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A CONTRA REVOLUÇÃO NEOLIBERAL: INDAGAÇÕES E REFLEXÕES NO TEMPO PRESENTE Thiago Emanuel Folgueiral; Vanessa Simões Ribeiro. Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” – UNESP – Faculdade de Filosofia e Ciência – FFC - Campus Marília- Agência Financiadora: Programa Pró Reitoria Prograd – Núcleo de Ensino. Thiago_folgueiral@hotmail.com; Vanessa.simoes1@gmail.com Resumo O artigo tem como objetivo discutir o desenvolvimento do capitalismo mundial, mais precisamente em sua forma atual denominada de neoliberalismo. Buscando aproximar as contribuições teóricas de Marcos Del Roio e Perry Anderson, foi realizado um panorama histórico do capitalismo e do movimento operário até a fase atual do neoliberalismo e a capacidade de transformação dessa nova etapa no capitalismo, em conjunto ao diálogo com as formulações teóricas do profícuo debate de ambos os autores. As particularidades da vertente neoliberal tiveram sua ascensão na crise dos anos de 1970, com a até então forte presença do pensamento keynesiano e fordista, alavancando a partir da década de 80, com maior ênfase na década de 90, com pressupostos na liberdade individual, um Estado gerencial e fim das barreiras nacionais. Para embasar os argumentos do neoliberalismo, foram utilizadas as formulações de Friedrich Hayek. Portanto, tendo em vista a abrangência do tema e a riqueza do período, esse artigo busca trazer elementos para tentarmos compreendermos o tempo presente. Palavras-Chaves: História do capitalismo; Neoliberalismo; Ocidente; Oriente Abstract The article aims to discuss the development of world capitalism, more precisely in its current form called neoliberalism. Aiming to approximate the theoretical contributions of Marcos Del Roio and Perry Anderson, a historical panorama of capitalism and the labor movement was carried out until the current phase of neoliberalism and the capacity for transformation of this new stage in capitalism, together with the dialogue with the theoretical formulations of profitable debate of both authors. The particularities of the neoliberal aspect had their rise in the crisis of the 1970s, with the then strong presence of Keynesian and Fordist thinking, leveraging from the 1980s, with greater emphasis on the 1990s, with assumptions in individual freedom, a Management status and the end of national barriers. To support the arguments of neoliberalism, the formulations of Friedrich Hayek. Therefore, considering the scope of the theme and the richness of the period, this article seeks to bring elements to try to understand the present time. . Keyword: History of capitalism; Neoliberalism; West; East 1. INTRODUÇÃO mailto:Thiago_folgueiral@hotmail.com mailto:Vanessa.simoes1@gmail.com Pensar o neoliberalismo apenas em seu aspecto econômico recai em uma análise muito reducionista e grotesca desse fenômeno. Em linhas gerais a ascensão neoliberal fora inaugurada na década de 1980, principalmente nos países centrais. Tendo como herança a tradição neoclássica, esse fenômeno, apesar de seu aspecto central que se pauta na liberalização das economias, a mesma se deu de diferentes formas, dentro das particularidades históricas e culturais de cada país, se adaptando de forma eficaz à estruturas políticas e econômicas. Dessa forma, neste artigo, será discutido o neoliberalismo, tendo como base referencial dois teóricos contemporâneos, sendo eles, Marcos Del Roio (1998) e Perry Anderson (2007), ambos historiadores, do qual fazem uma rica trajetória dentro do pensamento marxista. Assim, será realizada uma discussão acerca das reflexões, tendo a comunicação que se tornou um texto, “Balanço do Neoliberalismo” de Perry Anderson, juntamente com a formulação teórica de Del Roio em “Outro Externo Negativo”, trabalhado no livro “O Império Universal e Seus Antípodas: a ocidentalização do mundo”. Também serão analisadas algumas passagens da obra O Caminho da Servidão, obra fundante do pensamento neoliberal por Frederick Von Hayek. Em sua obra, Del Roio (1998) realiza uma vasta análise historiográfica, trabalhando como eixo central a concepção de Ocidente e o seu papel como representação de Império Universal. Para isso, inicia a discussão da formação da concepção de Ocidente e Oriente e a sua representação no mundo antigo greco-romano e os desdobramentos no decorrer da idade média. Todavia, Del Roio (1998) aponta que somente a partir do Grande Cisma da Igreja 1 , em pleno auge do feudalismo, ganhou a fundamentação e projeção dos quais vemos até os dias atuais. Os principais pressupostos, em grande medida foram manter a coesão social nas relações servis, o afastamento das cidades e a incorporação de ritos do Império Germânico. Como já salientado, juntamente com o Grande Cisma, a Igreja de Roma 2 tomou para si o papel de ser o condutor do Império Universal no âmbito histórico, político e cultural. Esse movimento ocorreu por toda a Idade Média, através das Cruzadas, de concepções teológicas filosóficas e em momentos de ameaça de hegemonia política e cultural como com a Santa 1 Grande Cisma da Igreja, ocorreu em 1054. Essa ruptura dividiu a Igreja de Pedro, nas Igrejas de Roma e Constantinopla, sendo denominadas de Católica Apostólica Romana (ocidente) e Igreja Católica Apostólica Ortodoxa (oriente). 2 Igreja Católica Apostólica Romana (A palavra Católica é oriunda do grego “katholikos” que tem o significado de Universal). Inquisição. Esses fatos propusera uma visão maniqueísta de mundo, difundindo a ideia do “bem-ocidente” e “mal-oriente.” (DEL ROIO, 1998). Tornava-se então necessária uma nova garantia de coesão social, a fim de que se estabilizasse e se reproduzisse a ordem feudal, e ela foi oferecida pela igreja de Roma que, antes de mais nada, procurou se sobrepor ao instável Império Germânico, enquanto poder herdado da tradição pagã [...]. É a ação político-cultural da Igreja com o desígnio de estabilizar o feudalismo maduro, atenuando a tensão social, o ponto que simbolicamente demarca a origem do Ocidente atual e a sua vontade de domínio. (DEL ROIO, 1998, p. 20). A riqueza da análise de Del Roio (1998) mostra-se mais consistente através do cabedal teórico que autor apresenta. Estudioso da obra de Antônio Gramsci (1891-1937), o mesmo aponta que a Igreja de Roma, além de principal condutor intelectual do Império Universal, nos períodos da Idade Média e Moderna, cumpriu a função de construção e consolidação de “hegemonia sobre as massas”, do qual será discutido no decorrer do texto. “A Igreja passa então a desejar a supremacia sobre as coisas do mundo, gestando uma teologia racional indicando como individuo cristão estaria a partir de então comprometido com a vida terrena num grau antes existente.”. (DEL ROIO, 1998, p. 20). Dentro das formulações apresentadas na obra, é caracterizado o Oriente como Externo Negativo. Esse é o principal elemento na explicação do Ocidente sobre o Oriente. Como exposto nos eventos próximos à queda de Constantinopla em 1453, Ao ocidente restava encarar um Oriente externo negativo muito mais ameaçador, identificado na etnia turca e religião mulçumana, [...]. Antes mesmo de configurar sua identidade “descobrindo” um outro interno negativo, inferior e ameaçador, unificando na sua diversidade pela imagem do diabo, e inventando o Oriente como o outro externo [...]. (DEL ROIO, 1998, p.29). A identificação do Outro Externo Negativo perpassou por todo o período histórico, da Idade Média á Modernidade, principalmente sobre o modo de entender-se o Oriente, com propósito de construção e consolidação de hegemonia acrescentando-se novos elementos a novos acontecimentos. O Outro Externo Negativo em linhas gerais era vinculado aos povos do Oriente. Suas formulações eram ligadas com as questões religiosas, baseado na ordemfeudal eclesiástica. Em relação à obra de Perry Anderson, no que condiz a discussão dos principais acontecimentos até a consolidação do neoliberalismo, é apresentado as primeiras desse novo fenômeno. Os primeiros teóricos do neoliberalismo em sua grande maioria economistas, tinham como embasamento a vertente neoclássica austríaca. Sua principal crítica, pautava o keynesianismo e do Estado de Bem Estar Social, sendo elas as principais causas das mazelas e da estagnação econômica que esse sistema iria acarretar. Entre os seus fundadores que criaram sociedade de Mont Pèlerin, tinha como teórico, Milton Friedman, Karl Popper, Lionel Robbins, Ludwig Von Mises, Walter Eupken, Walter Lipman, e entre outros, tendo como o grande idealizador e teórico de referência da sociedade, Frederik Von Hayek, ganhador do prêmio Nobel de economia em 1974 3 . (ANDERSON, 1995, p.10). 2. RAÍZES DO CAPITALISMO Com a ascensão do modo de produção capitalista e consolidação da sociabilidade burguesa, muitas dessas concepções ficaram em segundo plano. A inserção de uma novíssima classe, a dos proletariados, transplantou dos servos a imagem de um outro inferior subalterno ou em períodos de agitação e contentamento, o outro inferior negativo. A partir desses apontamentos iremos discutir o neoliberalismo, essa nova vertente do capitalismo, que reuniu aspectos da corrente neoclássica com pressupostos do liberalismo conservador. A Revolução Francesa de 1789 foi o principal marco da consolidação burguesa. Já em seus primeiros momentos o projeto liberal burguês se mostrou reacionário ao próprio movimento revolucionário, através da instauração do consulado no processo revolucionário francês. A subida de Napoleão Bonaparte teve como principal função frear o próprio movimento radical jacobino, marcado no primeiro golpe de 18 de Brumário em 1799, dando inicio a Era Napoleônica (1799- 1815). Dentro do bojo dos acontecimentos revolucionário, surge dentro do pensamento liberal, a crítica ao movimento revolucionário francês, justamente pela sua forma radical. O pensamento liberal conservador surge dentro desses acontecimentos, tendo como parâmetro a Revolução Inglesa e a Monarquia Constitucional. Os conservadores tinham como pressupostos uma forte questão moral no Estado, sendo, portanto, adeptos e defensores das tradições feudais do Estado liberal. Dos autores que inauguraram essa vertente, podemos citar Edmund Burke (1729-1797) e Alexis de Tocqueville (1805-1859), ambos críticos da forma que ocorreu a Revolução Francesa. Se diferenciavam apenas no entendimento da Revolução Americana (1776), do qual Tocqueville, sendo francês, apoiou e inclusive, participou 3 A obra “O Caminho da Servidão” de Von Hayek foi o vencedor do Nobel de Economia de 1974, dividindo o título com Gunnar Myrdal da Escola de Estocolmo, sobre sua obra “Teoria da Moeda, flutuações econômicas e impactos sociais”. Interessante notar que ambas as obras tinham pressupostos completamente opostos sobre o entendimento da moeda e da economia na sociedade, marcando o embate dessas duas teorias econômicas. ativamente como teórico 4 desta revolução. Burke por sua vez, idealizava e defendia um Estado liberal ao modo inglês (monarquia constitucional), apoiando uma revolução burguesa moderada. Tendo como convergência entre ambos, a defesa à escravidão, a questão moral, religiosa e o afastamento da grande massa das questões políticas. (WEFFORT, 2001). No século XIX, esses acontecimentos ganharam novos elementos, complexificando-se no nascente modo de produção capitalista. Alguns fenômenos ocorridos foram: a formação dos primeiros Estados Nacionais modernos, sobre os ideais iluministas, a expansão colonial e a formação dos grandes Impérios. No entanto, em todo esse processo, o elemento mais importante é o surgimento da novíssima classe, o proletariado, nascente das contradições do processo revolucionário burguês, entre a nova classe burguesa e a velha aristocracia feudal. Todos esses fatores influenciaram na tentativa racional iluminista de explicar o mundo, acarretando em complexas correntes filosóficas e políticas de compreensão e transformação do mundo. Entre elas, estão as teorias revolucionárias, sobre figura do socialismo de Karl Marx e o anarquismo de Bakunin, ambos com a perspectiva de se chegar ao comunismo, porém alterando somente a tática e os sujeitos no processo. Do outro lado, as teorias liberais ganharam novos pressupostos e vertentes, entre elas o conservadorismo como já exposto, e o liberalismo clássico, com os princípios básicos do laissez-faire, sobre forte influência de Adam Smith e David Ricardo. Germe das grandes transformações, o proletariado despossuído dos meios de produção e das ferramentas de trabalho, iniciou os primeiros movimentos contestatórios trabalhistas no início do século XIX. Entre os principais, podemos citar o movimento Ludista (1811-12) e o Cartismo (1830), este, especificamente na Inglaterra. O primeiro grande levante na Europa Continental foi com a Primavera dos Povos em 1848, marcando a força da nova classe revolucionária. Esse processo acirrou a luta de classe e a correlação de forças entre elas, acarretando nas primeiras conquistas e direitos para os operários. Na Inglaterra, se deu pelo novo estatuto da poor laws e a Lei das 10 horas e também o surgimento do primeiro partido de massa organizado na Prússia, com a Social-Democracia Alemã (SPD) ambos na segunda metade do século. (POLANYI, 2000). Marx e Engels em sua vasta obra retratando esse período, nos apresentam em seus escritos, a base para compreendermos os constantes embates e as efervescências desse século. 4 Vide Alexis Tocqueville, A Democracia na América (1835). Com a derrota de Napoleão em 1815, Marx 5 aponta o limite da burguesia no processo revolucionário, justamente pelo papel reacionário ao apoio a restauração da monarquia, traindo a grande massa que havia a derrubado em 1789. Com a primeira grande crise do capital em 1848, a Primavera dos Povos, trouxe para o embate político à classe proletária, a síntese das contradições do processo revolucionário. A revolução que estava na ordem do dia, foi freada pela repressão do Estado burguês e uma sofisticada articulação da burguesia sobre as massas. O apaziguamento do primeiro grande levante revolucionário do proletariado, foi resultado no golpe de Estado de Napoleão III, sobrinho de Napoleão Bonaparte, sob a égide da burguesia com o apoio do campesinato e da pequena burguesia 6 , esse período ditatorial, chamado Segundo Império, durou entre os anos de 1851 a 1870, marcado pela repressão aos movimentos operários e intensificação nas técnicas de guerra com o processo acelerado industrial e tecnológico. Esse hiato de grandes levantes só foi encerrado com a Guerra Franco-Prussiana e a primeira organização autônoma de trabalhadores através da Comuna de Paris (1871) do qual iremos discutir. (BARSOTTI, 2002). A Guerra Franco-Prussiana de 1870-71 marcou o primeiro confronto das duas principais potências da Europa Continental. O embate se deu através da França, a principal potência industrial continental no período, e a Prússia com um vertiginoso crescimento e em busca de mercados, junto à necessidade de consolidação de integração dos territórios da comunidade germânica 7 . Os motivos para o confronto foram vários, não sendo possível aprofundarmos neste texto, porém o pano de fundo era o comando político e da produção industrial no Continente Europeu. Dentre os fatores existentes, o que estava em questão era o controle da região fronteiriça da Alsácia e Lorena, principal produtora de minério de ferro e fonte para a produção industrial francesa, também a reunificação com os demais territórios germânicos pela Prússia. Comosabido, ambos os objetivos foram alcançados com a vitória da Prússia, a reunificação e formação do Estado Nacional e o controle da região, alavancando a economia alemã em seu processo de capitalismo tardio. A importância desses fatos deve ser considerada pelo fato de ser a primeira experiência de guerra capitalista entre nações, ensaiando o que culminaria na 1ª Grande Guerra. 5 Seus escritos sobre os acontecimentos de 1848 foram organizados em um livro por Engels, “As Lutas de Classe na França” 1895. 6 Vide O 18 de Brumário de Luís Bonaparte (1851). 7 Com a queda do Sacro Império Romano Germânico (962 – 1806) devido em grande medida as Guerras Napoleônicas. O período entre os dois Reich (1806 a 1871) houve uma fragmentação dos seus territórios, porem o forte vínculo comercial e cultural já estavam formados como caracterização do povo alemão. Entre seus principais territórios estavam o Reino da Prússia e o da Baviera, posteriormente unificados 1870, formando o II Reich. A derrota humilhante da França, com a ocupação alemã em Versalhes, serviu de estopim para a principal experiência revolucionária concreta, realizada pelo proletariado e povo 8 francês. A Comuna de Paris ocorrida em 1871 teve 72 dias da mais avançada organização e autogestão das massas. Nesse período, houve uma organização e resistência dos communard 9 nunca visto antes. Além da resistência contra a ocupação prussiana em Paris, a Comuna foi a primeira, como disse Marx, “revolução contra o Estado”. Esse fato foi o precursor do fortalecimento do proletariado europeu. No entanto, sua derrota de forma esmagadora teve como figura a aliança das burguesias francesas e alemãs, retratando mais uma vez, a traição da burguesia francesa ao seu próprio povo, com a então Prússia vencedora. (MARX, 2011). Del Roio (1998), utilizando a conceituação de bloco histórico de Gramsci aponta: “[...] em relação aos acontecimentos que se verificaram na França entre 1789 e 1870”, os quais deveriam necessariamente ser vistos em conjunto, já que “só em 1870-71 com a tentativa comunalística se esgotam historicamente todos os germes nascidos em 1789.”. (DEL ROIO, 1998, p.113). Ainda sobre o bloco histórico revolucionário, Del Roio (1998) esmiúça as análises de Gramsci, do qual aponta que o movimento iniciado em 1789 e os acontecimentos ocorridos durante todo o século XIX, se encerram com a experiência da Comuna de 71. Embora a revolução burguesa se consolide dentro dos limites do Estado nacional e a França tenha desempenhado um papel político-cultural decisivo por sua capacidade de difusão e construção hegemônica, esta deve ser observada dentro do processo sócio-histórico geral do Ocidente. Gramsci percebe claramente que a especificidade da França, enquanto núcleo do poder político do Ocidente e difusor da revolução burguesa, estava numa concepção e ação política centradas no confronto aberto entre grupos sociais como interesses conflitantes: “revolução permanente” como tática de “guerra manobrada”. (DEL ROIO, 1998, p. 114). Dessa forma, como já evidenciado, após a derrota da Comuna encerra-se o período de ação direta da classe trabalhadora (1789-1871). Junto a isso, há uma viragem no mundo capitalista, que a partir desse momento, inicia-se um forte movimento monopolista dos capitais e a potencialização da expansão colonial. O movimento operário se fortifica nos principais países industrializados, sendo que o movimento comunista ganha projeção principalmente com o surgimento dos primeiros partidos social-democratas e socialistas. O elemento revolucionário estava se organizando com a primeira organização dentro do primeiro partido moderno que surge através do poderoso Partido Social Democrata Alemão 8 Concepção de Povo foi utilizada, pois a defesa de Paris pelos Communard era composta pelo operariado francês e também em grande parte pelos setores subalternizados denominados por Marx de lupemproletariado. 9 Sujeitos que compunham a Comuna. (SPD). Nesse período a Alemanha introduz as primeiras políticas assistencialistas, das quais somam-se às novas regulamentações sobre melhorias nas condições de trabalho nos demais países. Na Inglaterra surge o forte Partido Trabalhista (1900). Gramsci aponta que a incorporação dos partidos operários dentro da ordem burguesa sinaliza a tentativa de enquadramento e construção de hegemonia liberal á classe trabalhadora, sendo que esse processo ocorreu com grande intensidade entre 1871 e 1914. 2.1. O Grande Século As concepções políticas e econômicas não surgem como “um raio em um dia de céu azul”. O jogo de interesses das classes dirigentes marca profundamente as formulações de novas teorias e análises. Dentre isso, a ciência tem um peso significativo na formação de hegemonia. A busca pela compreensão dos fenômenos foi incorporada por ela, no entanto é danosa a busca pela resolução dos fenômenos sociais através de lei universais, como a física e a matemática. Desse modo, a revolução marginalista ocorrida na década de 1870, sobre as figuras de Leon Walras, Willian Gevons e Carl Menger, marcam a tentativa de matematização da Economia Política Clássica e a sua transmutação para uma Ciência Exata Econômica. A nova corrente captou aspectos do laissez-faire clássico e da Lei de Say, tendo como contraponto a crítica às primeiras políticas assistencialistas e de regulamentação do trabalho do final do século XIX. A sua complexificação se deu com o surgimento de novos pressupostos, acarretando na corrente neoclássica em meados da década de 1900. A incorporação de estudos e técnicas matemáticas buscavam cada vez mais compreender as relações econômicas através de cálculos sofisticados. Tendo como base o livre mercado, os neoclássicos demonizavam o papel “intervencionista” do Estado e a crescente organização sindical e partidária dos trabalhadores. (GALBRAITH, 1989). O germe do que seria o neoliberalismo de 1980, já se encontravam na corrente neoclássica. Os neoclássicos se dividiram em duas escolas, posta em determinadas universidades, como a Austríaca e a de Chicago. A sua hegemonia ganhou força no início do século, principalmente na década de 1920. Nesse período, foi observada no campo das relações econômicas, a supremacia do capital financeiro, junto à formação dos grandes trustes e a intensidade da segunda Revolução Técnico-Industrial, com o fordismo e taylorismo. O fordismo é entendido aqui como a primeira grande reestruturação produtiva do século, que foi capaz de aglutinar aspectos da ideologia liberal nunca visto antes, tendo em sua premissa, a utilização da ciência em seus métodos de produção com o taylorismo. Fundamentou-se com uma enorme capacidade produtiva na utilização gigantesca de capital tecnológico, com enormes contingentes de mão de obra, na mesma medida que a formação de hegemonia através da criação de mercadoria para consumo para os próprios trabalhadores, com uma forte questão moral puritana nas questões de prosperidade na terra. “As expectativas das classes dirigentes do ampliado núcleo do Ocidente, de que a crise do bloco histórico se resolvesse com parcial assimilação e difusão do americanismo, mantendo-se as políticas econômicas monetaristas, esvaiu-se em 1929.”. (DEL ROIO, 1998, p. 305). O fordismo tinha em seu cerne a imposição do modo de vida moderno, forjando um novo tipo de operário, apêndice da grande máquina, porém, usufruidor do carro que constrói. Dessa forma, que a nova reestruturação produtiva se mostrou um novo processo de Revolução Passiva de construção de hegemonia americana, implicando no enquadramento do novo operariado da nova fase de capitalismo moderno, engendrando o século do American way of life. No período denominado por Del Roio (1998) como a Guerra dos Trintaanos, um dos seus principais fatores, foi a crise do bloco histórico ocidental, no que tange a crise hegemônica do capitalismo concorrencial clássico. Através disso fora observado à ascensão e o declínio de regimes nazi-fascista, que tinham como base de sua política econômica, o corporativismo e a implantação do fordismo em seu método produtivo. Outro aspecto de extrema importância foi a Revolução Russa de 1917, que através de seus planos quinquenais e investimentos na indústria, estavam pondo a então atrasada Rússia czarista a uma das principais potencias mundiais sob ideais socialistas. O crescimento e predominância da União Soviética (URSS) nesse período como o mundo comunista e principal potência do Oriente, projetou a sua imagem bárbara, sendo utilizado pelo Ocidente como o Outro Oriente Negativo (DEL ROIO, 1998). A vitória sobre os regimes nazi-fascistas, na Guerra Mundial respaldou a revolução dos bolcheviques e a imagem do Império do Oriente aos trabalhadores. No entanto, essa imagem, logo teve suas primeiras rachaduras com XX Congresso do PCUS, através das denúncias ao stalinismo, causando a maior crise do movimento comunista. Esse fato serviu de combustível para a deturpação do Oriente, criando novas tensões na incipiente Guerra Fria. Dentro do explosivo século XX, a Revolução Chinesa, sob comando do campesinato foi outro evento de extrema importância, marcando a força do movimento comunista no Oriente, como grande império comunista, ressaltando o outro negativo subalterno oriental. 2.2. O Mundo de Ouro e de Chumbo No período que durou aproximadamente, entre 1945 e 1970, chamado de trinta gloriosos anos do capitalismo, a classe trabalhadora obteve uma correlação de força favorável nunca vista antes. Ao fim da grande guerra, com a presença e a imagem favorecida do Oriente externo negativo comunista, criou-se uma condição favorável nas conquistas de direitos, com a opção dos grandes sindicatos em realizar um grande acordo com o capital, no qual em linhas gerais, os capitalistas e o Estado sediam mais facilmente as pressões dos trabalhadores, através de melhores salários e políticas assistencialistas, enquanto coube aos atuar somente na atuação econômico-corporativo. Consolidando nesse período a implantação da hegemonia burguesa à classe trabalhadora, nos moldes fordistas, A convergência entre liberal-democrata e reformismo social-democrata, recompondo a hegemonia burguesa, foi possível com a implantação da política econômica keynesiana que, utilizando a capacidade produtiva ociosa, pressiona pela expansão do mercado e cria uma relação entre emprego, investimento e consumo. Tal política se acopla ainda perfeitamente com a difusão do fordismo. (DEL ROIO, 1998, p.321). O mainstream econômico naquele período era o keynesianismo, o que viria a se chamar de neoliberalismo, inspirado na teoria neoclássica, tinha como centro difusor a Escola de Viena, se difundindo e ramificando no novo mundo através de Chicago. Inicialmente a sua crítica se baseada no forte Partido Trabalhista Inglês, do qual Clement Attlee havia sido o primeiro ministro, e a teoria da demanda efetiva de Lorde Keynes, fortemente implantado na reconstrução do pós-guerra, junto ao Welfare State. Um dos espetáculos mais lamentáveis da nossa época é ver um grande movimento democrático amparar uma política que infalivelmente acabará por destruir a democracia [...] Há, na realidade, poucas esperanças para o futuro enquanto o Partido Trabalhista continuar a contribuir para a destruição da única ordem política na qual tem sido assegurado pelo menos um certo grau de independência e liberdade a cada trabalhador. Os líderes trabalhistas que atualmente proclamam terem “rompido de uma vez por todas com o louco sistema de concorrência” estão proclamando a sentença de morte da liberdade individual. (HAYEK, 2010, p.189). Apesar da incipiente inserção do neoliberalismo em pleno pós-guerra, Hayek e seu grupo de intelectuais, colocavam os grandes sindicatos e partidos operários, como Outro interno negativo, sendo a expressão máxima de suas formulações Labour Party. Esse que através de uma postura de mesquinhez em busca de seus interesses imediatos, levaria a Inglaterra à ruína. No segundo capítulo de “O Caminho da Servidão”, denominado a Grande Utopia, Hayek realiza críticas severas ao socialismo, vinculando a sua imagem a escravidão, ao despótico antigo e ao totalitarismo. Nos últimos anos, todavia, os antigos temores quanto às consequências imprevistas do socialismo voltaram a ser enfaticamente manifestados nas esferas mais inesperadas. Os mais diversos observadores, a despeito da expectativa em contrário com que abordam o assunto, têm-se impressionado com a extraordinária semelhança, em muitos aspectos, das condições de vida nos regimes fascista e comunista. (HAYEK, 2010, p. 49). Após a grande crise socialista com a denúncia aos crimes de Stalin em 1956, e as tensões com a Guerra Fria, a efervescente década de 1960 marcou a busca por novos paradigmas de movimentos e segmentos do mundo operário, tanto aos aspectos políticos, como culturais. Apesar de sua crise nos países centrais, pautas nacionalistas de independência, ganharam força, como na Revolução Chinesa (1959) e principalmente na Revolução Cubana, em pleno “quintal” americano, do qual consolidou a visão do outro interno negativo. O Vietnã e o processo crescente de luta nas colônias africanas e do Caribe marcaram também essa nova faceta da luta de classe, como também a luta por direito civis, trouxeram a tona novas demandas ao movimento socialista. 3. A CONTRA REVOLUÇÃO DO IMPÉRIO NEOLIBERAL A crise da década de 1970 representou uma nova crise do bloco histórico, pondo em cheque, a estrutura econômica produtiva hegemônica até o momento: fordista-keynesianismo. O americanismo e o keynesianismo estavam arraigados culturalmente nos Estados Unidos, país primeiro a ser afetado pela crise. O keynesianismo implantado ali, ao contrário do welfare state europeu estava sendo executado através da política intervencionista em gastos militares, como nas intervenções ao sudeste asiático, no Oriente externo negativo. No entanto em boa parte da Europa, a hegemonia burguesa havia se consolidado na classe operária, sendo que as reivindicações agora só estavam no âmbito econômico-corporativo. Mesmo assim, a crise dos anos 70 inicialmente não afetou ao operariado europeu devido à sua organização, formação política e conquistas históricas. A crise é endógena ao capitalismo, em sua breve história, houve vários episódios, sendo a sua primeira com a Primavera dos Povos. Entre vários aspectos, a principal é que ela se dá através da queda tendencial da taxa de lucro, devido à recomposição orgânica do capital. O processo concorrencial força os capitalistas a reinvestir na produção, sendo essas recomposições, as reestruturações produtivas, ou seja, novas formas e técnicas de forjar o Homem como apêndice da maquinaria e da planta fabril. No século XIX, o capital industrial era o mais importante na cadeia produtiva. Com o desenvolvimento dos grandes trustes se criou uma nova forma de capital, o capital financeiro, composto pela união do capital industrial com o capital bancário. Essa nova arquitetura do capitalismo, que estava em processo de consolidação desde o inicio do século, chegou a seu auge a partir dos anos 70. O capital financeiro é a representação do neoliberalismo, é a imagem da ilusão liberal do (valor- utilidade), com a tentativa de transformação de D-D’ sem o trabalho e sem o processo produtivo. O neoliberalismo foi a nova investida do capital na tentativa de domínio imperium mundi e do Oriente externo negativo. A sua concepção está pautada na exacerbação da liberdade individual, buscando romper com todos os lados de coletividade e solidariedade. Dessa forma, todas as formas organizativassão danosas para a sociedade, sendo interpretados como um movimento de mesquinhez. As raízes da crise, afirmavam Hayek e seus companheiros, estavam localizadas no poder excessivo e nefastos dos sindicatos e, de maneira em geral, do movimento operário, que havia corroído as bases de acumulação capitalista com suas pressões reivindicativas sobre os salários e com sua pressão parasitária para que o Estado aumentasse cada vez mais os gastos sociais. (ANDERSON, 1995, p.10). Ainda sobre os sindicatos, não há dúvida de que nenhum fator econômico contribui mais para o sucesso desses movimentos do que a inveja do profissional frustrado – do engenheiro ou advogado saídos da universidade e do “proletariado de colarinho branco” em geral – ao maquinista, ao tipógrafo e a outros membros dos sindicatos mais fortes cuja renda muitas vezes era superior à daqueles. (HAYEK, 2010, p.124). Recorrendo ao livre mercado, o neoliberalismo a todo o momento demoniza o Estado, como figura despótica, burocrática e intervencionista, principalmente o keynesiano do welfare state. O Estado para os neoliberais devem cumprir unicamente a função de segurança e defesa da propriedade privada, junto com o controle rígido da moeda. O crescimento econômico é a sua vaca sagrada, não importando os meios ou remédio a ser utilizado, como o desemprego, sendo essencial para o crescimento neoliberal, deixando as políticas sociais em segundo plano. Hayek expõe sobre a supressão do desemprego (2010, p. 194). “É nesse campo, com efeito, que o fascínio de expressões vagas, mas populares como “pleno emprego” pode conduzir adoção de medidas extremamente insensatas, [...] “isso desse ser feito a qualquer custo”, pode produzir os maiores danos.” Ou seja, índices e a questão dos empregos não estão em primeiro entre seus principais teóricos. 3.1.A inserção neoliberal Após a sua visibilidade na década de 70, a implantação do programa neoliberal nos países centrais, só foi ocorrer na década seguinte. A vitória de Reagan e Thatcher, nos EUA e na Inglaterra, respectivamente, emplacou em uma nova viragem no mundo. Como um castelo de cartas, os partidos social-democrata, trabalhistas e socialistas, foram perdendo as suas respectivas eleições. Juntamente com a nova onda conservadora dos partidos, até em países cujo welfare state foi posto como prioridades em suas políticas públicas, no decorrer da década de 1980 e 1990, pouco a pouco, fora adotando o receituário neoliberal. Pensando o neoliberalismo, como um processo de revolução passiva, dentro das estruturas do fordismo- keynesianismo, e como novo instrumento de combate ao Oriente externo negativo, Anderson (1995) aponta, “O ideário do neoliberalismo sempre havia incluído, como componente central, o anticomunismo mais intransigente de todas as correntes capitalistas do pós-guerra. Como já apontado o neoliberalismo, dentro da sua capacidade hegemônica, fora implantada dentro das particularidades de cada país, tendo algumas vereanças. A primeira experiência neoliberal fora dada no Chile com a ditadura de Pinochet (1973-1990), sob a égide dos Chicago boys 10 . A experiência chilena, apesar de ocorrer no ocidente subalterno, foi o laboratório para a sua implantação aos demais países a posteriori, inclusive nas economias periferias do capital nos anos 1990. (ANDERSON, 1995) No entanto nos países centrais, o neoliberalismo fora adotado diferentes maneiras. No caso europeu, a Inglaterra com o maior exemplo, Thatcher, quebrou literalmente os sindicatos com uma dura repressão estatal a toda organização trabalhista e as suas reivindicações, com o discurso “não há alternativa”. Outra maneira foi às privatizações de setores chave da economia como o energético. Para Thatcher, incorporando os preceitos neoliberais, o inimigo não era somente a “crise”, mas as organizações dos trabalhadores, ou seja, com uma ampla campanha política ela implantou uma política anti-sindical, projetando a imagem do outro interno negativo as organizações operárias. Fora do continente Europeu, os EUA, que nunca 10 Chicago boys, foi o termo utilizado pra designar a equipe econômica que atuou no Chile durante a ditadura de Pinochet. Essa equipe contava em torno de 20 economistas, que tinham em suas formações os ideais neoliberais ambos estudaram na Universidade de Chicago, bastião neoliberal. tiveram uma política de welfare State, tiveram as políticas neoliberais via política de endividamento das contas públicas através de grandes empresas estatais propagandeadas. Com a ocidentalização e desintegração do Estado feudal-socialista do Oriente, as forças do mal estavam vencidas, o “fim da história”, como preconizou Francis Fukuyama (1992), estava posto. Passado uma década os resultados neoliberais não surtiram efeito, no entanto a sua força política hegemônica já estava consolidada. A periferia do capital através da crise da dívida dos anos 80 empurrou os países à adoção ao receituário neoliberal. Partidos se autodenominaram de centro ou esquerda, como os socialdemocratas e trabalhistas, tanto nos países centrais como na periferia, dos quais, pouco a pouco foram se adequando aos preceitos do neoliberalismo. Nos anos 90, o processo de abertura ao sufrágio no cone sul da América, foram inundadas pelas reformas liberalizantes, os programas foram postos a todo vapor, sobre o discurso da inserção global dos países na economia mundial. Embasado pela crise da década de 80, surgiram novos discursos na ordem democrática pautado na responsabilidade e na gestão eficiente. As forças partidárias, progressistas daquele período, adotaram o discurso “legalista” da responsabilidade econômica. Dessa forma, a classe operária ficou a mercê dos desdobramentos ocorridos. Anderson (1995) aponta essa característica nas democracias recém redemocratizadas, “[...] há um equivalente trauma da ditadura militar como mecanismo para induzir democrática e não coercivamente um povo a aceitar políticas neoliberais das mais drásticas.”. (p.21). Com a vitória de Bill Clinton (1993-2001) e Tony Blair (1997-2007) ainda nos anos 90, pôde ser observada, a incorporação neoliberal em seus governos e discursos. Blair através de seu guru Anthony Giddens, cunhou a nova forma de política com a chamada “A Terceira Via”. Essa política encabeçada por Blair buscou rearticular o partido trabalhista em novas bases, sendo mais flexíveis as questões neoliberais, como aponta Giddens (1999): “O objetivo geral da política da terceira via deveria ser ajudar os cidadãos a abrir seus caminhos através das mais importantes revoluções de nosso tempo: globalização, transformações na vida pessoal e nosso relacionamento com a natureza.” (p. 74). Há uma alteração gravitacional histórica dentro do partido, alterando completamente a essência de Clement Attle (1949) em sua obra “Bases e fundamentos do trabalhismo.”. Esse movimento foi observado na incorporação das políticas neoliberais, pelos partidos ditos eurocomunistas como já apontado. No Brasil, o processo ocorreu, em linhas gerais, da mesma forma. A Constituição de 1988 (CF/88), chamada de constituição cidadã, pelo seu espelho ao Welfare State europeu, sucumbiu ao avanço neoliberal dos anos 90. O esgotamento do programa neoliberal de Fernando Henrique Cardoso (FHC) (1995-2002) colocou pela primeira vez, um partido operário no executivo, sob o comando de um ex-metalúrgico nordestino, fato nunca observado na história do Brasil. O discurso de Lula da Silva (Lula) (2003-2010), historicamente antineoliberal, mesmo dentro do âmbito econômico-corporativo, foi se adequando ao programa neoliberal. A carta aos “banqueiros” “corrijo aos “brasileiros”, selou o compromisso do governo de esquerda com o mercado financeiro e a continuidade em linhas gerais das políticas de FHC. A fala do Ministro da Fazenda,Antônio Palocci, como “em um transatlântico a gente não dá cavalo-de-pau 11 ”, mostra o compromisso e aceitação do governo à continuidade da agenda econômica neoliberal 12 , como observado em todos os anos do governo Lula. Apesar da continuidade da macroeconomia neoliberal, o período chamado de lulismo (2003-2010) é observado justamente pelo fato da primeira vez na história, ter-se visto uma diminuição dos índices de desigualdade social e continuidade econômica neoliberal. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Deste modo, apresentadas algumas considerações sobre esse fenômeno chamado neoliberalismo é observado que em menos de meio século, o pequeno grupo de intelectuais, consolidou a sua teoria como principal força hegemônica e condutora do imperium mundi. Resgatando aspectos do liberalismo clássico pautados na corrente neoclássica, essa força rearticulou todas as frações burguesas em um processo de Revolução Passiva dentro do bloco histórico. Outro aspecto de extrema importância no neoliberalismo é a transposição da sua imagem como moderna e ocidental, subjugando povos inteiros aos interesses econômicos corporativos sediados nos países centrais. Desta forma que é preciso analisar esse processo hegemônico, em conjunto com as suas particularidades para compreender a sua essência, a sua universalidade. Somente assim analisando dialeticamente, podemos alterar a realidade concreta, suprimindo dessa forma, a cultura burguesa e construindo dentro da realidade objetiva uma hegemonia proletária, encerrando a pré-história da humanidade. Referencias bibliográficas 11 Leia a matéria http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2705200307.htm. Noticia 27 de maio de 2003. 12 Em linhas gerais, a política econômica do governo Lula, foi a mesma de FHC, optou-se a continuidade do tripé econômico: superávit primário, cambio flutuante e metas de inflação. ANDERSON, P. Balanço do neoliberalismo. In: GENTILI, P.; SADER, E. (Orgs). Pós- neoliberalismo. São Paulo: Paz e Terra, 2007. p. 9-37. BARSOTTI, P. Marx, defensor do estado? O estado, a política e o bonapartismo no pensamento marxiano. Tese de Doutorado em História Econômica, Universidade de São Paulo, 2002. DEL ROIO, M. O império universal e seus antípodas: a ocidentalização do mundo. São Paulo: Ícone, 1998. FUKUYAMA, F. O fim da História e o último homem. Rio de Janeiro: Rocco, 1992. GALBRAITH, J.K. O Pensamento Econômico em Perspectiva – Uma História Crítica. São Paulo: Pioneira/EDUSP 1989. GENTILI, P; SADER, E. Pós-neoliberalismo: as políticas sociais e o Estado democrático. São Paulo: Paz e Terra, 2007. GIDDENS, A.A Terceira Via. Brasília: Instituto Teotônio Vilela, 1999. 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