Freitas do Amaral - CURSO DE DIREITO ADMINISTRATIVO
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Freitas do Amaral - CURSO DE DIREITO ADMINISTRATIVO


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ver JoAo CAUPERS, A administraçäo perjura do
Estado.... cit.,
 E P. 17-32.
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do bem-estar dos indivíduos. Daí o seu brado de combate que
ficou para a história: «men must learn administration»!(1).
Neste sentido se foram desenvolvendo os estudos e o ensino
que ainda hoje
superior desta disciplina nos Estados Unidos
detêm a primazia: basta referir, por exemplo, que o ensino da
Ciência da Administraçäo, em moldes avançados e de harmonia
e-
com uma ou outra das orientaçöes fundamentais que acima ref
rimos, é ministrado de forma particularmente intensa e
aprofim-
195
dada em cerca de 200 universidades norte-americanas... o
ultrapassar a fase da sociologia ingénua e incipiente.
 Entretanto, na Europa, a Ciência da Administraçäo viveu
ainda muitas décadas literalmente abafada pelo Direito
Adminis-
trativo, ou envergonhadamente escondida sob as vestes mal
defi-
6 há poucos anos se iniciaram
nidas da sociologia positivista. S
verdadeiramente os estudos e o ensino desta ciência. Por isso
se
ressente, aqui, de uma falta notória de tradiçäo e de pouco
lastro
 1
científico. Näo é exagero dizer que nos países europeus a
Ciência
da Administraçäo dá, ainda, os seus primeiros passos.
 O nosso pais näo teve, até há bem pouco tempo, qualquer
tradiçäo significativa em matéria de Ciência da Administraçäo.
 Em 1853, como vimos, foi criada na Universidade de
Coimbra uma cadeira denominada Direito Administrativo
português
e F@indpios de Administraçäo. Era uma tendência que apontava
para
a valorizaçäo dos estudos de administraçäo numa perspectiva
näo
exclusivamente jurídica
 olitical
(1) WOODROW WILSON, The study of Administration, na revista «P
Science Quarteily», vol. II. 1887. Cfr. AFONSO QUEIRó, liçöes,
I, 1959, p. 96
e segs.
 2) Estes dados foram-nos fornecidos pessoalmente, em 1977,
pelo
 dente do «National Institute of Public
Pro£ PHILIP J. PuTLEDGE, entäo Presi
Management», washington D. C.
 @) V., por exemplo, J. T. LOBO D'AVILA, Estudos de
administraçäo) Lisboa,
1874. Na obra já citada de J. FREDERICO LARANJO, Ptincípios e
instituiçöes de
Coimbra, 1888, há diversas incursöes com interesse pelo
Direito Administrativo,
terreno da Ciência da Administraçäo-
 Essa tendência saiu reforçada em 1901, com a mudança da
 en
designaçäo para Ci' cia da Administraçäo e Direito
Administrativo.
 e
Mas, pouco depois, foi considerado que o estudo da Ci'ncia da
 mi
Ad 'nistraçâo era um werbalismo inútil» e passou-se a ensinar
apenas o Direito Administrativo.
 De qualquer modo, a verdade é que nos cinquenta anos em
que a ciência ad no
 ministrativa foi obrigatoriamente ensinada
curso de direito näo se progrediu quase nada: näo conseguimos
entä
já neste século, e a partir dos anos 60, começou a esboçar-se
 entre nos um m
 ovimento de interesse pela Ciência da Adminis-
1traçäo, sob formas variadas: foram criados em alguns
ministérios
il@ núcleos de OM (Organizaçäo e Métodos), publicou-se um
boletim
 L
OM, prometeu-se uma ampla Reforma Administrativa - que aliás
<nunca se definiu nem executou (1) -, chamaram-se a Portugal
peri
 tos estrangeiros altamente qualificados na matéria, criou-se
na
Presidência do Conselho um «Secretariado da Reforma Adminis-
trativa» (depois extinto), lançou-se uma secçäo portuguesa do
«Institut International dês Sciences Administratives», com o
nome
@0ficial de Instituto Portugués de Géncias Administrativas
(1969) e
@cOmeçou-se a editar, como boletim desta associaçäo, a revista
«Ciências Administrativas».
 No plano universitário, contudo, nada se adiantou até ao 25
 en ensinada e nenhum
'de Abril: a Ciê cia da Administraçäo nunca foi
livro de tomo foi até entäo publicado no país (2).
 Já depois da Revoluçäo, foram dados alguns passos, ainda
imuito tímidos: criaçäo de uma disciplina de «Ciência da
 (1) V. o rimeiro documento sobre o tema, nesta fase, editado
pelo
 p
Ministério das Finanças, A Reforma Administrativa -
Contribuiçäo para os traba-
lhos preliminares, Lisboa, 1962.
 (2) V., no entanto, o plano do que seria Um curso de Géncia
da Adminis-
traçäo, por MARCELLO CAETANO, em OD, 98, p. 298. Cfr. do mesmo
autor,
Problemas actuais da Adminístraçäo Pública portuguesa, OD, 98,
p. 321.
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Admi ' traçäo» na licenciatura em Direito Gurídico-Políticas)
da
 MS 1
Universidade de Coimbra; criaçäo de uma cadeira de «Direito
Administrativo e Ciência da AdrrlinistraÇäo» no curso de
Direito 1
da Universidade Católica; previsäo, nesta última, para efeitos
de
licenciatura e post-graduaçäo, de uma opçäo em «administraçäo
pública»; criaçäo de um doutoramento em «Ciência da Adminis-
traçäo» na Faculdade de Direito de Lisboa; etc. (i).
 Só agora, na década de 90, se inaugura verdadeiramente o
cultivo da Ciência da Administraçäo em Portugal, que se fica a
dever aos trabalhos pioneiros de um jovem docente da Faculdade
o Pro£ Doutor JOÄ
de Direito da Universidade de Lisboa -, o
CAuPEP,s que, por sugestäo nossa, se abalançou a fazer o
doutora-
mento em Ciência da Administraçäo, com uma dissertaçäo sobre
A administraçäo periférica do Estado. Estudo de Ciência da
Administra-
çäo, Lisboa, 1993, a qual já havia sido precedida de um outro
estudo do autor na mesma área científica, resultante de um
ine-
vitável estágio nos EUA @) @) .
 Na Introduçäo (1 15 págs.) e no capítulo 1 da Parte 1 (34
págs.) dessa dissertaçäo, encontrará o leitor uma síntese
muito
actualizada sobre o objecto e os métodos próprios da moderna
Ciência da Administraçäo nos principais países do mesmo tipo
de
civilizaçäo e cultura que o nosso, com particular relevo, como
 (1) Sobre a matéria deste número, v. os autores e obras
citados na
Bibliografia geral e ainda AFONSO QUEIRó, Liçöes, P. 200-227;
GARRIDO
FALLA, Tratado, I, p. 148-166; e M. BAENA DEL ALcAzAR, Curso
de Ciência de
Ia Administraciótt, I, Madrid, 1985.
 @) joAO CAupERs, Importánda e dificuldades da Ciéncia da
Administraçäo
comparada: contributo para a compreensäo dos conceitos básicos
da Ciência da Admi-
nistraçäo norte-americana, separata da RFDL, Lisboa, 1990.
 0) Näo queremos esquecer aqui uma outra dissertaçäo de
doutoramento
em Ciência da Administraçäo, embora elaborada numa perspectiva
ainda pre~
dominantemente jurídica, que apesar de apresentada e aprovada
nunca
Universidade espanhola, obteve já entre nós o reconhecimento
da equivalên-
cia e acaba de ser publicado: ANTóNIO CANDIDO DE OLIVEIRA,
Direito das
Autarquias Locais, Coilnbra, 1993.
 197
näo podia deixar de ser nesta matéria, para os Estados Unidos
da
 1 .
America.
 Oxalá esta semente possa frutificar e que as Universidades
portuguesas - primeiro ao nível dos mostrados e doutoramento,
um dia ao nível de uma licenciatura autónoma - avancem deci-
didamente na senda da consolidaçäo e aprofunclamento dos estu-
en
dos de Ci' cia da Administraçäo, ainda que com um inexplicável
atraso de mais de 100 anos em relaçäo aos Estados Unidos da
América!
 Na verdade, temos para nós que o estudo e o ensino univer-
sitário da Ciência da Administraçäo constituem hoje uma das
primeiras pri oridades na problemática da administraçäo
pública
portuguesa. Pouco ou nada se pode esperar do movimento de
reforma administrativa se a nível acadêmico o conhecimento
exacto e científico da nossa Administraçäo e das suas
deficiências
continuar a näo existir: na verdade, como pretender que os
políticos e os altos funcionários do Estado optem entre
modelos
alternativos de reforma da Administraçäo Pública, se ninguém
em
Portugal estudar ou investigar a matéria da Ci^ncia da
im
Administraçäo e se, portanto, o conheci ento dos problemas
administrativos näo atingir um minimo, de estruturaçäo
científica?
 45. A Reforma Admiffistrativa
 Em consequência do deficiente conhecimento do aparelho
administrativo e dos seus vícios de organizaçäo e
funcionamento,
todas as tentativas
Guilherme
Guilherme fez um comentário
Para quem não sabe, o Dr. Freitas do Amaral é um doutrinador português, pelo que, talvez, não possa ajudar muito aos colegas brasileiros (embora acredite que o bom estudante saberá sempre apreciar o conhecimento, especialmente vindo de um autor tão distinto). Abraço, bons estudos!
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Lara
Lara fez um comentário
É de que ano?
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Lara
Lara fez um comentário
Livro estranho...
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Hélder
Hélder fez um comentário
Não consigo baixar o livro de Curso de Direito Administrativo do Prof. Dr. Freitas do Amaral O que faço
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