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UNIVERSIDADE DO VALE DO TAQUARI – UNIVATES 
CURSO DE PSICOLOGIA 
 
 
PSICOLOGIA E DESENVOLVIMENTO: 
INFÂNCIA 
 
 
A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS 
 
Bruna A. Coutinho 
Taisa R. Defendi 
Maria Eduarda Cardoso 
Jane Kerolin Morari 
 
 
Lajeado, novembro de 2022. 
 
 
INTRODUÇÃO 
Este trabalho acadêmico foi proposto pela Profº Elisangela Zanelatto, docente da 
disciplina de Psicologia e Desenvolvimento: Infância, tendo como objetivo efetuar uma 
análise do livro “A menina que roubava livros”. A partir da leitura da obra, identificamos os 
principais personagens, os pontos destaques da leitura e as articulações que podemos fazer 
com o conteúdo abordado em sala de aula, sobre a infância de Liesel, e como a leitura afetou 
positivamente sua vida na narrativa. 
APRESENTAÇÃO DA HISTÓRIA 
 
A história contada tem uma narradora um tanto quanto peculiar: a Morte. A sua 
única tarefa é recolher as almas daqueles que morrem e entregá-las à esteira rolante 
da eternidade. O enredo se passa no ano de 1939, em plena Segunda Guerra 
Mundial. O cenário em questão é a Alemanha nazista, que está recebendo 
bombardeios e ataques frequentes. Os principais personagens são Liesel Meminger, 
que é protagonista, Rosa Hubermann, mãe adotiva, Hans Hubermann, pai adotivo, 
entre outros personagens. 
A mãe biológica de Liesel é perseguida pelo Nazismo por supostamente ser 
comunista, e em uma tentativa de salvar seus filhos, resolve entregá-los à adoção, 
onde Rosa e Hans Hubermann aceitam adotá-los em troca de dinheiro. Na época 
Liesel tinha dez anos e seu irmão seis, mas no percurso de trem até Munique o irmão 
de Liesel veio a óbito. Em decorrência do falecimento do irmão, Liesel acabou ficando 
sozinha com a família Hubermann. Fato curioso, Liesel se apodera de seu primeiro 
livro no sepultamento do irmão, "O manual do coveiro” foi o primeiro livro que ela leu 
durante seu processo de alfabetização. 
Hans ensina Liesel a ler de um modo tão adorável que a menina pegou gosto 
pela leitura. Ele era um contador de Histórias, fazia isso com o intuito de distrair as 
pessoas. Esse hábito, Liesel adquiriu do pai adotivo e tudo indica que foi a sua 
motivação para roubar os livros. Diante desse histórico de vida conturbado, Liesel se 
refugia nos livros furtados de bibliotecas incendiadas e da casa do prefeito de sua 
cidadezinha. Rosa, a mãe de Liesel lava as roupas sujas da família do gestor 
municipal para ajudar no orçamento familiar, e encarrega Liesel de entregá-las limpas 
na residência da família. 
 
 
A família Hubermann não possuía boa condição financeira. O Pai de Liesel era 
um pintor de paredes e sua mãe, como mencionado anteriormente, era lavadeira de 
roupas. Apesar de tantas dificuldades para sustentar sua própria família, eles 
acolharam Max Vanderburg, um judeu que estava sendo perseguido. 
Max passou a viver no porão da casa, e para passar o tempo fazia livros 
artesanais. Max e Liesel ficaram muito próximos, devido à paixão que compartilhavam 
por livros. Enquanto Liesel escrevia nas paredes do porão, os dois aprendiam coisas 
novas de um modo leve e estimulante, e a sua sede por aprender novas palavras e 
seu amor pela literatura aumentavam cada vez mais. Após Max se deparar com o 
dicionário parede de Liesel no porão pergunta a menina de onde ela tira as palavras, 
a menina prontamente responde que é segredo, porém revela ao Max que a prefeita 
a deixa ler escondida então ela memoriza as palavras e as escreve depois. Max cita 
um dizer de Aristóteles “a memória é o escriba da alma". 
Após um bombardeio onde as sirenes não soaram, quase todas as pessoas 
que Liesel conhecia acabaram por ter suas vidas ceifadas pela morte durante o sono. 
A menina foi a única sobrevivente da sua rua, graças a sua insaciável curiosidade, no 
momento do bombardeio ela estava no porão lendo. A morte só veio buscar Liesel 
aos seus noventa anos, e ainda embolsou um certo desejo de inveja, pelo jeito sábio 
e lindo que ela escolheu viver os seus longos anos de vida. 
 
 
A MORTE COMO NARRADORA 
 
A morte começa o capítulo seis desmistificando alguns mitos sobre ela: 
 “Eu não carrego gadanha nem foice, só uso um manto preto com capuz 
quando faz frio” (ZUSAK, Markus. p. 272, 2007). 
Ela parece querer fazer com que afastemos, a todo custo, sua imagem de “má” 
enquanto pede para procurarmos um espelho para que saibamos sua verdadeira 
aparência, como se tentasse explicar que ela é algo natural. Ela narra os fatos, até 
mesmo quando envolvem tristeza, de maneira grandiosa, destacando cores, e 
descrevendo até os mínimos detalhes. Em alguns momentos, mostra uma certa 
comoção com as almas que precisou levar, de forma que lamenta pelo irmão mais 
novo de Liesel. Em certas partes do livro ela nos dá algumas “dicas” do que vai 
acontecer, opiniões próprias e diálogos com o leitor, em forma de pequenos textos, 
poemas ou cartas, mostrando que seu objetivo é descrever o percurso trilhado pelos 
 
 
personagens sem esconder ou fazer mistério sobre algo, o que nos remete à única 
certeza humana, que é ela mesma, a morte. 
A narradora se mostra onisciente ao contar a história, dado o fato de que em 
alguns momentos ela está sendo apenas descritora dos acontecimentos e, em outros, 
ela se coloca como personagem, dentro do cenário. Seus comentários também nos 
ajudam a entender o que se passa internamente, nos pensamentos e sentimentos dos 
personagens, o que torna a trama mais interessante e auxilia com o entendimento do 
contexto de cada situação. 
 
 
PERSONAGENS 
 
O conceito de personagem pode ser descrito como o papel representado por 
um ator ou atriz a partir de figura humana, animal ou sobrenatural fictícia criada por 
um autor. Nesse sentido, um personagem pode representar a possibilidade de adesão 
afetiva e intelectual do leitor, através da identificação, projeção e/ou transferência. 
Dessa forma, a experiência que cada um possui ao entrar em contato com um 
personagem é única, em decorrência de suas próprias vivências e percepções. 
A partir desse pensamento, iremos fazer a nossa análise dos personagens em 
A menina que roubava livros, embora vale ressaltar que essa é apenas a nossa 
interpretação, podendo existir diferentes para os demais leitores. Para a análise 
vamos destacar os principais personagens, sendo eles: Liesel Meminger, Max 
Vanderburg, Hans Hubermann e Rosa Hubbermann. 
 
LIESEL MEMINGER 
 Markus Zusak teve a ideia de escrever sobre uma menina que roubava livros, 
em consoante, sempre teve vontade de escrever sobre os seus pais crescendo na 
Alemanha e na Áustria durante a Guerra. Quando percebeu que apenas uma ideia 
não bastava, juntou as duas. Misturou a personagem que roubava livros com as 
histórias de seus pais e percebeu como as duas se encaixavam. 
 Foi a partir dessa mistura que se criou a protagonista e heroína da história – a 
alemã Liesel Meminger. Nas primeiras cenas a Morte descuidou-se de seu trabalho 
com um livro furtado em meio a um enterro. Um livro caiu das mãos da menina e a 
Morte sensibilizou-se por Liesel. De uma forma metalinguística, a narradora relata a 
história escrita por Liesel. 
 
 
 A menina era analfabeta e, de certa forma, vivia em um mundo preto e branco 
vivenciado pelo rigoroso inverno da Alemanha. Quando chegou na estação de 
Molching prestava atenção nas letras das placas daquele lugar, todavia não 
conseguia compreender o sentido – “Liesel não tinha ideia de onde estava. Era tudo 
branco, e enquanto ficaram na estação ela só conseguiu olhar para as letras 
desbotadas da placa a sua frente” (ZUSAK, 2013, p 25). Com o passar da leitura e a 
cada livro roubado, podemos perceber que as cores que a Morte tanto gostava vão 
aprimorando a paleta de cores da garota na medida em que ela vai descobrindo o 
mundo literário. 
 Aos nove anos, Liesel estava iniciando a puberdade, uma fase de 
transformações corporais, psicológicas e sociais. Esse períodono desenvolvimento 
humano é representado pelo luto, onde ocorre um rompimento com o corpo infantil 
para dar espaço ao desenvolvimento do corpo adulto desse indivíduo. No contexto 
literário, a menina vai vivenciar esse momento em dobro, levando em consideração o 
falecimento de seu irmão. O corpo em transformação ainda é descrito pela narradora: 
Quando de sua chegada, ainda se podiam ver as marcas das mordidas da 
neve em suas mãos e o sangue enregelado em seus dedos. Tudo nela era 
subnutrido. Canelas que pareciam arame. Braços de cabide. A menina não o 
produzia com frequência, mas, quando ele surgia, seu sorriso era faminto. 
Seu cabelo era um tipo bem próximo do louro alemão, mas seus olhos eram 
perigosos. Castanho-escuros. Ninguém gostaria realmente de ter os olhos 
castanhos-escuros na Alemanha daquela época. Talvez ela os tivesse 
herdado do pai, mas não havia como saber, já que não se lembrava dele. Na 
verdade, só havia uma coisa que ela sabia do pai. Era um rótulo que Liesel 
não compreendia. (ZUSAK, 2013, p 31-32). 
 A personagem possui características judias,como os olhos castanhos escuros 
e os cabelos germânicos no tom “louro-alemão”. Sua mãe era comunista, ou rotulada 
como tal, e Liesel não tinha conhecimento sobre o que era comunismo. A menina 
percorre uma “saga do herói” e mesmo “ladra” é representada como voluntariosa e 
nobre de caráter, e sua cleptomania é praticamente perdoável. Ela sente uma leve 
culpa por seus “crimes” e um intenso prazer em roubar, que, praticamente não pode 
evitar (ZUSAK, 2013, p 100). 
MAX VANDERBURG 
 
 
O personagem se encontrava refugiado no porão dos Hubermann, causando 
uma enorme inquietação em todos os moradores da casa. Ele e Liesel constroem uma 
convivência tímida no início, mas com o decorrer do tempo passam a trocar histórias 
de forma consistente. No começo compartilhavam apenas pesadelos, onde ela 
contava sobre o irmão morto e ele relatava experiências da guerra. Após criarem 
intimidade, Liesel sente-se confortável para mostrar os livros que roubava para Max.
 Em determinado momento, iniciam juntos a leitura de uma das obras 
roubadas: O Assobiador. Posteriormente, começam a dividir histórias de lutas e 
brigas, nas quais cada um relata vivências do seu passado. Conforme a amizade dos 
dois vai se fortalecendo, buscam atividades para fazer em conjunto e uma delas foi 
pintar páginas de Mein Kampf com restos de tinta usada por Hans. 
Nesse contexto nasce O Vigiador, um livro de treze páginas escrito e ilustrado 
por Max, presenteado à Liesel. A obra é um romance, no qual os personagens são 
inspirados no casal. Além disso, Max e Liesel vivem outras experiências 
proporcionadas pela leitura em comum, e uma das mais importantes acontece quando 
Max adoece em função das condições insalubres de sua moradia. 
Enfermo e debilitado é alimentado pelas leituras que Liesel realiza diariamente 
em seu leito, contribuindo para sua cura. Para recompensar todo o cuidado, Max 
produziu um novo livro com as demais páginas de Mein Kampf. Esse produto será 
uma coletânea de fábulas e receberá o nome de A Sacudidora de Palavras, em 
referência à Liesel, uma pessoa que aprendeu a ler e a escrever e compreendia o 
poder das palavras. 
 
ROSA HUBERMANN 
 
Mãe adotiva de Liesel, possuía uma expressão de raiva e era enfurecida 
facilmente, não tolerava qualquer tipo de desobediência e irritava a todos que amava. 
Seu cabelo era castanho acinzentado. Trabalhava lavando e passando roupa para as 
cinco famílias mais ricas de Molching, sua cidade, e quando ia entregá-las com Liesel, 
reclamava de todos os seus clientes para a menina. Rosa frequentemente xingava 
Hans, seu marido, por não conseguir arrumar um emprego, e não considerava ele 
tocar acordeon como profissão. 
 Aos poucos, Rosa foi se aproximando de Liesel, e sendo mais carinhosa com 
a menina, porém sem deixar de lado os xingões quando ela fazia algo considerado 
errado. A mãe adotiva até se utilizou de sua imagem de rude em uma ocasião, quando 
 
 
foi até a escola avisar a menina de que Max havia acordado após ter ficado três dias 
dormindo, pois estava doente. Ela chamou a menina para fora da sala xingando-a, e 
lhe deu a boa notícia, falando em tom baixo, dessa forma, ninguém desconfiou de 
nada. 
 Apesar de ter ficado meio contrariada com a ideia de esconder um judeu, ela 
passou a se preocupar com Max, e sempre fazia com que sobrasse sopa para ele, 
mesmo que isso significasse o resto da família comer um pouco menos. 
 
HANS HUBERMANN 
 
Pai adotivo de Liesel, era muito calmo e tranquilo, o que, às vezes irritava sua 
esposa, Rosa. Era pintor de paredes, porém, não estava mais conseguindo nenhum 
trabalho depois de pintar as casas de alguns judeus residentes de Molching. Ele 
adorava fumar e enrolar cigarros, e já havia trocado cigarros enrolados por livros para 
dar de presente à Liesel em seu aniversário. 
Desde o dia em que Liesel chegou, ele gostou muito dela, se mostrando 
carinhoso e presente. Quando Liesel teve um dos primeiros pesadelos de madrugada, 
ela urinou na cama e acordou assustada, e ficou aliviada por ter sido o pai quem veio 
ajudá-la. Depois de acalmá-la e de lavarem os lençóis, ele começou a ler para ela e 
assim, se iniciaram as “aulas da meia-noite”, em que o pai a ensinava o alfabeto por 
meio de suas leituras conjuntas. Depois de algum tempo, as “aulas da meia-noite” 
começaram a acontecer no porão, e Hans pintava a parede com Liesel, com as 
palavras que a menina não compreendia, e então, procuravam-nas no dicionário. 
Ele também tocava acordeon, porém não considerava como profissão. Havia 
aprendido com Erik Vandenburg, um judeu com quem fez amizade quando estavam 
servindo ao exército na Primeira Guerra Mundial. Erik Vandenburg salvou a vida de 
Hans, e por isso, quando a guerra acabou, ele levou à casa da família Vandenburg 
um cartão com seu número de telefone e endereço, para se algum dia precisasse de 
algo. Assim, anos depois, quando começaram as perseguições severas contra os 
judeus na Alemanha Nazista, Max, o filho de Erik, apareceu na casa da família 
Hubermann pedindo abrigo. 
 
 
 
 
 
 
ARTICULAÇÃO TEÓRICA 
 
O primeiro acontecimento importante relatado no livro é a morte de Werner, 
irmão caçula de Liesel, que possuía apenas seis anos. Liesel evidentemente fica 
muito abalada com a perda do irmão, tanto que, ao chegar na casa dos pais adotivos, 
se recusa a entrar, e chora, agarrada ao portão. Ela passa vários meses tendo 
constantes pesadelos com o ocorrido e, nos primeiros dias na casa da família adotiva, 
não consegue dormir, nem tomar banho, e se vê em busca de algum apoio. Sobre a 
experiência de luto na infância, cabe citar um trecho do livro “A Criança em Situação 
de Luto: Separação e Morte”: 
Segundo Holmes & Rahe (in Simonton, 1977) a vivência de perdas estão 
entre as situações mais estressantes do existir humano,provocando vários 
sintomas de ordem física e psíquica, como afirmam Stroebe & Stroebe 1987; 
e que no caso das crianças podem se manifestar em distúrbios de 
alimentação, sono e alterações de comportamentos na escola. 
(ASSUMPÇÃO JÚNIOR, F. B. E. 2008 p. 218). 
Nos primeiros dias, Liesel chorava baixinho no banheiro pela falta do irmão. 
Ela sempre guardou o primeiro livro roubado: “O Manual do Coveiro”, pois significava, 
para ela, a última vez que havia visto a mãe o irmão, e tinha muita vontade de 
aprender a ler, justamente para ler esse livro. Os pesadelos de Liesel vão diminuindo 
de frequência com o tempo, mas são resgatados em alguns momentos através dos 
anos, especialmente quando ela passa por alguma experiência ruim, que acaba por 
desencadear essas memórias. 
Devido ao meio e contexto cultural que a menina estava inserida, o seu desejo 
de ler e escrever foram habilidades desenvolvidas um pouco mais tardias do que o 
esperado. Liesel se interessou pela leitura muito antes de aprender aescrever. 
Todavia, a menina estava inserida em um contexto de guerra, e mesmo em meio à 
miséria literária e poucas condições financeiras que a sua família tinha, ela possuía 
autonomia e buscava por conhecimento através da leitura. 
Jean Piaget, considerado até hoje como um teórico da aprendizagem, fala que 
onde a criança nasce com uma bagagem biológica e hereditária, que em contato com 
o meio transforma-se e molda a inteligência. A partir desse pensamento, por meio de 
pesquisas, constatou que o aprendizado era um processo no qual a criança 
gradativamente vai se aprimorando à medida que ultrapassa níveis mais complexos 
de conhecimento. 
 
 
 Hans incentivou Liesel a usar as paredes do porão da casa, criou um 
dicionário, onde todas as palavras novas que Liesel aprendia escrevia com o gis nas 
paredes, na parte que correspondia a letra inicial da palavra. O pai adotivo de Liesel 
a ajudou a organizar toda as informações que trocava com o meio em que estava 
inserida, seus esquemas mentais foram sendo assimilados através da dinâmica de 
fixar letras e palavras nas paredes do porão, como se fosse um diário de novas 
palavras. E assim subsequentemente ocorreu a acomodação e equilibração, eficiente 
com o meio. Essa dinâmica de aprendizagem utilizada por Hans vai de encontro com 
o que Piaget tentou mostrar sobre as relações dinâmicas entre aprendizagem e 
desenvolvimento. 
 A dinâmica divertida que se usou para Liesel aprender a ler e escrever a 
poupou daquela angústia natural que ocorre no período de ascensão da leitura da 
escrita. Fazendo total sentido com a importância do brincar na infância “O brincar 
contribui para todos os domínios do desenvolvimento. De fato, o brincar é tão 
importante para o desenvolvimento das crianças que o Alto Comissariado das Nações 
Unidas para os Direitos Humanos” (PAPALIA; MARTORELL, 2022, p. 240). 
É no brincar, e somente no brincar, que o indivíduo, criança ou adulto, pode ser 
criativo e utilizar sua personalidade integral: e é somente sendo criativo que o 
indivíduo descobre o eu (self). (WINNICOTT, 1975, p. 89). 
 
 
CONCLUSÕES 
 
Posteriormente a Liesel vivenciou uma gama de aprendizagens com seus 
livros, compreendendo a linguagem, descobrindo mais do mundo ao seu redor, mais 
de si mesmo e de suas próprias condições passa a buscar meios de revelar todo o 
aprendizado. De forma a recriar suas experiências e expressá-las através da escrita. 
Sua jornada como escritora representa um prolongamento de suas leituras realizadas 
no romance. 
A partir deste momento, Liesel possui sua matéria-prima e tem a possibilidade 
de transformar as suas experiências e dos outros em um produto extraordinário. Tal 
processo é metaforicamente descrito por Zusak, aproximando Liesel do universo das 
tintas do pai, recolhida no porão, escrevendo sentada sobre uma lata: 
Usando uma lata pequena de tinta como assento e uma grande como mesa, 
Liesel pôs o lápis na primeira página. No centro, escreveu o seguinte: 
 
 
• A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS • uma pequena história de Liesel 
Meminger 
!"#$%&'(")! 
Eu tento ignorar, mas sei que tudo isso começou 
com o trem, a neve e meu irmão tossindo. 
Roubei meu primeiro livro naquele dia. 
Era um manual para cavar sepulturas, e eu o roubei quando estava a caminho 
da rua Himmel... (ZUSAK, 2013, p 455). 
 A história de Liesel apresenta traços de momentos vividos e que a 
transformaram como pessoa. Ela apresenta na sua bibliografia a morte do irmão, a 
qual parece ter adquirido sabedoria sobre o mundo e sobre si mesma. Seu livro era 
dividido em dez partes, nas quais todas haviam recebido títulos de livros ou histórias 
que descreviam como cada um havia impactado sua vida. 
 Para Liesel a escrita representa a ligação encarnada entre a palavra e a vida. 
Pode-se perceber no início do livro que antes ela roubava livros que não continham 
palavras, mas com o passar do romance evidenciou-se como as leituras teriam feito 
diferença, de forma que as palavras significariam-lhe tudo. 
 Consideramos que a partir da leitura do livro ampliamos nossas próprias 
trajetórias como leitoras. Como também, no livro A menina que roubava livros, de 
Markus Zusak, o leitor é tratado não apenas como tema, mas é objetivado pelo autor 
também na estrutura do texto e no seu estilo de narrar. O escritor baseou-se nas 
histórias contadas por seus pais, os quais foram criados na Alemanha nazista, para 
dar vida ao enredo do livro. Ademais, a Morte como narradora dialoga e interage com 
o leitor de forma a provocá-lo durante toda a narrativa. 
 Por fim, observamos que foi possível obter muitos conhecimentos que 
certamente engrandeceram nossa jornada acadêmica no percurso da elaboração do 
presente trabalho, como também nos oportunizou a leitura da obra literária de Markus 
Zusak. 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
ASSUMPÇÃO JÚNIOR, F. B. E. Situações Psicossociais na Infância e na 
Adolescência. São Paulo: Atheneu, 2008. E-book. ISBN 9788573799422. 
Disponível em: 
https://search.ebscohost.com/login.aspx?direct=true&AuthType=cookie,ip,shib&db=c
at05853a&AN=uni.9788573799422&lang=pt-br&site=eds-live&scope=site. Acesso 
em: 1 nov. 2022. 
 
ZUSAK, Markus. A menina que roubava livros. Rio de Janeiro: Editora Intrínseca, 
2008. Disponível 
em:<https://clubdelivros.files.wordpress.com/2014/02/ameninaqueroubavalivros.pdf> 
Acesso em: 1 de out de 2022 
 
PAPALIA, Diane, E. e Gabriela MARTORELL. Desenvolvimento humano. [Digite o 
Local da Editora]: Grupo A, 2022. E-book. ISBN 9786558040132. Disponível em: 
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786558040132/. Acesso em: 1 nov 
de 2022 
 
WINNICOTT, D. W. (1971). O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago Editora, 
1975, p.88-107.

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