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DESCRIÇÃO
Estudo da anatomia osteoarticular do esqueleto apendicular (membros superiores e inferiores),
interpretação de imagens radiográficas e uso da anatomia comparada para identificar
alterações e aspectos patológicos.
PROPÓSITO
Compreender a anatomia com base na análise radiográfica e identificar alterações e achados
de suspeita patológica são fundamentais para o profissional de radiologia. Para isso,
inicialmente, é necessário revisitar a anatomia osteoarticular, entender o aspecto radiográfico
normal e classificar os achados anormais como falhas técnicas ou traços suspeitos de lesões
ou patologias específicas.
PREPARAÇÃO
Consulte livros de anatomia humana ou um atlas de anatomia para revisar posição anatômica
padrão, planos e eixos anatômicos, assim como os termos de posição e de movimento.
OBJETIVOS
MÓDULO 1
Descrever a anatomia observada nas radiografias de membros superiores e patologias
associadas
MÓDULO 2
Listar as estruturas anatômicas de interesse nas radiografias de membros inferiores e
patologias associadas
INTRODUÇÃO
Radiografias do esqueleto apendicular são frequentes em atendimentos de emergência, visto
que respondem pela maior parcela das demandas em ortopedia e traumatologia. Radiografias
simples são úteis à maioria das necessidades clínicas e têm suprido outra demanda crescente:
a avaliação de doenças reumáticas.
As lesões que acometem articulações, tendões e ligamentos carecem de métodos mais
sensíveis, como a ressonância magnética e a ultrassonografia. Para a avaliação óssea,
radiografias simples de rotina básica, além do baixo custo operacional, satisfazem a maioria
dos critérios para identificar lesões mais recorrentes.
Conheceremos as principais estruturas osteoarticulares que compõem os membros superiores
e inferiores, bem como os processos patológicos mais recorrentes por meio da análise de
imagens radiográficas. Afinal, só identificamos cédulas falsas se conhecemos as características
da cédula verdadeira.
A proposta é que você se familiarize com a visualização da anatomia por meio das imagens
radiográficas, reconhecendo seu aspecto normal para que seja capaz de identificar aspectos
anormais durante sua análise.
MÓDULO 1
 Descrever a anatomia observada nas radiografias de membros superiores e
patologias associadas
ANATOMIA RADIOGRÁFICA DA MÃO
A mão é dividida em três grandes regiões:
CARPO

METACARPO

FALANGES
Os dedos da mão são chamados de quirodáctilos: do grego kyros (mão) e daktylos (dedo). O
datilógrafo, por exemplo, era o profissional que digitava documentos em máquinas de escrever.
Os dedos são numerados de 1 a 5, e a contagem é feita a partir do polegar, ou seja, de forma
lateromedial em posição anatômica.
Falanges são ossos longos que dão forma e sustentação aos dedos. Cada dedo possui três
falanges, com exceção do polegar, com apenas duas falanges.
 Divisão anatômica dos ossos da mão
 DICA
Para entender melhor a terminologia anatômica neste conteúdo, recomendamos que você
consulte livros de anatomia humana para revisar a posição anatômica padrão, planos e eixos
anatômicos, assim como os termos de posição e de movimento.
ESTUDO RADIOGRÁFICO DOS DEDOS
Com base no plano mediossagital (PMS), os dedos possuem falanges proximais, mediais e
distais.
Cada falange é composta por uma cabeça (distal), um corpo e uma base (proximal), sobre a
qual as falanges se articulam.
No polegar, encontramos apenas as falanges proximal e distal. Como os ossos são
compostos por minerais de peso atômico elevado (cálcio, fósforo e potássio), as falanges são
densas, o que confere à imagem tons claros, bem-delineados na radiografia.
As articulações são compostas por cartilagem, menos densas que os ossos. Por isso, os
espaços articulares são vistos como áreas escuras e bem-definidas entre as falanges. Veja na
imagem radiográfica a seguir.
Radiografia da mão direita, projeção posteroanterior (PA).
Nesse exemplo, perceba a correta posição de ossos, articulações e tecidos moles. Quanto
menos denso é o tecido, mais escuro se torna. Os ossos permanecem em tons claros, tecidos
javascript:void(0)
musculares em cor acinzentada e a articulações em tons escuros.
ESTUDO RADIOGRÁFICO DOS METACARPOS
Os cinco metacarpos formam a região palmar das mãos. São ossos longos, maiores que as
falanges. A identificação e a contagem são feitas de forma semelhante às dos dedos. A
estrutura anatômica também é bem similar, destacando-se apenas a cabeça metacarpiana
mais protuberante. Essa estrutura é vulgarmente conhecida como “nó” dos dedos, muito
lesionados em fraturas do boxeador.
Cada falange proximal se articula com um metacarpo, formando as articulações
metacarpofalangianas. Na imagem, temos um diagrama para a localização e contagem dos
metacarpos.
 Identificação e contagem dos metacarpos.
Nas imagens a seguir, temos:
Uma modelagem 3D evidenciando fraturas na cabeça do 4º e do 5º metacarpo.
 Modelagem 3D evidenciando fraturas metacarpais.

Radiografias indicando que a lesão também ocorre no colo do metacarpo, dependendo da
intensidade da lesão. Aqui, temos imagens nas incidências em PA e oblíqua da mão,
evidenciando a lesão no 4º metacarpo, com o fragmento deslocado posteriormente.
 Radiografias da mão direita, projeções PA e oblíqua.
ANATOMIA RADIOGRÁFICA DA ARTICULAÇÃO
DO PUNHO
Juntamente com as porções distais dos ossos rádio e ulna (antebraço), o carpo é um conjunto
de ossículos que formam a base da mão e a estrutura articular do punho. A porção distal da
ulna forma uma área esférica, chamada cabeça, e uma protuberância externa, chamada
processo estiloide. Essa estrutura também está presente no rádio, porém é menos
proeminente.
O carpo é composto por oito ossos, dispostos em duas fileiras: proximal e distal. A contagem
é feita similarmente à dos dedos, iniciando pela fileira proximal. Sendo assim, o nome dos
ossos são:
Na fileira proximal
Escafoide
Semilunar
Piramidal
Pisiforme

Na fileira distal
Trapézio
Trapezoide
Capitato
Hamato
A fileira proximal se vincula com a articulação radiocarpal e a fileira distal com os metacarpos,
como é possível observar nas imagens a seguir.
MODELAGEM 3D COM OS OSSOS DA MÃO
ARTICULADOS.
MODELAGEM 3D COM OS OSSOS DA MÃO
DISSOCIADOS.
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RADIOGRAFIA DO PUNHO ESQUERDO, EM
PROJEÇÃO PA.
OSSOS DA MÃO DISSOCIADOS
A ilustração mostra os ossos carpais dissociados em posição AP (região palmar voltada para
cima). É possível perceber o pisiforme e o hâmulo (gancho) do hamato.
PROJEÇÃO PA
A radiografia em incidência PA mostra a sobreposição entre pisiforme e piramidal, e, entre
trapézio e trapezoide.
ANATOMIA RADIOGRÁFICA DOS OSSOS
DO ANTEBRAÇO
O antebraço é o segmento do membro superior localizado entre o cotovelo e o punho. O
exame radiográfico pode ser útil para avaliar lesões e alterações ósseas nas partes moles e
articulações. O antebraço é composto por dois ossos longos: rádio e ulna. Anatomicamente, o
primeiro é posicionado lateralmente e o segundo, medialmente ao PMS.
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 DICA
Para facilitar a identificação e localização anatômica do rádio, estique seu membro superior e
levante o polegar, como se fizesse um sinal positivo com a mão. Pense no polegar esticado
como a “antena” do rádio. Veja que ela ficará posicionada lateralmente, em posição anatômica.
Assim, classificamos o rádio como o osso lateral do membro superior.
Unida ao carpo, a porção distal do antebraço forma a articulação do punho. Junto ao úmero, a
porção proximal do antebraço forma a articulação do cotovelo. Veja nas imagens a seguir que
os ossos longos são formados por duas estruturas importantes: córtex e medula.
A região cortical concentra a maior quantidade de matriz óssea, e a medula óssea é composta
por tecido esponjoso.
 Estrutura interna de composição dos ossos longos
Na radiografia, a borda cortical é mais radiopaca e o tecido medular, mais cinzento. As
extremidades tendem a ser mais radiotransparentes porcausa do tecido trabecular ósseo, que
facilita o processo articular.
 Rotina radiográfica do antebraço, projeções AP e lateral.
 ATENÇÃO
Tecido radiopaco é aquele que absorve mais raios X e não permite que cheguem ao receptor
de imagem. Tecido radiotransparente permite que os raios X atravessem por serem pouco
densos. Com isso, mais raios X chegam ao receptor, deixando a imagem mais escura.
A composição física dos ossos longos é similar àquela do biscoito waffer canudo, que
comemos com sorvete, uma casca dura, geralmente recheada de chocolate. Nessa analogia, o
recheio seria a medula óssea (mais esponjosa) e o waffer, a cortical óssea (mais dura).
ANATOMIA RADIOGRÁFICA DA
ARTICULAÇÃO DO COTOVELO
O cotovelo é formado por: úmero distal, ulna e rádio proximais. É um importante sítio de
lesões que acometem os ossos, cartilagens e estruturas adjacentes. A avaliação de partes
moles é limitada em radiografias, mas processos de artrite, fraturas ou luxações são facilmente
identificados com raios X.
Em radiografias de cotovelo, poucos acidentes anatômicos são bem visualizados quando o
encaixe é perfeito. No úmero, observamos apenas os epicôndilos lateral e medial e uma
sombra radiotransparente referente à fossa olecraniana.
Os acidentes anatômicos da ulna que realizam o encaixe com a porção distal do úmero não
são visualizados, salvo em casos de luxação. A sobreposição é o principal motivo que leva à
necessidade de se realizar as imagens em duas projeções opostas: anteroposterior (AP)
(frente) e perfil (lateral).
Peça cadavérica de um cotovelo em vista anterior.

Peça cadavérica de um cotovelo em vista posterior.
Na projeção AP, conseguimos ver o epicôndilo lateral e o medial do úmero, o capítulo do úmero
articulado com a cabeça do rádio e a tróclea do úmero encaixada na incisura troclear da ulna.
 Radiografia de um cotovelo esquerdo, projeção AP, mostrando anatomia normal e sem
lesões.
 ATENÇÃO
O olécrano está encaixado na fossa olecraniada e não conseguimos ver nessa projeção.
O processo coronoide da ulna aparece anteriormente, bem radiopaco, em formato pontiagudo.
Nessa projeção, o espaço articular deve aparecer radiotransparente e aberto.
Na projeção lateral, a região proximal do rádio e da ulna ficam sobrepostas. Mesmo assim,
conseguimos ver a cabeça do rádio e o processo coronoide ulnar. Ainda assim, conseguimos
ver bem o encaixe da incisura troclear com a tróclea umeral.
A fossa olecraniana fica aberta com o cotovelo fletido e conseguimos ver o capitulum bem
definido, esférico e sobreposto à tróclea.
Um pouco acima do capitulum, está localizado o epicôndilo lateral. Veja na imagem
radiográfica.
 Radiografia de um cotovelo esquerdo, projeção lateral, mostrando anatomia normal e sem
lesões.
ANATOMIA RADIOGRÁFICA DO ÚMERO
O úmero é o maior osso longo do membro superior, articulando-se proximalmente com a
escápula e distalmente com a ulna. As incidências ideais para avaliação do úmero são
anteroposterior e lateral.
Nessas radiografias, o objetivo é identificar fraturas na diáfise, assim como alterações no
tecido ósseo, nas partes moles e localização de corpos estranhos. A análise das articulações é
feita por incidências específicas para cada sítio. Além disso, como é um osso com mais corpo,
é possível visualizar nitidamente as bordas corticais, a região medular e o aspecto mais
transparente das áreas trabeculares na epífise proximal.
A porção distal do úmero é composta pelos acidentes anatômicos, já estudados na seção
sobre o cotovelo: epicôndilos lateral e medial, fossa olecraniana e coronoide, tróclea e
capitulum.
A diáfise ou corpo é bem alongada, com bordas corticais bem espessas. Já a porção
proximal é composta por cabeça, colo, tubérculo maior (lateral), tubérculo menor (medial) e
sulco intertubercular.
 Diagrama ilustrado da composição anatômica do úmero.
Radiografia do úmero esquerdo, em projeção AP.
Na radiografia anteroposterior, o tubérculo maior aparece posicionado à frente, e o tubérculo
maior está mais lateralmente. A cabeça umeral é medial, encaixada na articulação do ombro,
que estudaremos a seguir. Na porção distal, tróclea (medial) e capitulum (lateral) aparecem
justapostos. É importante que a radiografia do úmero contemple a extremidade superior e
inferior para descartar luxações.
Radiografia do úmero esquerdo, em projeção lateral.
javascript:void(0)
javascript:void(0)
Na radiografia lateral, a extremidade superior do úmero gira internamente. Com isso, o
tubérculo maior aparece na parte medial, de frente. Na extremidade inferior, os epicôndilos
aparecem totalmente sobrepostos, e a ulna deve ser vista em perfil, encaixando na tróclea.
ANATOMIA RADIOGRÁFICA DA
ARTICULAÇÃO DO OMBRO
O ombro é formado por três ossos: úmero proximal, clavícula e escápula. A articulação da
cavidade glenoide (escápula) com a cabeça do úmero dá origem à articulação glenoumeral,
principal estrutura do ombro.
OMBRO
Diagrama ilustrado da composição anatômica do ombro.
ESCÁPULA (VISTA ANTERIOR E POSTERIOR)
Modelagem 3D com as vistas anterior e posterior da escápula.
ESCÁPULA (VISTA AXIAL)
Modelagem 3D com a vista axial da escápula.
Devido ao tipo de movimentos realizados, a região é muito suscetível a lesões como luxações
e, algumas vezes, fraturas na borda da cavidade glenoide e na cabeça do úmero.
Clavícula
É um osso longo de pequeno porte, com duas extremidades: acromial e esternal. Como o
próprio nome sugere, a extremidade acromial se articula com uma estrutura escapular
chamada acrômio, na porção lateral. A extremidade esternal se conecta ao manúbrio, no
esterno.

Escápula
Além do acrômio, é composta pela cavidade glenoide (lateral) e pelo processo coracoide
(anterior), cuja função é limitar o movimento do membro superior e fixar os músculos peitorais e
do bíceps. O corpo escapular é laminar, de formato triangular, composto por um ângulo
superior e inferior, e margens lateral e medial.
A rotina radiográfica para ombro é composta por três exames: anteroposterior com rotação
neutra, rotação interna e rotação externa. Note que é a posição do tubérculo maior (úmero)
que define o tipo de rotação. Quando ele está em posição lateral, temos a rotação neutra.
Quando sua posição é anterior e a cabeça totalmente medial, temos a rotação interna. Por fim,
quando o tubérculo maior está medial, temos a rotação externa.
RADIOGRAFIA DO OMBRO, PROJEÇÃO AP, COM
ROTAÇÃO NEUTRA.
RADIOGRAFIA DO OMBRO, PROJEÇÃO AP, COM
ROTAÇÃO INTERNA.
RADIOGRAFIA DO OMBRO, PROJEÇÃO AP, COM
ROTAÇÃO EXTERNA.
Na imagem, você verá uma incidência em perfil axilar do ombro, conhecida como incidência
em Y da escápula, pois a vista da escápula forma a imagem de um “Y”. O acrômio está à
esquerda da imagem, cavidade glenoide ao centro e o processo coracoide à direita.
 Radiografia do ombro, projeção lateral, com visualização do “Y” escapular.
PATOLOGIAS ASSOCIADAS AOS
MEMBROS SUPERIORES
LESÕES REUMÁTICAS
Doenças reumáticas são um grupo de patologias que acometem esqueleto, articulações,
cartilagens, músculos, tendões e ligamentos. São caracterizadas por provocar dores
limitadoras de movimento. A maioria das doenças reumáticas é silenciosa e progressiva,
requerendo apenas tratamento paliativos quando não tratadas aos primeiros sinais.
Aqui, vamos estudar a classe de lesões reumáticas mais recorrentes no sistema apendicular e
visíveis por técnicas radiográficas: as artrites.
 Radiografia do cotovelo, projeção lateral, evidenciando processo de artrite.
OSTEOARTRITE
A osteoartrite é o tipo mais comum de lesão reumática. Consiste em um processo de
inflamação e destruição da cartilagem entre os ossos. Essa lesão pode se estender para a
cápsula articular, para o líquido sinovial (sinovite) e progredir para os ossos, causando erosão
(degeneração) das epífises. A artrite pode ter causa inflamatória, infecciosa ou metabólica.
 Radiografia bilateral das mãos, projeção PA, evidenciando artrites interfalangianas.Na radiografia, os espaços articulares (radiotransparentes) aparecem reduzidos, com nitidez
reduzida e aumento de radiopacidade. Quando associada a processos inflamatórios ou
infecciosos, pode apresentar um aumento da densidade nos tecidos adjacentes, típico em
edemas e abscessos. Estágios mais avançados apresentam o sinal de gaivota: um desenho
em “V” na epífise óssea em razão da degeneração avançada das bordas laterais dos ossos.
 Radiografia da mão, projeção PA, evidenciando artrite erosiva e sinal de gaivota.
OSTEOARTROSE
A osteoartrose é o estágio crônico da osteoartrite, geralmente irreversível, podendo gerar
perda total do movimento por formação de anquilose (calcificação entre ossos da articulação).
Na radiografia, a osteoartrose é identificada pela perda total do espaço articular e alteração da
angulação natural entre eles.
Na imagem, veja o processo de anquilose na borda inferior da cavidade glenoide e a
degeneração progressiva da cabeça umeral.
 Radiografia do ombro, projeção AP, evidenciando artrose glenoumeral.
ARTRITE REUMATOIDE
A artrite reumatoide é uma doença autoimune, sem causa estritamente definida, que provoca
processos inflamatórios similares aos apresentados em osteoartrites. No entanto, a artrite
reumatoide é mais comum em articulações interfalangianas. Os sinais básicos são o
desalinhamento das falanges com o metacarpo e os edemas no tecido mole, que aumentam a
radiopacidade local.
A seguir, veja uma fotografia que mostra o desalinhamento típico da região e imagens
radiográficas com diferentes casos dessa lesão.
Anamnese física da mão de um paciente com artrite reumatoide.
Radiografia da mão, projeção PA, evidenciando desalinhamento das falanges.
Radiografia da mão, projeção PA, evidenciando quadro moderado de artrite reumatoide.
Radiografia da mão, projeção PA, evidenciando quadro severo de artrite reumatoide.
Quando ocorre nas articulações interfalangianas proximais (IFP), a lesão é classificada como
nódulo de Bouchard. O edema nas interfalangianas distais (IFD) caracteriza o nódulo de
Heberden.
De acordo com o grau de desalinhamento das falanges, a funcionalidade das mãos pode ser
drasticamente comprometida.
Veja, a seguir, uma fotografia de dedos acometidos pelos dois tipos de nódulos e imagens
radiográficas demonstrando esse tipo de lesão.
Anamnese física dos nódulos de Heberden e de Bouchard.
Radiografia da mão, projeção PA, evidenciando nódulo de Heberden no dedo indicador.
Radiografia da mão, projeção PA, evidenciando nódulo de Bouchard severo no dedo indicador.
 ATENÇÃO
Existem outros processos inflamatórios e infecciosos no esqueleto apendicular. Entretanto,
alguns deles são mais comuns nos membros inferiores e serão abordados no próximo módulo
deste material.
LESÕES ASSOCIADAS A EVENTOS
TRAUMÁTICOS
Quando se estuda o esqueleto apendicular, a primeira gama de patologias a se pensar seriam
as fraturas e luxações. As lesões decorrentes de traumas são especialmente importantes pela
sua maior frequência e relevância da imagem radiográfica nesses casos.
TRAUMA
É a aplicação de uma energia externa sobre uma estrutura anatômica de modo que sua força
vença a resistência do tecido. No caso das articulações, traumas produzem entorses e
luxações. Nos ossos, são produzidas fissuras e fraturas. Já nos músculos, traumas produzem
contusões e estiramentos. Estes últimos não são visíveis por meio de exames radiográficos.
Portanto, vamos discutir apenas as lesões traumáticas ósseas e articulares.
LUXAÇÃO
É a perda da congruência total ou parcial de uma articulação. Em outras palavras, é o
desencaixe entre os ossos de determinada articulação. As luxações são eventos dolorosos e
geralmente ocorrem em traumas de alto impacto. Não confunda entorse com luxação.
ENTORSE
É o estiramento de tendões ou ligamentos sem desencaixe articular. Quando a desarticulação
é total, a lesão é caracterizada como luxação. Porém, quando ocorre a perda parcial do
encaixe, o evento é chamado de subluxação. Existem, ainda, lesões decorrentes da
associação de fraturas e luxações em um mesmo evento. Um bom exemplo disso é a fratura-
luxação de Monteggia, que abordaremos na seção de lesões epônimas.
 EXEMPLO
Na mão, luxações podem ocorrer entre as falanges, na articulação metacarpofalangiana e na
articulação radiocarpal. No cotovelo, é mais comum na articulação troclear. No ombro, são
comuns as luxações glenoumerais, que podem gerar lesões subsequentes, como a lesão de
Bankart e de Hill-Sachs, que também estudaremos na seção de lesões epônimas.
Radiografia do dedo, projeções PA e lateral, mostrando subluxação na 2ª IFD.
A primeira imagem mostra uma subluxação na articulação IFD do segundo dedo. Veja como os
ossos ainda mantêm alguma relação e possivelmente ainda estão dentro da cápsula articular.
Radiografia do dedo, projeções PA e lateral, mostrando luxação completa na 4ª IFP.
Já a segunda radiografia revela uma luxação na articulação IFP do 4º dedo. Veja que, na
imagem de frente, não é possível determinar se a luxação é completa ou não por aparecer um
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pequeno acavalamento entre as extremidades ósseas. Já na imagem oblíqua fica mais nítido
que ocorreu a dissociação total.
As luxações de ombro merecem um pouco mais de atenção, pois podem ocorrer em duas
posições diferentes: anterior e posterior.
Focalize sua atenção na cavidade glenoide, pois a escápula é a estrutura mais fixa do ombro.
Quando a borda da cabeça umeral está sobreposta à cavidade glenoide, temos um indicativo
para luxação anterior do ombro.
 Radiografia do ombro, projeções AP, evidenciando luxação anterior.
Na luxação posterior não acontece da mesma forma. A cabeça umeral volta-se para trás e
ficam em evidência apenas as bordas dos tubérculos. Não há sobreposição do úmero com a
cavidade glenoide.
 Radiografia do ombro, projeções AP, evidenciando luxação posterior e sinal de lâmpada.
Nesse caso, é formado o sinal de lâmpada. A cabeça umeral rodada posteriormente deixa a
epífise mais esférica e o colo mais acentuado, produzindo uma silhueta similar a uma lâmpada
incandescente. A essas formas exóticas visíveis em algumas radiografias chamamos de sinal
radiográfico, como é o caso do sinal de gaivota, que vimos anteriormente.
FRATURAS
São processos não naturais de descontinuidade óssea, de todo o tecido cortical ósseo ou de
parte dele.
FRATURA INCOMPLETA
Chamamos de fratura incompleta quando uma parte do tecido cortical se rompe.
FRATURA COMPLETA
Quando a estrutura cortical sofre ruptura total, dividindo o osso em dois ou mais segmentos, a
lesão é classificada como fratura completa. Esta é mais recorrente em ossos menos densos,
como no caso dos ossos infantis, sendo conhecidas como fraturas em galho verde.
FRATURAS EM GALHO VERDE
Galhos verdes são ricos em fibras jovens, que não se rompem com facilidade. Mesmo com o
caule quebrado, parte da planta ainda permanece unida. Por esse motivo, fraturas que não
rompem totalmente são chamadas de fraturas em galho verde.
 Radiografia de antebraço, projeção AP, mostrando fratura em galho verde.
FRATURA EM GALHO SECO
Quando o osso se parte em vários fragmentos, a lesão é conhecida como fratura em galho
seco.
Fraturas também são classificadas de acordo com a direção do trauma.
 Tipos de fraturas.
FRATURAS TRANSVERSAIS
São as mais comuns e rompem o eixo mais curto do osso.
 Fratura transversal nos metacarpos.
FRATURAS LINEARES
São pouco comuns e acompanham o maior eixo do osso.
 Fratura linear no segundo metacarpo.
FRATURAS OBLÍQUAS E ESPIRAIS
São semelhantes, mas as fraturas em espiral são decorrentes de torção do membro.
 Fratura em espiral no terço inferior do úmero.
 Fratura oblíqua nos segundos metacarpos.
FRATURA COMINUTIVA
Por fim, quando a fratura divide o osso em mais de dois fragmentos, é chamada de fratura
cominutiva. É muito comum em acidentes de alto impacto e em perfurações por arma de fogo.
 Fratura cominutivaprovocada por arma de fogo.
LESÕES EPÔNIMAS
São aquelas que receberam o nome ou sobrenome de seu descobridor. Geralmente não se
enquadram em nenhum dos tipos de fratura já citados ou se trata de lesão com aspecto muito
específico, que merece destaque. Os membros superiores têm uma vasta lista de fraturas
epônimas, que serão discutidas a seguir.
FRATURA DE BARTON
É uma lesão intra-articular na porção distal do rádio, sem deslocamento do fragmento e sem
rompimento articular. Nome dado em homenagem ao médico John Rhea Barton.
FRATURA DE BARTON, PROJEÇÃO LATERAL.

FRATURA DE BARTON, PROJEÇÕES AP E LATERAL.
FRATURA DE COLLES
É uma lesão extra-articular no rádio distal, com o deslocamento posterior do fragmento e da
mão, uma vez que é típica em quedas sobre a mão estendida. O nome foi dado em
homenagem ao médico Abraham Colles.
FRATURA DE COLLES
(intensidade leve)
FRATURA DE COLLES
(intensidade moderada)
FRATURA DE COLLES
(anamnese física)
FRATURA DE SMITH
É uma lesão extra-articular no rádio distal, com deslocamento anterior do fragmento e da mão.
Lesão típica em queda sobre o punho fletido ou por um golpe direto no dorso da mão. Nome
dado em homenagem ao médico Robert William Smith.
 Fratura de Smith, projeções AP e lateral.
FRATURA DO BOXEADOR
É uma lesão transversal no colo do metacarpo, desalinhando sua cabeça das demais.
Geralmente acomete o 4º ou o 5º metacarpo, sendo decorrente de traumas por impacto nas
mãos ocasionados por socos – por isso o nome. Pode ocorrer também no corpo do metacarpo.
FRATURA DO BOXEADOR NOS METACARPOS IV E V.

FRATURA DO BOXEADOR NO METACARPO V.
Não é uma lesão epônima, mas é típica de um grupo específico.
FRATURA DE BENNETT
Ocorre na base do 1º metacarpo. A lesão geralmente é ocasionada pela abdução forçada do
polegar, podendo ser seguida ou não de luxação do dedo. Nome dado em homenagem ao
médico Edward Hallaran Bennett.
 Fratura de Bennett.
FRATURA DE GALEAZZI
É uma fratura-luxação em que ocorre uma fratura no rádio distal, com luxação da cabeça ulnar,
também distal. Nesse tipo de lesão, a ulna tende a permanecer íntegra e o desalinhamento dos
segmentos fraturados podem ser mais bem percebidos em projeções laterais. Nome dado em
homenagem ao médico Riccardo Galeazzi.
 Fratura de Galeazzi.
FRATURA DE MONTEGGIA
Também é uma fratura-luxação. No entanto, a fratura ocorre na ulna, com luxação da cabeça
do rádio, podendo a fratura ocorrer no terço médio ou proximal. Em grau mais avançado, pode
ocorrer também a fratura do rádio. Nome dado em homenagem ao médico Giovanni Battista
Monteggia.
GRAUS DA FRATURA DE MONTEGGIA
FRATURA DE MONTEGGIA.
LESÃO DE BANKART
É uma fratura nas bordas da cavidade glenoide. Esse tipo de lesão é comum em luxações
anteriores do ombro. A fratura produz um fragmento em avulsão. Nome dado em homenagem
ao cirurgião britânico Arthur Sydney Blundell Bankart.
 FLesão de Bankart.
LESÃO DE HILL-SACHS
É uma fratura na região posterior da cabeça umeral, decorrente de seu impacto sobre a
cavidade glenoide. Por esse motivo, a Medicina geralmente associa uma lesão de Hill-Sachs a
uma lesão de Bankart, pois decorrem de um mesmo evento traumático. Nome dado em
homenagem aos médicos Harold Arthur Hill e Maurice David Sachs.
LESÃO DE HILL-SACHS

LESÃO DE BANKART E HILL-SACHS
DOENÇA DE PAGET
A seguir, o especialista abordará a patologia “doença de Paget”, explicando sua fisiopatologia,
incidência, aspectos demográficos e geográficos.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
MÓDULO 2
 Listar as estruturas anatômicas de interesse nas radiografias de membros inferiores
e patologias associadas
Com a função de suportar todo o peso do corpo e auxiliar no suporte e equilíbrio, os membros
inferiores tendem a ser mais vulneráveis a acidentes, o que requer maior atenção quanto ao
estudo da imagem.
Assim como nos membros superiores, radiografias simples evidenciam a maioria das lesões,
desde edemas em partes moles, luxações, fraturas simples e até fraturas complexas, como
fraturas cominutivas.
Vamos explorar a anatomia dos membros inferiores na imagem radiográfica e, na sequência,
conhecer as principais lesões encontradas.
ANATOMIA RADIOGRÁFICA DOS OSSOS
DO PÉ
Bem similar às mãos, os pés são divididos em três regiões: tarso, metatarso e falanges. Os
dedos do pé são chamados de pododáctilos, do grego pous (pé) e daktylos (dedo).
Os pododáctilos são contados de forma diferente, uma vez que o dorso do pé é anterior em
posição anatômica e a contagem passa a ser mediolateral.
 Divisão dos ossos do pé.
 ATENÇÃO
Em posição anatômica, a palma da mão é anterior e o dorso é posterior. Já nos pés, o dorso é
anterior. Por isso, a contagem dos dedos da mão é lateromedial e os dedos dos pés são
contados de forma mediolateral. Isso confunde muito o aprendizado.
 Posição anatômica.
Em um porte físico menor, as falanges dos pés são distribuídas da mesma forma que nas
mãos. São 14 falanges, divididas em proximal, medial e distal dos dedos II a IV. São
igualmente divididos em falanges proximal, medial e distal, sendo cada falange composta
por uma cabeça (distal), um corpo e uma base (proximal), sobre a qual as falanges se
articulam.
No dedo I, encontramos apenas falanges proximal e distal. Na radiografia, permanece o
aspecto radiopaco (claro) das falanges e o tom transparente (escuro) de articulações e tecidos
moles. A grande diferença é o polegar alinhado aos demais dedos, junto ao eixo longitudinal do
pé. Essa é uma característica evolutiva, que permite a posição ereta e o andar bipedal nos
humanos.
RADIOGRAFIA DO PÉ
Projeção dorsoplantar
RADIOGRAFIA DO PÉ
Projeção oblíqua
RADIOGRAFIA DO PÉ
Projeção lateral
Os metatarsos são os cinco ossos longos e espessos que formam o dorso do pé. Entre eles, o
1º metatarso é mais protuberante que os demais. Na região posterior (inferior) de sua cabeça,
ficam localizados ossos sesamoides, que facilitam o movimento do polegar.
É importante que você não os confunda com fraturas por avulsão na análise da imagem.
Nos membros inferiores, os metatarsos são maiores e mais protuberantes. É na região
metatarsal que ocorre uma alteração articular chamada joanete ou hallux valgus. Nessa lesão,
ocorre uma angulação progressiva entre o 1º metatarso e a falange proximal, causando a
abdução do metatarso. Como reação, uma secreção serosa é produzida no espaço articular.
 Dedos em posição hallux valgus.
JOANETE
FORMAÇÃO PATOLÓGICA DO JOANETE

RADIOGRAFIA DO PÉ, DORSOPLANTAR, EVIDENCIANDO JOANETE
A porção mais medial do pé é conhecida como tarso. É composta por sete ossos, tendo um a
menos do que os ossos do carpo.
Nos pés, os ossos tarsianos são maiores, mais densos e têm menos mobilidade, uma vez que
a principal função é suportar peso durante o movimento da perna. São eles: tálus, calcâneo,
navicular, cuboide e três ossos cuneiformes (medial, intermédio e lateral).
Na ilustração ao lado, temos:
O tálus é o osso que forma o encaixe do tornozelo.
O calcâneo é a base do pé, vulgarmente conhecido como sola do pé.
O navicular se localiza à frente do tálus, formando a parte medial do dorso do pé.
Lateralmente temos o osso cuboide , que serve de encaixe para os metatarsos IV e V.
Os ossos cuneiformes medial, intermédio e lateral articulam com os metatarsos I, II e III,
respectivamente.
 Anatomia dos pés, divisão das partes.
O calcâneo aparece sobreposto no exame dorsoplantar (anteroposterior – AP), uma vez que é
necessário inclinar a perna, que fica sobreposta ao calcanhar. Por isso, são realizadas
incidências específicas para o calcanhar: axial de calcâneo e lateral. Veja as radiografias de
demonstram esses casos a seguir.
RADIOGRAFIA DORSOPLANTAR

RADIOGRAFIA AXIAL DO CALCÂNEO

RADIOGRAFIA LATERAL DO PÉ
ANATOMIA RADIOGRÁFICA DA
ARTICULAÇÃO DO TORNOZELO
A articulação do tornozelo é formada pelo tálus e pela porção distal dos ossos da perna: tíbia
(medial) e fíbula (lateral). O espaço entreesses três ossos é chamado de encaixe do
tornozelo ou articulação talocrural e deve ser visualizado de forma radiotransparente em
uma radiografia.
As bordas laterais dos ossos da perna formam duas protuberâncias chamadas de maléolo
medial (tíbia) e lateral (fíbula), que são áreas de risco para fraturas em traumas de alta
energia.
Na análise de radiografia, os maléolos aparecem radiopacos, sendo o lateral um pouco mais
inferior que o maléolo medial. São estruturas visualizadas em exames de rotina básica para
tornozelo, compostas por incidências em AP (com e sem encaixe) e lateral.
 ATENÇÃO
Na incidência de encaixe do tornozelo, o pé do paciente é rodado 15 graus internamente. Esse
movimento garante o encaixe perfeito do tálus na articulação do tornozelo. Algumas fraturas
ficam sobrepostas em incidências comuns, sendo necessário realizar o encaixe.
RADIOGRAFIA AP DO TORNOZELO.
Veja, na imagem, que a incidência AP do tornozelo preserva uma parte da fíbula sobreposta ao
tálus, formando uma área mais opaca.
RADIOGRAFIA AP DO TORNOZELO, COM ENCAIXE.
Nessa imagem, a projeção com o movimento de encaixe dissocia totalmente a fíbula do tálus.
RADIOGRAFIA LATERAL DO TORNOZELO.
Por outro lado, nessa imagem é possível identificar a porção esférica do tálus, em sua porção
superior, justamente para favorecer o movimento de dorsiflexão e extensão do pé.
ANATOMIA RADIOGRÁFICA DOS OSSOS
DA PERNA
A perna é composta de dois grandes ossos. A tíbia é um osso longo, altamente espesso,
posicionado medialmente. A fíbula é mais fina, menos espessa, posicionada lateralmente ao
plano mediossagital.
A tíbia é o maior osso da perna e essa afirmação confunde muitos estudantes. De acordo com
o conhecimento popular, o maior osso da perna é o fêmur, pois as pessoas chamam todo o
membro inferior de perna. No entanto, o fêmur está localizado na coxa.
 Rotina radiográfica para os ossos da perna: AP e lateral.
 ATENÇÃO
Por padrão técnico, radiografias da perna devem contemplar as duas articulações no receptor.
Embora o objetivo de análise seja o terço médio (diáfise), essa projeção permite avaliar os
ossos da perna de forma panorâmica. Muitas das vezes, lesões centrais podem ter origem em
trauma articular. É comum encontrar fraturas decorrentes de eventos traumáticos, corpos
estranhos e lesões que degeneram a matriz óssea cortical ou medular, tais como a
osteomielite.
Na primeira imagem a seguir, é possível observar uma fratura oblíqua no terço proximal da
fíbula e uma fratura em espiral no terço inferior da tíbia. Na segunda e na terceira radiografia
temos lesões ósseas típicas de osteomielite. 
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RADIOGRAFIA DA PERNA, COM FRATURA NA TÍBIA.
RADIOGRAFIA DA PERNA, COM OSTEOMIELITE NA
TÍBIA.
RADIOGRAFIA DA PERNA, COM OSTEOCONDROMA
NO TERÇO PROXIMAL DA TÍBIA.
OSTEOMIELITE
É importante saber que osteomielite é uma infecção óssea causada por bactérias, que
destroem a medula e a matriz cortical, produzindo zonas circunscritas e transparentes nos
ossos. Quando as bactérias são eliminadas, os ossos sofrem remodelação e as bordas
corticais ficam exageradamente dilatadas e radiopacas.
Na imagem ao lado, temos uma lesão osteolítica (transparente), circunscrita, solitária, na
direção do terço inferior da tíbia, deformando a borda periosteal (externa). Esses traços são
típicos de tumores benignos de origem cartilaginosa, denominados osteocondromas.
 Radiografia da perna, com osteocondroma no terço proximal da tíbia.
ANATOMIA RADIOGRÁFICA DA
ARTICULAÇÃO DO JOELHO
O joelho é composto de três ossos: tíbia proximal, fêmur distal e patela.
Apenas fêmur e tíbia se articulam diretamente, estando a fíbula mais associada à fixação dos
músculos da panturrilha. A patela tem uma função acessória, funcionando como proteção para
os ligamentos.
 Radiografia do joelho em AP.
A rotina radiográfica para a avaliação do joelho consiste nas incidências em lateral e AP, que
pode ser feita também com carga (em pé, com o próprio peso do corpo sobre o joelho).
A porção proximal da fíbula é composta por ápice e cabeça, que se articula diretamente com a
tíbia. Em sua porção proximal, a tíbia não tem formato esferoide como na maioria das epífises
proximais. A região é chamada de platô (planalto, em francês) e tem forma achatada com duas
depressões denominadas facetas articulares, onde o fêmur se articula. Anteriormente, a tíbia
tem uma protuberância chamada tuberosidade tibial, onde se fixa o ligamento patelar.
 Radiografia do joelho em lateral.
Radiografia do joelho, projeção tangencial
Na radiografia AP, a patela aparece sobreposta ao fêmur, sendo bem visualizada na incidência
em perfil ou tangencial. Veja nessa radiografia como uma fratura na patela poderia passar
despercebida se realizada somente uma imagem AP.
Radiografia do joelho, com carga
O fêmur proximal é uma estrutura bicondilar (côndilo lateral e medial), que favorece o
movimento de flexão e extensão do joelho. Acima, o fêmur distal possui dois epicôndilos
(também lateral e medial) e duas faces, sendo a poplítea posterior e a face patelar anterior.
Como o nome sugere, é nessa região que se localiza e se encaixa a patela.
ANATOMIA RADIOGRÁFICA DO FÊMUR
O fêmur é o maior osso do membro inferior, mas não é o maior osso da perna, como já
conversamos. São utilizadas incidências em AP e lateral para a avaliação da região. Dado o
seu tamanho, o exame pode ser feito dividindo a região ao meio. Em um chassi/cassete
dividido, de um lado, é colocado o terço distal e médio. Do outro lado, é radiografado o terço
distal e médio. Alguns profissionais realizam a imagem com o chassi/cassete em diagonal,
aproveitando o maior eixo para incluir todas as estruturas em uma única radiografia.
 Radiografia do terço proximal do fêmur, em projeção AP.
Radiografia do terço médio do fêmur, em projeção AP.
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Radiografia do fêmur, em projeção lateral.
A diáfise do fêmur está mais sujeita a processos de fratura e lesões que afetam diretamente o
tecido cortical ou medular do osso. Veja, por exemplo, essa fratura decorrente de um disparo
por arma de fogo. Note que o terço inferior está rodado lateralmente e identificamos os
estilhaços como formas irregulares e radiopacas na imagem.
 Fratura na diáfise femoral.
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ANATOMIA RADIOGRÁFICA DOS OSSOS
DO QUADRIL
A articulação do quadril fica localizada na pelve. Formada pelos ossos ílio, ísquio e púbis, a
pelve permite a movimentação do fêmur e de todo o membro inferior. A conexão entre eles é
realizada pela cabeça do fêmur. Abaixo, a epífise proximal tem uma característica peculiar,
pois o colo femoral tem uma angulação medial. Em seguida, o colo se fixa a uma grande
protuberância, denominada trocânter maior, cuja proeminência avança lateralmente. Menor e
voltada medialmente, temos uma saliência denominada trocânter menor. O encaixe da
cabeça femoral no quadril é realizada no acetábulo, uma fossa em formato de soquete. A
articulação formada entre eles é chamada articulação coxofemoral.
RADIOGRAFIA DO QUADRIL.
Identificar os acidentes anatômicos descritos.
RADIOGRAFIA DA PELVE COMPLETA.
Analisar toda a pelve, com as duas articulações coxofemorais em aspecto normal.
RADIOGRAFIA DA PELVE COMPLETA, COM
LUXAÇÃO DA CABEÇA FEMORAL.
Reconhecer um quadro de luxação femoroacetabular.
PATOLOGIAS ASSOCIADAS AOS
MEMBROS INFERIORES
Nesta seção, abordaremos as patologias mais recorrentes em membros inferiores. É
importante frisar que patologias ósseas de origem infecciosa, endócrina ou metabólica podem
acometer qualquer osso do esqueleto apendicular. Entretanto, distribuiremos as lesões
conforme a maior incidência.
Embora já tenhamos conceituado fratura e luxação no módulo anterior, essas lesões são muito
frequentes nos membros inferiores. Uma das principais causas é a tensão aplicada em razão
do peso corporal.
LESÃO DE LISFRANC
É uma fratura-luxação na região dorsal do pé. Nesse caso, a lesão ocorre entre os ossosdo
tarso e metatarso. É mais comum entre o cuboide e os dois últimos cuneiformes. Quando
ocorre a ruptura ou o estiramento do ligamento de Lisfranc, os metatarsos podem ser
deslocados lateralmente ou ainda sofrer fratura em suas bases. Nome dado em homenagem
ao médico Jacques Lisfranc de St. Martin.
Perceba, na imagem, que a articulação do metatarso I permanece intacta, ao passo que os
demais sofrem deslizamento lateral em decorrência das fraturas na base dos metatarso II e III.
 Lesão de Lisfranc.
FRATURA DE JONES
É uma lesão na base do 5º metatarso. Está geralmente associada a torções no pé, em que
todo o peso do corpo é projetado sobre a região lateral do pé. Nome dado em homenagem ao
médico Robert Jones.
A seguir, veja três radiografias com três graus diferentes de fratura. Na primeira, apenas o
ápice da base fraturou e sofreu avulsão. Na segunda, além do ápice, parte da base sofreu
fratura transversal. Na terceira, a fratura está localizada bem mais acima do terço inferior do
metatarso.
FRATURA DE JONES
Porção leve em avulsão.
FRATURA DE JONES
Porção moderada em avulsão.
FRATURA DE JONES
Porção moderada no terço inferior do metatarso.
Fratura trimaleolar ocorre no tornozelo e envolve três partes diferentes:
MALÉOLO LATERAL

MALÉOLO MEDIAL

REGIÃO POSTERIOR DO MALÉOLO MEDIAL
 SAIBA MAIS
É uma lesão muito instável, uma vez que o tornozelo fica sem nenhum ponto de apoio.
Fratura bimaleolar
Nas primeira imagem, temos uma fratura bimaleolar, uma vez que a porção posterior ficou
preservada. Note o fragmento avulso do maléolo medial e a laceração total do terço distal da
fíbula.
Fratura trimaleolar clássica
Na segunda imagem, temos uma fratura trimaleolar clássica e a radiografia após correção
ortopédica.
PATOLOGIAS INFECCIOSAS
Infecções ósseas acometem áreas com maior quantidade de tecido cortical, geralmente o
terço distal do fêmur, platô tibial e as diáfises ósseas. A infecção pode começar com um
processo inflamatório, que evolui para processo infeccioso ou até mesmo decorrer de um
trauma de partes moles. Porém, nem toda inflamação tem origem infecciosa, como no caso
das artrites, por exemplo.
Duas patologias importantes desse grupo seriam a osteomielite e o abscesso ósseo agudo:
OSTEOMIELITE
É um processo infeccioso que ocorre a partir da medula óssea. É causado pelas bactérias
Staphylococcus aureus ou Streptococcus pyogenes, que destroem o tecido medular, migrando
para o osso pela região endosteal.
Na imagem, é possível observar edemas nos tecidos moles (áreas opacas), destruição do
tecido ósseo (áreas transparentes) e a formação de fístulas (canal não anatômico,
transparente, com paredes opacas) na região epifisária ou metafisária.
 Radiografia da perna, evidenciando osteomielite na tíbia.
ABSCESSO ÓSSEO AGUDO
É um processo inflamatório focal, decorrente de infecção bacteriana. Diferentemente da
osteomielite, o abscesso ósseo ataca a região metafisária e avança para o interior dos ossos.
Na imagem, são identificados como áreas osteolíticas (com substituição da massa óssea por
tecido mole, como secreção) com contorno delineado.
 Abscesso ósseo agudo, na radiografia do tornozelo, projeção AP.
PATOLOGIAS METABÓLICAS
São doenças ou lesões decorrentes de falhas em processos metabólicos importantes do corpo,
como a construção de matriz óssea e ação de enzimas e vitaminas. As células ósseas têm uma
dinâmica de reunir minerais, enzimas e vitaminas para formar osso novo (osteogênese) e outra
para remover tecidos ósseos mortos ou lesionados (osteólise). Portanto, doenças que
aceleram a osteólise ou retardam a osteogênese comprometem a estrutura óssea.
 ATENÇÃO
Na osteoporose, a reposição de matriz óssea é drasticamente comprometida. Com isso, os
ossos se tornam frágeis, com matriz trabecular frouxa. Na radiografia, os ossos aparecem com
a opacidade nitidamente baixa, com aspecto mais enegrecido, e as bordas corticais aparecem
mais irregulares e transparentes.
Todos os seres humanos sofrem perda de massa óssea ao longo da vida. No entanto, a taxa
de redução de massa óssea é estimada conforme a faixa etária. Quando a perda se acentua, o
quadro é denominado osteopenia. Nessa fase, reposição hormonal, suplementação de cálcio
e vitamina D contribuem para retardar a perda. No entanto, é impossível interrompê-la
definitivamente, por ser um processo natural.
Pelve em aspecto clínico normal.
Na imagem, uma radiografia de aspecto clínico normal: contornos ósseos opacos, borda
cortical espessa e o espaço medular acinzentado.
Pelve com perda de massa óssea severa
Neste caso, note a perda drástica de massa óssea na epífise proximal.
Artroplastia no quadril
Aqui, temos artroplastia com prótese femoral no quadril esquerdo e transparência acentuada
na diáfise femoral.
Radiografia do tornozelo, com perda de massa na fíbula
Por fim, note a transparência da tíbia e fíbula, redução da borda cortical e fratura patológica na
metáfise tibial.
Raquitismo e osteomalácia são patologias com a mesma dinâmica. Porém, afetam públicos-
alvo diferentes:
RAQUITISMO
Afeta o crescimento ósseo (crianças).
OSTEOMALÁCIA
Afeta adolescentes e adultos jovens.
 SAIBA MAIS
São processos de desmineralização generalizada do esqueleto que provocam deformações na
estrutura óssea em razão da baixa taxa de vitamina D no sangue. Essa vitamina é responsável
pela fixação de cálcio nos ossos e o processo de maturação da matriz óssea. Com essa
deficiência, os ossos se tornam “moles”, arqueados e atrofiados.
Na imagem radiográfica, um sinal clássico do raquitismo é o alargamento da placa metafisária
e a curvatura em varus (externa) ou em valgus (interna) das diáfises, principalmente de fêmur e
tíbia. Em adultos, encontramos deformações no colo femoral e nas asas ilíacas, alargamento
na diáfise femoral e curvatura do membro inferior.
A retrata um caso específico de osteomalácia, induzida por uso abusivo de drogas. Alguns
medicamentos, como glicocorticoides, podem causar aos ossos se usados em doses
inadequadas e por tempo prolongado.
ANAMNESE FÍSICA DO RAQUITISMO

ASPECTO RADIOGRÁFICO DO RAQUITISMO
 ATENÇÃO
É muito comum encontrar pessoas que utilizem o termo “raquítico” para se referir a crianças
franzinas, com porte físico mais magro. No entanto, é um termo pejorativo e mal colocado, pois
o termo raquítico é qualifica uma criança diagnosticada com raquitismo. Portanto, devemos ter
cautela com a terminologia técnica e promover educação em saúde.
PATOLOGIAS ENDÓCRINAS
Ainda falando sobre o metabolismo ósseo, surge uma pergunta: quem controla tudo isso?
 RESPOSTA
Acertou se você pensou nos hormônios. São eles que levam o comando do cérebro às células.
Com isso, quando algo vai mal em uma dessas glândulas, indiretamente, esse metabolismo
também estará comprometido.
HIPERPARATIREOIDISMO
O hiperparatireoidismo é definido como a hiperatividade das glândulas paratireoides. A
produção excessiva do paratormônio (PTH) altera o metabolismo do cálcio e do fósforo. Na
radiografia, podemos identificar osteopenia generalizada, reabsorção óssea subperiosteal
e calcificação das cartilagens.
Uma consequência dessa doença também é a formação dos tumores marrons, que são lesões
benignas, císticas, de grandes proporções, nos ossos longos.
TUMORES MARRONS DO HIPERPARATIREOIDISMO

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LESÕES OSTEOLÍTICAS NA PELVE
Embora a imagem a seguir seja de membro superior, conseguimos ter uma boa visualização da
lesão osteolítica, localizada no segundo metacarpo da mão esquerda.
 Lesão osteolítica no segundo metacarpo.
INTERVENÇÃO CIRÚRGICA NO MEMBRO
INFERIOR
Para aprofundar ainda mais a compreensão, o especialista abordará as fraturas de tíbia e
fíbula, dando ênfase à utilização da radiologia para a colocação de placas e pinos em cirurgias
de fraturas expostas e não expostas.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
CONCLUSÃO
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como vimos, o estudo da anatomia radiológica é de suma importânciapara monitorar o padrão
de qualidade dos exames radiográficos, bem como para auxiliar na análise radiográfica e
interpretação dos achados.
Dessa forma, o profissional passa a ser capaz de diferenciar os achados considerando a
possibilidade de falha humana na realização do exame ou a possibilidade de o achado sugerir
lesões que representem algum tipo de patologia. Investir no estudo de anatomia radiológica
melhora a acuidade visual e agiliza a análise das imagens.
PODCAST
Para finalizar, convidamos você a ouvir o podcast com um resumo deste conteúdo:
AVALIAÇÃO DO TEMA:
REFERÊNCIAS
BONTRAGER, K. L.; LAMPIGNANO, J. Tratado de posicionamento radiográfico e anatomia
associada. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015.
DAFFNER, R. H. Radiologia clínica básica. 3. ed. São Paulo: Manole, 2003.
GREENSPAN, A.; BELTRAN, J. Radiologia ortopédica: uma abordagem prática. 6. ed. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.
LEWER, M. H. M. (org.). Tecnologia radiológica. Rio de Janeiro: MedBook, 2019.
SZEJNFELD, J.; ABDALA, N.; AJZEN, S. Diagnóstico por imagem. 2. ed. Barueri: Manole,
2016.
EXPLORE+
Radiopaedia: É uma enciclopédia médica com vasto material sobre Radiologia, Anatomia e
Patologia. Além disso, você encontrará muitos casos clínicos para estudar.
Anatomia Papel e Caneta: É um site educativo, bem-humorado, que trata sobre anatomia
humana. O site tem conteúdos sobre imaginologia, história da anatomia e um canal no
YouTube com vídeos educativos.
Dr. Pixel: É um projeto da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de
Campinas (FCM/Unicamp), com aulas, cursos, casos clínicos e artigos sobre temas específicos
em anatomia patológica por imagem.
3D Bones and Organs: É um app 100% gratuito, com um modelo 3D para estudo do corpo
humano. Disponibiliza várias ferramentas e opções de visualização.
CONTEUDISTA
Raphael de Oliveira Santos
 CURRÍCULO LATTES
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