PlanoDeAula_11-Arg-juridic
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à humilhação de exames de DNA em face da dúvida da paternidade, culminou com o triste desenlace: quando da 
troca entregaram um \ufb01lho e receberam no lugar de seu \ufb01lho uma cer\u19fdão de óbito; IV- "Damnum in re ipsa ",cujo valor indenizatório, sem se afastar dos aspectos da reparação, deve 
atender aos princípios pedagógicos da condenação, a tenta\u19fva de, através de condenações signi\ufb01ca\u19fvas, se evitarem novos sofrimentos para aquelas mães que trazem ao mundo 
\ufb01lhos queridos. Contudo, esse valor não pode traduzir risco à sobrevivência da ins\u19ftuição; V- Parcial provimento ao primeiro e improvimento ao segundo recurso. 
 
[1] Texto de Damásio de Jesus. Disponível em <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=2590>. Acesso em: 20 de novembro de 2008. 
[2] Disponível em: < http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=7474>. Acesso em: 20 de novembro de 2008. 
Plano de Aula: Teoria e Prática da Argumentação Jurídica 
TEORIA E PRÁTICA DA ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA
Estácio de Sá Página 2 / 3
Título 
Teoria e Prática da Argumentação Jurídica 
Número de Aulas por Semana 
 
Número de Semana de Aula 
11 
Tema 
Desenvolvimento da fundamentação e da conclusão no texto jurídico 
Objetivos 
- Produzir fundamentação e conclusão do texto jurídico -argumentativo. 
Estrutura do Conteúdo 
1. Desenvolvimento da fundamentação e da conclusão do texto jurídico. 
2. Iden\u19f\ufb01cação e uso dos elementos cons\u19ftu\u19fvos do texto argumenta\u19fvo. 
Aplicação Prática Teórica 
A argumentação jurídica, para ter sucesso, deve recorrer a estratégias que expressem a interpretação sobre uma questão do Direito que se desenvolve em um contexto 
espacial e temporal. Portanto, antes de argumentar, é necessário que se proceda a um planejamento, considerando -se os contextos, os fatos, as provas e os indícios extraídos do 
caso concreto, sustentando-se sempre nas fontes do Direito.   Torna-se necessário, também, ter em mente os prováveis argumentos do opositor, a \ufb01m de neutralizá -los. 
Após a análise minuciosa do caso concreto, são escolhidos os recursos argumenta\u19fvos para a produção do texto jurídico. Assim, o texto será construído não ins\u19fn\u19fva e 
espontaneamente, mas apoiado em um planejamento, a \ufb01m de manter a unidade e a coerência necessárias ao convencimento. Somente com organização é possível traçar estratégias 
persuasivas capazes de fazer com que a tese defendida seja aceita. 
  
  
QUESTÃO DISCURSIVA 
Analise os elementos cons\u19ftu\u19fvos da argumentação jurídica que seguem e escreva a fundamentação e a conclusão per\u19fnentes. Para que se compreenda a importância 
das disciplinas de Português Jurídico para o Exame das OAB, transcrevemos a ?grade de comentários? u\u19flizada pelos examinadores. Atente para os critérios a serem comentados. 
Dos seis existentes, quatro são trabalhados diretamente por nossas disciplinas. 
  
1. Adequação da Peça ao problema apresentado: 
2. Raciocínio jurídico: 
3. Fundamentação e sua consistência: 
4. Capacidade de interpretação e exposição: 
5. Correção grama\u19fcal: 
6. Técnica pro\ufb01ssional: 
  
Situação de con\ufb02ito 
  
Pedro foi denunciado, pelo Promotor de Jus\u19fça da comarca de São Paulo, de subtrair, em 1º de julho de 2009, a importância de R$ 360,00 em dinheiro de Antônio, u\u19flizando-
se de um revólver de brinquedo. 
  
Tese 
O réu deve ser condenado pela prá\u19fca do crime de roubo quali\ufb01cado. 
  
Contextualização do real 
Fatos favoráveis à tese: 
- O Juiz ouviu o réu no dia 5 de setembro de 2009, ocasião em que confessou, com detalhes, a prá\u19fca delituosa, descrevendo a ví\u19fma e a\ufb01rmando que o dinheiro fora u\u19flizado na 
compra de drogas. 
- O réu a\ufb01rmou, ainda, que havia sido internado várias vezes para tratamento de desintoxicação. 
- O réu foi preso em \ufb02agrante, com R$ 360,00 no bolso, a duas quadras do local do crime, por um policial à paisana, por estar em ?a\u19ftude suspeita?. 
- A ví\u19fma garante que o réu tem o mesmo porte \u130sico de quem o abordou no ato delituoso e usava roupas semelhantes, calça jeans e camiseta branca. 
  
Fatos contrários à tese: 
- Na referida oi\u19fva com o juiz, o réu não estava acompanhado de seu defensor. 
- A ví\u19fma, ao ser ouvida, con\ufb01rmou o fato e a\ufb01rmou que não viu o rosto do autor do crime porque estava encoberto e, por isso, não \u19fnha condições de reconhecê-lo com segurança. 
- - Dois policiais a\ufb01rmaram que ouviram a ví\u19fma gritando que havia sido roubada, mas nada encontraram no local do crime. 
  
Para a produção do que se pede, caso julgue necessário, u\u19flize as polifonias: 
  
LEGISLAÇÃO 
Roubo 
Art. 157, CP - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à 
impossibilidade de resistência: 
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos, e multa. 
  
§ 1° - Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coisa, emprega violência contra pessoa ou grave ameaça, a \ufb01m de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da 
coisa para si ou para terceiro. 
  
Roubo qualificado 
§ 2° - A pena aumenta -se de um terço até metade: 
I - se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma; 
II - se há o concurso de duas ou mais pessoas; 
III - se a ví\u19fma está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância; 
IV - se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior; 
V - se o agente mantém a ví\u19fma em seu poder, restringindo sua liberdade. 
  
§ 3° Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é de reclusão, de cinco a quinze anos, além da multa; se resulta morte, a reclusão é de vinte a trinta anos, sem prejuízo da 
multa. 
  
Art. 261, CPP - Nenhum acusado, ainda que ausente ou foragido, será processado ou julgado sem defensor. 
Parágrafo único. A defesa técnica, quando realizada por defensor público ou da\u19fvo, será sempre exercida através de manifestação fundamentada. 
  
DOUTRINA 
Cancelada a súmula nº 174 do Superior Tribunal de Jus\u19fça[1] 
Agravação da pena em face do emprego de arma de brinquedo 
na execução do crime de roubo 
  
Nos termos do art. 157, § 2.º, I, do Código Penal, a pena deve ser agravada de um terço até metade &quot;se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de arma&quot;. 
E quando se trata de arma de brinquedo (&quot;arma finta&quot;)? 
Há duas orientações: 
1ª) o emprego de arma de brinquedo não agrava a pena do roubo : RT, 580/464, 591/360 e 667/305; JTACrimSP, 76/283, 72/23, 73/222, 75/54 e 202 e 99/275; STF, HC n. 
69.515, 1.ª Turma, rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJU, 12.3.1993, p. 3561; RT, 705/416; 
2ª) o roubo é agravado : RTJ, 106/838, 109/285, 91/179, 95/299 e 103/443; RJTJSP, 14/488 e 40/367; RT, 540/419, 553/349, 555/377, 576/480, 588/439 e 592/434; 
JTACrimSP, 66/257, 67/258, 69/242 e 79/447; Justitia, 105/181; JTJ, 164/321. Era a orientação da Súmula n. 174 do STJ: 
&quot;No crime de roubo, a in\u19fmidação feita com arma de brinquedo autoriza o aumento da pena&quot;. 
Sempre entendemos que o emprego de arma de brinquedo não aumenta a pena do crime de roubo, respondendo o sujeito pelo \u19fpo simples, sendo inadequada a Súmula n. 
174. Nossa argumentação se fundamenta no sistema da \u19fpicidade. O CP somente agrava a pena do delito quando o sujeito emprega arma . Revólver de brinquedo não é arma
(1). Logo, 
o fato é a\u1a1pico diante da circunstância. Caso contrário, por coerência, o porte de revólver de brinquedo cons\u19ftuiria o crime do art. 10, caput, da Lei n. 9.437, de 20.2.1997 (porte 
ilegal de arma de fogo). Se, no roubo, con\ufb01gura a circunstância &quot;arma&quot;, por que não cons\u19ftuiria a elementar do crime especial? Como disse o Ministro Sepúlveda Pertence no HC n. 
69.515, julgado pela 1.ª Turma do STF, em 1.º.12.1992, &quot;a melhor doutrina tem oposto crí\u19fca demolidora&quot; à tese de que o roubo, na espécie, é circunstanciado(2). 
A Terceira Seção do STJ, no REsp n. 213.054, de São Paulo, em 24.10.2001, relator o Ministro José Arnaldo da Fonseca, decidiu cancelar a Súmula n. 174, considerando que 
o emprego de arma de brinquedo, embora não descaracterize