PROC. DE TRAB. EM SERV. SOC. I
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PROC. DE TRAB. EM SERV. SOC. I


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brasileiro \u2013 que nos países menos desenvolvidos essa questão é diferente. Neles, o excedente de mão de obra tem um papel mais decisivo, e acaba empurrando para o plano secundário a questão da inovação. Segundo o autor, em países como o Brasil, embora invistam em inovação tecnológica, indústrias como a de confecção e malharia localizadas em Petrópolis (RJ) e Juiz de Fora (MG) utilizam o recurso da subcontratação de trabalhadores sem registro, com má remuneração e submetidos a péssimas condições de trabalho.
Essa situação era possibilitada pela operação de microempresas, de propriedade de trabalhadores assalariados mais qualificados que, para estabelecerem seu próprio negócio, e na falta de capital para investir em maquinaria, recorriam às formas precárias de subcontratação e até mesmo ao trabalho familiar sem remuneração e sem especialização, como estratégia de sobrevivência no mercado (DRUCK, 1999, p. 78).
A diferença desse papel do excedente de mão de obra com relação aos países desenvolvidos, segundo ele, estaria no fato de que nestes existe o atenuante do seguro-desemprego \u2013 uma das políticas centrais do Estado de bem-estar.
Veja abaixo a matéria sobre greve dos trabalhadores da Prest Perfuração, empresa prestadora de serviços (terceirizada) à Petrobras.
Trabalhadores da Prest Perfuração em greve por tempo indeterminado
23/11/2007
\u201cDesde a noite da última quarta-feira, 21, os trabalhadores da Prest Perfuração em Carmópolis decidiram entrar em greve por tempo indeterminado. Cansados de serem enrolados pela direção da empresa, os companheiros agora estão decididos a só voltarem ao trabalho após o atendimento de todas as reivindicações.
Na lista de reivindicações consta reajuste real de salário de 7,42%, adicional noturno sobre o salário base, pagamento dos feriados a 100%, cesta básica, pagamento de hora-extra, lavagem do EPI (administrativo), dentre outras. A proposta de reajuste de 5,5% oferecida pela empresa já foi rejeitada.
A PREST perfuração desenvolve atividades de exploração e produção de petróleo em sondas de produção. Com a greve, 9 sondas, todas da Petrobrás, mas operadas pela PREST, estão paradas. A direção do Sindipetro AL/SE alerta a Petrobrás sobre a responsabilidade das mesmas, já que os trabalhadores não estão nelas.
A greve entra no segundo dia e a tendência do movimento é endurecer visto que, ao invés de negociar, a empresa optou por reagir pela via da truculência, cortando o alojamento, a alimentação e o transporte dos trabalhadores. Não vamos arredar o pé até que nossas reivindicações sejam plenamente atendidas.\u201d
Fonte: (Adaptado) http://sindipetroalse.org.br/site/tercerizados/trabalhadores_da_prest_perfuracao_em_greve_por_tempo_indeterm.html.
Veja abaixo a matéria sobre greve dos trabalhadores da Georadar, empresa especializada na prestação de serviços onshore e offshore de levantamentos geofísicos, diagnósticos ambientais e geotécnicos para a indústria petrolífera e mineral.
Trabalhadores da Georadar denunciam irregularidades
06/12/2007
\u201cA greve na Georadar continua. Hoje pela manhã o movimento ganhou novos adeptos com a chegada de trabalhadores que vieram da Bahia. A empresa tem feito de tudo para enfraquecer a parede, mas não tem tido sucesso nas tentativas. Ontem, em visita ao campo, os trabalhadores puderam observar cenas absurdas, como a de companheiros submetidos aos olhares dos vigias da Brava, como verdadeiros pistoleiros.
Segundo um companheiro de base, a greve atinge a todo programa de Carmópolis. Mas, em Riachuelo, alguns trabalhadores, inclusive em situação irregular, continuam desenvolvendo atividades sísmicas.
O suposto representante da empresa continua desaparecido. O Sindipetro AL/SE exigiu que ele apresentasse uma procuração de preposto da Georadar, mas, até agora, o mesmo não retornou. Toda essa pressão dos trabalhadores, apesar da greve continuar, já fez a empresa promover mudanças. A empresa que fornece a alimentação, que antes era totalmente incompatível com a atividade desenvolvida, foi substituída. O regime de trabalho foi modificado para 30x15, apesar de mantida a proporção 2x1.
O movimento segue firme e o sentimento de crença na vitória é crescente. À luta, companheiros! Até a vitória!\u201d
Fonte: SINDIPETRO - AL/SE. Disponível em: http://sindipetroalse.org.br/site/tercerizados/trabalhadores_da_georadar_denunciam_irregulari.html. 
Aula 8: 
O Debate no Serviço Social Frente às Transformações Ocorridas
Buscando entender as raízes da radicalização da \u201cquestão social\u201d nos dias atuais, Marilda Iamamoto, no texto intitulado \u201cO Serviço Social na cena contemporânea\u201d, vai afirmar que o processo de financeirização indica um modo de estruturação da economia global.
Citando o trabalho de Husson, a autora nos diz que tal processo não se trata de uma mera preferência do capital por aplicações financeiras em detrimento do investimento produtivo.
O fetichismo dos mercados, segundo ela, apresenta as finanças como potências autônomas diante das sociedades nacionais, escondendo \u201co funcionamento e a dominação operada pelo capital transnacional e pelos investidores financeiros, que contam com o efetivo respaldo dos Estados Nacionais e das grandes potências internacionais\u201d (IAMAMOTO, 2009, p. 17-18).
De acordo com a autora, a esfera das finanças por si mesma não cria nada. Na verdade, continua, ela se nutre da riqueza que é gerada pelo investimento capitalista produtivo junto com a ação da força de trabalho no seu interior.
Embora pareça capaz de gerar dinheiro em seu próprio circuito (na esfera das finanças), o capital-dinheiro não pode prescindir da retenção que faz do lucro e dos salários criados na produção.
Segundo Iamamoto, o fetichismo causador dessa impressão \u201csó é operante se existe produção de riquezas, ainda que as finanças minem seus alicerces ao absorverem parte substancial do valor produzido\u201d (IAMAMOTO, 2009, p. 18).
O capital dinheiro aparece, para Iamamoto, como \u201ccoisa autocriadora de juro\u201d, como dinheiro que gera dinheiro (D \u2013 D\u2019), obscurecendo as fontes de sua origem, \u201cas cicatrizes" desta última. Segundo ela, essa forma coisificada do capital é denominada por Marx como capital fetiche. \u201cO juro aparece como se brotasse da mera propriedade do capital, independente da produção e da apropriação do trabalho não pago\u201d. 
A circulação do capital como mercadoria teria na forma de empréstimo a sua peculiaridade. Esta forma constitui-se na diferença específica do capital portador de juro. Assim, como o juro faz parte da mais-valia, diz ela, a mera divisão dela em lucro e juro \u201cnão pode alterar sua natureza, sua origem e suas condições de existência\u201d (IAMAMOTO, 2009, p. 18).
No exemplo da dívida pública, Iamamoto nos diz que o Estado tem que pagar aos seus credores o juro referente ao capital emprestado. Embora os títulos da dívida pública sejam objetos de compra e venda, como a soma emprestada ao Estado já foi despendida \u2013 não como capital \u2013, e portanto já não mais existe, tem-se então um capital ilusório e fictício.
No exemplo da dívida pública, Iamamoto nos diz que o Estado tem que pagar aos seus credores o juro referente ao capital emprestado. Embora os títulos da dívida pública sejam objetos de compra e venda, como a soma emprestada ao Estado já foi despendida \u2013 não como capital \u2013, e portanto já não mais existe, tem-se então um capital ilusório e fictício.
E \u2013 diz ela \u2013 \u201cuma vez que esses títulos se tornem invendáveis desaparece a aparência de capital\u201d (IAMAMOTO, 2009, p.19). Só que para o capitalista credor, no entanto, a parte que lhe será destinada dos impostos representa o juro do seu capital. \u201cO credor possui o título de dívida contra o Estado, que lhe dá direitos sobre as receitas anuais do Estado, produto anual dos impostos\u201d (IAMAMOTO, 2009, p.18). Na esteira do que está sendo dito, a autora afirma:
A crescente elevação da taxa de juros favorece o sistema bancário e instituições financeiras, assim como a ampliação do superávit primário afeta as políticas públicas com a compressão dos gastos sociais, além do desmonte dos serviços da administração pública.