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1979), (SINGH & SZEICZ, 1979).
Estes aspectos tem importante implicaçªo com a hidrologia de uma dada
Ærea florestada (LIMA & NICOLIELO, 1983), sendo fator decisivo na estima-
tiva do consumo total de Ægua por um dado ecossitema florestal, conforme sers
discutido com mais detalhes na seçªo seguinte.
6.5. MEDI\u2d9\u2c6O DA INTERCEPTA\u2d9\u2c6O
A mediçªo da interceptaçªo envolve a quantificaçªo dos vÆrios compo-
nentes da seguinte equaçªo:
 I = P - Pi - Et
 onde: I = perda por interceptaçªo (mm)
P = precipitaçªo incidente (mm)
Pi = precipitaçªo interna (mm)
Et = escoamento pelo tronco (mm)
Estes termos podem ser visualizados no esquema mostrado a seguir:
a) Mediçªo de P - conforme discutido no capítulo V. Observar, na figura,
o detalhe da correta localizaçªo do pluviômetro em Ærea florestada: ou numa
clareira de abertura tal que se possa, a partir do pluviômetro, tirar uma linha de
visada de 45 em direçªo radial, ou entªo acima da copa.
A utilizaçªo de 2 a 4 pluviômetros bem distribuhdos nas proximidades
das parcelas tem sido satisfatpria para a maioria dos experimentos de mediçªo
da interceptaçªo.
b) Mediçªo de Pi - Dois tipos de dispositivos tem sido utilizados:
pluviômetros comuns (interceptômetros) e calhas.
Walter de Paula Lima - 119
FIGURA 6.3. Esquema para mediçªo dos componentes de P efetiva.
As calhas podem ser de vÆrios tamanhos, dependendo de cada situaçªo
em particular. Por apresentar Ærea de captaçªo bem maior que o pluviômetro pa-
drªo, Ø recomendÆvel que a sua bordadura seja dobrada para dentro, a fim de
diminuir os respingos de Ægua para fora da calha.
A precipitaçªo interna apresenta alta variabilidade, o que requer a utiliza-
çªo de vÆrios interceptômetros, a fim de que se possa obter uma estimativa desta
variaçªo. Em geral sªo necessÆrios cerca de 10 a 12 interceptômetros para obter-se
a mesma precisªo de 1 pluviômetro no aberto. O efeito desta alta variabilidade de
Pi pode ser reduzido ainda mais pela contínua relocaçªo periódica dos
interceptômetros dentro da parcela.
c) Mediçªo de Et - Onde for possível, o escoamento pelo tronco pode
ser medido pela colocaçªo de uma canaleta bem vedada ao redor do tronco da
Ærvore, da qual a Ægua que esoca Ø coletada em um reservatório.
Em florestas naturais com grande n\u153mero de espØcies e com grande n\u153-
mero de Ærvores pequenas, a mediçªo de Et Ø muito difícil. Estudos tem mostrado,
todavia, que o Et constitui apenas uma fraçªo muito pequena da interceptaçªo,
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variando de espØcie para espØcie, principalmente no que diz respeito à rugosidade
da casca. Em espØcies de tronco liso, pode variar de 5 a 8 % da precipitaçªo
incidente, caindo para 1 a 2 %, e atØ menos, em espØcie de casca rugosa.
Embora pequeno, o escoamento pelo tronco Ø, tambØm, bastante variÆ-
vel, devendo ser medido em diversas srvores numa parcela, e em cerca de 5 a
10 parcelas ao acaso dentro da floresta.
Outra dificuldade Ø a transformaçªo do volume de Ægua coletada em cada
Ærvore para a unidade mm de altura de Ægua, que deve evidentemente levar em
conta a Ærea de captaçªo, ou a Ærea da copa da srvore. Uma alternativa seria medir
o Et em todas as srvores de uma parcela pequena e transformar o volume total em
relaçªo à Ærea da parcela.
Na Inglaterra um experimento de interceptaçªo eliminou estes problemas
todos pela colocaçªo de um lencol plÆstico sobre a superfície de toda a Ærea da
parcela, sendo o lencol cuidadosamente vedado ao redor de todos os
troncos. Coletando-se toda a Ægua captada no lençol plÆstico mede-se, simultanea-
mente, o escoamento pelo tronco e a precipitaçªo interna, ou seja, mede-se a
precipitaçªo efetiva que chega ao piso florestal.
d) Perda por Interceptaçªo - Precipitaçªo efetiva, conforme acima co-
locado, vem a ser a soma de Pi + Et. Portanto, a diferenca entre a precipitaçªo
incidente (P) e a precipitaçªo efetiva (PE) representa a perda por interceptaçªo (I),
ou seja, a fraçªo da Ægua da chuva que Ø perdida por evaporaçªo antes de chegar
ao piso florestal.
A perda por interceptaçªo tem sido relacionada atravØs da equaçªo de
regressªo linear do tipo:
I = aP + b
 onde: I = perda por interceptaçªo
P = precipitaçªo incidente
a e b = constantes.
Ao assumir que a relaçªo entre P e I seja linear, como na equaçªo acima,
e desde que as mediç\u131es de ambas tenham sido feitas durante período envolvendo
amplitude considerÆvel das respectivas variaç\u131es, a constante “a” da equaçªo aci-
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ma representa uma estimativa razoÆvel da chamada capacidade de retençªo, ou
valor de saturaçªo, da copa (S).
6.6. QUESTÕES
1. Considerando duas florestas exatamente iguais em tudo, a perda por interceptaçªo
(para uma mesma chuva) deve ser maior em Brasília do que em Campos de
Jordªo. Certo ou errado ? Justifique.
2. Florestas de Pinus em regi\u131es temperadas apresentam perda mØdia por
interceptaçªo de acordo com a seguinte equaçªo:
I = 0,1 P - 0,1 n
 sendo: I = perda por interceptaçªo (mm)
P = precipitaçªo incidente (mm)
n = n\u153mero de chuvas no ano
Calcular a interceptaçªo em dado ano cuja precipitaçªo, em n\u153mero de 80 chuvas,
atingiu o total de 820 mm. Expressar I de forma percentual a P.
3. Na regiªo de Agudos, Sªo Paulo, resultados de mediçªo da interceptaçªo em
plantaç\u131es de Pinus oocarpa, com idade de 13 anos, comparativamente a medi-
çªo realizada simultaneamente em reserva adjacente de cerradªo, que constituia a
vegetaçªo original da regiªo, deram as seguintes equaç\u131es:
Pinus: Pi = 0,90 P - 0,86
Cerradªo: Pi = 0,69 P + 1,74
A bacia hidrogrÆfica da Ærea experimental tem 390 ha, e a precipitaçªo mØdia
anual Ø de 1300 mm.
a) Calcular a precipitaçªo interna mØdia para os dois tipos florestais;
b) calcular a diferenca a mais (em litros) de Ægua da chuva anual que chega ao solo
da bacia após a substituiçªo do cerrad,o por plantaç\u131es de Pinus oocarpa;
c) com as devidas abstraç\u131es, considerando uma vazªo mØdia de 15 litros/segun-
do para o riacho da bacia, quantos dias seriam necessÆrios para drenar esta
diferença?
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4. Na regiªo de florestas naturais de Eucalyptus regnans, AustrÆlia, foi desenvol-
vido um trabalho em uma bacia hidrogrÆfica experimental de 52,8 ha. A floresta
adulta natural da bacia tinha cerca de 150-200 anos de idade, com Ærvores de
altura variando entre 70 e 80 metros, DAP mØdio de 36 cm, denso sub-bosque,
Ærea basal de 30 m /ha, e densidade aproximada de 110 Ærvores/ha.
Nestas condiç\u131es, para uma precipitaçªo anual de 1100 mm, o defl\u153vio anual da
bacia foi de 256 mm, com perda por interceptaçªo da ordem de 23 %.
Em 1971/72 realizou-se corte raso total da floresta em toda a bacia, mantendo-se
apenas uma faixa ciliar de proteçªo (mais ou menos 15 % da Ærea). Após a queima
da vegetaçªo remanescente, a Ærea foi semeada (semeadura direta a lanço de
cerca de 2 kg/ha de sementes). A regeneraçªo foi rÆpida e vigorosa. Em 1977 a
nova floresta apresentava cerca de 10 m de altura mØdia, DAP mØdio de 13 cm, e
densidade de cerca de 3400 srvores/ha. Em 1978, 13,3 m de altura e 18 cm de
DAP mØdio.
No primeiro ano após o corte, o aumento no defl\u153vio da bacia foi de 308 mm. em
1978 o aumento havia se reduzido para 48 mm.Mediç\u131es da interceptaçªo
realizadas na floresta em desenvolvimento mostraram os resultados dados na ta-
bela seguinte:
a) determinar as equaç\u131es de regressªo entre as varisveis independente (x = P) e
dependente (y = Pi) para cada ano. Supor Et = 0 e, portanto, I = P - Pi;
b) plotar as respectivas curvas de regressªo para cada ano, identificando cada uma
delas com as respectivas equaç\u131es, e anotando o valor do coeficiente de determina-
çªo (r2);
c) calcular o valor mØdio de Pi, percentualmente em relaçªo a P, para cada mes e o
valor mØdio anual para cada ano;
d) após o corte da floresta natural, quanto do DQ (aumento no defl\u153vio no primeiro