Cólicas em equinos Tratamento médico vs cirúrgico critérios de decisão
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Cólicas em equinos Tratamento médico vs cirúrgico critérios de decisão


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rectal e a decisão 
terapêutica. As barras indicam média ± 
erro padrão. 
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39
médico cirúrgico
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Figura 4. Gráfico que expressa a relação entre o 
grau de dor, coloração das mucosas, 
motilidade, refluxo e a decisão terapêutica. As 
barras indicam média ± erro padrão. As letras 
indicam diferença significativa (p< 0.05). 
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médico
cirúrgico
III. RESULTADOS 
O diagnóstico definitivo destes casos nem sempre foi possível, tendo sido o desfecho 
final fatal em 5 casos (3 dos quais foram eutanasiados) e tendo-se conseguido a total 
recuperação de 8 equinos. Outro aspecto que tem de se ter em conta na observação e 
análise destes dados é que eles dizem respeito apenas ao exame inicial realizado aquando 
da admissão do cavalo na clínica, tendo sido muitos deles submetidos a exames médico-
veterinários prévios e sujeitos a administração de analgésicos (i. e. flunixina meglumina). 
 
Grau de dor e decisão terapêutica 
Na avaliação da relação entre o grau de dor e a decisão terapêutica, verificou-se que 
existia uma diferença significativa na intensidade da dor exibida nos 2 grupos testados 
(p<0.01) (Figura 4). Desta forma, os animais que foram submetidos a cirurgia, apresentaram 
um grau médio de dor severa (média=2.714 ± 0.184), enquanto que os cavalos submetidos 
apenas a terapêutica médica apresentaram, em média, um grau moderado de dor (média=2 
± 0). 
 
Temperatura e decisão terapêutica 
Não foi encontrada qualquer diferença significativa, na temperatura rectal medida, entre 
os pacientes submetidos a cirurgia e os submetidos a tratamento médico, uma vez que 
(p>0,05) (Figura 5). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Frequência cardíaca e decisão terapêutica 
Tendo em conta todos os valores de FC medidos, não foi observada qualquer diferença 
entre os dois grupos de cavalos em estudo (Figura 6). No entanto, constatou-se que existia 
uma tendência para um aumento da FC nos cavalos submetidos a cirurgia, (p=0.07). Os 
pacientes que necessitaram tratamento cirúrgico apresentavam FC superiores (média=76.86 
± 3.647) aos que foram submetidos apenas a terapêutica médica (média=56.00 ± 15.336). 
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médico cirúrgicoF
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Figura 6. Gráfico que expressa a relação 
entre a frequência cardíaca e a decisão 
terapêutica. As barras indicam média ± 
erro padrão. 
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Figura 7. Gráfico que expressa a relação 
entre o tempo de repleção capilar e a 
decisão terapêutica. As barras indicam 
média ± erro padrão. As letras indicam 
diferença significativa (p< 0.05). 
 
0
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médico cirúrgico
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Figura 8. Gráfico que expressa a relação 
entre o hematócrito e a decisão 
terapêutica. As barras indicam média ± 
erro padrão. 
Figura 9. Gráfico que expressa a relação 
entre a concentração plasmática de 
proteínas totais e a decisão terapêutica. 
As barras indicam média ± erro padrão. 
As letras indicam diferença significativa 
(p< 0.05). 
 
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2,00
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médico cirúrgico
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Tempo de repleção capilar e decisão terapêutica 
Na avaliação deste parâmetro, verificou-se uma diferença significativa entre os 2 grupos 
em estudo (p<0,05) (Figura 7). Nos animais sujeitos a tratamento cirúrgico o TRC foi 
superior (3.25 ± 0.25) ao dos animais tratados apenas medicamente (2 ± 0). 
 
Coloração das mucosas e decisão terapêutica 
Na avaliação da relação entre a coloração das mucosas e o tratamento a seguir, não se 
verificaram diferenças significativas entre os pacientes que foram submetidos a cirurgia e os 
sujeitos a terapêutica médica (p>0,05) (Figura 4). 
 
Hematócrito (%) e decisão terapêutica 
Não se observou nenhuma relação entre os valores deste parâmetro diagnóstico e a 
necessidade de submissão a cirurgia (p>0,05) (Figura 8). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
a 
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Figura 10. Gráfico que expressa a relação 
entre a concentração plasmática de lactato 
e a decisão terapêutica. As barras indicam 
média ± erro padrão. 
0,00
1,00
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médico cirúrgico
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Concentração plasmática de proteínas totais (g/dL) e decisão terapêutica 
Na avaliação deste parâmetro, observou-se uma diferença entre os 2 grupos em 
estudo (p<0,05). Nos pacientes submetidos a cirurgia, os valores de PrPl foram inferiores 
(média=6,8 ± 0.358) aos pacientes tratados medicamente (média=8,08 ± 0.394) (Figura 9). 
 
Motilidade gastrointestinal e decisão terapêutica 
Não foi encontrada nenhuma diferença significativa entre a motilidade no grupo dos 
pacientes submetidos a cirurgia e no grupo sujeito apenas a terapêutica médica (p>0,05) 
(Figura 4). 
 
Refluxo nasogástrico e decisão terapêutica 
Na avaliação da relação entre a presença/ausência de refluxo nasogástrico e a decisão 
terapêutica, também não foi encontrada nenhuma diferença significativa entre o grupo de 
equinos com necessidade de realização de tratamento cirúrgico e o grupo submetido a 
terapêutica médica (p>0,05) (Figura 4). 
 
Concentração plasmática de lactato e decisão terapêutica 
Não se observou nenhuma diferença significativa na concentração plasmática de lactato 
entre o grupo sujeito a cirurgia e o grupo submetido apenas a terapêutica médica (p>0,05) 
(Figura 10). 
 
 
 
 
 
 86
IV. DISCUSSÃO 
Vários têm sido os estudos realizados na tentativa de relacionar os diversos parâmetros 
de diagnóstico com a decisão terapêutica. Foi demonstrado por diversos estudos que a 
intensidade da dor é uma das variáveis mais importantes na discriminação dos casos 
médicos e cirúrgicos de cólica equina (Reeves, Curtis, & Salman, 1987; Edwards, 1991; 
Reeves et al., 1991; Peloso, Cohen, & Taylor, 1996; Mair & Edwards, 1998; Thoefner, 
Ersboll, Jansson, & Hasselholt, 2003). Esta relação aparenta ser linear; isto é, quanto mais 
severa a dor abdominal, maior probabilidade existe de haver necessidade de intervenção 
cirúrgica. Isto vem de encontro aos resultados obtidos na análise efectuada, em que os 
casos cirúrgicos são acompanhados de uma dor mais violenta que os casos médicos. 
Nas cólicas, tal como referido anteriormente, as alterações da temperatura rectal podem 
ocorrer como resultado da dor, resposta inflamatória local ou sistémica ou comprometimento 
da função cardiovascular. Existe pelo menos um estudo (Thoefner et al., 2003) que aponta 
para a existência de uma relação inversa entre a temperatura e a necessidade de 
intervenção cirúrgica. O autor deste estudo sugere que uma temperatura de 39 ºC é 
consistente com sintomas de enterite ou peritonite, e portanto inconsistente com uma lesão 
cuja resolução requer cirurgia. Ou seja, uma temperatura corporal elevada aparenta ter um 
valor preditivo negativo bastante significativo. Este achado é igualmente sustentado por 
outros estudos; por exemplo, uma revisão efectuada sobre casos de peritonite revelou que 
uma temperatura