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30 Crimes Contra a Inviolabilidade de Correspondência - 4 Semestre

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Crimes Contra a Inviolabilidade de Correspondência: 
Disciplina: Direito Penal 111 
 Objetiva-se proteger a liberdade de manifestação de pensamento, de 
comunicação. Assim, todos têm direito de se comunicar, de se corresponder, 
sem que terceiros se intrometam nessas relações. 
- A Constituição Federal (art. 5º) consagra a garantia da inviolabilidade do 
sigilo das comunicações por carta, telegráfica, de transmissão de dados e 
telefônica. 
✓ Comunicação por carta e telegráfica: correspondência por carta ou 
epistolar é a comunicação por meio de cartas ou qualquer outro 
instrumento de comunicação escrita; telegráfica é a comunicação por 
telegrama. 
✓ Comunicações telefônicas: a transmissão, emissão, receptação e 
decodificação de sinais linguísticos, caracteres escritos, imagens, sons, 
símbolos de qualquer natureza veiculados pelo telefone estático ou móvel 
(celular). 
- Nas comunicações telefônicas incluem-se as transmissões de 
informações e dados constantes de computadores e telemáticos, desde que 
feitas por meio de cabos telefônicos (email, electronic-mail). 
- Em se tratando de comunicação telefônica, com transmissão de voz ou 
de dados, o sigilo poderá ser quebrado: se houver prévia autorização 
judicial; se a finalidade for instruir investigação policial ou processo 
criminal; desde que haja indícios razoáveis de autoria ou participação em 
crime; desde que o crime seja punido com reclusão; e somente quando 
aquela prova não puder ser produzida por nenhum outro meio disponível. 
Observação: interceptação provém de interceptar. Interceptar é intrometer e 
interromper, significando, portanto, a conduta de terceiro, estranho à 
conversa, que se intromete e capta a conversa dos interlocutores (pena de 
reclusão, de 2 a 4 anos, e multa). 
- Subdivide-se em: interceptação em sentido estrito, que é a captação da 
conversa por terceiro sem o conhecimento de qualquer dos interlocutores; e 
escuta telefônica, que é a captação da conversa com o consentimento de 
apenas um dos interlocutores. A polícia costuma fazer escuta em casos de 
sequestro, em que a família da vítima geralmente consente nessa prática, 
obviamente sem o conhecimento do sequestrador, que está do outro lado da 
linha. 
→ Violação de correspondência (art. 151) 
 Devassar indevidamente o conteúdo de correspondência fechada dirigida a 
outrem (pena de detenção, até 6 meses, ou pagamento não excedente a 20 
dias-multa). 
→ Sonegação ou destruição de correspondência 
 Incorre nas mesmas penas quem se apossa indevidamente de 
correspondência alheia, embora não fechada, para sonegá-la ou destruí-
la, no todo ou em parte. 
→ Violação de comunicação telegráfica, radioelétrica ou telefônica 
Crimes Contra a Inviolabilidade de Correspondência: 
Disciplina: Direito Penal 111 
 Quem indevidamente divulga, transmite a outrem ou utiliza abusivamente 
comunicação telegráfica ou radioelétrica dirigida a terceiro, ou conversação 
telefônica entre outras pessoas. 
→ Impedimento de comunicação ou conversação 
 Quem impede a comunicação ou a conversação referida no número anterior. 
→ Instalação ou utilização de estação ou aparelho radioelétrico, sem 
observância de disposição legal 
 Constitui crime punível com a pena de detenção de 1 a 2 anos, aumentada 
da metade se houver dano a terceiro, a instalação ou utilização de 
telecomunicações, sem observância do disposto nesta lei e nos regulamentos. 
→ Causa de aumento de pena 
 As penas aumentam-se de metade, se há dano para outrem. 
→ Qualificadora 
 Se o agente comete o crime, com abuso de função em serviço postal, 
telegráfico, radioelétrico ou telefônico (pena de detenção, de 1 a 3 anos). 
→ Correspondência comercial 
 Abusar da condição de sócio ou empregado de estabelecimento comercial ou 
industrial para, no todo ou em parte, desviar, sonegar, subtrair ou suprimir 
correspondência, ou revelar a estranho seu conteúdo (pena de detenção, de 
3 meses a 2 anos). 
 Violação de correspondência (art. 151) 
 Devassar indevidamente o conteúdo de correspondência fechada dirigida a 
outrem (pena de detenção, até 6 meses ou pagamento não excedente a 20 
dias-multa). 
→ Elementos do tipo 
 A ação nuclear do tipo consubstancia-se no verbo devassar, que significa 
invadir, olhar, tomar conhecimento do conteúdo da correspondência. 
 Observação: é toda comunicação de pessoa a pessoa, por meio de carta, 
através da via postal, ou por telegrama. 
 O objeto material do crime é a correspondência fechada. Assim, exige-se 
que a correspondência esteja fechada, pois, se estiver aberta, tal fato 
demonstra que não há interesse em que seu conteúdo fique resguardado do 
conhecimento de terceiros. 
- Ademais, a correspondência deve conter o nome do destinatário e o 
endereço onde possa ser encontrado, do contrário, não há falar em crime de 
violação de correspondência. Entretanto se o destinatário falecer, caberá aos 
seus herdeiros o direito de abrir a correspondência. 
 Observação: o tipo penal exige que a devassa da correspondência alheia seja 
indevida, isto é, que o agente não tenha autorização para tanto. Assim, se 
houver consentimento do remetente ou do destinatário para que terceiro abra 
a correspondência, não há falar no crime em tela. 
→ Sujeitos 
Crimes Contra a Inviolabilidade de Correspondência: 
Disciplina: Direito Penal 111 
a) Sujeito ativo: trata-se de crime comum. Assim, qualquer pessoa pode 
cometer o delito em tela, com exclusão do remetente e do destinatário. 
 Observação: remetente, é o indivíduo que manifesta o seu pensamento; 
destinatário, é aquele que recebe a manifestação, ou seja, a quem se destina 
a correspondência. 
b) Sujeito passivo: cuida-se de crime de dupla subjetividade passiva. Assim, 
os sujeitos passivos são o remetente e o destinatário. 
 Observação: os objetos postais pertencem ao remetente até a sua entrega a 
quem de direito. Quando a entrega não tenha sido possível em virtude de erro 
ou insuficiência de endereço, o objeto permanecerá à disposição do 
destinatário, na forma prevista nos regulamentos. 
→ Elemento subjetivo 
 É punível somente a título de dolo, consubstanciado na vontade de devassar 
indevidamente a correspondência alheia. 
 Observação: o erro de tipo afasta o dolo, assim, não há crime se o agente 
abre a correspondência supondo ser ele o destinatário. 
→ Momento consumativo 
 Consuma-se o delito no momento em que o agente toma conhecimento, ainda 
que parcialmente, do conteúdo da correspondência fechada. Não basta a 
abertura da correspondência para que o crime se repute consumado, exige-
se o conhecimento de seu conteúdo. 
→ Ação penal 
 O crime é de ação penal condicionada à representação do ofendido. 
 Sonegação ou destruição de correspondência (art. 151) 
 Incorre nas mesmas penas quem se apossa indevidamente de 
correspondência alheia, embora não fechada, para sonegá-la ou destruí-
la, no todo ou em parte. 
- Assim, trata-se de crime formal, em que se pune a conduta de se apossar 
de correspondência alheia com o fim de sonegá-la ou destruí-la. 
→ Elementos do tipo 
 A ação nuclear do tipo é o verbo apossar, isto é, reter, apoderarse da 
correspondência alheia. 
- Assim, trata-se de crime de ação livre. Assim, o apossamento pode dar-
se de diversas formas, exemplo, mediante o emprego de ameaça, violência, 
fraude, etc. Lembrando que aqui se pune o apoderamento indevido da 
correspondência, para o fim de sonegá-la* ou destruí-la, pouco importando 
se o agente teve ou não conhecimento de seu conteúdo. 
*Sonegar significa ocultar/impedir que a correspondência chegue a seu real 
destinatário; e destruir significa queimar, rasgar, tornar a correspondência 
imprestável. Ademais, sonegação ou destruição do documento pode ser total ou 
parcial. 
 Observação: o apossamento deve ser indevido. Assim, se o agente tem o 
consentimento do remetente ou do destinatário para se apossar da cor 
Crimes Contra a Inviolabilidade de Correspondência: 
Disciplina: Direito Penal 111 
respondênciaou há autorização do ordenamento jurídico para tanto, não se 
configura esse crime. 
→ Elemento subjetivo 
 É o dolo, consubstanciado na vontade de se apossar indevidamente da 
correspondência alheia. Ademais, além do dolo, exige a lei um fim especial 
de agir, consubstanciado na finalidade de sonegar ou destruir a 
correspondência alheia. 
 Observação: se o agente se apossar da correspondência com a finalidade de 
tomar conhecimento de seu conteúdo, haverá o crime de violação de 
correspondência na forma tentada. 
- Ademais, aquele que, por engano, se apossa de carta alheia, pensando-a 
sua, e a destrói, incide em erro de tipo (art. 20, CP). 
→ Momento consumativo 
 O crime se consuma no momento em que o agente se apodera da 
correspondência alheia. 
- Assim, trata-se de crime formal, em que não se exige que o agente 
sonegue ou destrua a correspondência para que o crime se consume, basta 
que o apossamento seja exercido com tal finalidade. A efetiva sonegação ou 
destruição da correspondência constituem mero exaurimento do crime, pois 
este já se considera consumado com o mero apossamento. 
→ Ação penal 
 O crime é de ação penal condicionada à representação do ofendido. 
 Pena de detenção, até 6 meses, ou pagamento não excedente a 20 dias-
multa).

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