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• O trauma torácico responde por 20 a 25% das mortes em politraumatizados. • 85% das vítimas podem ser tratadas adequadamente com suporte respiratório, analgesia e drenagem pleural • As mortes precoces, ainda no local do trauma, acontecem, principalmente, por contusão miocárdica e rotura de aorta. AVALIAÇÃO INICIAL 1. Exame primário e reanimação - X A B C D E 2. Medidas auxiliares ao exame primário - SSVV - ECG - FAST - LPD - Gasometria - Rx de tórax e pelve “AP” - SNG e Vesical 3. Exame secundário e história - A M P L A 4. Medidas auxiliares ao exame secundário - Rx de tórax, pelve, coluna 5. Reavaliação e monitorização contínua 6. Cuidados definitivos Lesões Com Risco Imediato De Morte OBSTRUÇÃO DE VIAS AÉREAS • Lesão de laringe o Rouquidão o Enfisema subcutâneo • TRATAMENTO o IOT cuidadosa o Traqueostomia PNEUMOTÓRAX HIPERTENSIVO • Ocorre quando há vazamento de ar para o espaço pleural por um sistema de “válvula unidirecional”. Progressivamente, acontece o colapso do pulmão, com deslocamento do mediastino para o lado oposto, levando à diminuição do retorno venoso e à compressão do pulmão contralateral • O diagnóstico de pneumotórax hipertensivo é clínico, e seu tratamento nunca deve ser postergado à espera de confirmação radiológica. • QUADRO CLINICO o Dor torácica e desconforto respiratório o Taquidispneia o Taquicardia o Hipotensão o Desvio da traqueia contralateral o MV abolidos + hipertimpanismo o Turgência jugular • TRATAMENTO o Toracocentese descompressiva no 5° espaço intercostal, na linha hemiaxilar do lado afetado, o que transforma o pneumotórax hipertensivo em simples. o O tratamento definitivo consiste em drenagem torácica “em selo d’água” no mesmo quinto espaço intercostal, entre a linha axilar anterior e a média DRENAGEM PLEURAL • E se eu drenei, e o pulmão não expandiu totalmente? o Pneumotórax residual • Considerar o Mal posicionamento do dreno o Dreno fechado o Fistula brônquica o Fenestra no subcutâneo ou não inserida • Tratamento o Segundo dreno aspiração intermitente PNEUMOTÓRAX ABERTO • Acontece nos casos de ferimento da parede torácica, com diâmetro maior do que 2/3 do diâmetro da traqueia • A entrada de ar no espaço pleural leva a um colabamento do pulmão e só cessa quando a pressão intrapleural se equilibra com a pressão atmosférica. • A ventilação fica prejudicada, com consequentes hipóxia e hipercapnia. Ocorrem, também, diminuição do retorno venoso e hipotensão. • QUADRO CLINICO o “Ferida torácica aspirativa”, ou traumatopneia o Desconforto respiratório o Sinais de instabilidade hemodinâmica o Redução do MV e expansibilidade torácica o Timpanismo o Taquipneia o Hipoxemia • TRATAMENTO o Curativo de 3 pontas é o tratamento inicial - Passa a funcionar como válvula unidirecional, permitindo a saída do ar durante a expiração e colabando na inspiração, impedindo a entrada de ar no espaço pleural. o Drena-se o tórax afetado no quinto espaço intercostal. o Após a estabilização do paciente, deve-se realizar o tratamento definitivo, com síntese cirúrgica da lesão na parede torácica. LESÃO DA ÁRVORE TRAQUEOBRÔNQUICA • Trata-se de um tipo incomum de lesão, que costuma passar despercebido no exame inicial. • As lesões mais frequentes ocorrem próximas à carina no trauma contuso, por exemplo, a avulsão do brônquiofonte direito. • QUADRO CLINICO o Sinais e sintomas da lesão podem ser inespecíficos, como cianose, hemoptise, enfisema subcutâneo e dispneia. o Pneumotórax é um achado comum. o O principal elemento clínico para diagnóstico é o grande vazamento de ar após drenagem torácica. • O diagnóstico de lesão da árvore traqueobrônquica é confirmado por broncoscopia ou TC • TRATAMENTO o Lesões menores de 1/3 do diâmetro da traqueia = conduta conservadora o Lesões maiores de traqueia, carina e brônquiofonte direito devem ser tratadas por toracotomia o Lesões maiores do que 1 terço do diâmetro da traqueia geralmente são tratadas com reparo primário HEMOTÓRAX MACIÇO • Acúmulo de mais de 1.500 mL de sangue na cavidade pleural • Frequentemente por ferimentos penetrantes que ocasionam lesão em vasos pulmonares e hilares • O diagnóstico é eminentemente clínico, e não é necessária a confirmação radiológica. • QUADRO CLINICO o Sinais de choque e da insuficiência respiratória o Ausência de murmúrio vesicular do lado afetado o Macicez à percussão • TRATAMENTO o Reposição volêmica agressiva, com cristaloide e sangue. o Drenagem de tórax o Autotransfusão do sangue aspirado será possível. o Indica-se toracotomia de urgência em caso de drenagem imediata > 1.500 mL de sangue ou > 200 mL/h nas 2 a 4 horas seguintes à drenagem, ou quando há necessidade de hemotransfusão contínua TAMPONAMENTO CARDÍACO • Ocorre pelo acúmulo de sangue no saco pericárdico, estrutura inelástica, levando à compressão cardíaca, ao comprometimento do retorno venoso e ao choque obstrutivo • Frequentemente causado por ferimentos penetrantes, porém pode ocorrer por trauma contuso • A cavidade mais comumente lesada é o ventrículo direito, por sua localização mais anterior • QUADRO CLINICO o Tríade de Beck: Hipotensão, hipofonese de bulhas, turgência jugular o Sinal de Kussmaul (aumento da pressão venosa na inspiração espontânea) e a AESP. • DIAGNÓSTICO o FAST - será possível avaliar a presença de líquido no saco pericárdico o Ecocardiograma • TRATAMENTO o Pericardiocentese - por meio de punção subxifóidea e aspiração de sangue não coagulado presente no saco pericárdico. Lesões Diagnost icadas No Exame Secundário PNEUMOTÓRAX SIMPLES • Resulta da entrada de ar no espaço pleural, entre as pleuras visceral e parietal, e pode ocorrer por trauma penetrante ou contuso, neste último, geralmente, em razão de vazamento de ar por laceração pulmonar. • QUADRO CLINICO o Redução do murmúrio vesicular no lado afetado o Diminuição da expansibilidade torácica o Timpanismo à percussão o Dor torácica o Hipoxia • DIAGNÓSTICO o Clinico o Rx de tórax em expiração, bem mais sensível do que em inspiração para o pneumotórax • TRATAMENTO o Drenagem pleural o Os pacientes com pneumotórax que necessitem de transporte aéreo também devem ser drenados previamente. HEMOTÓRAX • Acontece por laceração pulmonar, rotura de um vaso intercostal ou da artéria mamária interna, ou fratura luxação da coluna torácica. • A maioria dos sangramentos é autolimitada e não necessita de tratamento cirúrgico hemostático específico, apenas de drenagem pleural, em 85% dos casos. • CLASSIFICAÇÃO o Pequeno (300 a 500 mL) o Médio (500 a 1.500 mL) o Grande ou maciço (acima de 1.500 mL) • QUADRO CLINICO o Diminuição do murmúrio vesicular do lado afetado o Discreta macicez à percussão. • DIAGNÓSTICO o A radiografia de tórax evidencia hemotórax a partir de 200 mL de volume. • TRATAMENTO o Drenagem de tórax CONTUSÃO PULMONAR • Trata-se da lesão torácica potencialmente letal mais comum, especialmente perigosa nos idosos, cuja reserva funcional pulmonar é menor • QUADRO CLÍNICO é de insuficiência respiratória • DIAGNÓSTICO o O RX de tórax inicial pode ser normal e, após 24 a 48 horas, evidenciar área de contusão o TC o exame indicado para melhor avaliação da área de contusão pulmonar. TÓRAX INSTÁVEL COM CONTUSÃO PULMONAR • Também conhecido como tórax flácido, ocorre pela perda da continuidade de um segmento da parede torácica com o restante do arcabouço ósseo. • É necessário haver fratura de 2 ou mais costelas em pelo menos 2 pontos adjacentes. • QUADRO CLINICO o Movimentos torácicos assimétricos e descoordenados (movimento paradoxal) o Crepitação à palpação das costelas o Dor torácica intensa • TRATAMENTO o Analgesia o IOT em caso de insuficiência respiratória o Ventilaçãomecânica CONTUSÃO CARDÍACA • Pode ocorrer lesão cardíaca no trauma fechado por contusão da musculatura cardíaca, rotura de câmara (tamponamento cardíaco), fratura de esterno (lesões valvulares) • A lesão mais habitual é a do ventrículo direito, que se encontra mais próximo ao esterno em posição anterior • QUADRO CLINICO o Desconforto torácico o Hipotensão • DIAGNÓSTICO o ECG - estão presentes extrassístoles ventriculares múltiplas, taquicardia sinusal, fibrilação atrial, bloqueio de ramo (principalmente à direita) e alteração do segmento ST e da onda T → ARRITMIA o Ecocardiograma para avaliação diagnóstica o Dosagem dos níveis de CK-MB • Normalmente, não requer nenhum tratamento específico, salvo naqueles que evoluem com problemas de contratilidade cardíaca. ROTURA TRAUMÁTICA DA AORTA • A maioria das vítimas com rotura da aorta morre no local do trauma. • As que chegam ao pronto-socorro apresentam lesões incompletas, mais comumente próximas ao ligamento arterial (ligamento de Botallo), com hematoma restrito ao mediastino. • DIAGNÓSTICO o RX de tórax - Alargamento do mediastino ≥ 6 cm em pessoas com menos de 60 anos e ≥ 8 cm em pessoas com mais de 60 anos (sinal mais comum) - Boné apical - Apagamento do contorno aórtico - Obliteração da janela aortopulmonar - Rebaixamento do brônquio fonte esquerdo - Hemotórax esquerdo - Fratura dos 2 primeiros arcos costais - Fratura da escápula - Desvio da traqueia para a direita o TC de tórax simples ou multislice com contraste o Angiotomografia o Ecocardiograma transesofágico. • TRATAMENTO pode ser feito por cirurgia convencional ou intravascular. ROTURA TRAUMÁTICA DO DIAFRAGMA • Nos traumas contusos, em geral, ocorrem roturas radiais grandes com herniação • As lesões por trauma penetrante acarretam, perfurações pequenas, que resultam em hérnias diafragmáticas tardias. • QUADRO CLINICO o Dor torácica e sinais de insuficiência respiratória o Apesar de ser raro, é possível auscultar ruídos hidroaéreos no tórax quando há herniação de vísceras ocas. • DIAGNÓSTICO o RX - Irregularidade ou obliteração do diafragma - Densidade de partes moles acima do diafragma (“pneumotórax loculado”) - Desvio do mediastino para o lado oposto e derrame pleural. - Para aumentar a sensibilidade diagnóstica, é possível passar uma sonda nasogástrica e realizar radiografia de tórax para visualizá-la na cavidade torácica. • TRATAMENTO o Cirúrgico, com a redução da hérnia, geralmente por laparotomia, e a correção do diafragma com sutura primária nas lesões menores ou utilização de prótese (tela) nos ferimentos maiores. ROTURA ESOFÁGICA POR CONTUSÃO • Raro • Efluente suspeito na drenagem pleural • Tratamento cirúrgico FERIMENTO TRANSFIXANTE DE MEDIASTINO • Este ferimento pode causar lesões de coração, grandes vasos, árvore traqueobrônquica ou esôfago. • O diagnóstico é feito pela presença de orifício de entrada em um hemitórax e saída no outro, ou presença do projétil à radiografia no hemitórax contralateral ao do orifício de entrada. A presença de enfisema do mediastino sugere lesão esofágica ou traqueobrônquica, e hematoma do mediastino ou extrapleural apical sugere lesão traumática de grandes vasos. • Os pacientes com instabilidade hemodinâmica devem ser encaminhados ao centro cirúrgico, assim como aqueles que preenchem os critérios de toracotomia de emergência. • Aos pacientes estáveis, a TC contrastada de tórax ou, preferencialmente, a angiotomografia são os exames de escolha para a avaliação diagnóstica inicial, associadas ou não ao ecocardiograma, reservando-se a endoscopia ou o esofagograma e a arteriografia àqueles com suspeita tomográfica de lesão esofágica ou vascular