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DisciplinaIntrodução ao Direito I86.594 materiais502.592 seguidores
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pelo produtor, quando êle próprio industrializar seus produtos vendê-los, no varejo, diretamente ao consumidor.
 				De outro turno, por força de norma inserta na Constituição Federal, fora instituído o Plano e Custeio da Previdência Social, onde criou-se a figura da contribuição de responsabilidade do produtor rural pessoa física e do segurado social:
CONSTITUIÇÃO FEDERAL
Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: 
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§ 8º - O produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais e o pescador artesanal, bem como os respectivos cônjuges, que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes, contribuirão para a seguridade social mediante a aplicação de uma alíquota sobre o resultado da comercialização da produção e farão jus aos benefícios nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
 				Veio, então, por norma própria, a responsabilidade do adquirente e do consignatário no recolhimento do tributo, ficando, de outro turno, estes sub-rogados expressamente nas obrigações do contribuinte:
LEI FEDERAL nº 8.212/91
Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) 
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II - os segurados contribuinte individual e facultativo estão obrigados a recolher sua contribuição por iniciativa própria, até o dia quinze do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).
III - a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Produção de efeitos).
IV - a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam sub-rogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97)
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X - a pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e o segurado especial são obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 25 desta Lei no prazo estabelecido no inciso III deste artigo, caso comercializem a sua produção: (Inciso alterado e alíneas acrescentadas pela Lei 9.528, de 10.12.97)
				Há, consoante se depreende das regras supracitadas, que há, expressamente, a tranferência da obrigação a terceiro, ocorrente, desta maneira, a figura jurídica da substituição tributária, nascendo o dever tributário diretamente para o substituto, o qual, como de conhecimento, fica com a atribuição de calcular o montante tirbutável e recolher o tributo em nome próprio. 
CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL
Art. 128 - Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.
 		
 				Na hipótese ora trazida à baila, a contribuição previdenciária somente pode ser exigida do substituto, quando a lei especifíca regula o entendimento de obrigações do produtor rural. (LC,11/71, art. 15, inc. I, ´a´ e Lei nº 8.212/91, art. 30, incs. III e IV). Se assim o é, entende-se que o contribuinte de fato deixa de fazer parte da relação jurídico-tributária. 
				Registre-se, mais, que a Autora, a despeito de não ser a contribuinte de fato, é responsável tributária, ostentando, por mais este ângulo, a legitimidade ativa para a pretensão de repetição do indébito ou compensação. 
CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL
Art. 166 - A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la.
 				Neste sentido:
CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL. LEGITIMIDADE ATIVA PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. COOPERATIVA, EMPRESA ADQUIRENTE, CONSUMIDORA OU CONSIGNATÁRIA. 
É pacífica a jurisprudência no sentido da ilegitimidade da cooperativa e da empresa adquirente, consumidora ou consignatária, para requererem a declaração de inexigibilidade da contribuição ao FUNRURAL, bem como a repetição do indébito. (TRF4ª R.; AC 2004.70.03.003824-4; PR; Segunda Turma; Rel. Des. Fed. Otávio Roberto Pamplona; Julg. 14/07/2009; DEJF 06/08/2009; Pág. 61)
2.2. PARA DISCUTIR A LEGALIDADE OU CONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO EM ESPÉCIE
 				Quanto ao debate que diz respeito ao debate quanto à legalidade da contribuição em debate, objetivando, em suma, o afastamento da exigibilidade da contribuição ao FUNRURAL, pacífico entendimento de que assiste direito ao responsável tributário postular em nome próprio, figurando, assim, no pólo ativo da querela, o que se observa por tradução do que rege a Lei Federal nº 8.212/91.(art. 30, inc. III). 
TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE O VALOR COMERCIAL DOS PRODUTOS RURAIS. INCONSTITUCIONALIDADE. LEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM DA ADQUIRENTE. 
1. A pessoa jurídica adquirente de produtos rurais é responsável tributário pelo recolhimento da contribuição para o FUNRURAL sobre a comercialização do produto agrícola, tendo legitimidade para discutir a legalidade ou constitucionalidade da exigência. 
2. É inconstitucional a contribuição sobre a comercialização dos produtos rurais, devida pelo produtor rural pessoa física, prevista no art. 25 da Lei nº 8.212/91. Precedente do Supremo Tribunal Federal. (TRF4ªR.; AC 2007.70.01.001786-8; PR; Primeira Turma; Rel. Juiz Fed. Jorge Antonio Maurique; Julg. 17/03/2010; DEJF 24/03/2010; Pág. 294) 
 
PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PRETENSÃO DE REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE NO JULGADO. FUNRURAL. LEGITIMIDADE ATIVA DAS COOPERATIVAS. AUSÊNCIA DE INSTRUÇÃO DA INICIAL. FEITO EXTINTO SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO PELO JUÍZO DE PRIMEIRO GRAU. 
1. Prevê o art. 535 do CPC a possibilidade de manejo dos embargos de declaração para apontar omissão, contradição ou obscuridade na sentença ou acórdão, não se prestando este recurso, portanto, para rediscutir a matéria apreciada. 
2. Embora haja entendimento do STJ no sentido de a cooperativa possuir legitimidade para discutir a legalidade ou constitucionalidade da exigência, a sentença extinguiu o feito sem resolução de mérito porque a autora deixou de instruir a inicial com a documentação necessária a comprovar sua legitimidade ativa. 
3. Embargos de declaração rejeitados. (STJ - EDcl-AgRg-Ag 1.063.329; Proc. 2008/0130142-1; RS; Segunda Turma; Rel. Min. Mauro Campbell Marques; Julg. 24/03/2009; DJE 23/04/2009) 
 					Do ensejo, pois, resulta que a Autora tem legitimidade para requerer sobretudo a declaração incidental da inconstitucionalidade da Lei que ora debater-se-á. 
 		
(3) \u2013 NO MÉRITO 
3.1. A CONTRIBUIÇÃO SOCIAL EM DEBATE