Direito Constitucional Parte 1 (CEJ)
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Direito Constitucional Parte 1 (CEJ)


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Menor grau de abstração e generalidade
	Maior grau de abstração e generalidade
	Descrição de situações fáticas
	Previsão de valores
	Prescrevem condutas intersubjetivas
Orientadas sob princípios
	Orientam toda a fenomenologia da incidência das normas jurídicas (produção, interpretação, integração e sistematização)
	Antinomias: é a dimensão de validade (critérios cronológicos, hierárquicos e especialidade)
	Colisão: dimensão de peso ou valor (valor de ponderação)
AULA 17/03/06 \u2013 NESTOR CEZAR
Papel do intérprete
Concepção clássica
O intérprete era visto como uma figura neutra, imparcial, impessoal. Na França, inicialmente, o juiz não podia interpretar a lei, tendo sempre que consultar o judiciário quando houvesse obscuridade, etc. O problema é que esta não leva em conta as peculiaridades das normas constitucionais.
Atualmente, no Brasil e no exterior, reconheceu-se que não há que se falar em neutralidade, imparcialidade, ainda que o intérprete conseguisse separar suas opções pessoais, morais e políticas, não se consegue separar a função dos instintos inconscientes, primitivos do juiz. Não há imparcialidade absoluta.
Hoje o ato hermenêutico não é só declaratório, mas também, possui uma dimensão de atividade inventiva e construtiva. Lenio L. Streck fala em atribuir um sentido à norma, essa atribuição tem um caráter criativo. Logicamente a função criativa do intérprete é limitada em razão das chamadas \u201cpossibilidades semânticas (sentido) do texto\u201d e não apenas do seu sentido gramatical.
Peculiaridades da hermenêutica constitucional
Falar em interpretação constitucional não é só referir-se a interpretação jurídica, pois as peculiaridades das normas constitucionais é que irão influenciar as normas jurídicas.
Peculiaridades das normas constitucionais
Plasticidade ou porosidade das normas constitucionais: A Constituição utiliza-se de termos que possuem, em si mesmos, uma abstração, vagueza, amplitude e generalidade. O que é igualdade? O que é liberdade? São conceitos de amplo conteúdo e de amplas interpretações.
Tratam de temas políticos ou essencialmente políticos: São as normas materialmente constitucionais como por exemplo \u201cestado democrático de direito\u201d cujo conteúdo político é extremamente amplo.
Supremacia da norma constitucional: A Constituição é usada como parâmetro para a interpretação das normas infraconstitucionais, ou seja, influenciando a interpretação das demais normas.
O sentido formal refere-se a valores supraconstitucionais\ufffd.
Problemática da Interpretação Constitucional
É o problema da legitimidade própria do órgão incumbido da interpretação.
a) A interpretação é feita em último grau pela jurisdição constitucional (STF) e a legitimidade democrática acaba comprometida por não terem seus Ministros sido eleitos via processo democrático de escolha ou representação pelo povo.
b) A questão da separação dos poderes estabelecida pelo poder constituinte originário, conferiria um padrão legal de legitimidade necessária para o controle político do poder. Isso objetaria a arbitrariedade política, desenvolvendo-se um Estado democrático que também é de Direito (ver aula anterior sobre o tema).
Hermenêutica na Alemanha
A interpretação constitucional tradicional, que valia não só para a Alemanha, mas para todos os demais paises, utilizava-se dos métodos clássicos da interpretação (literal, gramatical, histórico, teleológico e sistemático). Por essa concepção clássica, não haveria uma diferenciação material e ontológica entre normas jurídicas constitucionais e normas gerais. Isso vai de encontro às peculiaridades das normas constitucionais citadas acima.
A partir das críticas geradas por este método de interpretação, desenvolveram-se inúmeros outros métodos, tentando o aprimoramento da interpretação constitucional.
Método Científico-Espiritual \u2013 Rudolf Simend
Por esse método, o Direito não pode ser visto ou entendido como uma ciência exata, e sim com um sentido espiritual, o que na Alemanha tem o sentido, que para nós, seria a de uma ciência social, humana. Dessa forma, não se pode aplicar ao direito os métodos científicos próprios de investigação das ciências exatas, por que nas ciências exatas há uma lógica pontual, uma rigidez de resultados.
Por esse método, deve ser feita uma apreciação global, levando-se em consideração os aspectos teleológicos e materiais, pois as ciências jurídicas estão abertas à influência de valores, portanto, sendo mais fluídas e menos rígida.
A Constituição é entendida como \u201cordenação jurídica integradora do Estado\u201d. Neste aspecto a interpretação constitucional Científico-Espiritual não leva em consideração apenas os fundamentos jurídicos formais da norma, mas também, os aspectos referentes à realidade, considerando que o Direito influencia a realidade e a realidade influencia o direito em seus aspectos espirituais e sociais.
Método tópico-problemático ou Tópico \u2013 Theodor Viewheg
A interpretação jurídica costumava partir do que chamamos de método de dedução: da análise de uma situação geral para o caso particular, ou seja, parte-se da análise da norma para julgar o caso. A tópica inverte esse processo. Primeiro se analisa o caso concreto para, após, analisar-se a norma (processo de indução).
O juiz-intérprete, analisando pela visão clássica, toma a norma, analisa-a, interpreta-a e a aplica ao caso concreto. Na tópica, o juiz pega o caso concreto, analisa e interpreta o caso, chega à melhor conclusão e, somente após, vai para a norma. Nesse momento, verifica se aquela melhor solução é a que está prevista na norma. Se a norma previu a melhor solução para o caso, a solução é ideal. E se não se verificar esta perfeita adequação, i.e., se a melhor solução encontrada pelo intérprete não for a prevista na norma, aplica-se a norma ou a melhor solução? Para a interpretação tópica, que vem de topoi, a norma é apenas um ponto de vista, e assim sendo, ela pode ou não ser aplicada. Há primazia do fato (caso concreto) sobre a norma e a tópica vai aplicar a melhor solução para o caso, mesmo que não prevista na norma.
A solução ideal a ser aplicada ao caso concreto será aquela que mais agrada ao auditório\ufffd (o conjunto de pessoas beneficiadas pela decisão) e mais se aproxima da norma. Assim, na interpretação pelo método tópico não há que se falar na aplicação do princípio da subsunção - nem sempre a melhor solução é a prevista na norma.
A interpretação tópica rompe de forma radical com a interpretação clássica, abrindo novas possibilidades e perspectivas de interpretação, qual seja, a primazia do caso concreto sobre a norma.
A crítica que se faz em relação ao método da interpretação tópica é que essa idéia, pura e simples da forma como foi colocada, enfraquece a força normativa da Constituição na medida que a norma constitucional passa a ser apenas um topoi\ufffd, um ponto de vista, e, conseqüentemente enfraquece a força normativa da Constituição, já que concentra muito poder ao cargo de juiz intérprete, assim como, a possibilidade de um ativismo exacerbado
Método normativo-estruturante \u2013 Friedrich Muller
Norma não se confunde com o texto normativo. Existe o programa normativo de um lado (ordem ou comando jurídico do texto ou lei tradicional) e, do outro, o chamado domínio normativo (\u201cpedaço de realidade social\u201d) que o programa normativo só parcialmente contempla.
Programa normativo - texto da Constituição ou Lei (norma);
Domínio normativo - a realidade social abrangida pelo texto normativo (caso concreto).
Até esse ponto não há que se falar em norma; a norma surgirá na ocorrência de um fato (caso concreto) e, da sua análise sob o prisma do programa normativo e o domínio normativo, extrai-se a norma.
Desse modo, para Friedrich Muller, a norma surge ou é o resultado da análise conjunta do programa normativo e do domínio normativo, sendo, portanto, o resultado da interpretação e não o ponto de partida da interpretação.
Método Hermenêutico-Concretizador \u2013 Konrad Hesse
Por esse método, o direito não é apenas norma, assim como não é apenas fato. O direito tem uma
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