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DisciplinaIntrodução ao Direito I86.552 materiais502.320 seguidores
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contrato. Nesta modalidade, que é a mais comum, este sinal é também conhecido como arras confirmatórias.
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*AULA 2
Arras penitenciais (Art. 418)
As arras são ditas penitenciais (vem de penitência ou sacrifício para expiação dos pecados) quando são utilizadas como pagamento de indenização pelo arrependimento e não conclusão do contrato. Esta modalidade de arras é a exceção e tem função secundária.
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*AULA 2
As arras sendo utilizadas como indenização, há de se considerar duas hipóteses:
 
a) se o arrependimento vier da parte que deu as arras, perderá ela o valor integral dado como sinal;
 
b) partindo o arrependimento da parte que as recebeu, poderá a parte que as pagou, exigir sua devolução integral, mais o equivalente, tudo devidamente atualizado monetariamente, acrescidos de juros e honorários advocatícios.
 
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*AULA 2
As partes podem fixar no contrato limitação de responsabilidade de modo a não ficarem sujeitas a indenizações complementares. Neste caso as arras passarão a ter função unicamente indenizatória.
 
 
Art. 420. Se no contrato for estipulado o direito de arrependimento para qualquer das partes, as arras ou sinal terão função unicamente indenizatória. Neste caso, quem as deu perdê-las-á em benefício da outra parte; e quem as recebeu devolvê-las-á, mais o equivalente. Em ambos os casos não haverá direito a indenização suplementar
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*AULA 2
Possibilidade de cumulação das arras com outras indenizações
Na hipótese de serem insuficientes os valores das arras penitenciais e respectivos acréscimos como cobertura dos prejuízos ou perdas e danos decorrentes do não cumprimento do contrato, poderá a parte inocente requerer indenização complementar. (Art.419)
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*AULA 2
Também, realizada a pactuação de arras confirmatórias e, em não se concretizando o contrato definitivo, a nossa legislação faculta à parte prejudicada pleitear eventuais perdas e danos excedentes ao valor das arras
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*AULA 2
GABARITO DOS CASOS CONCRETOS
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*AULA 2
Marcelos, Carlos e Frederico, amigos inseparáveis, resolveram comprar um barco para as pescarias do fim-de-semana. Como o dinheiro que possuíam era insuficiente, conseguiram um empréstimo no valor de R$35.000,00 com o pai de Leonardo, o colega riquinho da turma. Sendo certo que ficou estaqbelecida uma cláusula pela qual, em caso de mora, para cada dia de atraso corresponderia um acréscimo de R$3,50 ao valor devido.
Ocorre que antes de começarem a pagar a dívida, durante uma pescaria, houve uma tremenda tempestade tropical que afundou o barco, vindo Carlos a morrer afogado. Impactado pela morte do amigo Frederico esquece de pagar a dívida. E assim, temos mais uma tragédia como caso concreto!...Oh dor!...
Pergunta-se:
 
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*AULA 2
No tipo de obrigação assumida a quem recai o dever de ressarcir quando se configurar o adimplemento?
Gabarito sugerido - Na pluralidade de devedores, há de se analisar a quem recai o dever de ressarcir quando se configurar o inadimplemento. Quando a obrigação for indivisível, quando qualquer dos devedores se torna inadimplente, a cláusula penal será ativada - assim, todos os co-devedores, se convir, seus herdeiros, incorrerão na pena convencional. O credor tem o direito de ter seu integral cumprimento. Quando essa obrigação é descumprida, mesmo que parcialmente, tem direito a receber a pena convencional inteiramente. Do co-devedor culpado poderá ser exigida a pena convencional dessa forma inteira.
 
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*AULA 2
b) Os herdeiros de Carlos, no caso, seus pais, devem alguma coisa, no caso da inadimplência existente?
Gabarito sugerido - Os seus herdeiros aqui, se lhe recair a inadimplência, serão responsáveis somente pelo o que deve o devedor inadimplente originário. Os demais co-devedores responderão somente pelas quotas que lhes cabem no ressarcimento. Posteriormente, os co-devedores poderão propor a ação regressiva para resgatar o valor que lhe foi cobrado ao co-devedor que deu ensejo à imposição da pena. 
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*AULA 2
CASO CONCRETO 2
 Antenor Bueno de Carvalho está a procura de um comprador para seu apartamento à vista. Eis que Evandro, seu vizinho, faz-lhe uma proposta irrecusável: dará seu carro, um Ford Focus, ano 2010, como sinal, para garantir o negócio, para que possa ter tempo de levantar um empréstimo no Banco Square Garden S.A. Para tal Evandro pede um prazo de duas semanas. Sabendo que o valor pedido pelo apartamento foi de R$350.000,00 e que o carro está avaliado em R$65.000,00, na medida em que Evandro consegue o empréstimo, mas descobre que o apartamento está em nome do sogro de Antenor que se recusa a concretizar o negócio, responda:
Se o contrato não foi concluído por culpa de Antenor, como fica o sinal recebido?
Gabarito sugerido - Se quem desistiu for a parte que recebeu as arras, terá que devolvê-las em dobro, devidamente corrigida (art.418).
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*AULA 2
E se o negócio fosse fechado, qual seria o valor do empréstimo a ser feito por Evandro?
Gabarito sugerido \u2013 Resposta de advogado: Depende. Se as arras( o carro) fossem devolvidas, a dívida seria de R$350.000,00. Caso as arras fossem incorporadas, a dívida seria de R$290.000,00.
 
E se fosse Evandro quem desistisse do negócio?
Gabarito sugerido - Se o contrato não for concluído por culpa/desistência da parte que deu as arras, elas serão perdidas em favor da parte inocente. 
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*AULA 2
d) O caso apresentado trata de arras, a que outro instituto jurídico as arras se assemelham?
Gabarito sugerido - As arras se assemelham à cláusula penal, assunto já tratado em aula passada. Só que as arras são logo entregues, enquanto a cláusula penal só terá aplicação se o contrato for futuramente desfeito. As arras, mesmo tendo aparentemente pontos em comum, não se confundem com cláusula penal, nem com obrigação alternativa, embora em alguns casos possam ser retidas por quem as recebe como pagamento por eventuais prejuízos ou perdas decorrentes da não conclusão ou concretização do contrato por parte de quem pagou o sinal.
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*AULA 2
QUESTÃO OBJETIVA
(OAB/RJ)Assinale a alternativa CORRETA:
a)	A nossa sistemática jurídica admite, em se tratando de arras confirmatórias, o direito expresso de arrependimento.;
b)	Realizada a pactuação de arras confirmatórias e, em não se concretizando o contrato definitivo, a nossa legislação faculta à parte prejudicada pleitear eventuais perdas e danos excedentes ao valor das arras.;
c)	Em se tratando de arras penitenciais, o exercício do direito de arrependimento pela parte que recebeu as arras, ocasionará apenas a devolução exata do valor recebido à título de arras.;
d)	A nossa sistemática jurídica, seguindo Direito Romano e embasada no princípio da "pacta sunt servanda", admite apenas as arras penitenciais.
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Ficamos por aqui! 
Não esqueça de ler o material didático para a próxima aula e de fazer os exercícios que estão na webaula.
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