Cólicas em equinos Tratamento médico vs cirúrgico critérios de decisão
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Cólicas em equinos Tratamento médico vs cirúrgico critérios de decisão


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de corpos estranhos 
6. Gestação 
7. Desparasitação recente 
8. Trauma ou lesão recente 
Dados individuais relativos à cólica actual: 
1. Grau de dor e quaisquer alterações na mesma 
2. Última defecação 
3. Sudação 
4. Sinais observados \u2013 raspar, rolar, pontapear o abdómen, olhar o flanco, permanecer 
em decúbito, espojar-se 
5. Avaliar se ocorrem melhorias com passeio à mão 
6. Resposta ao tratamento 
7. Cólicas anteriores ou cirurgia abdominal 
 
Adaptado de White N.A. (1990). Examination and diagnosis of the Acute Abdomen. In N.A. White (Ed.). The equine acute 
abdomen, (pp. 102-142). Philadelphia, PA: Lea and Febiger 
 
Os dados históricos gerais podem não orientar o clínico para o problema específico 
inerente à cólica. No entanto, existem circunstâncias em que a sua importância se torna 
óbvia. Como por exemplo, a impactação por areia, geralmente, ocorre em cavalos que 
pastam em solos arenosos, e em que o alimento é colocado no chão ou em pastagens muito 
pobres. Os cavalos novos, quando têm acesso a materiais estranhos, como vedações de 
borracha, que podem mastigar, ou outros materiais, podem desenvolver obstruções do cólon 
transverso, ou menor, por corpos estranhos (Colahan, 1994). Pode-se igualmente suspeitar 
de cólica causada por Strongylus vulgaris tanto em cavalos que não são sujeitos a um 
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programa regular de desparasitação como nos que são mantidos em ambientes muito 
contaminados. 
Os dados históricos recentes dizem respeito a quaisquer alterações recentes do meio 
circundante e do maneio do cavalo e devem incluir mudanças recentes na alimentação, 
treino, etc.. É igualmente importante saber se os outros cavalos presentes no local também 
apresentam o mesmo problema, de modo a determinar-se se é um processo patológico que 
afecta toda a manada (White, 1990b). 
Os dados relativos à cólica presente são de extrema importância para o diagnóstico ou 
pelo menos para a classificação da mesma. As questões efectuadas ao dono devem ser as 
seguintes: (1) Quando foi a última defecação e qual o carácter das fezes?; (2) O cavalo tem 
demonstrado apetite normal e quando foi a última vez que comeu?; (3) Que quantidade de 
água tem consumido ultimamente?; (4) Qual a severidade da dor evidenciada e se tem 
sofrido quaisquer alterações?; (5) O cavalo tem tido algum comportamento específico como 
brincar com a água ou adoptado quaisquer posturas anormais?; (6) É possível que tenha 
ingerido algo não usual, como químicos, plantas tóxicas ou tenha tido livre acesso ao 
concentrado?; (7) O paciente foi medicado?; (8) Já tinha tido alguma cólica previamente?; 
(9) Tem algum vício como cribbing ou picacismo?. Esta história irá orientar o clínico na 
determinação da duração da cólica, severidade, estado de hidratação, e quaisquer eventos 
não usuais (White, 1990b). 
 
5.2 Exame físico 
A maioria das decisões relativas ao tratamento e prognóstico do paciente de cólica são 
efectuadas tendo por base os dados obtidos no exame físico. Os clínicos devem 
desenvolver um protocolo consistente e sistemático para a realização do exame clínico de 
modo a não haver depreciação ou enfatização de determinados parâmetros. No entanto, na 
maioria dos casos, nem todos os parâmetros obtidos vão ser consistentes com um 
diagnóstico específico, mas quando combinados com outros testes de diagnóstico e 
repetidos serialmente no tempo, poderá, facilmente, formular-se uma lista de diagnósticos 
diferenciais (Moore, 2006). 
O exame físico deve incluir os seguintes passos: 
1. Observação visual do paciente 
2. Avaliação dos sistemas cardiovascular e respiratório 
3. Medição temperatura rectal 
4. Avaliação da motilidade gastrointestinal 
5. Entubação nasogástrica 
6. Palpação rectal 
 
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5.2.1 Observação visual do paciente 
O exame físico deve começar pela observação do cavalo à distância, avaliando 
comportamento, atitude, postura, grau e frequência de dor, distensão abdominal, etc. 
(Moore, 2006). 
Na avaliação da severidade da dor pode ser necessário libertar o cavalo num paddock 
ou observá-lo numa boxe, de modo a poder exprimir livremente todos os sinais. Durante 
esta avaliação tem de se ter em linha de conta possíveis medicamentos administrados 
previamente (i.e. flunixina meglumina) pois podem mascarar ou atenuar os sinais de dor. Os 
sinais de dor abdominal são muito variáveis e incluem: raspar o chão com o membro 
anterior; olhar o flanco; pontapear o abdómen com o membro posterior; agachar-se como se 
se fosse deitar; adoptar posição de urinar; decúbito prolongado e/ou o cavalo levanta-se e 
deita-se várias vezes num período de 15 a 30 minutos; bruxismo (ranger os dentes), 
associado a dor crónica como no caso de úlceras; assumir a posição de cão sentado, 
normalmente associada a distensão gástrica pois alivia a pressão do estômago e diafragma; 
atirar-se para o chão e rolar podendo permanecer em decúbito dorsal por segundos a 
minutos; sudação que ocorre devido a uma resposta do Sistema Nervoso (SN) Simpático à 
dor severa ou libertação de endotoxinas; elevação do lábio superior; brincar com a água; e 
adopção de posturas anormais da cabeça (White & Randolph, 2003). Estes sinais podem 
acompanhar qualquer tipo de doença intestinal. 
White (1990b) utiliza 5 categorias na classificação da dor: 
1. Ausência de dor; 
2. Dor suave \u2013 manifesta-se por um ou mais dos seguintes sinais: raspar e olhar o flanco 
ocasionalmente, adopção de posição para urinar, bruxismo, e decúbito prolongado; 
3. Dor moderada \u2013 manifesta-se por um ou mais dos seguintes sinais: raspar o chão, 
agachar-se, fazendo repetidas tentativas para se deitar, pontapear o abdómen, decúbito 
com tentativas de rolar, olhar o flanco e assumir a posição de cão sentado; 
4. Dor severa \u2013 manifesta-se por uma ou mais dos seguintes sinais: sudação, atirar-se para 
o chão, rolar violentamente, movimentação contínua ou raspar o chão continuamente, ou 
qualquer um dos outros sinais mencionados anteriormente e que neste caso são 
evidenciados de uma forma mais marcada; 
5. Depressão \u2013 pode ser o primeiro sinal observado no cavalo antes ou depois do episódio 
de cólica. O cavalo deprimido tem uma atitude sossegada e relutante e evidencia falta de 
interesse em comer ou beber. 
De uma forma geral, quanto mais severa a doença em causa, maior o grau de dor 
evidenciado, no entanto, embora isto seja verdadeiro para a maioria dos casos, todas as 
doenças têm uma distribuição que pode ser suave a severa ou que pode inclusivamente 
causar depressão (White, 1990b). Os sinais de dor dependem ainda da personalidade do 
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cavalo, de tal maneira que dois cavalos que sofrem da mesma doença, frequentemente, 
manifestam diferentes sinais. 
O tipo de dor presente pode também ser um bom parâmetro orientador para a 
determinação da causa da cólica. A dor intermitente é associada a obstruções simples 
devido à cíclicidade das contracções intestinais oralmente ao bloqueio. A dor severa e 
contínua acompanha os casos de timpanismo severo ou lesões por estrangulação que 
causam distensão da parede intestinal ou tensão no mesentério. A dor suave a moderada 
geralmente é mais comum nos casos de deslocamentos do cólon e mesmo nos casos de 
lipomas que estrangulam o intestino delgado. Cavalos com enterite, arterite ou peritonite 
podem evidenciar sinais de dor moderada a severa numa fase inicial dando depois lugar a 
depressão. Deve-se suspeitar de ruptura de uma víscera quando os sinais de dor passam 
de severos e incontroláveis a total depressão ou ausência de dor (White, 1990b; Freeman, 
2003). 
Outro tipo de dados que pode ser bastante útil para o clínico no sentido de determinar a 
duração da dor ou as suas características pode ser a observação