8 - Constituicao Federal 1988 - Comentada pelo STF 2005
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DisciplinaDireito Constitucional I57.032 materiais1.405.474 seguidores
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de indiciado ou de réu, deva 
prestar depoimento perante órgãos do Poder Legislativo, do Poder Executivo ou do Poder Judiciário. O exercício do direito de 
permanecer em silêncio não autoriza os órgãos estatais a dispensarem qualquer tratamento que implique restrição à esfera 
jurídica daquele que regularmente invocou essa prerrogativa fundamental. Precedentes. O direito ao silêncio \u2014 enquanto 
poder jurídico reconhecido a qualquer pessoa relativamente a perguntas cujas respostas possam incriminá-la (nemo tenetur 
se detegere) \u2014 impede, quando concretamente exercido, que aquele que o invocou venha, por tal específica razão, a ser 
preso, ou ameaçado de prisão, pelos agentes ou pelas autoridades do Estado.\u201d (HC 79.812, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 
16/02/01)
\u201cSe o objeto da CPI é mais amplo do que os fatos em relação aos quais o cidadão intimado a depor tem sido objeto de 
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STF - Constituição
suspeitas, do direito ao silêncio não decorre o de recusar-se de logo a depor, mas sim o de não responder às perguntas 
cujas repostas entenda possam vir a incriminá-lo: liminar deferida para que, comparecendo à CPI, nesses termos, possa o 
paciente exercê-lo, sem novamente ser preso ou ameaçado de prisão.\u201d (HC 79.244, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ 
24/03/00)
 
\u201cPrisão preventiva: fundamentação inadequada. Não constituem fundamentos idôneos, por si sós, à prisão preventiva: (...) b) 
a consideração de que, interrogado, o acusado não haja demonstrado \u2018interesse em colaborar com a Justiça\u2019; ao indiciado 
não cabe o ônus de cooperar de qualquer modo com a apuração dos fatos que o possam incriminar \u2014 que é todo dos 
organismos estatais da repressão penal.\u201d (HC 79.781, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ 09/06/00)
 
\u201cMas, em matéria de direito ao silêncio e à informação oportuna dele, a apuração do gravame há de fazer-se a partir do 
comportamento do réu e da orientação de sua defesa no processo: o direito à informação oportuna da faculdade de 
permanecer calado visa a assegurar ao acusado a livre opção entre o silêncio \u2014 que faz recair sobre a acusação todo o 
ônus da prova do crime e de sua responsabilidade \u2014 e a intervenção ativa, quando oferece versão dos fatos e se propõe a 
prová-la: a opção pela intervenção ativa implica abdicação do direito a manter-se calado e das conseqüências da falta de 
informação oportuna a respeito.\u201d (HC 78.708, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, 16/04/99)
 
\u201cO acusado tem o direito de permanecer em silêncio ao ser interrogado, em virtude do princípio constitucional \u2014 nemo 
tenetur se detegere (art. 5º, LXIII) \u2014 não traduzindo esse privilégio auto-incriminação. No caso dos autos, não há qualquer 
prejuízo que nulifique o processo, tendo em vista que o silêncio do acusado não constituiu a base da condenação, que se 
arrimou em outras provas colhidas no processo.\u201d (HC 75.616, Rel. Min. Ilmar Galvão, DJ 14/11/97)
 
\u201cTambém não há incompatibilidade manifesta, aferível do exame comportável nesta oportunidade processual, entre a 
incomunicabilidade do preso (\u2018O preso, ainda que incomunicável, poderá entrevistar-se, livre e reservadamente, com 
advogado constituído, que terá acesso aos autos da investigação\u2019) e a assistência da família que lhe é assegurada pelo 
inciso LXIII do artigo 5º da Constituição, até por que esta não é necessariamente incompatível com a falta de comunicação 
direta entre os familiares e o preso, que tem acesso ao seu advogado constituído.\u201d (ADI 162-MC, Rel. Min. Moreira Alves, 
voto, DJ 19/09/97)
 
\u201cFalsidade ideológica. No caso, a hipótese não diz respeito, propriamente, à falsidade quanto à identidade do réu, mas, sim, 
ao fato de o então indiciado ter faltado com a verdade quando negou, em inquérito policial em que figurava como indiciado, 
que tivesse assinado termo de declarações anteriores que, assim, não seriam suas. Ora, tendo o indiciado o direito de 
permanecer calado e até mesmo o de mentir para não auto-incriminar-se com as declarações prestadas, não tinha ele o 
dever de dizer a verdade, não se enquadrando, pois, sua conduta no tipo previsto no artigo 299 do Código Penal.\u201d (HC 
75.257, Rel. Min. Moreira Alves, DJ 29/08/97)
\u201cO comportamento do réu durante o processo na tentativa de defender-se não pode ser levado em consideração para o efeito 
de aumento da pena, sendo certo, também, que o réu não está obrigado a dizer a verdade (art. 5º, LXIII, da Constituição) e 
que as testemunhas, se mentirosas, devem elas, sem reflexo na fixação da pena do réu em favor de quem depuseram, ser 
punidas, se for o caso, pelo crime de falso testemunho.\u201d (HC 72.815, Rel. Min. Moreira Alves, DJ 06/10/95)
 
\u201cA fixação da pena acima do mínimo legal exige fundamentação adequada, baseada em circunstâncias que, em tese, se 
enquadrem entre aquelas a ponderar, na forma prevista no art. 59 do Código Penal, não se incluindo, entre elas, o fato de 
haver o acusado negado falsamente o crime, em virtude do princípio constitucional.\u201d (HC 68.742, Rel. Min. Ilmar Galvão, DJ 
02/04/93)
 
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\u201cA regra constitucional superveniente \u2014 tal como a inscrita no art. 5º, LXIII, e no art. 133 da Carta Política \u2014 não se reveste 
de retroprojecão normativa, eis que os preceitos de uma nova constituição aplicam-se imediatamente, com eficácia ex nunc, 
ressalvadas as situações excepcionais, expressamente definidas no texto da lei fundamental. O princípio da imediata 
incidência das regras jurídico-constitucionais somente pode ser excepcionado, inclusive para efeito de sua aplicação 
retroativa, quando expressamente o dispuser a Carta Política, pois \u2018As constituições não têm, de ordinário, retroeficácia. Para 
as constituições, o passado só importa naquilo que elas apontam ou mencionam. Fora daí, não.\u2019 (Pontes de Miranda).\u201d (RE 
136.239, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 14/08/92)
 
LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial;
 
LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária;
 
\u201cA proibição de liberdade provisória nos processos por crimes hediondos não veda o relaxamento da prisão processual por 
excesso de prazo.\u201d (SÚM. 697)
 
"Sem que se caracterize situação de real necessidade, não se legitima a privação cautelar da liberdade individual do 
indiciado ou do réu. Ausentes razões de necessidade, revela-se incabível, ante a sua excepcionalidade, a decretação ou a 
subsistência da prisão preventiva. Discursos de caráter autoritário não podem jamais subjugar o princípio da liberdade. - A 
prerrogativa jurídica da liberdade - que possui extração constitucional (CF, art. 5º, LXI e LXV) - não pode ser ofendida por 
interpretações doutrinárias ou jurisprudenciais, que, fundadas em preocupante discurso de conteúdo autoritário, culminam 
por consagrar, paradoxalmente, em detrimento de direitos e garantias fundamentais proclamados pela Constituição da 
República, a ideologia da lei e da ordem." (HC 80.719, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 28/09/01)
 
\u201cA prerrogativa jurídica da liberdade \u2014 que possui extração constitucional (CF, art. 5º, LXI e LXV) \u2014 não pode ser ofendida 
por atos arbitrários do Poder Público, mesmo que se trate de pessoa acusada da suposta prática de crime hediondo, eis que, 
até que sobrevenha sentença condenatória irrecorrível (CF, art. 5º, LVII), não se revela possível presumir a culpabilidade do 
réu, qualquer que seja a natureza da infração penal que lhe tenha sido imputada. O clamor público não constitui fator de 
legitimação da privação cautelar da liberdade. A natureza da infração penal não pode restringir a aplicabilidade e a força 
normativa da regra inscrita no art. 5º, LXV, da Constituição da República, que dispõe, em caráter imperativo, que a prisão 
ilegal \u2018será imediatamente relaxada\u2019 pela autoridade judiciária.\u201d (HC