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entender melhor o importante papel desmpenhado pela interceptaçªo como
componente do consumo anual de Ægua por uma floresta (STEWART, 1981).
Para florestas de estrutura similar e para um mesmo regime
pluviomØtrico, as perdas por interceptaçªo se equivalem. Por outro lado, num
mesmo regime de chuvas, florestas de diferentes espØcies e estrutura apresentam
diferentes perdas por interceptaçªo e estas diferenças podem ser a principal
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causa da diferença no balanço hídrico da microbacia hidrogrÆfica, conforme
os resultados experimentais mencionados hÆ pouco.
Os resultados encontrados por PILGRIM et al (1982), relativos à
mediçªo do balanço hídrico em microbacias contendo diferentes coberturas
florestais na AustrÆlia, servem como ilustraçªo, conforme resumidos na Tabela
8.8.
TABELA 8.8. Balanço hídrico de microbacias hidrogrÆficas contendo diferentes
coberturas florestais (adaptado de PILGRIM et al, 1982).
Processo Pinus Eucalyptus
(valores em mm)
Precipitaçªo anual 871 895
Interceptaçªo anual 163 95
Transpiraçªo + evaporaçªo 627 638
Defl\u153vio anual 72 127
Variaçªo do armazenamento no solo 9 35
Conforme pode ser observado nesta tabela, em termos da
evapotranspiraçªo, ou seja, do consumo total de Ægua, a soma da interceptaçªo
mais a transpiraçªo e evaporaçªo direta do solo alcança 790 mm na microbacia
com Pinus e 733 mm para a microbacia com Eucalyptus. A diferença entre
estes dois valores Ø da mesma ordem de grandeza da diferenca no defl\u153vio
anual das duas microbacias (72 e 127 mm, respectivamente).
AlØm disto, a evaporaçªo da Ægua interceptada pelas copas das Ærvores
ocorre a uma velocidade 2 a 3 vezes maior do que a taxa normal de transpiraçªo
(JARVIS & STEWART, 1978). E este aspecto Ø muito importante para entender
melhor a participaçªo quantitativa da interceptaçªo no consumo de Ægua pela
floresta.
Admitindo que enquanto ocorre a evaporaçªo da Ægua interceptada
nªo ocorra, simultaneamente, a transpiraçªo, entªo esta maior velocidade permite
concluir que cerca de 1/4 do total de perdas por interceptaçªo corresponde a
uma consequente economia na transpiraçªo.
202 - CONSUMO DE `GUA POR ESPÉCIES FLORESTAIS
Da mesma forma, cerca de 75 % da interceptaçªo verificada representa
uma perda evaporativa que nªo ocorreria se nªo tivesse chovido.
Do exposto pode-se concluir que um aspecto importante que deve ser
considerado na avaliaçªo do consumo de Ægua pela floresta diz respeito ao
regime de chuvas do local.
Quanto maior Ø o n\u153mero de chuvas num ano, maior vai ser a perda
por interceptaçªo, e maior o consumo total de Ægua pela floreta. Portanto, uma
mesma floresta deverÆ apresentar consumos diferentes dependendo do local.
Se ela se encontra localizada em regiªo de precipitaçªo anual uniformemente
distribuída ao longo de todo o ano, maior vai ser a participaçªo da interceptaçªo
no consumo total, comparativamente ao que ocorreria em um local de
distribuíçªo estacional de chuvas.
Em certas situaç\u131es, por causa desta particularidade da interceptaçªo,
a evapotranspiraçªo anual de uma floresta pode mesmo exceder a
evapotranspiraçªo potencial ditada pelas condiç\u131es climÆticas locais.
Um exemplo desta afirmaçªo pode ser encontrado no trabalho
experimental conduzido por RUTTER (1968), que mediu o balanço hídrico e o
balanço de energia em uma plantaçªo de Pinus sylvestris na Inglaterra, cujos
resultados encontram-se resumidos na Tabela 8.9.
TABELA 8.9. Quantificaçªo de parâmetros do balanço hídrico e do balanço de
energia em plantaç\u131es de Pinus sylvestris na Inglaterra.
(Adaptado de RUTTER, 1968).
Processo mm/ano Observaçªo
Evapotranspiraçªo 475 calculada pela equaçªo
Potencial(PET) Penman-Monteith
Radiaçªo líquida (Rn) 559 Relaçªo percentual PET/Rn 85%
Evapotranspiraçªo real (ER) 427 medida pelo balanço hídrico do solo
Interceptaçªo (I) 229
Evapotranspiraçªo real
total (ER+I) 656
Diferença [PET - (ER + I) 181
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Portanto, por causa da alta taxa de interceptaçªo, o consumo total de
Ægua da plantaçªo florestal ultrapassou, inclusive, a taxa mÆxima de
evapotranspiraçªo ditada pelas condiç\u131es climsticas da regiªo (evapotranspiraçªo
potencial).
Esta maior velocidade de evaporaçªo da Ægua interceptada Ø devida
a alteraç\u131es aerodinâmicas que ocorrem na superfície quando a copa da floresta
encontra-se molhada por chuva recente. Esta condiçªo “copa molhada” resulta
num aumento da chamada rugosidade aerodinâmica da superfície.
Ainda, pela mesma razªo, a temperatura da copa pode tornar-se inferior
à do ar suprajacente, o que ocasiona um fluxo adicional de energia à superfície,
resultante do fluxo descendente de calor específico do ar suprajacente para a
copa.
Com isto o fluxo de calor latente (LvE) pode, nestas condiç\u131es, atingir
1,25 vezes o valor de Rn (GASH & MORTON, 1978), (STEWART, 1981),
conforme observado nos resultados da Tabela 8.9.
Do exposto pode-se concluir que um aspecto importante que deve
ser considerado na avaliaçªo do consumo total de Ægua por uma floresta Ø o
relativo ao regime de chuvas da regiªo. Se este regime Ø tal que as copas das
Ærvores permanecem molhadas durante longo período do ano, a
evapotranspiraçªo pode ser elevada, podendo ultrapassar atØ a taxa potencial
ditada pela disponibilidade de energia do meio.
Por outro lado, em situaç\u131es onde o regime pluviomØtrico resulte em
um período menor de copas molhadas, este consumo deve ser normal, qualquer
que seja a espØcie florestal.
8.6. EVAPOTRANSPIRA\u2d9\u2c6O COMO COMPONENTE DO BALAN\u2d9O
H\u2ddDRICO DE UMA MICROBACIA HIDROGR`FICA.
Na quantificaçªo do balanço hídrico de uma bacia hidrogrÆfica Ø muito
importante a mediçªo das chamadas perdas evaporativas, ou evapotranspiraçªo.
A mediçªo destas perdas em bacias hidrogrÆficas Ø difícil, e os vÆrios
mØtodos existentes podem ser classificados em diretos e indiretos.
204 - CONSUMO DE `GUA POR ESPÉCIES FLORESTAIS
Os mØtodos indiretos englobam modelos de estimativa da
evapotranspiraçªo - as conhecidas equaç\u131es empíricas que incorporam variÆveis
meteorológicas.
A expressªo “evapotranspiraçªo potencial” (PET) foi definida como a
evaporaçªo que ocorre quando nªo hÆ deficiencia de umidade no solo. Quando
o suprimento de Ægua do solo disponível para as plantas for inferior ao exigido
pelo conceito de PET, a evaporaçªo tende a diminuir, ou seja, sua taxa se torna
inferior à taxa potencial, atØ que cesse totalmente no ponto de murcha
permanente.
Pode-se considerar, para efeitos prÆticos, que a evapotranspiraçªo
potencial Ø equivalente à evaporaçªo de uma superfície líquida extensa (um
lago por exemplo), mas com capacidade de armazenamento de calor desprezível.
No caso de estudos em hidrologia florestal, às vezes o interesse reside
na determinaçªo da evapotranspiraçªo mØdia anual da bacia, para efeitos do
cÆlculo da disponibilidade hídrica, ou ainda com a finalidade de se determinar o
efeito de algum tratamento florestal na produçªo de Ægua pela bacia. Algumas
destas metodologias serªo vistas a seguir.
8.6.1. MEDI\u2d9\u2c6O DA EVAPOTRANSPIRA\u2d9\u2c6O
a) Tanque Classe A - A estimativa da evaporaçªo de uma superfície
líquida pode ser obtida atravØs dos chamados tanques de evaporaçªo, dos quais
existem vÆrios tipos.O mais comumente usado Ø o Tanque Classe A.
As leituras obtidas no tanque classe A nªo podem ser diretamente
tomadas como representativas da evaporaçªo de uma superfície líquida mais
extensa, como uma represa por exemplo, pois a evaporaçªo por unidade de
Ærea do tanque Ø, geralmente, maior do que a que ocorre por unidade de Ærea
no lago. In\u153meros resultados experimentais mostram que o coeficiente de
correçªo envolvido situa-se ao redor de 0,70.
Ou seja, pode-se calcular a evaporaçªo potencial a partir das mediç\u131es
feitas em um Tanque Classe A atravØs da seguinte relaçªo:
 PET = EA . 0,70
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Este coeficiente varia de lugar para lugar e ao longo do ano, em virtude
da variaçªo da capacidade