Hildegard Taggesell Giostri - Erro Médico A Luz da Jurisprudencia Comentada
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Hildegard Taggesell Giostri - Erro Médico A Luz da Jurisprudencia Comentada


DisciplinaDireito Civil III8.866 materiais73.642 seguidores
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julgadores da instância superior entenderam que a 
imposição das verbas merecia alguns 
reparos.
 Por primeiro, não restaram devidamente comprovados os referidos 
danos materiais, ficando só no terreno das alegações. Conforme 
corroboram os doutos: "o dano 
indenizável é o dano atual e certo. O dano hipotético, presumido, 
eventual ou conjuntural, não se indeniza. Por isso, a sua existência 
há de ser apurada no processo 
de conhecimento, não podendo ser relegado para o processo de 
liquidação, como erroneamente se determinou na sentença". 
<233>
 Por segundo, o dano moral, conquanto existente e indiscutível, 
entenderam os julgadores ter sido aberrantemente calculado. Segundo 
eles, &quot;a importância correspondente 
a duzentos e cinqüenta salários-mínimos, convenhamos, é 
extremamente exagerada para compensar a dor da frustração da 
expectativa de ter filhos gêmeos. Não obstante 
o grande sofrimento que tal frustração pode impor às pessoas mais 
sensíveis, não pode ela, convenhamos, servir de meio de 
enriquecimento&quot;.
 Por fim, a decisão se deu no sentido de excluir os danos materiais 
e reduzir os danos morais para a quantia equivalente a 100 
salários-mínimos.
 Caracterização: Erro de leitura. Obrigação de resultado.
 5.2 DIAGNÓSTICO INEXCUSÁVEL DE LABORATÓRIO, APONTANDO CÂNCER 
NO ESÔFAGO. DANO MORAL. DANOS MATERIAIS NÃO COMPROVADOS.
 Paciente necessitou servir-se de exames laboratoriais; pelo 
resultado tomou conhecimento que estava acometido de câncer de 
esôfago. Posteriormente, tal resultado 
mostrou-se ser um ledo engano, o que motivou um processo contra o 
Laboratório de Patologia, responsável pelo exame.
<234>
 O corpo do acórdão é lacônico e não dá maiores 
informações, todavia corrobora que &quot;o laboratório errou 
tragicamente no diagnóstico, trazendo justas apreensões 
ao postulante, e problemas emocionais, por atribuir-lhe carcinoma de 
esôfago, até posterior constatação do grave equívoco. A 
perícia é clara em admitir que a lâmina 
não possibilitaria um diagnóstico definitivo e, portanto, sem 
ressalvas&quot;.
 Os danos materiais não foram comprovados satisfatoriamente, por 
isso negados. Mantido dano moral, não mencionando a quantia.
 Caracterização: Culpa por imperícia. Obrigação de 
resultado.
<235>
 6. IMPERÍCIA (8)
 A imperícia, conforme já comentado, é a falta de habilidade 
para praticar determinados atos ou, em tendo tal habilidade, 
praticá-los com afoiteza, sem as devidas 
cautelas ou, ainda, na expressão dos dicionários, é o ato ou feito 
punível pela lei, quando praticado por profissional oficialmente 
habilitado.
 6.1 RESPONSABILIDADE CIVIL. 
 Indenização devida em decorrência de falha médica que 
resultou na obrigatoriedade da autora de se submeter a nova cirurgia. 
Dano moral. O sofrimento e a angústia 
sofridos pelos transtornos que ocorreram após a internação 
cirúrgica autorizam a indenização pleiteada.
 Paciente que se submeteu a ato cirúrgico para extirpação de 
tumor pélvico. Durante o ato, ocorreu lesão intestinal e 
perfuração na bexiga, tendo como conseqüência 
imediata a sua permanência por mais dias no hospital, além de uma 
incontinência urinária. Como conseqüência remota, a necessidade 
de sofrer mais uma intervenção 
a fim de corrigir a fístula vésico-vaginal que se formara.
 A referida fístula, segundo o perito, não poderia sugerir culpa, 
já que aparece nos livros de medicina como uma complicação 
passível de ocorrer naquele tipo 
de cirurgia, na média de 2% das intervenções realizadas, portanto, 
deveria ser tida como &quot;decorrente da própria atividade médica&quot;. 
Todavia, informou o mesmo, &quot;não 
ser normal, nesse tipo de cirurgia ocorrer lesão intestinal, 
perfuração de bexiga, não tendo sido, também, prescrito 
tratamento para a endometriose após o resultado 
do exame histopatológico&quot;. (Eis aí um perito que não pode ser 
acusado de esprit de corps!).
<236>
 A sentença de 1o grau, segundo os julgadores de 2º, &quot;enveredou 
pelo caminho do imponderável, dizendo que por mais cuidadoso que seja 
o médico ou o cirurgião 
está ele sujeito a toda espécie de imponderabilidade e de 
imprevisibilidade, entretanto, não é este o caso exatamente, visto 
que esse tipo de incidente é plenamente 
previsto segundo a literatura médica&quot;.
 Vale lembrar que ao discorrer sobre o tema &quot;previsibilidade&quot;, 
insistimos acerca do redobrado cuidado que o médico deve ter quando 
já existe a possibilidade da 
ocorrência de um acontecimento nefasto, inclusive com dados 
estatísticos. 
 Mais ainda, o médico foi tido em &quot;falta de ética por não ter 
comunicado à apelante sobre as probabilidades das complicações 
cirúrgicas&quot;, assunto este também 
já enfatizado, pois tanto sob as vistas do Código de Ética 
Médica, quanto sob as normas do Código do Consumidor, o paciente 
deve ser ostensiva e claramente informado 
do que se fará com ele, e quais são as possibilidades de sucesso e 
de insucesso.
 O pedido, que havia sido julgado improcedente no Juízo a quo, foi 
totalmente revisto, do que resultou: verba referente a dano moral, no 
valor de 200 s.m., mais 
quantia despendida frente à segunda cirurgia e a inversão dos ônus 
sucumbenciais. Negada pela perícia a necessidade de uma cirurgia 
plástica reparadora, esta não 
foi deferida.
 Caracterização: Erro médico evidenciado. Culpa por imperícia 
comprovada.
<237>
 6.2 AÇÃO ORDINÁRIA DE RESPONSABILIDADE CIVIL. ERRO MÉDICO. 
OBRIGAÇÃO DE MEIO. PROVA DA CULPA. 
 Não se tratando, na espécie, de cirurgia plástica meramente 
estética, a obrigação assumida pelo médico é de meio, o que, 
entretanto, não o exonera da responsabilidade, 
se provado ter agido culposamente ao adotar técnica cirúrgica que 
não se adequava à hipótese. Os danos morais são devidos, diante 
do sofrimento d'alma causado à 
paciente, que se imaginava livre do tumor de mama que, entretanto, não 
fora extraído. Quanto aos danos materiais, foram corretamente 
dimensionados, não tendo o réu 
feito a prova de terem sido os exames pagos pelo plano de saúde. 
Desprovimento do apelo.
 Paciente efetuou exame de mamografia, quando foi detectado um 
nódulo em seu seio direito, submetendo-se, então, a cirurgia para 
extração daquele. Como as dores 
persistissem, retornou ela a seu ginecologista que recomendou fazer nova 
mamografia, ficando constatado que o nódulo anterior ainda se 
encontrava lá, tendo sido 
retirado um outro em seu lugar.
 O cirurgião, em sua defesa, informou ter se servido da técnica 
correta e, para não mutilar ainda mais o seio da paciente, optou por 
fazer a incisão aproveitando 
recente cicatriz em volta do mamilo, decorrente de cirurgia plástica.
 &quot;Demonstrou ele que renomados mestres da medicina recomendam esta 
técnica de grande proveito estético, evitando nova cicatriz no 
seio&quot;.
<238>
 Sua intenção era entrar pelo mamilo e seguir em direção ao 
nódulo, que ficava no quadrante superior direito, porém, &quot;no caminho 
e na mesma direção, deparou-se 
com outro nódulo, que não aparecera na mamografia, o que o levou a 
confundi-lo com aquele a que se propusera extrair. Certo de que 
alcançara o objetivo cirúrgico, 
o réu fechou a incisão, deu por concluída sua missão, realizou a 
biópsia, que deu resultado negativo, sendo tão surpreendido quanto a 
autora, com a posterior descoberta 
que o nódulo persistia&quot;.
 Concluiu o cirurgião que foi vítima de um acaso, de uma 
fatalidade, devendo ambos serem creditados à imponderabilidade das 
reações do corpo humano. Entendeu 
ele, também, que, a rigor, a paciente não sofreu prejuízo, haja 
vista que o outro nódulo teria que ser extirpado, mais cedo ou mais 
tarde, prontificando-se a repetir 
a cirurgia, gratuitamente, o que não foi aceito por aquela, alegando 
quebra de confiança.
 O perito (depois de afirmar que se tratava de obrigação de 
resultado, adentrando área jurídica,