidade para os moradores das comunidades?
3. A pouca idade não impediu Rene de realizar o desejo de escrever um
jornal para a comunidade em que vivia. Como você reage quando se
depara com algum problema que pode impedir a concretização de um
objetivo seu? Você desiste ou procura alternativas? Conte para seus cole-
gas sobre seu comportamento nessas ocasiões, procurando ilustrar com
uma experiência vivida por você.
NÃO ESCREVA
NO LIVRO
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PLANEJAMENTO
Atualmente, o que chamamos de mídias tradicionais são revistas, jornais (em
versão impressa ou on-line), rádio e televisão.
O que, de modo geral, diferencia as mídias tradicionais das demais é o fato
de que elas devem provar a veracidade das notícias por meio de depoimentos,
documentos, imagens etc. antes de divulgá-las, e há uma equipe de jornalis-
tas responsáveis pela divulgação dos conteúdos. Em tese, portanto, as mídias
tradicionais seriam mais confiáveis.
Isso não significa, porém, que as mídias tradicionais sejam neutras, ou seja,
isentas de parcialidade. Ainda que as notícias veiculadas sejam baseadas em
fontes fidedignas, há sempre um posicionamento político, econômico ou social
que nem sempre está explícito. Por exemplo, dois veículos de comunicação
podem noticiar um mesmo fato de maneiras bastante distintas. O jornal X pode
apresentar a seguinte chamada: “Manifestantes param o trânsito e causam
tumulto na cidade de Porto Alegre”, enquanto o jornal Y decide usar a manchete
“Estudantes se manifestam por melhorias na educação, em Porto Alegre”.
Reúnam-se e organizem uma roda de conversa para trocar ideias sobre
a forma como vocês lidam com as notícias e informações que buscam ou
recebem.
• Quais meios de comunicação vocês utilizam?
• Vocês têm o hábito de ler ou escutar as notícias na íntegra?
• Ao buscar informações sobre uma mesma notícia em diferentes fontes, cos-
tumam desconfiar de alguma mídia ou tipo de notícia?
Ao longo ou ao final da conversa, façam anotações em seus cadernos.
Elaborem em conjunto um pequeno questionário com o objetivo de identificar
se as pessoas da sua família e da sua comunidade escolar (de diferentes faixas
etárias) sabem o que são fake news, se acreditam em informações enviadas
por amigos ou conhecidos por meio de redes sociais e se ficam em dúvida
quanto à veracidade de algum tipo de informação.
Decidam quantas pessoas cada um de vocês irá entrevistar e de que forma as
respostas deverão ser recolhidas (por escrito, redigidas pelos próprios entre-
vistados ou anotadas pelo entrevistador; gravadas e transcritas).
É importante que as perguntas sejam simples e diretas e que possam ser
facilmente tabuladas e analisadas. No entanto, é aconselhável prever uma per-
gunta que dê ao entrevistado a chance de relatar alguma dificuldade específica
ou alguma experiência que teve com fake news.
Em seguida, reúnam todas as informações e identifiquem as principais
dúvidas e dificuldades dos entrevistados em relação às fake news. Esse rela-
tório servirá de base para vocês começarem a planejar a elaboração do folheto
informativo sobre o tema.
Etapa
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> SAIBA MAIS
Eleições
Direção: Alice Riff. Brasil, 2018. DVD (100 min).
Documentário que acompanha o processo de organização das eleições para o grêmio estudantil de uma
escola pública brasileira. O filme permite refletir sobre a questão da participação política e da organização
dos jovens no Brasil.
As sufragistas
Direção: Sarah Gavron. Reino Unido, 2015. DVD (106 min).
O filme retrata a luta das mulheres pelo direito ao voto na Inglaterra, no início do século XX. Um grupo de
militantes decide coordenar atos de insubordinação, sofrendo violenta repressão policial e pressão dos
familiares para que retornem ao lar.
Acabou a paz, isto aqui vai virar o Chile
Direção: Carlos Pronzato. Brasil, 2016. DVD (60 min).
Por meio de imagens de arquivo e relatos de participantes e pesquisadores, o documentário analisa a
mobilização estudantil de 2015, em São Paulo, e revela características do movimento e seu impacto na
organização das escolas públicas do estado.
Maio de 68: o início dos movimentos universitários
TV Cultura. Vídeo (5min40s). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=PNZRlpeMfFo. Acesso
em: 16 set. 2020.
O vídeo, produzido pela TV Cultura, analisa o movimento de maio de 1968 e reflete sobre o desenvolvimento
das manifestações estudantis no período.
O livro da política
Vários autores. Rio de Janeiro: Globo Livros, 2017.
O livro apresenta de forma didática e com muitos recursos visuais algumas das ideias centrais para refletir
sobre a política no mundo contemporâneo. Há análises sobre a divisão dos poderes, as diferentes formas
e regimes de governo e outras informações importantes para entender conceitos relacionados à política.
História do voto no Brasil
Jairo Nicolau. Rio de Janeiro: Zahar, 2002.
Com linguagem didática, o livro apresenta uma breve história do voto no Brasil, analisando o processo de
transformação e extensão do direito ao voto ao longo do tempo e o resultado dessas mudanças na organi-
zação do governo brasileiro.
Cúpula da Juventude pelo Clima
Disponível em: https://www.unenvironment.org/pt-br/events/summit/cupula-da-juventude-para-o-clima.
Acesso em: 8 set. 2020.
Site da Cúpula da Juventude pelo Clima, organizado pela ONU, traz informações sobre a organização, que é
um exemplo de ativismo de jovens no mundo contemporâneo.
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UNIDADE
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1. Com base em sua vivência, quais aspectosda sociedade brasileira você considera de-
mocráticos e em quais ainda precisamos
avançar?
2. De acordo com seu ponto de vista, o que signi-
fica exercer a democracia no espaço escolar?
Organização
do Estado
Liberdade de opinião e de expressão e
participação política por meio de eleições não
são elementos suficientes para caracterizar
um regime democrático. A democracia tem
a função de assegurar o exercício dos direitos
humanos, possibilitando a todos os cidadãos
o acesso à educação, ao trabalho e a condi-
ções dignas de vida, devendo ainda promover
e garantir o respeito às diferenças étnicas, de
gênero e religiosas, entre outras.
O racismo, o preconceito, a intolerância, as
desigualdades sociais, o desrespeito pela reli-
gião do outro são atitudes que colocam em
risco a existência de Estados democráticos.
Nesta unidade vamos conhecer o processo
histórico que resultou na formação dos
Estados nacionais e refletir sobre a importân-
cia de lutar por uma sociedade democrática.
4
NÃO ESCREVA
NO LIVRO
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ACERVO MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO ASSIS CHATEAUBRIAND, SÃO PAULO
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■ Maxwell Alexandre (Rio de Janeiro, Brasil [Brazil],
1990). Éramos as cinzas e agora somos o fogo,
da série Pardo é papel, 2018. Látex, graxa, henê,
betume, corante, acrílica, vinílica, grafite, caneta
esferográfica, carvão e bastão oleoso sobre
papel pardo, 318,7 cm x 480 cm. Acervo Museu
de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand.
Doação Alfredo Setubal, Heitor Martins e Telmo
Porto, no contexto da exposição Histórias
afro-atlânticas, 2019. MASP.10813. Foto MASP.
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CAPÍTULO
7 A organização do Estado
“Eu não gosto de política.” É provável que você já tenha ouvido
alguém dizer essa frase, justificando-a com argumentos como “política
é chata” ou “prefiro não me envolver com política”. O que ganhamos –
ou perdemos – nos distanciando da política?
Se nós não participarmos da política, outros o farão em nosso lugar
e decidirão por nós. É por meio da ação política que os cidadãos ou
seus representantes discutem ideias, expõem argumentos e decidem
por uma ou outra proposta.
Um elemento essencial para entender como ocorre a participação
política é o estudo da organização do Estado. No Brasil, por exemplo,
existem diversas instituições das quais os cidadãos podem participar.
Para isso, é muito importante conhecer como o Estado está organizado
e quais são as funções de cada instituição.
Este capítulo aborda a organização do Estado a partir de uma
breve contextualização histórica da emergência do Estado centralizado,
seguida de uma discussão a respeito da organização do Estado brasi-
leiro, destacando as principais instituições que administram o país.
Finalmente, uma análise sobre o processo de construção das nações
e sobre a luta das nações sem Estado por sua emancipação política no
mundo contemporâneo permite uma reflexão crítica sobre o Estado
atual e sobre as diferentes formas de participar da política.
Consultar as Orientações para o professor para obter mais informações sobre o capítu-
lo e sobre o trabalho com as atividades.
CRIS FAGA/NURPHOTO/GETTY IMAGES
■ O Estado está presente
em diversas situações
da nossa vivência em
sociedade, como nos
transportes públicos.
Na foto, passageiros
aguardam embarque
em trem do metrô de
São Paulo (SP), 2019.
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A gênese do Estado moderno
Atualmente, o território brasileiro é administrado por um Estado
centralizado. Isso significa que existem diferentes instituições, como
tribunais e assembleias, com funções que se combinam para assegurar
a administração de vários aspectos da vida em sociedade.
No mundo contemporâneo, quase toda a população está orga-
nizada em Estados. Assim como o Brasil, outros países constituem
Estados formados por instituições responsáveis pela administração
de seus territórios.
Algumas nações não possuem Estado, como é o caso dos curdos e
dos palestinos. Esses povos lutam pelo direito de constituir seus pró-
prios Estados para assegurar seus direitos.
Atualmente, temos a tendência de considerar natural a existência de
Estados, como se essa fosse a única forma possível de viver em socie-
dade. Será que essa ideia tem fundamento?
Os Estados tal qual conhecemos hoje foram criados em um período
histórico determinado. Eles nem sempre existiram e não é possível afirmar
que sempre existirão. Muitas sociedades humanas se organizaram e ainda
se organizam sem a presença de instituições administrativas centralizadas.
O Estado centralizado foi uma invenção que teve origem nas amplas
transformações sociais ocorridas nas sociedades europeias a partir do
final da Idade Média (476-1453), entre as quais se destaca o advento do
capitalismo. Por isso, compreender o processo de formação do Estado é
muito importante para entender a maneira como vivemos no presente
e refletir sobre o funcionamento do capitalismo e seu impacto sobre a
vida das pessoas.
■ Mulheres participam
da marcha "Juntos
por uma sociedade
palestina com justiça
social e igualdade",
na Faixa de Gaza, em
março de 2019.
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O fortalecimento da autoridade dos reis
A formação dos primeiros Estados centralizados ocorreu na Europa, na passagem da Idade
Média para a Idade Moderna (1453-1789). Durante parte da Idade Média, a maioria das regiões
europeias se organizava segundo o sistema feudal.
Nesse sistema, não havia uma autoridade capaz de exercer total controle sobre amplos ter-
ritórios. O senhor feudal, como era chamada a principal autoridade, exercia o domínio sobre as
terras chamadas de feudos e tinha poderes para determinar as leis e a cobrança de tributos.
O senhor feudal era também a principal liderança militar nessa sociedade, pois era respon-
sável pela defesa do feudo. A Europa era dividida em inúmeros feudos, por isso a autoridade
era fragmentada. Os reis exerciam um papel secundário, pois não eram capazes de impor sua
autoridade aos senhores feudais.
No século X, esse modelo de sociedade estava consolidado em importantes regiões da Europa.
Em um processo lento e gradual, os reis começaram a fortalecer sua autoridade, provocando o
colapso do feudalismo.
Por meio de alianças militares com nobres e comerciantes que viviam nas cidades medievais,
os chamados burgos, os reis conseguiram recursos para ampliar suas forças militares, o que pos-
sibilitou a organização de guerras contra senhores feudais que se opunham aos monarcas.
Os recursos financeiros dos burgueses, como eram chamados os moradores dos burgos, foram
decisivos nesse processo. O fortalecimento dos reis interessava aos comerciantes, já que isso facilitava
o comércio de longa distância na Europa e nas regiões vizinhas. Além disso, os reis criavam leis que
favoreciam a burguesia, padronizando moedas e impostos.
■ D'WAVRIN, J. Batalha de Aljubarrota. In: CHRONIQUE d 'Angleterre (Volume III). S. Holanda (Bruges), final
do século XV. A iluminura medieval representa a batalha que marcou o fim da Revolução de Avis e o início da
Dinastia de Avis.
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Os primeiros Estados
centralizados: as
monarquias nacionais
O processo de fortalecimento dos reis deu origem, entre os séculos
XIV e XVI, às primeiras monarquias nacionais, como Portugal, Espanha,
França e Inglaterra.Esses monarcas conseguiram submeter os senho-
res feudais à sua autoridade e impor seu domínio sobre grandes
áreas territoriais.
Uma característica fundamental desses Estados centralizados é a exis-
tência de um conjunto de instituições administrativas estatais que regulam
a sociedade.
Essas instituições detêm três
prerrogativas fundamentais:
a criação de leis, o estabeleci-
mento dos tributos e o direito
do exercício da força legítima.
Isso significa que as institui-
ções estatais são as únicas que
podem criar as leis que regem
a vida dos habitantes de um
território. Além disso, são res-
ponsáveis por determinar quais
tributos devem ser pagos pela
população.
Finalmente, o mais impor-
tante é que as instituições
estatais controlam o monopólio da violência legítima, ou seja, é o
Estado que determina se uma violência é legítima ou não. Segundo
esse princípio, a repressão de uma revolta, por exemplo, pode resultar
na morte legítima dos revoltosos, porém, se um indivíduo assassina
outro, sem autorização do Estado, ele comete uma ação ilegítima, isto
é, um crime.
Esse modelo de Estado se expandiu ao redor do planeta nos
séculos seguintes, tornando-se a principal referência de organização
administrativa de territórios.
■ BRUEGHEL, P. O
cobrador de
impostos. 1616.
Óleo sobre madeira,
75 cm × 125 cm.
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> MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• O modelo de Estado que conhecemos nos dias de hoje tem suas origens na aliança entre os reis e
a burguesia, que atendia aos interesses de ambos os grupos. Do seu ponto de vista, na atualidade,
os Estados estão a serviço de todos ou apenas de grupos específicos? Discuta essa questão com
seus colegas e formule argumentos baseados em exemplos concretos.
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Leia trechos da entrevista do professor Sérgio Adorno, coordenador do
Núcleo de Estudos da Violência (NEV), ao Conselho Nacional de Justiça e
depois responda às questões:
[...] “Eu acho que nós precisamos conquistar o monopólio estatal da
violência no Brasil, que nunca foi efetivamente conquistado. Quando você
tem policiais, por exemplo, agindo em grupos de extermínio, você não tem
monopólio. Se o policial está do lado do crime, então o monopólio estatal
não existe. Isso sem falar em questões tradicionais como, por exemplo,
de exércitos particulares no campo para conter conflitos rurais. Então o
espectro de privatização da violência é muito grande no Brasil” [...].
[...] “Eu vejo isso (monopólio estatal da violência) como positivo; é um
avanço das sociedades ocidentais. Agora, o problema é o controle que a
sociedade civil deve ter sobre os eventuais abusos dos agentes do Estado
no exercício do monopólio estatal da violência” [...].
[...] “eu acho que uma fiscalização, não só da corregedoria da polícia,
que é uma corregedoria interna, como uma fiscalização externa, no caso
o Ministério Público, [...] é fundamental para erradicar o problema dos
maus-tratos, sobretudo da tortura, que ainda é um problema das prisões
brasileiras, sobretudo nas cadeias públicas”.
[...] “É preciso pensar a questão do monopólio também pensando num
modelo de Justiça que seja eficiente e eficaz, que possa estar presente, que
as pessoas, ao verificarem que a Justiça e a polícia cumprem suas funções
dentro do estado de direito, ou seja, cumprem a lei sem o uso abusivo da
força, elas comecem a confiar nas instituições, ou passem a confiar mais
nas instituições, e a Justiça possa, de fato, prevalecer” [...].
VASCONCELLOS, J. Fonape: Falta de confiança no Estado incentiva criminalidade, diz professor. JusBrasil,
2016. Disponível em: https://cnj.jusbrasil.com.br/noticias/307592966/fonape-falta-de-confianca-no-estado-
incentiva-criminalidade-diz-professor. Acesso em: 4 ago. 2020.
1. O intertítulo deste capítulo, “A gênese do estado moderno”, aponta como uma
das características do Estado moderno a existência de diferentes instituições
que se combinam para assegurar a administração. Com base na entrevista de
Sérgio Adorno, exemplifique a afirmação.
2. “Se o policial está do lado do crime, então o monopólio estatal não existe.”
Explique o que você entendeu dessa frase. Segundo o seu entendimento,
Sérgio Adorno estaria se colocando contra a ação da polícia? Apresente
argumentos.
3. Outro problema que o texto aponta é a questão dos maus-tratos e das torturas
que ocorrem nas prisões brasileiras, perpetrados por agentes do Estado. Com
base na fala do professor Sérgio Adorno e nas informações do capítulo 4,
sobre Direitos Humanos, por que podemos dizer que essa não é uma prática
correta?
Monopólio estatal
da violência
Ideia de que apenas
o Estado centralizado
pode legitimamente
utilizar a violência
para manter a
ordem social.
Corregedoria
da polícia
Órgão da polícia
que tem a função
de avaliar possíveis
crimes cometidos
por policiais.
DIÁLOGOS> LINGUAGENS E LEITURAS> NÃO ESCREVA NO LIVRO
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A organização do
Estado brasileiro
A organização do Estado brasileiro segue o modelo geral de Estado
centralizado, no qual existem diferentes instituições responsáveis pela
administração do território.
No caso do Estado brasileiro, trata-se de uma república federativa.
Isso significa que as unidades que compõem o Estado são autônomas,
mas estão subordinadas a uma entidade central.
A federação brasileira está dividida nos seguintes
entes federados: os estados, o Distrito Federal, os
municípios e a União. O Brasil conta atualmente
26 estados e o Distrito Federal. Em 2020, havia no
país 5 570 municípios.
Cada ente da federação possui autonomia
para regulamentar diferentes aspectos da admi-
nistração, desde que essa autonomia respeite a
Constituição federal de 1988. Assim, a União, um
estado ou um município não podem estabelecer
leis ou medidas que contrariem as determina-
ções gerais da Constituição.
A autonomia de cada ente da federação se expressa no estabele-
cimento de regras para a cobrança de tributos, já que existem tributos
municipais, estaduais e federais (da União), e na possibilidade de criação
de leis próprias ou mesmo no exercício da violência legítima por meio
das forças armadas (União) e das forças de polícia (estados e municípios).
Como vimos no capítulo 5, o governo brasileiro está organizado
segundo o princípio da divisão dos poderes. Assim, cada ente da federa-
ção conta com diferentes instituições que promovem a divisão de suas
atribuições, visando assegurar a administração democrática do território.
Conhecer e compreender o papel dessas instituições é muito importante
para todos os cidadãos, já que é uma forma de entender as possibilidades
e limites de transformar a realidade de cada instituição. O infográfico a
seguir apresenta as linhas gerais de organização do Estado brasileiro.
■ O menos populoso dos
5 570 municípios brasi-
leiros, com apenas 781
habitantes, segundo
estimativa feita pelo
IBGE em 2019, é Serra
da Saudade (MG). Foto
de 2020.
ANNA LÚCIA SILVA/G1
> DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Como vimos, o município é um dos componentes da república federativa brasileira. Leia o artigo
30 da Constituição, que trata das competências dos municípios. Em seguida, organize grupos para
pesquisar como seu município atende a essas competências. Ao final, cada grupo deverá fazer uma
exposição oral sobre o tema pesquisado.
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NÃO ESCREVA
NO LIVRO> LEITURA DE IMAGEM
• Com base no infográfico e em seus conhecimentos, como você consideraa divisão dos poderes no
Brasil? Por exemplo, existe alguma atribuição que você acredita que deveria ser incumbência de
outro poder? Ou algum aspecto que você não vê representado?
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É a partir dessa estrutura geral que o Estado brasileiro se organiza e exerce
a administração do território nacional. Cada ente da federação desempenha um
papel próprio na construção de políticas públicas e na organização de múltiplas
instituições que asseguram direitos básicos aos cidadãos.
Um exemplo disso é a organização do sistema escolar público no Brasil. Esse
sistema está distribuído entre os entes da federação de modo a assegurar aos cida-
dãos a possibilidade de realizar sua formação desde os anos iniciais da Educação
Básica até o Ensino Superior.
É por essa razão que é importante conhecer a dinâmica de funcionamento de
todos os entes da federação. Quando há falta de vagas na Educação Básica, por
exemplo, os cidadãos podem pressionar as autoridades municipais, já que elas são
encarregadas de assegurar esse direito a todos.
Os entes da federação, porém, não são inteiramente autônomos e muitas vezes
as políticas públicas passam por diversos deles. O financiamento da Educação Básica
não é feito apenas com recursos municipais, mas conta também com o Fundo de
Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais
da Educação (Fundeb).
Criado em 2005, esse fundo conta com recursos de todos os entes da federação e
é administrado pela União. Assim, para assegurar a qualidade das escolas municipais,
os cidadãos também podem pressionar a União para ampliar os recursos do fundo.
Esse exemplo demonstra como a estrutura do Estado centralizado está direta-
mente relacionada com a vida cotidiana de todos os cidadãos, já que os recursos
públicos fundamentais para o exercício da cidadania circulam pelas diversas insti-
tuições públicas e as afetam.
■ Alunos do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Mato Grosso (IFMT) parti-
cipam de aula no laboratório de Física do 2o ano do Ensino Médio em técnico de informática.
Pontes e Lacerda (MT), 2018.
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Estado-nação e
nações sem Estado
Nações e nacionalismo
Os Estados centralizados administram um território formado por um
povo que compartilha tradições e costumes e possui uma história em
comum. Por isso, esse povo recebe o nome de nação.
O Estado-nação é um desdobramento do processo
de formação dos Estados centralizados. Durante a Idade
Média, uma pessoa que vivia no norte do atual território da
França e outra que vivia no sul desse mesmo território não
se imaginavam como membros da mesma nação.
O processo de construção dos Estados centralizados foi
acompanhado por ações como a construção de estátuas, a
produção de pinturas, a composição de hinos nacionais, o
registro de narrativas folclóricas e de outras tradições que
representariam o conjunto dessa população. Desse modo,
os membros do Estado passaram a se identificar como
membros da mesma nação. É por isso que os Estados cen-
tralizados também são chamados de Estados-nação.
Esse movimento de construção da ideia de nação
ganhou mais força a partir do século XIX, quando o nacio-
nalismo se tornou uma forma de pensamento importante
em diferentes partes do mundo. Como explica o histo-
riador Eric Hobsbawm (1917-2012), o nacionalismo é um
pensamento que defende que a unidade política de um
território deve corresponder à unidade de uma nação.
Indivíduos e grupos inspirados por ideias nacionalistas passaram
a lutar pelo direito de criar Estados sob o controle de nações que até
então se encontravam sob o domínio de outras nacionalidades.
Muitas vezes, o nacionalismo inspira ações que enxergam outras
nacionalidades de forma negativa. Assim, o nacionalismo pode ser
usado para defender o direito de uma nação se impor sobre outras
nações, inclusive de forma violenta. Uma das causas da Primeira Guerra
Mundial foi o nacionalismo exacerbado entre os europeus.
■ Cartaz de propaganda
britânica do século
XX, com os dizeres:
“Serviço Nacional.
Defenda sua ilha
da ameaça mais
sombria que sempre
a ameaçou. Todo
homem de 18 a 61 deve
se inscrever hoje”.
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NÃO ESCREVA
NO LIVRO> LEITURA DE IMAGEM
• O nacionalismo foi um dos fatores que resultaram na Primeira Guerra Mundial, um conflito que
durou de 1914 a 1918 e matou mais de 8 milhões de pessoas. A propaganda foi bastante utilizada
para mobilizar as pessoas. Observe a imagem desta página e busque identificar elementos de
exaltação do nacionalismo.
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Nacionalismo e conflitos
contemporâneos
A base do nacionalismo é a ideia de que a nação tem o direito de
criar seu próprio Estado. Essa ideia incentivou movimentos variados,
como a formação da Itália e da Alemanha (que somente se tornaram
Estados centralizados no final do século XIX) e a emancipação das colô-
nias africanas e asiáticas ao longo do século XX.
No mundo contemporâneo, ocorrem diversos conflitos e tensões
envolvendo diferentes povos que reivindicam a criação de um Estado,
como curdos e palestinos, no Oriente Médio; bascos, catalães e ciganos,
na Europa; chechenos, no Cáucaso; tibetanos, na Ásia Meridional.
Há, contudo, Estados multinacionais onde vive mais de uma nação,
como é o caso da Federação Russa, que possui territórios historica-
mente habitados por povos de distintas origens, culturas e tradições. Há
também nações que se espalham por diversos Estados, como os curdos.
Entretanto, como vimos, o nacionalismo pode dar origem a posturas
violentas contra outras nações, resultando em práticas de xenofobia,
racismo e intolerância, o que pode causar conflitos entre nações.
Um exemplo de conflito provocado pela luta de uma nação sem
Estado é o que ocorre na região da Palestina, no Oriente Médio.
■ A xenofobia é algo que coloca o mundo em perigo. Participantes da 13a Marcha dos Imigrantes e Refugiados,
organizada pelo Centro de Apoio e Pastoral do Migrante (CAMI), exibem faixas na avenida Paulista. São Paulo
(SP), 2019.
Xenofobia
Segundo a ONU,
xenofobia é um conjunto
de “atitudes, preconceitos
e comportamentos
que rejeitam, excluem
e frequentemente
difamam pessoas, com
base na percepção de
que eles são estranhos
ou estrangeiros à
comunidade, sociedade
ou identidade nacional”.
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O conflito na Palestina
Os palestinos são uma nação sem Estado que conta mais de 11 milhões de
pessoas. Para compreender o processo de construção da identidade nacional
palestina, é necessário analisar a criação do Estado de Israel.
Motivada pela perseguição religiosa que causou a morte de 6 milhões de
judeus durante a Segunda Guerra Mundial, a Organização das Nações Unidas
(ONU) decidiu, em 1947, criar um Estado judeu na Palestina, estabelecendo a
divisão do território em três partes: Estado de Israel, Estado da Palestina e Cidade
Internacional de Jerusalém, considerada sagrada por judeus e árabes.
Na proposta de partilha da ONU, o Estado árabe e o Estado judeu teriam seus
territórios divididos. A Palestina seria constituída pelas áreas conhecidas como
Faixa de Gaza (oeste) e Cisjordânia (leste). Israel ficaria com o restante do território.
Os palestinos não aceitaram a proposta da ONU. Mesmo assim, em 1948, Israel
declarou sua independência.A presença de um Estado judeu na Palestina não foi aceita pelos demais países
árabes. Egito, Síria, Iraque, Jordânia e Líbano declararam guerra a Israel, um dia após
sua fundação. O conflito, conhecido como Guerra da Partilha, se estendeu de maio
de 1948 a janeiro de 1949, quando chegou ao fim com a vitória de Israel e a ampliação
de seu poder sobre as áreas que seriam destinadas ao Estado palestino. Os palesti-
nos passaram a viver em um território que lhes pertence, mas sem autonomia para
administrá-lo, já que está sob o domínio de Israel.
Desde então, ocorrem conflitos entre palestinos e israelenses. A partir da
década de 1990, foram empreendidas ações para construir um acordo de paz na
região e assegurar os direitos das duas nações. Entretanto, os conflitos retorna-
ram e voltaram a se intensificar nos últimos anos.
O conflito entre israelenses e palestinos se torna mais complexo a cada ano.
Frequentemente, há um motivo ou outro para que recomecem os ataques de
ambas as partes. A paz entre os dois povos, bem como a criação do Estado da
Palestina, continua distante.
> DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Em grupo, busquem informações sobre a existência de estudantes estrangeiros em
sua escola. De forma acolhedora e respeitosa, e sob a orientação do professor, es-
colha um desses estudantes para uma entrevista, que pode ser gravada (com au-
torização). Perguntem como era a vida dessa pessoa em seu país de origem, quais
as razões e expectativas que a fizeram vir para o Brasil, quais as dificuldades que
enfrentou aqui, como são suas relações na escola, entre outras questões. Caso não
haja a presença de estrangeiros na escola, você e seu grupo podem entrevistar
algum que seja morador do município ou buscar o relato de um jovem estrangeiro
que viva no Brasil.
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NÃO ESCREVA
NO LIVROATIVIDADES>
1. O Estado brasileiro é formado por diferentes instituições, responsáveis por diversos
aspectos da coletividade. Ainda assim, todo brasileiro pode participar da política do
país por meio de diversos mecanismos, como voto para eleger seus representantes,
conselhos municipais que cuidam da saúde, educação, entre outros. Em grupo, façam
uma pesquisa sobre a realidade de seu município e avaliem possíveis canais de parti-
cipação. Ao final, juntem todas as informações e produzam um material on-line, que
deve ser enviado à comunidade escolar e às famílias.
2. O nacionalismo pode ser um sentimento positivo quando visa à independência e ao de-
senvolvimento de uma nação, mas também pode ser negativo, quando parte da ideia de
superioridade e incentiva atitudes de dominação, ódio, intolerância e discriminação em
relação a outros povos. Com base em seus conhecimentos, você acredita que o povo bra-
sileiro, de modo geral, tem uma atitude positiva ou negativa em relação a outros povos?
Organize seus argumentos para uma exposição oral, citando exemplos.
3. O primeiro texto reproduzido a seguir é um trecho do preâmbulo da Constituição de
1988. O segundo é um excerto de um artigo de um geó grafo. Após a leitura de ambos
os documentos, responda às questões.
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional
Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exer-
cício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o
desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade
fraterna, pluralista e sem preconceitos [...].
ATIVIDADE Legislativa: Constituição Federal (Texto compilado até a Emenda Constitucional no 99 de 14/12/2017). Brasília, DF:
Senado Federal, 2017. Disponível em: https://www.senado.leg.br/atividade/const/con1988/con1988_14.12.2017/CON1988.asp.
Acesso em: 5 ago. 2020.
[...] os interesses e ações de cada Estado-Nação, investido de poder político pelo
povo nos regimes democráticos, não necessariamente coincidem com os interesses
do povo pertencente a este estado nacional, visto que o poder político apenas inter-
vém de maneira a estabilizar-se no poder, evitando sua transferência para outrem.
Ele pode, porventura, atender a algumas demandas sociais com vistas à manuten-
ção da estabilidade social, mas quando o próprio poder político é composto dos
detentores do capital ou aliam-se ao capital, desenvolvem projetos econômicos de
modo a favorecer o crescimento de ambos por meio da manutenção dos poderes
político e econômico.
[...]
ANTUNES, M. G. Espaço, poder e nação: bases para a Constituição de um Estado-nação. GeoAtos, Presidente Prudente, v. 3, n.
10, p. 5-31, jan.-abr. 2019. Disponível em: https://revista.fct.unesp.br/index.php/geografiaematos/article/viewFile/5893/pdf.
Acesso em: 5 ago. 2020.
a) Segundo o preâmbulo, quais os valores centrais do Estado brasileiro?
b) Em que sentido o segundo documento se contrapõe ao preâmbulo?
c) O segundo documento afirma que “o poder político apenas intervém de maneira
a estabilizar-se no poder, evitando sua transferência para outrem”. Você concorda
com essa afirmação? Justifique.
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COLETA DE DADOS E INFORMAÇÃO
Para a realização desta etapa, sigam as instruções:
1. Dividam-se em grupos de quatro ou cinco integrantes. Cada grupo deve
escolher um jornal ou revista da mídia tradicional, que pode ter circulação
local, estadual ou nacional. O objetivo de cada grupo é verificar se a mídia
escolhida trata do tema fake news, em qual tipo de notícia a fake news é
tratada (notícias internacionais, política, economia, tecnologia, cultura
etc.) e se traz informações aos leitores sobre como identificar e evitar
fake news.
2. Decidam coletivamente o recorte temporal, ou seja, o período que a pes-
quisa irá considerar. Uma possibilidade de recorte temporal é o ano de
2016, quando jornais e revistas do mundo inteiro abordaram as fake news
envolvendo o então candidato à presidência dos Estados Unidos, Donald
Trump, que utilizou informações falsas em sua campanha.
3. Durante a pesquisa, não se esqueçam de anotar os seguintes dados:
• nome do meio de comunicação, periodicidade e abrangência;
• nome do redator, redator-chefe ou responsável pela notícia;
• se a notícia foi consultada em meio impresso ou on-line, como foi feita a
pesquisa, quantas vezes o tema fake news foi mencionado e em quais datas,
o título da notícia na qual o tema foi abordado e qual o posicionamento dessa
mídia com relação às fake news;
• se há informações de como identificar e prevenir fake news e outras infor-
mações que vocês julguem importantes.
4. Na data combinada, cada grupo deve apresentar os resultados obtidos e
estabelecer uma comparação entre o material que foi analisado. Busquem
identificar pontos comuns e diferentes na abordagem do tema nos perió-
dicos pesquisados. Organizem as informações, preferencialmente, de
duas formas: como as mídias tradicionais tratam o tema das fake news e
se trazem informações de como identificá-las e evitá-las.
5. Organizem um debate sobre as informações recolhidas, identifiquem o
que mais chamou a atenção de vocês, em qual tipo de matéria as fake
news foram mais ou menos abordadas e quais foram as consequências
apontadas pelos veículos de comunicação. Pensem coletivamente sobre a
importância do tema e as possíveis formas de conscientizar a comunidade
escolar e a comunidade em que vivem a esse respeito.
6. Por fim, organizados em grupos, busquem na internet sites de verificação
de fake news. Neles, além de orientações claras sobre o tema, é possível
verificar diretamente se determinada notícia é verdadeira ou falsa. Façam
testes com informações recentes que vocês tenham recebido via redes
sociais, observando quais elementos esses sites utilizam ou indicam para
verificar se a notícia é falsa ou não.
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CAPÍTULO
8 A democracia pode morrer?
Segundo a organização internacional Polity Project, em 1985 exis-
tiam em todo o mundo 42 democracias que concentravam 20% da
população do planeta. Em 2015, esse número passou para 103, concen-
trando 56% da população mundial.
Esses dados demonstram um importante crescimento da demo-
cracia no planeta. Entretanto, esse crescimento foi acompanhado pelo
aumento do número de pessoas insatisfeitas com os governos demo-
cráticos. De acordo com uma pesquisa da Universidade de Cambridge,
em 2019, essa porcentagem era de 57,5%, maior índice registrado desde
o início da pesquisa, na década de 1990.
Os pesquisadores atribuem esse crescimento à crise econômica
global e a problemas sociais, como o aumento do número de refugia-
dos, a polarização política e a falta de medidas políticas para melhorar
o nível de vida da população em geral.
Atualmente, o modelo democrático de governo atravessa um
período de crise e tem sido questionado. Entretanto, desde que a demo-
cracia foi inventada na Grécia antiga, ocorrem embates entre grupos da
sociedade que a defendem e outros que se opõem a ela.
Neste capítulo, vamos analisar a história da democracia para enten-
der como esses embates possibilitaram o avanço da democratização de
diversos países no mundo, ao mesmo tempo em que levaram a recuos,
dando origem a regimes autoritários. Além disso, vamos refletir sobre o
risco de que a perda de confiança na democracia resulte em um novo
período de governos autoritários espalhados pelo planeta.
■ Mensagens afixadas
em muro, escritas
por manifestantes
pró-democracia,
reivindicando
autonomia política
e direito ao sufrágio
universal em Hong
Kong (China), em 2014.
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Consultar as Orientações para o professor para obter mais informações sobre
o capítulo e sobre o trabalho com as atividades.
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Origens da democracia
No capítulo 2, vimos que os gregos inventaram a política, uma
forma de lidar com os problemas da comunidade. Cada pólis tinha
suas próprias instituições, que organizavam a prática de discussão e
convencimento de modo a garantir o exercício da política. Por isso,
o mundo grego foi marcado por diferentes formas de governo, entre
as quais a democracia.
O principal modelo democrático da Grécia antiga foi o governo de
Atenas. Por muito tempo, essa pólis foi governada por reis escolhidos
pela aristocracia da cidade. Posteriormente, o sistema monárquico foi
abandonado e substituído por um sistema de assembleias, que conti-
nuaram sob o controle dos aristocratas.
Esse sistema provocou o crescimento das desigualdades sociais, já
que algumas leis prejudicavam os interesses dos mais pobres. Muitos
deles perderam suas terras e propriedades, enquanto outros se sujei-
tavam ao trabalho escravo para pagar suas dívidas com os aristocratas.
A tensão social cresceu entre os séculos VII a.C. e VI a.C., resultando
em conflitos que ameaçaram a estabilidade da pólis. Essa situação
levou alguns legisladores a promover reformas nas leis, como a proi-
bição da escravidão por dívidas.
Foi nesse contexto que um desses legisladores, Clístenes (570
a.C.- 492 a.C.), promoveu uma reforma política importante em Atenas.
Em 508 a.C., o território da
cidade foi dividido em uni-
dades políticas chamadas
demos e os cidadãos passa-
ram a participar da escolha
do governante de cada
demo e a se manifestar
livremente na assembleia
que governava Atenas.
A partir daí, o governo
de Atenas deixou de ser uma
aristocracia e se tornou um
governo dos demos, que
pode ser traduzido como
governo do povo, dando
origem à democracia ate-
niense. Nesse sistema, os
cidadãos da pólis passaram a
participar das decisões polí-
ticas da cidade.
Fonte: DUBY, G. Atlas histórico mundial. Barcelona: Larousse, 2007. p. 34.
Mar Negro
OCEANO
ATLÂNTICO
Mar Mediterrâneo
0°
40° N
Mar do
Norte
PENÍNSULA
IBÉRICA
Málaga
Emeroscópio
Ampúrias
Agde
Massília
(Marselha)
Olbia
Nice
Alália
Cumas
Pitecusa
Nápoles
Tarento
Pesto Síbaris
CrotonaMessina
Locri
Reggio
Naxos
Agrigento
Gela Catânia
Siracusa
Epidamo
Apolônia
Mégara Tebas
Lêucade Cálcide
AtenasCorinto
Argos
Esparta
Cnossos
Macedônia
Potideia
Cirene
Náucratis
EGITO
FENÍCIA
Ásia Menor
Aspendo
Rodes
Mileto
Samos
Foceia
Lâmpsaco
Cízico
Bizâncio
Apolônia
Odessa
Istro
Heracleia
Sinope
Amiso
Dioscúridas
Quersoneso
Tanais
Mar
Tirreno
M
ar Adriático
Mar
Jônico
Mar
Egeu
Cidades da Grécia antiga
Territórios colonizados
0 435
Cidades gregas e territórios
colonizados, séculos IX a.C. a VI a.C.
Demo
Termo comumente
traduzido como conjunto
de indivíduos que vivem
em uma comunidade,
povo, também tem o
significado de terra,
território; divisão admi-
nistrativa criada na antiga
sociedade ateniense e
generalizada por toda
a Grécia nos tempos
modernos.
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Os limites da democracia ateniense
Atualmente, o conceito de democracia pressupõe a participação de
todos, mas por muito tempo a participação política esteve restrita a
alguns cidadãos.
Na antiga Grécia, grande parte da população não pertencia ao
grupo dos cidadãos. Apenas os homens livres atenienses eram conside-
rados cidadãos. As mulheres, os estrangeiros e os escravizados estavam
excluídos do direito à cidadania. Segundo estimativas, de um total de
400 mil pessoas que viviam em Atenas no século V a.C., apenas 40 mil
eram consideradas cidadãs.
Espinosa: uma defesa radical
da democracia
Na história do pensamento filosófico ocidental, o regime demo-
crático foi visto de forma crítica durante séculos. Até mesmo alguns
pensadores gregos não consideravam a democracia a melhor forma
de governo possível. Para Aristóteles (385 a.C.-323 a.C.), por exemplo,
uma sociedade na qual todos participassem do governo resultaria em
desordem, sob risco de esse governo se transformar em uma tirania.
Essa concepção crítica da democracia foi hegemônica no Ocidente
até a Idade Moderna (1453-1789). Um dos primeiros a se afastar da tradição
ocidental que enxergava a democracia com desconfiança para defendê-la
como elemento fundamental na garantia da liberdade e do bem-estar de
todos foi o filósofo holandês Bento de Espinosa (1632-1677).
Espinosa considerava a democracia o regime de governo que mais
se aproximava da condição natural dos seres humanos, uma vez que
ela assegura a liberdade dos indivíduos, permitindo a todos manter sua
potência de agir e criar um corpo coletivo (o governo) capaz de expres-
sar os interesses e as necessidades individuais.
Tirania
Governo de um tirano,
que comanda segundo
sua vontade, ignorando
as leis.
■ Manifestantes em
defesa da democracia,
em São Paulo (SP) 2020.
ANTONIO MOLINA/FOTOARENA
130
D3-CH-EM-3075-V2-U4-C8-128-145-LA-G21-AVU1.indd 130D3-CH-EM-3075-V2-U4-C8-128-145-LA-G21-AVU1.indd 130 16/09/20 21:4616/09/20 21:46
As revoluções do século XVIII:
a disseminação
dos ideais democráticos
As ideias de Espinosa e de outros pensadores dos séculos XVII e
XVIII inspiraram diferentes indivíduos e grupos sociais a lutar contra as
estruturas do Antigo Regime, abrindo caminho para revoluções que
deram origem a novos governos democráticos.
A Revolução Francesa e os movimentos de independência dos
Estados Unidos, do Haiti e, posteriormente, de outras colônias america-
nas provocaram a queda de monarquias e impulsionaram a organização
de repúblicas democráticas na América e na Europa.
Esses governos ainda eram marcados pelaideia de que a democra-
cia não implicava a participação de todos. A democracia estadunidense,
por exemplo, que se constituiu a partir da independência das colônias
inglesas em 1783, promoveu diferentes formas de exclusão dos escravi-
zados e negros.
Ao longo do século XIX, vários grupos sociais se organizaram para
reivindicar participação política nas democracias. Em muitos países
da Europa e da América, houve luta pela inclusão das mulheres, dos
negros e dos mais pobres, estendendo a esses segmentos da população
o direito ao sufrágio. A democracia foi se consolidando progressiva-
mente como um modelo de governo associado à participação de todos
e como a melhor forma de organizar o Estado.
> MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Em grupo, discutam a seguinte afirmação: “A democracia é muito mais do
que o sufrágio universal”. Vocês concordam com essa afirmação? Por quê?
■ Suffragettes caminham
pela rua portando
cartazes que
reivindicam o voto para
as mulheres. Londres
(Inglaterra), 1912.
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Antigo Regime
Período da história euro-
peia que vai do século XV
até a Revolução Francesa
(1789), marcado por
monarquias que centrali-
zavam o poder nas mãos
do rei ou do imperador.
131
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Democracia no século XX
A democracia se disseminou lentamente ao longo do século XIX.
Apesar do temor por parte de setores das elites de que a inclusão polí-
tica da população mais pobre pudesse provocar revoluções sociais, os
movimentos organizados em diversas partes do mundo resultaram em
reformas democratizantes em muitos países.
Na década de 1870, França, Alemanha, Suíça, Dinamarca e Inglaterra
já haviam instituído sistemas eleitorais com sufrágio universal mascu-
lino. Embora ainda estivesse distante da noção atual de democracia,
representou um avanço importante nos direitos políticos. A Inglaterra
promoveu reformas democráticas entre 1867 e 1883 que elevaram o
número de votantes de 4% da população para 29%.
Na Bélgica, uma grande
greve, ocorrida em 1893, fez
a população com direito ao
voto saltar de 3,9% para 37,3%
em 1894. Ainda mais radical
foi o salto da Finlândia: após
um movimento revolucioná-
rio, o país assegurou o direito
de voto a 76% dos indivíduos
adultos do país em 1905.
Fora da Europa, no início
do século XX, já existiam
sistemas democráticos con-
solidados nos Estados Unidos,
na Austrália, na Nova Zelândia
e na Argentina. Nesse período,
o sistema democrático no
Brasil era extremamente limitado: menos de 10% da população brasi-
leira participava das eleições.
No México, uma revolução iniciada em 1910 deu origem a uma nova
Constituição, que ampliou de forma considerável o direito ao voto mas-
culino, incluindo setores populares.
Esses dados demonstram um claro avanço do sufrágio masculino no
início do século XX, mas o voto feminino avançou mais lentamente. A Nova
Zelândia foi o primeiro país a garantir às mulheres o direito ao voto, em
1893. Esse direito foi legalizado na Austrália em 1902 e na Finlândia em 1906.
Apenas a partir da década de 1920, porém, o sufrágio feminino começou
a se expandir pelo mundo. No Brasil, isso ocorreu na década de 1930 e na
Suíça, somente na década de 1970.
■ Mulheres carregam
faixa com os dizeres
"Mulheres na luta
por vida digna"
durante manifestação
realizada no Dia
Internacional da
Mulher, no centro do
Rio de Janeiro (RJ),
em 2020.
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O fascismo e a crise da democracia
No período entreguerras (1918-1939), diversos países foram marcados
pela formação de regimes autoritários.
Na Europa, em 1926, Portugal sofreu um golpe de Estado que
interrompeu o processo de democratização do país. Na Espanha, um
golpe militar em 1939 derrubou o governo democrático e instaurou
uma ditadura.
Na América, muitos países passaram por golpes que interromperam
a democracia. O Brasil, por exemplo, foi governado de forma autoritária
por Getúlio Vargas entre 1937
e 1945. Na Argentina, ocorre-
ram golpes militares em 1930 e
1943, fragilizando a democra-
cia do país.
O principal sinal de crise
da democracia no período,
porém, foi a formação de
governos fascistas na Itália e na
Alemanha. Benito Mussolini,
líder do Partido Fascista, e
Adolf Hitler, líder do Partido
Nazista, tomaram o poder
nesses países nas décadas de
1920 e 1930, respectivamente.
Esses governos represen-
taram as formas mais radicais de regimes autoritários, marcados pela
forte concentração de poderes nas mãos de um pequeno grupo e pela
rigorosa repressão política e policial, que passou a afetar a vida de todos
os cidadãos.
Para evitar oposições, os meios de comunicação foram censurados,
os partidos políticos, proibidos, e muitas pessoas foram perseguidas e
enviadas a prisões políticas. Na Alemanha nazista, os campos de con-
centração foram criados, primeiramente, para receber presos políticos,
como socialistas e comunistas. Depois foram usados para aprisionar
judeus, que eram perseguidos e exterminados em nome do regime.
Campo de
concentração
Espaço de confinamento
no qual prisioneiros eram
submetidos a múltiplas
violências, inclusive
tortura e assassinato.
■ Grupo de judeus
é escoltado por
soldados da SS
nazista em direção
a um campo de
concentração,
sob o olhar de
curiosos. Berlim
(Alemanha), 1934.
> DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• O nazismo e o fascismo foram pioneiros no desenvolvimento de propagandas voltadas às massas,
procurando incutir na população a defesa incondicional da pátria, o amor à hierarquia e o ódio aos
adversários do regime. Em sua opinião, esse tipo de propaganda ainda encontra espaço nos dias
de hoje? Justifique sua resposta.
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A retomada da democratização no pós-guerra
Os regimes fascistas também foram marcados por grande belicismo, utilizando a guerra
como uma forma de consolidar o poder e expandir as forças do Estado. Durante a Segunda
Guerra Mundial (1939-1945), as forças da Alemanha nazista e da Itália fascista ocuparam grande
parte da Europa, provocando o fim dos regimes democráticos de países como França, Bélgica
e Holanda, entre outros.
Os regimes fascistas foram derrotados ao final da Segunda Guerra Mundial, o que pos-
sibilitou a retomada do processo de democratização do planeta. Todos os países da Europa
ocidental adotaram governos democráticos com sufrágio universal. O mesmo não ocorreu
na Europa oriental, cujos países se tornaram zona de influência do governo comunista da
União Soviética.
Ainda no contexto do pós-guerra, teve início o processo de emancipação das colônias
europeias na África e na Ásia. Esse processo deu origem a diversos governos democráticos
nesses continentes, ainda que conflitos sociais e guerras civis tenham inviabilizado a conso-
lidação imediata de democracias em diversos países que conquistaram sua independência.
A América Latina também passou por um processo de redemocratização, como é o caso do
Brasil a partir de 1945. Entretanto, especialmente a partir da década de 1960, conflitos sociais
e políticos resultaram na formação de ditaduras civis-militares em vários países dessa região.
■ Mapa da Europa
no pós-guerra.
Fonte: DUBY, G. Atlas histórico mundial. Barcelona: Larousse, 2007. p. 298.
Zonas de influência na Europa,
após a Segunda Guerra Mundial
ISLÂNDIA
IRLANDA
REINO
UNIDO
PORTUGAL
ESPANHA
FRANÇA
PAÍSES
BAIXOS
BÉLGICA
REPÚBLICA
FEDERATIVA
DA
ALEMANHA
REPÚBLICA
DEMOCRÁTICA
ALEMÃ POLÔNIA
SUÍÇA ÁUSTRIAIUGOSLÁVIA
ITÁLIA
ROMÊNIA
BULGÁRIA
ALBÂNIA
HUNGRIA
UNIÃO SOVIÉTICA
GRÉCIA
TURQUIA
LUXEMBURGO
DINAMARCA
NORUEGA
SUÉCIA FINLÂNDIA
TCHECOSLOVÁQUIA
ÁSIA
Mar Negro
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Mar
do
Norte50º N
Mar Mediterrâneo
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Círculo Polar Ártico
OCEANO
ATLÂNTICO
0º
0 375
União Soviética
Países do Leste Europeu
Europa ocidental capitalista
Bloco comunista
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ISLÂNDIA
IRLANDA
REINO
UNIDO
PORTUGAL
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FRANÇA
PAÍSES
BAIXOS
BÉLGICA
REPÚBLICA
FEDERATIVA
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REPÚBLICA
DEMOCRÁTICA
ALEMÃ POLÔNIA
SUÍÇA ÁUSTRIA
IUGOSLÁVIA
ITÁLIA
ROMÊNIA
BULGÁRIA
ALBÂNIA
HUNGRIA
UNIÃO SOVIÉTICA
GRÉCIA
TURQUIA
LUXEMBURGO
DINAMARCA
NORUEGA
SUÉCIA FINLÂNDIA
TCHECOSLOVÁQUIA
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Mar Mediterrâneo
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Círculo Polar Ártico
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União Soviética
Países do Leste Europeu
Europa ocidental capitalista
Bloco comunista
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Abaixo, duas produções artísticas abordam a questão da democracia.
A primeira produção é uma tira em quadrinhos da Mafalda, personagem criada em 1964 pelo
cartunista argentino Quino, cujas histórias foram publicadas até 1973. A outra é uma pintura do
artista canadense Chris Harris, intitulada Democracia vê a si própria. Essa obra faz parte de uma
série de pinturas que o artista chamou de Guerra – Propagando a democracia.
O nome da série foi inspirado em uma frase do então presidente estadunidense George W.
Bush, que afirmou, em 2003, que a invasão do Iraque por tropas dos Estados Unidos era uma
forma de propagar a democracia pelo mundo.
Analise os dois documentos com atenção e responda ao que se pede:
DIÁLOGOS> LINGUAGENS E LEITURAS>
■ HARRIS, C.
Democracia vê
a si própria. s/d.
Acrílico sobre tela,
60 cm X 84 cm.
1. A tirinha da Mafalda e a pintura de Harris apresentam duas representações distintas de uma mesma
ideia. Explique essas representações e identifique como elas se manifestam nas obras.
2. Em sua opinião, quais foram as intenções de Quino e de Harris ao produzirem esses trabalhos?
3. Que sensações você teve ao ler a tira da Mafalda? E após ver a pintura de Harris? Foram sensações
semelhantes ou diferentes? Compartilhe suas experiências com os colegas.
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QUINO. Toda Mafalda.São Paulo: Martins Fontes, 1992. p. 415.
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A democracia e o
sistema internacional
A partir do pós-guerra, o ideal democrático se expandiu pelo mundo,
mas isso não significa que o período apresentou um crescimento cons-
tante e que a democracia não passou por crises. Na realidade, como vimos,
esse processo foi marcado por avanços e recuos. Para melhor compreen-
são, é importante analisar o mundo bipolar que se formou nesse contexto.
O impacto dos conflitos do
mundo bipolar no processo
de democratização
Com o final da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos e a
União Soviética tornaram-se duas potências globais que passaram a
disputar o controle geopolítico do planeta. Por essa razão, o pós-guerra
inaugurou o chamado mundo bipolar e o período que ficou conhecido
como Guerra Fria.
A disputa entre as duas potências pelo controle de regiões do
planeta, visando transformá-las em zonas de influência, em muitos
casos resultou em conflitos militares indiretos.
A Guerra da Coreia (1950-1953) e a Guerra do Vietnã (1959-1975), por
exemplo, foram conflitos nos quais forças estadunidenses tentaram
impedir a formação de regimes comunistas na Ásia. Já a Guerra do
Afeganistão (1979-1989) foi um conflito no qual forças soviéticas inva-
diram o país asiático para assegurar o controle do território por um
governo soviético.
Esses conflitos causaram desestabilizações regionais e ameaçaram a
liberdade de nações, que não podiam estabelecer livremente seus siste-
mas de governo. Entretanto, não foram apenas os conflitos militares que
ameaçaram o processo de democratização nesse período.
Estados Unidos e União Soviética apoiaram
movimentos organizados em diversos países
para derrubar governos democráticos visando
à constituição de regimes alinhados aos inte-
resses dessas potências. Na América Latina, por
exemplo, vários golpes militares que derruba-
ram governos democraticamente eleitos foram
apoiados pelos Estados Unidos.
Na África, as duas potências também
apoiaram movimentos pró-comunistas e
anticomunistas, o que gerou instabilidade e
alimentou conflitos sociais e guerras civis.
■ Crianças sul-
-vietnamitas observam
a passagem de um
comboio de tanques
blindados do Exército
dos Estados Unidos
por uma estrada
de terra próxima a
Saigon (Vietnã),
década de 1960.
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Organismos internacionais e o
processo de democratização
Os conflitos do período da Guerra Fria demonstram como o poder
político-militar exercido pelas duas potências funcionou muitas vezes
como fator limitador do processo de democratização, enfraquecendo
movimentos e grupos sociais que lutavam por participação política e
pela consolidação de regimes efetivamente democráticos.
Uma das decisões dos países vitoriosos ao final da Segunda Guerra
Mundial foi a criação de uma organização internacional que teria a fina-
lidade de promover a paz mundial e o progresso de todas as nações.
Assim nasceu, em 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU).
Como vimos na unidade 2, a ONU teve um papel importante na
disseminação dos direitos humanos pelo planeta. Além disso, essa
instituição contribuiu para fortalecer a luta pela democracia e pela par-
ticipação política no mundo. Um exemplo foi a criação da Convenção
sobre os Direitos Políticos da Mulher, de âmbito internacional, estabe-
lecida pela ONU em 1952.
Esse documento ajudou a introduzir o sufrágio feminino em países que
ainda não reconheciam esse direito e consolidou a ideia de que homens e
mulheres de todo o mundo devem ter os mesmos direitos políticos.
Assim como essa convenção, a ONU e outros organismos inter-
nacionais criados no pós-guerra ajudaram a consolidar os valores
democráticos como sinônimos da participação de todos, o que foi fun-
damental para construir a noção de democracia que temos no presente.
■ Discurso do
ex-primeiro-ministro
do Reino Unido
Clement Attle durante
a primeira reunião
da Assembleia Geral
da ONU. Londres
(Inglaterra), 1946.
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Democracia e
desigualdade social
Não são apenas os conflitos e tensões entre nações que podem
desestabilizar os regimes democráticos. Outra grave ameaça à demo-
cracia é a concentração de renda.
No decorrer do século XX, alguns pensadores defenderam a ideia
de que, a longo prazo, a combinação do avanço da industrialização e
da democratização no mundo reduziria a concentração de renda e as
desigualdades sociais.
Segundo esse pensamento, a criação de políticas sociais seria capaz
de construir sociedades mais igualitárias. A tributação de grandes
fortunas, por exemplo, ocorreria por meio da dinâmica democrática,
favorecendo a população de baixa renda.
Entretanto, esse processo não ocorreu. No início do século XXI, quando
a maioria dos países contava com governos democráticos, observou-se
uma concentraçãode renda inédita na história da humanidade. Em 2015,
1% da população global detinha a mesma riqueza dos 99% restantes.
O gráfico desta página demonstra a evolução do processo de con-
centração de renda no período entre 2000 e 2015.
Dados mais recentes, divulgados no início de 2020 no relatório
Tempo de cuidar – O trabalho de cuidado não remunerado e mal
pago e a crise global da desigualdade, produzido pela organiza-
ção não governamental britânica Oxfam,
revelaram que os 2 153 mais ricos do
mundo detinham mais riqueza do que
4,6 bilhões de pessoas, cerca de 60% da
população mundial.
Esses dados confirmam as análises
de Thomas Piketty (1971-), registradas no
livro O capital no século XXI, publicado
em 2013, no qual o economista francês
afirma que as desigualdades sociais
fazem parte do sistema capitalista, o
que põe em xeque o modelo das atuais
democracias liberais.
■ Gráfico representando
a evolução da riqueza
dos 50% mais pobres
do planeta e das 62
pessoas mais ricas
entre 2000 e 2015.
Fonte dos dados: REUBEN, A. 1% da população global detém
mesma riqueza dos 99% restantes, diz estudo. BBC, 18 jan. 2016.
Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/
noticias/2016/01/160118_riqueza_estudo_oxfam_fn. Acesso em:
22 ago. 2020.
500
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1 000
3 000
2 500
2 000
1 500
Ano
030201 1514131211100908070605042000
Riqueza total em
bilhões de dólares
Riqueza dos 50% mais pobres
Riqueza das 62 pessoas mais ricas
As 62 pessoas mais ricas do mundo possuem
mais riqueza do que os 50% mais pobres, 2000-2015
Evolução do processo de concentração
de renda, 2000-2015
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A tese de Piketty e os dados produzidos por organizações internacionais e pesquisadores de
diferentes partes do mundo demonstram que não existe uma relação natural entre democracia e
redução das desigualdades. As diferenças crescentes entre ricos e pobres ameaçam a democracia,
por isso o combate às desigualdades exige a ação dos governos e da sociedade civil.
Nesse cenário de crescimento das desigualdades sociais, a população mais pobre corre o risco
de ser alijada de seus direitos de cidadania e de participação política. Esse contexto contribui
para o descrédito da democracia e dos processos de representação política, que abrem caminho
para governos com posturas autoritárias.
■ A imagem
aérea revela
desigualdades
sociais entre duas
áreas residenciais
localizadas na
Cidade do México
(México), 2016.
NÃO ESCREVA
NO LIVRO> LEITURA DE IMAGEM
• Observe novamente o gráfico da página anterior. O que ele revela a respeito da concentração de
renda dos dois grupos analisados?
Por essa razão, Piketty e outros pensadores defendem que é necessário promover medidas
democráticas para a redução das desigualdades. Uma das principais soluções apontadas pelo
economista é a criação de mecanismos tributários mais eficientes. De acordo com as conclusões
do relatório da Oxfam, se o 1% dos mais ricos do planeta pagasse uma taxa extra de 0,5% sobre
sua riqueza, seria possível fornecer educação a 262 milhões de crianças que estão fora da escola
e serviços de saúde que salvariam a vida de 3,3 milhões de pessoas.
Uma proposta é modificar as regras do imposto de renda de modo que ele tenha um caráter
progressivo, ou seja, que os mais pobres paguem menos tributos e os mais ricos paguem mais
impostos.
Essa estratégia permitiria a tributação das grandes fortunas, o que forneceria recursos ao
Estado para a criação de políticas sociais voltadas à redução da pobreza e à promoção de par-
ticipação política de todos.
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Uma nova crise
da democracia?
Uma teoria clássica do pensamento político é a de que os governos democráti-
cos podem entrar em crise ao longo do tempo, tornando-se uma versão corrompida
de suas características originais. Pensadores gregos, como Platão (c. 427 a.C.-347 a.C.)
e Aristóteles, formularam esse problema na Antiguidade. Outros pensadores, como
Maquiavel (1469-1527) e Montesquieu (1689-1755), retomaram essa questão para enten-
der os fatores que provocariam a corrupção política de um governo.
De modo geral, a ideia de crise é utilizada para analisar a passagem de um governo
que visava ao bem-comum para um governo que privilegia os interesses particulares
de um grupo.
A tese da crise dos governos foi atualizada por alguns pensadores contemporâ-
neos para refletir sobre os indicadores que apontam um novo período de crise da
democracia.
Os cientistas políticos Daniel Ziblatt (1972-) e Steven Levitsky (1968-), por exemplo,
se dedicaram a analisar as transformações nas práticas políticas dos Estados Unidos
a partir da eleição de Donald Trump.
Ziblatt e Levitsky consideram que a eleição de Trump representa uma séria ameaça
a uma das democracias mais antigas do planeta, já que ela vem provocando o enfra-
quecimento das “salvaguardas institucionais” da democracia, como o equilíbrio entre
os poderes.
Esse processo é acompanhado pela corrosão da confiança na democracia e pelo
fortalecimento de grupos sociais que defendem ações autoritárias contra opositores,
inclusive a interrupção das eleições ou a proibição de partidos políticos.
Na análise de Ziblatt e Levitsky, os Estados Unidos não são o único país que vem
sofrendo um processo de crise democrática. Esses cientistas políticos acreditam que
vivemos um novo contexto de crise da democracia global e ressaltam que atualmente
existe uma forma diferente de ameaça.
As democracias podem morrer em consequência de um lento processo de cor-
rupção nas práticas e ações de políticos eleitos democraticamente. Isso significa
que a grande crise das democracias atuais não está mais relacionada a golpes de
Estado diretos, ela é produzida pelos próprios governos eleitos, que corrompem a
democracia no seu interior.
> DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• De que maneira você pode contribuir para o fortalecimento das práticas democráticas
na sociedade?
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NÃO ESCREVA
NO LIVROATIVIDADES>
1. Os cientistas políticos Steven Levitsky e Daniel Ziblatt defendem a ideia de que, na
atualidade, golpes militares ou tomadas violentas de poder são episódios cada vez
mais raros. Mesmo assim, a democracia está sob ameaça em muitos países, que, em-
bora mantenham em vigor a Constituição e assegurem eleições, adotam medidas que
corroem a democracia em sua essência. Leia o trecho abaixo e, em seguida, responda
ao que se pede.
Muitos esforços do governo para subverter a democracia são “legais”, no sentido
de que são aprovados pelo Legislativo ou aceitos pelos tribunais. Eles podem até
mesmo ser retratados como esforços para aperfeiçoar a democracia – tornar o
Judiciário mais eficiente, combater a corrupção ou limpar o processo eleitoral. Os
jornais continuam a ser publicados, mas são comprados ou intimidados e levados
a se autocensurar. Os cidadãos continuam a criticar o governo, mas muitas vezes
se veem envolvidos em problemas com impostos ou outras questões legais. Isso
cria perplexidade e confusão nas pessoas. Elas não compreendem imediatamente
o que está acontecendo. Muitos continuam a acreditar que estão vivendo sob uma
democracia. [...] Aqueles que denunciam os abusos do governo podem ser des-
cartados como exagerados ou falsos alarmistas. A erosão da democracia é, para
muitos, quase imperceptível.
LEVITSKY, S.; ZIBLATT, D. Como as democracias morrem. Rio de Janeiro: Zahar, 2018. p. 17.
a) De acordo com o texto, quais estratégias costumam ser postas em prática por
governos para restringir as práticasdemocráticas de um país?
b) Segundo os autores, por que a população muitas vezes não percebe que a demo-
cracia está sendo erodida?
c) Levitsky e Ziblatt afirmam que uma das ações de governos com caráter autoritário
é a intimidação aos veículos de comunicação. Em grupo, discutam a seguinte
questão: Qual é a importância da liberdade de imprensa em uma sociedade
democrática?
2. Observe a tirinha abaixo e interprete-a.
AR
M
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D
IN
H
O,
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B
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K.
BECK, A. Armandinho Doze. Florianópolis: Edição do autor, 2019. p. 11.
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INVESTIGAÇÃO>
Política tributária e desigualdade social
Diversos estudos apontam que uma das propostas para reduzir as desi-
gualdades sociais seria a criação de mecanismos tributários mais eficientes.
Tributo é tudo aquilo que os governos arrecadam para que possam
prestar serviços públicos essenciais, como educação, saúde, segurança. Eles
se dividem em impostos, taxas e contribuições.
No Brasil não existe uma tributação unificada; há cerca de 80 tribu-
tos diferentes.
Segundo levantamento feito pela Organização para Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE), grupo internacional que em 2020
contava 37 países, boa parte deles de IDH alto, a carga média de tributos
brasileiros se situa abaixo da média dos países-membros: a desses países
representa entre 34% e 35% do PIB e a do Brasil, entre 32% e 33%.
Por que nosso modelo tributário resulta em grande desigualdade
social? De acordo com diversos estudos, isso ocorre porque esses tribu-
tos incidem sobre o consumo e não sobre a renda, como acontece em
muitos países da OCDE.
Observe o infográfico abaixo:
Considerando que a pessoa A e a pessoa B compram uma cesta de
alimentos que custa em torno de R$ 60,00, destes, R$ 25,00 correspon-
dem a tributos e R$ 35,00, ao preço de custo mais o lucro.
Nesse caso, a pessoa A paga o equivalente a 2,5% de seu salário
em tributos e a pessoa B gasta o equivalente a 0,25% de seu salário.
Ou seja, uma pessoa que ganha 10 vezes mais paga o mesmo valor em
impostos que uma pessoa que ganha muito menos, o que significa que,
proporcionalmente ao salário, o gasto é maior para quem ganha menos.
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Com base nessas informações, o grupo deverá:
1. Buscar exemplos de impostos, taxas e contribuição vigentes no Brasil, identificar a
diferença entre eles e verificar onde são empregados.
2. Pesquisar exemplos de pelo menos três países com bom desenvolvimento econômico
e social (como os países-membros da OCDE) e procurar saber se a tributação é feita
pela renda ou pelo consumo.
3. Organizar entrevistas com pessoas de categorias profissionais variadas: operário, dono
de mercadinho, profissional liberal, microempreendedor individual, por exemplo.
Perguntar aos entrevistados qual é a percepção que eles têm desses tributos e qual é
a relação deles com a desigualdade social. Algumas sugestões de pergunta:
a) Em sua opinião, o Brasil tem impostos adequados? Por quê?
b) Você acredita que os impostos arrecadados no país são bem empregados?
Exemplifique.
c) Você sabe citar alguns impostos arrecadados pelos governos federal, estadual e
municipal?
d) Você vê alguma relação entre desigualdade social e tributos?
e) Responda se você concorda com as frases a seguir e justifique:
• O Brasil tem a maior carga tributária do mundo.
• A educação e a saúde devem ser responsabilidade de cada cidadão.
Após realizadas as entrevistas, cada grupo deve reunir as informações recolhidas e
organizá-las em forma de cartaz, ilustrado com imagens, como gráficos e tabelas (de
compreensão acessível), que permita apresentar os dados para toda a turma.
Finalizada a apresentação do material, a turma deverá montar, de forma colaborati-
va, uma cartilha para ser enviada por e-mail à comunidade escolar, às famílias e aos
amigos.
Na produção da cartilha, pensem em um título atraente e utilizem uma linguagem
acessível a todos. Tenham em mente que esse material deve ser um instrumento que
ajude as pessoas a refletir sobre tributação e justiça social.
Os links indicados a seguir podem servir para complementar as informações:
CREMASCO, D. M. F. A carga tributária no Brasil é alta comparada à de outros países?
Politize, 27 jun. 2017. Disponível em: https://www.politize.com.br/carga-tributaria-
brasileira-e-alta/. Acesso em: 22 ago. 2020.
FACHIN, P. Reforma Tributária Solidária no combate à desigualdade social. CEE Fiocruz,
17 jun. 2019. Disponível em: https://cee.fiocruz.br/?q=Reforma-Tributaria-Solidaria-
no-combate-as-desigualdades. Acesso em 22 ago. 2020.
VALOR Econômico: reforma tributária e desigualdade. Oxfam Brasil, c2020. Disponível
em: https://www.oxfam.org.br/blog/reforma-tributaria-e-desigualdade/. Acesso em:
22 ago. 2020.
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Etapa
4
ELABORAÇÃO DE PRODUTO
FINAL E DIVULGAÇÃO
De posse de todas as informações, vocês irão produzir um folheto informa-
tivo sobre fake news. Decidam em conjunto o tamanho do folheto e as formas
de divulgação. Lembrem-se de que muitas pessoas têm dificuldade em lidar
com as redes sociais e, portanto, o folheto deve apresentar linguagem fácil,
porém informativa. Com relação à divulgação, é possível pensar em uma versão
impressa e em uma versão que possa ser divulgada nas redes sociais. Para
isso, vocês deverão se dividir em quatro grupos, de acordo com as afinidades
pessoais ou habilidades.
1. O grupo 1 fará um pequeno texto explicando o que são fake news e por que
elas são perigosas em nossa vida social e individual.
2. O grupo 2 criará uma lista de dicas para que as pessoas identifiquem as fake
news e indicará sites que permitem checar a veracidade das notícias.
3. O grupo 3 será responsável pelo visual do folheto e deverá decidir se haverá
imagens, escolher as cores e tipologias de texto e pensar na disposição das
informações na página.
4. O grupo 4 divulgará o folheto na escola e nas redes sociais. Além disso,
deverá criar um endereço de e-mail (que deve constar no folheto) para tirar
eventuais dúvidas sobre fake news ou sobre o processo de trabalho de
vocês.
É importante entender que o trabalho de um grupo depende do trabalho dos
demais. Montem um calendário conjunto com prazos de entrega para acompa-
nhar o processo de produção e a divulgação do folheto.
Ao fim do projeto, façam avaliações conjuntas e individuais.
• Como você avalia os resultados do projeto como um todo?
• O que poderia ter sido feito de outra forma?
• Como os diferentes grupos trabalharam e se comunicaram entre si?
• Como foi a receptividade do folheto?
• Como você avalia sua participação no grupo?
• O que você mais gostou de fazer?
• De que forma você ajudou o grupo?
• Você acredita que poderia ter ajudado mais?
Essas reflexões devem servir para que vocês utilizem essa experiência em
futuros trabalhos e em projetos que desenvolverão ao longo da vida.
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Winter on fire: Ukraine’s fight for freedom
Direção: Evegny Afineevsky. Estados Unidos/Ucrânia, 2015. Vídeo (98 min).
O documentário, cujo título pode ser traduzido como “Inverno em chamas: a luta
da Ucrânia pela liberdade”, aborda a Revolução Ucraniana de 2014, quando jovens
foram às ruas protestar contra a aproximação entre o governo ucraniano e a União
Europeia. O filme mostra a complexa rede de influências formada por países como
Rússia e Estados Unidos, além da União Europeia e partidos de extrema direita.
Disponível em: https://www.netflix.com/br/title/80031666.Acesso em: 5 set. 2020.
A onda
Direção: Dennis Gansel. Alemanha, 2009. DVD (107 min).
O filme narra a história de um professor que ministra aulas sobre regimes
autocráticos por meio de práticas pedagógicas pouco convencionais. A narrativa
mostra a facilidade com que discursos autocráticos conseguem manipular as
massas, principalmente os jovens, que estão em processo de formação de
personalidade.
> SAIBA MAIS
E-democracia
Disponível em: http://www.edemocracia.leg.br/. Acesso em: 22 ago. 2020.
A plataforma, criada em 2009 pela Câmara dos Deputados, permite a participação
popular por meio da gestão de dados públicos. É possível encontrar diversos
modelos de participação, como edição colaborativa de projetos de lei e interação
em audiências.
Oxfam Brasil
Disponível em: https://www.oxfam.org.br/justica-social-e-economica/forum-
economico-de-davos/tempo-de-cuidar/. Acesso em: 22 ago. 2020.
O link dá acesso a informações recentes sobre a desigualdade econômica no mundo
e ao relatório Tempo de cuidar – O trabalho de cuidado não remunerado e mal pago
e a crise global da desigualdade, disponível para download. Navegando no site da
organização, é possível acessar notícias atualizadas sobre desigualdades e direitos
humanos; juventudes, gênero e raça; e justiça econômica.
A ONU e a democracia
Disponível em: https://nacoesunidas.org/acao/democracia/. Acesso em: 06 set.
2020.
A página das Organização das Nações Unidas apresenta o trabalho desenvolvido
pela ONU na promoção da democracia, incluindo o apoio à participação política das
mulheres no mundo.
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> FICHAS DE AUTOAVALIAÇÃO
Autoavaliação
Esta é a hora de se autoavaliar em seu percurso
de estudos. Para tanto, sugerimos que retome os
objetivos propostos para as unidades. Depois, leia
atentamente cada um dos itens relacionados a seguir
e escreva em seu caderno como considera seu atual
momento de aprendizagem. A resposta para cada
um dos itens pode ser sim, não ou em algumas
situações. Registre também uma justifi cativa para
suas respostas.
Unidade 1
Critérios
1.Identifi co os diferentes conceitos de ética ao
longo do tempo.
2. Identifi co os diferentes conceitos de política
ao longo do tempo.
3. Posso reconhecer a importância de práticas
políticas éticas na organização das sociedades
contemporâneas.
4. Consigo problematizar discursos que negam
a política no mundo contemporâneo.
5. Sou capaz de perceber e analisar a impor-
tância de ações éticas nas sociedades
contemporâneas.
6. Consigo reconhecer e valorizar posturas
éticas para a construção de uma sociedade
mais justa.
7. Sinto que minhas escolhas se pautam por
valores éticos, comprometidos com a demo-
cracia e a construção de uma cultura de paz.
Comente, a partir dos tópicos acima, seus
pontos fortes e os pontos que você ainda
precisa trabalhar. Converse com seu professor
para, juntos, estabelecerem um plano de ação.
Unidade 2
Critérios
1. Compreendo que o conceito de cidadania
não se desenvolveu de forma linear e não
está acabado, pois é resultado de diferentes
processos históricos de luta.
2. Consigo identifi car como se deu o processo
de formação do conceito de cidadania que
conhecemos no presente, reconhecendo a
influência da democracia na conquista de
direitos humanos.
3. Sou capaz de compreender que a igualdade
jurídica entre homens e mulheres não garante
a igualdade de gênero no Brasil.
4. Compreendo os desafios de se garantir
cidadania no contexto atual de globalização
considerando as diferenças étnicas, religio-
sas, culturais, sociais e econômicas.
5. Tenho facilidade em analisar e comparar
indicadores que evidenciam a ausência
de infraestrutura que garantam os direitos
sociais (fixos sociais) no Brasil.
6. Sou capaz de identifi car e combater situações
de violação dos Direitos Humanos, adotando
princípios éticos, democráticos, inclusivos e
solidários.
7. Compreendo a importância da atuação dos
indivíduos e dos movimentos sociais na manu-
tenção e ampliação dos direitos humanos.
8. Sinto que minhas escolhas pessoais e pro-
fissionais podem ser potencializadas a partir
de iniciativas de engajamento pessoal em
projetos de combate às desigualdades em
minha comunidade.
Comente, a partir dos tópicos acima, seus
pontos fortes e os pontos que você ainda
precisa trabalhar. Converse com seu professor
para, juntos, estabelecerem um plano de ação.
NÃO ESCREVA
NO LIVRO
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Unidade 3
Critérios
1. Identifico diferentes formas de organização
do governo ao longo do tempo.
2. Consigo analisar o problema da divisão de
poderes.
3. Posso identificar o processo histórico de
construção do governo no Brasil.
4. Sou capaz de conceituar patrimonialismo e
relacionar o conceito com problemas políticos
contemporâneos no Brasil.
5. Consigo entender que existem diferentes
formas de participação política.
6. Sou capaz de relacionar participação política
com o sufrágio.
7. Sou capaz de analisar o impacto da internet
nas formas de participação política no mundo
contemporâneo.
8. Sinto que minhas escolhas pessoais afetam e
também são afetadas pelas várias formas de
participação política.
Comente, a partir dos tópicos acima, seus
pontos fortes e os pontos que você ainda
precisa trabalhar. Converse com seu professor
para, juntos, estabelecerem um plano de ação.
Unidade 4
Critérios
1. Sou capaz de diferenciar o modelo democrá-
tico de outros modelos, como aristocrático ou
monárquico.
2. Reconheço a transformação do conceito
de democracia ao longo da história desde a
Grécia Antiga até os dias atuais.
3. Sou capaz de analisar as causas para a centra-
lização do poder no nascimento dos Estados
modernos.
4. Percebo que existem ameaças à democracia
e que posso agir para combatê-las.
5. Analiso a importância dos Direitos Humanos
para a consolidação do ideal democrático.
6. Sou capaz de compreender como a demo-
cracia foi uma construção histórica de lutas e
disputas políticas, como a luta pela ampliação
do sufrágio, entre outras conquistas.
7. Sinto que minhas escolhas profissionais, edu-
cacionais e como cidadão são afetadas pelas
políticas públicas e índices socioeconômicos,
como indicadores de desigualdades sociais.
8. Sou capaz de identificar discursos antidemo-
cráticos, de ódio ou de cunho nacionalista na
história e na atualidade.
Comente, a partir dos tópicos acima, seus
pontos fortes e os pontos que você ainda
precisa trabalhar. Converse com seu professor
para, juntos, estabelecerem um plano de ação.
147
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> BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR
Na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), as competências são
identifi cadas por números (de 1 a 10) e as habilidades, por códigos alfa-
numéricos, por exemplo, EM13CHS101, cuja composição é explicada da
seguinte maneira:
§ as duas primeiras letras indicam a etapa da Educação Básica, no caso,
Ensino Médio (EM);
§ o primeiro par de números indica que as habilidades descritas podem
ser desenvolvidas em qualquer série do Ensino Médio (13);
§ a segunda sequência de letras indica a área (três letras) ou o compo-
nente curricular (duas letras): MAT = Matemática e suas Tecnologias;
LGG = Linguagens e suas Tecnologias; LP = Língua Portuguesa; CNT =
Ciências da Natureza e suas Tecnologias; CHS = Ciências Humanas e
Sociais Aplicadas;
§ os três números fi nais indicam a competência específi ca (1o número)
e a habilidade específi ca (dois últimos números).
A seguir, os textos na íntegra das competências gerais, competências
específi cas e habilidades mencionadas nesta obra.
Competências gerais
da EducaçãoBásica
1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos
sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar
a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de
uma sociedade justa, democrática e inclusiva.
2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria
das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a
imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar
hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive
tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas.
3. Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das
locais às mundiais, e também participar de práticas diversifi cadas da
produção artístico-cultural.
4. Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora,
como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como
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conhecimentos das linguagens artística, matemática e científi ca,
para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sen-
timentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao
entendimento mútuo.
5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação
e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas
diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comuni-
car, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos,
resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida
pessoal e coletiva.
6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apro-
priar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem
entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer esco-
lhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida,
com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.
7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confi áveis,
para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões
comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a cons-
ciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local,
regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado
de si mesmo, dos outros e do planeta.
8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocio-
nal, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo
suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para
lidar com elas.
9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de confl itos e a coope-
ração, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos
direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de
indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e
potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.
10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabili-
dade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões
com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, susten-
táveis e solidários.
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Ciências Humanas e Sociais Aplicadas no Ensino Médio:
competências específicas e habilidades
Competência específi ca 1: Analisar processos políticos, econô-
micos, sociais, ambientais e culturais nos âmbitos local, regional,
nacional e mundial em diferentes tempos, a partir da pluralidade
de procedimentos epistemológicos, científi cos e tecnológicos, de
modo a compreender e posicionar-se criticamente em relação a
eles, considerando diferentes pontos de vista e tomando decisões
baseadas em argumentos e fontes de natureza científi ca.
(EM13CHS101) Identifi car, analisar e comparar diferentes fontes
e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à com-
preensão de ideias fi losófi cas e de processos e eventos históricos,
geográfi cos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
(EM13CHS102) Identifi car, analisar e discutir as circunstâncias
históricas, geográficas, políticas, econômicas, sociais, ambien-
tais e culturais de matrizes conceituais (etnocentrismo, racismo,
evolução, modernidade, cooperativismo/desenvolvimento etc.),
avaliando criticamente seu signifi cado histórico e comparando-as
a narrativas que contemplem outros agentes e discursos.
(EM13CHS103) Elaborar hipóteses, selecionar evidências e
compor argumentos relativos a processos políticos, econômi-
cos, sociais, ambientais, culturais e epistemológicos, com base
na sistematização de dados e informações de diversas naturezas
(expressões artísticas, textos fi losófi cos e sociológicos, documentos
históricos e geográfi cos, gráfi cos, mapas, tabelas, tradições orais,
entre outros).
(EM13CHS104) Analisar objetos e vestígios da cultura material e
imaterial de modo a identifi car conhecimentos, valores, crenças e
práticas que caracterizam a identidade e a diversidade cultural de
diferentes sociedades inseridas no tempo e no espaço.
(EM13CHS105) Identifi car, contextualizar e criticar tipologias
evolutivas (populações nômades e sedentárias, entre outras) e
oposições dicotômicas (cidade/campo, cultura/natureza, civiliza-
dos/bárbaros, razão/emoção, material/virtual etc.), explicitando
suas ambiguidades.
150
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(EM13CHS106) Utilizar as linguagens cartográfi ca, gráfi ca e ico-
nográfi ca, diferentes gêneros textuais e tecnologias digitais de
informação e comunicação de forma crítica, signifi cativa, refl exiva
e ética nas diversas práticas sociais, incluindo as escolares, para se
comunicar, acessar e difundir informações, produzir conhecimen-
tos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida
pessoal e coletiva.
Competência específi ca 2: Analisar a formação de territórios
e fronteiras em diferentes tempos e espaços, mediante a compre-
ensão das relações de poder que determinam as territorialidades
e o papel geopolítico dos Estados-nações.
(EM13CHS201) Analisar e caracterizar as dinâmicas das popu-
lações, das mercadorias e do capital nos diversos continentes,
com destaque para a mobilidade e a fi xação de pessoas, grupos
humanos e povos, em função de eventos naturais, políticos, eco-
nômicos, sociais, religiosos e culturais, de modo a compreender e
posicionar-se criticamente em relação a esses processos e às pos-
síveis relações entre eles.
(EM13CHS202) Analisar e avaliar os impactos das tecnologias
na estruturação e nas dinâmicas de grupos, povos e sociedades
contemporâneos (fl uxos populacionais, fi nanceiros, de mercado-
rias, de informações, de valores éticos e culturais etc.), bem como
suas interferências nas decisões políticas, sociais, ambientais, eco-
nômicas e culturais.
(EM13CHS203) Comparar os signifi cados de território, fronteiras
e vazio (espacial, temporal e cultural) em diferentes sociedades,
contextualizando e relativizando visões dualistas (civilização/bar-
bárie, nomadismo/sedentarismo, esclarecimento/obscurantismo,
cidade/campo, entre outras).
(EM13CHS204) Comparar e avaliar os processos de ocupação
do espaço e a formação de territórios, territorialidades e fronteiras,
identifi cando o papel de diferentes agentes (como grupos sociais e
culturais, impérios, Estados Nacionais e organismos internacionais)
e considerando os confl itos populacionais (internos e externos), a
diversidade étnico-cultural e as características socioeconômicas,
políticas e tecnológicas.
151
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(EM13CHS205) Analisar a produção de diferentes territorialidades em
suas dimensões culturais, econômicas, ambientais, políticas e sociais, no
Brasile no mundo contemporâneo, com destaque para as culturas juvenis.
(EM13CHS206) Analisar a ocupação humana e a produção do espaço
em diferentes tempos, aplicando os princípios de localização, distribui-
ção, ordem, extensão, conexão, arranjos, casualidade, entre outros que
contribuem para o raciocínio geográfi co.
Competência específi ca 3: Analisar e avaliar criticamente as relações
de diferentes grupos, povos e sociedades com a natureza (produção, dis-
tribuição e consumo) e seus impactos econômicos e socioambientais,
com vistas à proposição de alternativas que respeitem e promovam a
consciência, a ética socioambiental e o consumo responsável em âmbito
local, regional, nacional e global.
(EM13CHS301) Problematizar hábitos e práticas individuais e coletivos
de produção, reaproveitamento e descarte de resíduos em metrópoles,
áreas urbanas e rurais, e comunidades com diferentes características
socioeconômicas, e elaborar e/ou selecionar propostas de ação que
promovam a sustentabilidade socioambiental, o combate à poluição
sistêmica e o consumo responsável.
(EM13CHS302) Analisar e avaliar criticamente os impactos econômi-
cos e socioambientais de cadeias produtivas ligadas à exploração de
recursos naturais e às atividades agropecuárias em diferentes ambien-
tes e escalas de análise, considerando o modo de vida das populações
locais – entre elas as indígenas, quilombolas e demais comunidades
tradicionais –, suas práticas agroextrativistas e o compromisso com a
sustentabilidade.
(EM13CHS303) Debater e avaliar o papel da indústria cultural e das
culturas de massa no estímulo ao consumismo, seus impactos econômi-
cos e socioambientais, com vistas à percepção crítica das necessidades
criadas pelo consumo e à adoção de hábitos sustentáveis.
(EM13CHS304) Analisar os impactos socioambientais decorrentes de
práticas de instituições governamentais, de empresas e de indivíduos,
discutindo as origens dessas práticas, selecionando, incorporando e pro-
movendo aquelas que favoreçam a consciência e a ética socioambiental
e o consumo responsável.
152
D3-CH-EM-3075-V2-FINAIS-146-160-LA-G21_VU1_4.indd 152D3-CH-EM-3075-V2-FINAIS-146-160-LA-G21_VU1_4.indd 152 17/09/2020 15:4517/09/2020 15:45
(EM13CHS305) Analisar e discutir o papel e as competências legais
dos organismos nacionais e internacionais de regulação, controle e
fi scalização ambiental e dos acordos internacionais para a promoção
e a garantia de práticas ambientais sustentáveis.
(EM13CHS306) Contextualizar, comparar e avaliar os impactos de
diferentes modelos socioeconômicos no uso dos recursos naturais e
na promoção da sustentabilidade econômica e socioambiental do
planeta (como a adoção dos sistemas da agrobiodiversidade e agro-
fl orestal por diferentes comunidades, entre outros).
Competência específi ca 4: Analisar as relações de produção,
capital e trabalho em diferentes territórios, contextos e culturas,
discutindo o papel dessas relações na construção, consolidação e
transformação das sociedades.
(EM13CHS401) Identifi car e analisar as relações entre sujeitos,
grupos, classes sociais e sociedades com culturas distintas diante
das transformações técnicas, tecnológicas e informacionais e das
novas formas de trabalho ao longo do tempo, em diferentes espaços
(urbanos e rurais) e contextos.
(EM13CHS402) Analisar e comparar indicadores de emprego, traba-
lho e renda em diferentes espaços, escalas e tempos, associando-os a
processos de estratifi cação e desigualdade socioeconômica.
(EM13CHS403) Caracterizar e analisar os impactos das transfor-
mações tecnológicas nas relações sociais e de trabalho próprias
da contemporaneidade, promovendo ações voltadas à superação
das desigualdades sociais, da opressão e da violação dos Direitos
Humanos.
(EM13CHS404) Identificar e discutir os múltiplos aspectos do
trabalho em diferentes circunstâncias e contextos históricos e/ou
geográfi cos e seus efeitos sobre as gerações, em especial, os jovens,
levando em consideração, na atualidade, as transformações técnicas,
tecnológicas e informacionais.
Competência específica 5: Identificar e combater as diversas
formas de injustiça, preconceito e violência, adotando princípios
éticos, democráticos, inclusivos e solidários, e respeitando os
Direitos Humanos.
153
D3-CH-EM-3075-V2-FINAIS-146-160-LA-G21_VU1_4.indd 153D3-CH-EM-3075-V2-FINAIS-146-160-LA-G21_VU1_4.indd 153 17/09/2020 15:4517/09/2020 15:45
(EM13CHS501) Analisar os fundamentos da ética em diferentes
culturas, tempos e espaços, identifi cando processos que contri-
buem para a formação de sujeitos éticos que valorizem a liberdade,
a cooperação, a autonomia, o empreendedorismo, a convivência
democrática e a solidariedade.
(EM13CHS502) Analisar situações da vida cotidiana, estilos de
vida, valores, condutas etc., desnaturalizando e problematizando
formas de desigualdade, preconceito, intolerância e discriminação,
e identifi car ações que promovam os Direitos Humanos, a solidarie-
dade e o respeito às diferenças e às liberdades individuais.
(EM13CHS503) Identifi car diversas formas de violência (física,
simbólica, psicológica etc.), suas principais vítimas, suas causas
sociais, psicológicas e afetivas, seus signifi cados e usos políticos,
sociais e culturais, discutindo e avaliando mecanismos para com-
batê-las, com base em argumentos éticos.
(EM13CHS504) Analisar e avaliar os impasses ético-políti-
cos decorrentes das transformações culturais, sociais, históricas,
científi cas e tecnológicas no mundo contemporâneo e seus desdo-
bramentos nas atitudes e nos valores de indivíduos, grupos sociais,
sociedades e culturas.
Competência específi ca 6: Participar do debate público de
forma crítica, respeitando diferentes posições e fazendo escolhas
alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com
liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.
(EM13CHS601) Identifi car e analisar as demandas e os prota-
gonismos políticos, sociais e culturais dos povos indígenas e das
populações afrodescendentes (incluindo as quilombolas) no Brasil
contemporâneo considerando a história das Américas e o contexto
de exclusão e inclusão precária desses grupos na ordem social e
econômica atual, promovendo ações para a redução das desigual-
dades étnico-raciais no país.
(EM13CHS602) Identifi car e caracterizar a presença do paterna-
lismo, do autoritarismo e do populismo na política, na sociedade e
nas culturas brasileira e latino-americana, em períodos ditatoriais e
democráticos, relacionando-os com as formas de organização e de
articulação das sociedades em defesa da autonomia, da liberdade,
154
D3-CH-EM-3075-V2-FINAIS-146-160-LA-G21_VU1_4.indd 154D3-CH-EM-3075-V2-FINAIS-146-160-LA-G21_VU1_4.indd 154 17/09/2020 15:4517/09/2020 15:45
do diálogo e da promoção da democracia, da cidadania e dos direi-
tos humanos na sociedade atual.
(EM13CHS603) Analisar a formação de diferentes países, povos
e nações e de suas experiências políticas e de exercício da cidada-
nia, aplicando conceitos políticos básicos (Estado, poder, formas,
sistemas e regimes de governo, soberania etc.).
(EM13CHS604) Discutir o papel dos organismos internacionais
no contexto mundial, com vistas à elaboração de uma visão crítica
sobre seus limites e suas formas de atuação nos países, conside-
rando os aspectos positivos e negativos dessa atuação para as
populações locais.
(EM13CHS605) Analisar os princípios da declaração dos Direitos
Humanos, recorrendo às noções de justiça, igualdade e fraterni-
dade, identifi car os progressos e entraves à concretização desses
direitos nas diversas sociedades contemporâneas e promover ações
concretas diante da desigualdade e das violações desses direitos
em diferentes espaços de vivência, respeitando a identidade de
cada grupo e de cada indivíduo.
(EM13CHS606) Analisar as características socioeconômicas da
sociedade brasileira – com base na análise de documentos (dados,
tabelas, mapas etc.)de diferentes fontes – e propor medidas para
enfrentar os problemas identifi cados e construir uma sociedade
mais próspera, justa e inclusiva, que valorize o protagonismo de
seus cidadãos e promova o autoconhecimento, a autoestima, a
autoconfi ança e a empatia.
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D3-CH-EM-3075-V2-FINAIS-146-160-LA-G21_VU1_4.indd 155D3-CH-EM-3075-V2-FINAIS-146-160-LA-G21_VU1_4.indd 155 17/09/2020 15:4517/09/2020 15:45
ABBAGNANO, N. Dicionário de Filoso� a. São Paulo: Martins Fontes, 2012.
§ O dicionário apresenta, de forma didática, alguns dos principais con-
ceitos, ideias e fi lósofos que marcaram a tradição fi losófi ca ocidental,
sendo uma ferramenta importante para a refl exão fi losófi ca.
AMARAL, D. F. do A. História do pensamento político ocidental.
Coimbra: Almedina, 2011.
§ Nesse volume, o autor analisa as ideias de pensadores que, desde a
Antiguidade até o século XX, trouxeram importantes refl exões para a
construção do pensamento político do mundo ocidental.
AZEVEDO, A. C. do A. Dicionário de nomes, termos e conceitos histó-
ricos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.
§ Dicionário com cerca de 1.400 verbetes dos principais conceitos fre-
quentemente presentes na área de História.
BAUMAN, Z. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
§ Nessa obra, o sociólogo Zygmunt Bauman refl ete sobre o conceito
de modernidade líquida e suas implicações políticas, sociais e éticas.
BOBBIO, N. Direita e esquerda: razões e signifi cados de uma distinção
política. São Paulo: Unesp, 1995.
§ Neste livro, o autor analisa os conceitos de direita e esquerda na polí-
tica e discute o signifi cado desses termos na atualidade.
BOBBIO, N. Estado, governo e sociedade: para uma teoria geral da polí-
tica. São Paulo: Paz & Terra, 2017.
§ Livro no qual o autor reúne quatro ensaios que se inter-relacionam e
discutem os seguintes conceitos: Estado, poder e governo; sociedade
civil; o público e o privado; democracia e ditadura.
BOBBIO, N.; MATTEUCCI, N.; PASQUINO, G. Dicionário de política. Brasília,
DF: Universidade de Brasília; São Paulo: Imprensa Ofi cial, 2000. 2 v.
§ Obra em dois volumes que oferece uma ampla interpretação dos prin-
cipais conceitos que fazem parte do discurso político, expondo sua
evolução histórica, analisando sua utilização atual e fazendo referência
aos conceitos afi ns.
BOTELHO, A.; SCHWARCZ, L. M. (org.). Cidadania: um projeto em con-
trução. São Paulo: Claro Enigma, 2012.
> BIBLIOGRAFIA COMENTADA
156
D3-CH-EM-3075-V2-FINAIS-146-160-LA-G21_VU1_4.indd 156D3-CH-EM-3075-V2-FINAIS-146-160-LA-G21_VU1_4.indd 156 17/09/2020 15:4517/09/2020 15:45
§ Reunião de textos que tratam de assuntos ligados a questões de cida-
dania no Brasil contemporâneo, abordando temas como combate
à desigualdade, segurança pública, luta contra o racismo, luta pelos
direitos civis e políticos, entre outros.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular:
educação é a base. Brasília, DF, 2018. Disponível em: http://basenacional
comum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofi nal_site.pdf.
Acesso em: 15 set. 2020.
§ Documento que estabelece as bases do currículo e das práticas de
aprendizagem da Educação Básica no Brasil.
BOURDON, R.; BOURRICAUD, F. Dicionário crítico de Sociologia. São
Paulo: Ática, 2001.
§ Ao longo de 101 verbetes, o dicionário aponta as questões fun-
damentais da Sociologia, discutindo as orientações teóricas mais
importantes do ponto de vista dos fenômenos sociais. Cada
verbete vem acompanhado de uma bibliografi a básica a respeito
daquele tópico.
CARVALHO, J. M. de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio de
Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
§ O autor aborda a construção da cidadania no Brasil, com ênfase na
questão dos direitos civis, sociais e políticos.
CASTELLS, M. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 2013.
§ Uma obra clássica sobre as transformações sociais provocadas pelo
processo de desenvolvimento da internet e outras tecnologias de
comunicação no mundo contemporâneo.
CASTRO, I. E. de C. Geogra� a e política: território, escalas de ação e
instituições. São Paulo: Bertrand, 2005.
§ A obra trabalha as relações entre espaço e política, buscando com-
preender como a política, no seu sentido institucional e operacional,
se insere nas mais diferentes esferas da sociedade contemporânea.
CHAUÍ, M. Introdução à história da Filoso� a. São Paulo: Companhia
das Letras, 2002. v. 1.
§ A obra analisa aspectos centrais do pensamento fi losófi co na Grécia
Antiga, contribuindo para a compreensão do processo histórico de
formação da tradição fi losófi ca ocidental.
CLAPHAM, A. Human rights: a very short introduction. Oxford: Oxford
University Press, 2009.
157
D3-CH-EM-3075-V2-FINAIS-146-160-LA-G21_VU1_4.indd 157D3-CH-EM-3075-V2-FINAIS-146-160-LA-G21_VU1_4.indd 157 17/09/2020 15:4517/09/2020 15:45
§ Nesse livro, o autor analisa o conceito de direitos humanos, abor-
dando de suas origens históricas até o presente, trazendo à tona
discussões que vão desde o direito à saúde até a prática de deten-
ções arbitrárias no contexto de combate ao terrorismo.
DORTIER, J.-F. (dir.). Dicionário de Ciências Humanas. São Paulo: WMF
Martins Fontes, 2010.
§ Dicionário enciclopédico com os principais conceitos da área das
Ciências Humanas, abrangendo as disciplinas de antropologia,
demografi a, economia, geografi a, história, linguística, fi losofi a, ciên-
cias políticas e da educação, entre outras.
ESPINOSA, B. de. Ética. Belo Horizonte: Autêntica, 2009.
§ Em sua principal obra, o fi lósofo holandês elabora suas ideias sobre
ética e o modo de se alcançar uma vida ética.
FOUCAULT, M. Microfísica do poder. São Paulo: Paz & Terra, 2014.
§ Essa obra reúne diversos textos do fi lósofo francês que exploram a
questão do poder e suas implicações sociais.
GIDDENS, A.; SUTTON, P. W. Conceitos essenciais da Sociologia. São
Paulo: Unesp, 2014.
§ A obra apresenta alguns dos conceitos essenciais da Sociologia,
fornecendo elementos para a compreensão de temas e processos
sociais que marcam o mundo contemporâneo.
HUNT, L. A invenção dos direitos humanos: uma história. Tradução:
Rosaura Eichenberg. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
§ A historiadora estadunidense Lynn Hunt traça a gênese e a evolução
da ideia e da prática dos direitos humanos no mundo, mobilizando
conhecimentos que vão da fi losofi a à história do cotidiano na Europa
e na América.
LEE, K. et al. (ed.). Human and civil rights: essential primary sources.
Farmington Hills: Thomson Gale, 2006.
§ Essa obra reúne e contextualiza documentos variados – discursos,
legislação, artigos de revistas e jornais, ensaios, memórias, cartas,
entrevistas, romances, canções e obras de arte – que abordam ques-
tões referentes aos direitos humanos.
LEVITSKY, S.; ZIBLATT, D. Como as democracias morrem. Rio de
Janeiro: Zahar, 2018.
§ O livro analisa os diferentes momentos em que as democracias tra-
dicionais entraram em crise e procura mostrar de que forma muitos
158
D3-CH-EM-3075-V2-FINAIS-146-160-LA-G21_VU1_4.indd 158D3-CH-EM-3075-V2-FINAIS-146-160-LA-G21_VU1_4.indd 158 17/09/2020 15:4517/09/2020 15:45
governos na atualidade vêm colocando em risco a democracia em
seus países, utilizando-se das regras de funcionamento das próprias
instituições democráticas.
LEWIS, J. R.; SKUTSCH, C. The human rights enciclopedia. New York:
Sharpe Reference, 2001.
§ Essa enciclopédia sobre direitos humanos oferece uma abordagem
país a país, com verbetes sobre tortura, escravidão, asilo, genocídio,
reféns, prisão e liberdade de imprensa, entre muitos outros.
MARCONDES, D. Textos básicos de ética: de Platão a Foucault. Rio de
Janeiro: Zahar, 2007.
§ A obra traz uma seleção de textos de fi lósofos que se dedicaram a
analisar problemas de ética, fornecendo um panorama geral da his-
tória da fi losofi a e do modo como diferentes pensadores refl etiram
sobre questões éticas.
MARTINS, A. R. de Q.; ELOY, A. A. da S. (org.). Educação integralpor
meio do pensamento computacional. Curitiba: Appris, 2019.
§ Conjunto de artigos relacionados ao pensamento computacional e
relatos de experiências sobre como esse conceito foi aplicado em
sala de aula.
MORAES, A. C. R. Ideologias geográ� cas: espaço, cultura e política no
Brasil. São Paulo: Annablume, 2005.
§ A obra analisa a Geografi a por meio de uma visão crítica, levantando
indagações e valorizando a política, a democracia e a liberdade.
MOTA, C. G.; LOPEZ, A. História do Brasil: uma interpretação. São
Paulo: Editora 34, 2016.
§ Os autores traçam um olhar panorâmico sobre a história do
Brasil, desde os tempos pré-cabralinos até as primeiras décadas
do século XXI, aprofundando as discussões sobre o desenvolvi-
mento do país e os entraves que impedem a real modernização
da sociedade brasileira.
PIKETTY, T. O capital no século XXI. São Paulo: Intrínseca, 2014.
§ A obra analisa o processo de concentração de riqueza no mundo
contemporâneo e suas implicações sociais, políticas e econômicas.
PINSKY, J.; PINSKY, C. B. (org.). História da cidadania. São Paulo:
Contexto, 2014.
§ Essa obra reúne ensaios de diferentes historiadores, que analisam
como se deu a construção da ideia de cidadania. O livro mostra
159
D3-CH-EM-3075-V2-FINAIS-146-160-LA-G21_VU1_4.indd 159D3-CH-EM-3075-V2-FINAIS-146-160-LA-G21_VU1_4.indd 159 17/09/2020 15:4517/09/2020 15:45
os diferentes signifi cados que esse conceito adquiriu desde a
Antiguidade até os dias de hoje.
SARTRE, J.-P. Existencialismo é um humanismo. São Paulo:
Vozes, 2014.
§ Nessa obra, o fi lósofo francês sistematiza suas ideias de forma didá-
tica, explorando as implicações éticas da perspectiva existencialista.
SANTOS, J. de O. Educação emocional na escola. Salvador:
Faculdade Castro Alves, 2000.
§ A obra discute o conceito de inteligência emocional e as possibi-
lidades de trabalhar com essas questões em sala de aula.
SANTOS, M. O espaço do cidadão. São Paulo: Edusp, 2007.
§ Livro lançado em 1987 que continua bastante atual para discutir
desigualdades e território no Brasil.
SCHWARCZ, L. M.; STARLING, H. M. Brasil: uma bibliografi a. São
Paulo: Companhia das Letras, 2015.
§ As autoras constroem um amplo painel dos mais de 500 anos
da história do Brasil, lançando um olhar não só para os fatos
marcantes mas também para o cotidiano, incluindo as minorias,
as diferentes formas de expressão artística e os embates sociais.
SCHWARCZ, L. M. Sobre o autoritarismo brasileiro. São Paulo:
Companhia das Letras, 2019.
§ Essa obra refl ete sobre a tradição política brasileira e o impacto
de práticas autoritárias na formação do Brasil.
SILVA, K. V.; SILVA, M. H. Dicionário de conceitos históricos. São
Paulo: Contexto, 2006.
§ Dicionário com importantes conceitos históricos discutidos e ana-
lisados de forma a relacionar o saber histórico com a prática em
sala de aula. Muitas vezes, os conceitos apresentados estabelecem
relação com a realidade brasileira e latino-americana.
VINCENT-LACRAIN, S. et al. Desenvolvimento da criatividade e do
pensamento crítico dos estudantes: o que signifi ca na escola. São
Paulo: Fundação Santillana, 2020.
§ Obra elaborada pela Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE) reunindo artigos de espe-
cialistas na área da educação que discutem como construir
ambientes de aprendizagem nos quais os alunos possam exercitar
suas competências de criatividade e pensamento crítico.
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Orientações
para o professor
Sumário
• Parte I • Um mundo em transformação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 162
Educação para o século XXI . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 162
Brasil: o mundo mudou, e a nossa escola? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 163
• Parte II • O Novo Ensino Médio e a BNCC . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 165
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 165
• Parte III • Abordagem teórico-metodológica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 169
Principais fundamentos metodológicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 169
Práticas de pesquisa sociais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 173
Metodologias ativas de aprendizagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 177
• Parte IV • Recursos e estratégias didáticas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 181
Organização das seções de textos e atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 181
Sugestões de cronogramas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 183
• Parte V • O processo de avaliação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 184
Avaliar para quê? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 184
Principais modelos de avaliação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 186
• Parte VI • O trabalho com este volume . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 191
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162162
Um mundo em transformação
Educação para o século XXI
No século XXI, a aceleração das inovações tecnológicas ocorre em intervalos de tempo
cada vez mais curtos, acarretando nas sociedades uma série de transformações nos âmbitos
político, econômico, social e cultural.
Diante dessas transformações vertiginosas da tecnologia, surgem novos produtos e
novas maneiras de produzi-los; profissões são extintas e outras são criadas; alteram-se as
formas de comunicação e as relações interpessoais. As instituições também são modificadas
para se adequar à nova realidade. A escola, por exemplo, se vê diante da necessidade de
rever suas práticas na formação dos sujeitos que vivem nesse mundo atual.
A educação contemporânea pressupõe a formação para a vida, no sentido de habilitar
o jovem à leitura e à análise crítica da realidade, além de promover o seu desenvolvimento
integral, individual e social. Para atingir esse objetivo, é importante valorizar os conheci-
mentos prévios dos estudantes no processo de ensino e aprendizagem.
O biólogo, psicólogo e filósofo suíço Jean Piaget (1896-1980) foi um dos pioneiros no
estudo do desenvolvimento cognitivo e intelectual e do processo de construção do conhe-
cimento. Embora o foco de Piaget não fosse a educação formal, suas pesquisas serviram de
base para que outros estudiosos entendessem que o ponto de partida para a construção
de um novo conhecimento é aquilo que o estudante já sabe. Amparado nas pesquisas de
Piaget, David Ausubel (1918-2008), psicólogo estadunidense da área educacional, foi um dos
primeiros a usar o termo conhecimento prévio. Para ele, o conjunto de saberes que um
estudante traz é extremamente importante para a elaboração de novos conhecimentos e
para a garantia de uma aprendizagem significativa1.
Na escola do século XXI, marcada pelo fenômeno da globalização e da sociedade da
informação, torna-se também fundamental a promoção da discussão, da interpretação
dos fatos, da análise crítica das informações e o uso criativo das novas tecnologias para a
construção de conhecimentos. Segundo Maria Lúcia de Arruda Aranha:O problema educacional não está, portanto, apenas em utilizar a tecnologia como
instrumento avançado no ensino, acompanhar a sua evolução no mundo do trabalho,
ou ainda estabelecer a interação entre a escola e a educação informal dos meios de
comunicação de massa,
mas questionar como deve ser daqui em diante uma pedagogia que realmente
oriente o cidadão para compreender o mundo transformado pela técnica e atuar sobre
ele de maneira crítica. Mais ainda, aprender de modo contínuo — tanto o aluno como o
professor —, já que essas transformações continuarão ocorrendo de modo vertiginoso2.
1Como aponta a pedagoga Cynthia Duk: “A aprendizagem significativa implica proceder a uma representação interna e pessoal
dos conteúdos escolares, estabelecendo relações substantivas entre o novo conteúdo de aprendizagem e o que já se sabe. Neste
processo de construção modificam-se conhecimentos e esquemas prévios e cria-se uma nova representação ou conceituação. Nesta
perspectiva, a aprendizagem não é um processo linear de acumulação de conhecimentos, mas uma nova organização do conhe-
cimento, que diz respeito tanto ao ‘saber sobre algo’ (esquemas conceituais), como o ‘saber o que fazer’ e, ainda, como ‘com o que
se sabe’ (esquemas de procedimentos) e o ‘saber quando utilizá-lo’ (em que situações usar o que se sabe). In: DUK, C. Educar na
diversidade. Brasília: MEC/SEESP], 2006. p. 172-173.
2ARANHA, M. L. A. História da educação e da pedagogia: geral e Brasil. São Paulo: Moderna, 2006, p. 440-441.
> PARTE I
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Essa reflexão pode ser complementada com a seguinte afirmação do historiador
Nicolau Sevcenko (1952-2014): “[a crítica] é a contrapartida cultural diante da técnica, é o
modo de a sociedade dialogar com as inovações, ponderando sobre seu impacto, avaliando
seus efeitos e perscrutando seus desdobramentos. A técnica, nesse sentido, é socialmente
consequente quando dialoga com a crítica”3.
Nesse sentido, a escola e a sociedade como um todo precisam estabelecer um diálogo
crítico com essas inovações tecnológicas para a avaliação dos seus impactos, efeitos e des-
dobramentos no mundo contemporâneo. Segundo Sevcenko, esse diálogo pressupõe três
movimentos fundamentais:
O primeiro consiste em conseguirmos desprender-nos do ritmo acelerado das
mudanças atuais [...]. O segundo requer que recuperemos [...] o tempo histórico, aquele
que nos fornece o contexto no interior do qual podemos avaliar a escala, a natureza, a
dinâmica e os efeitos das mudanças em curso, bem como quem são seus beneficiários
e a quem elas prejudicam. O terceiro movimento seria, então, o de sondar o futuro a
partir da crítica em perspectiva histórica, ponderando como a técnica pode ser posta a
serviço de valores humanos, beneficiando o maior número de pessoas.4
> REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS COMENTADAS
• ARANHA, M. L. A. História da educação e da pedagogia: geral e Brasil. São Paulo: Moderna, 2006.
O livro apresenta um amplo panorama da história da educação e da pedagogia. Cada um dos capítulos
da obra está dividido em: Introdução, Contexto histórico, Educação (descrição de práticas educativas),
Pedagogia, textos e atividades complementares. O livro traz importantes referências para a discussão
dos rumos da educação na atualidade.
• SEVCENKO, N. A corrida para o século XXI: no loop da montanha-russa. São Paulo: Companhia das
Letras, 2001.
Nesse livro, Sevcenko utiliza a imagem da montanha-russa para tratar do desenvolvimento tecnológico
das sociedades ocidentais. Na obra, o historiador desenvolve o conceito de “síndrome do loop” para
caracterizar a postura de muitos contemporâneos ante as grandes mudanças políticas e econômicas
e da difusão das novas tecnologias globais. Essa síndrome, segundo Sevcenko, tende a acentuar a pas-
sividade das pessoas e torná-las menos reflexivas e críticas diante da precipitação das transformações
tecnológicas.
Brasil: o mundo mudou, e a nossa escola?
No Brasil, após o término do regime civil-militar (1964-1985) e o restabelecimento
da democracia, algumas conquistas foram alcançadas, entre elas a promulgação da
Constituição Federal de 1988, que estabelece a educação como direito de todos e
dever do Estado e da família, a fim de garantir o pleno desenvolvimento do indi-
víduo, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
Veja a seguir as principais mudanças educacionais no Brasil a partir dessas diretrizes
constitucionais.
3SEVCENKO, N. A corrida para o século XXI: no loop da montanha-russa. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. p. 17.
4Idem, ibidem, p. 19.
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» Mudanças educacionais no Brasil
Acompanhe o percurso das principais leis e diretrizes educacionais da década de 1990 a 2018.
3 Muitas foram as contribuições da LDB para o avanço das reflexões educacio-
nais no país, entre elas as diretrizes fornecidas para a elaboração dos Parâmetros
Curriculares Nacionais, que deram ênfase à compreensão do processo de aprendiza-
gem do estudante, ao desenvolvimento de competências e habilidades, à formação
para o exercício da cidadania e à discussão de temas transversais, como Ética,
Pluralidade Cultural, Meio Ambiente, Saúde, Trabalho, Consumo e Orientação Sexual.
> PCNS 1997-1998
1 Após um longo período de debates, foi aprovada
a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei
no 9394/96), que dispôs sobre os princípios e fins da
educação no país, baseados na igualdade de condições
para o acesso e permanência na escola; na liberdade
de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o
pensamento, a arte e o saber; no pluralismo de ideias e
de concepções pedagógicas; no respeito à liberdade e
apreço à tolerância, entre outros princípios.
> LDB 1996
6 Em 2018, foram atualizadas as Diretrizes Curriculares
Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM/2018). As
DCNEM/2018 trazem orientações e definições para o
planejamento dos currículos escolares e para os siste-
mas de ensino. As DCMs determinam que a proposta
pedagógica das unidades escolares deve considerar,
entre outros aspectos, o reconhecimento e atendimento
da diversidade e das diferentes nuances da desigualdade
e da exclusão na sociedade brasileira e a promoção
dos direitos humanos mediante a discussão de temas
relativos a raça e etnia, religião, gênero, identidade de
gênero e orientação sexual, pessoas com deficiência,
entre outros, bem como práticas que contribuam para
a igualdade e para o enfrentamento de preconceitos,
discriminação e violência sob todas as formas.
> DCNEM 2018
2 Desde 1996, o Programa Nacional do Livro Didático
(PNLD) prevê a avaliação pedagógica dos livros inscritos no
processo de seleção do Ministério da Educação. Essa avalia-
ção toma como base os documentos oficiais da educação do
país. O PNLD garantiu a universalização da distribuição do
livro didático na rede pública de ensino e a livre escolha dos
docentes das obras aprovadas.
> PNLD 1996
5 O processo de elaboração da Base Nacional
Comum Curricular (BNCC) durou cerca de quatro
anos e, para isso, foram consultadas diversas
entidades representativas dos diferentes seg-
mentos envolvidos com a Educação Básica. Em
dezembro de 2017, a BNCC da Educação Infantil
e do Ensino Fundamental foi normatizada pelo
Conselho Nacional de Educação e homologada
pelo MEC. A parte referente ao Ensino Médio foi
entregue ao CNE em abril de 2018 e aprovada e
homologada em dezembro do mesmo ano.
> BNCC 2017-2018
4 Um novo modelo de
Ensino Médio foi sancio-
nado pela Lei no 13.415, de
16 de fevereiro de 2017,
que alterou a LDB de 1996.
Essa lei determinou o
aumento da carga horária
mínima, a ampliação das
escolas de tempo integral
e a possibilidade de todos
os estudantes dessa etapa
escolar poderem escolher