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Índice Analítico-Remissivo........................................................................................................................127
VII
Apresentação
Com a edição do Decreto no 100.000, em 11 de janeiro de 1991, o Presidente da República autorizou a criação 
de comissão para rever, atualizar, uniformizar e simplificar as normas de redação de atos e comunicações oficiais. Após 
nove meses de intensa atividade da Comissão presidida pelo hoje Ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar 
Ferreira Mendes, apresentou-se a primeira edição do MANUAL DE REDAÇÃO DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA.
A obra dividia-se em duas partes: a primeira, elaborada pelo diplomata Nestor Forster Jr., tratava das 
comunicações oficiais, sistematizava seus aspectos essenciais, padronizava a diagramação dos expedientes, exibia 
modelos, simplificava os fechos que vinham sendo utilizados desde 1937, suprimia arcaísmos e apresentava uma 
súmula gramatical aplicada à redação oficial. A segunda parte, a cargo do Ministro Gilmar Mendes, ocupava-se da 
elaboração e redação dos atos normativos no âmbito do Executivo, da conceituação e exemplificação desses atos e do 
procedimento legislativo.
A edição do Manual propiciou, ainda, a criação de um sistema de controle sobre a edição de atos normativos 
do Poder Executivo que teve por finalidade permitir a adequada reflexão sobre o ato proposto: a identificação clara e 
precisa do problema ou da situação que o motiva; os custos que poderia acarretar; seus efeitos práticos; a probabilidade 
de impugnação judicial; sua legalidade e constitucionalidade; e sua repercussão no ordenamento jurídico.
Buscou-se, assim, evitar a edição de normas repetitivas, redundantes ou desnecessárias; possibilitar total 
transparência ao processo de elaboração de atos normativos; ensejar a verificação prévia da eficácia das normas e 
considerar, no processo de elaboração de atos normativos, a experiência dos encarregados em executar o disposto na 
norma.
Decorridos mais de dez anos da primeira edição do Manual, fez-se necessário proceder à revisão e atualização 
do texto para a elaboração desta 2a Edição, a qual preserva integralmente as linhas mestras do trabalho originalmente 
desenvolvido. Na primeira parte, as alterações principais deram-se em torno da adequação das formas de comunicação 
usadas na administração aos avanços da informática. Na segunda parte, as alterações decorreram da necessidade de 
adaptação do texto à evolução legislativa na matéria, em especial à Lei Complementar no 95, de 26 de fevereiro de 
1998, ao Decreto no 4.176, de 28 de março de 2002, e às alterações constitucionais ocorridas no período.
Espera-se que esta nova edição do Manual contribua, tal como a primeira, para a consolidação de uma cultura 
administrativa de profissionalização dos servidores públicos e de respeito aos princípios constitucionais da legalidade, 
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, com a conseqüente melhoria dos serviços prestados à sociedade.
PEDRO PARENTE
Chefe da Casa Civil da Presidência da República
VIII
Sinais e Abreviaturas Empregados
* = indica forma (em geral sintática) inaceitável ou 
agramatical.
§ = parágrafo
adj. adv. = adjunto adverbial
arc. = arcaico
art. = artigo
cf. = confronte
CN = Congresso Nacional
Cp. = compare
f.v. = forma verbal
fem.= feminino
ind. = indicativo
i. é. = isto é
masc. = masculino
obj. dir. = objeto direto
obj. ind. = objeto indireto
p. = página
p. us. = pouco usado
pess. = pessoa
pl. = plural
pref. = prefixo
pres. = presente
Res. = Resolução do Congresso Nacional
RI da CD = Regimento Interno da Câmara dos 
Deputados
RI do SF = Regimento Interno do Senado Federal
s. = substantivo
s.f. = substantivo feminino
s.m. = substantivo masculino
sing. = singular
tb. = também
v. = ver ou verbo
v. g; = verbi gratia
var. pop. = variante popular
IX
PARTE I 
AS COMUNICAÇÕES OFICIAIS
CAPÍTULO I 
ASPECTOS GERAIS DA REDAÇÃO OFICIAL
2
1. O que é Redação Oficial
Em uma frase, pode-se dizer que redação oficial é a maneira pela qual o Poder Público redige atos normativos
e comunicações. Interessa-nos tratá-la do ponto de vista do Poder Executivo.
A redação oficial deve caracterizar-se pela impessoalidade, uso do padrão culto de linguagem, clareza, 
concisão, formalidade e uniformidade. Fundamentalmente esses atributos decorrem da Constituição, que dispõe, no 
artigo 37: \u201cA administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, 
do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade 
e eficiência (...)\u201d. Sendo a publicidade e a impessoalidade princípios fundamentais de toda administração pública, claro 
está que devem igualmente nortear a elaboração dos atos e comunicações oficiais. 
Não se concebe que um ato normativo de qualquer natureza seja redigido de forma obscura, que dificulte ou 
impossibilite sua compreensão. A transparência do sentido dos atos normativos, bem como sua inteligibilidade, são 
requisitos do próprio Estado de Direito: é inaceitável que um texto legal não seja entendido pelos cidadãos. A 
publicidade implica, pois, necessariamente, clareza e concisão. 
Além de atender à disposição constitucional, a forma dos atos normativos obedece a certa tradição. Há normas 
para sua elaboração que remontam ao período de nossa história imperial, como, por exemplo, a obrigatoriedade \u2013 
estabelecida por decreto imperial de 10 de dezembro de 1822 \u2013 de que se aponha, ao final desses atos, o número de anos 
transcorridos desde a Independência. Essa prática foi mantida no período republicano. 
Esses mesmos princípios (impessoalidade, clareza, uniformidade, concisão e uso de linguagem formal) 
aplicam-se às comunicações oficiais: elas devem sempre permitir uma única interpretação e ser estritamente impessoais 
e uniformes, o que exige o uso de certo nível de linguagem.
Nesse quadro, fica claro também que as comunicações oficiais são necessariamente uniformes, pois há sempre 
um único comunicador (o Serviço Público) e o receptor dessas comunicações ou é o próprio Serviço Público (no caso 
de expedientes dirigidos por um órgão a outro) \u2013 ou o conjunto dos cidadãos ou instituições tratados de forma 
homogênea (o público).
Outros procedimentos rotineiros na redação de comunicações oficiais foram incorporados ao longo do tempo, 
como as formas de tratamento e de cortesia, certos clichês de redação, a estrutura dos expedientes, etc. Mencione-se, 
por exemplo, a fixação dos fechos para comunicações oficiais, regulados pela Portaria no 1 do Ministro de Estado da 
Justiça, de 8 de julho de 1937, que, após mais de meio século de vigência, foi revogado pelo Decreto que aprovou a 
primeira edição deste Manual.
Acrescente-se, por fim, que a identificação que se buscou fazer das características específicas da forma oficial 
de redigir não deve ensejar o entendimento de que se proponha a criação \u2013 ou se aceite a existência \u2013 de uma forma 
específica de linguagem administrativa, o que coloquialmente e pejorativamente se chama burocratês. Este é antes uma 
distorção do que deve ser a redação oficial, e se caracteriza pelo abuso de expressões e clichês do jargão burocrático e 
de formas arcaicas de construção de frases.
A redação oficial não é, portanto, necessariamente árida e infensa à evolução da língua. É que sua finalidade 
básica \u2013 comunicar com impessoalidade e máxima clareza \u2013 impõe certos parâmetros ao uso que se faz da língua, de 
maneira diversa daquele da literatura, do texto jornalístico, da correspondência particular, etc.
Apresentadas essas características fundamentais da redação oficial, passemos à análise pormenorizada de cada 
uma delas.
Simone
Simone fez um comentário
Muito bom...bjos
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