Freitas do Amaral - CURSO DE DIREITO ADMINISTRATIVO
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Freitas do Amaral - CURSO DE DIREITO ADMINISTRATIVO


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tion of all classes to one law administered by the ordinary
courts, has been
every official, from. the Prime Minister
pushed to its utmost limit- W'th us
 (1) A. V. DICEY, Introductíon to the study of the Law of the
ConstítutiOn,
 -nos da 10.1 ediçäo, de 1959,
1885. Esta obra teve numerosas ediçöes: servinio
prefaciada por E. C. S. WADE e editada por The Macmilan Press
Ltd., Londres,
cesa da 5.1 ediçäo inglesa
reimpressäo de 1975. Cf, também a traduçäo fi:an
(1897): Introduction à Pét,,de du Droit constitutíonnel,
Paris, 1902, com notas
críticas de GASTON JEZE-
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down to a constabje or a collector of taxes, is under the same
responsability
for every act done without legal justification as any other
citizen. ... A colo-
ial governor, a secretary of state, a military officer, and
all subordinares,
though carrying out the corrunands of their official
superiors, are as responsi-
ble for any act which the law does not authorise as is any
private and unoffi-
ial person» (p. 193~194).
 Assim, o sistema inglês do rule of law é realmente muito
diverso, aos
olhos de Dicey, do sistema francês do droit administratif.
«the rule of law ...
excludes the idea of any exemption of officiaIs or others from
the duty of
obedience to the law which goverris other citizens or from the
jurisdiction of
the ordinary tribunais; there can be with us nothing really
corresponding to
the droit adminístratif or the tribunaux admínístratfts of
France» (p. 202-203).
 Näo havendo em Inglaterra um sistema como o francês, nem
sequer
existe a palavra ou expressäo correspondente: «for the term
droít administra
Enghsh legal phraseology supplies no proper equivalem. The
words administra-
tive law, which are its most natural rendering, are unknown to
English judges
and counsel, and are in thernselves hardly intelligible
without further explana-
tion. This absence from one language of any satisfactory
equivalem for the
expression droit administratft is significam; the want of a
name arises at bottom.
from our non-recognition. of the thing itself» (p. 330).
 Chegado a este ponto, Dicey vai entäo descrever aquilo que em
seu
entender caracteriza o sistema administrativo fi-ancês:
 «The notion that lies at the bottom of the administrativa
latv known to
foreign countries is that affairs or disputes in which the
govenunent or its ser-
vants are concerned are beyond the sphere of the civil courts
and must be
dealt with by special and more or less official bodies» (p.
203). E dá exemplos:
seUM ministro, um governador civil, um agente da polícia ou
qualquer outro
funcionário comete uma ilegalidade, os direitos do indivíduo
lesado e o modo
por que esses direitos häo-de ser reconhecidos säo questöes de
direito adminis-
trativo; da mesma maneira, se um cidadäo faz um contrato com
qualquer
ministério, e se surge um diferendo sobre a execuçäo do
contrato ou sobre a
indemnizaçäo devida pelo Governo ao particular em consequência
de uma
violaçäo do dito contrato, os direitos das partes seräo
declarados segundo as
regras do direito administrativo e efectivados por métodos
processuais específi-
cos deste direito.
 Ora, para Dicey, o sistema ftancês repousa sobre duas ideias
«alien to the
conceptions of modera Englishmen»:
 «The first of these ideas is that the goverrunent, and every
servant of the
govemment, possessas, as representativa of the nation, a whole
body of special
rigths, privileges, or prerogatives as agaffist private
citizens, and that the extent
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of these rights, privileges, or prerogatives is to be
determined on principies
difIérent from the considerations which fix the legal rights
and duties of one
citizen towards another. An individual in his dealings with
the State does not,
according to French ideas, stand on anything hke the same
footing as that on
which he stands in dealings with his neighbour» (p. 336~337).
Neste ponto se
descortina claramente «o carácter essencial do droit
adminístratif. é um corpo de
regras destinado a proteger os privilégios do Estado».
 se general ideas is the necessite of mantaining the so-
 «The second of the n, how-
_Called separation of powers («séparation des pouvoirs»)...
The expressäo
ever, (... ) may easily measlead. It means, in the mouth of a
French statesman
or lawyer, something different frOM what we mean in England by
the indepen-
dence of thejudges, or the Ue expressions (... ): while the
ordinary judges ought 1
to be irremovable and thus independent of the executiva, the
goverriment and
icialy) to be independent of and to a great
its officiais ought (whilst acting off
extent free from the jurisdiction. of the ordinary CourtS» (p.
337-338).
 rincipais traços característicos do sistema
 Enfim, Dicey resume assim OS P
fi-ancês ou droit administratif.
 - «The relation of the govermnent and its officiais towards
Private citi-
zens must be regulated by a body of rufes which (... ) may
differ considerably
from the laws which govem the relation of one private person
to another»
(p. 339); L,
 whatever
- «The Ordinary judicial tribunais must have no concem
with matters ar issue between a private person and the State.
Such ques-
tions, i, SO far as they forrn at ali mather of litigation
must be determined
by administrativa courts, in some way connected with the
governinent or the
adnúnistration» (p. 339). Em ediçöes anteriores, Dicey
sublinhava que todos os
tribunais administrativos franceses eram constituídos por
funcionários, e näo
por juizes, que julgavam com um preconceito pró-governarnental
e decidiam
à luz de um espírito bem diferente do que animava os juízes
ordináfiOS;
 - Havendo tribunais comuns e tribunais administrativos, há
conflitos
de jurisdiçäo entre uns e outros. Ora determinar se é ou näo
aplicável o droit
administratfi foi matéria entregue, nunca primeira fase, ao
Cônseí1 d'État - tri-
flits de com-
bunal administrativo -1 e só mais tarde a um Tribunal des Con
posiçäo paritária (p. 343 e segs., e 364 e segs.);
administratlf
 - Enfim, «the fourth and most despotic characteristic of
droit
fies in its tendency to protect from. the supervision or
control of the ordinarY
law courts any servant of the State whO is guilty of an act,
however illegal,
whilst acting in bonafide obedience to the orders of his
superiors and (... ) on the
mere discharge Of his official duties («garantie des
fonctionnaires») (P. 345-346).
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 Este droít admínístratif, segundo Dicey, näo existe em
Inglaterra. Mesmo
que uma ou outra lei mais recente atribua certos poderes de
autoridade a
alguns funcionários da Coroa ou às local authoríties, isso näo
significa que
Comece a despontar um direito administrativo na Grä-Bretanha,
porque a apli-
caçäo dessas leis e a fiscalizaçäo do exercício desses poderes
continuam a per-
tencer aos tribunais comuns, o que exclui a existência do
droit administratf' e
preserva a garantia fundamental do rule of law.
 Enfim, Dicey entendia que o Direito Administrativo era
incompatível
com o Estado de Direito, e näo hesitava em declarar que o
sistema do rule of
lau, era francamente superior ao sistema do droít
admínístratíf, porque o
primeiro protegia muito mais e muito melhor os cidadäos contra
os excessos
de poder cometidos pela Administraçäo Pública (1).
 O ponto de vistafirancês: Hauriou. - Diferente era a
concepçäo do näo
menos famoso publicista fi-ancês Maurice Hauriou, professor em
Toulouse,
que começa a escrever sobre este tema cerca de vinte anos
depois.
 Para ele, «todos os Estados modernos assumem fimçöes
administrativas,
mas nem todos possuem o regime administrativo». Assumir
fimçöes adminis-
trativas é «prover à satisfaçäo das necessidades da ordem
pública e assegurar o
funcionamento de certos serviços públicos para a satisfaçäo
dos interesses gerais
e a gestäo dos assuntos de utilidade pública».
 Mas isto pode ser feito de duas maneiras,
Guilherme
Guilherme fez um comentário
Para quem não sabe, o Dr. Freitas do Amaral é um doutrinador português, pelo que, talvez, não possa ajudar muito aos colegas brasileiros (embora acredite que o bom estudante saberá sempre apreciar o conhecimento, especialmente vindo de um autor tão distinto). Abraço, bons estudos!
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Lara
Lara fez um comentário
É de que ano?
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Lara
Lara fez um comentário
Livro estranho...
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Hélder
Hélder fez um comentário
Não consigo baixar o livro de Curso de Direito Administrativo do Prof. Dr. Freitas do Amaral O que faço
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