PlanoDeAula_01-Arg-juridica
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Título 
Teoria e prática da Argumentação Jurídica 
Número de Aulas por Semana 
 
Número de Semana de Aula 
1 
Tema 
A distinção entre o texto argumentativo e o texto narrativo 
Objetivos 
Estrutura do Conteúdo 
1. Tipologia Textual 
1.1. texto narrativo 
1.2. texto descritivo 
1.3. texto dissertativo 
1.4. texto injuntivo 
2. Caracterís\u19fcas de semelhança e de diferenciação entre cada um dos tipos de texto 
3. Tipologia textual e macro-estrutura das peças processuais 
4. Narra\u19fva jurídica a serviço da argumentação de teses 
Aplicação Prática Teórica 
Todo profissional do Direito, quando descreve o tipo de atuação profissional que escolheu, associa essa atividade à tarefa argumentativa. Os exemplos de 
advogados, promotores e defensores bem sucedidos baseiam-se em uma atuação ? argumentativa ? brilhante que convença o magistrado da necessidade de conceder a 
tutela jurisdicional dos direitos daqueles que representam em juízo. 
Inicialmente, é fundamental ressaltar a ideia de que essa atuação profissional deve ser marcada pela eficiência técnica e persuasiva, mas nunca pode perder de 
vista a ética e a moral. Lembremos que antes mesmo dos sistemas jurídicos positivados, o homem deveria pautar sua conduta pelos valores universais do que é certo e 
justo. 
Diante desse cenário geral, precisamos lembrar, ainda, que o papel principal do direito é compor conflitos e que a atividade processual é marcada pelo 
contraditório e pela ampla defesa. 
Em outras palavras, quando um advogado atuar no Judiciário para defender os interesses de seu cliente, terá a certeza de que está ali para ajudar na solução de 
um conflito social cuja composição não foi conseguida pelas partes sem o auxílio de terceiros. 
Cada um dos envolvidos na demanda enxerga os fatos de uma maneira, ou seja, cada qual atribui aos fatos do caso concreto uma interpretação distinta (a que mais lhe 
interessa). 
A argumentação jurídica caracteriza-se, especialmente, por servir de instrumento para expressar a interpretação sobre uma questão do Direito, que se 
desenvolve em um determinado contexto espacial e temporal. Ao operar a interpretação, impõe-se considerar esses contextos, ater-se aos fatos, às provas e aos 
indícios extraídos do caso concreto e sustentá-la nos limites impostos pelas fontes do Direito. 
Parece claro que nenhum juiz pode apreciar um pedido sem conhecer os fatos que lhe servem de fundamento. Conforme ressalta Fetzner[1], a narração 
ganha status de maior relevância, porque serve de requisito essencial à produção de uma argumentação e\ufb01ciente. É por essa razão que se costuma dizer que a 
narração está a serviço da argumentação. 
Resumidamente, um profissional do Direito deve recorrer ao texto argumentativo para defender seu ponto de vista, mas para o sucesso dessa tarefa, 
precisa ter, antes, uma boa narração, na qual foram expostos os fatos de maior relevância sobre o con\ufb02ito deba\u19fdo. 
Para melhor compreender as caracterís\u19fcas que dis\u19fnguem narração e argumentação, observe a tabela. 
 
QUESTÃO 
São apresentados dois textos adiante. Em primeiro lugar, identifique se esses textos são narrativos ou argumentativos. Em seguida, procure justificar sua resposta 
por meio da cópia de alguns fragmentos pontuais. Você pode usar como parâmetro a tabela explicativa anterior. 
  
Texto 1[1] 
Não é de hoje que eu defendo que o advogado e qualquer cidadão podem gravar as conversas travadas em mesa de audiência, sem a necessidade de avisar aos 
presentes, entre eles a pessoa do Magistrado que a preside. 
Antigamente, isso era impossível de ocorrer por conta do tamanho dos gravadores e da necessidade de estarem próximos de quem falava para obtenção nítida da 
voz. Com o desenvolvimento de novas tecnologias, são inúmeras as ?traquitanas? que gravam voz a distância e com excelente resultado em termos de qualidade de audição. 
Não vejo e nem nunca vi nenhuma ilicitude nisso. As audiências são públicas, quem as grava busca o registro de tudo para sua posterior orientação e também, em 
eventuais casos, para o exercício pleno da sua defesa (art.5, LV da CRFB). Filmar recai na mesmíssima hipótese. 
Hoje já existe projeto em curso de implantação ? nas Varas que contam com processos eletrônicos ? de se gravar a voz e filmar a imagem de todos, criando um 
melhor registro ao processo e alcance de uma maior transparência e publicidade. O saldo positivo de se gravar é proporcionar a todos os que participam daquele momento de 
embate jurídico o respeito, a cordialidade, o tratamento polido, evitar ironias, críticas pessoais, assédio processual/judicial, etc. Enfim, não faz mal algum gravar tudo, pois quem 
não deve não teme. (...) 
  
Texto 2[2] 
O autor, de reputação ilibada, dirigiu-se à empresa -ré a fim de adquirir automóvel novo, para comemorar o dia dos pais vindouro, com sua esposa e filha, assinando 
declaração como instrumento comprobatório do termo de responsabilidade assumido (documento nº 137/12). 
Nestes termos, as partes combinaram, de comum acordo, que o automóvel novo estaria disponível para o autor cinco dias depois. No entanto, para absoluta surpresa 
do autor, no dia combinado o automóvel sequer havia chegado à concessionária. Ressalta-se que o autor já havia, nesta data, entregue seu veículo à empresa-ré, encontrando-
se em situação de completo desamparo. 
A esposa do autor, neste ínterim, foi acometida de mal súbito, tendo sido o seu atendimento prejudicado devido à demora para chegar ao hospital, já que teve de ir de 
táxi. A entrada na seção do pronto -socorro do hospital foi registrada às 21 horas do dia17 de junho de 2012, conforme documento em anexo (documento n º ___) e, até a 
consumação do atendimento e respectiva medicação, suportou intensas dores, não podendo sequer se locomover sem auxílio de terceiros. 
 
[1] Disponível em: <h\u1a9p://www.trabalhismoemdebate.com.br/2012/06/advogado-pode -gravar-a-audiencia -sem -avisar-ao-juiz/>. Acesso em: 20 jun. 2012. 
[2] Disponível em: <http://jus.com.br/revista/texto/16842/indenizacao-em-relacao-de-consumo-juizado-especial>. Acesso em: 20 jun. 2012. 
 
[1] CAVALIERI FETZNER, Néli Luiza (Org. e Aut.)\u37e TAVARES, Nelson\u37e VALVERDE, Alda. Lições de argumentação jurídica. Rio de Janeiro: Forense, 2009, 
capítulo 2. 
Plano de Aula: Teoria e prática da Argumentação Jurídica 
TEORIA E PRÁTICA DA ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA
- Contextualizar a disciplina Teoria e Prática da Argumentação Jurídica como continuidade do
trabalho de produção das peças processuais iniciado na disciplina de segundo período. 
- Reconhecer as diferenças entre texto narrativo e texto argumentativo. 
- Compreender a relevância da narração para a produção da argumentação. 
- Identificar que a parte argumentativa da peça inicial refere-se ao ?Do Direito?. 
NARRAÇÃO 
Qual o Objetivo? Expor os fatos 
importantes do caso concreto a ser 
solucionado no Judiciário. 
Como o fato é tratado? Cada fato 
representa uma informação que 
compõe a história da lide a ser 
conhecida no processo. 
Qual o tempo verbal utilizado? 
Pretérito ? é o mais u\u19flizado, porque 
todos os fatos narrados já ocorreram. 
(Ex.: o empregado sofreu um 
acidente); 
Presente ? fatos que se iniciaram no 
passado e que perduram até o 
momento da narração. (Ex.: o 
empregado está sem capacidade 
laborativa); 
Futuro ? não é u\u19flizado porque fatos 
futuros são incertos. 
Qual a pessoa do discurso? Utiliza-se 
a 3ª pessoa , por traduzir a 
imparcialidade necessária à a\u19fvidade 
jurídica. 
Como os fatos são organizados? Os 
fatos são dispostos em ordem 
cronológica, ou seja, na mesma 
ordem em que aconteceram no 
mundo natural. 
Quais seus elementos constitutivos? 
Uma narrativa bem redigida deve 
responder, sempre que  possível, às 
seguintes perguntas: a) O quê? (fato 
gerador); b) quem? (partes); c) onde? 
(local do fato); d) quando? (momento 
do fato); e) como? (maneira como os 
fatos ocorreram); f) por quê? 
(mo\u19fvações da lide). 
Qual a natureza do texto? O texto 
narrativo tem natureza 
predominantemente informativa.