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JURISPRUDÊNCIA NO DIREITO TRIBUTÁRIO PARA AFRF E ATRF - 2012
PROFESSOR: DIEGO ADERNE 
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Aula 1 - 2.1. Imunidades. 3. Conceito e Classificação dos Tributos. 4.
Tributos de Competência da União. 4.1. Imposto sobre a Importação. 4.2.
Imposto sobre a Exportação. 4.3. Imposto sobre a Propriedade Territorial
Rural. 4.4. Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. 4.5.
Imposto sobre Produtos Industrializados. 4.6. Imposto sobre Operações
Financeiras. 5. Contribuições Sociais. 5.1. Contribuição para o Pis/Pasep. 5.2.
Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social \u2013 Cofins. 5.3.
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. 5.4. Contribuições sociais previstas
nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art.11 da Lei n. 8.212, de 24
de julho de 1991, e as instituídas a título de substituição. 5.5. Contribuições
por lei devidas a terceiros (art.3º, § 1º, da Lei n. 11.457, de 16 de março de
2007). 5.6. Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico. 
Imunidades Gerais 
1) A Emenda Constitucional n. 3, que autorizou a União a instituir o IPMF, 
incidiu em vício de inconstitucionalidade, ao dispor que, quanto a tal tributo, 
não se aplica "o art. 150, III, "b" e VI", da Constituição, porque, desse modo, 
violou os seguintes princípios e normas imutáveis (somente eles, não 
outros): 
2. o princípio da imunidade tributária recíproca (que veda a União, aos 
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios a instituição de impostos sobre o 
patrimônio, rendas ou serviços uns dos outros) e que é garantia da 
Federação; 
3. a norma que, estabelecendo outras imunidades impede a criação de 
impostos sobre: (art. 150, VI) 
"b"): templos de qualquer culto; 
"c"): patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive 
suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das 
instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, 
atendidos os requisitos da lei; e 
"d"): livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. 
(ADI 939/DF; Min. Sydney Sanches; Julgamento: 15/12/1993) 
* Alguns elementos dessa decisão foram deletados para facilitar a sua 
visualização e compreensão. 
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Já foi cobrado: 
1. (CESPE/2012/TJ-CE/Juiz) Como a imunidade recíproca está inserida entre as
denominadas imunidades genéricas, pode o legislador constituinte derivado
afastar a aplicação desse instituto em determinada hipótese. 
Errado. 
Nossa primeira decisão demonstra o entendimento do STF no sentido de
serem as imunidades tributárias sublinhadas cláusulas pétreas, vale
dizer, normas imutáveis por Emenda Constitucional. 
A imunidade recíproca decorre diretamente do princípio federativo,
enquanto as outras se constituem em garantias individuais do contribuinte,
assim como os princípios constitucionais tributários. Vejamos: 
CF, Art. 60. § 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de emenda
tendente a abolir: 
I - a forma federativa de Estado; (...) 
IV - os direitos e garantias individuais. 
"2) A imunidade tributária diz respeito aos impostos, não alcançando as 
contribuições." (RE 378.144-AgR, Rel. Min. Eros Grau, 30-11-2004) 
Já foi cobrado: 
2. (ESAF/2010/ISS-RJ/Fiscal de Rendas) A imunidade tributária recíproca diz
respeito aos impostos, não alcançando as contribuições. 
Correto. 
As imunidades estabelecida pelo art. 150, VI, da CF, alcança
apenas os impostos. Os outros tributos são exigíveis. É possível, por
exemplo, que um Município exija contribuição de melhoria de uma escola
pública estadual. 
3) \u201cDessa forma, não há como se afastar, com base nessa mesma 
salvaguarda constitucional, as obrigações tributárias decorrentes de fatos 
geradores que não guardem relação pessoal e direta com o beneficiado 
pela imunidade.\u201d (RE 446530; Min. RICARDO LEWANDOWSKI; 08/10/2009) 
No mesmo sentido, vejamos: 
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4) \u201cLANÇAMENTO FUNDADO NA RESPONSABILIDADE DO SERVIÇO SOCIAL DA 
INDÚSTRIA - SESI PELO RECOLHIMENTO DE TRIBUTO INCIDENTE SOBRE A 
VENDA DE MERCADORIA ADQUIRIDA PELA ENTIDADE. PRODUTOR-
VENDEDOR CONTRIBUINTE DO TRIBUTO. TRIBUTAÇÃO SUJEITA A 
DIFERIMENTO. A responsabilidade ou a substituição tributária não 
alteram as premissas centrais da tributação, cuja regra-matriz continua a 
incidir sobre a operação realizada pelo contribuinte. Portanto, a imunidade 
tributária não afeta, tão somente por si, a relação de responsabilidade 
tributária ou de substituição e não exonera o responsável tributário ou 
o substituto.\u201d (RE 202.987, Rel. Min. Joaquim Barbosa, 30-6-2009) 
Nesse último caso, o contribuinte do ICMS era o vendedor da
mercadoria, já o SESI (Serviço Social da Indústria - entidade assistencial
imune), sendo o comprador, era o responsável tributário por substituição. 
O STF considerou válida a responsabilização tributária do SESI pelo
recolhimento de ICMS devido em operação de circulação de mercadoria, sob o
regime de diferimento. 
Essas duas decisões refletem o entendimento do STF no sentido de que a
imunidade tributária não exclui, do ente imune, a responsabilidade da
obrigação tributária que lhe foi imposta em decorrência da
substituição tributária de terceiro não beneficiado pela imunidade. 
Já foi cobrado: 
3. (ESAF/2005/AFRF/Adaptada) No tocante às imunidades tributárias
conferidas às instituições de assistência social sem fins lucrativos, julgue: 
Não excluem a atribuição, por lei, às instituições de assistência social, da
condição de responsáveis pelos tributos que lhes caiba reter na fonte. 
Correto. 
\u201c5) A Segunda Turma desta Corte, ao julgar o RE 169.628, Relator o eminente 
Ministro Maurício Corrêa, decidiu, por unanimidade de votos, que o § 5º do art. 
184 da Constituição, embora aluda à isenção de tributos com relação às 
operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma 
agrária, não concede isenção, mas, sim, imunidade.\u201d (RE 168.110, Rel. 
Min. Moreira Alves, julgamento em 4-4-2000) 
CF, Art. 184, § 5º - São isentas de impostos federais, estaduais e municipais
as operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma
agrária. 
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A imunidade tributária é uma forma de não-incidência determinada
pela Constituição Federal. Já a isenção é a dispensa de tributo devido por
meio de lei. 
Assim como o artigo acima, existem outros na CF/88 que se referem a
isenções, mas são, na verdade, imunidades, já que estão previstas na
Constituição Federal. 
Já foi cobrado: 
4. (FCC/2011/TJ-PE/Juiz) O art. 155, § 2º, inciso X, letra \u201cd\u201d, da Constituição 
Federal, enuncia que o ICMS \u201cnão incidirá\u201d sobre prestação de serviços de 
comunicação nas modalidades de radiodifusão e transmissão de imagens. Bem
observado, o dispositivo consagra, segundo a melhor doutrina do direito, 
a) hipótese de não-incidência tributária. 
b) imunidade tributária. 
c) isenção de nível constitucional. 
d) isenção pura e simples. 
e) remissão fiscal. 
Correta a letra B. 
6) \u201cExigir de entidade imune a manutenção de livros fiscais é consentâneo com 
o gozo da imunidade tributária (...)\u201d. (RE 250844, Min. Marco Aurélio, 
29.5.2012). 
A imunidade tributária não exclui o dever da entidade beneficiada
de cumprir obrigações acessórias. 
Na ocasião, o Min. Luiz Fux afirmou ainda que, no Direito Tributário,
inexistiria a vinculação de o acessório seguir o principal, porquanto haveria
obrigações acessórias autônomas e obrigação principal tributária. 
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